Quinta-feira, 19 Novembro 09, 01:33 PM
Surpresa para todos que se envolvem com o futebol alagoano. Ontem, a diretoria do ASA apresentou carta de renúncia por falta de apoio para as disputas do ano que vem; sem aumento de patrocínio e com o grande atraso nas obras do Estádio Municipal. Detalhe: o clube fez um excelente trabalho em 2009 e subiu para a Série B do Brasileiro. Coisas da pobre Alagoas e do precáriíssimo futebol local.
Acredito que o documento publicado no site do clube responda a possíveis indagações:
"Arapiraca-Al, 18 de novembro de 2.009Ao Egrégio Conselho Deliberativo da Agremiação Sportiva Arapiraquense-ASA
Ref: Renuncia de Cargos Diretivos da Agremiação Sportiva Arapiraquense-ASA
Ilustres Senhores:
Desde dezembro de 2.007, aceitamos o grande desafio de fazer parte como membros na Diretoria Executiva da Nossa Agremiação, ajudando de forma incondicional, nas mais diversas atividades que são inerentes ao clube.
As conquistas realizadas em 2.008 e 2.009, só foram possíveis pela dedicação de todos que fazem nosso time, é importante ressaltar a confiança dos nossos patrocinadores, Prefeitura Municipal, empresários, amigos, sócios torcedores e Federação Alagoana de Futebol.
A imprensa, que, nos momentos difíceis soube criticar construtivamente, e elogiar quando preciso.
O ASA, no decorrer de 2.009, proporcionou alegrias imensuráveis a todos que apreciam o futebol, e principalmente aos nossos apaixonados torcedores.
Estas conquistas representam para Arapiraca e Alagoas, não apenas um destaque no futebol Nacional, mas, principalmente, aumento de divisas representativas, com o fluxo de turismo, oriundo dos mais diversos Estados do Brasil, que virão acompanhar suas equipes, quando dos jogos a serem realizados em Alagoas e em Arapiraca, Copa do Brasil e Campeonato da Série B de 2.010, gerando empregos diretos e indiretos, na Capital e Interior.
É preciso que isto se mantenha por muitos anos, e que o ASA consiga em médio prazo, fazer parte do grupo SELETO da série A do Brasileirão.
O jogo contra o Rio Branco no Acre, carimbou o passaporte do ASA, para a ELITE do futebol Brasileiro em 2.010. Naquele dia, vimos nas ruas de Arapiraca, nas cidades vizinhas e até mesmo na Capital do nosso Estado, a verdadeira PAIXÃO que o povo tem por esta Agremiação, também ouvimos as EMPOLGANTES declarações dos nossos representantes políticos.
Imaginamos que tudo aquilo, seria TRANSFORMADO em CONCRETAS PARTICIPAÇÕES DE PATROCINIOS, para o desenvolvimento do nosso futebol Alagoano, e principalmente para o seu ÚNICO representante de Alagoas, no CENÁRIO NACIONAL na série B de 2.010, e um dos poucos do NORDESTE BRASILEIRO.
A Historia confirma o descaso ao nosso futebol, única diversão de um povo que tem uma das menores rendas per capita do BRASIL. É só olharmos para os nossos estádios, e ver que os outros estados do Nordeste, proporcionam mais decência àqueles que saem de suas casas, para assistir a um jogo de futebol.
Desde nosso ultimo jogo, quando conquistamos o Vice - Campeonato de Futebol NACIONAL na terceira divisão, temos tido muita dificuldade para conversar e convencer os nossos representantes políticos a nível Municipal e Estadual, da importância da série B para Arapiraca e Alagoas.
É notório, que sem a participação efetiva do poder público, de forma LEGAL, não iremos montar uma grande equipe para o ano que se avizinha frustrando todas as expectativas do nosso torcedor.
Como podemos exigir do empresariado maiores patrocínios, se não conseguimos convencer os nossos políticos da importância que o ASA tem para nosso Município e Estado?
Quanto custaria ao Estado e Município a DIVULGAÇÃO que o ASA vai proporcionar na GRANDE MÍDIA NACIONAL, em todo o ano de 2.010?
Como montar uma grande equipe se não teremos RECEITAS DE RENDAS, durante o Campeonato Alagoano de 2.010?
Sabemos que não é obrigação do poder público, mas, é preciso ter um GRANDE TIME, bem montado, com estrutura de série B, temos os exemplos daqueles que subiram e não conseguem passar do primeiro ano nesta tão almejada ELITE do futebol Brasileiro.
Não adianta termos apenas um bom estádio, é necessário também ter uma boa equipe. Time este que dignifique a grandeza de Alagoas e da sua torcida.
Como contratar um bom time se os valores de patrocínios de 2.009 continuam iguais para 2.010?
Em virtude de não termos mais forças para continuarmos com esta LUTA, estamos renunciando aos cargos diretivos da Agremiação Sportiva Arapiraquense-ASA, para que outras pessoas possam dar continuidade a esta GRANDIOSA MISSÃO.
Deixamos claro que, continuaremos a apoiar incondicionalmente a quem vier gerir os destinos futuro da nossa Agremiação.
Agradecemos ao Conselho deliberativo, Patrocinadores e imprensa, pelo apoio que tivemos ao longo dos dois últimos anos.
Apresentamos nossas DESCULPAS a nossa AMADA TORCIDA, ao tempo em que continuaremos torcendo de coração, pelo sucesso do nosso GLORIOSO ASA.
À Diretoria
Celso Marcos da Silva - Presidente Executivo
Luciano Santos Silva - Vice- Presidente
José dos Santos Oliveira
Jean Rafael Rodrigues
José Ventura Filho
Gilberto de Oliveira Lima
Dalmacio Lucio da Silva
Noel Alves da Silva
Sergio Marcos Lúcio
Moisés Machado Filho"
Anderson Santos
Terça-feira, 17 Novembro 09, 04:06 PM
E voltamos com a série Os Pioneiros, que conta a origem do futebol nos 9 estados nordestinos. Já abordamos sobre o pioneirismo na Bahia, nas Alagoas, em Sergipe e no Maranhão.
Hoje, vou tratar sobre o estado do Rio Grande do Norte. Como de praxe, na maioria dos estados nordestinos, os primeiros difusores do esporte bretão, tiveram contato com o futebol em terras inglesas, fruto do intercãmbio educacional que suas idas promoviam. Lá, estes pioneiros estudavam e se formavam no ensino superior e na volta, traziam sempre objetos relacionados com a prática ludopédica.
Não foi diferente entre os potiguares. O futebol surgiu por intermédio dos irmãos Fabrício e Fernando Pedroza, no ano de 1903. Os dois, mais amigos de outras famílias abastadas de natal, juntaram-se e formaram o primeiro escrete. Após os jogos meramente amigáveis, ocorreu-lhes a idéia de formar uma agremiação. Assim, no ano seguinte, surgia o Sport Club Natalense.
A prática do futebol era feita nos tempos áureos em terrenos descampados onde atualmente, ficam praças e prédios públicos da capital norte-riograndense. Nos primeiros anos, vários clubes de vida curta apareceram, entre eles, o time do Partido Republicano Conservador.
Um fato engraçado diz que muitas equipes fecharam as portas por causa de um simples estouro de bolas. Como ficavam sem o instrumento principal e não tinham condições de comprá-las, os atletas acabavam mudando de equipes. Mas a estruturação do esporte, que até então era totalmente desorganizado, veio por conta de um estudante suíço e profundo conhecedor das regras. Seu nome era Alberto Roselli, que mais tarde, seria árbitro de futebol no estado. Roselli, deu vida ao futebol potiguar e o organizou de tal forma que logo, surgiu o campeonato do estado.
A fase amadora do futebol no Rio Grande do Norte, foi de 1903 a 1915. No ano de 1915, surgiram o trio de ferro do estado (ABC, América e Alecrim). Curiosidade: os três clubes nasceram numa sequência de meses. O alvinegro ABC, em junho; o alvirrubro América em julho e o alviverde Alecrim em agosto.
A fundação do ABC teve como madrinha, a senhora Maria José Farache (inclusive é dela o nome do estádio do clube). O nome deriva da assinatura de um tratado de cooperação entre Argentina, Brasil e Chile, ocorrida naquele ano. E um detalhe: quem torce para o "bêcê" é chamado de Canguleiros, por conta dos seus primeiros jogadores serem moradores do bairro da Ribeira
Já o Mequinha, que no seu início era azul e branco, chegou a ter um patrono: o senhor Aguinaldo Tinôco, zagueiro e um dos fundadores. Seus torcedores eram conhecidos como os Xarias, pois seus jogadores eram da Cidade Alta.
E o Alecrim, formado por um grupo de amigos que jogavam bola nos fins de semana em frente à Igreja de São Pedro, teve como seu primeiro goleiro, o ex-presidente da República Café Filho. De fato deveras curioso, está a divergência do ano de sua fundação. O clube alega que nascera em 1915, mas registros dos jornais da época e de estudiosos do futebol local, datam o Alecrim de 1917.
O sucesso da organização do esporte no estado foi tão grande, que logo se espalhou em direção ao interior. A primeira cidade fora de Natal a abraçar o futebol foi Mossoró. Lá dois clubes se rivalizam em gênero, número e grau. O Potiguar e o Baraúnas, sendo o segundo originário de um bloco carnavalesco da cidade interiorana e que migrou para a prática esportiva apenas na década de 60. O primeiro clube mossoroense, foi o Humaitá.
A primeira partida oficial (sic), foi com o clássico América e ABC, com vitória do primeiro por 3 a 0, em 1919. O primeiro estadual, ocorreu em 1918, mas teve que ser interrompido devido a um surto de gripe espanhola no RN. Assim, o primeiro campeão estadual, só viria em 1919, com o América.
O ABC, é o maior detentor de títulos norte-riograndenses e, o maior detentor de títulos estaduais no país à frente de clubes tradicionais na região Norte-Nordeste com o Remo-PA e o Bahia, respectivamente.
Logo, logo, voltaremos com mais um post da série sobre a origem do esporte mais popular do planeta em terras nordestinas. Aguardem!!!
Sexta-feira, 13 Novembro 09, 02:49 PM
No dia 3 de maio deste ano, abria um post com uma tremenda tristeza após a confirmação de que o Centro Sportivo Alagoano (CSA), maior campeão e de maior torcida de Alagoas, estava rebaixado, mais uma vez, do torneio local.
Como já havíamos colocado em posts anteriores, a possibilidade de volta mesmo sem ter ido se confirmou. Com a Federação local ficando em cima do muro sobre a questão do "substituto" do desistente Igaci, a diretoria apelou para a única coisa que restava, uma assembleia geral de clubes.
Numa semana, conseguiu a assinatura de mais de dois terços de clubes filiados necessários e enfrentar o duro regimento da FAF, que em casos omisos (como o da desistência de um clube da competição) obriga que qualquer escolha seja feita por unanimidade.
Confesso que não acreditava nisso, já que o CRB jamais votaria a favor do CSA. Porém, em entrevista ainda durante a manhã de ontem, o presidente Jorge VI afirmou que os possíveis votos contrários não apareceriam.
Numa rápida assembleia, definiu-se que o CSA assumiria (passando de 9º para 8º na classificação deste ano) a vaga que era do Igaci, não sendo mais rebaixado. Foram 27 clubes presentes e 27 votos a favor. ASA, CRB e Coruripe não mandaram representantes.
A decisão tem que passar pelo Tribunal de Justiça Deportiva local, mas o vice-presidente jurídico da FAF já disse que será homologado, pois não descumpre nenhuma regra, lei ou o Estatuto do Torcedor.
NÃO QUERÍAMOS
Por mais que fora da sede da federação estivessem muitos torcedores azulinos, cerca de 60, as entrevistas de TV e as conversas que tive com torcedores do CSA era que o clube disputasse a Segundona.
Como caiu por deméritos, teria que subir por méritos próprios, com honra. O medo que fica é que a bagunça administrativa - que permite que garotos da base saiam frequentemente para outros clubes do país quando (os empresários) queiram - continue. A dívida, da ordem de R$ 5 milhões, aumente com a contradição de "medalhões" ou jogadores para "encher estádios" que não fazem grande coisa por aqui, a não ser tomar água de coco na praia de Ponta Verde.
Esperemos para ver. De certo, não é "a primeira vitória desta gestão", como disseram alguns colegas radialistas. Vitória para um time como o CSA é terminar o ano como campeão alagoano.
Anderson Santos.
Segunda-feira, 09 Novembro 09, 12:38 PM
Porto Real do Colégio recebeu a grande decisão do Campeão Alagoano de futebol feminino. Num estádio à beira da estrada e com pouco espaço para público, que foi até razoável, cabia ao Universal, time da casa, vencer a partida para forçar, ao menos, os pênaltis.
Numa cidade à beira do Rio São Francisco, os dois times tentaram os seus gols e perderam inúmeras oportunidades no primeiro tempo, que terminou no zero a zero.
Na etapa final, chance de gol clara para o Universal. Pênalti para cobrança da atacante Neguinha, que bateu mal e mandou para fora.
A seguir, outra falha do time do interior de Alagoas. Em cruzamento vindo da esquerda, a zagueira Fernanda se atrapalha no empurra-empurra da área e cabeceia em direção das suas próprias redes. Assim, o Esporte Clube Alagoas (ECA) amplia a vantagem conseguida no primeiro jogo (2 a 1).
Só que o Universal e Neguinha não descansam. A atacante cobrou uma falta com distância razoável, a bola subiu, subiu,... e caiu no meio do gol, encobrindo a goleira Renaide.
Só que não foi o suficiente. O time ribeirinho ainda viu suas esperanças diminuírem com a expulsão de Galega.
O Esporte Clube Alagoas, mais antigo time de futebol feminino do Estado, consegue o primeiro título alagoano nesta nova era!
Foto: Site da FAF
E o pessoal do Tribunal de Justiça Desportiva ganhou mais um "presente" de final de ano. Nesse domingo, Santa Rita e União entraram em campo para decidir a Segunda Divisão, em Boca da Mata.
Precisando da vitória já que perdera o jogo de ida por 1 a 0, o Santa Rita perdeu inúmeras chances, até conseguir fazer um gol aos 32 minutos do segundo tempo, com Júlio Tatu. Já aí tínhamos quatro expulsões, três para o União e uma para o time boca-matense, num jogo violento.
Para completar, mais um jogador do União foi expulso e, com apenas sete jogadores, o goleiro Dias se mostrou contundido no joelho. Com apenas seis atletas em campo, a partida ficou inviabilizada.
A Federação Alagoana de Futebol trouxe de volta à Maceió os trofeus, enquanto as duas equipes comemoravam o "título" com sua respectiva torcida. O TJD deve tomar uma decisão ainda esta semana.
Anderson Santos
Sexta-feira, 06 Novembro 09, 02:26 PM
Cansaço. Eis a palavra que pode resumir a minha semana que, infelizmente para mim, não abrirá espaço para descanso. Após quatro dias de duplo estágio e noites na Bienal, ainda tenho mais Bienal, reuniões e o maldito Enade - aquela prova que não serve para nada - para ir.
Enfim,o post não é sobre mim, mas vale a justificativa por demorar a postar algumas coisas sobre o futebol feminino e o futebol masculino das primeira e segunda divisões, todos eles em momentos decisivos.
FEMININO A chance de eu ver a Marta jogando em Alagoas foi por água abaixo, ao menos neste ano. O time do Cesmac, que já havia perdido o primeiro jogo por 4 a 1, sofreu uma sonora goleada do São Francisco-BA: 10 a 0. E nem precisava dizer que está eliminado.
O Campeonato Alagoano teve o primeiro jogo das finais no sábado, na Pajuçara. O Esporte Clube Alagoas venceu o Universal, de virada, por 2 a 1. Amanhã, as equipes definem o clube campeão feminino de futebol do Estado na cidade de Porto Real do Colégio.
SEGUNDONA Após União e Santa Rita garantirem suas vagas para o Alagoano de 2009, o União venceu o clube de Boca da Mata por 1 a 0 no primeiro jogo e jogo por um empate no próximo domingo para ficar com o título.
POLÊMICA PRIMEIRA Como colocamos no nosso último texto por aqui, a desistência do Igaci abriu brecha para a volta do CSA, mesmo sem ter participado da Segundona. Pois bem, a Federação bateu o martelo na terça-feira e comunicou no Arbitral de quarta.
A decisão foi ficar no meio do muro. Sem colaboração da CBF, sem exemplos claros e com contradições no próprio regimento da entidade, o setor jurídico da FAF anunciou que ninguém ocupará a vaga. Como o Penedense, judicialmente, terá que voltar, manter-se-ão dez clubes na Primeira Divisão.
Tanto CSA quanto Sport Atalaia (3º da Segunda de 2009) entraram com pedidos no TJD local. O Azulão do Mutange já conseguiu assinaturas mais do que as necessárias para convocar uma assembleia dos clubes na tentativa de fazer comque o clube volte a um lugar que não deveria ter saído.
Porém, a maior parte dos torcedores com os quais converso no dia-a-dia preferia o time na disputa da Segunda Divisão, por (falta de) méritos próprios. O medo geral é que uma decisão contrária faça com que o time continue com problemas administrativos e acumulando dívidas.
Mais informações, inclusive com os últimos campeões do Estado, na semana que vem - se é que aguentarei até lá.
Anderson Santos
Quarta-feira, 04 Novembro 09, 12:59 PM
Para quem não acompanhou os três primeiros posts desta série, clique aqui, aqui e aqui.
Já para que vem acompanhando, eis mais um texto sobre aqueles que trouxeram este popular esporte para os quatro cantos do Nordeste. E no capítulo de hoje, vamos saber quem foi o pai da criança em Sergipe.
Mas antes... No início do século XX, a vinda do futebol para o país, logo foi associada como algo ligado a vândalos e vagabundos. Tanto que quem praticava o esporte, era tachado de arruaceiro e tinha que prestar contas para a polícia. Não foi diferente em Aracajú. Lá, o futebol sofreu deste preconceito. Porém, com a iniciativa do major Crispim Ferreira, do 26º Batalhão de Infantaria, as coisas iriam mudar.
Foi este nobre oficial que teve a ideia de implantar a primeira exibição no estado. Mas, quem de fato ampliou os horizontes para a popularização boleira, foi um jovem estudante de Lagarto, que após regressar de Salvador para Aracajú, resolveu criar o primeiro clube estritamente para a prática do futebol. De prioritário, o clube se chamaria Sport Clube Lux, mas os fundadores não gostaram da ideia e mudaram para Club de Football Sergipano.
A fundação do Sergipano, aconteceu em 1909, na casa de Carlos Baptista Bittencourt, juntamente com Mário Lins de Carvalho, aquele jovem do interior que citei linhas acima.
O Sergipano foi a porta de entrada para que outros adeptos criassem suas agremiações. Vieram o Cotinguiba e o Sergipe, os mais antigos clubes do estado ainda em atividade. Em 1917, apareceu o Industrial F. C., formado por empregados da Fábrica Sergipe Industrial. Ainda em 1917, foi criada a Liga Desportiva de Sergipe, que entre outras atribuições, ficou responsável em organizar o primeiro campeonato oficial de futebol. Este campeonato estadual, teve sua primeira edição em 1918, com a participação de quatro equipes: Sergipe, Cotinguiba, Industrial e o time do 41º Batalhão, sendo campeão o Cotinguiba, que tinha em seus quadros, atletas oriundos do S.C. Bahia, de Salvador.
Em 1919, o Sergipão não foi realizado. Motivo: a LDS resolveu limitar o número de jogadores baianos o que gerou protestos do Industrial que tinha 90% de jogadores da Bahia. Com o impasse, o Industrial se desfiliou da Liga.
Outra crise estourou no ano de 1920. Mesmo com o perdão da Liga e a disputa da competição no moderno Estádio Adolpho Rolemberg, o que parecia que estava tudo às mil maravilhas, acabou por descampar numa celeuma sem fim. Tudo isso por que a Liga puniu um jogador do time B do Sergipe, que em represália, abandonou o campeonato ainda na primeira fase.
Nos anos de 21 e 22, o Sergipão foi disputado sem nenhum problema, mas, em 1923, nova crise estoura no cenário esportivo da capital. E desta vez, a coisa degringolou. O fato novo se deu por conta de uma penalidade marcada pelo árbitro baiano Oscar Coelho, que apitava a partida envolvendo a equipe do Industrial. Não aceitando a marcação, os jogadores do clube alvinegro partiram para as vias de fato contra o árbitro e a consequente retirada de campo. Como punição, no dia seguinte ao jogo, a Assembléia Geral da Fábrica Sergipe, por meio de seu patrono, resolveu extinguir o Industrial.
Esse fato, marcou o fracasso da competição de 1924 e durante alguns anos mais trade, o futebol não foi praticado em nenhum canto de Sergipe. Apenas em 1931, com o fim da LDS e a fundação da Federação Sergipana, é que o esporte voltou a ter apoio e incentivo. Neste ano, o Campeonato Estadual ganhou novos participantes. Filiaram-se à Federação o Vasco, Guarani, Paulistano, Palestra, Vitória, Siqueira Campos, 13 de Julho e ETEA, que se juntaram ao Sergipe, ao Cotinguiba, ao Brasil, ao Aracaju, ao Palmeiras e à Associação Atlética.
Entre 1918 e 1938, o Sergipe foi o maior detentor de títulos, com 32 campeonatos conquistados.
Fiquem na escuta, fiquem na ativa que logo, logo vem mais um post sobre a história do futebol no Nordeste e seus pioneiros.
Até lá!
Fonte: Blog do jornalista Nilo Dias.
Domingo, 01 Novembro 09, 01:52 PM
E em mais uma da série Os Pioneiros, que fala daqueles que trouxeram o futebol para os 9 estados nordestinos, hoje vou assuntar sobre a origem do esporte no estado do Maranhão.
Como na maioria dos casos em todo o país, os primórdios da prática do futebol, tiveram o início através de estudantes que foram à Inglaterra em busca de estudo e formação acadêmica. Não é diferente o caso dos maranhenses, onde em 1905, ao regressar de terras britânicas, Nhozinho Santos trouxe tudo que era relacionado à prática deste novo esporte. Em sua bagagem, veio bolas, camisas, chuteiras, apito, e, o livro de regras.
Ainda naquele ano de 1905, em sua residência, ele, acompanhado de mais alguns amigos e de seus irmãos, reuniram-se para criar uma foot ball association. Dentre os presentes, estiveram ingleses da Mala Real Britânica e da Booth Line & Co.
Dessa reunião, ficou decidido que a vasta área da fábrica têxtil Santa Izabel, teria alí construído o primeiro campo de futebol de todo o Maranhão. Com todas as decisões acertadas, nascia o Fabril Athletic Club.
Com a dificuldade inicial de qualquer time, o FAC, treinava com até 8 jogadores. Ao longo do tempo e ávidos pela curiosidade, os maranhenses, principalmente os nativos de São Luís, a capital do estado, foram se juntando e assim, o FAC começou a adquirir status de agremiação.
No ano de 1907, tiveram iniciadas as primeiras partidas de futebol, todas no campo do FAC. Nos jogos iniciais, tiveram os confrontos entre os Pretos ou "Black and White" e os Encarnados, ou "Red and White", que eram formados por funcionários da fábrica têxtil e de desportistas da própria FAC. O placar deste embate, terminou em empate por dois gols.
Já em janeiro de 1908, acontece o primeiro jogo oficial entre equipes diferentes. Um combinado do Pretos/Encarnados contra o Maranhense Foot Ball Club, uma equipe formada por empregados do comércio de São Luís.
O esporte crescia em participantes e em procura, tanto que quando o FAC anunciava na imprensa local das festividades onde sempre tinha uma partida, a busca por convites era bastante grande. O ponto alto dos festejos do clube, eram as matinês dominicais, onde toda a sociedade acompanhava derbis pomposos e emocionantes.
Em 1909, registrou-se a primeira partida infantil no Maranhão, entre os dois quadros do FAC (Pretos x Encarnados). Ainda naquele ano, o futebol avançava para o interior e foi na cidade de Alcântara, que deu-se início à prática fora da capital.
Entre 1910 e 1914, houve a primeira crise do esporte. Os clubes sociais, embriões dos primeiros clubes de futebol, foram se dissolvendo. Os atletas destes clubes, foram criando suas próprias agremiações, no intuito de manter a prática do futebol.
Quem reabilitou o esporte no estado, foram os estudantes, com o apoio de um cônsul inglês. Deu certo e novamente, toda a sociedade maranhense voltou seus olhares para os matches. Em 1915, iniciou-se o primeiro Campeonato Maranhense. Já em 1917, aconteceram os primeiros jogos entre clubes interestaduais, envolvendo equipes de São Luís, do Piauí e o Club do Remo e o Paysandu, de Belém.
Porém apenas em 1918, com a melhor estruturação dos clubes e do esporte em si, é que de fato, aconteceu a realização do campeonato estadual, com o triunfo do Sport Club Luso Brasileiro, sendo seu primeiro campeão.
Falando em campeonato estadual, apenas em três edições o campeonato ou não foi realizado, ou não foi concluído.
Na próxima edição, traremos mais um estado nordestino que terá descrito como surgiu o futebol em suas terras. Até lá!
Fonte: Site Campeões do Futebol
Quarta-feira, 28 Outubro 09, 12:46 PM
A nova diretoria do Centro Sportivo Alagoano logo na primeira reunião recebeu a visita de um oficial de justiça notificando uma dívida de R$ 75 mil reais por uma causa trabalhista.
Dias depois, chega a informação que o Estádio Gustavo Paiva, de propriedade do clube, poderia ser penhorado - apesar de, pelo que sei, isso não poder ocorrer porque o mesmo é uma doação da Brasken.
Mais alguns dias e mais duas notificações a somar em uma semana R$ 300 mil. E a confirmação de Aurélio Lages, antigo vice-presidente jurídico, de que são mais de duzentas causas trabalhistas em tramitação. A dívida do clube pode estar em torno de R$ 5 milhões!
Mas nos bastidores o clube trabalhava. Cobrança pública dos balanços financeiros das últimas gestões, que não foram entregues; reunião marcada com o Vitória, vulgo "rival da Canabrava", para saber como lá eles conseguiram sanar as dívidas do rubronegro baiano.
Só que o principal vem a seguir, e adiantamos ontem: o CSA pode voltar à Primeira Divisão do Alagoano mesmo tendo caído este ano. E pode não ser virada de mesa.
EXPLICO...
A imprensa comentava a declaração do presidente (dono) do Corinthians-AL, João Feijó, que o clube poderia fechar as portas por falta de dinheiro, inclusive com a participação vinculada a uma receita de R$ 18 mil (!) por mês com jogadores sub-21, contando com a comissão técnica. Logo veio a possibilidade de o CSA não cair.
Aí o presidente Jorge VI (assim mesmo, o pai é Jorge I e tem irmãos Jorge II, III, ...) afirmou que sabia de outro clube, só que do interior, que poderia desistir do campeonato.
Ontem a informação oficial veio: o Igaci mandou ofício para a FAF comunicando a desistência do Campeonato do ano que vem. As justificativas não foram aceitas por ninguém. Simplesmente disseram que não haveria condições financeiras para adequar o Estádio Zequinha Barbosa. Detalhe: com a reforma do estádio de Arapiraca até o início da série B, o ASA deve usar o estádio da cidade de Igaci.
A dúvida paira sobre a sede da Federação Alagoana já que, como disse o seu presidente, não há na regra nada sobre desistência de um clube; quem assumirá. Há três candidatos: o CSA, que pelo regimento da entidade passaria para oitavo no campeonato deste ano e logo não estaria rebaixado; o Penedense, que judicialmente tem que estar no campeonato do ano que vem; e o Sport Atalaia, terceiro colocado na Segundona deste ano.
Semana que vem haverá o Arbitral do Campeonato Alagoano de 2010 e espera-se que a última vaga seja decidida lá. Gustavo Feijó, pres. da FAF, afirmou que já fez solicitação para a CBF ajudar no caso.
O fato é que o CSA sempre tem a melhor (ou segunda melhor, em casos raros) renda do Estadual, já que possui a maior e mais apaixonada torcida de Alagoas - contando com senadores, deputados federais, governador e o presidente do clube, que é secretário adjunto de esportes daqui.
CASOS
Lembro da minha infância sergipana que o Itabaiana, campeão estadual sobre o Confiança em 1997, foi rebaixado em 1998. Resultado: o Vasco de Propriá, terceiro colocado, desistiu da disputa do ano seguinte em prol de um dos grandes do Estado.
Há informações de radialistas daqui que ocorreu algo parecido na Paraíba e o escolhido foi o terceiro colocado da Segundona.
Ou seja, se nem o presidente da Federação sabe quem sobe, não sou eu que sei. A partir do momento em que tenhamos a informação oficial, repassamos no FutNordeste.
Enquanto torcedor azulino, é lógico que queria/quero que o time não caia; enquanto projeto de jornalista, fica a preocupação de o clube permancer uma empresa falida, sem administração adequada, e utilizado para fins políticos.
Anderson Santos
Terça-feira, 27 Outubro 09, 08:54 PM
Na continuação da série sobre os pioneiros do futebol nos 9 estados nordestinos, hoje vamos abordar como o futebol surgiu no estado de Alagoas. Para quem não acompanhou o primeiro post da série, clique aqui.
Quando os estudantes alagoanos queriam uma formação superior sólida e garantida, deixavam suas famílias no estado e seguiam para o Recife e para Salvador.
Um destes jovens, de nome Manoel de Melo Machado, que fazia Medicina na Faculdade de Medicina da Bahia, em suas férias, convocou alguns colegas de Direito e também de Medicina, para formar um time, o Alagoano Foot Ball Club. Como não havia outra equipe para jogar contra o Alagoano, Machado e seus amigos resolveram fazer o primeiro jogo entre eles. De um lado, o time do Floriano e do outro o Deodoro. Alguns meses mais tarde, surgiu o Republicano Futebol Clube, que muito rivalizou com a equipe de Machado.
Entre 1908 e 1926, os jogos de futebol nas Alagoas eram apenas amistosos. Em 1909, nasce o Penedense, o mais antigo clube do estado ainda em atividade. Na década de 10, mais precisamente nos anos de 1912 e 1913, surgem os dois maiores clubes da terra dos Caetés: o CRB e o CSA, respectivamente. Um detalhe chama a atenção em Maceió: mesmo tendo sido fundado primeiro, o CRB só começou a praticar o esporte de forma oficial, alguns anos mais tarde que o grande rival que desde o seu surgimento, já praticava o futebol.
Em 1927, por intermédio do CRB, nasce a CEA-Coligação Esportiva de Alagoas, que seria responsável pela estruturação do futebol no estado. A CEA é atualmente a Federação Alagoana de Futebol.
Ainda em 1927, acontece a disputa do primeiro Campeonato Estadual com a participação de 7 clubes. Além de CRB e CSA, estiveram presentes o Barroso, o Flamengo, o Tiradentes, o Vera Cruz e o Uruguai. Com os altos e baixos, a competição que era para ser em dois turnos, não teve nem o seu primeiro turno encerrado. Desta forma, o CRB foi proclamado o campeão daquele ano. Foi nesta edição que aconteceu o início da rivalidade entre azulinos e alvirrubros, com o triunfo dos regatianos por 2 a 0.
No ano seguinte uma confusão envolvendo arbitragem e o CRB, fez com que o resultado da decisão do campeonato fosse para o tapetão e com a CBD confirmamdo o título para o Vera Cruz, por conta do abandono do clube da capital.
Já em 1929, sem o CRB que havia desistido de participar, o CSA conquista seu primeiro título em mais um campeonato marcado pela falta de organização.
Este é mais um relato dos pioneiros do futebol no Nordeste. Aguarde a próxima edição que irá abordar mais um dos 9 estados nordestino e como o futebol surgiu por estas bandas do país. Até lá!
Fontes: História do Futebol Alagoano e Blog Soccerlogos
Terça-feira, 27 Outubro 09, 01:24 PM
Já falamos algumas vezes nesta coluna o quanto de incentivo ao futebol feminino falta por parte das autoridades esportivas brasileiras. Falamos mais ainda dos (muitos) problemas do futebol em Alagoas, maximizados na modalidade feminina. Pois bem, tivemos mais exemplos disso na semana que passou no jogo de ida da segunda fase da Copa do Brasil de Futebol Feminino.
O Cesmac, representante alagoano, ficou ameaçado de não jogar porque o CRB não pagou as despesas com a arbitragem num jogo da Série B, em 2008, contra o ABC. A decisão do STJD saiu e o clube terá que pagar R$ 10 mil, uma quantia até pequena mesmo para os clubes "grandes" alagoanos.
Porém, se o clube regatiano já não teve dinheiro para pagar na época, com um grave problema judicial com um grupo de investidores - que ajudaram o clube na Série C - isso fica mais difícil. Sem campeonatos a disputar até o ano que vem, o time não tem renda.
Resultado: caso o clube não pague a sua conta, nenhum clube alagoano pode disputar competições oficiais da CBF.
O Cesmac só realizou a partida contra o baiano São Francisco porque conseguiu uma liminar que, como tal, pode ser derrubada a qualquer momento.
(FALTA DE) POLICIAMENTO
E os problemas de organização local não pararam por aí. Por se tratar de uma competição profissional, e não amadora (como o Alagoano feminino), é obrigatória a presença do efetivo policial na partida.
Porém, a falta de policiais (e de segurança) também é um problema de Alagoas. Se no fim de semana anterior os jogadores de Santa Rita e Sport Atalaia entraram em conflito dentro de campo - com direito a mais um "show" do técnico Celso Teixeira -, na quinta-feira não existia policiais nas dependências do Estádio Nelson Peixoto Feijó, assim como ocorrera na final do Alagoano sub-20.
Foram necessários mais de 25 minutos de espera até que os primeiros oficiais aparecessem em campo. Mais uma vez a FAF tirou a sua responsabilidade ao afirmar, por meio do seu assessor de imprensa, que envia o pedido com antecedência ao comando do policiamento.
O presidente do time da cidade de São Francisco do Conde-BA reclamou, pois o time vinha de uma viagem de 600 km e ainda teve que esperar num sol forte o início da partida.
BOLA ROLANDO...
Com a pelota no relvado, o Cesmac partiu para cima do time baiano e, após algumas chances dispersadas, abriu o marcador aos 8 minutos. Valquíria acertou um bom cruzamento na esquerda para Karina encobrir a goleira dentro da área. Cesmac 1X0.
Porém, o atual octacampeão do futebol feminino baiano é bastante forte, com quatro atletas nas categorias de base da Seleção, e honrou seu currículo.
Com gols aos 12 minutos, através de Jussara; aos 15, com a cobertura aplicada por Ninha; e aos 17, de novo com Jussara, só que de pênalti, o São Francisco terminou o primeiro tempo vencendo por 3 a 1.
No segundo tempo o ritmo caiu. Mesmo com a expulsão de Viola, logo aos 2 minutos da etapa final, o Cesmac não conseguiu diminuir o marcador. E o pior veio aos 38 minutos. França chutou na entrada da área, a bola desviou na zagueira e encobriu a goleira Renaide.
Com o marcador em 4 a 1, o time baiano só sairia da competição com uma derrota por 4 a 0 em casa.
DIFERENÇAS
Jogadora mais experiente do Estado, Dorinha (mais de 40 anos) reclamou que jogar futebol feminino aqui é muito difícil, o que fica evidenciado quando o clube enfrenta um bom time de fora. Segundo ela, as jogadoras adversárias elogiam o time local e perguntam qual o ritmo de treinamento.
Além de as atletas terem outras funções (trabalhos e universidade), o time alagoano participa de três campeonatos simultaneamente: Copa do Brasil, Campeonato Alagoano e Campeonato Alagoano de Futsal. A equipe chega a jogar no sábado à tarde no campo e no domingo de manhã nas quadras.
A solução poderia ser a realização do Alagoano de futebol de campo ainda no primeiro semestre, quiçá como abertura das partidas do futebol masculino.
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E no final de semana o Cesmac perdeu o segundo jogo da semifinal do Alagoano feminino e também ficou de fora desta competição. O ECA venceu por 1 a 0 e enfrentará o Universal, de Porto Real do Colégio - divisa com Sergipe. O Universal goleou o Sóesportes por 4 a 1.
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CRB com problemas para acabar com um contrato com investidores, ASA com atraso nas reformas no Estádio Coaracy da Mata Fonseca - que pode até não ficar pronto sequer para o início da Série B - e CSA com perspectiva de substituir um desistente do Campeonato Alagoano da Primeira Divisão e se livrar da volta à Segundona...
Em breve mais informações.
On Carta Renúncia da Diretoria do ASA