Senhores, é evidente que me desgastei acompanhando os 120 minutos (mais pênaltis) de escaramuças entre o time do Fluminense e a Liga Deportiva Universitaria do Equador, clube e país
respectivamente com longa tradição no futebol. Mas antes de tecer qualquer comentário sobre a ida da turma da Unimed para a casa do caralho (com passagem só de ida), creio que é lícito que
nossa JIHAD RUBRO-NEGRA abra uma reflexão sobre os nossos destinos.
Devo admitir que vi com bastante contrariedade as manifestações como "Liga Dos Urubus" ou coisa do gênero. O Flamengo não tem que se unir a agremiações menores para torcer contra uma agremiação
menor. A única e saudável exceção foi a criação da gloriosa Fla-Madrid, presidida pelo meu bom amigo Cláudio Cruz - uma torcida que, me orgulho muito, ajudei a criar, pelo menos com dicas e
sugestões. É óbvio que o mérito mesmo é do Cláudio e do também policial civil Gemerson Dias. Mas ali tínhamos uma situação de Estado de Sítio Flamengo. Tratava-se de grave ameaça à pátria e à
Nação. É preciso entender isto.
É como o uso das Forças Armadas na rua: só quando a coisa perde o controle e o mundo tal e qual o conhecemos fica ameaçado. Fora isto, sou severamente contra estas manifestações tolas e adesões
a times insignificantes como a tal LDU, atual CAMPEÃO DA TAÇA LIBERTADORES DA AMÉRICA. Que o Fluminense queira perder um título inédito em pleno Maracanã diante de sei lá quantos mil infelizes
para um time do Equador, bom, isso me parece problema do Fluminense. Não vejo o Fluminense com dimensão o suficiente para nos mobilizar. Me recusei igualmente a sair de casa ou fazer qualquer
protesto a não ser as minhas palavras de conforto quando Cevallos defendeu o pênalti do tal "Coração Valente" (o centroavante que mais foi catapultado à mídia em todos os tempos e em apenas
dois meses). Não creio que os senhores queiram saber quais foram as palavras, mas garanto que é algo que começa com "Porra" segue com "Tománucú" e, repetindo o "Porra", discorre sobre a ordem
natural de poder político no qual quem está no topo da hierarquia é evidentemente a torcida do Urubu.
Queria que os senhores entendessem o meu ponto de vista: a culpa de termos passado 120 minutos desconfortáveis secando o insosso time das Laranjeiras é exclusivamente do Flamengo.
Sim, parece absurdo. O princípio, no entanto, é de família que vive em casa com quintal. A mulher vive dizendo pro marido aparar a grama. O marido não apara. A grama cresce. Daí a pouco, atrai
bicho, atrapalha o caminho, etc, etc. O Flamengo, como força maior e superior da natureza, deve ficar sempre atento para as tentativas de engrandecimento das agremiações que nasceram inferiores
por vocação e determinação divina. Cito exemplos. Vejamos o Botafogo, nestas duas decisões de estadual (2007 e 2008). Ali nós cortamos a grama. Fizemos nosso trabalho. Hoje o Foguinho voltou à
sua condição natural, em que jogadores são pegos em tiroteios em boates (Baronetti, Ipanema) e se cogita continuar ou não com o Geninho (como se isso fosse algo que valesse a pena discutir ou
pensar).
É o caso do Fluminense: permitimos muito que Thiago Neves virasse craque. Conca fosse levado a sério. Washington fosse elevado à categoria de Miroslav Klose brasileiro. E até Luiz Alberto, quem
diria, quase é classificado como o novo Gamarra. Diante disto, o que fizemos, nós, forças superiores? Criamos papagaiadas como "Liga dos Urubus" ou coisa do gênero. É triste constatar que
tivemos de torcer pela Liga Deportiva Universitaria do Ecuador - mas no fim das contas, apenas torcemos para que o mundo que conhecemos permanecesse como o mundo que nós conhecemos. Que ninguém
venha agora também comemorar a vitória da LDU como se fosse algo esperado e já escrito há 300 anos.
Sofremos, sim, junto com os equatorianos. E a culpa é do Flamengo. Fomos até a prorrogação e sofremos na prorrogação por culpa do Flamengo. Sofremos nos pênaltis por culpa do Flamengo. E, nesta
quarta-feira, nosso idolo maior é Cevallos, goleiro de 37 anos - por culpa do Flamengo. É o Flamengo que permite que sua torcida faça papagaiadas. Agora que o pesadelo acabou e, graças a Deus,
com final feliz, podemos voltar a nossos afazeres. Quanto aos tricolores, que já compravam passagem para Tóquio, sei que vão ficar bem. Podem trocar a passagem para Tóquio por uma para PQP. Ou
podem contar com a classificação para a nova vaga para a Libertadores durante o Brasileiro de pontos corridos, ainda dá tempo de pegar um embalo.
Pensando bem, acho que trocar a passagem por uma para a PQP fica mais perto e viável.
On AINDA NÃO ACREDITO