Ressaca

Quinta-feira, 15 Maio 08, 07:41 PM

Final da Copa da Uefa: Zenit versus Rangers.

O duelo entre a vodka e o whisky terminou com uma ressaca que supúnhamos ter acabado nos confrontos futebolísticos do velho mundo.

A Europa toma medidas extremas para combater o hooliganismo, mas tais medidas não foram eficientes para evitar o que se passou ontem ao final do jogo que definiu o Zenit como campeão da Copa Uefa.

Ouvi muito por cima na terça-feira, a declaração do técnico do Zenit sobre não contratar negros para o time, já que a torcida ficaria extremamente enfurecida se houvesse, entre seus “brancos puros", algum exemplar da raça negra.

Os negros: o berço e o túmulo da civilização.

Condeno veementemente o racismo e o preconceito.

A intolerância e a violência. O desrespeito às diferenças.

Não me apraz o Zenit como campeão da Copa da Uefa.

Não pelo time em si, mas pela sua torcida.

Por mim, passariam anos, até a eternidade se possível, sem conquistar um título sequer.

É o tipo de torcida que merece a não conquista de nada que seja feito para coroar.

A única coroa que torcidas assim merecem, é a da ridicularidade.

Servem como ponto de referência: “Ta vendo aquele cara ridículo ali? Nunca seja como ele!”.

E tivemos então o maior exemplo de como não se comportar num jogo de futebol. De como não se comportar no mundo.

Uma violenta briga que começou do lado de fora – já que milhares de torcedores do Rangers não conseguiram entrar – do estádio do Manchester City terminou com um torcedor do Zenit esfaqueado!

Vejo as cenas da briga pela tv e aquilo me faz mal.

Se a mim faz mal de longe, imagino que mal não foi feito às pessoas que estavam por perto. Às pessoas que tiveram alguém ferido, ou quem se feriu sem ter envolvimento algum com o comportamento de seres que se dizem humanos.

“A raça superior” mostra mais uma vez que o nível de sua superioridade está aquém do nível de inferioridade do ser humano mais baixo e vil que possa estar com os pés plantados neste planeta.

Quando vamos aprender?

Olho ao redor e vejo escrotice de comportamento por todos os lados.

Alguém aprisiona a própria filha por 24 anos num porão, a engravida várias vezes e sai de casa como se fosse a melhor pessoa do mundo.

Alguém deve grana pros parentes, mas como não tem dinheiro para pagar e morre de vergonha disso, resolve matar todos a machadadas.

Sinto como se, os esforços concentrados das pessoas que pensam em mudar um pouco – que seja – a consciência de outras pessoas acerca da violência ou o que a faz surgir, fossem completamente inócuos.

Não há manifestação.

Não há vontade de mudar.

“Ah! Isso aconteceu tão longe! Isso não me afeta. Não conheço nenhuma das pessoas envolvidas, então que se dane!”.

É...um dia eu ou você poderemos estar numa linda final de campeonato, feliz com a vitória ou triste com a derrota e não sair vivo dali. Ou pior, perder um filho, um amigo.

Será que é mesmo necessário que sintamos na nossa carne, o corte da faca mais afiada para nos importarmos com o outro que sofreu em função da violência no futebol?

 

 

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Postado por Lucastro | Comentários (2)

Salvemos al fútbol Brasil

Terça-feira, 13 Maio 08, 01:20 PM

Há uns meses atrás tive contato com o site Salvemos al fútbol através do site do documentário "Puerta 12" do argentino Pablo Tesorieri que mostra a tragédia no estádio Monumental de Nuñez em 1968. Nesta ocasião, 71 pessoas morreram.

Em setembro do ano passado, a TV Cultura exibiu o documentário "Argentina y su Fábrica de Fútbol", do diretor Sérgio Iglesias que nos mostra, entre outras coisas, a paixão do argentino pelo futebol e sua garra.

Como sempre fui atenta ao que me diz meu pai, Seo Osmar, parei para observar de modo menos tendencioso e com certa isenção de rivalidade, o futebol da nossa vizinha Argentina; e assim aprendi a apreciá-lo.

De certo modo nos assemelhamos aos irmãos argentinos no que se refere ao fanatismo e à violência que a paixão pelo esporte gera, com uma única diferença: os argentinos lutam efetivamente pelos seus direitos, enquanto nós, brasileiros, apenas reclamamos.

Cansados de tanta violência e auxiliando parentes de vítimas que morreram em decorrência do futebol, Mónica Nizzardo e Mariano Bergés se uniram numa Associação Civil sem fins lucrativos para disseminar a semente da luta por um futebol sem violência e corrupção, chamada "Salvemos al fútbol".

Tentei angariar opiniões sobre possíveis ações, de modo que o Estatuto do Torcedor seja de fato cumprido, ou de que modo poderíamos combater a violência e a corrupção no futebol mas...apenas um amigo retornou o meu pedido.

O blogueiro Marco MV em post recente, reclamou da falta de respeito com a torcida durante a venda de ingresso para o jogo da final do Paulistão de 2008. Mas o que fazemos para que isso não aconteça mais?

Invariavelmente nos acotovelamos para conseguir os ingressos, enquanto cambistas circulam normalmente entre torcedores ávidos por futebol e policiais que colocam o cabresto nos olhos. Ainda assim, compramos o ingresso das mãos dos cambistas por preços absurdos, sem garantia e tudo isso por causa do nosso clube de coração.

Esta é apenas uma das inúmeras coisas erradas que envolve o futebol brasileiro e enquanto NÓS TORCEDORES não nos mobilizarmos, não chamarmos a responsabilidade para nossas pessoas para acabar com coisas assim, continuaremos com a cabeça encostada no Muro das Lamentações Futebolísticas/Políticas/Sociais esperando cair do céu a solução.

E as propostas de solução devem partir, não da boa vontade de quem está se beneficiando com a violência e com a corrupção, mas sim de quem se vê efetivamente lesado por elas.

A janela está aberta.

Basta você olhar.

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Postado por Lucastro | Comentários (0)