Domingo, 10 Fevereiro 08, 12:01 AM
Kleber Leite é um dos mais famosos rubro-negros que se tem notícia. Desde sua época de trepidante já exalava “flamenguismo” por todos os poros. Ficou rico graças ao seu talento com placas publicitárias ao redor do campo e ficou mais Flamengo ainda quando assumiu a presidência do clube, em 1995. Tinha ali a grande chance de sua vida para realmente ajudar a instituição com seu trabalho. Então ele trouxe Romário.
Romário passou pelo Flamengo, foi embora por causa de dinheiro (que já naquela época não precisava), voltou, queimou bons jogadores, brigou com ídolos, fez mais de 200 gols e não ganhou nada além de dois Campeonatos Estaduais. Durante a sua passagem, o Flamengo não ganhou muitas taças nem muito dinheiro.
Os dois se tornaram grandes amigos.
Hoje, Romário está em litígio com o maior rival do Flamengo, o Vasco, clube onde ganhou um Brasileiro e a Copa Mercosul, marcou seus 1000 gols, ganhou uma estátua e inaugurou uma franquia do Estrelinha, o time que seu pai lhe deu quando criança. Já havia combinado em encerrar a carreira por lá, até que o presidente-interino da padaria ressurgiu da tumba e bagunçou o coreto. Romário, então, caiu fora. O que acontece? Eis que Kleber Leite o chama de volta.
Utilizando como escudo a velha e surrada máxima que o “jogador é rubro-negro” e que “os torcedores do Flamengo o aceitam de braços abertos”, Kleber Leite ignora que o atleta (sic) tenha causado uma das maiores vergonhas que uma torcida pode fazer com um ídolo seu.
Em 1998, Romário foi cortado da Seleção que disputaria a Copa do Mundo, pois estava com uma lesão incurável no tempo que se dispunha na ocasião. Na primeira entrevista que deu após o ocorrido, acusou a comissão técnica de traição. O alvo, por mais que não tenha sido explícito, era, principalmente, o coordenador-técnico e declarado desafeto, Zico. Desta feita, ao desembarcar no Rio de Janeiro, Romário foi recebidos por torcedores do FLAMENGO que rasgavam fotos e pôsteres do seu maior ídolo. Aquele que nos dera entre inúmeras conquistas, quatro brasileiros, uma Libertadores e um Mundial, agora era um pária, um inimigo, uma persona non grata.
Kleber Leite, à época presidente do Flamengo e brigado com Zico, aproveitou a deixa e inventou um patético amistoso, sob ordens de Romário, para provar que o jogador teria condições de atuar na Copa. Como se o Internacional de Porto Alegre, com reservas e sem torcida, jogando por qualquer R$ 50 mil, fosse um desafio do nível da Escócia, na estréia da maior competição mundial de futebol.
Romário jogou e “respondeu”. A quem? Não sei. Para a imprensa, ávida por polêmicas, o Baixinho teria calado a comissão técnica brasileira. Para mim, ele apenas deu mais uma amostra de que não era apenas baixinho, mas pequeno mesmo, como homem. Mais do que ninguém, ele sabia que não teria condições de jogo, mas mimado que sempre foi, tratava a seleção como uma extensão das boites que freqüentava após cada derrota humilhante do Flamengo. E Kléber Leite, que devia as maiores glórias do Flamengo a Zico, assistiu a tudo com olhar de vingança consumada. O Galinho apenas lamentava tal atitude. Esperava que pelo menos o Flamengo o defendesse.
O tempo passou e Romário continuou batendo em Zico. O humilhou em porta de banheiro e sempre que pode ataca, mesmo quando o assunto passa longe. Não só Zico, mas toda a geração de 82, que incluía mais dois lendários craques rubro-negros, Leandro e Junior. Romário usa o argumento da Copa do Mundo, que ele venceu e os outros não. Assim sendo, Romário, cale-se perante Ronaldo que possui duas na conta, mais três títulos de Melhor do Mundo para a Fifa e um mundial interclubes, aquele que você perdeu em 1988.
Eu posso definir a diferença entre os dois como Zico sendo o cara para quem eu daria a mão de minha filha em casamento e Romário como a pessoa com quem eu só falaria através de um advogado.
O que vemos hoje? Estarrecido, eu leio nos jornais que Kléber Leite, para saciar a fome de sua enorme vaidade, fala “em nome da torcida do Flamengo” e convida Romário para encerrar sua já finada carreira com o Manto Sagrado. Esboça um plano de realizar partida pelo Brasil afora, com o time disputando uma Libertadores da América e depois de muito tempo com um elenco montado corretamente e elogiado por todos. Antes de fazer um monumento para os campeões de 81, sempre lembrados pela torcida e nunca pela diretoria, prefere alugar o Manto para esse cidadão. Tudo isso apenas para fazer graça perante o Vasco. Desculpe-me, Kléber, mas quando diz que o verdadeiro torcedor do Flamengo quer isso, você mente ou não conhece esse torcedor. Eu não quero e sou um verdadeiro torcedor. Não quero mais essa pessoa que nos enfiou duas goleadas de 5x1 no nosso time. O cara que nos sangra em mais de R$ 100 mil por mês, graças à sua gestão presidencial que não conseguia pagar os salários. Esse pequeno homem que atacou impunemente o maior jogador que já passou pela Gávea.
Você aproveita que o torcedor do Flamengo, brasileiro que é, tem memória curta e prefere zoar o amigo no trabalho a lembrar das coisas tal como elas ocorreram. E quando Eurico diz que o pai do Romário cospe ao falar do Flamengo, ele está enganado. Quem está cuspindo é você. Na história, na honra, nas glórias e na torcida rubro-negra. O Flamengo não é asilo. Deixe Romário terminar sua carreira no Caça e Pesca e vamos pensar no belo ano de 2008 que se desenha.
19 Comentários
Caríssimo Lucas
Creio que nesse post você deixou sua notável imparcialidade e escreveu muito mais como torcedor do que como blogueiro sério. Sua verve jornalística é evidente ao trazer fatos enciclopédicos, porém suas opiniões mancham o texto. Ora veja:
- Zico é o maior jogador que vi em campo, diria inclusive que sou seu fã, apesar de sua identificação máxima com o clube do leblon. Porém, como membro da comissão técnica não deveria ter cortado o Romário naquela seleção, mesmo que o baixinho não pudesse jogar nenhum jogo. Não havia a menor necessidade de se colocar o Emerson no lugar. Mesmo que fosse à passeio, é melhor manter um cracaço no elenco do que chamar um zé roela. Sendo esse craque o Romário, o Ronaldo ou o Kaká.
- Não sei se Zico também errou ao assumir a "culpa" do corte sozinho.
Seu texto é correto ao afirmar que o Kleber, como presidente daquela indecência no Leblon, deveria preservar seus símbolos, e não pagar seus brutamontes para fazer protestos na chegada do Romário ou de marcar o tal jogo amistoso.
Infelizmente Romário tem razão em relação a geração de 82, ao comparar títulos. E você também o tem ao compará-lo ao Ronaldo, que tem mais que Romário. Futebol, além da mágica, é resultado. Eu gosto muito da mágica, mas se ela não se transforma em resultado, pouco vale. Acredito, como disse um jornalista, que o maior perdedor da Copa de 82 foi a própria Copa (ou Fifa) que perdeu a chance de ter como campeã uma das melhores seleções que se tem notícia. Mas, resultado ainda é o que fala mais alto. Italia foi campeã em 82 e 06 com seleções fracas (acho inclusive que nunca deve ter tido uma seleção fortíssima, em seus 4 títulos), mas ainda é a campeã.
Não daria a mão de minha filha ao Zico, pois não quero fazê-lo a nenhum maldito torcedor do time do leblon. Mas entendo e concordo com sua colocação. Porém, apesar de também não dar a mão de minha filha ao Romário, gostaria muito que meu filho convivesse com um amigo como Romário e que me convidasse para seus chopes e peladas. Romário é, assim como o Evandro Mesquita, a definição do carioca.
Você está corretíssimo ao atacar o KL, como presidente de sua instituição. Mas apesar de não dever respeito ao Romário como rubro-negro, o deve como torcedor brasileiro e como carioca que é.
Abraços
Carbonell, em primeiro lugar, não sou um blogueiro sério. Sério é o que ganha para isso. Isso não é um texto jornalístico e eu sou Flamengo, como todo mundo aqui sabe. Portanto, é um desabafo, nada mais. Se fosse em um jornal, seria na minha coluna, não uma matéria.
Agora vamos debater seus pontos. Tente esquecer, por favor, meu time e a idolatria pelo Zico.
1) Devia sim ter cortado da Seleção em 1998, como cortou. Romário provou naquele mesmo ano, até dezembro, que não tinha condições para jogar sequer o Brasileiro, quiçá uma Copa do Mundo onde se encontrava a elite do futebol. Depois do vergonhoso amistoso contra o Inter, Romário voltou pro estaleiro e por lá ficou mais um mês. O coitado do Émerson não comprometeu e não era o Romário contando piadas na beira do campo que faria aquele time 50% mascarado, 50% velho ganhar alguma coisa.
Zico apenas mostrou que teve culhão para assumir o que Zagallo e Lídio escondem até hoje. ão tem rabo preso e aguentou a bomba sozinho.
2) Com a geração de 82, Romário não tem razão de nada. Aquele jogo foi um acaso e a Itália não era uma merda qualquer. Futebol é jogo jogado e aqueles atletas tiveram muito sucesso em seus clubes. Romário fala apenas porque é mimado e prova sua falsidade quando inúmeras vezes repetiu "eu falei besteira e queria pedir desculpas", pra depois voltar atrás. Não to querendo saber de mágica ou resultado. Você, como meu mais assíduo leitor, deve saber que to mais preocupado em vencer do jogar bonito. Provo isso sendo o único a defender a atual seleção, que vence mas joga mal. Romáiro atacou gratuitamente. Foi ingênuo ao cair na armadilha da imprensa. Já pediu desculpas "n" vezes mas depois voltou atrás.
E Zico nada tinha feito contra ele mas foi atacado diversas vezes. E Romáiro não desrespeita apenas a geração de 82, mas uma centenas de grandes jogadores que jamais ganharam uma Copa. Quando se auto-proclama o melhor depois de Pelé, o que só ele e a macumbeira da mãe acham, usa sempre o argumento da Copa e dos títulos que ganhou pela Seleção. Número é muito frio, mas se ele quer assim, engula o Ronaldo. Muito mais vitorioso, artilheiro da Copa (o que ele não foi) e ainda com carreira pela frente.
3) Se meu filho fosse amigo do Romário ou do Zico eu apenas atentaria para os outros amigos do Romário e do Zico. A diferença está aí. Evandro Mesquita tem um oceano de qualidades a mais do que o Romário, todas elas no campo moral. E, me desculpe, mas o Zico também é carioca, só que não fala peixe nem vive na praia. Trabalha sério. Roberto Dinamite é tão carioca quanto e também tem mais o que fazer. Romário é como Edmundo e Beto. Não têm naturalidade. São eles mesmos, o que eu não psso concordar que isso é a síntese do carioca, porque eu sei dirigir, não tenho amigo bandido e jamais despejei parente meu de prédio-favela por causa de aluguel de 200 reais. E eu sou carioca, com muito orgulho.
Terminando, respeito o Romário como a qualquer pessoa, desde que ela me respeite de volta. Como ele nunca me fez nada, não tenho nada contra ele no campo pessoal. Mas no campo de futebol, pelo Flamengo, nunca mais. É esse o foco aqui.
Lucas, vc tem razões. Eu também não o queria em meu time mais uma vez. Principalmente em me corrigir, quando pareceu que eu quis dizer que os 2 últimos títulos italianos foram por acaso. Não foram, foram resultado de trabalho. Não há, na minha visão, resultado de acasos em campeonatos ou torneios. Há sim, em partidas, mas em sequência de jogos não.
Há também razão em me alertar que nem todo carioca é "bandido", malandro ou fala como marginal. Eu não sou e me orgulho também de ser carioca.
Porém continuo a discordar com o corte do Romário e sua ojeriza a sua figura e importância no futebol brasileiro. Esses craques brasileiros, por mais que insuportáveis, não podem ser alvos de críticas preguiçosas dos jornalistas brasileiros (não a sua, fundamentada). Devem ser enaltecidos. Eu, por exemplo, não gosto do Zagallo, mas reconheço sua enorme importância no futebol brasileiro. Abs
Aí é que está, véio. Eu reconheço sim a importância do Romário no futebol mundial. Mas o ponto é o Flamengo e sua presença nociva no clube. E veja so, o texto era mais para o Kléber Leite e acabamos discutindo o Romário. Que maluco chato, esse baixinho.... hehehe
:)
Lucas, eu não sabia que o Romário tinha ficado um mês no estaleiro, depois do jogo que calou a boca de Zico & Cia Ltda. E, me corrija se estiver errado, ele jogou mais de uma vez enquanto a seleção esteva na FRança. Além disso, lembro muito bem do baixinho correndo quilômetros e quilômetros na ergométrica e na caixa de areia, sob a batuta do Petroni. Acho, sinceramente, que foi um baita erro do Zico cortar o Romário naquele tempo e as coisas poderiam ter sido diferente se o baixinho estivesse lá contra os franceses. Foi por inveja? Não sei, mas pode ter sido. Sei que em 94 o Ricardo Rocha se contundiu, mas pelo bem do grupo o Parreira decidiu mantê-lo no elenco, e o Brasil se sagrou tetra.
Rei, após aquele jogo o Flamengo disputou três partidas ainda no mês de julho. A conferir: Amistoso contra o Atletico PR em Curitiba, vitória 1x0. Estréia no Brasileiro contra o Botafogo, 1x1 e na Mercosul contra o Cerro Porteno, 2x0. Em nenhum desses três jogos Romário sequer passou perto do campo. Ele só voltaria contra o Coritiba, na vitória por 3x1 em 01 de agosto, bem depois da Copa.
Inclusive, vale salientar, o amistoso contra o Internacional foi no dia 05 de julho e a estréia da Seleção na Copa quase um mês antes, no dia 10 de junho. Romário não tinha a menor condição de jogo e só poderia "atuar" na semifinal contra a Holanda. Vendo aquele jogo, você acha mesmo que valeria a pena ter mantido o cara sem nenhuma perna funcionando?
Em 2002 o Felipão cortou o Émerson, machucado, e também foi campeão. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Ricardo Rocha era querido por todo o time de 1994. Romário não gozava do mesmo prestígio em 98. Pergunte ao Roberto Carlos, por exemplo.
Outra coisa, o Romário não disputou Mundial Interclubes em 1998. Acho que em 1998 ele jogava pelo Fla, inclusive.
Em 1988. Erro de digitação. Em 1988 ele jogou pelo PSV.
Apenas uma observação. O Romário também foi bi-campeão carioca pelo Vasco em cima do Flamengo em 87/88, época em que esse ingrato comemorava gols sobre o Flamengo.
Adicionalmente, já que o Ronaldo não veio, creio que o Romário seja um grande reforço para a Libertadores. Muito melhor do que Souza, Obina e Tardelli juntos (rs).
Saudações Vascaínas,
Rodrigol.
Com relação ao amistoso do Flamengo durante a Copa de 98, lembro bem que Romário voltou a sentir a contusão da panturrilha. E amistoso o nome já diz: é um jogo sem importância , nada comparado a um jogo Brasil e Chile da Copa de 98. E a imprensa, na época, não deu destaque à velha contusão de Romário, que realmente continuou no estaleiro. O objetivo era fazer o povo acreditar que as declarações de Romário eram verdadeiras. Vou emitir minha opinião sobre ele: Realmente, grande jogador dentro da área, mas um cara sem ética e de caráter duvidoso. O que podemos pensar de um jogador que chegou a se considerar DEUS?