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Situações opostas, mas nem tanto... - Continuação

Segunda-feira, 15 Dezembro 08, 06:08 AM · Comentários (4)

DIFICULDADES MESMO NO SUDESTE/SUL

A paulista Luciane Castro auxilia duas jogadoras de futebol feminino e nos diz que mesmo por lá há dificuldades com o futebol feminino. O motivo? “Não há muito interesse porque não rende um bom dinheiro como rendem os meninos”.

Segundo Luciane, ao contrário do que se pode pensar, “a organização do futebol feminino em São Paulo ainda engatinha e devagar. Temos o Campeonato Paulista, mas há grandes clubes de fora que simplesmente não possuem uma equipe feminina. A FPF de uns anos pra cá tem a participação exclusiva na organização do campeonato, mas antes não era assim. A secretaria de esportes da cidade era quem organizava campeonatos”.

Uma de suas jogadoras, a lateral Lágrima, atua no momento no Juventude-RS, disputa o Campeonato Gaúcho e atuou pelo clube na segunda edição da Copa do Brasil, organizada pela CBF. Já Alinne, mora em São Paulo, mas está sem clube. Segundo Luciane, “ambas têm dificuldades para se deslocar porque o dinheiro a se investir é alto”.

Além de não ter não ter condições para que as meninas busquem peneiras para entrar num clube grande, como Corinthians e Santos, que se destacam no Campeonato Paulista de Futebol Feminino, mesmo que conseguissem, “precisariam de um patrocinador, de alguém que ajudasse com suas despesas; um patrocinador que bancasse suas faculdades (estudar é primordial), sua moradia, suas roupas”.

ALAGOAS

A tesoureira do Esporte Clube Alagoas (ECA), dona Esmeralda Tavares, está a vinte anos na batalha do futebol feminino, desde que suas filhas começaram a atuar no CRB. Já são dez anos que sua família criou o ECA.

No final da década de 1990, ela e o filho foram os responsáveis por juntar equipes para formar um campeonato local. O último dos dois Campeonatos foi em 1999, com título do time de Dona Esmeralda.

O clube já disputou jogos em vários estados do país, como Pernambuco, Bahia e Minas Gerais, onde em 2006, na cidade de Ubá, venceu equipes do Equador e do Chile. Sobre isso, ela nos disse: “a gente não sai para perder”.

Atualmente, o clube disputa todo ano o único torneio feminino do Estado, o Torneio Feminino Sesi/TV Gazeta, o qual sempre fica entre os quatro melhores. Assim ela justifica o fato de a alguns anos não vencer o torneio: “Tiraram as melhores jogadoras [no meio do campeonato] com promessas e no final não receberam nada, ‘num’ tinha nada escrito e depois dispensaram. O negócio é quebrar o time daqui”.

COPA DO BRASIL

Quanto ao único torneio nacional, a Copa do Brasil de Futebol Feminino, em sua segunda edição, ambas têm críticas ao torneio. Dona Esmeralda deixa claro que foram motivos políticos que fizeram a Federação Alagoana optar por um time não-filiado, o Cesmac (faculdade local), para participar do torneio: “a raiva toda dele [presidente Gustavo Feijó] é que não votamos nele”. Além disso, ela nos fala que o torneio é um paliativo, “já para não ter complicação, nem despesas, para não ter gasto demais. Dá aquele tantinho de ajuda e é mata-mata”.

Luciane vai além e o compara com a Série C do Brasileiro, em que os clubes não recebem apoio nenhum da CBF. Para ela, “a Copa do Brasil é apenas um passo, os estaduais poderiam ser fomentados, poderíamos ter um campeonato brasileiro de pontos corridos para as meninas. A coisa toda poderia ser mais fomentada. Mesmo a imprensa dá pouca atenção ao que as meninas fazem”.  

Esperemos que a vinda de Cristiane para atuar no Corinthians neste ano e a série de conquistas femininas, principalmente quando comparadas com o badalado futebol masculino, sirvam para que passemos da fase do apoio em forma de palavras para uma firme ajuda ao futebol feminino.  

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Postado por Alagoanos | Comentários (4)

4 Comentários · Adicionar o seu

Lucastro
1. Lucastro Escrito: | 11.25BRST | Dec 15, 2008

É a esperança, embora a coisa seja muito mais profunda do que parece. Exemplo muito próximo: o pai da minha filha Maria Luiza que é louca por futebol e quer jogar. Ele refuta nossos argumentos sobre "mulher jogar futebol". Mas não desistiremos!
=)
No que diz respeito às profissionais, há quem nem as conheça e diga categoricamente que o futebol feminino não tem futuro pois não dá retorno.
É lutar, sabe? Só espero que esta luta não seja inglória.

Lucastro
2. Lucastro Escrito: | 11.25BRST | Dec 15, 2008

Ah! E ai me esquecendo!
Obrigada pela oportunidade!

Alagoanos
3. Alagoanos Escrito: | 13.30BRST | Dec 15, 2008

Já li em algum lugar, acho que foi no site da Trivela, alguém falando que futsal, futebol feminino, futebol de areia não eram esportes.

Lucastro
4. Lucastro Escrito: | 13.37BRST | Dec 15, 2008

Responder para Alagoanos:

Já li em algum lugar, acho que foi no site da Trivela, alguém falando que futsal, futebol feminino, futebol de areia não eram esportes.

Bem, diante disso, vamos abstrair determinadas opiniões...pra mim tudo é futebol, até aquela tábua cheia de preguinhos que jogamos com uma moedinha...e quem não entende futebol nas suas variações...paciência!

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