Segunda-feira, 26 Maio 08, 11:00 PM
Eu não acreditava mais em cavalaria, Swat, Ultraman, Capitão América, Batman, Zorro, ou qualquer outro ser/entidade que aparecesse quando não havia mais esperanças. Não, no dia 27 de maio de 2001, há sete anos, eu já tinha 33 e era um adulto. Um adulto adolescente – como ainda sou hoje – mas um adulto, desiludido e um tanto farto. A bem da verdade, eu ainda não tinha Marcele, ainda que tenhamos de admitir: eu tenho Marcele desde 40 minutos antes do nada. Se o nascimento de um ser humano precisasse de algum documento carimbado em três vias, o meu documento provavelmente seria Marcele – que me deu um outro nascimento e provavelmente me dará outros dois (pelos meus planos, pelos dela são outros quatro).
Naquela tarde de 27 de maio, minha prima Mariana tinha viajado. Não me lembro se para a França ou se para os EUA. Acho que ainda eram os EUA. Sei que não fui ao jogo por causa disso – para ir a uma decisão de campeonato entre Flamengo e Vasco, há que se chegar ao Maracanã muito cedo. Havia outro agravante: poucos lembram disto, mas a decisão começou às 15h, por causa do racionamento de energia elétrica. Como nos velhos tempos, como em 1955, na verdade 1956, os gols de Dida, Evaristo e tudo o mais. Eu achava que não podia dar errado. Mas por longos minutos, passei a achar, sim, vai dar tudo errado. E não haverá mocinho chegando no fim para colocar a porta abaixo, nem cavalaria para nos salvar.
O Flamengo, vocês sabem, precisava de dois gols de diferença. Dois gols. Vencíamos por 2 a 1 e mesmo assim dávamos adeus ao tricampeonato. Mas aí aconteceu aquilo que faz o futebol valer por uma vida, que faz uma vida valer a pena por um mágico instante, a sintonia onírica entre seres humanos, o grito, o urro, a emoção incontestável. E foi tudo em dois ou três segundos. No primeiro segundo, eu achei que a bola não iria entrar. Estava muito longe. Muito, muito longe. E numa final de campeonato? Quê isso. No segundo segundo (ops), a bola efetivamente entrou. Mas eu não entendi naquele segundo que a bola tinha entrado e que o Flamengo era tricampeão. Não, naquele segundo eu fiquei como o último neanderthal diante do primeiro cromagnon, como um índio diante de Pedro Álvares, chafurdando numa incompreensão vadia e delirante. No terceiro segundo meu coração pareceu saltar da caixa torácica.
Acreditem: nem o velho “Éééééé´” eu consegui gritar.
Seguiram-se pessoas se abraçando, chorando, berrando, janelas se abrindo, urros enormes, e o irmão do meu amigo endiabrado Alexandre Lalas aos berros diante da TV, gritos inesquecíveis,
indignados, com a baba bovina (royalties para Nelson Rodrigues) do campeão:
- INVADE O CAMPO, PORRA! INVADE O CAMPO, PORRA! INVADE! INVADE! ACABA COM O JOGO!
Olhei de novo para a TV e 10 segundos depois destes gritos começava o tumulto. O meio-campo Beto (carinhosamente chamado pelos fãs – eu incluso – de Beto Cachaça), um leão da conquista, tirou a
camisa e chamou para a porrada todo o time do Vasco. Depois, não satisfeito, chamou os reservas. Em seguida, o técnico Joel Santana. Depois, Eurico. A torcida do Vasco. O Artur Sendas. O grupo
Madredeus. O Roberto Leal. O Martinho da Vila. O José Saramago. A tumba do Fernando Pessoa. Todos juntos. Beto queria enfiar a porrada em todo mundo.
Eu vi o Herói se deitar extenuado na grama. Sem acreditar. Depois, este mesmo Petkovic, lástima, jogaria no Vasco também. Mas aí é outra história. O futebol agora é isso, a gente não tem mais o
Zico do Flamengo, o Careca (cracaço) do São Paulo, o Reinaldo (fora de série) do Atlético Mineiro, o Dinamite (cracaço) do Vasco, o Assis do Fluminense (e o Washington). Agora é assim.
Normalíssimo o sujeito ser de aluguel.
Mas, senhores, um gol como aquele de Petkovic, na tarde de 27 de maio de 2001, subverte esse sentimento de desesperança no futebol. Porque percebemos que, ora bolas, é o Flamengo que é
intransferível de nós mesmos. Podem vir leis, lei Pelé, contratos europeus, que há algo sendo Flamengo o tempo todo, independente de jogadores ou títulos, de ficar contando figurinha, de dizer
que temos tal título e o outro não tem.
Ser Flamengo pode durar um segundo. Mesmo que sejamos a vida toda. Mas há um segundo em que tudo é mais Flamengo do que em todos os outros momentos de nossas vidas.
Obrigado, Dejan Petkovic, por este momento inesquecível de minha e de milhões de vidas.
Sábado, 24 Maio 08, 10:08 AM
Volto a escrever neste tão obscuro espaço, depois de me impor um jejum devido à ridícula performance do escrete rubro-negro diante do América do México. Resolvi romper o silêncio depois de ler nos matutinos que "alguns torcedores do Flamengo e argentinos que moram no Rio resolveram criar a Fla-Boca" para cumprirem o honroso dever de secar o Fluminense.
Me incluam fora dessa.
Em primeiro lugar, nós, torcedores do Maior do Mundo, não deveríamos tocar no assunto Libertadores até o ano que vem, quando, espero, estaremos disputando a próxima. Me refiro, claro, aos torcedores - a comissão técnica (?) da Gávea deveria pensar em Libertadores desde já, tanto na classificação quanto na formação de uma base que nos permita não dar mais um vexame nas oitavas, como em 2007 e 2008. É lamentável querer dar pitaco em Libertadores depois que os srs. Márcio Braga, Kleber Leite, Joel Santana, com a ajuda de 14 merdas em campo, fizeram o favor de nos impor mais um vexame ridículo.
Em uma empresa séria, na minha modesta opinião, todos seriam demitidos . Até o paredão Bruno. Mas foda-se. Acho que essas coisas ridículas no Flamengo só vão parar quando surgir o profissionalismo que a DEMISSÃO impõe a todos os trabalhadores normais do país. O jogador de futebol pode simplesmente cagar e andar para suas obrigações (atacante pode ficar sem fazer um mísero gol em time pequeno, como o Souza), mas outros profissionais estão sujeitos a cobranças e correições.
Em segundo lugar - e aí passamos a falar de outra coisa - não vejo no Fluminense Football Club a menor envergadura para merecer que a Maior Torcida do universo se engaje numa corrente-pra-trás do mesmo vigor que a engendrada por meu amigo Cláudio Cruz em 1998. Para os mais novos: naquele ano em que a malfadada equipe de Eurico Miranda chegou à decisão final em Tóquio, o lendário Cláudio Cruz, um dos maiores rubro-negros de todos os tempos, 20 anos depois de fundar a RAÇA RUBRO-NEGRA, criou o movimento mais messiânico de torcidas da história do futebol: a FLA-MADRID.
Tal movimento tinha como pilar básico o fato inegável: o Flamengo é o único carioca campeão do mundo. E foda-se o resto.
Ali, se tratava de defender nosso título (e o mundo que conhecemos) contra uma ameaça tão pavorosa como uma epidemia de peste bubônica ou um vazamento de césio: um título mundial do Vasco. Àquela altura, o Vasco era até um time razoável, que tinha conquistado a Libertadores. Juninho Pernambucano estava em grande fase.
O Fluminense não tem a mesma envergadura para merecer um esforço maior do que o simples clicar do controle remoto nas próximas quartas-feiras. Me parece oligofrenia sair do Rio para ir a Buenos Aires secar o tricolor das Laranjas torcendo pelo Boca Juniors.
O Flamengo deveria ter tentado se classificar. O Fla-Flu seria agora, caso o time passasse pelo Santos (algo no qual eu não acredito, afinal, o Flamengo jamais voltará a vencer um jogo do Santos na Vila Belmiro, é fato inegável isso, nem que o time do Santos seja formado por cegos e pernetas).
O certo, meus amigos, seria a gente poder criar a FLA-MENGO. Não pagar o mico inacreditável de nos associar ao Boca para secar o Fluminense. Tal atitude condenável me lembra a do jogador proxeneta e mau-caráter Túlio, do Botafogo, que na noite trágica do Maracanã saiu batendo em todas as portas do hotel para acordar (e interromper meinhas) os colegas de time, aos gritinhos escandalosos e histéricos. "Gente, gente, estamos sendo vingados pelo América do México, venham ver", deve ter dito o pusilânime e fracassado volante.
Sim, creio que me fiz entender: a Fla-Boca tem mais cara de Fla-BOTA: é coisa de botafoguense, não assumir o próprio fracasso e ficar se regozijando com o dos outros.
Por tudo isso, fica aqui meu repúdio. E dale Boca.
Sexta-feira, 09 Maio 08, 10:53 AM
Que a equipe de futebol do gigantesco Clube de Regatas do Flamengo protagonizou, quarta-feira à noite, o maior vexame de sua Santa História, é uma verdade que é muito difícil negar. Apesar de fiascos monumentais anteriores, como a derrota para o inexistente Santo André em 2004, o que se passou quarta-feira é algo para ser execrado por décadas.
No entanto, chamo a atenção dos leitores daqui deste espaço para o papelão maior, muito maior, do que o ocorrido nos 90 minutos de quarta-feira no Maracanã: a união dos três times patéticos do Rio de Janeiro, cada qual com suas tragédias diárias, a se regozijarem com a queda flamenga.
A minha conclusão, depois de ler as declarações do alucinado sr. Carlos Augusto Montenegro, é a de que os três clubes do Rio que têm origem pagã se assumiram definitivamente como pequenos. O fato de se unirem - coisa que jamais aconteceu contra qualquer outro - é atestado de inferioridade quase tão sonoro e retumbante quanto caixão de madeira barata ou enterro em cova rasa.
Não deveria nos surpreender, por exemplo, o dr. Eurico, que no início do ano garantiu que o Vasco seria o campeão estadual. Apesar de seu time ter tomado no cu tal e qual atriz de gangbangs em filmes do Sean Michaels, o dr. Eurico ainda arruma tempo para diatribes e galhofas em tom de blague, dizendo que vai contratar o "mansões" em vez do "Cabañas". É curioso como o dr. Eurico não pensou em contratar o Obina ou o Luizão em 2006, ou o Petkovic em 2001, ou o Jean em 2004 (apenas um ano depois), ou o Rodrigo Mendes em 1999, enfim, acho que nem mesmo Ted Turner teria dinheiro para contratar todos os sujeitos que estupraram o time do dr. Eurico nos últimos anos.
Já o sr. Montenegro, como sempre desequilibrado quando o assunto é futebol, diz que "está de alma lavada". A meu ver, é inacreditável alguém ter a alma lavada pelo sucesso de outrem depois de ter sido devassado a golpes de estoque carnoso três dias antes. Equivale a comemorar que alguém comeu a mulher que você queria comer e não comeu. Imaginem a cena: "Ah, que bom, aquele negão conseguiu arregaçar aquela vadia por quem eu era apaixonado". A comparação não procede inteiramente porque é evidente que o Flamengo não é nenhuma vadia. Mas os botafoguenses se comportam, sem dúvida, como cornos mansos.
Não me cabe falar aqui de tricolores, já que eu não tenho conhecimentos suficientes sobre a segunda e muito menos a terceira divisão. Mas me comove o embevecimento do povo das Laranjeiras com a mera presença nas quartas-de-final da Libertadores, ou melhor, na própria Libertadores. É a falta de hábito deles. Estão jogando a Libertadores com o espírito de pobre freqüentando piscina: aproveita porque não dá para fazer isso sempre.
Ao passo que nós, rubro-negros, já disputamos sete vezes a competição. Ah, e ganhamos uma. Mas provavelmente o sr. Montenegro não deve querer falar muito nisso, está muito ocupado ensinando o Jorge Henrique a se jogar no chão ou o Túlio a dar cotoveladas escondido.
Que clubes. Precisam se unir para chegarem a ser quase um. E esse um é patético.
Quarta-feira, 07 Maio 08, 10:36 PM
Este blog JIHAD avisou alguns posts abaixo: o América do México não viria para o Rio ser figurante de festinha do Joel Santana. A sacanagem continuou, todo mundo festejando e fazendo planos para o Cúcuta ou Santos, até o tal Caio Junior falou em ser "campeão do mundo". Deu no que deu.
Deve ser muito difícil para o elenco ou diretoria do Flamengo entenderem a velha máxima de que FUTEBOL É PARA HOMEM. Mas não: para início de conversa, o Joel resolve se despedir colocando em campo um sujeito chamado Leonardo como zagueiro, que ele deve ter encontrado no meio do caminho entre a Gávea e o Maracanã. Por que não entrou com o Rodrigo Arroz, carajo? E que porra de lesão é essa do Fabio Luciano?
Estava mais do que na cara que iriam fazer merda. Mas não imaginava, sinceramente, que o bando de moleques do Flamengo pudesse levar três gols (sem fazer nenhum) do último colocado do Campeonato Mexicano, dentro do Maracanã e diante de 55 mil pessoas.
Mas, espere aí: se tem um time que pode realmente fazer isso - entregar a vaga ganha na Libertadores, perdendo de 3 a 0 para o último colocado do campeonato mexicano em uma atuação ridícula diante de 50 mil torcedores - este time é realmente o Flamengo. Ora, não foi este time que perdeu para o Santo André?
Eu considero esta derrota muito mais idiota e imbecil do que aquela.
O América deu aula: não fez nada no primeiro tempo a não ser contar com a sorte para fazer dois gols espíritas. No segundo tempo, se fechou para aguentar a pressão e o desespero rubro-negro. Estava na cara que a tática era essa: tentar o terceiro gol no fim e catimbar o resto.
O juizão meio cucaracha entrou na onda, deixou cera à vontade e no fim deu três minutos de acréscimo (quando deveria dar, pelas minhas contas, uns 44 minutos de acréscimo).
Resultado: mais uma tragédia, mais um desastre, mais uma imbecilidade perpretada pelo Flamengo, mais uma agressão do Flamengo à sua torcida mágica.
O que resta agora? Crucificar os culpados. Rua para Leonardo, Toró, Ibson, Marcinho e Souza, os maiores merdas em campo. É preciso que haja culpados. Rua para toda a diretoria que permtiiu esse clima de micareta quando o que tínhamos era um JOGO DE LIBERTADORES, PORRA, CARALHO.
Segunda-feira, 05 Maio 08, 10:13 PM
Me faltam palavras para descrever uma imprensa que eleja Lucio Flávio o melhor jogador do Estadual. Um jogador que amarela na decisão, que passa os 90 minutos querendo apitar o jogo, que tem um time inteiro cavando faltas e se jogando perto da área para ele bater (errado), ora, como assim, Lucio Flávio o melhor jogador do Estadual?
E onde estavam estes jornalistas que não viram o que jogou o baixinho Juan na final do campeonato? Onde estavam estes rábulas da mídia quando Diego Tardelli entrou em campo na decisão e executou, tal e qual um touro reprodutor, o Bostafogo que gemia placidamente?
Que espécie de jornalista pode votar em VAGNER DINIZ para melhor lateral, se o time do Vagner Diniz SEQUER CHEGOU A UMA DAS FINAIS DOS DOIS TURNOS?
Só posso crer que se dividem entre PUXA-SACOS ou TORCEDORES. Aceito, aliás, os torcedores. Aceito que um vascaíno fanático vote no Vagner Diniz - desde que ele diga a seu público que ele é vascaíno fanático. O cretino do Aureo Ameno, por exemplo, faz isto. Mas melhor não falar de radialistas.
Analisemos item a item da lista:
Seleção: Bruno - merecido, goleiraço, o melhor do mundo atualmente.
Wagner Diniz -Inacreditável. Leonardo Moura com dengue é melhor.
Thiago Silva - Bom zagueiro. Nem parece do Fluminense.
Fábio Luciano - O nosso xerife mereceu.
Juan -O Flamengo continua com sua tradição: "Ter laterais-esquerdos com a letra J que são melhor que o Nilton Santos e o Roberto Carlos juntos". O último tinha sido o Josecler. Teve o Júnior também.
Túlio - Só podem estar de sacanagem. Não conta caráter nessa porra?
Ibson - Não sei não. Não jogou nada esse ano. Mas vá lá.
Thiago Neves - Sem comentários. O garoto do créu só levou créu.
ucio Flavio - Inacreditável, dispensa comentários.
Wellington Paulista - Não dá para entender
Washington - Jogou? Vem cá, na opinião destes jornalistas DE MERDA, um sujeito que faz três gols em dois jogos decisivos do campeonato é PIOR que esse Washington? OBINA NELES.
T: Cuca - Ah, sim. Cuca classificou o Botafogo para a Libertadores e ganhou o bi estadual.
Melhor jogador: Lucio Flavio - inacreditável
Melhor árbitro: Gutemberg de Paula Fonseca - sei lá quem é.
revelação: Alexsandro - sei lá quem é (2)
Time mais disciplinado: Fluminense - No meu tempo, "disciplinado" queria dizer correto, de acordo com a disciplina. Hoje, parece que é outra coisa. Sei lá.
Segunda-feira, 05 Maio 08, 09:50 PM
A notícia de que o Mengão Porradeiro está assinando contrato com o técnico que acabou de perder um estadual para o Itumbiara funcionou como aquele banho de água frio durante o porre, para grande parte da galera rubro-negra. Caio Júnior pode até ser um bom técnico, mas convenhamos que chegará meio na podre.
No entanto, foi bem-vindo o banho de água fria, porque afinal de contas temos um jogo de Libertadores na quarta-feira. Um jogo em que temos a vantagem de perder por um gol de diferença, e é só. Dois gols de diferença, dependendo de quantos forem feitos e levados, pode ser a ruína ou os desagradáveis pênaltis. Não me venham falar em vantagem ou em "jogo de despedida do Joel". O América não virá do México disposto a agir, digamos, como um Botafogo em final de campeonato. Os caras virão jogar sério.
O hábito do cachimbo faz a boca torta. Não podemos nos acostumar a ficar enfrentando times de terceira categoria como Cardoso Moreira, Friburguense e Botafogo, e esquecer que o papel do Flamengo é o de ser o predador máximo do futebol brasileiro - como já nos escreve o mestre Arthur Muhlemberg em seu Urublog no site Globoesportes.com.
Nossa missão é ganhar a Libertadores e, claro, ganhar o campeonato estadual do ano que vem apenas para que os tricolores parem de abanar o leque de estaduais como se fosse a última tábua da salvação. Considero que estamos 30 a 30 - não concordo em tirar o título roubado do Fluminense (o gol do goleiro do Bangu na semifinal foi anulado erradamente, mas tudo bem) de 2002.
Argumentações de que o título de 2002 do Tricolor não é válido acabam se assemelhando àquelas ridículas e patéticas comemorações dos torcedores do Sport Clube de Recife da Paraíba. Como sabem os psiquiatras mais estudiosos e os veterinários, estes sujeitos costumam comemorar o campeonato brasileiro de 1987 como se tivessem enfrentado times da primeira divisão - Internacional, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Corinthians.
Na verdade, o Sport enfrentou Treze, CRB, CSA, ABC e ASA (e outros times menos letrados) e no fim das contas tenta até hoje roubar o título do Flamengo de Zico, Leonardo, Zinho e Bebeto. Sem a menor vergonha na cara, um acinte.
Argumentar, portanto, que o Fluminense não é campeão de 2002 por causa do assalto sofrido pelo Bangu na semifinal fica, assim, "meio Sport". Sejamos 30 vezes campeões. E vamos tentar ser 31 ano que vem, superando, isso sim, o Fluminense que também tem 30 titulos.
Quanto ao América do México, vamos ficar de olho. Não é jogo festivo para eles. E os caras jogam em pé - contra time de Cai-Cai, é moleza jogar, já vimos. Contra o América, a coisa é mais complicada. Atenção, time! Cuidado com a ressaca!
Domingo, 04 Maio 08, 04:40 PM
Recebi alguns telefonemas de amigos antes do jogo - nem cheguei a atender, pois me dedicava a preparar o almoço. Provavelmente achavam que eu desejava fazer alguma cerimônia para ver a final do campeonato estadual entre Flamengo x Botafogo. O que eles não sabem é que, findo o jogo, com o resultado normal -Flamengo campeão na base da velha surra de pau mole - me dediquei imediatamente a conversar com minha senhora sobre que filme veríamos à noite.
Sim, é a minha postura atual: considero ganhar dessa gente uma obrigação. E perder, motivo de vergonha por gerações.
Esta decisão confirmou o que eu apenas desconfiava: que este time do Botafogo não tem condições nem mesmo de estar na TERCEIRA divisão do ESTADUAL. É um time de pelada, formado por um bando que estaria mais adequado se o campeonato fosse entre times de presídios. O ataque tem um jogador chamado Jorge Henrique que é uma ofensa, mas uma ofensa não a quem gosta de futebol, mas para qualquer pessoa que se dê ao respeito.
Jorge Henrique, Túlio, Lúcio Flávio: com uma trinca dessas, mais fácil um time ser campeão em Bangu 1. Jogadores que acreditam que o "fim justifica os meios". Batem sem parar, caem toda hora, pedem cartão amarelo, "apitam" o jogo. O cinismo de um Lúcio Flávio atinge níveis impressionantes - faz faltas trançando os pés no adversário e diz que não foi. Jorge Henrique deu uma tesoura em Toró e pediu pênalti! E por aí vai. Basta assistir ao tape.
Chego a ter dúvidas se essa quadrilha, esse bando, é realmente obra do sr. Alex Stival, que não me pareceu um técnico dado a roubos, artimanhas, patranhas e armações. Pelo menos foi o que me pareceu. Mas nunca se sabe o que o desespero faz.
Mas nessa hora eu me lembro do Zé Marinheiro, rubro-negro falecido em 1984 - em outras palavras, meu pai, cujo apelido meu irmão outro dia oportunamente lembrou. O Zé Marinheiro sempre disse que o Botafogo era o que havia de mais repulsivo na mitologia popular. E eu, ingenuamente, atribuía ao Vasco - esse clube que há anos só nos dá alegrias - a pecha de objeto principal dos nossos desprezos.
O papelão, o vexame ridículo protagonizado pelo mau-caráter Tulio e sua quadrilha, deixaram bem evidente: é o Botafogo a coisa mais desprezível que existe.
O Flamengo, portanto, ao mais uma vez estuprar a risível curriola de Coronel Severiano, fez mais do que apenas restabelecer a ordem natural das coisas: o Flamengo mais uma vez atuou com medidas sanitárias: uma vitória dessa gente e o futebol sofre. A consagração de métodos bestiais é extremamente prejudicial à sociedade. Um eventual título deste time do Botafogo faria tão mal às gerações futuras quanto uma liberação da cocaína e de outras drogas injetáveis.
Só discordo da afirmação de que a expulsão de Renato Silva (saiu barato, deveria ter saído algemado) deixou o Botafogo com um homem a menos: afinal, NÃO TEM HOMEM NO TIME DO BOTAFOGO (Tinhorão, Oswaldo, in Flamengo 3 x 1 Vasco, 2001, Ed. Petkovic, Dejan).
Sábado, 03 Maio 08, 10:33 AM
Mais uma vez, o Flamengo entra em campo para decidir um campeonato estadual, fato que, desde 2000, já se repetiu quatro vezes. Somos os maiores campeões do século, seguidos pelo Fluminense (duas vezes), Vasco (uma) e Botafogo (uma). Se conquistarmos este ano - algo que será bem difícil, no campo apenas das estatísticas fisiológicas - igualaremos o Fluminense em número de estaduais, uma vitória apenas simbólica, um feito de tanta importância para nós rubro-negros quanto zerar o cheque especial ou acertar a saída exata do metrô para o local onde queremos chegar.
Não, não estranhe, não estou subestimando o empate em número de titulos com os estranhos rapazes de camisa laranja (reprovada pelo conselho deliberativo deles). Há quem ache isto uma cruzada praticamente religiosa, por decerto. Mas sua importância ocorre na medida em que o torcedor tricolor tem apenas esta numeralha para se gabar, e mais nada. Rebaixados à TERCEIRA divisão (algo que nenhum time grande do Rio conseguiu) e bi-rebaixados à SEGUNDA divisão (feito igualado apenas pelo Botafogo), não vejo, sinceramente, no torcedor tricolor carioca (com o perdão da redundância, já que reconheço, humildemente, que só há um tricolor, o Fluminense) muitos motivos para regozijo. Não em cima de nós, rubro-negros.
O mestre Arthur Muhlemberg já disse, há alguns anos: "Filhos, futebol não é álbum de figurinha, nem jogo de bafo". Não existe isso de "ah, eu tenho título tal" e o outro responder, "quer trocar pelo meu Ramon de Carranza?". Futebol é algo que se traduz em pequenos gestos, palavras, momentos. Futebol é um Rondinelli.
Mesmo que o feioso time do Cuca (antiga promessa de treinador que hoje não passa de um Péricles Chamusca melhorado) vença o escrete do Natalino por cinco a zero, não conseguirá de maneira alguma modificar a ordem natural das coisas, aquela que tem o Flamengo como ente absolutamente superior. E sem necessidade de contar títulos de futebol ou gamão.
É claro que isto não significa que devamos entrar descuidados em campo. Nosso adversário maior, sem dúvida, é o cansaço e a falta de treino. O time do Botafogo teve a semana inteira para descansar e treinar. Nós não fizemos nada disso. É claro que o favoritismo é dos alvi-negros, por mais absurdo que pareça tal declaração.
Se o Natalino conseguir trancar bem o ferrolho, fazer com que o Mengão atue com um ferrolho típico de Alemanha Oriental ou Suíça, creio que teremos sucesso. No entanto, vale lembrar: eles vão escalar TRÊS atacantes. Mas conhecendo o time do Cuca, não são atacantes para atacar, e sim para duas funções: ficar pressionando e ciscando a saída de bola e cair o tempo todo para arrumar faltas perto da área. Lembre-se, Joel: são TRÊS caras só para ficar cavando faltas. É bom o time ficar esperto.
Não há a mais remota dúvida de que o tal Jorge Henrique tem como único talento dentro de camp o de ficar caindo e pedindo cartão amarelo. Se haverá mais dois como ele, o cuidado tem de ser triplicado. Fora o trabalho de pressionar a saída de bola, que costuma dar certo contra nosso time.
É colocar volantes que saibam marcar e lançar e deixar os dois laterais prontos para a saída de bola. Em velocidade, no contra-ataque. O resto, é com a torcida.
E com a mística, aquela que entende ser o Flamengo uma força única e benigna da natureza, a cura definitiva. O resto é mal-estar.
Quinta-feira, 01 Maio 08, 10:59 AM
Um clube é como uma pessoa. Por mais que se mudem administradores, técnicos, massagistas, jogadores, tem coisas que são típicas de um clube. Se você tirar o Bebeto de Freitas do Botafogo e colocar em seu lugar o Bill Gates, o Botafogo vai continuar supersticioso, não vai? Com os outros clubes é assim. As manias estão impregnadas em um conceito de "grupo culturar" de tal modo que formam quase uma nação.
É claro que "nação" só o Flamengo tem. Os outros podem ser no máximo um condado ou, como no caso de times como ASA de Arapiraca, Paulista de Jundiaí, Colatina e Vasco, um vilarejo. Com um coronel mandando e desmandando e pedindo - em vão - que mandem virgens a sua alcova.
O Flamengo tem diversas manias, no entanto - uma delas, relativamente recente, portanto, "nova", é a de contrariar positivamente nossos prognósticos. "Vai ser rebaixado". E classifica para a Libertadores. "Vai perder o primeiro jogo". E vence. "A viagem vai cansar e a altitude vai matar". E ganha do Cienciano. "México, não!". E ganha, como nesta quarta-feira, de 4 a 2 do América do México, praticamente classificando às quartas-de-final à espera de - creio - Santos ou Cúcuta.
Não assisti ao jogo por compromissos profissionais. Estava entrevistando uma pessoa na insólita hora do jogo nas terras do Ligeirinho. Mas pelos gols vistos na internet, acredito que a coisa tenha lembrado muito a cena final de Bonitinha Mas Ordinária, e com o América do México fazendo o papel de Lucélia Santos gritando "cadelãããããããoo". Marcinho fez um gol inacreditável, driblando um zagueiro e chutando forte (há anos não via alguém driblar e marcar um gol pelo Flamengo, acho que desde Zico). Leonardo Moura fez um gol - pasme - por cobertura e - pasme mais ainda - com um passe certo de Ibson. Um passe certo de Ibson não acontece desde o ano passado. E já estamos em abril.
Em suma, de tudo aconteceu ontem. Até mesmo o time sobreviver a Luizinho na lateral direita. Agora, só falta o prognóstico: "Vai chegar cansado e perder o título para o Botafogo". Sim, só falta este prognóstico se realizar.
Quanto às velhas manias, está lá, no meio do texto de um jornal carioca: "etc etc o vice-presidente Kleber Leite e o colaborador Plínio Serpa Pinto".
Ora, "colaborador" é o quê?
"Colaborador Plínio Serpa Pinto"? Seria, traduzindo: o dono da Patrimóvel tem dinheiro a rodo (claro) e, por causa disso, conquista o direito de acompanhar o time dando palpites na escalação e sei lá mais em quê. Por quais motivos ele se torna "colaborador"?
Tem dinheiro e é Flamengo.
Se eu chegar lá com 500 reais, posso "colaborar" de que maneira?
É a grande implicância que eu tenho com a área de jornalismo esportivo. Não se questiona nada. Ou se aceita quase toda resposta passivamente, como no caso do jornalismo esportivo carioca (com raras e honrosas exceções, destaco, por exemplo, Guto Seabra, do Extra e Marluci Martins, de O DIA) , ou se força a barra com perguntas chatas sobre táticas, como acontece em São Paulo.
Passei três anos na área de jornalismo esportivo. Não fui muito bem-sucedido. Voltei para Geral (Cidade e Polícia), onde me formei anteriormente. Mas fiquei impressionado, em jornalismo esportivo, com a dificuldade dos repórteres cobrirem o dia-a-dia de forma crítica. Eu ia às Laranjeiras, e via o repórter combinando "comer uma pizza" com o assessor de imprensa. Vejam bem, costumo jantar com assessores. Mas para que eles trabalhem comigo o off e me passem informações negativas sobre outros que não seus clientes (ou até sobre estes).
Mas no caso, exaltar a amizade com assessor de imprensa e chegar na redação e teclar que "o craque Magno Alves vai renovar com o Fluminense", aí considero promiscuidade. Por causa da amizade, chamar Magno Alves de craque.
Enfim, se eu tivesse sido bem sucedido, não estaria aqui resmungando e escrevendo sobre problemas em licitações e investigações da PF sobre caça-níqueis. Mas estes pensamentos sobre o jornalismo esportivo são apenas sentimentos que voltam quando a gente vê "colaboradores" como o Plínio Serpa Pinto aparecendo DO NADA na administração rubro-negra e os jornais não nos dando QUALQUER EXPLICAÇÃO SOBRE ISSO.
Estas são as minhas opiniões.
Quarta-feira, 30 Abril 08, 09:11 AM
Na noite desta quarta-feira, no insólito horário das 19h, o Flamengo parte para mais um mata-mata de competição, no caso a Libertadores da América. Bem que eu gostaria de acreditar que pelo menos um empate será obtido lá nas alturas de Ciudad Del Mexico, mas a experiência - 40 anos de rubro-negrismo - me ensina que estes assuntos como "Flamengo jogando fora de casa", nos últimos anos, têm sido sinônimos de decepção. Com raras e comemoradíssimas (o que só confirma a regra) exceções.
Desta vez, há uma semana que a Gávea anuncia derrota. Em primeiro lugar, a distância entre Rio e México é berrada aos quatro ventos todos os dias, como se fosse alguma surpresa um time viajar durante a Libertadores. Depois, o esforço monumental de domingo (agüentar a deslealdade dos jogadores do Botafogo e o cai-cai constante de quem tem como único recurso a cobrança de falta) já credencia o time a uma sova na terra dos guacamoles - como já vêm anunciando técnico, comissão técnica, dirigentes e elenco. E por fim, a simples intenção de colocar um time misto contra o América Mexicano já mostra que o clube está claudicante.
A princípio, sou a favor, aliás. Mas desde que o time reserva esteja realmente motivado a não deixar o passar uma bola sequer - e desde que o goleiro seja o titular. Jogar com o goleiro reserva é suicídio.
Ao mesmo tempo, vejo na decisão de priorizar o Estadual uma confirmação da tese defendida sempre por mim e pelos amantes do ludopédio de que as rivalidades regionais são o que há de mais importante no espetacular esporte bretão; não fosse assim e não seríamos obrigados a torcer por agremiações exóticas como São Caetano, Paulista de Jundiaí e Corinthians em decisões contra nossos rivais Vasco e Fluminense, times grandes e de tradição.
O clima criado pelo Botafogo fez com que a Gávea "entrasse na pilha". Ora, querer priorizar o Estadual diante de um torneio importante como a Libertadores é sinal inconteste de que vencer a cachorrada se tornou mais do que questão de meros três pontinhos. É simplesmente uma decisão de recolocar ordem urbana, equivalente a espancar camelôs irregulares que atravancam a calçada ou recolher out-doors de anúncios de funerária. Vencer a cachorrada é restabelecer a ordem natural das coisas, "confirmar a cadeia alimentar do futebol no qual o Flamengo aparece como predador máximo" (Muhlemberg, Arthur, in "Urublog", http://www.globoesportes.com.br ).
Por tudo isto, o Flamengo hoje está novamente numa encruzilhada. Se tomar uma cacetada de quatro ou cinco gols de diferença, dará adeus mais uma vez à Libertadores. Se, com o time reserva, conseguir perder de um gol de diferença, ou mesmo empatar, ganha embalo para atropelar o Foguinho e conquistar a vaga às quartas-de-final na semana que vem.
Que os espíritos de Dida e Leônidas nos protejam. E livrai-nos do Mal de Montezuma, amém.
On Calma, Dona Geralda.