Segunda-feira, 14 Abril 08, 08:07 PM
Conheçam um pouco do time feminino do Nacional A.C. sediado na Barra Funda, nas palavras do Dr. Giulio Cesare.
R: Pensamos em montar o time feminino (eu e o Prof Marcel), pq sempre fui apaixonado pelo futebol e sempre quis trabalhar com futebol. Já trabalho há 12 anos como médico e diretor do Dep Médico do NACIONAL AC, mas tinha vontade de atuar por trás, nos bastidores também, na área de gestão de uma equipe. No masculino, não via chances, pelo menos por enquanto, o feminino estava parado, largado, pensei no futuro dessa modalidade.
R: Dinheiro, sempre dinheiro, hoje nossa maior dificuldade é arrumarmos patrocínio para custear as despesas do time.
R: O primeiro Campeonato Paulista de Futebol Feminino, organizado pela Federação Paulista de Futebol, aconteceu em 1987 e teve como campeã a equipe do C.A. Juventus. Mas teve mais destaque em 98, com a chamada Paulistana. Hoje temos uma previsão desse campeonato ter pelo menos 3 anos de duração, por contrato, nesse ano de 08, são 18 equipes.
R: De abril a novembro, com pausa para os jogos regionais em julho e olimpíadas em agosto.
R: O elenco ainda está em formação, começamos a apenas 15 dias, hoje temos 25 meninas, mas a procura está bem grande
R: Temos algumas meninas da época da Paulistana, a Ana Paula, nossa goleira, já teve passagens pelo Corinthians e principalmente pelo São Paulo, onde foi campeã paulista.
R: Posso dizer, que hoje ainda é bem amador, com ajuda de amigos aqui e outros ali, até conseguirmos um patrocínio mais evidente.
R: Algumas empresas mostram certo interesse, mas é um processo longo, com muitas dúvidas e reticências em relação a evolução e organização desses campeonatos.
R: Muito, muito mesmo. Não vem de um setor específico, o preconceito é geral, de torcedores, dirigentes, investidores, imprensa.
R: Acho que é uma questão cultural, creio que somente com o tempo e com a estabilização da modalidade, diminuiremos esse preconceito.
R: Claro, o preconceito vem de aspectos culturais, em países como EUA, CANADÁ e SUÉCIA, as meninas jogam futebol desde cedo, aqui ainda não. A falta de investimento é na sua maior parte devido a política, dirigentes de federações e confederações não apostam e não querem que a modalidade evolua.
R: Acho que sim, por isso estou metido nessa (risos), senão tiver espaço, significa que não vou dar certo nem ter êxito. Creio que dá pra fazer um modelo diferente, mais profissional, já que não há vícios de gestão nessa modalidade, que não possam ser quebrados.
R: Não vem, esse ano a FPF e uma empresa privada, que vão bancar o paulista fornecem uma ajuda de custo irrisória, R$ 10 mil por equipe, o que não banca nem um mês de torneio. A CBF prometeu fazer uma liga nacional, até agora nada foi feito ainda.
R: Com muita ressalva, não investe nem incentiva. Acho que atualmente o fato da CBF existir ou não, não muda em termos práticos o fut feminino.
R: Esse assunto é delicado, lidar com mulheres vc precisa ter um comando muito mais psicológico. Às vezes uma palavra mal colocada gera uma confusão danada. Diferente dos marmanjos que vc xinga, esbraveja e ta tudo certo.
R: A semelhança é muito pouca, somente no gosto de jogar futebol e no modo de disputa dos jogos. Já as diferenças são enormes: patrocínio, salários das atletas, apoio extra-campo, discriminação, valorização. O futebol não é o mesmo não, a parte física ainda se sobressai mais, e o lado emocional influencia e muito!
R: Conheço a do Juventus, a Magali, muito boa e disciplinadora, por sinal.
R: Não, mas há o que falei anteriormente, às vezes você coloca uma frase que normalmente seria bem recebida pelos homens, ou sem grande repercussão, já pelas mulheres, pode fazer com que você perca o comando do time.
R: Não, infelizmente não, existem situações isoladas, mas de um modo geral ainda não.
Excellente entrevista Lu. O crescimento do futebol feminino depende da criação de escolinhas dentro dos clubes dedicadas a crianças de ambos os sexos. uma menina de 6 anos que começa a jogar junto a outros garotos da mesma idade tem potencial para desenvolver a mesma técnica que os meninos e se tornar um grande atleta. Esse inclusive seria um dos caminhos para que o preconceito comece a ser minimizado.
Fato Mano! Procurei a escolinha do SPFC pra minha filha Luiza, mas adivinha? Não tem pra menina! Fiquei indignada!
Mas vamos superar isso sim!
E valeu pela leitura!
Convém sublinhar o seguinte: A equipe do Nacional está participando do campeonato paulista SEM PATROCÍNIO.
6 Comentários
Parabéns pela matéria e obrigado pela oportunidade, pode ter certeza que está ajudando e muito a divulgar e a crescer o futebol feminino aqui no Brasil
Não por isso Dotore! Só está difícil subir as fotos, eu sempre apanho nessa hora.
Boa sorte pro Nacional!
Já tem a minha torcida!
=)