Domingo, 29 Abril 07, 11:08 PM
Terminada a primeira rodada das finais estaduais, vale um estudo sobre essa mania da imprensa esportiva em opinar, palpitar, sugerir, ao invés de noticiar.
Basta ver que os melhores times do Brasil, segundo os intelectuais da bola, estão caindo pelas tabelas, um a um. Começou com o Internacional, campeão do mundo e da Libertadores, decantado como o melhor elenco, treinador que merece a Seleção, modelo disso e daquilo. Pois é, eu vi. Humilhado no Gaúcho e escorraçado na Libertadores.
Qual era o segundo melhor time? O tal Tricolor do “Morumtri”. É...técnico de Seleção, time arrumado, elenco superior aos demais, caiu de quatro no estadual, onde era desde a primeira rodada, um dos finalistas, segundo a crítica especializada.
Lá fora, falavam do River Plate como favorito na Libertadores, isso só por causa da camisa e da história do time, sem nem se importarem em saber como estavam atualmente.
Hoje foi o caso do Santos. Técnico para a Seleção, elenco entrosado e valorizado, time arrumadinho, melhor jogador do Brasil, blá, blá, blá... Tem condições para reverter o resultado domingo que vem? Sim, mas não porque é o “melhor time do Brasil”, mas porque futebol é assim. E é onde quero chegar.
O tempo todo, a semana inteira, eu ouço e leio os mais diversos comentários sobre o futebol brasileiro, mas sempre é a opinião de um e de outro. Se você criticar, logo dirão que fala isso e aquilo baseado nos números, na posição da tabela, nos jogadores e tudo mais. Balela das mais irritantes. O futebol já mostrou na história que esse papo de “é melhor” não existe. O Brasil já perdeu final em casa. Itália foi eliminada em Copa pela Coréia. Portugal apanhou da Grécia numa final de Eurocopa no próprio país. Existem milhões de explicações para cada jogo. Pode ser o juiz que erra e muda o jogo, um frango, um monte de situações. Por isso que futebol é excitante. Tudo se pensa, nada se realiza, ao contrário do basquete, onde o favorito invariavelmente vence. Existe zebra? Claro, mas você conta nos dedos de uma mão as vezes que aconteceram.
Por isso, eu acho que a imprensa deve se ater à profissão e ficar só na notícia. Eu não vou chegar aqui e dizer que ninguém deve mais opinar nada. Só to cansado dessa mania de sacramentar os
resultados antes dos 90 minutos. Mas se os colunistas se calarem, vai aumentar a fila do desemprego. Tem gente que só sabe fazer isso. Pior, erra tudo. Nem isso sabe. Depois, passa a semana dando
desculpa esfarrapada.
Amanhã eu falo sobre o clássico do Rio, onde time grande de verdade decide título. E o Troféu Léo Morelli vai para o goleiro Fábio, do Cruzeiro.
On Foi pra isso?