Sexta-feira, 27 Abril 07, 07:05 PM
1995 - O Rei do Rio
"Para cada gol que o Romário fizer, eu vou fazer dois". Frase de Túlio Maravilha, provocando o então melhor jogador do mundo, que voltava de contusão justo para a final da Taça Guanabara.
Flamengo e Botafogo chegavam para a decisão em jogo único com equipes bastante equilibradas e sem nenhum favoritismo. O Bota era o campeão Brasileiro e o Fla estava no núcleo da comemoração de seu centenário e tinha em seu elenco, Sávio, Romário além de Vanderlei Luxemburgo, no banco. O Maracanã, lógico, estava lotado, abarrotado, entupido.
Lembra da frase do Túlio? Pois é, guarda ela.
O Flamengo entrou para matar o jogo. Pressionava com vontade e qualidade, sempre chutando a gol, fazendo o goleiro Wagner envelhecer uns 10 anos em 45 minutos. Logo aos sete da primeira etapa, pênalti para o Fla e Romário abriu o marcador. As redes daquela trave de Morumbi, feias, quadradas, se balançaram.
O time do Botafogo não tinha nenhum equilíbrio emocional. Os jogadores batiam como se não houvesse amanhã. Os rubro-negros apenas aproveitavam, sempre chegando com raça e para decidir logo no primeiro tempo.
Com 22 minutos de jogo, Sávio fez um carnaval pela esquerda e cruzou na medida para Romário, de cabeça, ampliar. O Flamengo estava avassalador, impossível naquela noite. E antes ainda dos 45 minutos iniciais, Túlio, a esperança alvinegra, foi expulso. Não havia sequer tocado na bola. Romário já havia feito dois, eram quatro na conta do Maravilha.
No segundo tempo, o Botafogo, sem Túlio, voltou bem melhor. E coube a Adriano fazer as vezes do artilheiro. Não decepcionou e aos 28 e 34 marcou duas vezes empatando o jogo. O Botafogo estava de volta à batalha. Mas.......
Lançamento de Válber para Romário. Marcio Teodoro se antecipa, cabeçeando para Wágner que saía do gol. Romário sabia que aquilo não ia dar certo. A cabeçada sai torta e pára na frente do melhor atacante do mundo. Romário espera ela se ajeitar sozinha e fuzila. Flamengo 3, Botafogo 2. Túlio estava com seis na conta. O Flamengo estava na final do Estadual.
No primeiro jogo da Taça Rio, Romário fez mais três e a conta de Túlio dobrou. Até hoje, não pagou. E Romário era consagrado como Rei do Rio, até que a cidade conheceu, um mês depois, o significado do ditado "com o Rei na barriga".
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1997 - Um time de 22 titulares.
Um time de futebol ganhar um campeonato vencendo todos os jogos, isso já foi visto. Mas DOIS times vencerem o MESMO torneio, ao MESMO tempo, ganhando todos os jogos? Isso era inédito. Até aquele 26 de março de 1997. O Flamengo de Romário, Sávio, Mancuso e outros enfrentaria um Botafogo reserva do goleiro ao ponta-esquerda. Marcelo Alvez, Róbson, Renato era tão obscuros naquela época quanto são hoje.
Ao Flamengo, bastava uma simples vitória que o colocaria na final, aí sim para enfrentar o Botafogo adulto, sério. O alvinegro escalou os reservas para poupar os titulares para a final. O Vasco, terceiro interessado no jogo, havia dispensado seus jogadores para folga, jamais acreditando numa vitória do Botafogo, que o colocaria na decisão.
O jogo foi numa quarta-feira à noite. O Maracanã era totalmente rubro-negro. Talvez, apenas uns 300 botafoguenses estiveram no estádio. O clima era propício para o Fla. Só que aos 25 minutos do primeiro tempo, tudo mudou.
Renato, dispensando pelo próprio Fla um ano antes, de fora da área, mandou uma bomba que Zé Carlos nem viu onde entrou. Estufou a rede digna de Maracanã. O estádio nem ouviu o grito dos torcedores do Botafogo. O silêncio era mais alto. O Flamengo, finalista da Copa do Brasil e do Rio x São Paulo, estava sendo eliminado por um bando de reservas. Um time de estepes venceu o maior rival, contra tudo e contra todos.
Humilhando e eliminado, o Flamengo reservou-se a fugir das manchetes até o início do segundo turno. O Vasco cancelou a folga dos jogadores. Nem eles acreditavam que agora fariam a final da Taça Guanabara.
No domingo seguinte, Gonçalves, ainda cabeludo, fez o gol do título e o Botafogo foi 100% campeão da Taça Guanabara. O Botafogo, não. OS BotafogoS. Os dois times que jogaram o campeonato ganharam todos os seus jogos. Houve quem sugerisse que para se conhecer o verdadeiro campeão, era preciso agora um final entre os reservas e os titulares. Nada mais justo.
E assim, para alegria de quem não aguenta mais, encerro a série.
1 Comentários
Rapaz, você sabe muito do futebol carioca. Quem sabe, você não fala algo sobre a máquina tricolor, com Samarone e tudo, no início da década de 70. Acho que o Paulo Amaral era o técnico. Parabéns.