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O quarto poder

Domingo, 29 Junho 08, 04:14 AM

Por anos e anos que os editores de O Globo, além de outros jornalistas, tentaram derrubar Eurico no Vasco. Jamais conseguiram. Apontavam toda a sorte de falcatruas, roubalheiras e o que mais fosse, mas o (vice)presidente lá ficava desafiando qualquer um que tentasse sobrepujá-lo. Eleições se passaram e o mandatário que um dia eu comparei com Fidel lá permaneceu. Foi necessário que um repórter garoto e insuspeito mostrasse, na prática, o que muitos diziam existir, mas nunca conseguiram provar.

Essas fotos acima são do repórter Guilherme de Pádua, do Lance!, entrando nas penúltimas eleições do Vasco e votando sem problemas, mesmo estando há 12 anos sem pagar a mensalidade do clube. Isso, na verdade, não prova nada x nada, pois eu mesmo já votei no Flamengo sem nem sequer mostrar a carteirinha e algo semelhante deve ocorrer em todos os clubes. Mas é sem dúvida alguma uma prova da força da imprensa esportiva.

Depois de anos tentando, finalmente alguém conseguiu juntar provas contundentes e sem contra-argumentação para mostrar que as eleições vascaínas eram tão legítimas quanto às do Zimbábue. Mas só foi possível porque o Lance! acertou uma vez. E esse é meu ponto aqui. 

A imprensa esportiva tem uam força que muita gente não conhece. Ela derruba técnico e acaba com carreiras de jogadores. Ajuda a perder e a ganhar títulos e muitas vezes formenta polêmicas onde elas não existem. Mas até a última sexta-feira, ela ainda não havia conseguido derrubar um presidente. Nem no Flamengo do Edmundo Santos Silva, pois ela ajudou a colocar a ISL lá dentro e não conseguiu (ou não quis) mostrar que a grana entrava mas não ficava nos cofres do clube.Outro ferrenho inimigo dos jornalistas cariocas, Eduardo Viana, o ex-presidente da Ferj, só saiu morto, após anos de denúncias e matérias contra, sem efeito.

Acho que nesse caso o jornalismo foi bem feito e fundamental, porém não é sempre assim que a banda toca. O atual caso da Seleção Brasileira mostra bem o que digo, quando converso com repórteres que fazem mea-culpa de baterem muito no treinador e confessam alguns exageros, mas quando estão diante da TV não perdem a oportunidade de "esquecer" conveniências do passado em prol da audiência.

Pois bem. O Lance derrubou Eurico Miranda. Não foi a torcida do Vasco, não foi o MUV, nem muito menos o provável enfisema pulmonar que os intermináveis e seguidos charutos lhe trarão um dia. Foi um jornal que custa R$ 1,00 no Rio de Janeiro. E um repórter, vascaíno de berço, que hoje sequer pode entrar em São Januário sob risco de ser empalado vivo num mastro de bandeira. Um jornal que um dia escreveu "Eurico é um dirigente modelo e que todos os torcedores gostariam de ter em seu clube". Tudo bem. Se a Globo colocou e tirou o Collor do poder, por que o principal diário esportivo do país não conseguiria acabar com a carreira de um ex-deputado?

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Enquanto isso, na terra encantada da Gávea....

Observem o pequeno-enorme símbolo na parte inferior da tela. Aquele mesmo cujo contrato foi rescindido, sabem? Aquele cujo contrato acabou e o substituto injetou R$ 10 milhões para pagar salários e sei lá mais o que. Por que não colocam o novo símbolo da camisa? Hein? Por que não???

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Postado por LucasDL | Comentários (4)

4 Comentários

André Monnerat
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André Monnerat Escrito: | 14.00UTC | Jun 30, 2008

Até tinha as interrogações lá embaixo, até a Nike conseguir essa liminar de agora. Essa briga aí ainda vai durar...

LucasDL
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LucasDL Escrito: | 14.05UTC | Jun 30, 2008

Pois é. Aí eu pergunto se não era melhor esperar e terminar o contrato de forma correta para depois acertar com outro? Claro que não. Ano que vem tem eleição e o Marcio Braga quer garantir logo seu sucessor.

gustones
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gustones Escrito: | 05.04UTC | Jul 3, 2008

Perfeito o artigo, e gostaria de acrescentar apenas um adendo e uma ressalva.
Como adendo, e baseado em recente entrevista do técnico da seleção e algumas conversas com jornalistas da área, devo dizer que a Globo tem obsessão por controle e audiência.
Acham que o técnico não tem que planejar, estudar, ter critério. Tem é que reunir um bando e dar audiência para o anúncio ser caro.
É o resultado da VENDA da seleção para a Globo: nenhum técnico vai ter sossego.
A campanha é aberta. E o Dunga paga por não ser subserviente aos repórteres da Globo.
A ressalva, apenas para fazer Justiça: em 2002, eu estava lá e acompanhei o LANCE derrubando, sim, o Edmundo Santos Silva, com a publicação de gravações que revelavam negociações escusas. Pode pesquisar, tava lá. A matéria fez o CD abrir o processo de impeachment. Não tenha dúvida.
De resto, perfeito o artigo - e creio que o tema Seleção Brasileira ainda vai nos render muitos debates sobre Ética e Jornalismo Esportivo.

LucasDL
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LucasDL Escrito: | 18.04UTC | Jul 3, 2008

Gustones, se o Lance fez isso mesmo, puxando pela memória eu até lembro, blz, retifico meu post. Mas são casos diferentes. O Edmundo caiu rápido até. O jornal tentou tirar o Eurico durante anos, e mesmo com todas as evidências de falcatruas que existiam, jamais conseguiram.

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