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  <title>La Bodeguita</title>
  <link>http://br.oleole.com/blogs/la-bodeguita</link>
  <description>Não gosto disso. Me prende a um estilo e o futebol não permite que sejamos repetitivos.</description>
  <item>
    <title>Das tragédias ressurgem as nações dominantes</title>
    <link>http://br.oleole.com/blogs/la-bodeguita/posts/das-tragdias-ressurgem-as-naes-dominantes</link>
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    <description>Que o dia 02 de dezembro de 2007 fique marcado como o Dia D para milhões de pessoas que viram a âncora naufragar rumo à divisão maldita do futebol nacional. Nessa data, os torcedores do glorioso
Corinthians reafirmaram seu amor pelo clube e mostraram que a paixão é fundamental para a caminhada de uma agremiação de tal porte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante anos, várias e inúmeras taças encobriram um mar de lama por onde navegava o maior Timão do mundo, provocando ilusões em sua torcida que crescia, amava cada vez mais e não tinha como se
preparar para a queda. Os cataclísmicos de plantão já a anunciavam, mas mesmo eles estavam com a manjada frase &quot;a camisa salvou o Corinthians&quot;, na ponta dos dedos. A tragédia veio e ficou a dor. Dor
essa que os corintianos deverão carregar Natal adentro e pelo resto da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Guardadas as devidas proporções, o rebaixamento pode ser comparado à morte de um amigo ou parente. Confesso que não conheço tal dor de perto, pois há muito que não tenho time, desde a derrota em
Sarriá. Porém, observo os semblantes dos torcedores e vejo que seu choro é inconsolável. Mas outros já caíram e se reergueram, maiores, mais confiantes e já sabendo que a segunda divisão nada mais é
do que uma provação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é para esse ponto que o corintiano deve dirigir seu foco. A Inglaterra foi dizimada pelas V2 e V8 nazistas na segunda guerra e ressurgiu. Roma foi queimada por Nero e hoje é a casa do representante
divino. A Alemanha, que duas guerras gerou e por duas vezes foi arrasada, renasceu, repensou suas idéias e atualmente é a terceira nação mais rica do planeta. Por que haveria de ser diferente com o
Corinthians?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A queda deu aos palmeirense a libertação do nefasto Mustafá. Aos gremistas, a final da Libertadores enquanto os botafoguenses ganharam de volta o respeito e a credibilidade em forma de nova diretoria
e mentalidade. O Fluminense há anos que esbanja dinheiro, embora precise ainda aprender a administrá-lo, porém seus torcedores vivem um novo mundo. Sempre disse a amigos que o Brasil (país) precisa
de uma tragédia para crescer na adversidade, como as grandes nações do planeta. O Corinthians agora teve a sua. Basta saber usá-la.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os milhões de habitantes da Nação Corintiana sofrem mas já sabem que a dor vai passar. Para alguns antes e para outros demorará mais. Mas ela vai passar. E quando passar, ai dos adversários.</description>
    <pubDate>Mon, 3 Dec 2007 09:44:40 -0600</pubDate>
  </item>
  <item>
    <title>Obrigado Fluminense</title>
    <link>http://br.oleole.com/blogs/la-bodeguita/posts/obrigado-fluminense</link>
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    <description>&lt;p&gt;
  Há muito tempo atrás, quando eu ainda podia ir ao Coliseu do futebol, o Maracanã me recebia com bandeiras, cornetas, torcidas e civilidade. Mas graças à cromagnização humana e essa volta aos tempos
  de tacapes e pedras, hoje não vemos mais nos estádios as cores e a beleza das superiores fazendo a moldura ideal para o espetáculo nos gramados.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Qual corintiano não sente saudade do Morumbi zebrado quando vê as imagens do título de 77? Aquele mar de bandeiras enormes agitando como caravelas chegando às Américas para refazer o mundo. E a
  torcida do Flamengo, sempre pródiga em criar músicas e movimentos nas arquibancadas, hoje se resume à meia-dúzia de panos com desenhos de tanques, facas e caveiras, incitando a chacina de rivais
  que apenas possuem outra ideologia futebolística. Isso me deixa triste.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Mas a colorida e alegre torcida do Fluminense me deu um sopro de alegria. Vi pela televisão aquelas pequenas bandeiras engolindo a massa. Aquelas luzes grená e verde misturando-se com o pó de arroz
  tradicional que acompanha a entrada do time em campo. A proporção era de 20 flamengos para cada 1 fluminense, mas a festa tricolor foi bela e antiga, como o futebol que gosto.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Me remeteu aos anos 60 e 70. Quando eu ainda subia a rampa do Bellini, levava comigo uma almofada com o símbolo do meu time. Uma bandeira, daquelas descartáveis que de tanto agitar, acabavam-se
  durante os 90 minutos de partida. Mas eram bandeiras especiais, com as cores dos times e os títulos impressos ano a ano. Era comum na época, a cada taça levantada, os torcedores correrem para
  comprar a versão atualizada da bandeira.&amp;nbsp;
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Sempre sentei-me na área central das arquibancadas, entre as torcidas e com as famílias, onde o sol batia e queimava forte. Era época de cem mil pessoas educadamente sentadas no cimento e não
  nessas cadeiras plásticas que voam arquibancada abaixo, após uma derrota para o rival odiado. Gostava de ficar no meio para poder comparar as festas das organizadas. Sim, eram essas as verdadeiras
  torcidas organizadas, não essas quadrilhas que fazem de Pablo Escobar e Al Capone personagens de contos infantis.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  O que se vê hoje é outro mundo, outro estádio. O tempo andou para frente mas o torcedor involuiu. Transformou o amor pelo time num dogma bélico que formenta tristes manchetes nas páginas policiais.
  Eu talvez esteja antiquado por não entender como se torce hoje. Não entendo porque devo bater, espancar e matar a golpes de foice uma pessoa que escolheu sair de casa com uma camisa de um time
  diferente do meu. Alguém pode me explicar como se torce hoje em dia? Devo matar em nome do meu time?
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Ainda tenho esperança. A torcida do Fluminense, com as centenas de bandeirinhas, fumaça, cores e paz me deu esse alento. Mas acredito que tanto eu quanto a torcida tricolor que vi pela tv, sejamos
  espécie em extinção. O futuro é das bandeiras com tanques, facas, caveiras e foices.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  -------------------------------
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Estou vendo que esse sítio está realizando uma belísima promoção para enviar autores ao Japão. Ao que parece, basta que nós votemos nos amigos e torcer que sejam escolhidos. De minha parte, podem
  ter certeza que contarão com meu voto todos aqueles que o solicitarem. &amp;nbsp;
&lt;/p&gt;</description>
    <pubDate>Fri, 12 Oct 2007 13:24:03 -0500</pubDate>
  </item>
  <item>
    <title>Entre cães e urubus</title>
    <link>http://br.oleole.com/blogs/la-bodeguita/posts/entre-ces-e-urubus</link>
    <guid>http://br.oleole.com/blogs/la-bodeguita/posts/entre-ces-e-urubus</guid>
    <description>&lt;p&gt;
  Olá amigos,
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Passei alguns envolvido com negócios no México e não pude escrever com a frequência que gostaria, mas estou de volta e estarrecido com o que vejo. A secular briga entre Botafogo e Flamengo
  extendeu-se por essas plagas e acirrou os ânimos de dois jovens escribas.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Um é o sofredor. O outro, o arrogante. Naturalmente, o primeiro é o Botafogo e o segundo, o Flamengo. Não há definição mais acurada para esses dois seres mitológicos do futebol brasileiro. É
  impossível termos um bom senso quando se trata dessas duas nações eternamente em guerra. Como Esparta e Atenas, uma depende da outra para viver ao mesmo tempo que sonha com a morte da rival.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  O Botafogo chama o Flamengo de arrogante. &lt;em&gt;Pardon me&lt;/em&gt;, mas isso não pode ser utilizado como insulto, JAMAIS. Um Flamengo é arrogante por natureza, faz parte de seu DNA. O bebê que não chora
  no parto, sabe-se que será Flamengo. Isso é um mérito? Não, passa longe. O Flamengo mostra sua força e levanta o queixo, mas esconde-se na escuridão para chorar a vergonha. Viveu anos de ouro e
  décadas de angustrura, quando mesmo de posse da mais populosa torcida brasileira, nada além de parcos estaduais cariocas venceu. Se dizia que clássico contra o Flamengo era bicho certo.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Mas a torcida cresceu e a mística nasceu quando aquele time chato dos anos 80 teimava em não perder. Posso apostar meu relógio de ouro dado por meu pai, que não há viv&#039;alma nesse país que não tenha
  sentido raiva e inveja daquele Flamengo. Um time que como dizia o seu hino, só tinha uma diretriz: vencer, vencer, vencer. E assim seguia, trilhando os campos do Brasil e do mundo, brindando os
  torcedores com a magia de um nobre 10, cujo nome não preciso repetir pois até os marcianos ouviram aquela ensandecida torcida berrar no Maracanã.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Mas o Flamengo caiu. Ao longo dos anos se tornou apenas uma caricatura alimentada por fantasias de uma imprensa ávida por vender capas de jornais. Um mero título regional, daqueles que o clube tem
  aos montes, se transforma numa façanha hercúlea digna de ser cantada ao longo das eras. E o Flamengo-torcedor veste seu auto-intitulado Manto Sagrado e sai, cabeça erguida, pensando ser o dono da
  cidade que o olha com nojo. Mas com respeito. Essa camisa ainda vence.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Mas.... e o Botafogo? Talvez não tenha havido time mais me enchera o olhos. Nem o paulista praiano onde Deus encarnou. O Santos era um time vencedor, matador e aniquilador. Mas o Botafogo era como
  um filme de comédia, você ia ao Maracanã e ria compulsivamente. Eu costumava chamar o Botafogo de Chaplin do Futebol. Uma figura em preto e branco que derrubava em gargalhadas o público onde se
  apresentava. Didi, o gênio-mor, regia a orquestra com Nilton Santos como fiel escudeiro. Outros craques amaciavam os rivais para os solos de Garrincha que roubavam a cena. Os torcedores d&#039;outros
  times não perdiam a esportiva e se divertiam em ver seus zagueiros caidos no chão como crianças num pré-escolar.&amp;nbsp;
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Mas esse Botafogo morreu. Vive na memória e alvinegro que só, em imagens P&amp;amp;B de arquivo. Não se permitiu continuar e depois de anos soberano, padeceu à peste dos 21 anos. De lá em diante virou
  um erro abominável. Um time sem alma, sem vida e sem força. Hoje nada mais é do que um engodo que alterna bons momentos com vexames inexplicáveis. Mas o velho Botafogo ainda reside na minha
  lembrança. Não vi Napoleão guerrear, mas vi o Botafogo jogar e o seu futebol antigo também mereceria um túmulo na Notre Dame, para o mundo inteiro reverenciar.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Flamengo e Botafogo, duas antíteses e dois irmãos ao mesmo tempo. Um colorido com o vermelho da raiva e da força e o outro democrático, com as anti-cores unidas da forma mais justa do mundo. Não há
  espaço para ódio entre duas agremiações tão sublimes, mas a cordialidade é algo que não consta no vocabulário dos 90 minutos que definem o vitorioso da batalha.
&lt;/p&gt;</description>
    <pubDate>Fri, 28 Sep 2007 20:27:34 -0500</pubDate>
  </item>
  <item>
    <title>Olá amigos.</title>
    <link>http://br.oleole.com/blogs/la-bodeguita/posts/ol-amigos</link>
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    <description>&lt;p&gt;
  Olá amigos. Sou como vocês, brasileiro e amante de futebol. Não necessariamente nessa ordem, pois não sei se nasci ou se comecei a idolatrar o futebol primeiro. É uma pergunta que me abespinha
  &#039;alma desde aquela primeira vez no estádio, com meu saudoso pai. Era um acanhado estádio incrustado no meio de montanhas bolivianas. Não mais do que seis anos eu tinha e não há como me lembrar o
  nome daquele ermo povoado que eu pai me levara com o intento de fechar negócios. Era um barão do açúcar, o homem da foto ao lado.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Não vivo no país onde nasci. Rodei o mundo e hoje estou na ilha abençoada e embargada, onde gasto minhas economias e conto minhas histórias. O nome desse sítio é uma homenagem ao meu recanto
  preferido em Havana. Quando para cá vierem, conheçam La Bodeguita.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  &lt;br /&gt;
  Voltando ao jogo, não me façam lembrar dos times em questão. Equipes mínimas, uma vestia vermelho e a outra amarelo. O tempo, os vinhos e os charutos me acabaram os neurônios. O que me lembro é do
  fascínio que aquilo me passou. Uma tarde qualquer numa cidade perdida, centenas de gaudérios se espremiam sob calor inclemente para entregar a alma por aqueles 22 jogadores. A bola era maltratada
  naquele terreno barro-gramoso. Mas a gana e a fome daquelas pessoas, ávidas por ver o gol, aquilo me seduziu.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Enquanto meu pai discutia a compra e venda de caminhões carregados com o doce pó branco, eu decidi que minha vida seria dedicada a seguir esse esporte. Em todos os cantos do mundo estive, a quase
  todos os jogos assisti. Derrotas, vitórias, epopéias e fracassos. Vi de tudo, mas nada me preparou para o que assisto agora, justo no Brasil.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Uma criança desabusada conseguiu colocar toda uma nação numa crise de identidade, naufragando toda a história que demoramos anos para construir. Que culpa temos se apenas ele consegue jogar futebol
  com os pés E com a cabeça? Kerlon, esse jovem com nome de personagem do filme Conan, é uma dádiva. O Coelho é para ser morto com pauladas. O garoto foi um sádico dos tempos modernos, humilhando uma
  pequena tripa de torcedores acometidos pela loucura aviária e um time que na época de Cabral ainda vencia alguma competição.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Mas o que se passou em seguida? Por acaso criamos uma estátua para esse Espártaco das Alterosas, um jovem talento que luta ao meio de máquinas doutrinadas nas escolinhas de embrutecimento de
  jogadores? Não. A imprensa novamente agiu como a hiena, animal asqueroso, e se interessou apenas pelas sobras e excrementos do meio, dando destaque e voz à criminosos do futebol para depois rir e
  se lambuzar do fel da audiência.
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
  Onde vamos parar? Daqui a pouco o esporte que amo estará confinado aos museus e galerias, enquanto continuaremos a ver nos gramados esse futebol anômalo, sem graça e sem vida.
&lt;/p&gt;</description>
    <pubDate>Fri, 21 Sep 2007 14:30:39 -0500</pubDate>
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