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O melhor time do Brasil é....?

Segunda-feira, 20 Abril 09, 03:40 PM

O meu, claro. Mas isso qualquer um pode dizer. Terá razão? Com a porta de entrada do quinto mês de 2009 à nossa frente, podemos dizer que temos um melhor time do Brasil? O principal confronto nacional até então, entre times de estados diferentes, foi o Sport x Palmeiras, mas são dois times médio-pequenos e até o momento não vi ninguém colocá-los como os melhores do ano. O Sport, pelo menos, sagrou-se sei-lá-quantas-vezes-seguidas campeão do seu estadual, enquanto o favorito ao título da Via Láctea sequer chegou nas finais do seu, sendo eliminado conforme dizia o regulamento - por dois resultados iguais - e faz uma justa campanha na Libertadores, considerando o histórico de seu treinador nessa competição. Mas é muito pouco para ambos.

Naturalmente, um dos maiores candidatos a melhor time é o São Paulo, tricampeão nacional, mesmo treinador, reforçado com a saída do Rogério Ceni e blábláblá. Mas observemos o que o time fez no campeonato estadual: nada. Chegou onde deveria por obrigação e foi literalmente engolido pelo Ronaldo. Aliás, um zagueiro que perde na corrida pro Ronaldo deveria ser banido do futebol.

Na Libertadores, porém, o SPFC faz uma boa campanha, já está classificado, mas perdeu boas oportunidades de somar pontos que podem ser valiosos na frente. Não adianta: se treinador quiser vir com aquela historinha de poupar aqui para ganhar ali, então que poupe sempre e entre com força máxima na Libertadores. Estadual tem todo ano. Se bem que, em se tratando de São Paulo, Libertadores também....

E quem eliminou o Tricolor? O Curintia está invicto há Deus sabe quanto tempo. Desde o purgatório do ano passado que o time não perde. Tem o maior atacante do Brasil (em tamanho), uma zaga que sabe defender MESMO e um treinador cujas emoções são um mistério maior do que o destino de Atlântida. Mas se analisarmos a campanha gambástica no Paulista-09, apesar do cabaço intacto, não foi também esse orgasmo todo. Foi o time que mais empatou, inclusive com potências rebaixadas como Mirassol Marília e Guarani. Mas empate também dá ponto, né? Assim sendo, levaram uma vaga para as semis e o time do presidente dublê de monstro de filme B agora está na final com a vantagem de decidir na casa alugada. Contra um bando de moleques insolentes.

O Santos tem lá uma creche cuja imprensa especializada acredita que dará frutos, e torce por isso pois significa mais jornais para vender e mais nomes para exigir uma convocação na Seleção. Mas o time tem Rodrigo Souto. Parem e pensem: pode um time com Rodrigo Souto ser o melhor do Brasil? Não, né?

Já que falamos do Santos, vamos continuar na praia e seguimos para o Balneário. Será rápido.

O Vasco está na segunda divisão. Próximo.

O Florminense tem uma equipe forte no papel. É o que mais gostam, de serem fortes no papel, mas só fazem papelão. O pé-de-uva no banco é um ótimo treinador para criar barreiras e esquemas intransponíveis. Pena que seu goleiro é mais "transponível" (sic) do que uma moça da noite na Rua Augusta. No ataque, Willy Conca não está jogando nada, Fred está jogando o seu normal e Thiago Neves está jogando a bola no gandula.

O Botafogo é mais uma vez o time do joga-bonito, do encanta-jornalista e que faz o Armando Nogueira recitar poemas sobre passarinhos gregos. Mas não lota seu estádio (alugado pelo valor de um apartamento na Lagoa) e corre o seríssimo risco de alcançar um feito até hoje atingido por muitos poucos, o de ser tri-vice. Era cantado em verso e prosa como o time a ser batido no Rio, mas tomou no Cano duas vezes na Copa do Brasil e tornou-se no máximo uma força na Zona Sul carioca.

E o Flamengo? Oh, meu Mengão... É quase o mesmo time do ano passado, mas os dirigentes finalmente perceberam a incapacidade de Obina em marcar gols, chutar, passar a bola, pensar, andar, respirar e outras funções vitais (exceto comer, o que faz com desenvoltura) e trouxeram um atacante no mesmo nível, um tal de Josiel. A magnética virá em polvorosa dizer que estou louco, que Josiel fez gols importantes contra potências do naipe de Volta Redonda, Duque de Caxias, Mesquita, Botafogo e Resende. Pois é, Resende. Diga para qualquer pessoa do país a seguinte frase: "meu time é o melhor e a derrota por 3x1 para o Resende, na final da Taça GB, foi acaso, foi o imponderável". Se você conseguir dizer isso sem rir, aconselho procurar ajuda profissional.

Mas não é que o Mengaço poderá ser tricampeão carioca pela quinta vez em sua história? Que tal ser campeão brasileiro pela sexta? Não dá, ou o time paga os salários ou as dívidas e o brasileiro é muito longo para enganar o time por tanto tempo. Já a torcida, ahh, essa se contenta com qualquer migalha.

Saindo da Cidade Calamitosa para Porto (muito) Alegre, eu vejo a minha aposta de melhor time do Brasil. O Grêmio faz ótima campanha na Libertadores, boa parte dela com Celso Roth no comando, algo que talvez Chuck Norris conseguisse. Mas perdeu os três jogos mais importantes do ano, os três Gre-Nais. E ninguém que perde o principal clássico da vida três vezes seguidas pode ser considerado o melhor de alguma coisa, certo? Mas, e quem ganha esses clássicos?

O Inter é minha aposta. Parece o Dream Team americano de 1992 (guardadas as monstruosas devidas proporções). Um monte de jogador bom enfrentando uma sequência de galinhas-mortas e enfiando gol atrás de gol. A rigor mesmo, o Colorado só enfrentou o Grêmio e venceu. De resto, que time do campeonato gaúcho joga futebol como nós conhecemos? Decerto que não é o Caxias, se é que pode ser chamado de time.

O Inter precisa ainda mostrar seu potencial na Copa do Brasil e no Brasileiro. Time pra isso tem, de sobra, mas falta só um detalhe que infelizmente jamais poderão mudar: não estão no eixo. Logo, se ganharem do Curintia, as mesas-acéfalas passarão 50 minutos discorrendo sobre os motivos da derrota do paulista, ao invés de dar mérito ao gaúcho.

E em Minas? É difícil dizer que um campeonato onde Diego Retardelli faz gols até no aquecimento pode ser considerado uma competição de alto nível. Mais uma vez de acordo com o script, Galo e Raposa vão decidir o título do estado. Sinceramente, nem sei porque ainda disputam esse negócio. Nem para treinar serve, visto os resultados do Atlético nos últimos brasileiros desde 1972. E o Cruzeiro parece estar sempre concentrado em outro canto, enquanto joga partidas protocolares em Minas. Por que não fazem logo dois jogos entre os times, definam o título e passem o resto do tempo treinando para o Brasileiro?

Quanto ao resto do Brasil, desculpem, mas minha paciência para ver futebol se esgota nesses cantos aí.

O que acho é que estadual não serve para nada além do que já se propõe mesmo. É muita insolência alguém falar que tem o melhor do time do país, baseando-se em confrontos tão importantes e imprevisíveis quanto o capítulo final de Vale a Pena Ver de Novo. Mas o que mais temos no futebol e na vida é gente se achando melhor do que as outras por causa de um trabalhinho ocasional, como comentaristas esportivos e blogueiros de ocasião, ou não é?

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Postado por LucasDL | Comentários (27)

Reborn

Domingo, 08 Março 09, 08:56 PM

Hoje eu vi o jogo do Curintia. E vi por causa do Ronaldo. Pronto, falei. Reinerio, pode rir. Quer dizer, vi em termos. A TV tava ligada, mas eu fiquei mais concentrado na guitarra enquanto passava umas músicas do Metallica na minha nova Gibson Les Paul Standard (eu tenho! HAHAHA chorem, sofredores - igual a essa que esse cara aqui usa).

Muito se dirá do Ronaldo a semana toda, de sua volta, renascimento, gols e mais gols yadda yadda yadda, mas enquanto eu tocava, os riffs de Hetfield explodiam na caixa sonora e muitas coincidências eu posso encontrar entre uma das maiores bandas de metal do mundo e um dos mais famosos e vitoriosos camisa 9 da história.

Nunca neguei aqui ou em qualquer lugar que eu considero o R9 com meia perna, mas querendo, muito melhor melhor do que o segundo melhor atacante do planeta, com dois corpos de vantagem. Porém, não o escalo na minha seleção de todos os tempos (dos que vi jogar - Dasaiev, Leandro, Aldair, Gamarra, Roberto Carlos, Junior, Zidane, Maradona, Zico, Van Basten e Romário) e acho que o Ronaldo de hoje não é mais o mesmo de outrora. Nem o Metallica.

Três cds espetaculares, uma história grandiosa na música e a banda caiu em descrédito com mídia e fãs graças a atitudes lamentáveis e trabalhos esquecíveis. Todo o respeito conquistado não servia para nada e apenas palavras agressivas eram destinadas ao quarteto californiano. Ronaldo, por sua vez, mesmo com todas as glóricas alcançadas sempre foi colocado em dúvida. Foi antes de 2002, antes de 2006, antes de ir para o Real, para o Milan e agora no Curintia.

Quis o destino que quando ele entrasse em campo hoje eu estivesse passando o solo de The God That Failed. Será que ele falharia? A música tem o seu estilo soturno, pesado e misterioso que fala da morte da mãe de James Hetfield, que, católica, preferiu aguardar a cura divina ao invés de aceitar um médico para tratar de seu câncer. Ronaldo sempre teve os melhores médicos ao seu redor, mas há quem diga que Deus (o do céu, não o do Flamengo) o vigia de perto e garante que seus joelhos sempre sejam consertados.

One entrou no winamp e não tem como não ligar a letra ao jogador. Na música, um soldado narra seu drama de não poder se comunicar com ninguém no mundo exterior, pois uma mina terrestre lhe tirou braços, pernas, visão, audição e fala etudo o que ele queria era morrer. Tá, tudo bem, Ronaldo não ficou nem perto disso, mas eu não lembro de um jogador que tenha apanhado tanto dos bisturis e ainda insista em voltar, contra tudo e todos. O soldado queria morrer mas não tinha como pedir a ninguém. Ronaldo quer mostrar que está vivo, embora meio-mundo já tenha lhe dado a extrema unção.

Ronaldo e Metallica há muito que deixaram de ser normais. Qualquer atitude de ambos é vigiada de perto pelos fãs e mídia. A força dos dois é enorme e todos sabemos disso, mas ficamos esperando um deslize, um erro, uma falha que mostre que não são nada demais. É do ser humano, natural. Mas ficamos felizes quando mais uma vez eles acertam, ou façam algo bom depois de tantas besteiras.

Ronaldo ainda está gordo e vai demorar bastante para voltar a ser 40% do fenômeno, it's sad, but true, mas ele está longe de ser um herói dispensável. Como o Metallica não pode jamais deixar de ser considerada uma das maiores e mais importantes bandas da história do rock. Depois de Load, Reload e St Anger (merda, remerda e santa merda), eis que os caras lançam o ótimo Death Magnetic com uma faixa - Broken, Beat and Scarred - que simboliza perfeitamente a situação dos dois astros.

You rise, you fall, your down, then you rise again
What don't kill you make you more strong
Broken, beat and scarred
But we die hard

Apanharam, caíram, se levantaram, apanharam de novo, caíram mais fundo e voltaram. O Metallica enche as turnês de novo com seu som nervoso. É o que sabem fazer, música para abrir roda e berrar até estourar as cordas vocais. E Ronaldo é gol. É o que sabe fazer. É o que precisa fazer. Se vai conseguir ou não, isso é assunto para outra hora. O que importa hoje é a volta de um gigante. E os mortais que mostrem sua reverência daqui em diante.

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Postado por LucasDL | Comentários (1)

Meus 10% de participação na polêmica

Quinta-feira, 12 Fevereiro 09, 09:37 AM

O blog é de futebol Carioca, mas como já disse uma vez para um mal-educado de ocasião, primeiramente (não gosto dessa palavra), ele é meu, portanto escrevo sobre o que eu quiser. E me deu na telha falar desse assuntinho chato de ingressos no campeonato do arraial.

Eu sempre disse aqui ou em qualquer lugar que sou plenamente a favor do time jogar em sua casa. O Vasco mande seus jogos na pocilga, o São Paulo no Morumbi, o Grêmio no Olímpico e o Bangu em Moça Bonita. Lógico que o clube mandante é o responsável pelo andamento do espetáculo e que não coloque a culpa em terceiros, típico comportamento do brasileiro comum. Esse papo de "time que não tem estádio joga onde mandarem" é balela de torcedorzinho deslumbrado. Flamengo e Milan jogam em estádios públicos, não à toa são rubro-negros e são os maiores, mas isso é outra história.

Porém, todatanto, entretudo, convia, a atitude do SP em liberar só 10% para o Curintia é, na minha opinião, um ato mesquinho e oportunista. Utilizaram uma lei que não permite concessões e um regulamento falho proposto por uma Federação que age como a TAM: só visa o lucro e dane-se a plebe.

Tivesse o Campeonato Paulista a opção de returno, ninguém questionaria o SP, mas dado o regulamento esdrúxulo, o Curintia não terá opção de aplicar o mesmo nem tampouco de recuperar uma grana perdida. Terá que aceitar e pronto. No Brasileiro, o SP fará o mesmo ou até poderá moderar, já que não se trata de uma competição caseira, enchendo os cofres de bufunfa aproveitando o BOOOM da volta corintiana à primeira divisão.

Como fará três clássicos durante o estadual, o SP ainda poderá usar desse subterfúgio uma vez, contra o Palmeiras. Resumindo em miúdos, o Tricolor terá dois clássicos em casa, enquanto o Corinthians apenas um, que sairá para enfrentar verdes e tricolores, só recebendo o Santos. No jogo contra o Palmeiras, o alvinegro não terá o mando de campo, mas aposto com quem quiser que a polícia vetará qualquer estádio senão o Morumbi para a realização do jogo. Ainda mais se o R9 realmente jogar, aí que não será lá MESMO. E o estádio em Perdizes terá mandado apenas um clássico, já que o Choque-Rei está marcado para o Morumbi e até a partida contra a Lusa será fora, no Canindé.

Assim, três clássicos serão disputados no maior estádio paulista, com boa grana, visibilidade e marketing pro São Paulo. Isso é condenável? Não, claro que não. Azar de quem não tem um estádio grande o suficiente para comportar as torcidas, mas a atitude do SP não deixa de ser antiética.

O melhor mesmo seria a Federação determinar um campeonato com turno e returno e consequentemente menos equipes. Vinte times num estadual é um exagero absurdo (tal como no Rio não deveriam ter mais de 10, se muito!!). Fosse dessa forma, os santistas veriam sua equipe jogando três clássicos em casa, os corintianos teriam mais tempo para dizer que Ronaldo estreará contra não sei quem, o Palmeiras não teria que discutir com a polícia antes de cada partida desse porte para provar que o estádio pode receber os adversários e o SP poderia dar 10% de ingressos para quem quisesse. Inclusive para sua própria torcida, que não costuma utilizar muito mais do que isso no estádio mesmo...

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Postado por LucasDL | Comentários (15)

Placar mostra 0x0 em jornalismo

Quinta-feira, 11 Dezembro 08, 11:47 AM


 
Confesso que passei um bom tempo esperando uma escorregada dessas. A revista que brilhou nos anos 70 e 80 com matérias interessante, furos e uma visão diferenciada do futebol brasileiro, hoje consegue se equiparar à vergonhosa época de futebol, mulher e rock 'n roll de meados de 90. Não pelo tamanho gigante que mais parecia jornal de brinquedo do boneco Flash Gordon, mas pela quantidade de asneiras, matérias mais do mesmo e informações de jornalismo zero que entopem suas páginas. 
 
A Placar virou uma versão boleira de Caras e se preocupa mais em mostrar o jogador em seu habitat caseiro do que realmente destrinchar um esquema de time vencedor. Poucos são os textos realmente proveitosos e inspirados. As entrevistas se repetem a cada dois meses. Querem apostar que ainda leremos uma matéria com Robinho até fevereiro, mesmo que nada de relevante aconteça em sua vida? Ou um perfil do Rogerio Ceni igual a qualquer outro já feito só para dizer que ele é o cara da Seleção?

Aliás, ela decidiu agora que o goleiro do São Paulo é o craque do Brasileirão. Apenas ela. Na eleição da CBF, feita por jornalistas e treinadores, ele não foi sequer o melhor goleiro. Há muito que a Bola de Ouro caiu no ostracismo.

Através de matérias sensacionalistas, como estampar problemas pessoais de ex-jogadores, ou escritas com fontes buscadas na boataria, a Placar foi colecionando  fracassos que o povo vai percebendo ao longo dos meses. Antes da Copa América de 2007, a revista publicou extensa matéria mostrando como e porque o Brasil seria eliminado cedo para ver a Argentina levantar a taça no final.

Eis que após esse comportamento, a publicação ainda reclama quando o treinador não lhe dá uma entrevista. O mesmo faz Romário, porque a Placar resolveu que o jogador não estava perto dos 1000 gols. Na ausência de um critério oficial para a contagem, a citada fez o seu e se recusou a aceitar o que Romário dizia. Resultado: o mundo inteiro noticiou o fato, menos a principal revista mensal de futebol do Brasil. Porque ela não quis. 

A mais nova errata é a contratação de Ronaldo. Placar estampou a capa acima. Como se sabe hoje, errou feio. As fontes da revista precisam se atualizar, pois faz tempo que não acerta uma. E pior, a revista, numa autêntica atitude Veja de ser, se colocou acima do resto da imprensa, esnobando os jornalistas que davam a notícia. Essa capa mostra claramente a humildade da revista. A mesma que publica um dossiê sobre a convocação de Ronaldinho Gaúcho baseada numa fonte que teria ouvido, em algum momento dos 90 minutos de Brasil x Argentina, Ricardo Teixeira dizer "assim não dá". A revista, inclusive, deve estar espumando de raiva por não ter inventado a troca de treinadores antes de Renato Maurício Prado, outro pródigo contador de histórias. 

Espero que ao fim dessa história, a Placar realmente cumpra o que diz em seu título e trate o assunto Ronaldo - Corinthians como ela julga ser merecedor. Ignore e vá procurar outros textos porque ela não tem direito de abordar essa questão. No campo da moral e do jornalismo, a revista acabou de dar uma barriga fenomenal. Com trocadilho.

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Postado por LucasDL | Comentários (24)

Saindo do armário

Terça-feira, 09 Dezembro 08, 12:19 PM

Antes de mais nada, é bom ressaltar que R9 pode jogar onde quiser, quando quiser e como quiser. Isso é direito dele. Se o Andrade jogou no Vasco, tendo sido inclusive campeão brasileiro por lá e hoje é tratado, merecidamente, como monstro-sagrado do Flamengo, por quê Ronaldo, que não fez nada mais pelo clube do que qualquer jogador-torcedor, não pode ir para outra equipe?

Vivemos cobrando profissionalismo de jogadores, mas quando um deles decide seguir sua vida, logo jogamos na cara que ele disse isso ou aquilo. Hipocrisia no dos outros é refresco.

Mas, ainda assim, não há como não lamentar a decisão do Fenômeno em ir para o Curintia. Não pelo time em si, acho que se merecem e explicarei depois, mas pela forma como foi conduzido. Essa não é uma negociação da noite para o dia. Com certeza estavam conversando há tempos enquanto o Flamengo declarava seu desejo em contar com o jogador quando estivesse recuperado. Abriu suas portas e gastou o dinheiro que não possuía para lhe dar condições. O fez se sentir em casa.  

E Ronaldo saiu pela janela. Nem mesmo se propôs a dizer "ei, obrigado por tudo, mas eu to indo embora. Não sei se conseguirei realizar meu trabalho aqui da forma que desejo, não quero conviver com atrasos de salários e torcida invadindo treino. Por isso, vou procurar outro canto e estou negociando com um time brasileiro, ok?". Pronto, simples, honesto e honrado. O Flamengo que se virasse para dar suas explicações de araque para a torcida e inventasse desculpas esfarrapadas para disfarçar o óbvio.

Só que Ronaldo, mais uma vez em sua vida, preferiu o outro lado e de novo destroça sua imagem pré-fabricada de bom moço. A amizade ferrenha com Pitta e Martins, os casamentos fracassados por chifres em demasia, a Ferrari nas ruas do Rio, os 90 kg na Copa de 2006, as barrigas, os cigarros, os travecos... agora a dissimulação. Como acreditar em qualquer coisa que Ronaldo falará daqui em diante? Qualquer uma? O que Ronaldo pode dizer que o atraiu no Curintia, que o Flamengo não poderia oferecer?

Time para ser campeão? O paulista ganhou a Serie B, com louvor, mas a Serie B. Terá que se refazer completamente para disputar o campeonato de gente grande. O Flamengo não venceu a Serie A, mas seu time é melhor do que o corintiano e ainda há de se reforçar, talvez, não sei, quem sabe?

Torcida? Ronaldo é carioca, é Flamengo, é fã de Maracanã e gosta de jogar sempre para os mais populares. E escolheu o segundo mais popular, cuja torcida não só invade treino, como campo de jogo em caso de derrota.

Estádio? O Flamengo não tem. Nem o Curintia.

Salários? O Curintia também os atrasa. Na Serie B, com uma folha salarial menor devido aos custos e receitas da competição, segurou a onda. Mas agora que subiu vai inflacionar tudo de novo. Por mais que o dele não demore a pingar, graças à patrocinadores, o do time não terá essa garantia. E a bola começará a chegar menos aos seus pés.  

Competição? O Curintia e o Flamengo disputarão exatamente as mesmas, exceção, claro, dos estaduais. Se ele quer algo mais fácil para retomar a carreira, o carioca estava na medida para brilhar e jogaria apenas no Maracanã, no máximo Engenhão ou Édson Passos.

Vida noturna? São Paulo é melhor, mas para um cara como Ronaldo, a Vila Olímpia está a apenas 50 minutos da Barra da Tijuca.

Seleção? Basta saber que a CBF e a Globo ficam no Rio.  

Nike? É a mesma no Flamengo, mas alguma sapiência achou que era de bom tom romper do nada o contrato.  

Proposta? Aí sim. O Curintia apresentou uma proposta. Ponto. O Flamengo deitou. Essa foi a diferença. Alguém no time paulista pensou na hipótese e correu atrás. No Rio, ficaram esperando eternamente até que Ronaldo os chamasse à mesa. Contaram com o tal cósmico. Agora estão surpresos. Como ficaram surpresos com Cabanas. Como ficaram surpresos com o Goiás, o Atletico Mineiro.  

Mais um ano de falácias. Só do Kleber Leite já foram cinco. Disse que o time não jogaria na altitude e jogou. Disse que Romário encerraria a carreira no Flamengo, para desgosto de muitos como eu, e não aconteceu. Tivemos que ouvir Eurico tripudiar. Disse que venderia Renato Augusto para contratar Felipe, Wagner Love e formaria uma Seleção.Trouxe Vandinho, Josiel, Fernandão e outros, os mais cotados para subir na barca 2009. Disse que Caio Jr era seu treinador até o ano que vem e triplicou seu salário para garantir. Hoje já conversa com outros nomes. E disse que, no Brasil, Ronaldo só jogaria no Flamengo.  

Mas Ronaldo também disse. Se declarou "n" vezes. Disse inclusive que pensava em encerrar a carreira, mas queria jogar no Flamengo antes. Nos colocou até na Pole-Position. Mas como o carro rubro-negro é rápido como um Lada e o motorista tem mais pontos perdidos na habilitação do que o Edmundo, rodamos na primeira curva.

Ao Flamengo, obrigado por mais um mico em 2008. O ano que vem promete e estamos ansiosos pelas novas bravatas que a torcida vai comprar como água em Bangu. E não duvido que ouviremos essa história novamente muito em breve.

Ao Ronaldo, vá pro Curintia e fique. Um clube que teve título bancado pela máfia russa e venera entre outros, Marcelinho Carioca, Edílson, Vampeta e Rincón vai te receber de braços abertos. E que você nunca mais diga que confundiu as bolas que contratou nas ruas.

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