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Osmar Santos, 60 anos

Terça-feira, 28 Julho 09, 09:37 PM

Ao Gustavo do belíssimo blog "Futebol Latino", devidamente "favoritado" ao lado, ao grande casal Mauricio e Lu Targino, ao Anderson Santos, o qual agradeço pela citação no seu post sobre os 15 anos do Tetra e ao Stebozza meus agradecimentos pelos comentários e elogios. Juntos chegaremos lá.

Grande Osmar.

Para os mais novos, um narrador láááááá do rádio, da época do pai, dos tios e dos avôs. Uma época sem PPV, sem TV mandando nos horários do futebol, sem 1001 replays, sem guerras entre torcidas. Onde o som do rádio nos estádios era igual ao de uma ligação telefônica. Onde o antigo rádio AM ainda era o mais escutado para os jogos de futebol.

Para os mais velhos, a arte e a alegria na narração do futebol. Representava, por meio das palavras, o gosto de ver uma jogada trabalhada, as bandeiras tremulando, o chapéu, a finta e até a bola jogada para fora do estádio. Agradava o policial, o detento, o rico, o pobre, o moço, o velho. Com sua forma revolucionária de contar o que se passava num campo de futebol durante os 90 minutos de jogo, foi capaz de popularizar ainda mais um veículo que já perdia espaço para a televisão.

Hoje Osmar Santos faz 60 anos de vida. Vida que lhe deu emoções, alegrias, tristezas, realizações, frustrações. Mas acima de tudo, uma vida que marcou para sempre a forma como vejo o futebol.

Apesar do trágico acidente que lhe tirou a capacidade daquilo que mais gostava de fazer, o Osmar ainda está entre nós para mostrar que nem sempre tudo está perdido. Continua por aí com o mesmo sorriso, o mesmo carinho com as pessoas.

E ripa na chulipa e pimba na gorduchinha, porque um prá lá, dois prá cá, é fogo no boné do guarda. 

Aqui vai um agradecimento e uma saudação a uma das pessoas que mais ouvi quando era garoto. E que sempre imitava quando tinha campeonato de jogo de botão na rua e na escola.

Parabéns e muitos anos de vida ao Osmar, o "animaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal" da narração esportiva.

Abaixo, Osmar em 3 atos:

 
 
 
 

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Postado por alexandre_anibal | Comentários (5)

O "Tetra" visto 15 anos depois

Sexta-feira, 17 Julho 09, 01:44 AM

Ao Gustavo, ao Alagoanos_KM e ao Carlos Virgilio, muito obrigado pelos elogios. Juntos chegaremos lá.

Tirei o De Lorean da garagem e voltei ao dia 17 de Julho de 1994. Há exatos 15 anos.

Parou numa rua pacata dum bairro central de São Paulo. Era domingo de tempo ameno, com um vento razoável na rua. Que estava toda enfeitada. Bandeiras e mais bandeiras do Brasil penduradas em barbantes como se fossem bandeirolas de festa junina em algum colégio. Bandeiras de outros países desenhadas com esforço nas paredes dos muros, Strikers desenhados assimetricamente nas ruas e guias pintadas com o verde e amarelo do nosso Brasil varonil.

O Brasil está na final de uma Copa do Mundo, 24 anos depois de ter conquistado seu último título mundial. Apesar disso, não se escutavam batucadas, nem se sentia cheiro de churrasco e não havia pessoas falando alto e bebendo. A molecada não apareceu para jogar bola lá fora. À primeira vista, nem parecia que a "Seleça" estava numa final de Copa.

Mamãe tinha feito uma bela lasanha na hora do almoço. Meu irmão, que tinha 10 anos, estava se recompondo de uma gripe. Apesar disso, jogava Super Mario World no quarto, na SEMP com gabinete de
madeira. Há 2 meses, papai havia comprado uma Philco com controle remoto para a sala. Era a revolução em casa: poder mudar o canal sem sair do lugar.

Na época, também tinha um Ronaldo no Corinthians. Mas ele EVITAVA gols. E era protegido pelo Gralak e pelo Henrique. Com certeza, a vida dele era mais dura que a do seu xará atual que joga hoje.

Folheio o álbum de figurinhas da Copa. Vejo fotos das cidades-sede, dos estádios e dos times que passaram pela TV durante os 30 dias da Copa. Desfilam aos meus olhos Meola, Escobar, Yekini, Letchkov, Jorge Campos. Grandes figuras da Copa que acabava e deixava saudade.

E, apesar de ser numa terra onde o futebol é notoriamente visto como esporte para mulheres,  a Copa superou todas as expectativas de público (Arábia Saudita x Marrocos levaram mais de 76 mil pessoas ao estádio) e surpreendeu pela organização. No jogo México x Bulgária, válido pelas oitavas-de-final, uma TRAVE inteira foi substituída em apenas 8 minutos. O mundo assistiu perplexo à primeira e única substuição de traves das Copas.

Aguardo o jogo. Faltando uns 10 minutos para as 3 da tarde, as duas seleções entram em campo. O Brasil vem de mãos dadas, gesto repetido desde os 6 a 0 que fizemos na Bolívia pelas Eliminatórias. A Itália entra com seu uniforme azul e Baresi, depois de uma recuperação absurdamente fantástica, aparece no time como se fosse um recém-promovido da Sub-20. Times perfilados. Soam os hinos. A batalha começa.

Jogo tenso. Jogo nervoso. O sol castiga a todos. Romário, além do sol, tem ainda o Baresi na sua cola. Mamãe pega um pano velho na cozinha e começa a dar nós e mais nós nele. O jogo não ata nem desata e acaba 0 a 0.

Entra Viola na prorrogação. E coloca pimenta no grande caldeirão fervente chamado Rose Bowl. Mas a pimenta não é tão forte assim. A final termina sem gols. Pela primeira vez na história, a Copa será decidida nos pênaltis.

8 anos antes, o Brasil decidira seu futuro na Copa do Mundo do México nos pênaltis contra um time vestido de azul, na América do Norte, sob calor muito parecido e no gol do lado direito. Parecia que os deuses do futebol haviam nos desamparado de vez. Ou colocado ali a chance da redenção.

E quiseram os deuses que Baresi, que anulou Romário durante 120 minutos, anulasse também sua chance de converter a primeira penalidade para a Itália. Mas Marcio Santos, em solidariedade ao grande zagueiro, resolver perder também a sua chance.

E a batalha prosseguiu. Albertini fez 1 a 0 para a Itália. Romário empatou. Evani fez 2 a 1. Branco empatou de novo.

Massaro tinha nos pés a chance de se redimir do gol perdido na primeira etapa. Porém os 120 minutos de cansaço físico e mental cobravam seu fatura. O então atacante do Milan chuta e Taffarel pega.

O técnico atual da nossa Seleção faz 3 a 2. E Roberto Baggio, o mais técnico e decisivo jogador italiano da Copa se encaminha para a cobrança do último pênalti italiano. Minha mãe não pisca e larga o pano no chão. Eu me projeto para a frente do sofá e olho. Mais de um bilhão de pessoas veem Baggio, Taffarel, a bola e a trave. Nem Armstrong, Aldrin e Collins foram vistos por tantas pessoas quando pisaram um solo diferente do nosso planeta há 40 anos atrás.

Baggio toca a bola e ela viaja. Viaja rumo aos céus de Los Angeles. Não entra no gol. Com a bola viajaram os sonhos dos italianos, a tristeza e a frustração dos brasileiros.

Galvão Bueno vibra, deixa cair seu fone e abraça Pelé como se fosse seu irmão. Sobe o Tema da Vitória do Senna, que havia ido embora um pouco mais de 2 meses antes. Mamãe chora. Eu choro. Pelo título e mais ainda pela linda homenagem ao piloto. O Brasil era campeão mundial depois de quase um quarto de século.

No meio da alegria, o De Lorean faz um barulho. É a senha para ir embora.

Ajusto a data para 17 de Julho de 2009. E volto.

Nunca na minha vida um 0 a 0 foi tão emocionante. Abaixo a recordação desse dia.

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Postado por alexandre_anibal | Comentários (7)

O Grande Jogo

Segunda-feira, 06 Julho 09, 10:38 PM


Livro

A Luciane dá o convite no blog dela e eu resenho aqui! \o/

À primeira vista, o livro “O grande jogo”, que trata da rivalidade histórica entre Corinthians e Santos, não prometia muita coisa além de relatar algumas histórias e estatísticas que qualquer torcedor mais bem informado dos dois times conhece ou pelo menos já ouviu falar. Apesar disso, uma obra onde estão presentes dois dos maiores jornalistas esportivos brasileiros não pode passar despercebida.

Para começar, chama a atenção a forma pela qual foi escrita o livro: em forma de diálogo. A fala de Odir Cunha, que é torcedor do Santos, é apresentada pelo estilo normal de fonte. Já Celso Unzelte, que representa o Corinthians, é identificado com o estilo negrito. E a boa surpresa ao ler o livro é que, apesar de o nível se manter a altura do conhecimento dos jornalistas, o bate-boca e a discussão acontece como em qualquer lugar onde existam dois apaixonados torcedores. Provocações e ironias dos dois lados são notadas em várias passagens do livro, que foi publicado nesse ano e que, portanto, não conta com o resultado dos últimos quatro jogos disputados entre os dois times.

É uma obra de fácil e envolvente leitura. Como se estivessem em uma mesa de bar, os dois autores discorrem sobre o clássico, que começou a ser disputado em 1913. E já no começo da história, o Santos ficou seis anos sem perder para o alvinegro paulistano. Celso Unzelte, por sua vez, avisa que nos primeiros anos o jogo entre os dois alvinegros não era considerado clássico, pelo fato de que nem o Corinthians e muito menos o Santos serem considerados “grandes” à época.

Capítulo a capítulo, as histórias de alguns jogos e de alguns jogadores dos clubes são revistas. A goleada de 11 a 0 do Corinthians sobre o alvinegro praiano é contestada pelo santista, que apresenta a versão dos jornais de Santos sobre o jogo. Logo depois, é retratada a primeira “invasão corinthiana”, quando Celso conta como muitos corinthianos desceram a serra para ver o seu time campeão na Vila Belmiro e o primeiro Paulistão conquistado pelo Santos, derrotando o Corinthians no Parque São Jorge em 1935, é retratado por Odir com muitos detalhes.

A partir da segunda metade da década de 50, Pelé e companhia limitada ajudam o Santos a construir o famoso tabu de 11 anos sem perder para o rival. Tabu esse que Celso faz questão de comentar que ocorreu somente nos jogos válidos por Campeonatos Paulistas. Mesmo assim, ele conta como foi difícil torcer pelo Corinthians nesse tempo. Odir, pelo contrário, relembra rapidamente algumas vitórias santistas obtidas naqueles tempos e conta como virou santista.

As maiores discussões entre os autores surgem nas décadas de 70 e 80: enquanto Celso lembra o fato de o Corinthians perder do Santos somente quando Pelé jogava pelo clube e de constatar uma ausência do torcedor santista nos estádios, Odir comenta sobre os estilos de jogo dos dois times, coloca em dúvida a fidelidade do torcedor corinthiano e as circunstâncias da célebre quebra do tabu de títulos, em 1977. Além disso, também fala sobre a disputa da Taça de Prata pelo Corinthians em 1982, o que na época correspondia à segunda divisão. Fatos esses respondidos a altura por Celso.

Também a partir da década de 80, o livro entra num nível maior de detalhamento no que diz respeito a jogos, campeonatos e jogadores. Odir menciona, entre outros torneios, o Vice-campeonato Brasileiro de 1983, a célebre final do Paulistão de 1984 e os títulos brasileiros de 2002 e 2004. Celso relembra a democracia corinthiana, o títulos paulista de 2001, os títulos brasileiros de 1990, 98 e 99, o Mundial de 2000 e o Brasileirão de 2005, onde o Corinthians venceu o Santos por 3 a 2 (num resultado extremamente contestado por Odir, já que esse jogo anulou uma histórica vitória santista por 4 a 2) e pelos acachapantes 7 a 1.

Aliás, a validade desses dois últimos torneios são obviamente contestados por Odir, alimentando mais polêmicas. Logo depois, Robinho é apontado como o principal responsável pela “freguesia” santista contra o Corinthians, ocorrida nos últimos anos. Já Celso Unzelte lembra, com requintes de crueldade, o gol marcado no último minuto por Marcelinho na semi-final do Paulistão de 2001. Odir por sua vez prossegue contestando o Brasileirão de 2005 e lembrando o rebaixamento do Corinthians à Série B.

Ao final, são oferecidos ao leitor os dados principais sobre os dois clubes, o retrospecto dos jogos realizados entre eles, os dez maiores clássicos vistos pelos dois autores, um quadro com o resultado de todos os jogos disputados entre eles, e algumas fotos dos dois times ao longo dos anos.

Analisando a história dos confrontos entre Santos e Corinthians, é possível observar que  mesmo quando um clube está em melhor fase, o rival obtém algumas vitórias sobre ele. E isso também contribuiu para alterar a condição desse jogo para um clássico. Para quem é santista ou corinthiano, o livro é uma referência para quem quer saber mais sobre a história desse jogo. Para os torcedores dos demais times, é uma boa chance de entender o porquê de Pelé considerar esse clássico “o maior jogo do mundo".
 

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Postado por alexandre_anibal | Comentários (5)

Bozsik: O motor da Seleção de Ouro

Domingo, 29 Março 09, 01:17 PM

Quando fazemos alguma menção à seleção de futebol da Hungria, é impossível não nos lembrarmos de Kocsis, Czibor, Hidegkuti e principalmente de Puskas. Afinal de contas, eles formavam a linha de ataque da seleção magiar, apelidada de “Seleção de Ouro” pela beleza do futebol que praticava e que encantou todo o mundo na década de 50.

No entanto, para que a linha de ataque funcionasse com toda a força e para que a defesa não tomasse tantos gols, era necessário que o meio-campo também tivesse solidez e qualidade tanto para iniciar as jogadas de ataque quanto para destruir o poderio ofensivo dos adversários. E ninguém na Hungria foi mais eficiente nesse aspecto do que József Bozsik.

Nascido no mesmo bairro de Budapeste que Puskas, Kispest. “Cucu”, o apelido de infância de Bozsik, começou a jogar com ele e outros garotos num campinho chamado Lipták Grund. Apesar de dois anos mais velho que o atacante, tanto Bozsik quanto Puskas já eram selecionados pelos garotos mais velhos para jogar contra eles nos treinos do time juvenil.

Certo dia, um olheiro do Kispest AC, clube do bairro, viu Boszik em ação e resolveu convidá-lo a jogar no time. Treinado pelo pai de Puskas, o Kispest era conhecido pela rigidez de seus treinamentos, obrigando os atletas a treinar até dez horas por dia. Assim, esses métodos fizeram com que o meio-campista desenvolvesse força física e massa muscular suficientes para ingressar no time principal e começar a disputar os campeonatos nacionais. E então com 18 anos o jovem Bozsik estreou no time principal contra o Vasas.

Rápida ascensão e natural lembrete para a seleção

O Kispest começou a formar um time de respeito, embora o pai de Puskas tenha saído para dar lugar ao técnico Bela Guttman, então um técnico promissor, que já tinha ganho dois títulos húngaros. Com o passar do tempo, ser convocado para a seleção húngara era uma questão de tempo. E isso aconteceu em 1947, num jogo contra a Bulgária. Era a primeira de uma série de 101 convocações, o que faz de Bozsik o maior jogador a vestir a camisa da Hungria em todos os tempos.

Em 1950, Bozsik ajuda o Kispest, que no mesmo ano tornaria a chamar-se Honved (exército, em húngaro) devido às intervenções do governo comunista, a conquistar seu primeiro título nacional. Ao lado de Puskas, Kocsis, Czibor e o goleiro Grosics formaram um timaço, que seria temido por toda a Europa durante a década de 50. Como o clube era pertencente ao exército, todos os jogadores recebem patentes militares para poder receber pelos serviços prestados ao Honved, já que na Hungria o profissionalismo foi banido. No caso de Bozsik, ele recebeu a patente de capitão.

De acordo com o governo o sucesso do Honved, que era treinado por Gusztav Sebes, deveria ser replicado para a seleção. Como o governo já havia nomeado Sebes para a comissão selecionadora nacional, que era uma espécie de comitê que determinava quais jogadores deveriam defender a seleção húngara, o técnico decidiu fazer do Honved a base da seleção húngara e assim tentar reproduzir para o mundo o sucesso que o time do exército já conquistara no país.

Estava assim formada a estrutura principal da “Seleção de Ouro”. Bozsik então acompanha fielmente a seleção e o Honved, que conquista a hegemonia doméstica nos próximos anos. O primeiro título de respeito creditado à Seleção de Ouro foi a vitória do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 1952, onde a medalha de ouro foi conquistada de forma invicta. A Seleção de Ouro começava assim a escrever seu nome na História.


Da consagração à frustração com a Seleção de Ouro

Um ano depois da conquista da medalha olímpica, surgiu um convite para enfrentar a Inglaterra em Wembley. Os ingleses estavam invictos há nove anos e propuseram um encontro dos “pais do futebol” contra a “seleção sensação da Europa”. Os húngaros não perdiam um jogo desde 1950. A expectativa para o jogo era tanta que toda a imprensa inglesa chamou o jogo de “Jogo do Século”.

Bozsik não só fez parte do time que entrou em campo como ajudou a Seleção de Ouro a humilhar a Inglaterra na vitória por 6 a 3, fazendo um gol no começo do segundo tempo, calando fundo o templo maior do futebol inglês. Seis meses depois, já no início de 1954, foi marcada uma revanche em Budapeste e a Seleção de Ouro ganhou novamente, e por um placar ainda maior: 7 a 1. É, até hoje, a pior derrota da seleção inglesa em todos os tempos.

Com isso, a Hungria era a franca favorita para a conquista da Copa do Mundo, a ser realizada na Suíça no meio do ano. Com sua invencibilidade mantida, poucas pessoas na Europa e no mundo acreditavam que os magiares perderiam o título. Paralelamente, Bozsik era considerado o melhor meio-campista do mundo, dotado de extrema técnica, estilo e criatividade.

Iniciada a Copa, a Hungria confirmou o que todos esperavam: boas vitórias e futebol envolvente. No jogo contra o Brasil, válido pelas quartas-de-final, Bozsik foi expulso de campo juntamente com o lateral Nilton Santos por agressão mútua. Esse jogo ficaria conhecido como “A Batalha de Berna”, pois terminada a partida (com vitória húngara por 4 a 2) uma confusão generalizada deu lugar aos cumprimentos dos jogadores dos dois times. Como na época o regulamento não previa suspensão por expulsão, Bozsik participou normalmente da semi-final contra o então campeão mundial Uruguai. Assim, ajudou a Hungria a vencer novamente por 4 a 2, o que deixava a Seleção de Ouro a um jogo para a consagração definitiva do time que praticava o mais belo futebol do planeta.

Entretanto, a consagração dá lugar à frustração. Depois de quase cinco anos sem perder, a Hungria é derrotada na final da Copa pela Alemanha por 3 a 2, fica com o vice-campeonato e Bozsik, como todos os outros jogadores, saem de campo chorando e lamentando a grande oportunidade perdida.

Bozsik com a camisa da Hungria
Bozsik com a camisa da Hungria


Revolução, dissoluções e morte prematura

Após a Copa, Bozsik permaneceu no Honved e conquistou mais dois campeonatos húngaros, em 1954 e 1955. No ano seguinte, o time húngaro encontrava-se na Espanha realizando um tour por algumas cidades realizando amistosos. Foi quando veio a notícia de que a revolução húngara foi derrotada pelos soviéticos e com isso, tempos ainda mais difíceis os aguardavam no país.

Foi a chance que jogadores como Puskas, Kocsis e Czibor tiveram para não voltar para a Hungria e se estabelecer no exterior, onde ganhavam mais e podiam gozar de mais popularidade e conforto em relação ao país natal. Ao contrário deles, Bozsik voltou para o país normalmente e continuou jogando no Honved, Mas o time do exército já não era mais o mitológico esquadrão que encantava a todos os húngaros. Com a saída dos principais atacantes, o time não ganhou mais nenhum campeonato e amargou um jejum que somente seria quebrado em 1980.

Bozsik ainda foi convocado para a Copa de 1958, mas, como o Honved, o time húngaro também já não tinha o mesmo encanto que mostrara quatro anos antes e acabou eliminado na primeira fase pelo País de Gales. Bozsik jogou até os 37 anos, quando fez sua última partida pela Hungria contra o Uruguai.

Logo após sua aposentadoria dos gramados, Bozsik ainda era bastante querido pelo povo húngaro, pela torcida do Honved e pelo regime comunista que governava o país. Prova disso foi o convite feito pela direção do Honved para que se tornasse um membro da direção do clube. Dois anos após sua nomeação, Bozsik passou a ser o técnico do time e ficou no comando por um ano. Resultados ruins fizeram com que Bozsik voltasse para a diretoria.

Logo após a Copa de 1974, onde a Hungria não conseguiu classificar-se, Bozsik foi convidado pela federação húngara para comandar a seleção. Só comandou o time nacional em um jogo, sendo aconselhado pelos médicos a parar de trabalhar com o futebol, pois seu coração já dava sinais de fraqueza. Assim, Bozsik foi convidado para fazer parte da comissão técnica que tentaria classificar a Hungria para as finais da Eurocopa de 1976 e para a Copa do Mundo de 1978. O primeiro objetivo não foi alcançado, mas o segundo foi e a Hungria, depois de doze anos, estava classificada para a Copa.

Infelizmente, Bozsik não chegou a ver a estréia da seleção na Copa. Três dias antes do jogo contra a Argentina, ele sofre um ataque do coração e falece aos 52 anos. Puskas, muito sentido com a perda do grande amigo, não vai à Hungria, temendo ser preso pelo governo ou hostilizado pela população. Milhares de pessoas vão às ruas em seu funeral demonstrando respeito e carinho pelo ex-jogador que se tornou um símbolo do Honved e da Hungria. Como prova de respeito e gratidão, em 1986 o estádio do Honved foi batizado com o nome de Bozsik, eternizando assim seu nome na história do futebol húngaro.

Coluna publicada no site "Trivela", na seção "Relembre o Jogador"

József Bozsik

Nome completo:
József Bozsik
Data de nascimento:

28/11/1925
Data de Falecimento:

31/05/1978
Posição:

Meio-Campista
Clubes em que atuou:

Kispest, Pilisi Levente, Honved
Seleção (Hungria):

101 jogos, 11 gols

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Postado por alexandre_anibal | Comentários (1)

Eleições no Corinthians: E agora?

Quarta-feira, 11 Fevereiro 09, 09:45 PM

E nesse sábado 14, Dia dos Namorados em quase todo o mundo, serão realizadas as eleições no Corinthians para definir seu presidente e seus vices.
 
Temos três candidatos: Andrés Sanchez, Paulo Garcia e Osmar Stábile.

E é com esse quadro devemos nos preocupar.

Sabem o porquê? Simplesmente porque não há opções melhores.

Juntaram os candidatos em um ou dois debates (num deles Sanchez não compareceu), as propostas não variaram muito de um para outro e os presidentes se resumiram mais a responder questões pontuais do clube do que apresentar propostas de médio/longo prazo.

Como a oposição é incipiente, não acredito que eles derrotem o Andrés Sanchez.

Sobre o Andrés, não dá para confiar nele. Por mais que tenha feito uma administração aceitável, ele não desce. O fato de ele ter ajudado a MSI a entrar no Corinthians, sua ligação nada confiável com a Gaviões da Fiel e o episódio do "Palmeirinha" me fazem crer que temos muito mais um torcedor-presidente do que um presidente-torcedor.
 
Mas espero que o Corinthians dê à sua enorme nação de torcedores um presente digno de Dia dos Namorados nesse 14 de Fevereiro. É esperar para ver.

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Postado por alexandre_anibal | Comentários (3)