Terça-feira, 01 Abril 08, 08:02 PM
Como todo certame bastante disputado, longe das (via de regra) mesmices dos campeonatos nacionais da Europa, a Liga dos Campeões assiste hoje e amanhã a partidas de nível bastante elevado e serão, penso, igualmente acirradas. Fala-se pouco do confronto Schalke 04 x Barcelona por motivos a distância óbvios, principalmente a qualidade a separar em categorias diferentes os catalães e os alemães. Interpreto de forma diferente e, apesar de me esconder sob um sentimento vago de quem passará às semis, banco minha opinião de que serão jogos onde o Schalke imporá uma dificuldade ainda não experimentada pelo ex-time de Cruyff e Maradona. Isso basicamente porque o Barcelona é um grupo em ruínas. Como equipe, resiste ainda com seus talentos individuais, mas agrava-se a lacuna que deixam, por exemplo, Messi (machucado) e Ronaldinho (em crise técnica e, acho, psicológica). Me parece, por tudo isso, que mesmo um time mediano como o Schalke possa ser o algoz de equipe superior tecnicamente: menos por seus próprios méritos, mais pela decomposição do adversário — decadência essa moral e anímica, mas perceptível também com a bola nos pés. Posso me enganar, claro, mas não consigo ter segurança na classificação catalã.
O mesmo estranhamento provoca o confronto Fenerbahçe x Chelsea. Evidente que o clube inglês desponta como favorito, mas vejo o time turco com claras qualidades que podem complicar aquele que, para muitos, é um dos principais candidatos ao título. Partida curiosa. Arsenal x Liverpool, esse sim, não posso dizer o que esperar. Clássico inglês, times em momentos similares, equipes com poderio técnico parecido. O Liverpool superou a covardíssima e superestimada Internazionale, enquanto o Arsenal “surpreedeu” o Milan no San Siro. Leio o Arsenal como equipe mais equilibrada, bem definida em suas funções. Os Reds têm elenco de qualidade, mas ainda assim menos imponente que os londrinos. Gerrard, como diz amigo meu, é senhor jogador e líder de um grupo que encontra motivação na adversidade. Prognóstico difícil, tendo a apostar no Arsenal analisando sob a perspectiva técnica e no Liverpool sob o viés emocional.
Tudo isso para dar fundamentação à minha opinião sobre Manchester United x Roma, e notadamente sobre o time inglês. No jogo, acredito num desempenho incomum por parte dos italianos, procurando prevalecer sobretudo a partir da disposição e do orgulho ferido na desclassificação no último ano, pelo mesmo adversário, com constrangedor 7 x 1. Vem dessa tragédia, penso eu, o maior impulso para a Roma, sabidamente menos capacitada. Quanto aos Devils, com alguma audácia, sempre necessária, arrisco o pescoço e aponto no time da cidade do Oasis o favorito para o título da Liga. Como bem sugere a ascensão progressiva ao longo da temporada, o trabalho está sendo bem feito, procurando — e encontrando — variações e descobertas qualificadíssimas. Ânderson atuando como volante atesta a riqueza da qual sir Alex dispõe, além, é claro, de Cristiano Ronaldo, melhor do mundo em breve. Wayne Rooney, antes atacante finalizador, foi mais uma “vítima” do ímpeto relativizante de seu técnico, passando a jogar eficiente e solidariamente na construção das jogadas, concluindo na medida do possível. Paul Scholes volta a representar equilíbrio no meio-campo, Evra é bom lateral, Vidic um zagueiro competente e sério e Van der Saar um goleiro experiente. O que mais se poderia pedir de um favorito? A despeito de ser uma de minhas equipes queridas, voto Manchester United para campeão da Europa.
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