Terça-feira, 13 Maio 08, 05:57 AM
Por ROBERTO VIEIRA
Há 120 anos era assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel.
Uma lei com apenas dois artigos:
Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
Simples na escrita. Profunda nos seus designios. Motivo de festa nas ruas do país. Princípio da República.
Por caminhos tortos, a Lei Áurea foi muito mais importante para o futebol brasileiro que a Lei Pelé.
Quase 60 anos depois era lançado um clássico da literatura brasileira. O livro 'O Negro no Futebol Brasileiro' de Mario Filho.
Pois o Brasil sem o negro seria um país de futebol nenhum. Um saco de pancada dos argentinos.
Mas a chegada dos antigos escravos no futebol foi lenta. Porque a abolição da escravatura no Brasil foi mais verbo que ação.
Os amigos de Charles Miller jogavam bola nos gramados bem cuidados dos clubes ingleses.
Os negros imitavam seus trejeitos nos campos de terra batida. Descalços e incultos. Criativos.
As portas dos clubes e das salas grã-finas eram fechadas aos negros. Até que os negros começaram a fazer gols.
E o gol subverteu a história do Brasil. Abriu portas.
El Tigre. Olhos claros, tez indefinida, futebol de gênio. Como a sociedade escravagista poderia resistir aos dez mil gols de Fried?
Como se até o Champs-Élysées beijava seus pés?
Como se ali do lado os uruguaios veneravam Jose Leandro Andrade?
Enquanto nossos jornais insistiam em chamar os jogadores negros de colored, hábito que persistiu até os anos 60, surgiu Fausto.
E depois de Fausto, Domingos da Guia. E depois de Domingos da Guia, Leônidas.
Leônidas que subverteu as leis da física com suas bicicletas tal qual Einstein.
O Brasil descobriu Zizinho. Ou será que foi Zizinho quem descobriu o Brasil?
Os mestres do apocalipse colonial porém insistiam: 'Temos talento mas não temos nervos. O negro é frágil, doentio, sifilítico...'
Como se as doenças da pobreza fossem causa e não consequência do Jeca Tatu.
Quando fomos derrotados em 50, um culpado: Moacir Barbosa!
Crime: Ser negro.
E baniram-se os negros da camisa número 1 da seleção brasileira.
Da camisa número 1. Porque das demais camisas era tarde demais. Ou não?
Publicou-se um relatório nos corredores do futebol antes de 1958. 'Com os negros não ganharemos uma copa jamais!'
Voltem as chibatas. Os navios negreiros. Restaure-se o pelourinho!
Eis que uma criança apanha uma bola na coxa, dribla um bretão e encaçapa uma bola nas redes com a sem cerimônia de um rei africano.
Silêncio. A imagem daquele rapazola franzino sendo carregado em triunfo na Suécia era um paradoxo. Um cataclisma.
A liberdade oferecida no bico de pena era agora conquistada na ponta da chuteira.
O Brasil se descobria Brasil nos pés e na arte de um neto de escravos.
Pois, que importa do nauta o berço?
O gol não tem certidão de batismo, árvore genealógica, nome e sobrenome feudal.
O Brasil começou a ser Brasil 120 anos atrás. Num dia de domingo. 13 de maio.
No mesmo horário de um Fla-Flu, de um Palmeiras x Corinthians, de um Clássico das Emoções. De um Ba-Vi.
Há 120 anos era assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel.
Uma lei com apenas dois artigos...
Segunda-feira, 12 Maio 08, 09:54 PM
Em 1971 o Internacional chega em Recife.
Campeonato Nacional.
Recebido com frieza. Mas sem fogos durante a noite.
No dia 9 de setembro os comandados de Dino Sani vão conhecer Boa Viagem.
Mas em vez de banho de mar e tubarões, ginástica.
O tricampeão gaucho irá jogar na Ilha do Retiro contra o tricampeão pernambucano, Santa Cruz.
Na cabeça um só resultado: A vitória.
Em 2008 o Internacional chega em Recife.
Copa do Brasil.
Na cabeça o empate está bom demais!
Segunda-feira, 12 Maio 08, 04:48 AM
O Santa Cruz vive dias de Watergate.
O presidente Edson Nogueira, o popular Edinho, eleito em 9 de dezembro de 2006, não se entende com a torcida. Edinho que assumiu um clube pré-falimentar. Um clube que tinha apenas três jogadores profissionais em seu plantel. Edinho que foi o único presidente eleito pela oposição na história do clube.
Mas o futebol vive de resultados, e os resultados do Santa em 2007 e 2008 foram os piores possíveis. Em rota de colisão com o mandatário coral, 275 sócios convocaram uma Assembléia Extraordinária para a próxima terça-feira. Edinho garantiu nas rádios a realização da Assembléia durante as últimas semanas.
Porém, num drible de corpo, conseguiu de última hora um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça de Pernambuco suspendendo o encontro.
Parte da torcida e dos sócios pede o impeachment do presidente. Impeachment que não é um processo criminal, e sim político. Impeachment que nos acostumamos a ver nos episódios de Nixon e Collor.
O Santa Cruz vive dias de Série C, mas o grande medo no Arruda é a novidade da CBF: A criação da Série D. E o medo não é infundado. A campanha do tricolor no campeonato pernambucano foi vergonhosa. Classificou-se em sétimo lugar e esteve durante algumas rodadas sob risco de rebaixamento. Carlinhos Paraíba, uma das revelações do clube, foi embora para o Coritiba. Outra, Thiago Capixaba, desvinculou-se do clube na justiça.
Não há time. Não se pode sequer abrir uma conta em banco para contribuições. Enquanto isso o grande investimento da gestão Edinho foi a compra de um moderno ônibus. Ônibus que será muito útil nas intermináveis viagens pelo interior do Brasil este ano.
Edson Nogueira já teve dias de glórias e decepções no futebol. Foi preparador físico do Sport em 1975, ano em que o rubro negro quebrou um jejum de doze anos sem título. Foi treinador do Náutico em 1987 e seu diretor técnico em 2000 com resultados pífios. Mas nada se compara aos dias de hoje. Dias de Watergate tricolor.
Conversando com um torcedor do Santa Cruz, ele me confidenciou que o que mais assusta a torcida não é exatamente a possibilidade de ver Edinho no poder até o final do ano.
Mas a possibilidade de sua reeleição em dezembro de 2008.
Como para se reeleger é preciso ter votos de alguém, resta a conclusão de um clube dividido. Em plena guerra civil.
Um clube, um presidente e uma torcida que ainda não perceberam que a vaidade só marca gol contra.
Segunda-feira, 12 Maio 08, 03:26 AM
10/09/72 Gilson, Gena, Sidcley, João Paulo, Romero e Helinho em pé; Paraguaio, Dedeu, Edvaldo, Zezinho e Elói agachados
A estréia sempre é um momento difícil.
Os jogos são complicados.
Dificilmente temos um grande jogo.
Tudo é dúvida.
Tudo é possível.
O primeiro jogo do Náutico na primeira divisão do Brasileiro foi no dia 10 de setembro de 1972.
O Santa, tetracampeão pernambucano.
O Náutico, campeão do Torneio Eraldo Gueiros.
Um duro e hipnótico 0 x 0 zagaliano.
O Náutico só foi perder uma estréia cinco anos depois contra o São Paulo.
São Paulo de Minelli que seria campeão brasileiro.
Só Deus e a CBD sabem como.
Até hoje, e depois de ontem foram 23 partidas.
8 vitórias. 4 empates. 11 derrotas.
Abaixo, as estréias do Timbu.
Estréias de sangue, suor e dúvidas!
10/09/1972 - Náutico 0x0 Santa Cruz
25/08/1973 - Ceará 2x2 Náutico
10/03/1974 - Náutico 2x0 Atlético-MG
24/08/1975 - Sergipe 2-3 Náutico
01/09/1976 - Náutico 3-0 Flamengo-PI
16/10/1977 - Náutico 0x1 São Paulo
26/10/1978 - Náutico 0-1 Santa Cruz
27/09/1979 - Náutico 0-1 Uberaba
24/02/1980 - Náutico 0x0 Ferroviário
7/01/1982 - Ferroviário 1x2 Náutico
22/01/1983 - Cruzeiro 3x1 Náutico
29/01/1984 - Grêmio 2x0 Náutico
27/01/1985 - Grêmio 1-0 Náutico
31/08/1986 - Náutico 1x0 Vasco
17/09/1987 - Criciúma 2-0 Náutico
10/09/1989 - Internacional-SP 3-2 Náutico
18/08/1990 - Náutico 1x0 Santos
02/02/1991 - Botafogo 2x0 Náutico
26/01/1992 - Náutico 0-0 Sport
04/09/1993 - Náutico 2-1 Santa Cruz
17/09/1994 - Náutico 1-3 Palmeiras
13/05/2007 - Atlético-MG 2-1 Náutico
Segunda-feira, 12 Maio 08, 03:24 AM
O Náutico ganhou três pontos. Ponto.
Em um jogo difícil, encardido, nervoso.
O Goiás foi o de sempre, um time difícil de ser batido, chato, tinhoso.
A torcida vaiou Paulo Almeida, Thales e Laborde.
Vaiou como se vaia o adversário. Com todo desprezo e rancor.
Mas a gente precisa examinar os dois lados da questão.
E o futebol tem mais do que dois lados da questão.
A formação do Timbu no início da partida foi errada?
Será?
Vejamos.
Radamés na direita já era esperado.
Thales na esquerda, não!
Mas Berg estava marcado por Roberto Fernandes desde o jogo no Mineirão.
Jogo em que Berg jogou mais deitado que em pé.
Então entrou Thales pela enésima vez.
Thales que até agora no Náutico jogou apenas um minuto
Exatamente o primeiro minuto de sua estréia contra o Cruzeiro quando acertou um chute no ângulo.
Depois, éter.
Mas qual a opção?
Não tinha, vai ter.
E Thales foi a avenida por onde circulou o time goiano.
Laborde era carta fora do baralho.
Mas como lançar Helton de frente.
Com a torcida no calcanhar do time.
Se Helton cometesse um erro seria crucificado.
Pediriam aos berros: 'Barrabás! Tragam Barrabás!'
Não tenho a menor sombra de dúvida sobre o assunto.
Já fizeram isso com Thiago Laranjeira e cia. limitada.
Então a decisão foi: 'Bota Laborde pra correr pra cima da defesa do Goiás'.
E Laborde correu pra cima da defesa do Goiás.
É o que ele sabe fazer. E fez na medida do seu possível.
Paulo Almeida errava os passes. Parecia disperso.
A torcida vaiou em uníssono. Ré sustenido maior.
Entrou Alceu. Resolveu. O time venceu.
Mas não é o time definitivo. Não é.
O time que enfrenta o Fluminense tem Ruy e Wellington. E João Paulo.
O Náutico está forte. O Náutico é líder.
Tem quem não concorde com as palavras acima.
Mas sempre tem dois lados da mesma questão.
E amigo, no futebol tem sempre mais de duas versões.
Quanto as críticas da imprensa a Roberto Fernandes e ao Náutico, melhor é deixar pra lá.
Como cantava Pablo Milanés:
'...Soy feliz,
soy un hombre feliz,
y quiero que me perdonen
por este día
los muertos de mi felicidad'.
O Náutico é líder e Pernambuco está cheio de muertos de su felicidad...
Segunda-feira, 12 Maio 08, 03:22 AM
"Até hoje eu não sei, meu filho. Ele poderia ter sido qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Sempre foi um menino inteligente, aplicado nos estudos, sempre tirava notas boas na escola.
Mas tinha alguma coisa de diferente nele.
Os irmãos organizavam uma pelada e ele ficava de apito na mão, apitando falta, marcando pênalti. O caçula gostava de ser artilheiro, dizia que era o Roberto Dinamite. Mas, doido igual ao Zezinho, só o mais velho que brincava de ser goleiro.
As outras mães davam força. Diziam que ele levava jeito pra coisa. Tinha pelada? Lá ia ele de preto. Brabo feito siri. Se alguém dizia que ele tinha errado na marcação ele logo dava cartão, enfrentava, gritava.
Perdi a amizade da minha vizinha no dia em que ele expulsou os dois filhos dela na final do campeonato da escola. Ela nunca se conformou. Dizia que ele era muito rígido. Inflexível.
O pai ria da história. Dizia que aquilo ia sobrar pra mim. Mesmo assim levou uma conversa séria com ele e disse que ninguém vive de apito honestamente. Ele devia procurar uma profissão, ser engenheiro, advogado. Ser juiz era pras horas vagas.
Ele concordou, entrou pra faculdade de direito e pro curso de árbitro da Federação. Passou nos dois com distinção.
Eu fiquei toda orgulhosa na entrega dos diplomas. Meu filho sorria feliz. Começou a apitar jogos importantes. Jogo que apareceia na televisão. Começou a ser elogiado pelos jornalistas, reconhecido nas ruas. Era o juiz revelação do futebol brasileiro segundo o Globo Esporte.
Eu, como mãe, colecionava suas fotografias num álbum de retratos. Mas nunca fui a campo.
Um dia ele chegou triste, cabisbaixo. Marcou um pênalti que o tira teima mostrou que foi fora da área. Nesse dia ele mal dormiu. Eu vi a luz do quarto acesa até tarde. Ele estava na frente da televisão assistindo mil vezes o mesmo lance. Controle remoto nas mãos.
De manhã nem quis tomar café. No trabalho ouviu piadinhas infames durante todo o expediente. Mas os dias se passaram, outro jogo chegou e ele foi se acostumando com a vida.
Um dia disseram que ele roubou. Logo meu filho, sempre tão honesto, incapaz de contar uma mentira. Aquilo doeu fundo na alma dele. Mas um colega mais antigo veio conversar com ele e disse que nessa profissão todo mundo acha que só tem ladrão.
Mal sabem eles o sofrimento de uma mão quando ouve o filho ser xingado por uma multidão.
Escrevo estas linhas por um motivo apenas. Um motivo tão singelo quanto impossível.
Não é por mim. É por tantas mães no Brasil e no mundo que irão sofrer vendo os seus filhos correndo em campo. Proibidos de fazer um gol e levantar a camiseta com os dizeres: 'Valeu mamãe!'
Eu gostaria que pelo menos uma vez lembrassem que a mãe do juiz é uma mãe igual a todas as outras. Igual a mãe dos torcedores.
E que pelo menos nesse dia lembrassem delas com carinho.
Obrigado pela atenção"
Mercedes Alencar, mãe de juiz
Segunda-feira, 12 Maio 08, 03:20 AM
Por ROBERTO VIEIRA
Muitas vezes alguém escreve nos livros e revistas: 'O tempo foi inclemente!'
Pura inverdade. Ninguém é mais clemente que o tempo. Tempo que a tudo esquece e cicatriza.
Por isso a história incomoda tanto. Martiriza os profetas do hoje e do amanhã. A história, esta sim é inclemente.
Muitas vezes remoendo as páginas dos arquivos dessa república, descobre-se o novo no antigo. Pois não há nada de novo sob o sol.
Muitas vezes o pesquisador queda silencioso. Muitas vezes fica melancólico. Onde está a novidade deste mundo?
Novidade não há.
Os homens se atropelam nos esportes e na política, repetitivos. Redundantes. E na maioria das vezes, um gol ou uma eleição modificam o humor das palavras. Dos verbos. Dos adjetivos.
Poderia citar milhões de exemplos no futebol. O futebol que é pródigo em analogias. Mas ontem eu topei com uma imagem irônica. Irônica porque triste. Irônica porque sutil. Mais irônica ainda para quem conhece os desfechos da história.
Em 1959 Miguel Arraes se candidatou a prefeito do Recife. Miguel Arraes que se dizia um homem do povo. Tido como comunista por muitos. Chamar alguém de 'comunista' era grave ofensa. Ou elogio da mais alta espécie. Dependendo de quem falava e de quem ouvia.
Na edição de primeiro de agosto de 1959, lá está Miguel Arraes ocupando uma página de um dos nossos diários.
Para mim uma surpresa. Porque encontrar algum texto sobre Miguel Arraes neste jornal é sempre uma surpresa. Basta dizer que nos mês de março de 1964, Arraes pouco aparece nos jornais de maior circulação. E quando aparece era melhor que não aparecesse.
Pois bem. Era véspera da eleição de prefeito. Arraes e seus correligionários, quero pensar que foi assim, sacaram o cheque e compraram aquele espaço publicitário. Espaço que foi o único que tiveram naquela eleição. Tanto que, nos dias que se seguiram, sua vitória foi totalmente ignorada pelos editores.
Eu não sou um purista do jornalismo. Nem jornalista sou. Gosto apenas de folhear jornais. Sou dos leitores que acreditam que o leitor deveria saber qual a linha editorial dos jornais. Se é de direita, esquerda, centro, psicodélico?
Mas no Brasil, os jornais e as revistas se autodecretaram Bíblia. Lidos como sagradas escrituras.
Não sou fã de Miguel Arraes, mas já fui. Aos poucos os políticos foram me afastando da política. Portanto essa imagem e esse texto são puramente um exercício de linguagem. Um exercício de observação do passado e do presente.
Atualmente os jornais surrupiam seu passado autoritário. Engavetam as matérias ingratas. Os jornais são clementes consigo mesmo. Confiantes na ampla generosidade do amigo tempo.
Por isso existem tão poucos arquivos públicos no Brasil. Embora por lei, cada cidade devesse ter o seu. Arquivos são coisa muito perigosa. Subversiva.
Porque apenas a história é inclemente. Ela não é prima irmã do tempo.
Ela não é amiga de ninguém!
Segunda-feira, 12 Maio 08, 03:17 AM
Não é o São Paulo...
Quantas vezes eu não imaginei o Timbu usando a faixa vermelha do Ajax?
Fato corriqueiro.
Mas um fato que não passa de um colonialismo mal disfarçado.
Embora, tudo seja colonialismo, a começar do futebol.
Esporte bretão.
Em 1959 o Santa Cruz não resistiu a tentação colonial.
O Santa Cruz de Clóvis, Hamilton e Biu.
O Santa Cruz que em 1957 foi supercampeão.
Pois o Santa Cruz sapecou no peito um escudo copiado fielmente do São Paulo de Zizinho.
São Paulo campeão paulista de 1957.
Alguém vai me dizer 'as cores são as mesmas'.
E eu vos direi no entanto.
Quando o São Paulo foi criado, o Santa Cruz já era cobra criada.
Então é melhor deixar a Ajax pra lá e o Náutico pra cá.
Um certo colonialismo é inevitável.
Mas é preciso lembrar quem nós somos.
Sempre!
Segunda-feira, 12 Maio 08, 03:03 AM
Alan Cole
Aos poucos Laborde deixa de ser esperança de Acosta e passa a ser lembrança de Alan Cole.
Alan Cole que chegou no Náutico cheio de bossa.
Amigo de Bob Marley.
Alan Cole que foi aos poucos vendo seu futebol diminuir, diminuir...
Até ser capturado pelo tempo.
Trinta e seis anos se passaram.
E a torcida do Náutico lembra dos cabelos de Alan Cole.
Mas ninguém consegue lembrar de seus gols.
Em 1972 até jogou bem contra o CRB.
Porém contra o Sergipe, Gradim o deixava na reserva.
E se preparava para lança-lo no túnel do tempo.
Vamos torcer que Laborde acerte o pé.
Pro bem dele. E do nosso.
Segunda-feira, 12 Maio 08, 03:01 AM
Manga e o relógio
O dia 4 de agosto de 1959 era um dia festivo na Ilha.
Uma terça-feira de homenagens.
Um amistoso que serviu como parte do pagamento da compra do goleiro Manga pelo Botafogo.
Mas era um amistoso perigoso.
O Botafogo trazia a fina flor do futebol mundial.
Garrincha, Nilton Santos, Quarentinha, Zagalo...
Antes da partida, Manga e Bria foram homenageados com um relógio de ouro cada.
Mas depois o que se viu foi uma chuva.
De gols.
Até os 30' do primeiro tempo houve o show de Mané Garrincha.
Então, Quarentinha abriu o marcador.
E ampliou três minutos depois: 2 x 0 Botafogo.
Até que não estava de todo mal.
O Sport voltou disposto a virar o marcador no segundo tempo.
Mas Garrincha e Paulinho ampliaram.
E Rossi sacramentou a goleada nos instantes finais: Botafogo 6 x 0.
O que era festa transformou-se em briga.
E quase que o jogo não termina.
Manga jogou o de sempre: Uma barbaridade.
Nilton Santos sorri...
On COLONIALISMO NO FUTEBOL