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Home > FIFA > CONMEBOL > Brasil > Brasil Serie A > 2008 > Flamengo > TROCA DE CHUTEIRAS - A JIHAD RUBRO-NEGRA EM AÇÃO

Por partes, como o esquartejador

Terça-feira, 15 Julho 08, 08:33 AM

Senhores, retorno aos debates nesta JIHAD RUBRO-NEGRA com o coração leve graças à liderança mais absoluta da história dos pontos corridos mas com o pé atrás e ligeiramente emputecido com uma série de assuntos. Creio que faço por bem em dividir a JIHAD em tópicos não sem antes me desculpar com os poucos mas dedicados leitores que, com toda razão, reclamarão da longa ausência. Vamos aos assuntos.

 

O pecado original

Eis que, de repente, a Maior Torcida do Mundo foi escolhida como o Mal Supremo. Articulistas de O Globo decidiram que a torcida do Flamengo é um bando de FDPs porque ninguém torceu tresloucadamente (e dando gritinhos) pela porra do Fluminense na final contra a LDU, vencida por esta última. Uma página de domingo foi ocupada por três articulistas, nenhum deles rubro-negro, para atacar a “falta de educação”, “grosseria”, “incitação à violência”, “ódio” ou outras bobajadas mais. O colunista Fernando Calazans deu uma espécie de piti ou puxão de orelhas por ninguém ter torcido pelo futebol “do Rio” e praticamente nos acusou de sermos os únicos responsáveis pela violência no futebol.

Definitivamente, estes senhores não andam na rua há muito tempo. Será que alguém percebeu os berros em cada quarteirão (um por quarteirão, claro) nos gols do América do México quando da nossa desclassificação?

Fui contra a criação de uma Liga dos Urubus não por moralismo, e sim por achar que um time dirigido pelo sr. Renato Portaluppi não tem a dimensão necessária para demandar um movimento da torcida do Flamengo.

Mas, ora, qual o problema agora em festejar a ida dos tricolores para a casa do caralho? É impressionante a nossa imprensa esportiva. Ninguém lembra das brincadeirinhas com Cabañas, ninguém lembra das brincadeirinhas com o México, apenas a torcida do Mengão é que secou a torcida do Fluminense, “diante de lágrimas de crianças” no Maracanã.

São realmente uns hipócritas.

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Renato Augusto

Renato Augusto, nosso Queixada

Houve histeria de alguns torcedores com a venda do canela-de-vidro Renato Augusto para o time mais adequado a ele, ou seja, o time da Bayer, empresa de analgésicos. Ora, apesar de realmente ser uma possibilidade de talento, o nosso RA jogava uma partida e parava seis, sempre às voltas com algum problema que já nem era mais discriminado. Era tanta dor muscular que volta e meia tínhamos a impressão de que RA na verdade era jogador de bocha na Boca Maldita, tal a estrutura geriátrica de seu esqueleto.

Se o dinheiro do RA possibilitou manter Ibson e Caio Júnior, já valeu a pena. Tal procedimento – vender jogadores revelados em casa – é praxe na maioria dos clubes campeões brasileiros nos últimos anos. Vide o São Paulo que se livrou do Kaká. E por muito menos do que RA – ainda que o craque virgem do Morumbi seja mais talentoso do que nosso bravo Queixada.

Que RA vá em paz e cresça o bastante para nos encher de orgulho na Copa de 2010. Mas neste momento precisávamos mesmo é do Ibson e do Caio Junior – por mais que o primeiro ainda esteja começando a recuperar seu futebol.

********

Liderança

Tardelli, o cara-de-pau mor da Nação!

Pelas ruas, a massa rubro-negra começa a manifestar seu habitual otimismo acompanhado da indefectível marra que deve sempre acompanhar a atitude Flamenga. Nada mais compreensível, e é por isso que eu peço sempre aos mais contidos que não se importem. Faz parte do nosso ethos gritar “É campeão” depois de vencer na primeira rodada do Brasileirão por 1 a 0 algum time recém-promovido à primeira divisão. Nada de mais nisso – e se assim não fosse, não seríamos o Flamengo, não seríamos o Maior do Mundo, não teríamos a Maior e Melhor Torcida do Mundo, que humilha completamente todas as outras.

Digo a vocês que compartilho deste otimismo principalmente porque nunca tivemos tantas peças de reposição como agora. Com exceção do goleirão Bruno, que ainda não tem um reserva à altura (talvez o bom Marcelo Lomba), e dos dois laterais, nas outras oito posições temos jogadores que, se não mantém o nível, pelo menos não deixam cair muito.

Até para a vaga do nosso xerife o zagueiro Dininho não comprometeu, no jogo contra o Náutico. Mas no meio-campo a coisa anda muito bem: Jailton, Toró, Cristian, Ibson, Kleberson, Aírton, Rômulo, são todos jogadores que têm garra na medida certa para envergar o Manto Sagrado. Na frente, a mesma coisa: todo mundo é ruim do mesmo jeito. Se Obina tem sempre dificuldades para dominar a bola (para ele, apenas um acessório do esporte bretão), Souza encontra barreiras invisíveis intransponíveis entre ele e o gol vazio. Se Maxi Biancucchi não consegue correr sem cair, Marcinho, o nosso maior artilheiro em 2008, tem grandes dificuldades em vencer um jogo sem enfiar a porrada em uma piranha nas horas que seguem o triunfo. E ainda tem o Tardelli, nosso concorrente ao Oscar – por sua genial entrevista quando disse “Tenho mulher e filha e na hora em que vi as putas fui embora da festa”.

A homogeneidade do nosso grupo, é, portanto, fator que deixa otimista esta JIHAD RUBRO-NEGRA. Mas é preciso criar formas de manter a pegada. Este campeonato é muito chato por causa disso. Fosse a outra fórmula, estaríamos praticamente classificados entre os oito e poderíamos dar férias ao grupo e jogar com os juvenis até a fase do mata-mata.

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Novas contratações

Acordo e leio nos jornais on-line que o Flamengo cogita trazer Felipe de volta. Sou totalmente contra. Chega do vascainismo que nos trouxe dois vices da Copa do Brasil. Chega de jogador com espírito desagregador – nem adianta dizer que seria o caso do Marcinho, já que mostrou ser um cara com espírito de grupo ao chamar mais gente para a bacanal que armou em Belo Horizonte. Felipe é criador de problemas. E no mar de almirante, no céu de brigadeiro que vive a Gávea, não precisamos de dor-de-cabeça.

É assim que pensa esta JIHAD.

 

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O lugar de cada um - De como a marra indevida pode ser prejudicial à saúde

Quinta-feira, 03 Julho 08, 09:28 AM

 

Senhores, infelizmente retorno a este tema já batido e superado (a ida do Tricolor das Laranjeiras para a PQP) por crer que, nas duas intervenções anteriores, me faltou discorrer um pouco mais sobre a estranha personalidade do sr. Renato Portaluppi, dublê de empresário do setor de supermercados e técnico de futebol (ao que parece, tem nesta última atividade um folguedo para as horas em que não está administrando nabos, pepinos, bananas e outros hortifrutigranjeiros cilíndricos).

 Me causou estranheza a tirada de onda do sr. Renato quando, após uma verdadeira batalha campal em que o ânus verde-grená ficou a toda hora exposto a estocadas do Riquelme, foi dita a seguinte frase injustificadamente marrenta:

- Boca? Muito prazer, eu sou o Fluminense.

Não vejo no sr. Renato Portaluppi currículo para disparar estas frases na forma irresponsável com que foram disparadas. "Vamos fazer tantos gols forem necessários" foi uma demonstração de falta de respeito inacreditável, que a imprensa esportiva do oba-oba preferiu, bisonhamente, registrar como "demonstração de confiança que o técnico passou aos jogadores".

Sim, vi jornalistas (?) esportivos dizendo que "o Renato está no papel dele". Curioso que são os mesmos jornalistas que condenaram as cerimônias de despedida para o sr. Natalino, naquela noite trágica da qual já falamos anteriormente.

A carreira do sr. Renato começou de fato, para o conhecimento público, no Clube de Regatas do Flamengo, quando marcou o histórico gol sobre o Atlético Mineiro em 1987, abrindo o caminho para a conquista do tetracampeonato mais adiante, depois de dificílima decisão contra o Inter de Porto Alegre (um time e um clube que merecem respeito).

Até então, Renato tinha sido campeão mundial pelo Grêmio. No entanto, tal título, apesar de ter "mundial" no nome, até hoje tem um caráter um tanto regionalista, uma vez que o peso dele não consegue ultrapassar muito a fronteira de Santana do Livramento.

Não são muitos torcedores que se lembram da final Grêmio x Hamburgo. Eu, por exemplo, não lembro nem quanto foi.

Mas é fato histórico tão nítido quanto a queda do Muro de Berlim que o Maior do Mundo foi campeão em 1981 após banho de bola por 3 a 0 sobre o poderoso Liverpool da Inglaterra.

Logo, consideremos que, por ter nascido para o futebol envergando o Manto Sagrado, seria até natural que o sr. Renato Portaluppi fosse um profissional marrento.

Só que a marra do sr. Renato não é rubro-negra, e sim uma espécie de pirracinha de quem leva cascudo na escola. "Vou chamar meu irmão" ou "Vou contar pra tia" seriam frases perfeitamente encaixáveis no lugar de pérolas como "Se o Fluminense for rebaixado, vou ficar pelado" ou "O Caio Júnior gostaria de trocar de lugar comigo".

Quanto a esta última frase, creio que o Caio Júnior não trocaria. Talvez comesse e saísse correndo na hora de  dar - mas como na Gávea não se cultiva a pederastia, acredito que nem mesmo o troca-troca sugerido seria aceito pelo técnico rubro-negro.

Reparem, meu amigos, no videotape do jogo ou nas cenas dos programas esportivos, nas cores dos papeizinhos que caem no pódio na hora em que a LDU recebe o troféu.

São papeizinhos verdes e grená. Não que eu saiba o que vem a ser grená - mestre Olavo Pascucci já discorreu sobre este tema no texto Associações entre a pederastia e o Fluminense Football Club; lembremos também que já havia sido reservado até o Museu de Arte Moderna para uma festa do título e, convenhamos, não será surpreendente se até mesmo a churrascaria para a qual o sr. Renato faz merchandising tiver preparado milhares de lingüiças para a festa fluminense.

Este tipo de marra é verdadeiramente estranha. Digo, para o Fluminense - quem tem bagagem para bancar esta marra-de-cão geralmente é o Rubro-Negro Foderoso da Gávea.

Quando Renato disse que está a cinco metros do paraíso e os outros estão a 500 quilômetros, que espécie de metáfora estava fazendo? Ele teria percebido que cinco metros atrás, na tabela do campeonato brasileiro, está a SEGUNDA DIVISÃO?

 Toda esta marra, esta presepada, e este show de desrespeito ao adversário foram ignorados pela imprensa sedada pelo pó-de-arroz. Fosse o Flamengo o protagonista destas tirações de onda, garanto que já haveria colunistas amestrados sacramentando que o mal do Rubro-Negro é a empáfia e a arrogância. Ou não lembram do escândalo iniciado pelo sr. Vitor Birman (ou Birner, não lembro) diante da camiseta "bicampeão estadual" este ano? Naquele episódio, o citado jornalista só faltou nos xingar de FDPs.

Agora, o empresário Renato Portaluppi está realmente a cinco metros do MUNDIAL, como mostra a foto abaixo:

 

Boas compras para vocês. 

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Postado por gustones | Comentários (9)

Cabañas e Cevallos

Quinta-feira, 03 Julho 08, 12:07 AM

Antes que eu desligasse o computador depois de escrever o texto abaixo, já havia amigos me enviando emails questionando: "Mas como? Você não quer que zoem com o Fluminense? E a festa que eles fizeram com o Cabañas?".

São meus amigos, mas devo dizer que também eles não entenderam o que eu quis dizer: a festa dos tricolores com a vitória do América do México era apenas um alívio por não encontrar pela frente a torcida do Flamengo.

Ora, foi APENAS por não termos seguido adiante na Libertadores que foi possível aos tricolores fazer tumulto em filas, causar brigas, levar gás de pimenta da PM e todas essas coisas pelas quais eles jamais haviam passado.

Estivesse a torcida do Maior do Mundo, Fodaralhaço Mengão, disputando ingressos, e é claro que a partilha num eventual  Fla-Flu pela Libertadores seria a de sempre: 70 mil ingressos para a Magnética Rubro-negra, dois mil ingressos para a do Fluminense.

Por tudo isto, não farei palhaçadinhas como fazer foto chorando, vestido com camisa do meu clube para colocar no Orkut. Já disse e repito: toda esta onda dos tricolores com nossa eliminação e suas milagrosas classificações às fases seguintes causaram neles o que batizei de Síndrome de Pobre em Piscina. Não está acostumado, então acaba se mijando.

Espero, sinceramente, que nós, torcedores do Gigantesco Flamengo possamos voltar a nos ocupar de assuntos sérios e mundanos como, por exemplo, a busca terrível por um ingresso para o jogo contra o Náutico. Isto sim, vai ser difícil de conseguir.

Estaremos no Maraca, sábado. Espero que lavem aqueles cosméticos todos da arquibancada.

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Cevallos nos mostrou o caminho

Quarta-feira, 02 Julho 08, 11:13 PM


 
Senhores, é evidente que me desgastei acompanhando os 120 minutos (mais pênaltis) de escaramuças entre o time do Fluminense e a Liga Deportiva Universitaria do Equador, clube e país respectivamente com longa tradição no futebol. Mas antes de tecer qualquer comentário sobre a ida da turma da Unimed para a casa do caralho (com passagem só de ida), creio que é lícito que nossa JIHAD RUBRO-NEGRA abra uma reflexão sobre os nossos destinos.
 
Devo admitir que vi com bastante contrariedade as manifestações como "Liga Dos Urubus" ou coisa do gênero. O Flamengo não tem que se unir a agremiações menores para torcer contra uma agremiação menor. A única e saudável exceção foi a criação da gloriosa Fla-Madrid, presidida pelo meu bom amigo Cláudio Cruz - uma torcida que, me orgulho muito, ajudei a criar, pelo menos com dicas e sugestões. É óbvio que o mérito mesmo é do Cláudio e do também policial civil Gemerson Dias. Mas ali tínhamos uma situação de Estado de Sítio Flamengo. Tratava-se de grave ameaça à pátria e à Nação. É preciso entender isto.
 
É como o uso das Forças Armadas na rua: só quando a coisa perde o controle e o mundo tal e qual o conhecemos fica ameaçado. Fora isto, sou severamente contra estas manifestações tolas e adesões a times insignificantes como a tal LDU, atual CAMPEÃO DA TAÇA LIBERTADORES DA AMÉRICA. Que o Fluminense queira perder um título inédito em pleno Maracanã diante de sei lá quantos mil infelizes para um time do Equador, bom, isso me parece problema do Fluminense. Não vejo o Fluminense com dimensão o suficiente para nos mobilizar. Me recusei igualmente a sair de casa ou fazer qualquer protesto a não ser as minhas palavras de conforto quando Cevallos defendeu o pênalti do tal "Coração Valente" (o centroavante que mais foi catapultado à mídia em todos os tempos e em apenas dois meses). Não creio que os senhores queiram saber quais foram as palavras, mas garanto que é algo que começa com "Porra" segue com "Tománucú" e, repetindo o "Porra", discorre sobre a ordem natural de poder político no qual quem está no topo da hierarquia é evidentemente a torcida do Urubu.
 
Queria que os senhores entendessem o meu ponto de vista: a culpa de termos passado 120 minutos desconfortáveis secando o insosso time das Laranjeiras é exclusivamente do Flamengo.
 
Sim, parece absurdo. O princípio, no entanto, é de família que vive em casa com quintal. A mulher vive dizendo pro marido aparar a grama. O marido não apara. A grama cresce. Daí a pouco, atrai bicho, atrapalha o caminho, etc, etc. O Flamengo, como força maior e superior da natureza, deve ficar sempre atento para as tentativas de engrandecimento das agremiações que nasceram inferiores por vocação e determinação divina. Cito exemplos. Vejamos o Botafogo, nestas duas decisões de estadual (2007 e 2008). Ali nós cortamos a grama. Fizemos nosso trabalho. Hoje o Foguinho voltou à sua condição natural, em que jogadores são pegos em tiroteios em boates (Baronetti, Ipanema) e se cogita continuar ou não com o Geninho (como se isso fosse algo que valesse a pena discutir ou pensar).
 
 
É o caso do Fluminense: permitimos muito que Thiago Neves virasse craque. Conca fosse levado a sério. Washington fosse elevado à categoria de Miroslav Klose brasileiro. E até Luiz Alberto, quem diria, quase é classificado como o novo Gamarra. Diante disto, o que fizemos, nós, forças superiores? Criamos papagaiadas como "Liga dos Urubus" ou coisa do gênero. É triste constatar que tivemos de torcer pela Liga Deportiva Universitaria do Ecuador - mas no fim das contas, apenas torcemos para que o mundo que conhecemos permanecesse como o mundo que nós conhecemos. Que ninguém venha agora também comemorar a vitória da LDU como se fosse algo esperado e já escrito há 300 anos.
 
 
Sofremos, sim, junto com os equatorianos. E a culpa é do Flamengo. Fomos até a prorrogação e sofremos na prorrogação por culpa do Flamengo. Sofremos nos pênaltis por culpa do Flamengo. E, nesta quarta-feira, nosso idolo maior é Cevallos, goleiro de 37 anos - por culpa do Flamengo. É o Flamengo que permite que sua torcida faça papagaiadas. Agora que o pesadelo acabou e, graças a Deus, com final feliz, podemos voltar a nossos afazeres. Quanto aos tricolores, que já compravam passagem para Tóquio, sei que vão ficar bem. Podem trocar a passagem para Tóquio por uma para PQP. Ou podem contar com a classificação para a nova vaga para a Libertadores durante o Brasileiro de pontos corridos, ainda dá tempo de pegar um embalo.
 
 
Pensando bem, acho que trocar a passagem por uma para a PQP fica mais perto e viável.

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Adeus (ou até breve) e muito obrigado

Segunda-feira, 30 Junho 08, 07:52 PM

 

 

 

A obrigação de discorrer sobre o último triunfo rubro-negro em terras inóspitas e setentrionais (royalties para Arthur Muhlemberg) acabou me induzindo a um grave erro: deixei passar em branco o trágico fim da Era Eurico no pavoroso Clube de Regatas Vasco da Gama - aliás, a possibilidade da saída de Eurico foi motivo de alerta vermelho (e preto) aqui no JIHAD.

Fiz questão de alertar os companheiros para o risco que corríamos - afinal, o Vasco sem nosso gordo mago tende até a sonhar em ser um adversário razoável em finais de campeonato.

Sentirei saudades, admito. Das promessas de vitória, dos chopes comprados antecipadamente cujos barris eram enfiados um por um nos cus cruzmaltinos na segunda-feira seguinte, das invasões de campo com exibição total de barriga, dos charutos fétidos que faziam com que a área mais respirável fossem as cercanias da fábrica de Sabão Português, enfim, sentirei saudades (como já escrevi lá embaixo) dos gritos de "Ei, você aí, avisa pro Eurico, que ele é vice e eu sou tri (ou bi)"

Agora, nos resta certo temor, admito. Como ir para outra decisão contra o Vasco sem ter a certeza anterior e definitiva de que mandaríamos todos para a casa do caralho? Espero que o Mengão e sua torcida saibam encontrar o caminho das soluções.

O JIHAD, numa última homenagem àquele que nos deu 20 anos de gargalhadas, esculachos e cara para limpar glandes, traz em primeira mão a carta enfiada (revisão, é enfiada mesmo) aos torcedores vascaínos.

Divirtam-se com este que tende a ser o documento mais engraçado dos últimos 20 anos. Os negritos são meus.

 

 

Carta do Presidente Eurico Miranda aos Vascaínos:

Aos Vascaínos,

Talvez tenha sido pouco. Na verdade, ao cruzar, como Presidente do Vasco, o portão de São Januário pela última vez, é esta a sensação. O que fiz foi pouco. Muito pouco. Considero assim porque nestes mais de 40 anos de serviços prestados ao clube, fiz de cada dia uma obsessão. Obsessão em tornar o Vasco maior, respeitado, intocável. Isso me guiou. Isso me motivou a acordar todos os dias. Quase sem perceber, por esta obsessão entreguei a minha vida. Agora, quando os dias derradeiros dessa trajetória vão passando com rapidez, noto que vivi em função desta paixão sem nenhum pudor em me doar. Sem limites. E o mais incrível: não consigo identificar um foco, sequer, de arrependimento. Faria tudo de novo, mesmo conhecendo os efeitos desta entrega. Mesmo sabendo que esta entrega me custaria, novamente, a destruição de minha imagem pública. O Vasco vale à pena, em qualquer circunstância.

Devo esclarecer que o processo que está determinando a minha saída começou há muito tempo. Talvez no primeiro dia do meu primeiro mandato como Presidente. Por esta instituição, em defesa deste clube, fiz inimigos muito antes de me tornar Presidente. Convivi, de janeiro de 2001 a junho de 2008, com todo tipo de ações orquestradas na intenção de inviabilizar o Vasco e minha administração. Valeram-se delas uma parcela da mídia e os inimigos internos, artífices de um cerco que atingiu o coração desta casa com 110 anos de existência.

Os últimos capítulos deste cerco todos devem ter acompanhado. Pressionados, cometemos o erro ansiosamente aguardado pelos inimigos, ao não recolher custas de 30 reais em um processo relativo às eleições de 2006. Foi decretada a revelia, nossa defesa foi desconsiderada e, dali por diante, o que se viu foi uma verdadeira avalanche, desencadeada do topo da montanha do poder deste estado. Resta-me a mágoa de ter constatado que, embora o alvo fosse eu, o Vasco foi pisoteado, massacrado, desrespeitado. Seu Estatuto rasgado. Feriram o meu sentimento vascaíno, não por este desrespeito ter decretado o meu afastamento, mas ao ignorar a História centenária do nosso clube.

Não é feitio meu fazer-me de vítima. Há os que sobrevivem disso, elegem-se para cargos políticos sob a estratégia da vitimização. É evidente que não é o meu caso. Tenho plena consciência dos inimigos que fiz, muitos na mídia. Alguns, de fato, merecedores da minha inimizade. Outros, nem tanto. Batalhas que venci e batalhas que perdi. Sempre em nome do Vasco. Sempre em defesa do Vasco. Reconheço, contudo, que há dois lados na moeda: assim como os enfrentei, esperaria naturalmente os contra-ataques, desde que eles fossem feitos de forma honesta. Acontece que a desonestidade e a mentira passaram a estar presentes em todas as matérias a meu respeito. Insurgir-me contra isso passou a ser mais um dever.

Ontem mesmo, em um editorial que supera todos os limites do bom-senso e que toca o ridículo, a editoria de esportes do jornal O Globo, numa demonstração medíocre de revanchismo, expôs toda a satisfação pela consumação do golpe que me afastará do Vasco. As inverdades e a desonestidade pautaram o texto, como de costume.

Foram capazes de ressuscitar, por exemplo, acusações da CPI do Futebol, sepultadas, recentemente, pelo Superior Tribunal de Justiça. Foram capazes de afirmar que no episódio lamentável ocorrido em São Januário na final da Copa João Havelange, mandei feridos se retirarem do gramado para que o jogo recomeçasse, quando o áudio da gravação original comprova que eu disse exatamente o oposto: o jogo só recomeçaria após o atendimento de todos os feridos. Também foram capazes de levantar alguns fatos isolados que eles colocam como insucessos esportivos.

A isso, respondo com currículo: desde que assumi o comando do futebol do Vasco, ajudei a conquistar 3 dos nossos 4 títulos brasileiros; 7 títulos estaduais; uma Taça Libertadores da América; 1 Copa Mercosul; 1 Rio-São Paulo. Foram diversas Taças Guanabara e Taças Rio. E mais: fazendo justiça ao nosso passado, busquei, junto à Conmebol, o reconhecimento oficial da entidade ao nosso título Sul-americano de 1948, tido pelos historiadores como a "primeira Libertadores". Isso sem contar a minha participação na formação de equipes campeoníssimas nos esportes amadores. Posso citar o futsal, o remo, esporte de nossas origens, e o basquete, no qual nos sagramos bicampeões brasileiros, bicampeões da Liga Sul-americana e vice-campeões mundiais, perdendo apenas para o time campeão da NBA, o Santo Antônio Spurs. Assim, a editoria de esportes de O Globo até pode suprimir de seus editoriais os meus notáveis feitos à frente do Vasco. Mas jamais os suprimirá da história. Jamais manchará a minha trajetória.

Ainda no trilho das realizações, orgulho-me do crescimento patrimonial que esta diretoria proporcionou ao Vasco, mesmo sendo alvo de constantes agressões e sabotagens. E confesso a emoção ao me lembrar de que abracei a idéia do projeto do Colégio Vasco da Gama, que já formou diversas turmas de primeiro e segundo graus, verdadeiro projeto de cidadania. Apesar de todas as dificuldades, inerentes a todos os clubes, mas incrementadas no caso do Vasco comandado por um "vilão", mantive os sonhos. Os meus sonhos e os sonhos de centenas de jovens e crianças pelos quais fui responsável.

Também sonhei os sonhos da nossa torcida. Assim como tenho plena noção de que a acostumei com títulos em profusão, assumo a responsabilidade por, neste período em que ocupei a presidência, só termos conquistado o Estadual de 2003. Longe de ser um jejum desesperador, ao contrário do que vende a mídia. Mas, gostaria muito de ter rompido o cerco que impediu nossas conquistas habituais. Estivemos muito próximos de conseguir. Agradeço a participação dos torcedores. Estejam certos de que nosso clube, caso seja mantido no seu rumo, ainda chegará ao topo, assim como quase chegou em 1998 e 2000.

Um agradecimento especial ao nosso quadro social. Pelo menos por três vezes ele demonstrou maturidade e responsabilidade, dizendo não às pressões externas: nas eleições de 2003, nas eleições de 2006 e ao repelir com veemência a remarcação desta eleição para o último dia 21 de junho.

E, finalmente, a minha sincera gratidão àqueles que não me abandonaram. Dirigentes, colaboradores, funcionários. Amigos próximos ou distantes. Muito obrigado por terem me ajudado a atravessar momentos tão críticos e dolorosos.

Apesar de acreditar que muito mais poderia ter sido feito, deixo a presidência com a consciência daqueles que cumpriram o seu dever. Um bom elenco no futebol, o nono lugar no Brasileiro de 2008, com boas perspectivas de melhora. Diversas promessas surgindo na base. Salários em dia, estrutura intocável, estádio bem cuidado, parcerias encaminhadas, como no caso da Lusoarenas. Nossas dívidas mais críticas equacionadas. O título estadual de remo em nossas mãos. Enfim, um cenário excelente, quando se leva em conta os obstáculos que nos foram impostos.

Por fim, lembro que, pelo Vasco, enfrentei de Senadores da República a traficantes colombianos. Pelo Vasco, abri mão dos prazeres sociais mais simples, principalmente quando a tentativa de desmoralização imposta a mim atingiu o seu nível mais alto. Pelo Vasco, renunciei até à minha saúde. O Vasco sempre esteve acima de tudo. E, sendo assim, despeço-me dizendo que estarei atuante como Grande-Benemérito que sou. Pelo Vasco e para o Vasco a experiência e o conhecimento que acumulei ao longo destes anos estarão sempre disponíveis. Jamais me furtarei a ajudar, se um dia for convocado. Pelo Vasco, as mágoas e cicatrizes são colocadas à margem. O sentimento sempre prevaleceu e assim permanecerá. A minha contribuição a esta instituição sustentou-se assim: no sentimento. Sentimento que não pode parar.

Saudações Vascaínas,

Eurico Miranda

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Considerações sobre uma vitória protocolar

Segunda-feira, 30 Junho 08, 08:25 AM

SuperObina

 

Meus amigos rubro-negros, confesso que o JIHAD hoje pode destoar do clima geral entre a Maior e Melhor Torcida do Mundo, que quase esbarra no oba-oba e no indesejável otimismo. Obtempero que é inexplicável a euforia e a felicidade flamengas após a vitória mais do que protocolar e obrigatória sobre o time (?) do Sport Club de Recife. A meu ver, expressiva mesmo foi a vitória rubro-negra sobre mais uma arbitragem do sr. Sálvio Spinola, um pulha ordinário que insiste em demonstrar sua má vontade com as cores flamengas desde o jogo em que impediu Oscar Schmidt de dar o pontapé inicial (era uma partida na qual o Oscar se despediria da Maior do Mundo).

E, claro, igualmente expressiva foi a vitória sobre o gramado (?) da tal Ilha do Retiro (que não se perca pelo nome), mais adequado a esportes estrangeiros como golfe ou paint-ball do que ao nosso futebol malemolente. A sorte na forma de Obina nos sorriu no último minuto e nos salvou do vexame indizível que seria o empate com os Usurpadores.

Mas é claro que alguns pontos podem nos deixar mais animados. No que tange a este JIHAD, a atuação boa do meia Ibson é um destes pontos positivos – caso se confirme que ele fica. Caso Ibson vá embora, ficará a impressão de que só jogou bem porque era despedida. Nosso início de campeonato é bem interessante. Desde que começaram os pontos corridos, jamais estivemos com 19 pontos em sete partidas no início da competição. E seis vitórias, sendo que duas fora de casa (sem contar o Fla-Flu, que foi com mando tricolor)! Não há dúvidas de que existe uma postura diferente.

Gostei muito do primeiro tempo rubro-negro, quando o time se comportou de forma rubro-negra, indo para a frente na boa e não deixando o adversário jogar. Claro, havia sempre o problema do gramado, evidentemente destinado a jogos da Terceira Divisão, mas que se há de fazer? A CBF permite uma coisa dessas, paciência.

Curioso é que a mesma CBF puniu o Mengão por causa de UM estalinho atirado ano passado por um torcedor DO GRÊMIO (eu estava lá e vi), mas deixa que times de alto investimento arrisquem o estado atlético de seus jogadores com jogos naquela pocilga. E ainda classificam o Sport como o Leão da Ilha do Retiro. Ora, com um chiqueiro daqueles, por que não aproveitar a influência cruzmaltina (já que cantam “casaca”) e se batizarem “O Porco da Ilha”, haja vista que Vasco e Palmeiras, o Porco original, são torcidas irmãs? Provavelmente o gramado ruim deve ser visto como “mais um artifício contra o adversário”. Claro, estão acostumados a recursos escusos – do tipo tomar na mão grande o título de 1987, conquistado contra times da SEGUNDA DIVISÃO, apenas usando para isso esta mesma CBF que permite jogos naquele campo. Será que a CBF na verdade é representada pelo CPF do sr. Carlos Alberto Oliveira, da Federação Pernambucana?

Mas enfim, já peço desculpas aos torcedores do Sport, torcedores estes que nada têm a ver com a falta de caráter de seus dirigentes. E me desculpo com os torcedores do Maior do Mundo por ter gasto quatro parágrafos com o assunto.

Mais valia ter gasto parágrafo com Obina, o centroavante de mais estrela desde João Danado. Ou com a boa atuação de Cristian, Marcinho, Renato Augusto e Ibson. Ou com o cartão amarelo absurdo dado pelo sr. Sálvio ao xerife Fábio Luciano. Cumprimos nossa obrigação, neste domingo. Mas insisto: ainda é cedo para demonstrarmos mais otimismo do que o habitual – fiquemos apenas com o otimismo natural de quem é Flamengo.

E todos ao Maracanã sábado, contra o Náutico.

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Ser Flamengo é A diferença

Sexta-feira, 27 Junho 08, 08:48 AM

Leitores e amigos que me encontram no jogging habitual do Arpoador ao Leblon têm me inquirido desde a manhã de quinta-feira sobre a decisão da Libertadores, assunto sobre o qual eu já não pretendia me pronunciar, posto que o título em questão está prestes a ser mais uma vez vulgarizado. Estes amigos que encontro me ironizam, perguntando se eu ainda acredito no (desastroso) título do nefando tricolor das Laranjeiras na próxima quarta-feira, no Maracanã. Com a gravidade de quem tem acertado as piores previsões (como a do desastre do Maracanã contra o América do México), e com muita contrariedade, reafirmo: não há a menor chance deste título ficar com a Liga Deportiva Universitária do Equador. Para mim, o gol de Thiago Neves, diminuindo a diferença para dois gols, decretou: o Fluminense JÁ É o campeão da Libertadores.

O retrospecto dos desgraçados nesta competição mostra isso: o número de cagadas daria para encher de merda o Piscinão de Ramos e ainda sobraria para metade do Lago Titicaca. O gol de falta inacreditável de Darío Conca contra a LDU, o igualmente inacreditável e de falta gol de Washington contra o Boca, a cabeçada do mesmo Washington contra o São Paulo, as defesas absurdas do goleiro Fernando Henrique, mostram que o destino esstá selado.

Os amigos rubro-negros, decepcionados com a resposta, me lançam um olhar (compreensível) de “E agora?”. Realmente, para quem, como nós, sempre tem como meta diária a conquista do Universo, fica estranho ver uma agremiação de dimensões certamente regionais se apropriar de um campeonato continental. Fica a sensação de que o objetivo já não é “rubro-negro”, ou seja, uma conquista a ferro e fogo, a sangue, suor e lágrimas, como acontece com o mais longínquo jogo de bocha juvenil (até 65 anos) em que esteja envolvido o Clube de Regatas do Flamengo.

Claro, relembro sempre Mestre Muhlemberg, e em seu fenomenal Urublog ele há de voltar a escrever isto: ficar contando título é coisa de gente pequena. É ficar mostrando álbum de figurinha. Os outros, que não são Flamengo (Deus do céu, até mesmo escrever “Não são Flamengo” me causa náuseas), é que precisam destas prerrogativas, na tentativa de serem mais significantes para o universo do que um parafuso enferrujado e solto ou uma concha quebrada em uma praia gigantesca da Groenlândia. O Mengão Fodão Pentacampeão e Fodedor não precisa de porra nenhuma disso – é o que não me canso de repetir, lendo a Bíblia Urublog.

Tivesse o Flamengo apenas um Estadual de Water-Pólo e nenhum título no futebol, e já seríamos o Maior do Mundo. Na verdade, tivesse o Flamengo existido apenas por três segundos em 3 de dezembro de 1978, quando Rondinelli subiu e jamais desceu, e sem dúvida nenhuma seu nome seria sinônimo de eternidade nos dicionários mais cultos e sérios.

Sendo assim, aos amigos que me perguntam como continuar a vida depois deste indesejável título tricolor, digo sempre a eles: comportem-se como vocês realmente são. Ou seja, são donos de casa com piscina convidando amigo pobre para churrasco. Logo o amigo vai embora, voltar para sua vidinha pitoresca em uma quitinete da Avenida Prado Júnior em Copacabana, e você continuará lá, bebendo Campari (argh) à beira da piscina só para fazer contraste no sol. Deixe o amigo pobre, o Fluminense, mostrar sua total falta de hábito com a piscina - a discussão em torno de Dodô e as advertências pueris da torcida, pedindo para o time ser menos otimista, mostram isso e equivalem ao sujeito que cai na água sem a chuveirada antes.

Ora, fosse o Mengão numa final dessas e sem sombra de dúvida poderíamos perder até de 4 a 0 que mesmo assim a insuportável (reconheço) Marra Rubro-Negra já estaria espalhando por aí adesivos para carro e avatares para Orkut com a inscrição “5 A 0, EU ACREDITO”. Jamais pediríamos para nosso escrete ser “menos otimista”. É o que opina esta Jihad: as diferenças são evidentes. Deixem os amigos pobres molhando a casa. E vamos nos ocupar com o retorno a mais uma Libertadores e quiçá com a disputa de mais um Brasileiro. O resto é problema dos rubro-negros que moram ali perto da Pinheiro Machado (quarta é ótimo dia para fazer uma média com a patroa e dormir em um bom hotel).

Afinal, quem é Flamengo precisa ter consciência de sua grandeza Universal.

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Os Kamikazes Flamengos em defesa do Dr. Eurico

Terça-feira, 24 Junho 08, 11:31 AM

A leitura dos jornais até que andava tediosa e soporífera nesta terça-feira: mais uma vez se falou na venda de ingressos para a monótona e sem-graça final de Libertadores entre Fluminense e a potência LDU, mais uma vez (não li, mas deve ter sido isso) o sr. Calazans pediu a derrubada do Dunga com base no que há de mais moderno no futebol – ou seja, Didi, Gérson, Canhoteiro, Batatais, Djalma Santos, Garrincha -  e mais uma vez não havia notícias do Botafogo (ou eu é que não percebi onde estavam).

Nas notícias do Mengão Casca-Grossa, mais um sinal da má-fé e incompetência de dirigentes querendo oferecer dois laterais que jogam bem de vez em quando por um meio-campo que não joga porra nenhuma há uns sete meses. Sendo que seu último passe certo foi há oito.

Enfim, tudo ia seguindo como manda o script das manhãs, faltando apenas a navegada na Internet e a cagada protocolar, aquela que deve ser efetuada com a página de esportes nas mãos.

Eis que, de repente, o meu coração foi acelerado pela adrenalina e pelo pânico: lá no meio da cobertura das eleições do Vasco (creio que já estávamos nas páginas de polícia), a informação alarmante, terrível, de que Eurico Miranda cogita não se candidatar mais a presidente do clube de São Cristóvão.

O horror! O horror! – escreveria o britânico Joseph Conrad diante de notícia que mergulhou meu coração em trevas.

Creio que a notícia é tão importante que deveria estar nas páginas dedicadas ao Rubro-Negro Único e Supremo do Universo.

O que faremos sem Eurico? Confesso que a perspectiva de não termos mais o gordo atabalhoado à frente daquela agremiação pavorosa é algo que não tinha passado pela minha cabeça – ainda que fosse perfeitamente previsível (afinal, a Polícia Federal, o Ministério Público e a Companhia de Limpeza Urbana um dia perceberiam que ali estava um alvo de trabalho).

Nós, rubro-negros, devemos admitir: nunca estivemos preparados para perder nosso grande Euricão.

Quem vai comprar chopes antes e enfiar tudo no rabo depois a cada decisão de estadual (como tem sido desde 1988, ou seja, há 20 anos)?

Quem vai estimular nossos atletas com declarações estapafúrdias? Quem vai invadir gramados nos proporcionando espetáculos grotescos de banha e fúria? Como poderemos cantar o hino já mais do que tradicional (a autoria já é de domínio público, o prazo de manutenção de direitos autorais até já venceu) “Ei/Você aí/Avisa pro Eurico que ele é vice e eu sou bi/tri”?

Que nome colocaremos na música usada pelo tenebroso gaúcho Leonel Brizola (cuja foto foi colocada no post de baixo meio a contragosto) na campanha de 1989 (La-la-la-la-Brizoooooo-la com imagens de criancinhas pobres comendo de boca aberta em Cieps)? Para quem não lembra, a letra é “Vai tomar no cu/Euriiiiiiiico/Vai tomar no cu/Euriiiico/Ser campeão do mundo/Você não conseguiu/Agora vai pra puta que pariu” (com imagens de rubro-negros felizes a pular exibindo faixas de campeão).

Senhores, o momento é de extrema gravidade e creio que exigirá do Clube de Regatas do Flamengo providências urgentes. Tivéssemos uma diretoria realmente preocupada com os destinos do clube e todos estariam cagando para o Ibson neste momento.

É urgente realizar uma campanha de novos sócios para reforçarmos as eleições do gordíssimo proxeneta. Infelizmente, precisaremos sacrificar alguns de nossos irmãos e inscrevê-los como sócios – talvez possamos fazer um levantamento entre doentes terminais ou pessoas com tendência suicidas para criarmos o grupo Kamikazes Rubro-Negros. Com este grupo, teríamos pelo menos mais uns 2 mil sócios pró-Eurico e assim garantiríamos a eleição.

Os voluntários-heróis teriam todas as despesas pagas, as famílias receberiam pensão vitalícia de herói de guerra, o voluntário teria direito a banho de imersão de duas semanas (com respirador artificial) após a missão repugnante.

Eurico e Edmundo

Creio que com este projeto conseguiríamos virar o jogo e manter o nosso Eurico na presidência do clube de São Cristóvão por pelo menos mais um período. É o que pensa esta JIHAD RUBRO-NEGRA.

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A Vênus Platinada e a velha tradição de perseguir os gaúchos

Domingo, 22 Junho 08, 05:26 PM

 

 

Nestes tempos que - infelizmente - devem ser curtos, ou seja, de Flamengo líder do Campeonato Brasileiro, há pouco a acrescentar, uma vez que a principal função do JIHAD RUBRO-NEGRA é reafirmar, perante o público leigo, a superioridade do Mengão Pentacampeão Brasileiro e Campeão do Mundo (único do Rio). Ocorre que a situação de líder na tabela torna o JIHAD meio ocioso, já que para a maior parte do público leigo, não-iniciado e pagão, prevalece a falácia de que a liderança em um campeonato é o sintoma da superioridade.

Nós do JIHAD não acreditamos nisso, é claro. Pouco importa a liderança neste ou naquele campeonato - o Flamengo é superior e ponto final. Sendo assim, volto minha atenção para um assunto que nos últimos anos tem me trazido tédio e irritação: a Seleção Brasileira de Futebol. Me detenho particularmente na estranha campanha feita contra o técnico Dunga - pelo qual, admito, não nutro simpatia e nem preferência. Destarte, não é realmente meu interesse fazer a defesa de sua permanência à frente do escrete nacional, ainda que minhas palavras a seguir vão acabar levando a isso. Fui contra a chegada de Dunga. Escrevi, no Jornal do Brasil, um texto criticando a escolha de Dunga - o jornalista Augusto Nunes escreveu outro a favor, bem ao lado. Meu único argumento: Dunga nunca treinou um clube. Só. Ponto final.

No entanto, apesar de todos estes meus argumentos contra o gaúcho, não posso deixar de ver com muita estranheza toda essa repentina campanha contra ele por parte de certos jornalistas e organizações. É impossível para o sujeito de bom senso achar normal o presidente da CBF cornetar a presença de Ronaldinho Gaúcho (jogador que atuou bem pela Seleção apenas contra a Inglaterra em 2002 e contra a Venezuela num lance de 15 segundos) na Seleção Olímpica.

 Li uma entrevista do técnico-alvo em O Globo na manhã de sábado. Me chamaram a atenção algumas frases no pé da matéria em que Dunga falava de recusas feitas a "certos profissionais" que chegavam atrasados e pediam entrevistas exclusivas ou que "pediam entrevistas para jogadores uma hora da manhã". E Dunga salienta; "Não é a TV Globo em si, mas alguns profissionais".

Ah! Agora podemos começar a entender! Vamos por partes. Analisemos argumento por argumento lá dos corneteiros de plantão da emissora que é dona do Brasil.

"DUNGA CONVOCA MAL" - Em alguns casos, sim. Gilberto já não deveria mais ser convocado. Afonso é um mistério até hoje. Gilberto Silva já deveria estar na seleção de Masters do Luciano do Valle. Mas, ora, ora, convocações erradas são constantes em qualquer Seleção Brasileira desde 1970. Copa a copa, sempre tem uma cagada. Em 70, tínhamos o frangueiro Félix como titular do gol. Em 1974, levamos o Valdomiro. Em 1978, pasme, o Edinho jogou de lateral-esquerdo. Em 1982, Serginho Chulapa era o titular. Em 1986, Telê nos inventa o Elzo e, lembre-se, o Josimar, que se não faz aqueles dois gols antológicos (cagadas homéricas) seria lembrado para sempre como "esquecido" (por mais paradoxal que seja a frase). Em 1990, a seleção inteira era assim. Em 1994, tínhamos Paulo Sérgio e Viola na reserva do ataque - sem contar o lamentável Muller. Em 1998, não esqueçamos o Zé Carlos imitador de passarinho. Em 2006, Parreira insistiu em levar os dois pernas-de-pau Cafu e Roberto Carlos. Por quê agora, em fase de formação de um time, se faz tanto estardalhaço? Digo formação porque já não é possível escalar o mesmo time das copas Américas passadas, já que Adriano e Ronaldinho Gaúcho abandonaram o futebol em troca da carreira de promoters e Kaká está mais preocupado com sua igreja do que com seleção.

"A SELEÇÃO NÃO FAZ GOL HÁ TRÊS JOGOS" - Lembremos que um dos jogos era um amistoso em que perdemos contra a Venezuela, ou seja, um jogo atípico. A Venezuela vem crescendo com o dinheiro de Hugo Chávez (segundo o escritor Fernando Morais, o grande revolucionário do século) e em breve, se não nesta, vai beliscar um lugar na Copa. É preciso ficar atento - podemos até ser alijados de uma Copa por causa deste crescimento inoportuno da Venezuela. Continuando: os dois jogos seguintes foram contra Paraguai (fora) e Argentina (em casa). Ora, PQP, não fazer gol contra estes dois times é algo mais do que comum. Ambas as seleções já mandaram o Brasil (e um técnico) para a puta que pariu dentro de casa. O Paraguai já estuprou o Brasil em plena Copa América de 1979 mandando Cláudio Coutinho para o vinagre. Em um amistoso, a Argentina carimbou nosso passaporte para a Copa de 1998 com um de Cláudio López (se não me falha a memória) em pleno Maracanã. O mesmo Paraguai já ganhou do Brasil em eliminatórias passadas em Assunção. Perder para o Paraguai no Defensores Del Chaco não é nenhuma anormalidade. E me respondam: empatar Brasil x Argentina em casa, em 0 a 0, deveria derrubar técnico? Que caísse, então, Cesar Menotti em 1978. Olvidemos Mar Del Plata?

"A SELEÇÃO ESTÁ CHEIA DE VOLANTES" - Os mesmos críticos que exaltam o São Paulo do sr. Muricy Ramalho, os mesmos críticos que babavam diante da seleção de 1994 (Dunga, Mauro Silva e Mazinho) e de 2002 (Gilberto Silva, Kléberson e Edmilson), os mesmos que sempre elogiaram o "vigor físico" de Tinga no Internacional e de Mineiro no São Paulo, agora têm faniquitos em relação à escalação dos volantes de Dunga. Ora, Dunga coloca volantes para liberar Máicon e Gilberto. Se ambos não apoiam, o que se há de fazer? Claro, convocar melhor. Mas é preciso antes verificar que a coisa está andando mal. Infelizmente o preço desta constatação foi a perda de cinco pontos. DUNGA TREINA MAL - Salvo nos dias seguidos que antecedem as competições mais importantes entre seleções, raramente vejo treinadores conseguindo fazer treinos decentes desde 1986. Ora, antigamente tínhamos o Júnior e o Zico do Flamengo, o Roberto Dinamite do Vasco, o Careca do São Paulo, o Cerezo do (argh) Atlético Mineiro, o Amaral do Corinthians. Hoje, o que temos? O Vágner Love (lamentável) do CSKA e o Renato (bleargh) do Sevilla.

"O BRASIL VAI MAL NAS ELIMINATÓRIAS" - A não ser que estivéssemos em último lugar, me parece um tanto imbecil querer tirar o treinador agora, por estarmos em quinto. Já estivemos em situação muito pior. Os srs. Parreira e Zagallo e Scolari, se não me trai a memória, nos classificaram no último jogo em 1993 e 2001. Como chegaram até o último jogo? Diante do côro global contra Dunga, realmente não consigo entender. Esta é a opinião, reconheço, polêmica deste JIHAD RUBRO-NEGRA. Nós, Flamengos, não nos caracterizamos por embarcar em marés ou ondas coletivas - nós somos A maré.

Que Dunga não deveria ser técnico da Seleção Brasileira, claro, esta é minha opinião desde sempre. Mas querer agora atribuir ao Dunga todos os males e mazelas de um futebol que já foi globalizado por uma legislação espúria, ora, é querer subestimar nossa inteligência. Pensando bem, subestimar a inteligência de todos nós é o que faz certa emissora desde 1965. Not surprises.

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A imprevisibilidade é Flamengo

Segunda-feira, 16 Junho 08, 04:08 PM

Para variar, o Flamengo se fodeu de verde e amarelo e deu um banho de água gelada em 55 mil torcedores de uma só vez. Tem se tornado rotina: basta encher o Maraca que os perebas que sonham ser craques entregam o ouro e jogam tal e qual uns peões de obra usando marmita como bola. Vide Santo André, vide Sport (1 a 1 ano passado, resultado absurdo), vide a tragédia inacreditável do América do México e mais essa agora, contra o São Paulo.

O Flamengo de hoje - e já de muito tempo - não prima pela regularidade nem previsibilidade. Pode ganhar do América do México por 4 a 2 na altitude, contrariando todas as expectativas, pode entregar a bunda e a alma para o mesmo América, último colocado do prestigiado Campeonato Mexicano, diante de um Maraca lotado.

Tenho para mim que Deus reservou ao rubro-negro uma vida de provações e delírio. Depois da era de Zico & Cia, em que dávamos surras de pau mole na cara de todo mundo, criou-se na Gávea a cultura do "Eu sou Flamengo e sou foda" (o que não é todo mentira). O embrião dessa cultura, claro, está submerso desde 1895 em algum ponto esquecido da Baía de Guanabara. Mas após a Era de Ouro de Zico, a coisa tomou um rumo diferente, e volta e meia é preciso uma sacudida para colocar o Maior Time de todo o Universo na rota certa.

A era de Djalminha, Marcelinho, Paulo Nunes, Nélio Marreco e Gaúcho fez muito mal ao Mengão. Ali se criou a babaquice semi-pederasta de Gaúcho's Boys, ali se incutiu em cada juvenil o conceito de que se bastava entrar na escolinha para se tornar semideus com direito a meia-entrada no Olimpo e férias no Valhala com acompanhante e pensão completa.

Podem notar que, dali para cá, salvo honrosas exceções, nossa peneira jamais voltou a revelar cracaços como Leandro, Adílio, Andrade e o Zicaço. No máximo um Renato Augusto, um Athirson (quando em boa fase), sem contar que revelamos ao mundo atacantes que não sabem chutar (Jean, Reinaldo) ou driblar (Diogo, Vinícius, Aloisio Chulapa).

O resultado disto é que vivemos até um ciclo de jogadores formados naquele lugar repugnante em São Cristóvão, como Felipe, Fabiano Eller, e até o baixinho William, um tormento...para a própria torcida. E pasmem: nosso Kleber Leite nos deu o desprazer de ter Edmundo envergando o Manto Sagrado. Por essa, KL seria no mínimo agraciado com 30 minutos de açoite, como sói acontecer nos países realmente civilizados - ou seja, no Islã. Se bem que o citado dirigente talvez já tivesse perdido a mão direita antes mesmo da punição exemplar.

 Sendo assim, vivemos hoje sob a égide da surpresa, da imprevisibilidade. Talvez seja o preço a ser pago pela monotonia de sermos os Maiores do Mundo e jamais colocarmos tal verdade em questão. 

De todo modo, creio que seja mais do que na hora discutirmos o destino do atacante Souza. É preciso, no mundo de hoje, saber o que fazer com resíduos sólidos. E Souza me parecer ser biodegradável.

 


 

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Postado por gustones | Comentários (7)