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Quarta-feira, 10 Dezembro 08, 07:08 PM · Comentários (13)
Na verdade, o caso de Ronaldo Fenômeno é uma contravenção. Fez o que os estudantes de direito fazem todos os anos no dia 11 de agosto: usar e sair sem pagar. Não é crime, repito, porque não se trata de apropriação indébita, e sim de utilização de serviços. Ronaldo não é mais criminoso (e nem melhor pessoa) do que um apontador de jogo do bicho, flanelinha ou vendedor de graxa sem alvará.
Vi apenas dois posts de conteúdo e realmente inteligentes no deserto de idéias que surgiu depois do ocorrido: o de Lucas Dantas aqui e no Blog da Flamengo Net, e o do Mestre Mulamba, a quem devo propor em breve dividir a autoria do ALCORÃO RUBRO-NEGRO. Estes textos disseram tudo o que há para ser dito, tornando o trabalho deste JIHAD até mesmo inócuo. Tento assim acrescentar alguns pensamentos sobre o que aconteceu.
Ronaldo usou o Flamengo a seu bel-prazer. Claro, o Flamengo fez sua parte, ou melhor, a diretoria fez. Foram quatro longos meses sem nem pensar o que fazer com o atacante dentro de suas instalações – interessante mesmo seria apurar quem foi o gênio que liberou as instalações do clube “na faixa” para o Ronaldo. Só porque ele “é Flamengo”? Posso dizer que sou até mais Flamengo do que ele (pelo menos neste momento), logo, peço licença para usar a piscina sem pagar mensalidade e sem fazer exame de urina. Ah, e quero mijar lá dentro sem mancha azul-escura. Ora essa.
Depois de tudo isto, Ronaldo saiu sem pagar. Deve estar acostumado. É a educação do dinheiro. É a ânsia por ficar milionário (coisa que ele já é), É o contrato com a Nike, que brigou com o Flamengo. É a incompetência da diretoria e do VP de Marketing, estes que deixaram o Império Rubro-Negro sofrer mais uma grave humilhação, que é um sujeito preferir jogar em um clube que no momento está na SEGUNDA DIVISÃO (só estará jogando na primeira no ano que vem). C’os diabos: quem fez a escolha foi Ronaldo. Ele é que é o especialista em escolhas. Ele é que tem dinheiro para ter a mulher que quiser e escolheu aquelas com três pernas. Para o Flamengo, não ficou estrago nenhum a não ser o de mercado, como eu já disse e reitero: o estrago é mercadológico, ou seja, menos camisas vendidas, menos espaço em TV e mídia, menos merchandising.
Mas, até onde eu sei, o Flamengo não é a W/Brasil ou coisa que o valha. Nosso produto não é marketing e tampouco futebol. O produto principal do Flamengo é a FÉ E GRANDEZA, juntas, que não podem ser vendidas separadamente. É claro que dependemos destas coisas para sustentar o futebol, mas o episódio serviu até para percebermos que a gestão atual é uma verdadeira zona em termos de marketing, e está fadada a ações ridículas e inócuas. Até mesmo os produtos da cesta dos Supermercados Leão Camarada tiveram marketing melhor – sabão Neutral pastoso e suco de maracujá Pindorama. Vou mais longe: os produtos anunciados pelo Alborghetti tinham um retorno de marketing muito melhor, e um recall fantástico. Querem ver? Alimentos ZAELI, Kurten Madeiras, Frigorífico ALVORADA, Chá Mate REAL.
Mas não concordo com choradeira só porque o nosso terror-dos-rodízios resolveu ir embora antes de vestir o Manto. O negócio agora é abstrair. O jeito é esperar a próxima eleição, ir dando porrada na gestão atual até eles acertarem, enfim, seguir adiante, sem imitar Ronaldo em nada – nem no ato tresloucado de sair com travestis e nem no gesto triste de se tornar menos Flamengo.
Um rubro-negro que fica menos Flamengo é quase um travesti.
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