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Discretas comemorações, como convém

Segunda-feira, 04 Maio 09, 02:34 AM

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Senhores, conforme prometido, estou chegando agora de um jantar frugal no Outback do Leblon, onde ao lado de minha esposa Madame M, e de uma amiga querida, fiz minha discretíssima comemoração deste pentatricampeonato estadual, onde mais uma vez o Flamengo apenas mostrou o que todo mundo já sabe há séculos: quem manda nessa porra é a torcida do Urubu. O título rubro-negro, mais do que uma conquista em competição esportiva, significa bem-estar social e econômico. O país produz mais porque as pessoas em geral estão mais felizes. Como também consigo enxergar energia motivacional no ressentimento e na dor-de-cotovelo, devemos reconhecer que a minoria somada de tricolores, vascaínos e botafoguenses também dão seu quinhão ao PIB quando, neste momento, o MENGÃO PORRADEIRO E FODA chega aos 31 títulos estaduais suplantando os florminensistas.


As comemorações foram espartanas: nem pedi sorvete no Outback. Na saída, ainda comprei revistas para minha senhora, incluindo a Galileu, de ciências. Chegamos em casa e vim escrever para a Jihad. Sequer toca o hino do MENGÃO DO CARAIO nos nossos aparelhos de som porque me sinto constrangido em ganhar do Botafogo. Sério. Hoje o que mais senti foi PENA. Minha consciência me alerta, no entanto, que eu não devo exagerar neste sentimento de piedade. Devo esperar o chororô começar. Será que vão dizer o que?


O que diriam se fosse marcado um pênalti contra o Botafogo em que o atacante chuta no zagueiro que pula, e a bola bate no COTOVELO? Já respondo: “É o esquema da arbitragem rubro-negra”. Mas quando tal pênalti foi marcado, eu e meus amigos e confrades nos limitamos a xingar o árbitro e aguardar pelo que sabíamos ser inevitável: a defesa do Bruno.


Talvez aí resida a grande diferença entre rubro-negros e alvinegros: nossa resignação é a dos grandes guerreiros. Já a resignação alvinegra é algo próximo da dor de corno. E é por isso que o destino alvinegro é sempre apanhar. Porque uma vitória alvinegra significaria uma cidade morta, vazia, uma noite de domingo de pouquíssimo movimento, e sabe-se lá que produto seria mais vendido numa noite em que o Botafogo é campeão. Já disse o filósofo que torcer para o Botafogo não é bem um “torcer”, e sim uma “mania” ou até um “hobby”, de qualquer maneira tão exótico quanto colecionar cascas de cigarra ou contas d'água do mundo inteiro. Nem venham com essa lengalenga de “minoria inteligente”. Pelo contrário: é preciso ser um verdadeiro quadrúpede para acreditar que há condições de atropelar o Mengão FODA.


Bom, mas vendo por este lado, pela quantidade de gente que (não) foi ao lado alvinegro do Maracanã, a torcida do Bostafogo até que está mais inteligente hoje em dia.



Até o Brasileirão. E chega de comemorar chute em cachorrada morta.

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Deus salve o heterossexualismo rubro-negro

Terça-feira, 28 Abril 09, 07:50 PM

 

Senhores, pra variar venho de longa ausência e provocado mais pela necessidade da JIHAD discorrer sobre determinados assuntos do que por algum motivo futebolístico – para quem não é Flamengo, possivelmente as finais do Estadual seriam tema para textos e mais textos da JIHAD. No entanto, urge deixar claro que comemorarei espartanamente – talvez um cinema com minha senhora – o pentatricampeonato rubro-negro, uma vez que vejo tratar-se de MERA OBRIGAÇÃO a vitória contra este lacrimejante e deprimente time do Botafogo.

Já disse a interlocutores que, se Estadual realmente valesse alguma coisa, teríamos cagado e andado para a terrível tragédia rubro-negra que se abateu na Libertadores do ano passado – a derrota para o América do México aconteceu três dias depois de um título destes contra o Botafogo. Que um time já experiente em segunda divisão como o Botafogo ache grandes merdas conquistar o Estadual (principalmente contra o Flamengo) é mais do que natural.

Agora, não podemos sequer comparar a importância até financeira de estar na Libertadores com o marasmo dos Cabofrienses e Tigres da vida. Querer comparar uma Libertadores com estes torneios é como dar importância a um ranking de Sovaco mais Musical da rua.

Não que eu vá torcer contra ou torcer menos – nada disto. A importância de ficar com 31 títulos, acima do clube da Lê Boy, é capital. Mas finda esta missão, reitero, é papel de cada rubro-negro recolher-se a uma espartana comemoração, moderada como convém o feito do próximo domingo. Ganhar do Botafogo deveria até nos causar certo constrangimento – igual ao que sente um pai depois de sentar a porrada no filho de oito anos após tê-lo pego fazendo meinha com um amiguinho.

Mas depois desta longa elocubração, quero abordar o assunto principal do texto da JIHAD: a pagada geral do lateral Juan ao babaquara Maicossuel. Devo dizer, senhores, que imediatamente após o lance, companheiros rubro-negros de boa cepa condenaram a atitude antidesportiva do lateral. No entanto, tive de me limitar a fazer silencio. Ainda não tinha uma leitura suficiente do episódio para analisar.

No entanto, ao presenciar o início de um gigantesco chororó no Canil (escrevo canil com C maiúsculo por respeito ao clube), seguido da clássica e habitual condenação de colunistas éticos e bem-comportados, fiquei realmente abismado. Sem contar a quantidade de gente chamando o irregular lateralzinho rubro-negro de “canalha”. Seguem-se também os cansativos discursos de “Juan não gosta do futebol-arte” como se ele próprio jamais tivesse dado dribles do mesmo jeito que Maicossuel.

Faltou na imprensa globulizada mencionar, por exemplo, o biltre Leonardo Gaciba, que em 2002 puniu o jogador Jabá, então no Coritiba, com o cartão amarelo por este ter feito firulas diante do adversário. Este, sim, é o fator contra o tal futebol-arte que preconizam estes defensores da moralidade.

Deste os tempos imemoriais que zagueiro fala no ouvido de atacante. Cabe ao atacante AMARELAR ou não. O ato de dar um esporro ou ameaçar cobrir de porrada jamais deve ser encarado como uma “maldade com o pobrezinho do atacante” e sim como parte integrante de um esporte heterossexual masculino. Havia atacantes que optavam por NÃO AMARELAR, como é o caso do João Danado Nunes, o Artilheiro das Decisões. Foi Nunes que, em 1981, ao ver o ladrilheiro Roberto Passos sendo fustigado por jogadores do Vasco, chamou todos para a porrada tendo este convite sido recusado com tremores nos joelhos dos bacalhaus. Foi Nunes que em 1980 em pleno Mineirão saiu dando porrada em jogadores do Galo das Alterosas quando o hediondo Éder tirou nosso Rondinelli de campo na base de chutes nas mandíbulas.

Por que será que Nunes nunca reclamou com a imprensa de “estarem tolhindo seu futebol-arte” com ameaças? E mais: as porradas dadas por jogadores como Juninho e Alessandro – ambos absolvidos pelo STJD – talvez preocupassem o João Danado. Mas certamente este não iria amarelar. Faria a opção de partir para dentro.

Aos que insistem em ver arte no futebol de Maicossuel, peço que revejam o que aconteceu DEPOIS da ameaça feita por Juan. Ele se recolheu. Fez a outra opção. Não devemos condená-lo por isto, apenas aceitar que ele tem o direito de amarelar.

Agora, imaginem se nas décadas de 70 ou 80 a imprensa esportiva desse pitis de mãozinha na cintura a cada vez que o parrudo Moisés dissesse a um atacante que iria cobri-lo de porrada fora do estádio se ele viesse de gracinha. E o que dizer de Junior Baiano preventivamente sentando a mão nos cornos do ignóbil Edmundo naquele Flamengo x Vasco de 1992 que ganhamos NA BOLA E NA PORRADA?

Por tudo isto, senhores, é que estranho o escandalozinho, os pruridos bichescos de grande parte da mídia tupiniquim diante de uma cena que a meu ver é tão parte do futebol quanto a bola ou as traves: a intimidação do atacante adversário – ou sua tentativa, pelo menos. A continuar esta onda de frescura a se abater sobre o país e em breve teremos zagueirinhos-kaká atuando na zaga da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, e não um sujeito capaz de dar uma cabeçada no nariz do colega de time para ver se ele toma jeito de homem.

Até o Brasileirão.

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3 de Março

Terça-feira, 03 Março 09, 04:40 PM

 

Um Feliz Natal (hoje) e um Ano Novo (que começou ontem) de muito sucesso a todos os leitores da JIHAD RUBRO-NEGRA e à Nação Flamenga em geral.

 

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Postado por gustones | Comentários (4)

Considerações sobre vexames rubro-negros

Segunda-feira, 02 Março 09, 06:47 PM

Ando meio desligado do futebol, reconheço. Quer dizer, corrijindo: ando desligado é do Flamengo. Do futebol eu sempre fui desligado. Claro que acompanho qualquer pelada que apareça na TV, seja de campeonato italiano, seja segunda divisão do campeonato paulista (o máximo que alguém pode se permitir de ostracismo). Mas é fato que pouco me importam os resultados e mesmo se o jogo vai acabar bem ou em grossa pancadaria. A única coisa que me importa mesmo no futebol é o Flamengo. Não existisse o Flamengo e futebol teria, para mim, o mesmo encanto que mesas redondas sobre educação coordenadas pelo Arnaldo Niskier ou palestras do doutor Lair Ribeiro sobre Motivação. Sem o Flamengo, digamos a verdade, o futebol não existe. Em lugar nenhum do universo.
Mas o ano começou muito ruim e eu me desliguei. Claro que as cobranças já apareceram, e desde que o horroroso time atual rubro-negro perdeu para o não menos pavoroso Resende, são diários os encontros com leitores da JIHAD RUBRO-NEGRO reclamando do meu sumiço. Cá estou, pronto para discorrer sobre alguns tópicos. Vamos a eles:
1- O time do Resende - Há muitos anos não vejo nada tão horroroso em campo quanto o time do Resende que apanhou para a cachorrada por 3 a 0. O resultado incrível obtido pelos resendeanos no Maracanã mostra que o jogo anterior acabou em vitória deles muito mais por obra e graça do juizinho (que inventou um pênalti e expulsou dois) e do próprio time do Flamengo, que não teve vergonha na cara.
Mesmo se o juiz não expulsasse dois jogadores do Flamengo, creio que o resultado seria o mesmo. Ou talvez até mais dilatado, haja visto que o tal Bruno Meneghel perdeu dois gols quando o rubro-negro tinha 11 jogadores.
Agora, um time conseguir apanhar de 3 a 0 do Bostafogo e sem esboçar a menor reação ou hombridade, sinceramente, é de se estarrecer. Por uma semana vimos a imprensa exaltando o técnico Roy como o novo Rinus Michels. Creio que neste momento o técnico Roy está abaixo do Lula Pereira no ranking de "Treinadores de Times Merdas".
2- A Taça Guanabara - Eu havia perdido a noção do quanto importante era a Taça Guanabara. A Globo dedica horas de sua programação à cobertura dos "heróis do título". O locutor Luiz Roberto só falta tocar uma cunheta (revisão, não corrijam) quando a ridícula letra do canto de torcida aparece na tela da Globo. O fato de haver 70 mil torcedores (público que o Mengão coloca em partida de totó) no Maracanã fez com que Luiz Roberto quase cantasse o hino nacional. Os jogadores do Botafogo comemoraram se jogando ao chão como a seleção de vôlei medalhista olímpica. Os atacantes vêm sendo badalados. E até o Cuca, pasmem, é sacaneado pela cachorrada, que passou quase 90 minutos falando em Flamengo - no que compreendo perfeitamente. Vão falar em quê mais?
Tudo isto, repito, tudo isto por causa da conquista da Taça Guanabara. O que aconteceria se o Bosta ganhasse, por exemplo, uma Copa do Brasil (aquela que o Mengão já faturou duas vezes)? Ou uma Libertadores (tem lá na Gávea)?
3- Soluções para o Flamengo - Deveria ter acontecido nesta segunda-feira, e de forma simples: o presidente e todos seus vices entregando o cargo para a entidade máxima do futebol mundial, que é a torcida do Flamengo. Com eles, todos os jogadores que estiveram em campo contra o Resende. E debaixo de porrada os jogadores que tiveram a cara de pau de reclamar do calor.
Por quê?
Ora, o time que quase aplicou uma goleada no Flamengo uma semana antes foi inapelavelmente trucidado pelo Botafogo sem dó nem piedade; isto basta. Se um administrador, gestor ou trabalhador tem VERGONHA NA CARA, ele não precisa nem receber salário para se sentir mal diante de humilhações e vexames. Não receber salário é parte do problema, mas não explica e nem justifica perder para um time que apanha do Botafogo.
Falharam, portanto, todos: os dirigentes, que simplesmente NÃO CONSEGUEM encontrar um atacante decente e nem formar um time de homens; o técnico e os jogadores. 
Qualquer sujeito com vergonha na cara iria tirar o Manto Sagrado, devolver a quem de direito (torcida do Flamengo) e recolher-se às auas ocupações anteriores.
Mas no Flamengo há vergonha?
É um time sem vergonha de jogar mal para caralho e de perder para um time de merda como o Resende.
Resta saber, meus amigos, se cometeremos o vexame máximo de sermos vice da cachorrada. Aí realmente é caso para demissão coletiva.

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Choro antecipado - a marca dos vencidos

Sexta-feira, 30 Janeiro 09, 01:19 PM


 

 

Amigos, companheiros de guerra santa rubro-negra: volto aos comentários no JIHAD mas sem prometer muita assiduidade, haja vista que acompanho o atual certame ainda um pouco distante, sem ter comparecido aos estádios por causa de compromissos profissionais. Mas espero mudar tal conduta. E escrever melhor – sou partidário da tese de que se pode torcer pelo Mengão sem jamais ter pisado em um estádio de futebol, mas escrever sobre Flamengo sem sentir a vibe de sua torcida, bom, é diferente. Missão difícil, possível, mas completamente sem coerência e honestidade.

 

É claro que, vendo pelas imagens da TV e dos vídeos da Internet, me parece que a Magnética (royalties para Jorge Ben) está como sempre esteve: feliz, radiante, apaixonada, exultante e dando mais beleza ao mundo do que um campo repleto de girassóis. Ainda que parte da imprensa cruzmaltina (só os cruzmaltinos pensam que ela não existe) tente criar falsas polêmicas na Gávea – como a saída de Marcelinho Paraíba, a chegada de Diguinho e os chiliques do Imperador Adriano – o fato é que o Mengão começou o ano, curiosamente, de bem com a vida.

 

Futebol? É verdade, ainda não apareceu por lá. Certamente é culpa dos salários atrasados. Não culparia jogador nenhum por isto – ninguém curte o trabalho gratuito, a não ser que você seja selecionador de atrizes pornô do gênero teen ou provador oficial de vinhos e pizzas do melhor restaurante da região.

 

Por tudo isso vejo a Magnética muito bem, muito tranqüila e em paz. Ainda mais depois de adquirir a nova marca, que é a de ÚNICO TIME DO RIO A JAMAIS TER JOGADO EM DIVISÕES INFERIORES. Se for feito um exame minucioso no couro cabeludo dos outros torcedores cariocas, abrindo espaço entre os cabelos o cidadão de bem (rubro-negro) poderá constatar, com horror, perto da tatuagem com o número 666, a inscrição “Série B”.

 

Em nós não tem essa marca.

 

Mas, finalizando este gigantesco preâmbulo (maior até do que o texto em si), a única coisa que tem me chamado a atenção não é no Mengão, e sim no restante da mídia e torcedores, dando pitis monumentais por causa de erros de arbitragem a favor do rubro-negro. E mais: no caso do jogo desta quinta-feira contra o Bangu, erros que aconteceram PARA OS DOIS LADOS. Mas não! O frágil torcedor arco-íris logo gira o corpo apoiado nos calcanhares e sai em passos largos e nos dando as costas, quando falamos no Estadual.

 

Ora, que espécie de potência é o Friburguense para garantir 100% que venceria o jogo caso o gol não tivesse sido anulado? E o que há de mais se o nosso Maxi Bianchucchi na verdade estava executando sua jogada mais freqüente (a “fura-e-cai”) quando dentro da área do Bangu? Ora, minutos antes o mesmo soprador de apito não viu um pênalti clamoroso em Ibson, por que os arco-íris não citam isto?

 

Preferem agir como profetas do Apocalipse e, de forma meio patética, cantarem aos quatro ventos que “sempre falaram” nos favorecimentos ao Rubro-Negro Maior. Ora, é curioso que cá no Rio tenhamos um time que jogou na terceira, subiu para a segunda mas passou para a primeira sem conquistar nada na segunda divisão. Que tenha um time que foi campeão brasileiro em 1995 com um dos mais clamorosos erros de arbitragem da história. Que tenha um time, bom, enfim, um clube que é conhecido pelas influências e manipulações fora de campo através de um gordíssimo ex-dirigente.

Viraram todos vestais da moralidade!

 

Ou será que na verdade a Torcida Arco-Íris estará nos brindando com uma grande inovação, ou seja, o CHORO ANTECIPADO DE PERDEDOR?

 

Pobres Friburguense e Bangu: a história destes dois clubes não merecia “novos-torcedores” tão medíocres.

 

******

Aproveito para registrar, com orgulho, a minha humilde participação no Imortal URUBLOG, o Blog mais Fodástico do Flamenguismo Universal: http://colunas.globoesporte.com/arthurmuhlenberg/2009/01/28/salaam-aleikum-mengao/ .

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A verdade não está lá fora

Quinta-feira, 11 Dezembro 08, 01:08 AM

Eu sinceramente planejava entrar em férias de futebol e do Flamengo depois do último post escrito aqui na JIHAD RUBRO-NEGRA, mas o alarido inconseqüente da plebe ignara, ávida por restos de nossas grandeza nos momentos difíceis, não me deixa sossegar em paz. Já tinha comprado até a quarta temporada de Arquivo-X para rever as aventuras do soturno Mulder e da intrigante Scully, quando veio a (?) polêmica falsa e arranjada da ida de um jogador para o Corinthians.

 

Na verdade, o caso de Ronaldo Fenômeno é uma contravenção. Fez o que os estudantes de direito fazem todos os anos no dia 11 de agosto: usar e sair sem pagar. Não é crime, repito, porque não se trata de apropriação indébita, e sim de utilização de serviços. Ronaldo não é mais criminoso (e nem melhor pessoa) do que um apontador de jogo do bicho, flanelinha ou vendedor de graxa sem alvará.

 

Vi apenas dois posts de conteúdo e realmente inteligentes no deserto de idéias que surgiu depois do ocorrido: o de Lucas Dantas aqui e no Blog da Flamengo Net, e o do Mestre Mulamba, a quem devo propor em breve dividir a autoria do ALCORÃO RUBRO-NEGRO. Estes textos disseram tudo o que há para ser dito, tornando o trabalho deste JIHAD até mesmo inócuo. Tento assim acrescentar alguns pensamentos sobre o que aconteceu.

 

Ronaldo usou o Flamengo a seu bel-prazer. Claro, o Flamengo fez sua parte, ou melhor, a diretoria fez. Foram quatro longos meses sem nem pensar o que fazer com o atacante dentro de suas instalações – interessante mesmo seria apurar quem foi o gênio que liberou as instalações do clube “na faixa” para o Ronaldo. Só porque ele “é Flamengo”? Posso dizer que sou até mais Flamengo do que ele (pelo menos neste momento), logo, peço licença para usar a piscina sem pagar mensalidade e sem fazer exame de urina. Ah, e quero mijar lá dentro sem mancha azul-escura. Ora essa.

 

Depois de tudo isto, Ronaldo saiu sem pagar. Deve estar acostumado. É a educação do dinheiro. É a ânsia por ficar milionário (coisa que ele já é), É o contrato com a Nike, que brigou com o Flamengo. É a incompetência da diretoria e do VP de Marketing, estes que deixaram o Império Rubro-Negro sofrer mais uma grave humilhação, que é um sujeito preferir jogar em um clube que no momento está na SEGUNDA DIVISÃO (só estará jogando na primeira no ano que vem).  C’os diabos: quem fez a escolha foi Ronaldo. Ele é que é o especialista em escolhas. Ele é que tem dinheiro para ter a mulher que quiser e escolheu aquelas com três pernas. Para o Flamengo, não ficou estrago nenhum a não ser o de mercado, como eu já disse e reitero: o estrago é mercadológico, ou seja, menos camisas vendidas, menos espaço em TV e mídia, menos merchandising.

 

Mas, até onde eu sei, o Flamengo não é a W/Brasil ou coisa que o valha. Nosso produto não é marketing e tampouco futebol. O produto principal do Flamengo é a FÉ E GRANDEZA, juntas, que não podem ser vendidas separadamente. É claro que dependemos destas coisas para sustentar o futebol, mas o episódio serviu até para percebermos que a gestão atual é uma verdadeira zona em termos de marketing, e está fadada a ações ridículas e inócuas. Até mesmo os produtos da cesta dos Supermercados Leão Camarada tiveram marketing melhor – sabão Neutral pastoso e suco de maracujá Pindorama. Vou mais longe: os produtos anunciados pelo Alborghetti tinham um retorno de marketing muito melhor, e um recall fantástico. Querem ver? Alimentos ZAELI, Kurten Madeiras, Frigorífico ALVORADA, Chá Mate REAL.

 

Mas não concordo com choradeira só porque o nosso terror-dos-rodízios resolveu ir embora antes de vestir o Manto. O negócio agora é abstrair. O jeito é esperar a próxima eleição, ir dando porrada na gestão atual até eles acertarem, enfim, seguir adiante, sem imitar Ronaldo em nada – nem no ato tresloucado de sair com travestis e nem no gesto triste de se tornar menos Flamengo.

 

Um rubro-negro que fica menos Flamengo é quase um travesti.

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O Imperialismo Rubro-Negro e a braguilha

Terça-feira, 09 Dezembro 08, 11:25 AM

Camisa de 1978 na parede, presente dos profetas rubro-negros Mau e Mulamba

 

Passada a ressaca do vexame dado pelo bando de Caio Júnior, voltamos a raciocinar com clareza e com um olhar no futuro. A opção por um coordenador de nome e peso como Parreira não é de todo ruim, desde que venha um técnico, claro. Agora é juntar os cacos e preparar o terreno para o ano que vem. Temos um grande perigo: a Copa do Brasil. Avançando nesta competição "atalho" para a Libertadores, corremos o seríssimo risco de mandar para o caralho o Brasileiro-2009 - competição esta já sob risco depois da bravata de nosso presidente, dizendo que "o Flamengo não perderia para o Atlético Mineiro se tivesse um time formado na base".

Me arrisco a dizer que o Flamengo perderia de oito ou nove se estivesse apenas com os jogadores formados em casa de que dispõe hoje.

Mas o assunto que me traz ao JIHAD hoje é outro. Nas ruas e nos comentários de blogs venho notando que muitos estão confusos quanto aos conceitos. Principalmente os não-rubro-negros. E, como sempre, mestre Arthur Mulamba vem aqui no JIHAD ser didático e dar esclarecimentos para este curioso grupo étnico. Vejamos o comentário deixado aqui:

 

Arthur Muhlenberg Escrito: | 03.21BRST | Dec 9, 2008

Como sempre, fodão o texto. O do teu pai também, show de bola.E foda-se 1000 vezes a arcoíris, será que esses filhas da puta não tem um blog pra falar merda, têm que vir defecar nos blog do Mengão?

 

Faço aqui o mea-culpa de não ter ido sequer uma vez ao Urublog nas cinco rodadas finais, mais por falta de tempo do que por desleixo. É infração de lesa-pátria, não passível de prisão, mas pelo menos de multa, já que o Urublog é leitura obrigatória de quem ostenta no lado esquerdo do peito o escudo do Monumental.

Mas me chamou a atenção como mestre Mulamba, com palavras sutis e educadas, define o comportamento do grupo étnico gabiru "Não-Flamengo": "têm que vir defecar nos blogs do Mengão"?

De fato, é curioso isto: mesmo com a queda do Vasco (sobre a qual voltaremos a falar), não joguei no google "blog do Vasco" para ficar tripudiando nos comments nem uma vez sequer. Nem pensei em tal hipótese. A bem da verdade, não sacaneei ou tripudiei de NENHUM vascaíno. Pelo menos até agora. 

Desnecessário dizer que, fosse o Flamengo a cair para a segunda divisão, a cidade estaria repleta de casais tricolores e alvinegros (do mesmo sexo) ou outdoors pagos por armazéns e padarias, festejando a queda.

E aí o comentário do Mulamba me esclareceu, de certa forma, o comportamento deste estranho grupo étnico: eles na verdade se comportam como a Colônia diante da Metrópole. O oprimido diante do opressor. O indivíduo sem raízes diante do Leviatã.

É difícil explicar a esta etnia que a grandeza absoluta do FLAMENGO pouco ou nada tem a ver com seus títulos conquistados. Talvez fosse um preço muito alto a ser pago, mas às vezes eu gostaria que um déspota aparecesse e, com um ato institucional único, tornasse nulas absolutamente todas as conquistas rubro-negras. Neste momento, aí sim, a etnia entendesse em um segundo o que é o FLAMENGO, quando cada rubro-negro dissesse, a baba bovina (royalties para Nelson Rodrigues) escorrendo do canto da boca: "E daí? Ainda somos os maiores".

As incursões do Grupo Arco-Íris (falo da etnia dos não-Flamengo, não do grupo de ativistas políticas, embora haja muitos integrantes que frequentam os dois grupos)  pelos blogs rubro-negros em busca de polêmica são, portanto, tentativas inúteis, uma espécie de senso de oportunidade bisonho, no qual o pequeno vê no rápido momento de hesitação do grande uma chance de vencer. Em outras palavras, confundem a indignação da Nação Rubro-Negra diante das pixotadas do Jaílton e do Caio Júnior com um suposto "auto-reconhecimento" de que "não somos mais nada" ou "não somos mais os maiores".

Esta etnia não entende que, quando reclamamos do Jailton e do Caio Júnior, estamos apenas agindo  como anticorpos diante do corpo estranho: Jailton e Caio Junior (entre outros) nada têm a ver com o Flamengo, e, portanto, alguém tem que levar um baita esporro por isto: aí sobra, sim, para os dirigentes.

Mas querer achar que estes momentos são indicadores de um "enfraquecimento" da Nação Rubro-Negra é de um primarismo tolo, ridículo. É praticamente o mesmo que pensar que os Estados Unidos deixaram de ser imperialistas porque o Partido Republicano perdeu as eleições. Ora, é exatamente em sua atípica democracia que os americanos mais se fortalecem! E é exatamente no imperialismo que eles são mais americanos!

É exatamente no Imperialismo que nós somos mais rubro-negros: se jogarmos em Roraima na Copa do Brasil contra algum time com nome indígena tipo Ji-Paraná, a torcida Arco-Íris vai se deleitar com frases como "É, pensaram que iam jogar contra o Jorge Wilsterman da Bolívia, estão lá jogando em Roraima". Como se houvesse diferença.

Na verdade, estaremos lotando um estádio em Roraima e dando a mais e mais crianças roraimenses a oportunidade de terem uma fé na vida. São mais e mais rubro-negros surgindo.

Mas isto é apenas um exemplo, que nem de longe consegue explicar o Todo. Fato é que a própria etnia Arco-Íris, que se apega a estatísticas e numeralhas tal e qual pesquisador analfabeto do IBGE, só consegue achar graça em seus critérios de avaliação depois que o FLAMENGO começa a participar da coisa. Exemplo: a torcida do São Paulo comemorou muito mais, se envolveu muito mais, nos títulos de 2007e 2008 porque indiscutivelmente havia o Flamengo a ser ultrapassado. E ultrapassaram.

Sim, se tornaram o clube no país que tem "o melhor CT, a melhor estrutura, as melhores banheiras de água quente". Ora, mas estamos falando do quê? De um congresso de corretores imobiliários? 

Mas que a torcida são-paulina tenha estas sensações de grandeza ainda vá lá. Mas me espanta, por exemplo, a forma como gremistas ou atleticanos (sejam paranaenses ou mineiros) volta e meia se dão ao direito de quererem RIVALIZAR com o FLAMENGO no quesito GRANDEZA. Me sobressalta o fato de, em tese, ser necessário o FLAMENGO mostrar a GRANDEZA. Mas não acho que valha o esforço.

Para estes, creio, não vale nem a pena abrir a braguilha.

 

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O ano em que o Flamengo amarelou

Domingo, 07 Dezembro 08, 11:45 PM

Meus amigos da JIHAD RUBRO-NEGRA, finalmente chegamos ao fim de um ano que tem tudo para ser apagado da nossa memória. Dirão os carreiristas chapas-brancas alinhados com a mentalidade pequena dos que mandam no Flamengo que “fomos bicampeões estaduais”, é certo. Dirão isto mesmo sabendo que é lamentável falar em Estadual em um ano no qual apanhamos de 3 a 0 para América do México, Atlético Mineiro e Goiás (para mim foi equivalente a 3 a 0) em pleno Maracanã. Nada disso está a altura do Flamengo, que, como está cansado de saber quem lê a JIHAD, é a maior força que a Natureza pôde gerar.

Nosso trainee de técnico mais uma vez deu seu show de incompetência escalando no último e decisivo jogo um bando que jamais tinha atuado junto. Ainda apelou no meio do desastre (mais uma previsível SURRA do Atlético Paranaense na Arena da Baixada) para substituições inacreditáveis, colocando em campo Maxi e Fernandão.

Chego a ter pesadelos em imaginar um Flamengo “prata da casa” com este cidadão como técnico. É segunda divisão DO ESTADUAL na certa.

O Flamengo tinha elenco para ser campeão e sai do campeonato sem nada nas mãos. Nosso trainee de técnico, convencido da “eficiência” da dupla Jailton-Toró, talvez até hoje, em sua arrogância, não tenha percebido que o Flamengo levou ONZE GOLS EM TRÊS JOGOS no fim do campeonato. Marca de time pequeno, marca de time que deveria ser rebaixado. Em resumo: uma marca de TIME DE MERDA. E nosso treinador nem imagina o porquê dos 11 gols. Isto é que é o mais grave.

Fechamos o ano amargurados. O único título que conquistamos é o de “ÚNICO CLUBE DO RIO A JAMAIS TER CAÍDO PARA A SEGUNDA DIVISÃO”. Mesmo assim, os assaltos de arbitragem ocorridos neste campeonato em favor dos clubes de São Paulo me levam a ter dúvidas sobre a queda do Bacalhau para a segunda divisão.

No ano que vem, serão seis paulistas e três cariocas, apenas. Com quatro paulistas e quatro cariocas, já estava ruim – vide os roubos pró-clubes de São Paulo. O gol de Borges contra o Goiás, veio bem a calhar, aliás, representou muito bem o título do clube do Morumbi.

Ficarei aguardando a “câmera especial de outro ângulo” da ESPN mostrando o gol do Borges.

***

Vida que segue

Agora, é levantar a cabeça, arrumar outro treinador (competente), tentar salvar 2009. Temos dois TRICAMPEONATOS para conquistar: o Estadual e o da Copa do Brasil. Mas é de capital importância investir no Campeonato Brasileiro. Está mais do que claro, depois de seis anos de pontos corridos, que é o Brasileiro que define quem é grande e quem não é, em termos de mercado financeiro. E ao que parece a forma com que se deve disputar tal certame também está bastante claro: todos os jogos são decisivos. É urgente construir um Flamengo novo, que respeite aquela que é a grande tradição rubro-negra, resumida na frase “DEIXOU CHEGAR, FUDEU”. Sempre foi assim.Menos com o Flamengo de 2008.

Sempre que o jogo era decisivo, este time amarelava. Tremia. Se cagava. A impressão nítida que se tem é que entravam em campo derrotados. Isto, de Flamengo, tem muito pouco.

***

O time de merda

A frase "Time de Merda" foi tema de muitas discussões on-line, e existe uma postura dentro da torcida do Flamengo meio "ame-o ou deixe-o". Em outras palavras, não pode vaiar, não pode falar mal, não pode isso, não pode aquilo.

A exemplo do que acontece com os governos, creio que toda oposição deve gritar, principalmente quando se percebe que está dando errado, que a coisa vai naufragar. Silenciar em relação aos absurdos perpretados pelo Harry Potter (que ainda jogou a culpa na diretoria em sua última - espero - coletiva) é APROVAR o que ele faz.

Torcer contra, jamais. Mas quando o mais impossível acontece - que é a cachorrada vencer o Palmeiras fora de casa - e nós ficamos fora da Libertadores porque NÃO FIZEMOS A NOSSA PARTE, é impossível silenciar.

O Flamengo hoje teve uma atuação vergonhosa, foi um bando em campo, com mais de 30 passes errados. 5 a 3 foi muito barato. Um milagre temos feito três. Outro milagre não termos levado oito.

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Cabañas

Será que se o Eurico tivesse mesmo contratado o Cabañas o Vasco teria se salvado da queda?

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Pão na chapa

Caíram Vasco e Portuguesa, os dois times das colônias lusitanas. Convém evitar as padarias por estes dias.

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Consolo

Para o Vasco, vale o consolo: na Segundona você pode subir de volta até sendo vice.

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Trinta anos

Quarta-feira, 03 Dezembro 08, 02:44 PM

 

Dia 3 de dezembro, não tem jeito. Para mim, é dia de lembrar do Velho. Chamavam-no, alguns, de Zé Marinheiro, não só por causa de sua passagem pela Marinha, mas talvez por seu caráter meio nômade, de sair da Bahia jovem e ficar flanando pelo interior de Minas Gerais.
Sorte minha. No interior, encontrou uma jovem com quem se casaria. Não fosse assim, e eu não teria nascido.
Datas, datas.
Nem o 20 de maio, quando ele veio ao mundo, nem o 22 de janeiro, quando deste mundo ele se foi, me trazem mais a lembrança do Velho do que este 3 de dezembro. Não uma lembrança para choro, vela ou saudade. Mas sim uma....lembrança. Com a intensidade de uma lembrança repentina, daquelas que fazem seu coração acelerar, como quem lembra de repente que esqueceu a carteira em casa ou que perdeu o telefone celular. Uma lembrança quase física.
E é meio física. Na casa de minha mãe, onde já não moro mais, sou capaz de apontar o pedaço de chão que o velho pisou quando veio me dar a notícia – notícia esta que eu já ouvia dos pulmões de Waldir Amaral, pela caixinha nas mãos do Zé Marinheiro.
Eu disse que não era uma lembrança para choro? Perdão, eu estava mentindo.
Porque fica difícil me conter quando lembro do som daquela vinheta da Rádio Globo, ao fundo, esclarecendo nossa dúvida repentina. "Fla-men-go-go".
Me vem uma sensação de vertigem porque me lembro como se tivesse acontecido ontem. A luz da memória varia entre o sépia e o fim-de-tarde.

 


O som é que é estranho. Porque, curiosamente, eu confundo o inconfundível: na minha cabeça, o gol de Rondinelli aos 41 minutos do segundo tempo da decisão do Carioca de 1978 contra o Vasco foi narrado por Jorge Cúri, a voz potente, empostada, num gooooooooooooooooooooooooooooool profundo, gigantesco, monumental. Mas a verdade já dita (me foi dita inclusive pelo próprio Rondinelli) é que o gol foi narrado pelo não menos gigante Waldir Amaral (quando criança, eu não gostava dele, e sim do Curi).
O Waldir Amaral do "calibra o centro, executa, entra Zico de cabeça é goool".
Ambos, já desaparecidos, Waldir e Jorge Curi. Gigantescos. Inesquecíveis. E naquele momento, realmente, minhas memórias acertam quando erram: possivelmente os dois narraram na eternidade o gol de Rondinelli, depois do cruzamento no escanteio cobrado por Zico.
 
Isto aconteceu há 30 anos e me assusta dizer isto. Eu vivi trinta anos desde então e não parece que foi tanto. Será culpa do Rondinelli?
 
A imagem é clara, do Zé Marinheiro. O rádio – 'click' - sendo desligado com raiva, conformados, pai e filho. Os minutos intermináveis de silêncio por causa da presunção de que o título estava perdido - o do segundo turno, e isto nos levaria a uma finalíssima com o mesmo Vasco. Naquele tempo, ficar indo para final era desagradável. Bom era vencer os dois turnos. Hoje em dia, ninguém ganha os dois turnos. Acho que fica todo mundo – todos os clubes – de olho na grana dos dois joguinhos decisivos, grana da TV e das arquibancadas. Para quê desperdiçar, né?
 
Naquele tempo, a coisa amadora.  E eu e o Zé Marinheiro lá, ouvindo pelo radinho. O filho mais velho dele tinha feito aniversário dois dias antes e estava no Maracanã.  Esse aí deu a sorte de, em 1998, fazer aniversário no dia em que o Real Madrid derrubou o Vasco. Aqui no blog também tem o Juan nascido em data magna, no dia do Mundial Interclubes. É o Juan o único rubro-negro nascido neste dia tão importante, pelo menos que eu conheça. De fato, ele não podia ser menos rubro-negro do que é.
 
Mas a memória volta ao Zé Marinheiro, nesta manhã de 3 de dezembro. Lá pelas sete da noite vou até tentar me lembrar da cena. Ele voltando pelo corredor em direção à porta que dava para a sala. Como eu já disse, Waldir Amaral gritava gol.
 
E a gente imaginava como tinha sido: Rondinelli banhando em sangue, o bigode desalinhado no rosto, os dentes cerrados, os punhos crispados, braços esticados tal e qual numa cruz, Rondinelli voando, o encontro com a bola, os dois – Rondi e a bola – sabendo que já eram História. O impacto fulminante, a explosão de milhões de corações. Lágrimas, abraços, suor, mais sangue.
 

 


A gente imaginava em silêncio, enquanto nos abraçávamos. Meses depois, em um Flamengo x América (podem conferir), César, do América, fez um gol aos 10 minutos, e nós dois na arquibancada, sofrendo. O jogo inteiro. Aí, Zico cobra uma falta para dentro da área, Rondinelli dá um peixinho, vestido naquela camisa reserva parecida com a do São Paulo, e é gol. Gol de empate. Mas que lindo. O Zé Marinheiro pulava e me levantava para ver o replay. No Maracanã tem replay? Não, nada, nem ele sabia porque me levantava. Ou no fundo sabia porquê.
 
Pelo mesmo motivo que ele religou o rádio naquele 3 de dezembro anterior: para que seu filho pudesse ver o Flamengo. Porque é o Flamengo, este ato nosso, de desligar o rádio impacientes, não agüentar, e religar no meio do gooooooooooooooooooooooooool.. E é o Flamengo, este guerreiro incansável, esta mistura de São Jorge com Apolo e Hércules que vira Rondinelli no momento de subir ao céu e nos santificar.
 
E eu, criança, tive esta visão. Aos 10 anos, eu vi o Flamengo. Não sei descrevê-lo bem até hoje – a visão de criança nos trai, nossas crenças vão mudando à medida que vamos ficando adultos, uns viram ateus, outros evangélicos, eu permaneci católico. Mas sempre acreditando que eu vi mesmo o Flamengo. Uma entidade com os olhos de fogo, o coração do lado de fora do corpo, pulsante, forte, imortal, as mãos abertas para abraçar o mundo, um Manto Rubro-Negro a envolver tudo, um céu em torno e ao mesmo tempo contido.
 
 
Depois daquele gol, foram cinco anos dos mais felizes: vibramos na arquibancada e em frente à TV, com estaduais, Brasileiros, Libertadores, Mundial. Só paramos quando Zico foi embora para a Udinese. O Zé Marinheiro, talvez inconscientemente achando que o Zico não voltaria, pegou um barco para a eternidade, num domingo de manhã. Mas acho que ele partiu feliz, com a missão cumprida. Cuidou de sua família, dos filhos, comemorou títulos rubro-negros.
 
E ele sabia que eu tinha visto o Flamengo.
 
Anos mais tarde, tive vontade de contar tudo isto para o Rondinelli, quando, como jornalista, o entrevistei. Não sei se ele iria entender, ou possivelmente não teria tempo para ouvir tudo, afinal, deve ouvir histórias parecidas de milhões de rubro-negros. Ou talvez escutasse com paciência, já que os ídolos do passado são pessoas de outro nível, não os playboys marrentos que temos hoje.
 
Em 2005, quando, às vésperas do meu casamento, me perguntaram quem entraria na Igreja com a mãe de minha mulher, eu não tive dúvidas em responder:
 
- Eu queria que fosse o Rondinelli.
 
É claro que todos em volta acharam que era uma brincadeira minha, e se alguém achou que não era, não quis me levar a sério ou nem cogitou que isso acontecesse. Mas o fato é que nestes anos todos, desde os 16, até os 40 de hoje, nunca deixei de ver no Rondinelli a imagem do Zé Marinheiro.
 
Vindo do quarto, pelo corredor, em direção à sala, com o rádio ligado de onde Waldir Amaral gritava.

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 Aproveito para reiterar com os companheiros de JIHAD RUBRO-NEGRA:

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Postado por gustones | Comentários (6)

Pelo amor de Flamengo

Segunda-feira, 01 Dezembro 08, 03:09 PM

Apesar da diretoria de doidos varridos, apesar do time de merda, apesar da eliminação da Libertadores (duas no mesmo ano, né?), apesar de tudo, o Flamengo sobrevive e ainda é o magistral, maior que tudo, força máxima da Natureza e criação divina que nos torna seres humanos melhores e mais felizes.

Se um dia Juca Kfouri disse que "o futebol é a coisa mais importante das coisas menos importantes", eu diria que o Flamengo é a coisa mais importante. E só. 

Nesta quarta-feira, 3 de dezembro, os cineastas Pedro Asbeg e Felipe Nepomuceno exibem mais uma vez o documentario "O Deus da Raça", sobre o grande Rondinelli.

Todo rubro-negro tem de ir nesta sessão, que comemora os 30 anos do golaço contra o Vasco e da conquista que abriu o caminho para os melhores anos de nossas vidas.

Vamos lá.

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Postado por gustones | Comentários (0)