Segunda-feira, 20 Abril 09, 03:40 PM
Domingo, 08 Março 09, 08:56 PM
Hoje eu vi o jogo do Curintia. E vi por causa do Ronaldo. Pronto, falei. Reinerio, pode rir. Quer dizer, vi em termos. A TV tava ligada, mas eu fiquei mais concentrado na guitarra enquanto passava umas músicas do Metallica na minha nova Gibson Les Paul Standard (eu tenho! HAHAHA chorem, sofredores - igual a essa que esse cara aqui usa).
Muito se dirá do Ronaldo a semana toda, de sua volta, renascimento, gols e mais gols yadda yadda yadda, mas enquanto eu tocava, os riffs de Hetfield explodiam na caixa sonora e muitas coincidências eu posso encontrar entre uma das maiores bandas de metal do mundo e um dos mais famosos e vitoriosos camisa 9 da história.
Nunca neguei aqui ou em qualquer lugar que eu considero o R9 com meia perna, mas querendo, muito melhor melhor do que o segundo melhor atacante do planeta, com dois corpos de vantagem. Porém, não o escalo na minha seleção de todos os tempos (dos que vi jogar - Dasaiev, Leandro, Aldair, Gamarra, Roberto Carlos, Junior, Zidane, Maradona, Zico, Van Basten e Romário) e acho que o Ronaldo de hoje não é mais o mesmo de outrora. Nem o Metallica.
Três cds espetaculares, uma história grandiosa na música e a banda caiu em descrédito com mídia e fãs graças a atitudes lamentáveis e trabalhos esquecíveis. Todo o respeito conquistado não servia para nada e apenas palavras agressivas eram destinadas ao quarteto californiano. Ronaldo, por sua vez, mesmo com todas as glóricas alcançadas sempre foi colocado em dúvida. Foi antes de 2002, antes de 2006, antes de ir para o Real, para o Milan e agora no Curintia.
Quis o destino que quando ele entrasse em campo hoje eu estivesse passando o solo de The God That Failed. Será que ele falharia? A música tem o seu estilo soturno, pesado e misterioso que fala da morte da mãe de James Hetfield, que, católica, preferiu aguardar a cura divina ao invés de aceitar um médico para tratar de seu câncer. Ronaldo sempre teve os melhores médicos ao seu redor, mas há quem diga que Deus (o do céu, não o do Flamengo) o vigia de perto e garante que seus joelhos sempre sejam consertados.
One entrou no winamp e não tem como não ligar a letra ao jogador. Na música, um soldado narra seu drama de não poder se comunicar com ninguém no mundo exterior, pois uma mina terrestre lhe tirou braços, pernas, visão, audição e fala etudo o que ele queria era morrer. Tá, tudo bem, Ronaldo não ficou nem perto disso, mas eu não lembro de um jogador que tenha apanhado tanto dos bisturis e ainda insista em voltar, contra tudo e todos. O soldado queria morrer mas não tinha como pedir a ninguém. Ronaldo quer mostrar que está vivo, embora meio-mundo já tenha lhe dado a extrema unção.
Ronaldo e Metallica há muito que deixaram de ser normais. Qualquer atitude de ambos é vigiada de perto pelos fãs e mídia. A força dos dois é enorme e todos sabemos disso, mas ficamos esperando um deslize, um erro, uma falha que mostre que não são nada demais. É do ser humano, natural. Mas ficamos felizes quando mais uma vez eles acertam, ou façam algo bom depois de tantas besteiras.
Ronaldo ainda está gordo e vai demorar bastante para voltar a ser 40% do fenômeno, it's sad, but true, mas ele está longe de ser um herói dispensável. Como o Metallica não pode jamais deixar de ser considerada uma das maiores e mais importantes bandas da história do rock. Depois de Load, Reload e St Anger (merda, remerda e santa merda), eis que os caras lançam o ótimo Death Magnetic com uma faixa - Broken, Beat and Scarred - que simboliza perfeitamente a situação dos dois astros.
You rise, you fall, your down, then you rise again
What don't kill you make you more strong
Broken, beat and scarred
But we die hard
Apanharam, caíram, se levantaram, apanharam de novo, caíram mais fundo e voltaram. O Metallica enche as turnês de novo com seu som nervoso. É o que sabem fazer, música para abrir roda e berrar até estourar as cordas vocais. E Ronaldo é gol. É o que sabe fazer. É o que precisa fazer. Se vai conseguir ou não, isso é assunto para outra hora. O que importa hoje é a volta de um gigante. E os mortais que mostrem sua reverência daqui em diante.
Quinta-feira, 12 Fevereiro 09, 09:37 AM
O blog é de futebol Carioca, mas como já disse uma vez para um mal-educado de ocasião, primeiramente (não gosto dessa palavra), ele é meu, portanto escrevo sobre o que eu quiser. E me deu na telha falar desse assuntinho chato de ingressos no campeonato do arraial.
Eu sempre disse aqui ou em qualquer lugar que sou plenamente a favor do time jogar em sua casa. O Vasco mande seus jogos na pocilga, o São Paulo no Morumbi, o Grêmio no Olímpico e o Bangu em Moça Bonita. Lógico que o clube mandante é o responsável pelo andamento do espetáculo e que não coloque a culpa em terceiros, típico comportamento do brasileiro comum. Esse papo de "time que não tem estádio joga onde mandarem" é balela de torcedorzinho deslumbrado. Flamengo e Milan jogam em estádios públicos, não à toa são rubro-negros e são os maiores, mas isso é outra história.
Porém, todatanto, entretudo, convia, a atitude do SP em liberar só 10% para o Curintia é, na minha opinião, um ato mesquinho e oportunista. Utilizaram uma lei que não permite concessões e um regulamento falho proposto por uma Federação que age como a TAM: só visa o lucro e dane-se a plebe.
Tivesse o Campeonato Paulista a opção de returno, ninguém questionaria o SP, mas dado o regulamento esdrúxulo, o Curintia não terá opção de aplicar o mesmo nem tampouco de recuperar uma grana perdida. Terá que aceitar e pronto. No Brasileiro, o SP fará o mesmo ou até poderá moderar, já que não se trata de uma competição caseira, enchendo os cofres de bufunfa aproveitando o BOOOM da volta corintiana à primeira divisão.
Como fará três clássicos durante o estadual, o SP ainda poderá usar desse subterfúgio uma vez, contra o Palmeiras. Resumindo em miúdos, o Tricolor terá dois clássicos em casa, enquanto o Corinthians apenas um, que sairá para enfrentar verdes e tricolores, só recebendo o Santos. No jogo contra o Palmeiras, o alvinegro não terá o mando de campo, mas aposto com quem quiser que a polícia vetará qualquer estádio senão o Morumbi para a realização do jogo. Ainda mais se o R9 realmente jogar, aí que não será lá MESMO. E o estádio em Perdizes terá mandado apenas um clássico, já que o Choque-Rei está marcado para o Morumbi e até a partida contra a Lusa será fora, no Canindé.
Assim, três clássicos serão disputados no maior estádio paulista, com boa grana, visibilidade e marketing pro São Paulo. Isso é condenável? Não, claro que não. Azar de quem não tem um estádio grande o suficiente para comportar as torcidas, mas a atitude do SP não deixa de ser antiética.
O melhor mesmo seria a Federação determinar um campeonato com turno e returno e consequentemente menos equipes. Vinte times num estadual é um exagero absurdo (tal como no Rio não deveriam ter mais de 10, se muito!!). Fosse dessa forma, os santistas veriam sua equipe jogando três clássicos em casa, os corintianos teriam mais tempo para dizer que Ronaldo estreará contra não sei quem, o Palmeiras não teria que discutir com a polícia antes de cada partida desse porte para provar que o estádio pode receber os adversários e o SP poderia dar 10% de ingressos para quem quisesse. Inclusive para sua própria torcida, que não costuma utilizar muito mais do que isso no estádio mesmo...
Quinta-feira, 11 Dezembro 08, 11:47 AM
Aliás, ela decidiu agora que o goleiro do São Paulo é o craque do Brasileirão. Apenas ela. Na eleição da CBF, feita por jornalistas e treinadores, ele não foi sequer o melhor goleiro. Há muito que a Bola de Ouro caiu no ostracismo.
Através de matérias sensacionalistas, como estampar problemas pessoais de ex-jogadores, ou escritas com fontes buscadas na boataria, a Placar foi colecionando fracassos que o povo vai percebendo ao longo dos meses. Antes da Copa América de 2007, a revista publicou extensa matéria mostrando como e porque o Brasil seria eliminado cedo para ver a Argentina levantar a taça no final.
Eis que após esse comportamento, a publicação ainda reclama quando o treinador não lhe dá uma entrevista. O mesmo faz Romário, porque a Placar resolveu que o jogador não estava perto dos 1000 gols. Na ausência de um critério oficial para a contagem, a citada fez o seu e se recusou a aceitar o que Romário dizia. Resultado: o mundo inteiro noticiou o fato, menos a principal revista mensal de futebol do Brasil. Porque ela não quis.
A mais nova errata é a contratação de Ronaldo. Placar estampou a capa acima. Como se sabe hoje, errou feio. As fontes da revista precisam se atualizar, pois faz tempo que não acerta uma. E pior, a revista, numa autêntica atitude Veja de ser, se colocou acima do resto da imprensa, esnobando os jornalistas que davam a notícia. Essa capa mostra claramente a humildade da revista. A mesma que publica um dossiê sobre a convocação de Ronaldinho Gaúcho baseada numa fonte que teria ouvido, em algum momento dos 90 minutos de Brasil x Argentina, Ricardo Teixeira dizer "assim não dá". A revista, inclusive, deve estar espumando de raiva por não ter inventado a troca de treinadores antes de Renato Maurício Prado, outro pródigo contador de histórias.
Espero que ao fim dessa história, a Placar realmente cumpra o que diz em seu título e trate o assunto Ronaldo - Corinthians como ela julga ser merecedor. Ignore e vá procurar outros textos porque ela não tem direito de abordar essa questão. No campo da moral e do jornalismo, a revista acabou de dar uma barriga fenomenal. Com trocadilho.
Terça-feira, 09 Dezembro 08, 12:19 PM
On Não acabou, mesmo.