Sexta-feira, 13 Junho 08, 10:24 PM
Por Oswaldo Tinhorão, especial pro Blog.
Foi no ano da Graça de 1988, há duas décadas completas. O Presidente da República atendia pelo nome de José Ribamar Sarney, mas ninguém tinha votado nele: não se votava para Presidente havia
exatos 28 anos. A União Soviética estava viva e bulindo, e o Muro de Berlim era um impávido colosso. Em Roma, Sua Santidade, o Papa João Paulo II, ainda se fazia chamar "o Papa-Atleta", para
vocês terem uma idéia de quanto tempo faz. O aiatolá Khomeini era figurinha fácil nos noticiários, e seus cornos furibundos estampavam uma bandeira insólita da Torcida Jovem do Flamengo ("a
bênção, aiatolá / nosso povo te abraça").
Cá no Brasil, a moeda da semana era o cruzado, mas não ia demorar a ser substituída pelo cruzado novo. Em Brasília, 559 ilustrados cavalheiros (entre eles o sr. Márcio Braga) elaboravam uma
Constituição que legislou até sobre o Colégio Pedro II, e que estabelecia bases tão adequadas para o desenvolvimento nacional que teve de ser emendada 62 vezes em vinte anos. O Prefeito da mui
leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro atendia pelo nome de Roberto Saturnino Braga, e um belo dia, com a cara mais lavada deste mundo, decretou a falência do município que
ele próprio administrava.
Por esses dias, assunto de mulher era a novela Mandala, com uma Vera Fischer inteiraça a merecer as melhores homenagens dos que andávamos pela casa dos doze, treze anos. Ouviam-se coisas
esquisitas no rádio, do gênero A-Ha, RPM ou Suzanne Vega -- que cantava, segundo consta, sobre uma moça a quem apetecia levar porradas do namorado. Havia também Killing Moon, do Eccho and the
Bunnymen, e o excelente The Joshua Tree, do U2, para equilibrar um pouco a coisa.
No esporte, fora do futebol, o grande ídolo pátrio era Ayrton Senna da Silva, que conquistaria, muito brevemente, seu primeiro campeonato mundial. Houve também espaço para os quinze minutos de
Aurélio Miguel Fernández, o único brasileiro a voltar da Coréia com uma medalha de ouro no pescoço.
No futebol, Diego Maradona e Ruud Gullit disputavam o posto de melhor do mundo, e aqui ainda reinava soberano, apesar do joelho, Sua Majestade, o Rei Arthur Antunes Coimbra. O técnico da
seleção brasileira era Carlos Alberto Silva, cujas grandes façanhas foram empatar com a Noruega e voltar de Seul com uma medalha de prata, pequeno consolo para o esforço de jovens promessas
como Taffarel, Bebeto e Romário.
E foi nesse mundo distante e esquisito que, pela última vez, em 12 de junho de 1988, faz duas décadas, o Club de Regatas Vasco da Gama conquistou seu último título em cima do Flamengo.
De lá para cá, foram derrotados por nós em quatro finais de carioca, mais uma final de turno que valeu o estadual para nós e o vice para eles, mais uma final de Copa do Brasil que, para eles,
era o jogo de todos os tempos, a mãe de todas as batalhas, e que nós vencemos sem muito esforço. Em muitas dessas ocasiões, o pândego dirigente deles garantia que o título estava no papo e que
o chope já estava comprado (deve ter azedado, depois de duas décadas).
Este dia há de ser a data nacional do Vasco da Gama, é o Grito do Ipiranga deles, está para a história deles assim como os 3 x 0 sobre o Liverpool estão para a nossa. Nessas condições, manda a
educação e a boa vizinhança que os cumprimentemos por façanha tão maiúscula, que ora completa seu jubileu de porcelana.
Quem quiser encaminhar estas minhas considerações a quantos amigos vascaínos quiser, sinta-se à vontade.
Quarta-feira, 19 Março 08, 08:39 PM
Eurico disse logo após o fim da Taça Guanabara que "o Vasco seria o campeão da Taça Rio. Podem cobrar".
Em 12 rodadas do Campeonato Caricatura (uma brincadeira que tenta ser Carioca), foram 13 penaltis a favor do time de São Januário, sem considerar um que Edmundo perdeu, claro, e mandaram voltar.
Aí tem coisa ou nada a ver?
Eu acho que é coincidência. Tem quem veja armação.
Para pensar.
Segunda-feira, 10 Março 08, 01:20 PM
O mega-previsível Campeonato Carioca teve outra uma rodada no estilo "mais do mesmo". O grandes ganharam e os pequenos se acovardaram. Como não poderia deixar de ser, o quatro sinistrões quase complicaram suas partidas por não ter entrado em campo com vontade. Sempre precisam tomar um susto para acordar e meter gols em progressão geométrica.
Resumindo o resumo da história.
O Vasco venceu o Vasco de Caxias graças à atitude covarde, absurda, desencabida e pequena como a mentalidade que impera naquela região inóspita de São Cristóvão, de barrar jogadores emprestados.
O Bobo da Corte deveria desistir de vez dos penaltis.
Vasco x Leandro Amaral, o clube está certo, mas o jogador conseguirá jogar em breve pelo Flu. Podem esperar.
Falando em Flu, o time só acordou depois da expulsão do Everton. Antes, era de uma chatice só.
Estão preocupados com a lesão do Dodô? Esperem para ver o que a Fifa vai aprontar.
Quando o Botafogo não chora, vence. Os caras estão babando pelo clássico de domingo. Eu aposto que farão a final contra o Flamengo.
Enfiaram um pedaço de pano no gramado e já tem jornalista dizendo que o Engenhão está ficando com a "cara do Fogão". Bandeirinhas penduradas dão um aspecto de Festa Junina de escola e duas placas vagabundas à beira do campo terminam o serviço. Para quem administra o estádio há seis meses, chamar isso de "cara do Fogão", mostra que acham o clube bem feio.
O Flamengo eu não vi. Tinha coisa melhor pra fazer. O placar mostra apenas que o ianques de Campos não assustam mais ninguém. E Joel pretende colocar os titulares quarta, contra o Mesquita, para preparar o time pro clássico de domingo. Tinham que jogar TODAS as partidas. Mas é início de temporada, os jogadores estão cansados, exaustos de tantos jogos, né?
Tá muito chato esse esse estadual. Que decidam logo o finalista para ter algo interessante para conversarmos.
Terça-feira, 19 Fevereiro 08, 05:12 PM
Hoje o mundo acordou com uma notícia daquelas que marcam o início de uma nova era. Depois de 49 anos, Fidel Castro anunciou sua renúncia ao cargo de dono da paradisíaca Cuba, encerrando uma luta contra o mais forte que nem Vercingetórix conseguiu manter por tanto tempo. Castro conseguiu sobreviver, mesmo que a duras penas, ao avanço dos “porcos capitalistas”, como ele mesmo dizia, vivendo a ilusão de um mundo que há muito havia sido dizimado. A URSS já não existe há quase duas décadas e Cuba era um sopro de socialismo ao meio de países submissos aos EUA.
O que Eurico tem a ver com isso? Ora pois pois. Qual o único clube brasileiro que se orgulha até hoje de ser uma lembrança da colônia de 500 anos atrás? Qual a torcida que possui dois países para vibrar em Copa do Mundo, sem ordem de preferência? Qual o clube que é comandado com mão de ferro por um ditador que ainda vive num período de amadorismo e já prepara seu discípulo para assumir e prolongar a dinastia eternamente?
Guardadas as devidas proporções, o Vasco da Gama é a Cuba do futebol. “A Cuba”, por favor, leiam direito. Há anos que vive nas trevas por causa de um dirigente que se recusa a largar o osso e abrir as portas do clube para a modernidade. As semelhanças são muitas. Em Cuba, as eleições presidenciais eram facilmente manipuladas. Um número X de congressistas era eleito pelo povo e apontavam que Fidel continuaria presidente. Até aí, tudo bem, não fosse o fato que não existia oposição. Todos os congressistas era pró-regime e abstenções não eram bem vindas (leia-se: paredão).
No Vasco, três chapas disputam a eleição, porém DUAS são do mesmo candidato (Eurico) e, às vésperas do pleito, todos aqueles pró-Miranda que possuíam débitos, não tinham a situação cadastral regularizada ou mesmo os que estavam mortos (!!!) podiam votar sem problemas. Já os de oposição enfrentavam filas intimidadoras, fiscais que olhavam o voto sem nenhuma discrição e ainda saíam marcados do clube, como o repórter do jornal carioca que denunciou as fraudes. Ao final, tanto em Havana quanto em São Januário, o resultado era previsível.
Na ilha, tudo começou quando Fidel reuniu um grupo de amigos e depôs o presidente, pau-mandado dos EUA, colorindo de vermelho o regime político. Lógico que os ianques odiaram e meteram um tenebroso embargo comercial que afundou o país na miséria. Os inteligentes leitores da Veja (por mais contraditório que isso possa soar) ignoram isso e preferem comparar Fidel com Átila, o Huno, enquanto engolem as aventuras de Mickey Mouse e do Capitão América. Eu gosto dos EUA, mas não sou alienado e sei como as coisas aconteceram.
No Vasco, o início da draga deu-se em 2000 na final da Copa João Havelange. Depois da queda do alambrado de São Januário, a Globo viu ali a arma perfeita para começar a derrubar Eurico Miranda, até então, inatacável deputado-federal. Só num país como o Brasil que alguém como Eurico se elege deputado, mas vamos pular essa parte. A TV fez uma campanha forte para que o título fosse para o São Caetano, no que previa o regulamento, diga-se, e provocou uma atitude de igual criatividade e burrice por parte dos portugueses. Desfilaram com o símbolo do SBT na nova partida que foi marcada, obrigando a Globo a expor para o Brasil inteiro a marca de sua principal concorrente na época. Numa provocação sem precedentes na história do futebol brasileiro, o Vasco começou a desabar.
Eurico se achou o Rei, mas o time foi decaindo em campo. Os patrocinadores não apareciam mais e os títulos foram rareando. Concordo que a imprensa tem certa má-vontade com o Vasco, mas isso não é culpa do clube e sim de seu presidente. Um jornal venderia muito mais uma capa com “Vasco Campeão” do que “Romário não faz o Gol 1000 e Vasco é eliminado da Copa do Brasil pelo Gama no Maracanã”. Só que Eurico procurou isso, como Fidel. Ele vive num mundo onde acredita que o amadorismo ainda pode vencer. Onde uma entidade sem fins lucrativos possa controlar um time de futebol que visa mais o lucro do que as taças. Os demais times do Brasil, deficitários que são, já não brigam mais com a TV e sabem que dependem dela. Precisam lucrar para sobreviver.
Muitos sustentam o fracasso de Fidel apontando para os balseiros que saem da ilha em direção à Miami, onde são bem recebidos para lavar pratos, aparar gramas e morrerem de medo com o dia que o governo os deportará de volta. Alguns são tratados como refugiados políticos. Não é lindo o poder da mídia? O que ninguém fala é que tal como existem os fugitivos, também existem os contentes e isso é assim em qualquer lugar do mundo. No Brasil não foram poucos os que a apoiaram a ditadura militar. No Iraque, Saddam tinha milhares e milhares de seguidores fiéis. No Vasco não é diferente. E os que fogem do Brasil por não receberem educação, saúde, respeito e qualidade de vida, o que são? Se escondem de que ditadura?
Comparo os balseiros com aqueles torcedores que trocaram os jogos de domingo pelas praias ou shoppings. Tristes e desenganados com a equipe fraca e o com a política imperialista dos Miranda, preferem se ocupar de outros afazeres. Em jogos decisivos contra o Flamengo nem comparecem mais ao estádio. Porém, também temos os vascaínos que brigam por Eurico e defendem seu regime como um prato de comida diante de um somaliano. Acreditam que o presidente está sempre certo, que o Vasco precisa lutar contra os opressores e que os resultados dentro de campo são manipulados de forma a prejudicar o clube que não pode vencer nunca. Para eles, estamos todos contra o Vasco.
Eurico gosta desse jogo e se mantém no comando já preparando seu filhote. Sempre disse que só sairá do Vasco quando achar alguém igual ou melhor do que ele, ou seja, que mantenha a postura fechada e arredia ao progresso, por motivos que todos desconhecemos. O Vasco vai perdendo e Eurico não renuncia. Cuba também perdeu e Fidel deveria ter renunciado antes.
A sua luta contra a dominação americana foi linda, romântica e vitoriosa. Os EUA não conseguiram seu objetivo. Invadiram o deserto Afegão para detonar bombas em cavernas inabitadas. Estão atolados no Iraque onde foram atrás de armas que nunca existiram e enforcaram um presidente que jamais os havia atacado. Mas Cuba eles nunca invadiram. Um avião militar americano certa vez foi derrubado e quando os seus donos o pediram de volta, ouviram a resposta de Fidel “venham buscar”. Tudo muito bonito, mas se perdeu com o tempo. O regime não se sustentava mais, devido ao embargo mundial que não deixava Cuba crescer.
Hoje Fidel se despediu. Com certeza ele sabe que os americanos foram derrotados. Só mesmo o tempo poderia levá-lo e preferiu em vida do que morto sem poder se defender. Bushinho filho, o presidente dos EUA, certa vez disse que Deus levaria Fidel um dia. A frase é engraçada, pois Bushinho, católico fervoroso daqueles que só transam vestidos e de luz apagada, deveria ter dito que o Diabo levaria Fidel, já que, segundo ele, o barbudo nada mais era do que um ditador.
Agora Cuba viverá seu futuro e provavelmente se tornará um balneário americano. Seu povo será fotografado com sorrisos enquanto recebe os turistas com colares de flores e oferece bebidas refrescantes aos endinheirados branquelos. O mundo achará bom e ignorará o que a submissão dos capitalistas fez esse mesmo povo passar. Fidel errou no tratamento, mas não era a doença.
Talvez o mesmo acontecesse com o Vasco. Poderia ser mais bem tratado pela imprensa, os times não teriam mais ódio do clube, apenas a rivalidade sadia do futebol, os cariocas teriam novamente quatro equipes fortes no cenário brasileiro e os vascaínos retornariam aos estádios. Mas Eurico prefere seguir sua linha, como fez Fidel. Uma colônia soviética e outra portuguesa. Fidel venceu a sua luta particular. Renunciou porque quis e vai dizer para todos que não se subjugou ao mais forte. Ninguém teve sua coragem. Cuba, porém, estava perdendo e agora terá uma chance de começar nova era. Eurico não venceu. O Vasco está perdendo e o futuro que se desenha é pior. Já avisou que a dinastia continuará. A seca, provavelmente, também.
Quinta-feira, 07 Fevereiro 08, 07:42 PM
Quando a gente pensa que viu de tudo, lá vamos nós de novo. "Nós", eu me refiro à raça humana. Quando o Vasco estava se acertando, Romário jogou m... no ventilador e caiu fora do clube. Atitude infantil do Baixinho que, de uma hora para outra, teve um ataque de ética e profissionalismo criticando a imposição do dirigente para escalar um jogador. Ok, bonito, mas não era o próprio Romário que só jogava por ordem direta do presidente Eurico?
Essa história está cheirando mal. Já começou com a chegada do Edmundo, que todos sabiam que não se dava com Romário. Depois, o próprio atacante-treinador avisou que pararia no dia 30 de março e nem técnico seria mais. Isso do nada, assim, de sopetão. Agora teve essa confusão com o Allan Kardec, que no final não foi vendido pelo Vasco, mas custou o cargo do Baixinho. Não vou nem mencionar os contratos de patrocínio que foram divulgados como milionários, mas informações dão conta que não são nem metade do anunciado.
A imprensa se lambuzou no melado. Logo plantaram a notícia que Romário jogaria no Flamengo, ou pelo menos faria o jogo de despedida no Mais Querido, um antigo sonho da Globo que odiava a idéia de transmitir uma partida onde Eurico apareceria o tempo todo. Acontece que ninguém no Fla sequer cogitou isso antes e já encheu o saco essa mania dos jornalistas de sempre colocar o jogador no time da Gávea. Basta Romário anunciar que vai se mudar do Golden Green, que logo anunciam sua ida para a Selva de Pedra. Mudem o disco.
O Flamengo deveria aceitar? Não. Uma Libertadores está em jogo e mesmo uma simples partida de despedida é algo inútil agora. Não há data para o jogo e cansaria os jogadores apenas para massagear o ego de uma pessoa que pouco fez pelo clube e alimentar a besta rivalidade Kléber - Eurico com mais picuinhas. No final, o time faria a despedida célebre para um jogador que fez torcedores rasgarem a foto do Zico, numa dos maiores atos de profanação explícita da história do mundo.
Só terminando, não me venham, vascaínos, com aquele papo de "pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão", como se o Vasco tivesse feito caridade ao aceitar Romário de volta e ninguém mais quisesse. O Fluminense queria, mas alguém lá teve bom senso na medida certa. Vocês deram a mão ao Eurico. Ele afundou o Vasco até o pescoço.
Terça-feira, 18 Dezembro 07, 09:44 PM
Esse post eu dedico aos torcedores desse clube que é grande, mas que teimam em deixá-lo pequeno, graças a uma administração tacanha, desprovida de criatividade, credibilidade e moral. Como todos aqui sabem, sou torcedor do Flamengo e normalmente eu torceria mais pela queda definitiva do Vasco da Gama. Mas poucos sabem que esse não é meu pensamento. Eu adoro ver o Vasco perder, só estou de fato incomodado com a atual situação do clube.
Há quanto tempo que o time não entra em uma competição para vencer? Quantos jogadores não saíram do clube brigados com a diretoria e depois fizeram sucesso em outras praças? Digam-me outra equipe brasileira que conseguiu atrair tanta negatividade ao longo dos anos e uma imagem tão prejudicial, como o clube da Colina?
Os torcedores vascaínos sofrem com o destino que lhes foi imposto, mas poucos são os que admitem a culpa no cartório. Não faz muito tempo que cantavam a quem quisesse ouvir que o Eurico era o melhor dirigente do Brasil. Orgulhavam-se em ter no comando alguém mais esperto que os outros e ouviam de muitos rivais, que gostariam de ter um Eurico no seu time. Mas o futebol mudou e todos pudemos ver o quão mal essa pessoa fez ao clube. Enquanto era Vice-presidente numa época amadora e sem responsabilidade do nosso futebol, ele imperou graças à camisa, torcida, estádio e tradição do time. Hoje ele rema contra a maré.
Cada vez menos são os vascaínos que o apóiam. Já impediram que fosse eleito deputado, numa amostra que se dependesse da torcida, ele jamais seria o presidente do clube. Apenas 13 mil puxa-sacos e devedores de favor votaram nele. O Vasco possui muito mais torcedor do que esses módicos 13 mil, que sequer lotam São Januário. Mas ele se perpetua no comando do clube graças à sua influência com os portugueses. Esses não se importam mais que o time perca consecutivas finais para o arqui-rival, não estão nem aí com o fato de os melhores jogadores do país não procurarem o Vasco nem para encerrar a carreira e, para eles, a camisa estar sem patrocínio não é problema algum.
Já deixou de ser engraçado e assumiu ares de mendigagem a atitude de alguns torcedores em inventar "campeonatos à parte" em cada jogo contra o Flamengo, na vã tentativa de ganhar alguma coisa. Até título de xadrez está valendo como final de Mundial Interclubes. Atacam a imprensa com teorias conspiratórias que fazem do 11 de setembro um conto infantil. Mas isso vem de uns poucos vascaínos. Como em todos os segmentos da vida, existem os bons e os maus. No caso do Vasco, felizmente esses maus são poucos. Mas, infelizmente, são os que mandam.
Ainda em 2000, eu ouvia de pessoas de fora do Rio que o futebol carioca se resumia ao Vasco, único que conseguia disputar tudo ao invés dos demais que estavam rebaixados, ou pavimentando o caminho para a segundona. Sete anos depois, o time se transformou numa assombração. O símbolo dessa mudança se deu na semifinal da Taça Guanabara de 2004, quando o time simplesmente se recusou a enfrentar o Flamengo. Entrou em campo sem nenhuma vontade e com cerca de três mil torcedores na arquibancada. Parecia resignado com a derrota e tomou um baile que só não foi maior do que os 2x0, por pena e uma senhora pisada no freio do rival. Foi o dia que o Vasco foi menos Vasco que eu já vi. E assim foi seguindo.
O Eurico está conseguindo um fenômeno que é acabar com a paixão vascaína. Em nenhum lugar do mundo um torcedor admitiria passivamente que seis finais consecutivas para o maior rival fossem perdidas, inclusive estando com times muito melhores na maioria delas. Eu duvido que um torcedor do River deixasse passar dois vices para o Boca, quiçá seis. Mas o vascaíno se resignou e apenas diz "enquanto o Eurico estiver lá, nada muda".
A Força Jovem segue o dinheiro e facilmente muda de opinião, agredindo inclusive aqueles que um dia pensaram de outra forma. Romário e Edmundo já criticaram a postura desse pessoal e, dependendo da ocasião, foram amados e odiados. Por causa do Romário um ano inteiro foi desperdiçado. Graças à pantomima do gol 1000, foram para o lixo o Campeonato Estadual e a Copa do Brasil, esta numa vergonhosa eliminação diante do Gama, no Maracanã, aos berros de “Edmundo, Edmundo”, o que jamais ocorreria se tivessem jogado em São Januário como mandava o script.
Quando finalmente o gol saiu, o Vasco deslanchou pois também saiu do time o Romário. Leandro Amaral se destacou no Campeonato Brasileiro, dando parcas alegrias ao torcedor que voltou a encher o estádio e a gritar o nome do time em plenos pulmões. Mas agora, o que fez o Eurico? Ele brigou com o Leandro e promoveu de vez Romário ao cargo de diretor-geral do futebol cruzmaltino, dando-lhe o inédito cargo de jogador, treinador e estátua, não necessariamente nessa ordem.
Há os que elogiam e continuam vivendo no "Mundo Maravilhoso dos Miranda". Atacam a imprensa e os rivais que já os deixaram para trás, numa espécie de ópio para fugir da realidade. No estadual do Rio de Janeiro, o Vasco é, se muito, a quarta força. O próprio Eurico já percebeu que seu poder não é mais o mesmo e hoje já não atua com tanta pujança como antigamente, mas está treinando seu filho para seguir perpetuar a dinastia.
Enquanto isso, Roberto Dinamite, o maior jogador da história do clube e exemplo de pessoa séria que fez muitos vascaínos amarem a camisa, é expulso das cadeiras sociais e apanha nas eleições de um clube que gosta de se auto-proclamar democrático. Ao perder o segundo pleito, ouviu os capangas de Eurico gritarem "Vice de novo" como se fossem a própria Raça Rubro-Negra no Maracanã. Já Romário fez gols e dívidas e ganhou uma estátua. Nada contra o Baixinho, uma dos maiores de todos os tempos e o melhor que vi jogar na posição, mas eu acho que tem alguma coisa errada nisso aí.
Uma pena. Eu sempre disse aos meus amigos que considero o Vasco como o ímpar do par que é o Flamengo, o pólo negativo da pilha onde somos o positivo o vice (claro) do versa. Ou seja, o oposto essencial. Fluminense e Botafogo não estão no mesmo patamar de rivalidade e por mais estranho que pareça, fico chateado em ver o Vasco afundar. Não tem mais graça e o torcedor tem que acordar para a realidade, mas sempre lembrando que foram eles mesmos que alimentaram o monstro há 10 anos atrás.
Terça-feira, 04 Dezembro 07, 07:50 PM
A última vem dum tal Leandro Cardoso. Sem nenhum título para comemorar em mais um ano de seca vascaína, os cascaquistas procuram assunto falando dos outros times. Tem até coluna sobre o Corinthians, para vocês verem. E como não poderia deixar de ser diferente, num espaço de menos de 10 dias, são três os textos dedicados ao mais querido e a classificação para a Libertadores.
Voltando ao texto do escriba citado acima, vamos brincar de análise do discurso, discutindo os pontos do texto que ele publicou ontem nesse link.
-----------------
Parabéns ao Flamengo3 de Dezembro de 2007 @ 13:31 por Leandro Cardoso
Com o fim do campeonato Brasileiro, não podemos deixar de dar os parabéns ao Flamengo.
Obrigado. Obrigado. Eu sei que vocês queriam ter jogadores na Seleção do campeonato ou que sua torcida de fã-clube fosse agraciada e cantada como a maior maravilha do mundo, prestes a ser tombada como Bem Cultural do Rio de Janeiro.
Afinal, melhor colocação em Brasileiros nos últimos 15 anos. E 2ª melhor colocação ( junto com o 3º lugar em 1987) nos últimos 24 anos. Histórico!
Em 1987, fomos os primeiros. E vocês mesmos mostraram isso quando, em 1997, ao vencerem o Palmeiras na final do Campeonato Brasileiro, disseram para o mundo todo que o Rio havia passado São Paulo em títulos nacionais. É lógico que você estava tão embebedado de sangria vagabunda que não se lembrará do Eurico bradando essa vantagem numérica nos programas televisivos noite adentro, muito menos do Placar Eletrônico do Maracanã marcando Rio 10 x 9 São Paulo.
Realmente, um grande feito. Meus sinceros parabéns. Por isso a grande festa. Afinal, quem sempre come em restaurante popular faz festa quando come em promoção de churrascaria rodízio…
Ninguém foi em churrascaria nenhuma. Acostumamos-nos a comer bacalhau ultimamente. Mas depois vocês virão com esse papo de “o Vasco é democrático e abriu portas para negros”. Porém não se furtam de nos chamar de favelados. Isso sem mencionar que nós ficamos à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão postal carioca e vocês aos pés da Barreira do Vasco, uma das favelas mais perigosas do Rio, quiçá do mundo.
Afinal, é um geração inteira acostumada e sempre estar lá embaixo e viver de passado. Vai ter até documentário, afinal, é o grande feito de um time para uma geração inteira. Isso não pode ser esquecido para eles, já que é um poucos feitos em décadas! São milhões de jovens rubro-negros na faixa dos 18 aos 34 anos sem saber o que é ser campeão brasileiro sendo maior de idade, uma lástima…
São milhões de vascaínos que não sabem o que é ser campeão do mundo. Todos os milhões, por sinal. Por outro lado, 100% dos vascaínos podem bradar a quem quiser ouvir que são “três vezes vices campeões mundiais”, visto que além de 1998 e 2000, a seleção brasileira de 1950 era composta em sua maioria por atletas da corja. É algo sem precedentes no futebol mundial.
Uma coisa é ser campeão brasileiro sendo criança. Ter que ficar juntinho de papai e mamãe ou no máximo, saindo com papai ou com irmão mais velho. Com dinheiro contado, já que ainda está no ensino médio ou no vestibular e tendo que estudar no dia seguinte… Outra coisa é ser campeão brasileiro sendo maior de idade. Como ocorreu comigo em 1997 e em 2000. Ser campeão com jogadores da sua idade. Sair com os amigos para curtir após o jogo, sendo o único responsável por isso.. É uma sensação deliciosa, que infelizmente vocês flamenguistas acima de 30 anos nunca terão. Nunca terão sido campeões brasileiros quando jovens. Talvez toda essa festa do 3º lugar esteja nesta faixa de idade. Sabem como é: Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza!
Coisa melhor ainda, é ganhar uma Copa do Brasil, também uma competição nacional (que o Vasco NÃO TEM), em cima do maior rival, o que o Vasco nunca fez, já que, inclusive, perdeu um Brasileiro para o Fluminense lá nos idos de 84.
Leandro tenta pateticamente alegar ser uma tragédia o fato de muitos não terem saído para comemorar um título, como se isso apagasse o valor da conquista. Mas quantas crianças nasceram vascaínas nos últimos 10 anos e JAMAIS viram seu clube conquistar qualquer campeonato sobre o Flamengo, visto que desde 1998 não perdemos uma final para eles? Uma infância inteira sem esse gostinho, é algo que jamais voltará. Uma maldade com as crianças, sem dúvida.
Por sinal, recordar é viver: Há exatos 10 anos atrás, a última vez que o Flamengo teve chances de título foi para o brejo com a derrota de 4 a 1 sobre o Vasco, com 3 gols de Edmundo! São 10 anos sem saber o que é disputar o título…. Mas é dia de parabenizá-los!
Sim, sim! Recordar é viver!! No mesmo dia que você escreveu isso, comemoravam-se 29 anos do início da marcha do maior time da história do Flamengo. No dia 03 de dezembro de 1978, Rondinelli rasgou a zaga vascaína e fuzilou com a cabeça a meta de Leão. Aquele título estadual (nosso terceiro tri – vocês têm quantos?) deu origem ao time que conquistou o mundo.
Mas já que você quer falar de Edmundo, vamos lembrar o nome dele sim. Em um campeonato armado para o Vasco vencer, Edmundo mostrou sua enorme capacidade de decisão em momentos cruciais e aliou sua destreza ao volante com a habilidade de bater pênaltis. O mesmo Edmundo que há 10 anos não levanta nenhum troféu nem mesmo nos campeonatos de pelada que costumava jogar quando fugia da concentração vascaína, deixando o time que pagava (?) seus salários apanhar e colecionar vexames em campo. E não vou lembrar da genitália balançada para a Força Jovem perante 50 mil pessoas no Maracanã.
Por sinal, é bom que não se esqueça: O Vasco de fato, foi muito mal no 2º turno, mas desde que começou a era dos pontos corridos, o Vasco foi o único carioca que chegou no 2º turno com chances matemáticas de título, caindo na 5ª rodada do returno ao perder para o São Paulo. Carioca nenhum tinha chegado tão longe…
Aí ele esquece até do Botafogo. Mas deixa quieto. Talvez tenha sido essa a maior glória vascaína na gestão Eurico Miranda, o cara que paga o salário do Leandro Cardoso. E esquece-se de outra glória, o tal gol 1000. Uma saga que os vascaínos torceram para que acontecesse no Maracanã, renegando a própria pocilga, e que custou ao time o Estadual e a Copa do Brasil, além de fazer a torcida gritar o nome do Edmundo na festa do Romário.
O mais engraçado disso tudo é o lema que o tal utiliza em suas colunas, “Na luta para que a verdade seja estabelecida”.
Domingo, 02 Dezembro 07, 08:59 PM
Bom, mais um ano do futebol acabou e é hora de fechar a conta do bar. Os cariocas não devem reclamar muito de 2007, visto que as pretensões eram humildes e as previsões, trágicas. A dupla Fla-Flu garantiu um belo Natal, enquanto os alvinegros mantiveram seu desempenho de anos anteriores.
É lógico que não poderia deixar de passar uma provocação. Dois cariocas entre os quatro melhores do Brasil. Nenhum entre os rebaixados. Alguém apostava? Só quem tem problemas mal-resolvidos na vida ou mentais.
TIME A TIME:
Botafogo - Foi uma equipe competitiva ao longo do ano, mas pecou pela falta de capacidade de decidir. Para o ano que vem é crucial que mude a postura e parte do time. Montenegro também precisa sair para dar paz ao elenco. Para 2008 o Botafogo contará com um estádio e esse fator poderá ser um peso importante nas campanhas da Copa do Brasil e do Estadual. Mas só isso. Para o Brasileirão, muita coisa terá que mudar. O que sei é que a torcida não quer mais saber de "joga bonito". Bonito é título.
Flamengo - Campeão estadual e terceiro colocado no Brasileiro. Só não foi vice porque se recusou a vencer o Náutico. Vice é coisa de vascaíno. Foi o dono do campeonato Brasileiro e começa 2008 com muita moral. Mas o clube aprendeu na marra que o planejamento não deve ser feito pensando numa competição apenas e sim a longo prazo. Ao entrar em 2007 focado na Libertadores, o Flamengo desandou após a derrota para o Defensor e quase colocou tudo a perder. Precisou jogar pro lixo o trabalho realizado, trazer jogadores e mudar o técnico para se reerguer. Vejamos o que os dirigentes nos reservam.
Fluminense - Começou 2007 como sempre: era o favorito a tudo por estar calcado no forte patrocinador. Fracassou no estadual e deixou a torcida encucada. Depois venceu a sua primeira Copa do Brasil e levantou uma taça nacional depois de 23 anos. Já mudou um pouco o quadro, mas ainda era encarado com desconfiança pelo resto do país, até que conseguiu um feito inédito ao fim do Campeonato Brasileiro: duas vagas na Libertadores no mesmo ano. Revelou jogadores e pode-s dizer que 2007 foi o melhor ano do Fluminense desde a volta (nos bastidores) à primeira divisão.
Vasco - Apesar de não ter conquistado nenhum vice esse ano, o vascaíno possui vários motivos para se dar por satisfeito. Conseguiu ficar entre o 10º e o 15º lugares na tabela, aquele feudo que o
Vasco comprou em 2001 e nunca mais largou. A vaga na Sul-Americana foi conquistada mais uma vez para, em 2008, jogadores reservas disputarem. E não obstante, Romário chegou ao gol 1000 e Eurico se
manteve presidente interino, mesmo depois de todas as derrotas na justiça. Os cruzmaltinos devem estar soltando fogos pela cidade. E para o ano que vem, o presidente já prometeu mais um time
competitivo e disse que dinheiro não é problema. O mesmo que falou em 2007, 2006, 2005, 2004.... Desde 1998 2003 sem título. Chegará aos 10 anos de
jejum? E a última vez que ganhou do rival numa decisão foi 1988. Faz tempo...
Terça-feira, 27 Novembro 07, 05:41 PM
Sincera homenagem da Nação a esse time que não deixa de conquistar títulos nunca! Eurico Sempre!!! O melhor dirigente que o Vasco já teve.
Sexta-feira, 28 Setembro 07, 01:33 PM
Que o Botafogo é medíocre, isso até um morto já sabe. Mas quando você pensa que eles chegaram no limite, sempre se surpreende. O que se viu ontem em Buenos Aires, foi uma dessas derrotas acachapantes, inesquecíveis e que se demoliriam qualquer time grande. Mas o Botafogo não é grande.
O ano inteiro se passou e o Botafogo ficou nessa palhaçada de joga bonito, perde feio. Seduziu o Brasil com essa balela de jogar o futebol brasileiro, o futebol-arte, sem brucutus. Okay, okay, em que time joga o Túlio? Por isso eu digo que a justiça foi feita. Era inconcebível que esse jogador continuasse atuando mesmo suspenso por 120 dias pelo tribunal. A mim não interessa se era outra competição. É o mesmo que você estar preso e pedir para viajar com a família para um país onde não cumpre pena. Depois volta e fica na jaula. Brincadeira.
Será que vão continuar com essa mania ridícula de aplaudir o espetáculo, enquanto outros dão voltas olímpicas? O São Paulo dá show? Não. Quem será o campeão brasileiro? O Brasil dá show? Não. Quem ganhou a Copa América? Ahhhhh, mas a seleção feminina dá show. Não, desculpe, deu show NUM jogo. E ainda não ganhou o Mundial. Tomara que vença, mas a pragmática Alemanha é a grande favorita.
Voltando ao jogo.
Que essa derrota, depois de tantas absurdas, seja encarada como deve ser: uma porrada. Não teve juiz inimigo, complô de confederação, time dopado (ah não, esse era o próprio Botafogo) nem nenhuma outra desculpa esfarrapada. O Montenegro já prometeu multar os jogadores, como se isso fosse de fato adiantar. É jogar para a torcida e encobrir a própria incompetência.
Acho que o time inteiro, diretoria, torcida, todo mundo deveria relaxar. E assistir um filme para tentar esquecer o que aconteceu e voltar ao Brasileirão. Eu sugiro esse aqui. Tem tudo a ver com ontem à noite.
----------------------------------------------
E o Vasco segue em frente na Sul-Americana. Conseguiu reverter o placar de 0x2 e mandou os argentinos de volta pro lamaçal donde vieram. Agora ganha moral para o Campeonato Brasileiro onde terá o dificílimo confronto contra o Santos, domingo, na Vila.
Voltando à competição, o Vasco terá pela frente o maior pesadelo dos técnicos atualmente: o desgaste. Terá pela frente uma viagem ao México daquelas de derrubar qualquer jogador. Paralelamente jogará a vida e a classificação para a Libertadores, pelo Brasileiro. Pelo menos Romário vai voltar. Estaria Celso Roth feliz com isso?
On Com cara de bunda (ou o Brasil não sabe perder)