Terça-feira, 12 Agosto 08, 02:18 PM
Ao que parece, existe mesmo uma Lei de Lavoisier no futebol, mas de postulados diversos e aplicáveis de forma diferente. Para alguns times, tudo se perde, tudo se transforma. Para outros, nada se transforma, tal e qual na Natureza. Vamos aos exemplos na prática.
Há um time que, há três meses, era o maior do mundo. Seu artilheiro, Dodô (hoje chutado a pontapés como sempre mereceu), deveria estar na seleção e seu gol de voleio contra o expressivo Arsenal da Argentina (que deve ter o mesmo peso que o Juventus da praia de Copacabana) estava desde já consagrado como o mais bonito da história do Maracanã. Que se danassem o gol de Nunes contra o Atlético Mineiro em 1980, não importa o gol de Petkovic contra o Vasco em 2001, e, vá lá, o gol de Roberto Dinamite, pelo Vasco, em 1976, em que dá um lençol no zagueiro Osmar Guarnelli antes de marcar.
Não, nada disso: o gol mais bonito era o de Dodô e ponto final.
A torcida deste mesmo time comemorou com alegria desmedida a eliminação do Supremo diante do América do México. Quando, semanas depois, compraram uma passagem só de ida para a casa do caralho (de onde jamais deveriam ter saído), acabaram gerando uma onda moralista de jornalistas d'O Globo, todos achando "muito feio e bobo" os torcedores de outros times teram torcido contra.
Os colunistas, de mãozinha na cintura e indicador balançando em riste, diziam que era "a esse ponto que o futebol havia chegado".
Paciência.
Hoje, o técnico que esculhambou o Boca Juniors (clube com pelo menos sete Libertadores nas costas, não sei o número certo, admito) está procurando emprego, bem como Dodô, em busca de outra torcida para enganar por um tempo. Seu sangue de barata necessita se lambuzar com esses devaneios, ainda que sejam temporários.
Como a vida se transforma, é incrível.
Outro time, em General Severiano, quanto mais perde, mais se transforma.
São bi-vice campeões cariocas, vice-campeões da Copa do Brasil, e vice-campeões da SEGUNDA DIVISÃO. Mas já se sentem o Melhor do Rio, já fazem planos de alcançar o Grêmio, isto depois da vitória sobre o Carrossel Catarinense, ou melhor, sobre o Figueirense. Digo Carrossel porque nenhum jogador daquele time tem mais mobilidade do que o cavalo de um carrossel.
Ponderam os alvinegros que "ganharam do Figueirense com um a menos". Puxa. E eu que me sinto envergonhado porque meu time venceu o Figueirense só por 5 a 0 mas usou os 11 jogadores!
Usar mais de sete jogadores hoje contra o Figueirense é até deslealdade equivalente a carrinho por trás.
E, temos, finalmente, o time da Colina, aquele que iria ganhar finalmente a "modernidade", depois que o deputado estadual do moderníssimo PMDB carioca, integrante da idônea assembléia legislativa do Rio (aquela que absolve o Álvaro Lins), assumiu a presidência. Sim, que beleza.
Sobre este time, vale a pena falar alguma coisa?
Para eles, tudo se perde, tudo se transforma.
Já para o Supremo, o Flamengo Universal do Reino de Dida e Zico, tudo se perde, nada se transforma. O Flamengo continua, a despeito de seus sete jogos sem vitória, a ser uma entidade superior a reger a vida de todos os seres humanos. O Flamengo já nasceu com brevê, esta é a diferença.
Botafogo, Vasco e Fluminense ficam perseguindo títulos ou medalhas com a ânsia de pobre comprando diploma ou mesmo pagando despachante para ter um passaporte e ir a Disney World (sem saber que os americanos vão lhe negar o visto por falta de vínculo com o Brasil). São esforços patéticos para ser tão grande e descomunal quanto o veiudo Mengão da Gávea. Cheiram a estripulia e estelionato. A ânsia do tricolor por uma Libertadores beirava a infantilidade, algo como o moleque mais pobre da rua que finalmente vai ter uma bicicleta que o outro mais rico tem.
Até que um dia este menino percebe que as coisas não acontecem porque o outro é mais rico. Acontecem porque o outro nasceu pedalando melhor e merecendo a bicicleta.
Este processo do Botafogo, por exemplo, eu já conheço: três vitórias seguidas com um técnico novo, com os jogadores cai-cai de sempre (como Jorge Henrique) e voilá, a imprensa especializada começa a soltar fogos. Isto tem uma explicação, e será a mesma por mais uns seis ou sete anos:m os jornalistas que comandam editorias ou redações, por serem mais velhos, são alvinegros. E com três vitórias começam a acreditar em título.
Daqui a seis ou sete anos essa mania da imprensa acaba - eles se aposentam. Daqui a seis ou sete rodadas, a festa do Botafogo acaba - quatro derrotas e dois empates, e pimba, lá estão eles na parte de baixo da tabela.
Se o Flamengo estará lá? É possível. Mas reparem, caso isto aconteça, no conforto que nós proporcionamos a eles - nos olharão, olhos baços, como a dizer, "bom, se eles também estão aqui, é porque nós não somos tão ruins, né?".
Não tem jeito: pobre acha sempre que diploma é tudo igual.
Veja que coisa. Botafogo, Fluminense e Vasco dão toda essa moral pro mengão pq SOBREVIVEM À SOMBRA DO MENGÃO. isso é fato. Sem o Mengão o futebol do rio seria igualado ao do sul, centro-oeste ou quiçá nordeste. (sem preconceitos, todos sabemos que tem ou não notoriedade nesse mundo)
5 Comentários
O futebol é uma caixa interminável de hipocresias. É só resultado.
Se o time ganha é o melhor do mundo. Se perde o técnico não presta, o craque é ruim.
TORCEDOR É TUDO IGUAL.
Eu orgulho-me de ter visto in loco , a menos de 5M de distancia, Thiago Neves, Conca e Washington ter mandando pra cucuia o titulo do florzinha.
Recordar é viver LINK