Segunda-feira, 18 Fevereiro 08, 07:08 PM
Primeiro, foi mal a sumida do mapa. Sou especialista nisso.
Resolvi postar de novo quando percebi que ando comentando demais em blogs alheios. Não que isso seja ruim, mas já que tenho coisas a escrever, é mais justo que escreva em espaços próprios.
Então, pra desenferrujar, fico só no futebol paranaense e comento um pouco sobre o que tenho comentado por aí:
Sobre o fato de uma promessa do Coxa (Keirrison) estar minguando, para muitos fazendo corpo mole porque quer ser vendido (a exemplo do que fez Dagoberto no Atlético, por sinal vinculado aos
mesmos empresários, a Massa Sports): vai acabar sendo vendido mesmo. Mas seria uma vitória dos empresários?
Pode até ser uma vitória momentânea, mas com essas e outras os empresários vão se queimando no mercado. Pq a tática que usaram com o Dagoberto pode ter funcionado para tirá-lo do Atlético e colocá-lo no São Paulo. Mas o cara nunca mais jogou nem metade do que jogava aqui. Se K9 sair do Coxa e não render, como Dagoberto, a antes promissora Massa corre o risco de ficar em 5o. plano no mercado.
Sobre Pedro Ken (outra promessa coxa-branca que parou de render): também acho que tá devendo. Mas quanto deve, não sei. Tenho um pé atrás em relação a ele. Nunca o achei grande coisa, como muitos acham.
No fundo no fundo, sobre o time que ganhou a segundona, tô a cada dia concordando mais com um compadre meu, coxa há mais de 50 anos: "esse time pode vender tudo e deixar só o goleiro, que é o único que presta".
Sobre o recorde que o Atlético está prestes a bater: primeiro, não vou dar o braço a torcer. Obviamente, o recorde é interno do Atlético. Há outros recordes mais expressivos no mundo (a Internazionale do ano passado, com 17 seguidas no Italiano), no Brasil (o Guarani de 1978, com 12 no Brasileiro) e até mesmo no Paraná (o Britânia, com 27, divididos em quatro temporadas) já fizeram marcas de grande expressão.
Sem falar que o Benfica ganhou 29 em Portugal, o Celtic, 25 na Escócia e o PSV Eindhoven ganhou 22 na Holanda. Real Madrid e Bayern de Munique já ganharam 15 seguidas nos campeonatos de seus países, e por aí vai.
Mas lembro também que recorde é recorde, tem que ser comemorado e pronto.
Dependendo do método, parece que o Atlético até já bateu o recorde. Pois venceu nas últimas duas rodadas do Campeonato Brasileiro. Somando essas vitórias às 11 do Paranaense deste ano, dá 13. Recorde batido. Oficialmente, porém, o Atlético conta só os jogos do Paranaense. Com certeza quer lucrar - e não sem razão - fazendo o jogo do recorde em casa.
Jogo em que, por sinal, os jogadores devem usar uma réplica da camisa de 1949. Idéia perfeita. Vamos ver só se a camisa não pesa. A torcida contra é grande e vem até de alguns atleticanos mais tradicionais.
Pracabar: achei muito peculiar o nome do estádio de União da Vitória, onde o Atlético ganhou de 8 a 1 do Iguaçu. Antiocho. Com esse nome o jogo não poderia nunca ter acabado em 0 a 0 (o famoso oxo).
Acabei de lembrar porque posto pouco. É porque escrevo muito. Uma coisa leva a outra, uma pesquisa leva a outra, e por aí vai. E olha eu aí colocando mais um parágrafo no post.
Quinta-feira, 06 Dezembro 07, 02:46 PM
Só de times que começam com 'C':
Segunda-feira o Cruzeiro anuncia a demissão do técnico Dorival Júnior. Justifica, dizendo que pro ano que vem, quando o time joga Libertadores, é preciso um técnico mais rodado, com mais cara do
campeonato continental. O PVC, do Lance e da ESPN Brasil, perguntou ao próprio Júnior: então quer dizer que se vc não classifica pra Libertadores, vc teria continuado no Cruzeiro? Ele respondeu:
provavelmente. Dois dias depois, a Raposa anuncia Adilson Batista como novo treinador. Pergunto: qual é a experiência internacional do Batista? Os títulos importantes que ele ganhou? Obs: Japão não
vale...
Na apresentação do Mano Menezes como técnico do Corínthians, ontem, o velho Antonio Carlos (aquele, acusado de racismo) estava na mesa, se auto-promovendo como o cara que foi decisivo nas
negociações com o Mano. Teria começado a conversar com um agente do Mano há dois meses atrás, quando Mano ainda era do Grêmio, e Antonio Carlos ainda jogava pelo Santos. Pergunto: que ética é essa
do Antonio Carlos? Aliciando um técnico enquanto ele ainda tem contrato com um clube, e o fazendo em favor de outro clube que nem era o que ele jogava na época? O que será que as torcidas do Santos
e do Grêmio pensam sobre isso?
Mal subiu pra Série A e o Coritiba já vive uma crise institucional. Tem eleições marcadas pro dia 16, mas que correm sério risco de não acontecerem, devido a liminares, recursos e outras medidas
judiciais. São duas chapas concorrendo e mais uma pedindo na justiça o direito de concorrer (teria perdido o prazo por culpa do pessoal da situação). Pergunto: que tipo de clube é esse que quer se
manter na primeira divisão e ter dois anos gloriosos (ano que vem é ano do centenário) se não consegue nem ter uma eleição limpa?
Quarta-feira, 05 Dezembro 07, 07:26 PM
Quarta-feira, 28 Novembro 07, 01:47 PM
Fonte Nova acaba; nova arena pode ser estatal.Assim começa matéria publicada hoje na Folha. Não tenho dúvidas de que a tendência vai pegar Brasil afora até 2014. Qual tendência? A de usar dinheiro público para construir as arenas da Copa. E segue:Governo da Bahia anuncia implosão do estádio onde morreram 7 no domingo.
Jaques Wagner afirma que campo para Copa-2014 tem chance de ser bancado pelos cofres públicos se parceria com iniciativa privada falhar.
(...) E a nova arena já pode contrariar a CBF, que prega que os estádios para o Mundial de 2014 serão construídos por investidores privados.De acordo com o governador, o estádio que substituirá a Fonte Nova deve ser construído na modelagem de PPP (parceria público-privada). "Estamos estudando essa possibilidade. Mas, se não for possível, o Estado irá arcar com o custo dessa implantação", disse Wagner.
A nova arena, afirmou, deverá custar em torno de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões.
Mas... mas... o Ricardo Teixeira já declarou que a Copa vai ser bancada pela iniciativa privada, não declarou? Sim, declarou. Mas, quem acredita nele? Não valem, claro, o pessoal que o elege sucessivamente ao comando da CBF há quase duas décadas, o Lula e os governadores que foram à Suiça no mês passado.
Pode até ser que a iniciativa privada tenha grande interesse em participar das obras e da organização da Copa. Mas não acho que vamos ter que esperar muito pra começar a ver notícias nos contando que o dinheiro que vai bancar isso tudo vai vir do BNDES.
'Sim', o pessoal pode dizer, 'mas o BNDES só faz empréstimos, as empresas que emprestarem vão ter que pagar depois'. Claro. A juros próximos de zero e com prazo a perder de vista. Nada a ver com os financiamentos que fazemos pra comprar casa, carro ou aquela TV de plasma pra assistir o fiasco do Brasil na Copa da Alemanha.
Se alguém por aí não acha que o pessoal vai arranjar motivo pra pedir empréstimos em condições generosas ao Estado, está bem enganado. Motivos como a Fonte Nova já começaram a aparecer. Sempre vai ter alguma coisa que justifique uma injeção urgente de dinheiro público.
Duvida? Então espere pra ver.
Quarta-feira, 21 Novembro 07, 04:54 PM
Sexta passada, em Curitiba: Coritiba x Marília, jogo de uma torcida só, estádio cheio (super-lotado, segundo alguns), clima de festa. Antes do fim do jogo começa uma confusão do lado de fora do estádio, entre a polícia e torcedores que não conseguiram ingresso pra ver o jogo. O jogo acaba, a torcida começa a sair e cai no meio de uma 'praça de guerra'. A confusão aumenta, a polícia atira balas de borracha a esmo, recebe pedradas em troca, explosões são ouvidas, mulheres, senhores, homens com crianças no colo apanham, são alvejados pelos policiais. Gente que só queria sair da confusão é acuada por cavalos guiados pela PM. Tudo é filmado (1, 2, 3, 4, 5, 6).
Hoje de manhã, no Rio de Janeiro: jogo de (quase) uma torcida só, Flamengo x Atlético Paranaense, fila pra trocar uma lata de Neston por ingresso para o jogo. Gente que passou duas noites na calçada pra garantir seu lugar, dormiu no chão, passou calor, enfim, sofreu pra caramba pra conseguir ver seu time do coração garantindo (ou não) um lugar na Libertadores. Por algum motivo, começa uma confusão. Acuados, os policiais partem pra ação. Atiram pra cima, jogam spray de pimenta em gente comum, crianças, mulheres, se abaixam no reflexo ao ouvir os tiros. Um policial afasta o povo usando uma metralhadora. Mais gente apanha de graça. Tudo é filmado (1 e 2).
Será que essas imagens - que não foram as primeiras e com certeza não serão as últimas - um dia vão chegar à Fifa? Digamos que não cheguem. De qualquer forma, estão na internet pro mundo ver. Pro
torcedor europeu, asiático, africano, americano, saber o que o espera em 2014. Porque confusão onde tem muita gente é muito fácil de começar.
E vão acontecer em 2014. Mesmo sendo Copa, já que nelas as torcidas se misturam, bebem, gritam, provocam. Rivalidades entre países às vezes chegam às vias de fato entre os mais exaltados. E resta
saber como a nossa polícia vai agir quando isso acontecer, se com inteligência, sabendo separar quem não tem nada a ver de quem tá causando confusão. E prendendo esses últimos, não descendo o
cacete gratuitamente. Ou se com violência, indo pra cima sem se preocupar com as conseqüências.
Não ignoro que tem muita gente vai ver jogo de futebol já querendo causar confusão. Que torcidas adversárias marcam brigas pela internet com dias de antecedência. Que o ambiente nos estádios
normalmente é tenso mesmo e que essa os policiais também estão numa posição complicada, com a função de manter a ordem no meio de gente que não tá nem aí pra isso.
É claro que as atitudes violentas de torcedores têm que ser reprimidas. Mas me parece que a forma com que essa repressão acontece não é a mais correta, já que sempre acaba sobrando pra quem não tem
nada a ver com a história e teve a infelicidade de estar na hora errada e no lugar errado.
O que precisamos é de uma polícia mais preparada pra lidar com isso. O que vejo em muitos policiais é um comportamento violento, métodos de tempos da ditadura, gente brincando de Tropa de Elite com
pessoas sem se importarem se são ou não inofensivas. Esse preparo tem que começar já, e desde já ser aplicado nos jogos. Antes que seja tarde.
Aqui vão alguns links que achei numa busca rápida no YouTube: no Maracanã; no
Pacaembu; no Morumbi; no Maracanã de novo; no Serra Dourada e na Vila Belmiro (ótima série essa última, por sinal.
São sete vídeos, é só seguir os links).
Nem todos esses estádios vão sediar jogos de Copa. Mas as atitudes em geral são as mesmas, não importa aonde. Polícia assustada, agindo com truculência, e estádios com pouquíssima organização pra receber mulditões.
Terça-feira, 20 Novembro 07, 01:48 PM
Fiquei ontem por um bom tempo na expectativa do que o Santa Cruz apresentaria ao público, depois de alardear ter provas de que haveria um esquema de acerto de resultados comandado pelo pessoal da arbitragem da CBF.
No final da tarde, enfim, os caras colocaram no site do clube os tais documentos, que vieram acompanhados de ameaças do presidente da Federação Pernambucana de suspender a aclamação do campeão, do vice e dos times que subirão à Série A ano que vem, e anular o campeonato da Série B deste ano.
Li os documentos e fiquei num misto de decepção e felicidade. Decepção, porque apesar de todo mundo saber que esquemas de arbitragem realmente acontecem no futebol, raramente se consegue provar. A iminência disso acontecer traz expectativas de que algo possa ser feito e que o futebol possa ficar mais limpo. Mas as tais provas são muito fracas, e isso me desapontou. Por outro lado (e pelo mesmo motivo), fiquei feliz porque a idéia de ter mais um campeonato nacional sendo decidido no STJD me dá calafrios.
As tais provas são emails trocados via Hotmail pelo presidente do Santa e alguém que alega ser Paulo José Alves, da Comissão de Arbitragem da CBF, que pede dinheiro em troca de favores dentro de campo e até dá conselhos futebolísticos ao presidente, num português sofrível.
Muitas dicas são até boas, como afastar jogadores de jogos contra times de técnicos que os treinaram anteriormente, abrir os olhos quanto à queda de desempenho de bons jogadores, que poderia ser influência de empresários, etc. Mostra que o cara até pode ter algum conhecimento dos bastidores do futebol. Mas ainda não prova nada.
Além do que é difícil acreditar que um ex-árbitro de futebol, um cara ligado à Comissão de Arbitragem da CBF, não saiba escrever 'expulsões' (ele escreve 'espulssões'). Claro, se realmente foi o cara que escreveu, ele pode escrever mal mesmo, ou fingiu não saber pra ter uma espécie de álibi. Mas que é estranho, é.
O Sr. Edson Nogueira, presidente do Santa Cruz, diz ainda que fez um depósito, e o comprova. Diz que o fez para ter mais provas da extorsão. O que o Sr. Nogueira não prova é se a conta em que depositou a grana é de alguém ligado a ele. Nem provar que o esquema de extorsão funcionava mesmo ele conseguiu provar, já que pelo que consta, no jogo seguinte ao depósito o Santa Cruz perdeu de 3 a 0.
O presidente do Santa tampouco prova se a identidade do autor dos e-mails é mesmo do Sr. Alves. Ora, qualquer um pode criar uma conta de e-mail gratuita, como a do Hotmail, sem qualquer burocracia. É só preencher um cadastro com dados que nem precisam ser comprovados, e em dois minutos pode sair mandando e-mails pra quem bem entender.
Apesar disso tudo, é claro que a denúncia tem que ser apurada. Meios existem pra descobrir ao menos o IP do computador usado pra criar a conta do Hotmail usada pras extorsões. Uma ordem judicial à Microsoft resolveria a questão. Descobrir as conexões do titular da conta que recebeu o depósito também pode ser útil. É só quebrar seu sigilo bancário e telefônico.
Mas parar a Série B enquanto isso é apurado é algo exagerado. Nem só pela fragilidade das provas. Mas também pelo fato que o Santa Cruz só apresentou a denúncia faltando só uma rodada para o fim do campeonato, e só depois que foi matematicamente rebaixado pra Série C. Ora, se as extorsões começaram em agosto, porque esperar até novembro pra denunciar? E por que esperar o rebaixamento?
E fica mais uma dúvida no ar: se o Santa tivesse conseguido se livrar, denunciaria mesmo assim? Com tudo isso, é difícil não pensar que há má-fé por parte do time pernambucano. Ainda mais quando posa de vítima ao lado de um presidente de Federação que mais lembra Eurico Miranda.
Segunda-feira, 01 Outubro 07, 09:32 PM
Como coxa-branca, me sinto meio que na obrigação de escrever algumas linhas sobre os quatro pênaltis batidos pelo Anderson Lima na vitória de sexta-feira do Coritiba contra o Ipatinga.
Isso porque sempre fui contra esse rigor excessivo dos juízes brasileiros em relação nem só aos goleiros dando um passo ou um pulo à frente na hora da cobrança do pênalti, mas também em relação a faltas, cartões, etc.
Claro que não deixei de comemorar a vitória contra o vice-líder por causa disso. Ainda mais depois de tanta tensão, aumentada pelo fato de não estar vendo o jogo, mas ouvindo pelo rádio. A fala 'bateu Anderson Lima... espalma o goleiro!!' parecia ter entrado em um loop infinito, e ainda ecoa na minha cabeça de vez em quando.
Dito isso, vamos aos fatos. Primeiro, não sei se eu marcaria pênalti. Teve uma trombada, o zagueiro do Ipatinga se colocou na frente do caminho do Ricardinho, mas mesmo assim o pênalti é discutível. Se o juiz não marcasse, seria o Coxa quem estaria reclamando.
Segundo, se marcasse pênalti, eu não mandaria voltar a primeira cobrança. O goleiro pulou pra frente, mas nada além do que muitos outros pulam. Tinha que haver uma tolerância. No caso, não houve.
Mas pergunto: onde está escrito na regra que tem que haver? Porque de qualquer forma, nas quatro cobranças, o goleiro andou mesmo. E se o juiz e o bandeira foram rigorosos na primeira, acabaram sendo coerentes nas outras.
Cansei de ver o juiz mandar voltar uma cobrança porque o goleiro anda, ou porque há invasão, os fatos se repetirem numa segunda cobrança, e o juiz não fazer nada. Seria uma hipocrisia ainda maior.
Segunda-feira, 24 Setembro 07, 09:30 PM
Terça-feira, 18 Setembro 07, 04:08 PM
Tudo bem, é a tal da malandragem, do futebol-arte, da criatividade do futebol brasileiro e tudo o mais. Mas pensemos de outro jeito: estamos jogando a nossa pelada de domingo, nosso time tá perdendo, o jogo tá tenso, e tem lá um cara do outro time, com uma certa habilidade, que fica fazendo firulas pelo campo. Não dá vontade de quebrar o cara? Como zagueiro, confesso que dá.
Isso de forma nenhuma justifica o que o Coelho fez, agredindo o Kerlon num golpe que poderia ter consequências bem mais graves para o jogador do Cruzeiro. Além de tudo, o atacante corria em direção à área, visando algum objetivo maior do que humilhar o adversário.
Mas também não justifica o drama que vi muita gente na imprensa (e leitores que escrevem à imprensa) dizer que o acontecimento de domingo no Mineirão é o fim do futebol-arte, a vitória dos brucutus sobre os craques e não sei mais o quê. O lateral do Atlético foi expulso, deve levar uma suspensão maior do que só um jogo, e pronto. E o Kerlon vai continuar usando o drible quando achar que pode, e a vida segue.
A solução disso tudo? Falando de novo como zagueiro, posso dizer com certeza que não tem coisa melhor do que roubar a bola de um cara desses, de forma limpa. E quem sabe ainda dando um drible nele de troco - não deve ter muita coisa pior pra um atacante habilidoso do que tomar um drible seco de um zagueiro.
No caso específico do drible da foca, fica difícil fazer o corte sem que haja um choque. Ou vai no ombro-a-ombro, já que é permitido, ou usa a altura e a impulsão pra tentar cortar de cabeça também, arriscando aí um perigoso choque de cabeças. O que não pode é querer que os zagueiros que se deparem com um drible da foca fiquem só olhando e aplaudindo...
Quarta-feira, 11 Julho 07, 04:35 PM
Como acontece quase toda manhã, acordei pensando num assunto específico. O assunto de hoje foi Dunga e a Seleção Brasileira. Não podia ser diferente, já que fui dormir logo depois do jogo de ontem entre Brasil e Uruguai. Um jogo que foi ganho no acaso, na disputa de pênaltis, assim como foi ganha a final da Copa de 1994, quando Dunga era uma das principais figuras.
Tudo bem que alguns vão me contestar, dizendo que pênalti é competência e não acaso. Muitas vezes é mesmo, sim. Mas não é quando, por exemplo, a cobrança decisiva do adversário caprichosamente bate na trave e faz o técnico do time engolir sua comemoração, como teve que fazer ontem o técnico uruguaio.
Também não é quando a cobrança que definiu o vencedor é defendida num avanço de dois metros do goleiro, que o juiz só não mandou voltar porque não quis. Tenho certeza que pensou em mandar, mas refugou diante da confusão que se deu na hora da comemoração.
A vitória em 1994, da qual Dunga tanto se vangloria e usa como argumento para definir aquele time como vencedor e relegar o time de 1982 como uma seleção de perdedores, também foi muito fruto do acaso. O time não ganhou porque jogava feio, assim como o time de 1982 não perdeu porque jogava bonito.
Se Baggio tivesse convertido aquele pênalti, a história poderia tranqüilamente ter sido outra. O Brasil poderia ter perdido as cobranças seguintes, a Itália convertido e sido campeã. E a "1a. Era Dunga" teria terminado melancolicamente, com o volante, junto com Parreira, sendo jogados ao limbo para sempre, lembrados como símbolos de uma geração perdedora.
O acaso não raro tem um papel muito decisivo no futebol. Paolo Rossi poderia não ter acreditado em interceptar aquela bola atravessada de Cerezo. Ou Cerezo poderia ter acreditado que Rossi poderia interceptar seu passe, segurado a bola e tocado pra frente. São casos de pequenas coisas que decidem jogos. E não dá pra jogar pela janela todo um estilo de jogo por causa de pequenas coisas.
Tudo isso pra dizer que não concordo nem um pouco quando Dunga divide o futebol entre o 'feio mas eficiente' e o 'bonito mas perdedor'. Os resultados não saem assim. O feio e eficiente pode ganhar, mas muitas vezes perde. Assim como o jogo bonito pode perder, mas muitas vezes ganha.
Mas voltando lá ao começo do texto, vim pro escritório pensando nisso. E de repente abro a Folha e leio a coluna de hoje do Tostão. Que pra mim - acho até que já falei isso aqui - é o melhor colunista de futebol em atividade atualmente. É extremamente inteligente e tem uma vantagem sobre a maioria, pois esteve lá, dentro dos campos.
Pra variar, ele sintetizou, bem melhor do que eu faria, o que eu vinha pensando:
O pragmático Dunga gosta de dizer que time bom é só o que vence. O técnico parece gostar somente de vitória, e não de futebol. Para Dunga e as pessoas ortodoxas, pouco flexíveis, é isso ou aquilo, ganhar ou perder, time bom ou ruim, jogar bonito ou feio e outras dualidades. Não percebem que a maior parte da vida se passa nas entrelinhas, na subjetividade, no que não está claro, no que pode ter sido e não foi.
Temos o hábito de tentar explicar todos os resultados com análises técnicas e táticas. Isso é uma parte da história. A outra, a mais importante, é que existe, com freqüência, uma grande falta de sintonia entre o que acontece durante o jogo e o resultado. Uma bola que bate em um jogador, desvia e muda tudo. Há mil possibilidades.
Todos os grandes times da história do futebol entram em campo para vencer. Para isso é preciso tentar jogar bem, com técnica, organização tática e criatividade. Se for também com fantasia, fica mais bonito, muito melhor e mais prazeroso.
E sem mais por hoje... acho que não preciso escrever mais nada.
On Semi-finais da Euro 2008