Sexta-feira, 22 Agosto 08, 09:50 AM
Os amigos desta JIHAD devem ter estranhado a prolongada ausência, e os inimigos vão apontar em tom de galhofa para o fato de que retornei ao blog exatamente um dia depois de uma vitória acachapante do Maior do Mundo sobre o estranho time do Grêmio, que lidera o campeonato mesmo tendo Celso Roth como técnico. Mas tem acontecido fatos curiosos no esporte aos quais esta JIHAD RUBRO-NEGRA não pode se furtar. Vamos começar por alguns fatos em Pequim para finalizar com a vitória flamenga no Maracanã, deste Flamengo que ainda me transmite certa insegurança.
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Ganhar e perder
Mais uma vez a Globo "descobriu" que o Dunga é o pior técnico do mundo e que extirpá-lo (como deve acontecer, aliás) é a solução para todos os males do futebol. Não que o gaúcho seja isento de culpa. Tem grande culpa, sim: convoca realmente muito mal (apesar de visivelmente não ter muitas opções para seleção) e ainda se prende a símbolos – prova disto é acreditar que Ronaldinho Gaúcho ainda continua exercendo a profissão de jogador de futebol. A convocação de Ronaldinho para estes Jogos Olímpicos me soou tão absurda quanto se fosse chamado o Sousa para o ataque ou o Fernando (aquele que “reforçou” o Vasco) para a quarta zaga e como capitão. Há um bom tempo que Ronaldinho não joga porra nenhuma e sua performance na Copa de 2006 deveria ter servido para conscientizar quaisquer técnicos de que futebol é uma coisa e filmes da Nike são outra completamente diferente. Em filme da Nike, até Obina é rei.
Mas antes de tudo, me veio à cabeça uma analogia entre Brasil x Argentina no masculino (?) e Brasil x EUA no feminino. Me causou certo desconforto perceber que o vencedor de um jogo atuou como tentou atuar o perdedor do outro. A Argentina que estuprou a seleção masculina (3 a 0 foi de fato um resultado modesto, pelo segundo tempo) jogou exatamente como o Brasil feminino que perdeu dramaticamente para as americanas.
As americanas venceram a ofensiva seleção feminina atuando da mesma forma com que atuou o time de Dunga: cozinhando o galo, fechando na marcação, esperando, esperando...
Mas não vejo ninguém da Globo apontar esta estranha contradição futebolística. Em termos táticos, não se pode decretar nada em futebol. O que faz diferença é o craque, o jogador bom. E o time brasileiro realmente era inacreditável. A ruindade de alguns deles, individualmente, chega a tal ponto que dá até para pensar que Dunga chamou só perebas a fim de dividir a responsabilidade no caso de desastre. Mas sei que não foi este o motivo. Qual teria sido? Ora, não tenho um por cento da clarividência para entender onde está o cérebro de um ser humano quando pensa que Rafael Sóbis é jogador de futebol ou que Rafinha pode exercer outro papel a não ser o de personagem dodói de novela das sete.
A Argentina tem craque. Mas craque mesmo, de verdade. Riquelme é talvez o melhor meio-campo em atividade hoje no mundo. Joga demais. Messi é um monstro, joga para a frente, abusa, parte para cima. Somente com estes dois já era possível atropelar o bando brasileiro.
Diego: o amarelão com a amarelinha
Agora, por que as nossas craques como Marta e Cristiane não fizeram o mesmo com as americanas? Marta teria vaga certa no meio-campo da seleção masculina. Sem querer ofender a feminilidade da atleta (de forma alguma), posso dizer que, mesmo sendo mulher, Marta é muito mais homem do que Diego (jogador que teve diarréia antes da final do Brasileiro em 2002 e amarelou horrivelmente no pré-Olímpico que nos eliminou de Atenas).
A vitória americana se deveu à aplicação tática e ao jogo coletivo – levado às últimas conseqüências. O time dos EUA parecia um time de totó. Nada parecia afetar a disposição daquelas mulheres em campo, a maneira com que foram arrumadas. Jogaram da mesma forma os 120 minutos: com paciência, torrando o saco do próprio torcedor, sem arroubos juvenis (Cruz, Mario e Dantas, Lucas Loureiro in Fla-Bujica 2006) e sem explosões momentâneas.
Atuaram do mesmo jeito que o Brasil queria (e não conseguiu) atuar. Posso dizer sem medo de errar: Dunga poderia ter treinado a seleção americana. Aquele modelo vencedor é o mesmo de Dunga. Como jogou a seleção de 1994? Cozinhando todos os galos e espetando na hora certa com Bebeto e Romário, quiçá a maior dupla de ataque da seleção desde 1970. Sabemos jogar desta forma? Os dois jogos que perdemos mostraram que não sabemos. E isto em nível individual. Não adianta copiar o modelo europeu se o que temos internamente é um jogador dionisíaco, afeito à embriaguez e às emoções. O Brasil é muito mais Marta e Cristiane do que Hernanes e Ronaldinho Gaúcho. O Brasil é dois atacantes, não um Rafael Sóbis (que não é nem mesmo “um” atacante). Podemos, sim, ganhar uma Copa com o modelo apolíneo-europeu. Mas nem para isso prescindimos do craque – vide Romário e Bebeto em 1994.
No caso da seleção de Dunga, não tivemos nem o craque e nem o jogador capaz de cumprir as determinações táticas. Culpa do técnico, claro – que não soube encontrar, em uma safra difícil e complicada, os jogadores ideais. Outros saberão? Espero que sim. Mas precisarão quebrar paradigmas – esquecer Ronaldinho Gaúcho, Diego, esses craques de comercial, e montar um time de verdade.
Talvez Dunga até conseguisse isto – só não sei se a Globo vai deixar.
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Pergunta
Quem é mais atleta? Maureen Maggi, que passou cinco anos tentando se livrar da pecha do doping para enfim alcançar um magistral, histórico e inédito ouro olímpico, ou Ronaldinho Gaúcho, que torrou nosso saco em 2006, que torra os culhões de todo torcedor brasileiro com “vou-não vou jogar”, que ganha milhões de dólares ao ano, e que protagoniza um vexame em Pequim?
Quem é mais atleta? Maureen Maggi, semi-esquecida pela mídia, moça simples do interior, lutadora, de classe média, trabalhadora, ou Ronaldinho Gaúcho, jogador da Nike, protagonista de comerciais fanfarrões, usuário de relógios e colares dourados, dono de carros possantes e freqüentador das melhores festas?
Obrigado, Maureen Maggi.
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Análise do que realmente importa
Findos estes assuntos entediantes, voltemos a falar do assunto que realmente importa, o Mengão Rasgador-Geral. Observei o time na vitória sobre o Grêmio e constatei alguns pontos. Vou elencá-los a fim de obter sobre cada um deles a opinião dos amigos rubro-negros desta JIHAD.
1- Ainda dá para sonhar com o título? Dá. Mas é SONHO. Vejam bem. A distância está bem complicada, precisaríamos torcer para muitas derrotas de um time retranqueiro o suficiente para só perder de forma fortuita. Ainda temos que torcer contra o Cruzeiro e o Palmeiras, missões menos complicadas, já que jogam mais abertos. Contra o Botafogo não precisamos torcer, já que têm o Ney Franco – prevejo que em mais duas ou três rodadas a cachorrada começa a cair.
2- Marcelinho Paraíba foi bom reforço. Não é o jogador de área que precisamos, não é o finalizador, mas é um jogador que pelo menos trata a bola como “você”, e não tem dificuldades psicomotoras como o Obina. Sabe fazer um passe (Obina também sabe, reconheçamos), chuta forte e tem visão de jogo. Pode melhorar muito nossa situação.
3- Kleberson. O Pentacampeão voltou contra o Grêmio e mostrou no primeiro tempo que vai nos ajudar muito. É combativo e tem passada larga. Vai evoluir novamente e não sairá do time.
4- Ibson. Depois do jogo contra o Santos, em que ele errou uns 300 passes, acreditei que o ideal seria vendê-lo para algum time no Laos ou nas Ilhas Faroe. Mas contra o Grêmio, surpreendentemente Ibson cresceu em campo e voltou a jogar como homem (ou seja, como Flamengo). Se mantiver a performance, temos condições de subir mais na tabela.
5- Incógnita. O time ainda é meio incógnita. É capaz de nos surpreender com uma vitória sobre o líder do campeonato mas ao mesmo tempo conseguiu perder para o Vitória em casa. Precisamos de vitórias simbólicas, daquelas de lotar o Maracanã no jogo seguinte. E é por isso que estas duas próximas rodadas decidem o que quer o Flamengo do campeonato. Se vencermos o Inter fora de casa, embalamos para jogar contra um time em visível ascensão, que é o Fluminense. Se perdermos lá no Beira-Rio da forma tradicional (ou seja, com o juiz assaltando, o Arnaldo César Coelho dando razão e o Luis Roberto se esgoelando ao narrar os gols do Inter), acho que a coisa desanda e passaremos apenas a pensar em vaga na Libertadores – algo que deve ser sempre o nosso foco, eternamente.
Afinal, obrigação do Mengão mesmo é estar SEMPRE na Libertadores.
Até a semana que vem.
On Calma, Dona Geralda.