Domingo, 11 Outubro 09, 12:38 PM
Caros amigos, companheiros de JIHAD:
Terça-feira, 09 Dezembro 08, 05:25 AM
Passada a ressaca do vexame dado pelo bando de Caio Júnior, voltamos a raciocinar com clareza e com um olhar no futuro. A opção por um coordenador de nome e peso como Parreira não é de todo ruim, desde que venha um técnico, claro. Agora é juntar os cacos e preparar o terreno para o ano que vem. Temos um grande perigo: a Copa do Brasil. Avançando nesta competição "atalho" para a Libertadores, corremos o seríssimo risco de mandar para o caralho o Brasileiro-2009 - competição esta já sob risco depois da bravata de nosso presidente, dizendo que "o Flamengo não perderia para o Atlético Mineiro se tivesse um time formado na base".
Me arrisco a dizer que o Flamengo perderia de oito ou nove se estivesse apenas com os jogadores formados em casa de que dispõe hoje.
Mas o assunto que me traz ao JIHAD hoje é outro. Nas ruas e nos comentários de blogs venho notando que muitos estão confusos quanto aos conceitos. Principalmente os não-rubro-negros. E, como sempre, mestre Arthur Mulamba vem aqui no JIHAD ser didático e dar esclarecimentos para este curioso grupo étnico. Vejamos o comentário deixado aqui:
Como sempre, fodão o texto. O do teu pai também, show de bola.E foda-se 1000 vezes a arcoíris, será que esses filhas da puta não tem um blog pra falar merda, têm que vir defecar nos blog do Mengão?
Faço aqui o mea-culpa de não ter ido sequer uma vez ao Urublog nas cinco rodadas finais, mais por falta de tempo do que por desleixo. É infração de lesa-pátria, não passível de prisão, mas pelo menos de multa, já que o Urublog é leitura obrigatória de quem ostenta no lado esquerdo do peito o escudo do Monumental.
Mas me chamou a atenção como mestre Mulamba, com palavras sutis e educadas, define o comportamento do grupo étnico gabiru "Não-Flamengo": "têm que vir defecar nos blogs do Mengão"?
De fato, é curioso isto: mesmo com a queda do Vasco (sobre a qual voltaremos a falar), não joguei no google "blog do Vasco" para ficar tripudiando nos comments nem uma vez sequer. Nem pensei em tal hipótese. A bem da verdade, não sacaneei ou tripudiei de NENHUM vascaíno. Pelo menos até agora.
Desnecessário dizer que, fosse o Flamengo a cair para a segunda divisão, a cidade estaria repleta de casais tricolores e alvinegros (do mesmo sexo) ou outdoors pagos por armazéns e padarias, festejando a queda.
E aí o comentário do Mulamba me esclareceu, de certa forma, o comportamento deste estranho grupo étnico: eles na verdade se comportam como a Colônia diante da Metrópole. O oprimido diante do opressor. O indivíduo sem raízes diante do Leviatã.
É difícil explicar a esta etnia que a grandeza absoluta do FLAMENGO pouco ou nada tem a ver com seus títulos conquistados. Talvez fosse um preço muito alto a ser pago, mas às vezes eu gostaria que um déspota aparecesse e, com um ato institucional único, tornasse nulas absolutamente todas as conquistas rubro-negras. Neste momento, aí sim, a etnia entendesse em um segundo o que é o FLAMENGO, quando cada rubro-negro dissesse, a baba bovina (royalties para Nelson Rodrigues) escorrendo do canto da boca: "E daí? Ainda somos os maiores".
As incursões do Grupo Arco-Íris (falo da etnia dos não-Flamengo, não do grupo de ativistas políticas, embora haja muitos integrantes que frequentam os dois grupos) pelos blogs rubro-negros em busca de polêmica são, portanto, tentativas inúteis, uma espécie de senso de oportunidade bisonho, no qual o pequeno vê no rápido momento de hesitação do grande uma chance de vencer. Em outras palavras, confundem a indignação da Nação Rubro-Negra diante das pixotadas do Jaílton e do Caio Júnior com um suposto "auto-reconhecimento" de que "não somos mais nada" ou "não somos mais os maiores".
Esta etnia não entende que, quando reclamamos do Jailton e do Caio Júnior, estamos apenas agindo como anticorpos diante do corpo estranho: Jailton e Caio Junior (entre outros) nada têm a ver com o Flamengo, e, portanto, alguém tem que levar um baita esporro por isto: aí sobra, sim, para os dirigentes.
Mas querer achar que estes momentos são indicadores de um "enfraquecimento" da Nação Rubro-Negra é de um primarismo tolo, ridículo. É praticamente o mesmo que pensar que os Estados Unidos deixaram de ser imperialistas porque o Partido Republicano perdeu as eleições. Ora, é exatamente em sua atípica democracia que os americanos mais se fortalecem! E é exatamente no imperialismo que eles são mais americanos!
É exatamente no Imperialismo que nós somos mais rubro-negros: se jogarmos em Roraima na Copa do Brasil contra algum time com nome indígena tipo Ji-Paraná, a torcida Arco-Íris vai se deleitar com frases como "É, pensaram que iam jogar contra o Jorge Wilsterman da Bolívia, estão lá jogando em Roraima". Como se houvesse diferença.
Na verdade, estaremos lotando um estádio em Roraima e dando a mais e mais crianças roraimenses a oportunidade de terem uma fé na vida. São mais e mais rubro-negros surgindo.
Mas isto é apenas um exemplo, que nem de longe consegue explicar o Todo. Fato é que a própria etnia Arco-Íris, que se apega a estatísticas e numeralhas tal e qual pesquisador analfabeto do IBGE, só consegue achar graça em seus critérios de avaliação depois que o FLAMENGO começa a participar da coisa. Exemplo: a torcida do São Paulo comemorou muito mais, se envolveu muito mais, nos títulos de 2007e 2008 porque indiscutivelmente havia o Flamengo a ser ultrapassado. E ultrapassaram.
Sim, se tornaram o clube no país que tem "o melhor CT, a melhor estrutura, as melhores banheiras de água quente". Ora, mas estamos falando do quê? De um congresso de corretores imobiliários?
Mas que a torcida são-paulina tenha estas sensações de grandeza ainda vá lá. Mas me espanta, por exemplo, a forma como gremistas ou atleticanos (sejam paranaenses ou mineiros) volta e meia se dão ao direito de quererem RIVALIZAR com o FLAMENGO no quesito GRANDEZA. Me sobressalta o fato de, em tese, ser necessário o FLAMENGO mostrar a GRANDEZA. Mas não acho que valha o esforço.
Para estes, creio, não vale nem a pena abrir a braguilha.
Quarta-feira, 03 Dezembro 08, 08:44 AM
Dia 3 de dezembro, não tem jeito. Para mim, é dia de lembrar do Velho. Chamavam-no, alguns, de Zé Marinheiro, não só por causa de sua passagem pela Marinha, mas talvez por seu caráter meio
nômade, de sair da Bahia jovem e ficar flanando pelo interior de Minas Gerais.
Sorte minha. No interior, encontrou uma jovem com quem se casaria. Não fosse assim, e eu não teria nascido.
Datas, datas.
Nem o 20 de maio, quando ele veio ao mundo, nem o 22 de janeiro, quando deste mundo ele se foi, me trazem mais a lembrança do Velho do que este 3 de dezembro. Não uma lembrança para choro, vela
ou saudade. Mas sim uma....lembrança. Com a intensidade de uma lembrança repentina, daquelas que fazem seu coração acelerar, como quem lembra de repente que esqueceu a carteira em casa ou que
perdeu o telefone celular. Uma lembrança quase física.
E é meio física. Na casa de minha mãe, onde já não moro mais, sou capaz de apontar o pedaço de chão que o velho pisou quando veio me dar a notícia – notícia esta que eu já ouvia dos pulmões de
Waldir Amaral, pela caixinha nas mãos do Zé Marinheiro.
Eu disse que não era uma lembrança para choro? Perdão, eu estava mentindo.
Porque fica difícil me conter quando lembro do som daquela vinheta da Rádio Globo, ao fundo, esclarecendo nossa dúvida repentina. "Fla-men-go-go".
Me vem uma sensação de vertigem porque me lembro como se tivesse acontecido ontem. A luz da memória varia entre o sépia e o fim-de-tarde.
O som é que é estranho. Porque, curiosamente, eu confundo o inconfundível: na minha cabeça, o gol de Rondinelli aos 41 minutos do segundo tempo da decisão do Carioca de 1978 contra o Vasco foi
narrado por Jorge Cúri, a voz potente, empostada, num gooooooooooooooooooooooooooooool profundo, gigantesco, monumental. Mas a verdade já dita (me foi dita inclusive pelo próprio Rondinelli) é
que o gol foi narrado pelo não menos gigante Waldir Amaral (quando criança, eu não gostava dele, e sim do Curi).
O Waldir Amaral do "calibra o centro, executa, entra Zico de cabeça é goool".
Ambos, já desaparecidos, Waldir e Jorge Curi. Gigantescos. Inesquecíveis. E naquele momento, realmente, minhas memórias acertam quando erram: possivelmente os dois narraram na eternidade o gol
de Rondinelli, depois do cruzamento no escanteio cobrado por Zico.
Isto aconteceu há 30 anos e me assusta dizer isto. Eu vivi trinta anos desde então e não parece que foi tanto. Será culpa do Rondinelli?
A imagem é clara, do Zé Marinheiro. O rádio – 'click' - sendo desligado com raiva, conformados, pai e filho. Os minutos intermináveis de silêncio por causa da presunção de que o título estava
perdido - o do segundo turno, e isto nos levaria a uma finalíssima com o mesmo Vasco. Naquele tempo, ficar indo para final era desagradável. Bom era vencer os dois turnos. Hoje em dia, ninguém
ganha os dois turnos. Acho que fica todo mundo – todos os clubes – de olho na grana dos dois joguinhos decisivos, grana da TV e das arquibancadas. Para quê desperdiçar, né?
Naquele tempo, a coisa amadora. E eu e o Zé Marinheiro lá, ouvindo pelo radinho. O filho mais velho dele tinha feito aniversário dois dias antes e estava no Maracanã. Esse aí deu a
sorte de, em 1998, fazer aniversário no dia em que o Real Madrid derrubou o Vasco. Aqui no blog também tem o Juan nascido em data magna, no dia do Mundial Interclubes. É o Juan o único
rubro-negro nascido neste dia tão importante, pelo menos que eu conheça. De fato, ele não podia ser menos rubro-negro do que é.
Mas a memória volta ao Zé Marinheiro, nesta manhã de 3 de dezembro. Lá pelas sete da noite vou até tentar me lembrar da cena. Ele voltando pelo corredor em direção à porta que dava para a sala.
Como eu já disse, Waldir Amaral gritava gol.
E a gente imaginava como tinha sido: Rondinelli banhando em sangue, o bigode desalinhado no rosto, os dentes cerrados, os punhos crispados, braços esticados tal e qual numa cruz, Rondinelli
voando, o encontro com a bola, os dois – Rondi e a bola – sabendo que já eram História. O impacto fulminante, a explosão de milhões de corações. Lágrimas, abraços, suor, mais sangue.
A gente imaginava em silêncio, enquanto nos abraçávamos. Meses depois, em um Flamengo x América (podem conferir), César, do América, fez um gol aos 10 minutos, e nós dois na arquibancada,
sofrendo. O jogo inteiro. Aí, Zico cobra uma falta para dentro da área, Rondinelli dá um peixinho, vestido naquela camisa reserva parecida com a do São Paulo, e é gol. Gol de empate. Mas que
lindo. O Zé Marinheiro pulava e me levantava para ver o replay. No Maracanã tem replay? Não, nada, nem ele sabia porque me levantava. Ou no fundo sabia porquê.
Pelo mesmo motivo que ele religou o rádio naquele 3 de dezembro anterior: para que seu filho pudesse ver o Flamengo. Porque é o Flamengo, este ato nosso, de desligar o rádio impacientes, não
agüentar, e religar no meio do gooooooooooooooooooooooooool.. E é o Flamengo, este guerreiro incansável, esta mistura de São Jorge com Apolo e Hércules que vira Rondinelli no momento de subir
ao céu e nos santificar.
E eu, criança, tive esta visão. Aos 10 anos, eu vi o Flamengo. Não sei descrevê-lo bem até hoje – a visão de criança nos trai, nossas crenças vão mudando à medida que vamos ficando adultos, uns
viram ateus, outros evangélicos, eu permaneci católico. Mas sempre acreditando que eu vi mesmo o Flamengo. Uma entidade com os olhos de fogo, o coração do lado de fora do corpo, pulsante,
forte, imortal, as mãos abertas para abraçar o mundo, um Manto Rubro-Negro a envolver tudo, um céu em torno e ao mesmo tempo contido.
Depois daquele gol, foram cinco anos dos mais felizes: vibramos na arquibancada e em frente à TV, com estaduais, Brasileiros, Libertadores, Mundial. Só paramos quando Zico foi embora para a
Udinese. O Zé Marinheiro, talvez inconscientemente achando que o Zico não voltaria, pegou um barco para a eternidade, num domingo de manhã. Mas acho que ele partiu feliz, com a missão cumprida.
Cuidou de sua família, dos filhos, comemorou títulos rubro-negros.
E ele sabia que eu tinha visto o Flamengo.
Anos mais tarde, tive vontade de contar tudo isto para o Rondinelli, quando, como jornalista, o entrevistei. Não sei se ele iria entender, ou possivelmente não teria tempo para ouvir tudo,
afinal, deve ouvir histórias parecidas de milhões de rubro-negros. Ou talvez escutasse com paciência, já que os ídolos do passado são pessoas de outro nível, não os playboys marrentos que temos
hoje.
Em 2005, quando, às vésperas do meu casamento, me perguntaram quem entraria na Igreja com a mãe de minha mulher, eu não tive dúvidas em responder:
- Eu queria que fosse o Rondinelli.
É claro que todos em volta acharam que era uma brincadeira minha, e se alguém achou que não era, não quis me levar a sério ou nem cogitou que isso acontecesse. Mas o fato é que nestes anos
todos, desde os 16, até os 40 de hoje, nunca deixei de ver no Rondinelli a imagem do Zé Marinheiro.
Vindo do quarto, pelo corredor, em direção à sala, com o rádio ligado de onde Waldir Amaral gritava.
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Aproveito para reiterar com os companheiros de JIHAD RUBRO-NEGRA:
Sábado, 29 Novembro 08, 08:05 AM
Caros companheiros de guerra santa (Jihad) rubro-negra, creio que mais uma vez devo-lhes um pedido de desculpas pela minha ausência nestes dias que se seguiram ao destino tortuoso já previsto aqui neste blog há algumas semanas. Mas acima de tudo, há uma forte justificativa: sendo um escritor independente e que não tem fonte de renda a não ser aquela proveniente de sua labuta diária, não poderia eu arcar com processos judiciais movidos pelo sr. Carlos Eugenio Simon. E se eu fosse escrever algo na JIHAD sobre o jogo entre Flamengo e Cruzeiro, inevitavelmente teria de tecer comentários relativos ao sr. Simon. Teria provavelmente lhe atribuído atos ligados à pederastia ou mesmo insinuado que dentre seus antepassados há mulheres que viviam do lenocínio.
Sem contar a minha opinião sincera, a de que não houve apenas um erro. Não. O sr. Simon já demonstrou inúmeras vezes sua fraqueza de caráter e seu cinismo. Aquilo não foi um simples erro, e sim algo feito com plena consciência.
Chega a ser ridículo, deplorável até, que o sr. Simon apelasse para um VT onde a câmera está “em um ângulo diferente e inusitado” (provavelmente enfiada no cu do cameraman) e que mostra que “Tardelli já estava caindo”. Sinceramente, é o mesmo que o sr. Simon dizer que tem visão onisciente e que percebeu com seus próprios olhos aquilo que uma câmera retal supostamente captou. Ora, mesmo o mais imbecil integrante da torcida arco-íris precisa ter bom senso e pensar (é só jogar fora o chiclete): se é preciso uma câmera de um ângulo não alcançável pela visão humana, é sinal de que o árbitro optou mesmo por não dar um pênalti visível e depois se refugiou nestes “ângulos inusitados” (expressão que provavelmente vem carimbada nos vídeos alugados pelo sr. Simon nas horas de lazer, vídeos onde a palavra “boys” também aparece).
Encerrado este assunto cansativo e ao meu ver botafoguense, vamos logo à realidade dos fatos: possivelmente o Ibson perderia o pênalti. Jogou muito contra o Palmeiras? Jogou, meus parabéns. Mas lembremos: ele perdeu DOIS PÊNALTIS contra a Portuguesa no primeiro turno que, se convertido um deles, tornaria esta derrota muito menos desastrosa. É neste ponto que quero chegar: o Flamengo não perdeu o campeonato por causa do sr. Simon (embora esta fosse a missão dele desde o início), e sim por obra e graça de seus jogadores, técnico e dirigentes. Um campeonato facílimo, tanto que até a antepenúltima rodada havia cinco times com chance de título.
Quando nosso trainee de técnico diz que “os reforços não compensaram” as saídas de Renato “JogaUmaPáraDuas” Augusto, Souza “PerdeGol” e Marcinho “Maria da Penha”, me dá vontade de gargalhar. Um time que perde um campeonato por causa da saída destas três figuras nem deveria entrar em um campeonato. Caio Júnior anunciar que está indo embora é talvez a única notícia boa deste fim de ano – resta saber se o destino nos trará um Marcos Paquetá ou um Espinosa, exemplos de enroladores, ou se virá mesmo um técnico decente.
Da minha parte, temo seriamente por esta vaga na Libertadores. E fico sensibilizado com a postura de nossos irmãos de sangue rubro-negro que não vêem problemas na derrota e preferem acreditar que os jogos contra Goiás e Atlético Paranaense (lá onde jamais ganhamos) já fazem parte da Libertadores. São otimistas incuráveis. O que é, por sinal, característica do rubro-negro clássico.
Mas à luz da razão, não há motivo para acreditar na vaga. Nesta rodada, podemos muito bem perder ponto para o Goiás no Maracanã – jogamos sem Leonardo Moura e sem ânimo – e não vejo como Palmeiras e Cruzeiro deixarem de vencer um Vitória sem pretensões e um Internacional que só pensa na Sul-Americana.
Na última rodada, encaramos o Atlético Paranaense na Arena, onde jamais ganhamos, enquanto o Palmeiras recebe o risível Botafogo em casa (que certamente vai entregar o jogo a mando de seus dirigentes, para não darem ‘alegria à torcida do Flamengo’) e o Cruzeiro recebe a já rebaixada Portuguesa no Mineirão, em jogo no qual é impossível sequer empatar.
Jogaremos, portanto, a Copa do Brasil, o que não é de todo mau, já que um tricampeonato nesta competição cairia muito bem em 2009. O problema é o discurso ufanista do nosso presidente, que voltou a dizer que “quer um time formado na base”, algo que há pelo menos 20 anos já deixou de ser realidade no Flamengo. Nossas divisões de base formam atacantes que não sabem chutar (Jean), goleiro de braço curto (Diego), zagueiros que não sabem se posicionar (Anderson Luís) e lateral que não sabe cruzar (Luisinho). É dura a vida. O nosso presidente, com este discurso xenófobo, possivelmente está querendo dizer que vai faltar comida na mesa e que vamos ter de comer improvisando restos da geladeira.
Nossa base consegue formar um ou outro jogador bom, mas não para o esqueleto, para a espinha dorsal de um time. É suicídio. Para piorar, Márcio Braga ainda faz pouco dos jogadores vindos de fora, ao dizer que “o time não perderia de 3 a 0 para o Atlético Mineiro no Maracanã se fosse todo formado na base”. Ora, presidente: o time perdeu de 3 a 0 por obra e graça do seu técnico-estagiário, que tirou Kléberson (não formado em casa) e colocou Erik Flores (FORMADO EM CASA), desmontando o meio-campo por completo.
Queira Zico (Deus) que eu esteja errado e que o Flamengo ganhe as duas restantes, conquiste a vaga para a Libertadores e obtenha investimentos para reforçar o time. Senão, jogaremos fora essa evolução dos últimos anos, quando desde o ano passado deixamos de brigar por rebaixamento e passamos a brigar na parte de cima da tabela. Pense nisto, presidente. Esta mudança não foi feita pela base, e sim pela mescla.
Que 2009 nos seja leve.Quinta-feira, 03 Julho 08, 12:07 AM
Antes que eu desligasse o computador depois de escrever o texto abaixo, já havia amigos me enviando emails questionando: "Mas como? Você não quer que zoem com o Fluminense? E a festa que eles fizeram com o Cabañas?".
São meus amigos, mas devo dizer que também eles não entenderam o que eu quis dizer: a festa dos tricolores com a vitória do América do México era apenas um alívio por não encontrar pela frente a torcida do Flamengo.
Ora, foi APENAS por não termos seguido adiante na Libertadores que foi possível aos tricolores fazer tumulto em filas, causar brigas, levar gás de pimenta da PM e todas essas coisas pelas quais eles jamais haviam passado.
Estivesse a torcida do Maior do Mundo, Fodaralhaço Mengão, disputando ingressos, e é claro que a partilha num eventual Fla-Flu pela Libertadores seria a de sempre: 70 mil ingressos para a Magnética Rubro-negra, dois mil ingressos para a do Fluminense.
Por tudo isto, não farei palhaçadinhas como fazer foto chorando, vestido com camisa do meu clube para colocar no Orkut. Já disse e repito: toda esta onda dos tricolores com nossa eliminação e suas milagrosas classificações às fases seguintes causaram neles o que batizei de Síndrome de Pobre em Piscina. Não está acostumado, então acaba se mijando.
Espero, sinceramente, que nós, torcedores do Gigantesco Flamengo possamos voltar a nos ocupar de assuntos sérios e mundanos como, por exemplo, a busca terrível por um ingresso para o jogo contra o Náutico. Isto sim, vai ser difícil de conseguir.
Estaremos no Maraca, sábado. Espero que lavem aqueles cosméticos todos da arquibancada.
Quarta-feira, 02 Julho 08, 11:13 PM

Segunda-feira, 30 Junho 08, 07:52 PM
A obrigação de discorrer sobre o último triunfo rubro-negro em terras inóspitas e setentrionais (royalties para Arthur Muhlemberg) acabou me induzindo a um grave erro: deixei passar em branco o trágico fim da Era Eurico no pavoroso Clube de Regatas Vasco da Gama - aliás, a possibilidade da saída de Eurico foi motivo de alerta vermelho (e preto) aqui no JIHAD.
Fiz questão de alertar os companheiros para o risco que corríamos - afinal, o Vasco sem nosso gordo mago tende até a sonhar em ser um adversário razoável em finais de campeonato.
Sentirei saudades, admito. Das promessas de vitória, dos chopes comprados antecipadamente cujos barris eram enfiados um por um nos cus cruzmaltinos na segunda-feira seguinte, das invasões de campo com exibição total de barriga, dos charutos fétidos que faziam com que a área mais respirável fossem as cercanias da fábrica de Sabão Português, enfim, sentirei saudades (como já escrevi lá embaixo) dos gritos de "Ei, você aí, avisa pro Eurico, que ele é vice e eu sou tri (ou bi)"
Agora, nos resta certo temor, admito. Como ir para outra decisão contra o Vasco sem ter a certeza anterior e definitiva de que mandaríamos todos para a casa do caralho? Espero que o Mengão e sua torcida saibam encontrar o caminho das soluções.
O JIHAD, numa última homenagem àquele que nos deu 20 anos de gargalhadas, esculachos e cara para limpar glandes, traz em primeira mão a carta enfiada (revisão, é enfiada mesmo) aos torcedores vascaínos.
Divirtam-se com este que tende a ser o documento mais engraçado dos últimos 20 anos. Os negritos são meus.
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Carta do Presidente Eurico Miranda aos Vascaínos: Aos Vascaínos, Talvez tenha sido pouco. Na verdade, ao cruzar, como Presidente do Vasco, o portão de São Januário pela última vez, é esta a sensação. O que fiz foi pouco. Muito pouco. Considero assim porque nestes mais de 40 anos de serviços prestados ao clube, fiz de cada dia uma obsessão. Obsessão em tornar o Vasco maior, respeitado, intocável. Isso me guiou. Isso me motivou a acordar todos os dias. Quase sem perceber, por esta obsessão entreguei a minha vida. Agora, quando os dias derradeiros dessa trajetória vão passando com rapidez, noto que vivi em função desta paixão sem nenhum pudor em me doar. Sem limites. E o mais incrível: não consigo identificar um foco, sequer, de arrependimento. Faria tudo de novo, mesmo conhecendo os efeitos desta entrega. Mesmo sabendo que esta entrega me custaria, novamente, a destruição de minha imagem pública. O Vasco vale à pena, em qualquer circunstância. Devo esclarecer que o processo que está determinando a minha saída começou há muito tempo. Talvez no primeiro dia do meu primeiro mandato como Presidente. Por esta instituição, em defesa deste clube, fiz inimigos muito antes de me tornar Presidente. Convivi, de janeiro de 2001 a junho de 2008, com todo tipo de ações orquestradas na intenção de inviabilizar o Vasco e minha administração. Valeram-se delas uma parcela da mídia e os inimigos internos, artífices de um cerco que atingiu o coração desta casa com 110 anos de existência. Os últimos capítulos deste cerco todos devem ter acompanhado. Pressionados, cometemos o erro ansiosamente aguardado pelos inimigos, ao não recolher custas de 30 reais em um processo relativo às eleições de 2006. Foi decretada a revelia, nossa defesa foi desconsiderada e, dali por diante, o que se viu foi uma verdadeira avalanche, desencadeada do topo da montanha do poder deste estado. Resta-me a mágoa de ter constatado que, embora o alvo fosse eu, o Vasco foi pisoteado, massacrado, desrespeitado. Seu Estatuto rasgado. Feriram o meu sentimento vascaíno, não por este desrespeito ter decretado o meu afastamento, mas ao ignorar a História centenária do nosso clube. Não é feitio meu fazer-me de vítima. Há os que sobrevivem disso, elegem-se para cargos políticos sob a estratégia da vitimização. É evidente que não é o meu caso. Tenho plena consciência dos inimigos que fiz, muitos na mídia. Alguns, de fato, merecedores da minha inimizade. Outros, nem tanto. Batalhas que venci e batalhas que perdi. Sempre em nome do Vasco. Sempre em defesa do Vasco. Reconheço, contudo, que há dois lados na moeda: assim como os enfrentei, esperaria naturalmente os contra-ataques, desde que eles fossem feitos de forma honesta. Acontece que a desonestidade e a mentira passaram a estar presentes em todas as matérias a meu respeito. Insurgir-me contra isso passou a ser mais um dever. Ontem mesmo, em um editorial que supera todos os limites do bom-senso e que toca o ridículo, a editoria de esportes do jornal O Globo, numa demonstração medíocre de revanchismo, expôs toda a satisfação pela consumação do golpe que me afastará do Vasco. As inverdades e a desonestidade pautaram o texto, como de costume.Foram capazes de ressuscitar, por exemplo, acusações da CPI do Futebol, sepultadas, recentemente, pelo Superior Tribunal de Justiça. Foram capazes de afirmar que no episódio lamentável ocorrido em São Januário na final da Copa João Havelange, mandei feridos se retirarem do gramado para que o jogo recomeçasse, quando o áudio da gravação original comprova que eu disse exatamente o oposto: o jogo só recomeçaria após o atendimento de todos os feridos. Também foram capazes de levantar alguns fatos isolados que eles colocam como insucessos esportivos. A isso, respondo com currículo: desde que assumi o comando do futebol do Vasco, ajudei a conquistar 3 dos nossos 4 títulos brasileiros; 7 títulos estaduais; uma Taça Libertadores da América; 1 Copa Mercosul; 1 Rio-São Paulo. Foram diversas Taças Guanabara e Taças Rio. E mais: fazendo justiça ao nosso passado, busquei, junto à Conmebol, o reconhecimento oficial da entidade ao nosso título Sul-americano de 1948, tido pelos historiadores como a "primeira Libertadores". Isso sem contar a minha participação na formação de equipes campeoníssimas nos esportes amadores. Posso citar o futsal, o remo, esporte de nossas origens, e o basquete, no qual nos sagramos bicampeões brasileiros, bicampeões da Liga Sul-americana e vice-campeões mundiais, perdendo apenas para o time campeão da NBA, o Santo Antônio Spurs. Assim, a editoria de esportes de O Globo até pode suprimir de seus editoriais os meus notáveis feitos à frente do Vasco. Mas jamais os suprimirá da história. Jamais manchará a minha trajetória. Ainda no trilho das realizações, orgulho-me do crescimento patrimonial que esta diretoria proporcionou ao Vasco, mesmo sendo alvo de constantes agressões e sabotagens. E confesso a emoção ao me lembrar de que abracei a idéia do projeto do Colégio Vasco da Gama, que já formou diversas turmas de primeiro e segundo graus, verdadeiro projeto de cidadania. Apesar de todas as dificuldades, inerentes a todos os clubes, mas incrementadas no caso do Vasco comandado por um "vilão", mantive os sonhos. Os meus sonhos e os sonhos de centenas de jovens e crianças pelos quais fui responsável. Também sonhei os sonhos da nossa torcida. Assim como tenho plena noção de que a acostumei com títulos em profusão, assumo a responsabilidade por, neste período em que ocupei a presidência, só termos conquistado o Estadual de 2003. Longe de ser um jejum desesperador, ao contrário do que vende a mídia. Mas, gostaria muito de ter rompido o cerco que impediu nossas conquistas habituais. Estivemos muito próximos de conseguir. Agradeço a participação dos torcedores. Estejam certos de que nosso clube, caso seja mantido no seu rumo, ainda chegará ao topo, assim como quase chegou em 1998 e 2000. Um agradecimento especial ao nosso quadro social. Pelo menos por três vezes ele demonstrou maturidade e responsabilidade, dizendo não às pressões externas: nas eleições de 2003, nas eleições de 2006 e ao repelir com veemência a remarcação desta eleição para o último dia 21 de junho. E, finalmente, a minha sincera gratidão àqueles que não me abandonaram. Dirigentes, colaboradores, funcionários. Amigos próximos ou distantes. Muito obrigado por terem me ajudado a atravessar momentos tão críticos e dolorosos. Apesar de acreditar que muito mais poderia ter sido feito, deixo a presidência com a consciência daqueles que cumpriram o seu dever. Um bom elenco no futebol, o nono lugar no Brasileiro de 2008, com boas perspectivas de melhora. Diversas promessas surgindo na base. Salários em dia, estrutura intocável, estádio bem cuidado, parcerias encaminhadas, como no caso da Lusoarenas. Nossas dívidas mais críticas equacionadas. O título estadual de remo em nossas mãos. Enfim, um cenário excelente, quando se leva em conta os obstáculos que nos foram impostos. Por fim, lembro que, pelo Vasco, enfrentei de Senadores da República a traficantes colombianos. Pelo Vasco, abri mão dos prazeres sociais mais simples, principalmente quando a tentativa de desmoralização imposta a mim atingiu o seu nível mais alto. Pelo Vasco, renunciei até à minha saúde. O Vasco sempre esteve acima de tudo. E, sendo assim, despeço-me dizendo que estarei atuante como Grande-Benemérito que sou. Pelo Vasco e para o Vasco a experiência e o conhecimento que acumulei ao longo destes anos estarão sempre disponíveis. Jamais me furtarei a ajudar, se um dia for convocado. Pelo Vasco, as mágoas e cicatrizes são colocadas à margem. O sentimento sempre prevaleceu e assim permanecerá. A minha contribuição a esta instituição sustentou-se assim: no sentimento. Sentimento que não pode parar.Saudações Vascaínas, Eurico Miranda |
Terça-feira, 24 Junho 08, 11:31 AM
A leitura dos jornais até que andava tediosa e soporífera nesta terça-feira: mais uma vez se falou na venda de ingressos para a monótona e sem-graça final de Libertadores entre Fluminense e a potência LDU, mais uma vez (não li, mas deve ter sido isso) o sr. Calazans pediu a derrubada do Dunga com base no que há de mais moderno no futebol – ou seja, Didi, Gérson, Canhoteiro, Batatais, Djalma Santos, Garrincha - e mais uma vez não havia notícias do Botafogo (ou eu é que não percebi onde estavam).
Nas notícias do Mengão Casca-Grossa, mais um sinal da má-fé e incompetência de dirigentes querendo oferecer dois laterais que jogam bem de vez em quando por um meio-campo que não joga porra nenhuma há uns sete meses. Sendo que seu último passe certo foi há oito.
Enfim, tudo ia seguindo como manda o script das manhãs, faltando apenas a navegada na Internet e a cagada protocolar, aquela que deve ser efetuada com a página de esportes nas mãos.
Eis que, de repente, o meu coração foi acelerado pela adrenalina e pelo pânico: lá no meio da cobertura das eleições do Vasco (creio que já estávamos nas páginas de polícia), a informação alarmante, terrível, de que Eurico Miranda cogita não se candidatar mais a presidente do clube de São Cristóvão.
O horror! O horror! – escreveria o britânico Joseph Conrad diante de notícia que mergulhou meu coração em trevas.
Creio que a notícia é tão importante que deveria estar nas páginas dedicadas ao Rubro-Negro Único e Supremo do Universo.
O que faremos sem Eurico? Confesso que a perspectiva de não termos mais o gordo atabalhoado à frente daquela agremiação pavorosa é algo que não tinha passado pela minha cabeça – ainda que fosse perfeitamente previsível (afinal, a Polícia Federal, o Ministério Público e a Companhia de Limpeza Urbana um dia perceberiam que ali estava um alvo de trabalho).
Nós, rubro-negros, devemos admitir: nunca estivemos preparados para perder nosso grande Euricão.
Quem vai comprar chopes antes e enfiar tudo no rabo depois a cada decisão de estadual (como tem sido desde 1988, ou seja, há 20 anos)?
Quem vai estimular nossos atletas com declarações estapafúrdias? Quem vai invadir gramados nos proporcionando espetáculos grotescos de banha e fúria? Como poderemos cantar o hino já mais do que tradicional (a autoria já é de domínio público, o prazo de manutenção de direitos autorais até já venceu) “Ei/Você aí/Avisa pro Eurico que ele é vice e eu sou bi/tri”?
Que nome colocaremos na música usada pelo tenebroso gaúcho Leonel Brizola (cuja foto foi colocada no post de baixo meio a contragosto) na campanha de 1989 (La-la-la-la-Brizoooooo-la com imagens de criancinhas pobres comendo de boca aberta em Cieps)? Para quem não lembra, a letra é “Vai tomar no cu/Euriiiiiiiico/Vai tomar no cu/Euriiiico/Ser campeão do mundo/Você não conseguiu/Agora vai pra puta que pariu” (com imagens de rubro-negros felizes a pular exibindo faixas de campeão).
Senhores, o momento é de extrema gravidade e creio que exigirá do Clube de Regatas do Flamengo providências urgentes. Tivéssemos uma diretoria realmente preocupada com os destinos do clube e todos estariam cagando para o Ibson neste momento.
É urgente realizar uma campanha de novos sócios para reforçarmos as eleições do gordíssimo proxeneta. Infelizmente, precisaremos sacrificar alguns de nossos irmãos e inscrevê-los como sócios – talvez possamos fazer um levantamento entre doentes terminais ou pessoas com tendência suicidas para criarmos o grupo Kamikazes Rubro-Negros. Com este grupo, teríamos pelo menos mais uns 2 mil sócios pró-Eurico e assim garantiríamos a eleição.
Os voluntários-heróis teriam todas as despesas pagas, as famílias receberiam pensão vitalícia de herói de guerra, o voluntário teria direito a banho de imersão de duas semanas (com respirador artificial) após a missão repugnante.
Creio que com este projeto conseguiríamos virar o jogo e manter o nosso Eurico na presidência do clube de São Cristóvão por pelo menos mais um período. É o que pensa esta JIHAD RUBRO-NEGRA.
Domingo, 22 Junho 08, 05:26 PM
Nestes tempos que - infelizmente - devem ser curtos, ou seja, de Flamengo líder do Campeonato Brasileiro, há pouco a acrescentar, uma vez que a principal função do JIHAD RUBRO-NEGRA é reafirmar, perante o público leigo, a superioridade do Mengão Pentacampeão Brasileiro e Campeão do Mundo (único do Rio). Ocorre que a situação de líder na tabela torna o JIHAD meio ocioso, já que para a maior parte do público leigo, não-iniciado e pagão, prevalece a falácia de que a liderança em um campeonato é o sintoma da superioridade.
Nós do JIHAD não acreditamos nisso, é claro. Pouco importa a liderança neste ou naquele campeonato - o Flamengo é superior e ponto final. Sendo assim, volto minha atenção para um assunto que nos últimos anos tem me trazido tédio e irritação: a Seleção Brasileira de Futebol. Me detenho particularmente na estranha campanha feita contra o técnico Dunga - pelo qual, admito, não nutro simpatia e nem preferência. Destarte, não é realmente meu interesse fazer a defesa de sua permanência à frente do escrete nacional, ainda que minhas palavras a seguir vão acabar levando a isso. Fui contra a chegada de Dunga. Escrevi, no Jornal do Brasil, um texto criticando a escolha de Dunga - o jornalista Augusto Nunes escreveu outro a favor, bem ao lado. Meu único argumento: Dunga nunca treinou um clube. Só. Ponto final.
No entanto, apesar de todos estes meus argumentos contra o gaúcho, não posso deixar de ver com muita estranheza toda essa repentina campanha contra ele por parte de certos jornalistas e organizações. É impossível para o sujeito de bom senso achar normal o presidente da CBF cornetar a presença de Ronaldinho Gaúcho (jogador que atuou bem pela Seleção apenas contra a Inglaterra em 2002 e contra a Venezuela num lance de 15 segundos) na Seleção Olímpica.
Li uma entrevista do técnico-alvo em O Globo na manhã de sábado. Me chamaram a atenção algumas frases no pé da matéria em que Dunga falava de recusas feitas a "certos profissionais" que chegavam atrasados e pediam entrevistas exclusivas ou que "pediam entrevistas para jogadores uma hora da manhã". E Dunga salienta; "Não é a TV Globo em si, mas alguns profissionais".
Ah! Agora podemos começar a entender! Vamos por partes. Analisemos argumento por argumento lá dos corneteiros de plantão da emissora que é dona do Brasil.
"DUNGA CONVOCA MAL" - Em alguns casos, sim. Gilberto já não deveria mais ser convocado. Afonso é um mistério até hoje. Gilberto Silva já deveria estar na seleção de Masters do Luciano do Valle. Mas, ora, ora, convocações erradas são constantes em qualquer Seleção Brasileira desde 1970. Copa a copa, sempre tem uma cagada. Em 70, tínhamos o frangueiro Félix como titular do gol. Em 1974, levamos o Valdomiro. Em 1978, pasme, o Edinho jogou de lateral-esquerdo. Em 1982, Serginho Chulapa era o titular. Em 1986, Telê nos inventa o Elzo e, lembre-se, o Josimar, que se não faz aqueles dois gols antológicos (cagadas homéricas) seria lembrado para sempre como "esquecido" (por mais paradoxal que seja a frase). Em 1990, a seleção inteira era assim. Em 1994, tínhamos Paulo Sérgio e Viola na reserva do ataque - sem contar o lamentável Muller. Em 1998, não esqueçamos o Zé Carlos imitador de passarinho. Em 2006, Parreira insistiu em levar os dois pernas-de-pau Cafu e Roberto Carlos. Por quê agora, em fase de formação de um time, se faz tanto estardalhaço? Digo formação porque já não é possível escalar o mesmo time das copas Américas passadas, já que Adriano e Ronaldinho Gaúcho abandonaram o futebol em troca da carreira de promoters e Kaká está mais preocupado com sua igreja do que com seleção.
"A SELEÇÃO NÃO FAZ GOL HÁ TRÊS JOGOS" - Lembremos que um dos jogos era um amistoso em que perdemos contra a Venezuela, ou seja, um jogo atípico. A Venezuela vem crescendo com o dinheiro de Hugo Chávez (segundo o escritor Fernando Morais, o grande revolucionário do século) e em breve, se não nesta, vai beliscar um lugar na Copa. É preciso ficar atento - podemos até ser alijados de uma Copa por causa deste crescimento inoportuno da Venezuela. Continuando: os dois jogos seguintes foram contra Paraguai (fora) e Argentina (em casa). Ora, PQP, não fazer gol contra estes dois times é algo mais do que comum. Ambas as seleções já mandaram o Brasil (e um técnico) para a puta que pariu dentro de casa. O Paraguai já estuprou o Brasil em plena Copa América de 1979 mandando Cláudio Coutinho para o vinagre. Em um amistoso, a Argentina carimbou nosso passaporte para a Copa de 1998 com um de Cláudio López (se não me falha a memória) em pleno Maracanã. O mesmo Paraguai já ganhou do Brasil em eliminatórias passadas em Assunção. Perder para o Paraguai no Defensores Del Chaco não é nenhuma anormalidade. E me respondam: empatar Brasil x Argentina em casa, em 0 a 0, deveria derrubar técnico? Que caísse, então, Cesar Menotti em 1978. Olvidemos Mar Del Plata?
"A SELEÇÃO ESTÁ CHEIA DE VOLANTES" - Os mesmos críticos que exaltam o São Paulo do sr. Muricy Ramalho, os mesmos críticos que babavam diante da seleção de 1994 (Dunga, Mauro Silva e Mazinho) e de 2002 (Gilberto Silva, Kléberson e Edmilson), os mesmos que sempre elogiaram o "vigor físico" de Tinga no Internacional e de Mineiro no São Paulo, agora têm faniquitos em relação à escalação dos volantes de Dunga. Ora, Dunga coloca volantes para liberar Máicon e Gilberto. Se ambos não apoiam, o que se há de fazer? Claro, convocar melhor. Mas é preciso antes verificar que a coisa está andando mal. Infelizmente o preço desta constatação foi a perda de cinco pontos. DUNGA TREINA MAL - Salvo nos dias seguidos que antecedem as competições mais importantes entre seleções, raramente vejo treinadores conseguindo fazer treinos decentes desde 1986. Ora, antigamente tínhamos o Júnior e o Zico do Flamengo, o Roberto Dinamite do Vasco, o Careca do São Paulo, o Cerezo do (argh) Atlético Mineiro, o Amaral do Corinthians. Hoje, o que temos? O Vágner Love (lamentável) do CSKA e o Renato (bleargh) do Sevilla.
"O BRASIL VAI MAL NAS ELIMINATÓRIAS" - A não ser que estivéssemos em último lugar, me parece um tanto imbecil querer tirar o treinador agora, por estarmos em quinto. Já estivemos em situação muito pior. Os srs. Parreira e Zagallo e Scolari, se não me trai a memória, nos classificaram no último jogo em 1993 e 2001. Como chegaram até o último jogo? Diante do côro global contra Dunga, realmente não consigo entender. Esta é a opinião, reconheço, polêmica deste JIHAD RUBRO-NEGRA. Nós, Flamengos, não nos caracterizamos por embarcar em marés ou ondas coletivas - nós somos A maré.
Que Dunga não deveria ser técnico da Seleção Brasileira, claro, esta é minha opinião desde sempre. Mas querer agora atribuir ao Dunga todos os males e mazelas de um futebol que já foi globalizado por uma legislação espúria, ora, é querer subestimar nossa inteligência. Pensando bem, subestimar a inteligência de todos nós é o que faz certa emissora desde 1965. Not surprises.
Terça-feira, 10 Junho 08, 11:04 AM
Os leitores deste blog, por favor, tentem me perdoar pela longa ausência e, mais ainda, pela falta de qualquer comentário sobre o fato inusitado que é o Flamengo marcar cinco gols em um jogo de Campeonato Brasileiro (algo que não vejo há séculos). Ando extremamente ocupado com meu trabalho formal e extremamente entediado com o futebol, que este ano nos dará o presente de grego supremo que é o Fluminense campeão da Taça Libertadores da América. Nem estou dizendo isto para secar, e sim porque para mim o título foi definido no azar incrível do Boca, levando um gol espírita em cada jogo - o de Thiago Neves em Buenos Aires e o de Conca no Rio de Janeiro. Dois gols inacreditáveis, típicos de time campeão.
Para infelicidade dos tricolores, no entanto, este post é para expressar o meu estranhamento diante da reportagem publicada na revista PIAUÍ do mês de maio sobre coisas que acontecem no vestiário do tricolor das Laranjeiras. O retrato do comportamento de alguns jogadores, imersos em cremes hidratantes, esfoliantes e perfumes franceses, é no mínimo alarmante e mereceria uma análise mais cuidadosa até mesmo dos torcedores do Gripe em Inglês.
Não vou me estender muito, já que o que importa é o conteúdo da reportagem e a posterior análise dos amigos e leitores deste JIHAD RUBRO-NEGRA. Segue o link para leitura:
http://www.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=615&anteriores=1&anterior=52008
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