Terça-feira, 13 Maio 08, 01:20 PM
Há uns meses atrás tive contato com o site Salvemos al fútbol através do site do documentário "Puerta 12" do argentino Pablo Tesorieri que mostra a tragédia no estádio Monumental de Nuñez em 1968. Nesta ocasião, 71 pessoas morreram.
Em setembro do ano passado, a TV Cultura exibiu o documentário "Argentina y su Fábrica de Fútbol", do diretor Sérgio Iglesias que nos mostra, entre outras coisas, a paixão do argentino pelo futebol e sua garra.
Como sempre fui atenta ao que me diz meu pai, Seo Osmar, parei para observar de modo menos tendencioso e com certa isenção de rivalidade, o futebol da nossa vizinha Argentina; e assim aprendi a apreciá-lo.
De certo modo nos assemelhamos aos irmãos argentinos no que se refere ao fanatismo e à violência que a paixão pelo esporte gera, com uma única diferença: os argentinos lutam efetivamente pelos seus direitos, enquanto nós, brasileiros, apenas reclamamos.
Cansados de tanta violência e auxiliando parentes de vítimas que morreram em decorrência do futebol, Mónica Nizzardo e Mariano Bergés se uniram numa Associação Civil sem fins lucrativos para disseminar a semente da luta por um futebol sem violência e corrupção, chamada "Salvemos al fútbol".
Tentei angariar opiniões sobre possíveis ações, de modo que o Estatuto do Torcedor seja de fato cumprido, ou de que modo poderíamos combater a violência e a corrupção no futebol mas...apenas um amigo retornou o meu pedido.
O blogueiro Marco MV em post recente, reclamou da falta de respeito com a torcida durante a venda de ingresso para o jogo da final do Paulistão de 2008. Mas o que fazemos para que isso não aconteça mais?
Invariavelmente nos acotovelamos para conseguir os ingressos, enquanto cambistas circulam normalmente entre torcedores ávidos por futebol e policiais que colocam o cabresto nos olhos. Ainda assim, compramos o ingresso das mãos dos cambistas por preços absurdos, sem garantia e tudo isso por causa do nosso clube de coração.
Esta é apenas uma das inúmeras coisas erradas que envolve o futebol brasileiro e enquanto NÓS TORCEDORES não nos mobilizarmos, não chamarmos a responsabilidade para nossas pessoas para acabar com coisas assim, continuaremos com a cabeça encostada no Muro das Lamentações Futebolísticas/Políticas/Sociais esperando cair do céu a solução.
E as propostas de solução devem partir, não da boa vontade de quem está se beneficiando com a violência e com a corrupção, mas sim de quem se vê efetivamente lesado por elas.
A janela está aberta.
Basta você olhar.
On Preconceito, racismo, discriminação - Somos efetivos na luta para banir tais atitudes do futebol?