Domingo, 31 Maio 09, 10:40 PM
O Flamengo finalmente tem um atacante. Pronto. É isso. Assim se resume a chegada do garoto-propaganda de Prozac, Adriano. Já escrevi aqui mil vezes que sempre o achei um bom atacante, do nível de muitos no mundo, mas nada excepcional.
Lógico que Adriano é absurdamente melhor do que todos os atacantes que passaram pelo Flamengo desde o Romário, talvez pau a pau com Edílson. Só não sei se é mérito ser melhor do que Negreiros, Roma, Lúcio e outros lixos.
Comparando os feitos da carreira com os demais centroavantes brasileiros na atualidade, fica atrás de Ronaldo e só. Antes de sua chegada, a Inter não ganhava o título nacional desde 1989. Depois, ganhou três. Pela Seleção, virou pesadelo para os argentinos. Ele impõe respeito nos adversários, dá moral e leva gente ao estádio e ainda é um cara legal. Então eu deveria estar deslumbrado com sua vinda pro Flamengo, não?
Não, exatamente porque se trata do Flamengo de hoje.
Antes que venham me chamar de "o pessimista", lembro que quando Adriano saiu ele não era Imperador. Era baixo clero da pior qualidade. Foi expulso do clube pela torcida e trocado por um Vampeta e alguns trocados. Para vocês verem o nível. Então eu não sou muito adepto desse papo de Imperador voltou. É típico da fanfarronice flamenga que leva o clube para esse abismo atual. Uma vitória enche de otimismo aqueles que acreditam que a camisa ainda ganha jogo. Uma vitória sobre o lanterna do campeonato, diga-se.
O meu otimismo referente a Flamengo é o mesmo de dias atrás. Temos um atacante muito melhor do que o estava lá antes. O time agora tem uma referência na área, um 9 autêntico. Mais experiente em campo e bombástico fora dele. Mostrou no curto tempo de São Paulo que está no topo da cadeia goleadora nacional e parece muito motivado, ao mesmo tempo que dá oi para as noites cariocas e suas maravilhas com frequência típica de craques animais.
Espero mesmo que melhore muito, pelo bem do meu Flamengo. Só não sei se o Flamengo, na atual conjuntura e o seu conhecido histórico paternalista, é a melhor clínica de recuperação. Eu preciso ver muito mais antes de começar a acreditar que esse Flamengo possa dar certo. O time ainda é o mesmo dos vexames do ano passado. A diretoria idem. E os problemas...
Um Adriano só não faz verão e o clube ainda precisa de uma mudança completa. Para quem está deslumbrado e soltando fogos pelo Leblon, só digo que um Romário não fez o que espera-se que Adriano faça. E o Adriano ainda é só o Adriano. O cara que largou o futebol sério para ser feliz na favela onde nasceu.
Segunda-feira, 25 Maio 09, 04:40 PM
HA HA HA
Voltamos à programação normal.
Quinta-feira, 21 Maio 09, 04:07 PM
Se você chegou aqui pensando que iria encontrar links para baixar esse épico do cinema nacional, esquece. O blog é de futebol. E apesar de falar de Flamengo, ainda preza pela moral e bons costumes. O boçal e o estrume você encontra em outro lugar.
Todo mundo viu a pândega que foi a contratação do Pédecôve pelo síndico interino Delair Dumbovisk. O coroa trouxe o velho e o Brasil inteiro acompanhou o primeiro caso de jogador que compra latifúndio em time de futebol.
Até agora, 18:17 do dia 21 de maio de 2009, ninguém do Mais Falido se levantou para explicar como foi feita a negociação, os termos, as prestações, as caixas de whisky e o que mais rolou. Um grupo fala em dívida de 8.4mi renegociados, enquanto outro menciona 18 milhões devidos.
O balanço de 2008 do clube, que você baixa aqui (quase tão pornográfico quanto o filme homônimo do post), informa que no ano passado foram pagos mais de cinco milhões de reais ao ex-jogador. Cinco milhões de reais em um ano para uma única pessoa. Algum rubro-negro que lê esse blog sabia disso?
Cinco milhões depois, hoje, o Flamengo, através de seu presidente que retornou ao cargo, Marcio Braga, informa que a negociação NÃO foi fechada ainda e que muita conversa vai acontecer. O vice-perded..ops! presidente de futebol, Kléber Leite, o Magnânimo, ontem falava que não aprovou a contratação, mas agora diz que ela é desejada, necessária e importante para o futebol do clube. Duvida? Lê aqui, então.
Qual o valor da dívida, afinal? Ontem era de 8.4 milhões. Hoje, o presida diz que é de 18 milhões, ou seja, dá razão ao sérvio. Onde eu vi isso? Aqui.
Há poucas horas atrás, o Flamengo foi derrotado honrosamente pelo melhor time do Brasil (embora alguns achem que não. Tá bom), mas essa derrota cobrará um preço maior. A atual equipe já provou que não foi feita para vencer. Foi-se o tempo que Estadual parava as ruas com direito a desfile em carro aberto. Agora é uma competição cuja relevância acaba dois dias depois da conquista.
Em absolutamente todas as vezes que a torcida foi solicitada para ajudar a equipe, ela respondeu enchendo o Maracanã. Tirando partidas contra os tradicionais sparrings cariocas, em nenhuma dessas oportunidades o time correspondeu. As vergonhas são corriqueiras e o empate com o Avaí não deu em nada. O ano de 2008 foi pródigo em vexames que não causaram nenhum tipo de reforma.
Por muito tempo eu escrevi aqui que o time não era o problema. Hoje é. Os jogadores não têm mais moral nem respeito perante a torcida. Ninguém confia mais neles. O comando técnico não tem suporte nem estrutura para trabalhar. O Andrezinho saiu do jogo de ontem dizendo que "prefere ser reserva num clube estruturado e que disputa títulos a estar n'outro que luta contra rebaixamento".
O Flamengo tem o estranho fetiche de se complicar seriamente a partir de maio. Todo ano é a mesma coisa. E já vi time cair por muito menos que isso.
* rebuceteio é uma expressão que significa "grande confusão", ao contrário do que suas mentes poluídas pensaram.
Quarta-feira, 20 Maio 09, 12:37 PM
"Oi, meu nome é Petkovic e era eu quem embargava seus salários através de penhoras, tá? Vim para ajudar o Flamengo a me pagar melhor. Assim, eu já pegava o dinheiro das cotas do Clube dos 13 e continuarei recebendo normalmente, enquanto vocês esperam que apareça um patrocinador qualquer, beleza? Enquanto isso, cadê a 10?"
Eis que a diretoria do Mais Querido se superou mais uma vez. Sob a pecha do terrorismo barato de Marcio Braga (o dinheiro acabou), o Flamengo aceitou ficar de quatro para Petkovic e deixá-lo terminar a carreira no time, enquanto sua assombrosa dívida de 18 milhões - segundo jogador, jamais contestada em público pelo clube - será paga em X vezes de 200 mil reais (somente a partir de janeiro), mais um salário de R$ 70K.
De acordo com o Fla, a dívida é de 10.1 milhões, tendo sido abatidos já 1.4mi de rendas penhoradas como a da final do estadual e demais quantias, não explicadas, provindas de cotas pagas pelo Clube dos 13, relativas aos direitos de TV.
Com isso, o valor hoje seria de R$ 8,7 milhões. Dividindo por 200 mil reais, temos um resultado de 42 meses pagando o jogador, que estará no time somente até maio de 2010. Vale mencionar que não está prevista nenhum tipo de ação de marketing, uma vez que nem fabricante de camisas o Flamengo tem, ou garantias de que ele será titular. Afinal, segundo querem que acreditemos, Pet se transformou em alguém humilde o suficiente para encerrar a carreira no banco ou treinando em separado com garotos no Ninho do Urubu.
Resumindo: até janeiro o Flamengo pagará “apenas” 70 mil reais ao jogador a título de salários, se conseguir não atrasar. Feito isso, terá que pagar “somente” 270 mil reais até maio, quando ficará obrigado a quitar a dívida de só “200” mil mensais por 40 meses, mais ou menos, já que essa quantia de 200k também não é oficial.
O cenário é tenebroso e mais uma vez o Flamengo sai na vanguarda das novidades administrativas brasileiras. Agora o jogador paga para estar no time. Porém, o clube precisa cumprir suas obrigações, em contrapartida. O que me leva a diversas perguntas:
1) O Pet fala em 18 milhões. O clube não rebate publicamente, mas nas internas diz ser 10 milhões, no máximo. Uma divergência de 100% sobre o que o clube admite dever ao atleta. Quem tem a razão? Esse tipo de discussão é comum, mas com essa discrepância toda?
2) Quem tem mais credibilidade para apontar o valor real da dívida? Por que o Flamengo não vai a público, de forma oficial, e informa a real situação do caso?
3) Há uma cláusula que atrela o pagamento do salário à produtividade. Nunca entendi bem como funciona esse negócio. Ele precisa ser titular em X partidas? Mas como, se agora mesmo anunciaram que ele não fará questão de o ser e que não irá impor sua vontade? Precisa estar em forma? Como cobrar isso dele se não conseguem o mesmo com o Obina? Se ele não for aproveitado, receberá apenas o parcelamento?
4) Por que pagar um salário de 70 mil para um jogador cujas expectativas de produzir o que dele se espera são mínimas, inclusive tendo o depto. de futebol vetado sua contratação?
5) Se a dívida só será paga a partir de janeiro, quem arcará com ela? Delair ou outro presidente que poderá ser eleito no fim do ano?
6) Quem pagará será o Clube dos 13. Informo que o C13 não deve NADA ao Flamengo e esse pagamento virá de cotas antecipadas. O próximo presidente não poderá contar com elas por 3 anos. Se o clube tiver problemas de salários, não poderá utilizá-las para o pagamento. Mas Pet receberá normalmente, mesmo sem jogar, já que é assim que o acordo prevê, e o que já acontece hoje. Por que então não simplesmente manter o acordo dessa forma, oficializando-o na justiça, ao invés de levar para o time alguém com baixo grau de sociabilidade e que ainda por cima receberá em dia? Alguém falou o nome Dimba aí?
7) Hipótese que não quero nem pensar, mas possível. Se o time cair de divisão, as cotas sofrerão uma redução drástica. Como pagar então?
8) Romário já recebia sem precisar jogar. E vinha de cotas penhoradas através de acordo. Por que não o mesmo com o Pet?
9) O Flamengo entrou, com Botafogo e Fluminense, num programa carioca que destinava 15% de suas rendas para quitar dívidas trabalhistas. Por que o Pet não está incluso nisso? Há quantas anda esse acordo? Morreu como a Timemania?
10) Em caso de saída do Cuca, algo bem provável em se tratando de Flamengo, o próximo treinador terá que viver com essa situação. Poderá ter, ao mesmo tempo, um exímio lançador e batedor de faltas e um cara que foi apresentado ao time sem o aval do comando técnico superior, no caso, o vice Kléber Leite.
11) Pet não é da época Kléber Leite. Romário é. Kléber queria Romário. Não quer Pet. Pet foi contratado. O time já sabe disso.
Respostas através de cartas para a redação.
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Frase do presidente Delair: "Espero que ele encerre a carreira tetracampeão estadual". Então, presidente, o senhor não acredita no time para o hexabrasileiro? É isso?
Sexta-feira, 15 Maio 09, 11:42 AM
Vi por aí uma série de flamengos comemorando o resultado da última quarta-feira. Isso depois de ver outros tantos dizendo que o Cruzeiro ganhou a partida de domingo, com um jogador a menos, por 2x0, mas não jogou melhor. Péra um pouco! Deixa ver se entendi como são as coisas.
O Flamengo empatou com o Inter, em 0x0, no Maracanã. Bruno fez milagres. Agora vai encarar uma equipe absurdamente mais forte, equilibrada, bem treinada, estruturada, na casa dela, onde historicamente não tem bons resultados e precisando fazer gols para ter uma certa tranquilidade. Isso contra um time que enfiou seis, sete e até oito nos Resendes que encontrou pela frente, enquanto o carioca tomou de três na lata e viu a Taça GB pela televisão.
No final, os dois ganharam seus campeonatos. O do sul venceu o principal rival em todas as vezes que se enfrentaram e levou os dois turnos. O Flamengo, entretanto, perdeu para o Vasco (da segunda divisão), ganhou do Flu (com frango do goleiro) e empatou os dois jogos da decisão com o Botafogo (onde o seu principal artilheiro foi um jogador adversário), só levantando a taça graças ao goleiro, nos penaltis.
É, a torcida tem razão em comemorar, mas a culpa não é dela. A imprensa mesmo está dizendo que o Inter perdeu o encanto, não sabe mais jogar e blablabla, só porque ao enfrentar os campeões paulista e carioca, o time saiu com uma vitória e um empate, jogando ambas fora de casa. Ah tá. É mesmo um lixo esse Inter.
Já o Flamengo, aahhhh, O FLAMENGO, continua com seu para-ataque que nem com GPS acerta o gol, diretoria prometendo quitar atrasados e sonhando com um ex-depressivo para resolver as partidas sabe-se-lá a partir de quando.
É nessas horas que vimos uma completa distorção das coisas no futebol nacional. O Flamengo outrora dominante e apavorante, agora é zebra. Empatar com o rubro-negro no Maraca é motivo de questionamento pro adversário.
Também pudera. Depois de perder pro America do México, pro Atletico Mineiro, entregar o jogo do Goiás, apanhar impiedosamente pro Resende e ninguém ser mandado embora ou pagar a conta de qualquer forma, queriam o que?
Vamos chamar de débil mental quem fala em Ronaldinho ou Roberto Carlos. Mas o cara que montou e comanda esse time é um gênio.
Sexta-feira, 08 Maio 09, 09:51 AM
A turma do “nunca-satisfeita” já levanta e berra que fazer gol em Galpão Crioulo e Farroupilha é mole, mas, ainda assim, alguém tem que fazer. E o Inter fez. Muitos. Pior ainda que para os adversários, continua fazendo a rodo.
É ano de Centenário. Logo, o clube quer ganhar absolutamente tudo e segue atropelando quem vem pela frente. Se meus cálculos não estão errados, perdeu apenas uma partida em 2009, pela Copa do Brasil. Mas já foi, o time se acertou, estão embalados e tem pela frente o campeão carioca.
Primeiro teste para ambos. O Flamengo também não jogou com nada x ninguém relevante até agora. Um rival está na segunda divisão, o outro tremeu e o terceiro já está tão acostumado a perder que faz os próprios gols contra para resolver logo a partida.
Agora é a hora do “vamo vê”. Apostando em favorito, fico com o Inter, mais time desde o ano passado. Só que o Flamengo tem essa mania de correr mais contra adversários ditos superiores.
A decisão é no Beira Rio, onde o carioca não possui bom histórico, mas sua torcida em Porto Alegre é consideravelmente maior do que a Colorada no sudeste.
Falta ataque ao Flamengo. Sobra no Inter. Mas a linha defensiva rubro-negra é melhor, porém ainda não foi testada de fato.
O Inter tem mais talento. Sempre. O Flamengo tem mais gana. Dependendo do jogo.
Dos próximos confrontos da Copa do Brasil, esse será, sem dúvidas, o que mais chamará atenção. O vencedor fará a final da competição, já que nem Ponte ou Coritiba possuem força para vencê-los. A decisão do título será com o Curintia, cujo caminho está bem facilitado.
Ronaldo x Adriano ou Ronaldo x Nilmar? Está escrito.
Quarta-feira, 06 Maio 09, 03:33 PM
"Roubamos o Real Madrid", disse Kléber Leite em 1998, na apresentação do super time com Palhinha, Cleisson, Romário, Zé Roberto e Rodrigo, treinados por Paulo Autuori. Essa equipe genial perdeu
de cinco pro Chelsea (antes do russo) e pro Vitória, apanhou até do Bangu e no final das contas fugiu do estadual dando-o de bandeja para o Vasco.
Segundo o presidente na época, o “roubamos” referia-se à liberação do Sávio em troca de 50% do Rodrigo – que rodou meio-mundo sem o Flamengo ver um centavo –, empréstimo do Zé Roberto – que
vazou em julho mesmo –, além da contratação de Palhinha, Cleisson e Romário. Ao final de 1998, Sávio era campeão do mundo pelo Real (em cima do mesmo Vasco para quem KL entregou o carioca) e os
dois primeiros já tinham vazado do Flamengo, além de Romário passar mais tempo no estaleiro do que em campo.
Enfim, eis que agora, depois de uma depressão gigante e comovente em que o mundo inteiro torceu por sua recuperação e sofreu junto com os problemas (chegaram a achar que tava morto), Adriano, o
tal Imperador, chega e assina com o Flamengo apenas 12 dias após o seu empresário pedir aos italianos que o liberassem para que pudesse se recuperar sem a pressão de seu drama pessoal.
Pois é, 12 dias depois e a depressão acabou, o cara que não queria jogar mais está louco para entrar em campo e a Inter perdeu a chance de ganhar uma grana com multa rescisória. Excelente
estratégia montada por alguém (roubamos a Inter de Milão??), ou descobriram o melhor remédio para um dos maiores males da humanidade.
Mas o que eu acho disso?
Para o time do Flamengo Adriano é uma ótima pedida, óbvio. É absurdamente mais jogador do que todos os outros juntos e se trata de um cara novo, ainda. Não é uma incógnita, como mostrou em seu
tempo de São Paulo. Se por lá não ganhou, são coisas do futebol.
Para a Centaurus, 4x4, Monte Carlo e Solarium, melhor ainda. Já estão abrindo vagas para novas moças e o hortifruti sexual carioca está em polvorosa. Isso sem falar da PM que anunciou o
pagamento de 14º e 15º salários em 2009.
Adriano trará para o clube uma projeção internacional como há muito não havia. Se jogar bola, poderá, ao lado do Gordo, reeditar a fracassada dupla de 2006 na Seleção. É só o Galvão Bueno
querer.
Falando sério, qualquer previsão agora é puro “achismo” ou torcedorismo barato. O time deverá mudar bastante na janela do meio do ano. As principais fontes de bola para o atacante – os laterais
– estão com vistos e passaportes prontos para cair fora. O mesmo para Íbson. Outros poderão sair eventualmente (isso se não mudar o técnico também). Acredito então que o time do Flamengo para o
brasileiro de 2009 só será configurado mesmo em agosto, já pensando no tetra do estadual, seguindo a lógica de prioridades da atual diretoria.
Mas as eleições no fim do ano estão garantidas. E os italianos, hehe, esses são mais otários do que os espanhóis. Ou será que os otários são mesmo os italianos?
Segunda-feira, 04 Maio 09, 11:07 AM
José Maria Sobrinho
O ex-jogador e atual dirigente profissional do Milan, Leonardo, emitiu um pronunciamento oportuno, firme, impactante, controvertido, que provocou grande repercussão no meio do futebol, especialmente, no Clube de Regatas do Flamengo.
Imediatamente, os “cartolas”, ferrenhos defensores do statuo quo, reagiram com posições superficialmente de paixão e amor ao clube, mas, no fundo, indicativas do interesse em manter privilégios.
Futebol tornou-se um negócio de vulto. Hoje, os grandes clubes do País possuem orçamentos em torno, ou pouco acima, de 100 milhões de reais. Na verdade, poderiam e deveriam estar com o faturamento na casa dos 500 milhões. Tal circunstância, fácil é de se perceber, exige uma administração com estrutura organizacional adequada, a cargo de especialistas profissionais competentes, com dedicação integral.
No entanto, no Brasil, isso ainda não ocorre. Muito ao contrário. Como consequência natural, em processo acelerado, os clubes se endividam e ficam mais atrasados e dependentes dos clubes da Europa, da Ásia e até do Oriente Médio.
É preciso reconhecer que os dirigentes voluntários tiveram um papel fundamental na construção dos maiores clubes do País. Por essa contribuição devem ser enaltecidos, louvados, respeitados. No entanto, agora, em sua maioria, reagem contra a modernidade da gestão e, assim, estão se colocando na contramão da história. Paradoxalmente, passam a ser, também, os responsáveis pela atual situação calamitosa dos clubes, alguns, sob a análise patrimonial, em estágio pré-falimentar.
No afã de manter suas influências e na medida em que sentem a avalancha que se forma para a mudança, esses dirigentes voluntários criam artifícios e frases de efeito, para não reconhecer a evidência de que o modelo vigente exauriu-se. Apresentam alternativas híbridas, paliativas, postergáveis e inviáveis. Fogem da discussão. Em atitudes arrogantes, tentam desqualificar e menosprezar os defensores da evolução, da transformação.
Mas afinal, qual o modelo de gestão “salvador”? Fique claro que não há a solução padronizada, não existe o pacote fechado. A nova forma de gerir o futebol, que não precisa ser, obrigatoriamente, através de uma sociedade empresária, embora isso pareça ser a melhor opção, deve atender às peculiaridades de cada clube e a alguns princípios básicos, a saber: autonomia de gestão, por meio de delegação planejada, que atribua aos administradores responsabilidade na operação do futebol, do negócio e garantias na função; administração totalmente profissional; comprometimento com metas - esportivas, financeiras, administrativas e patrimoniais; controle da gestão, com transparência e por auditores especializados; desvinculação da gestão do futebol da dos demais setores e esportes do clube.
Deve, também, ficar bem entendido que não há modelo, por melhor que seja, sob a luz da teoria, que resista aos aproveitadores, aos “palpiteiros de plantão” e aos arraigados processos obsoletos e viciados. Uma coisa é torcer, outra é administrar.
Face à fratricida luta interna pelo poder existente nos clubes, para ter êxito, a reestruturação deveria se originar sob uma condição consensual: o compromisso de todos aqueles “cartolas” que exerceram cargos, nas últimas três décadas, de se afastarem das funções diretivas, dando lugar à imprescindível renovação. Só assim seriam expurgados os vícios, procedimentos e comprometimentos lesivos, acumulados durante esse período.
Aos dirigentes voluntários caberiam fazer parte de um órgão de direção superior, com atribuições, entre outras, de aprovar e controlar o Plano de Ação, os orçamentos, as contratações dos executivos profissionais. Seriam eleitos pela Assembléia Geral e em número reduzido.
Eis aí, a “certa analogia” do Flamengo com o nosso Congresso. Os “cartolas”, desgastados e desacreditados pela situação a que levaram o Clube em décadas de atuação, e os congressistas, submetidos à pior reputação da história, por atitudes condenáveis. Destarte, no propósito maior de recuperar e preservar suas instituições, concordariam em se retirar de cena. As nações - rubro-negra e brasileira – clamam por isso. Pano rápido!
José Maria Sobrinho é empresário e foi vice-presidente de planejamento Flamengo.
------------------------Esse texto foi publicado na versão impressa do Jornal O Globo, dois dias antes do pentatri. Para aqueles satisfeitos com a mediocridade que adoram dizer "por que não fez enquanto estava lá?", JMS literalmente pediu para sair ao perceber que estava dando murro em ponta de faca, quando já passados os 70 anos de idade viu que tinha coisas mais importantes na vida a fazer do que discutir cartolagem.
Por isso eu digo, "tri, e daí?". Esse título foi comemorado timidamente lá em casa, pois ele mais prolonga e fortalece a corja do que traz benefícios o clube em si. Em termos financeiros, estruturais no que diz respeito a um grande clube, ele é pouco. Para o lado esportivo de um pequeno, como é o Flamengo de hoje, ele é tudo. E assim, a massa fica feliz em poder zoar clubes que conseguem a façanha de serem menores ainda. Sente seu ego inflado com as poesias da imprensa que adora falar de um gigante por sua torcida e invencível no Maracanã. O mesmo gigante que daqui dois meses relembrará os cinco anos do maior vexame já vivido por um clube em sua história.
O Flamengo tem hoje o maior passivo do mundo. É a sua torcida, que a tudo vê e aplaude sem pensar no futuro. O que importa é o tri carioquinha, segundo o mandatário do futebol que afirmou ser essa a prioridade de 2009, acima da Copa do Brasil e do Brasileiro. Mas quem pensa em escalar Pão de Açúcar, como o senhor Kléber Leite, não alcança mesmo o Everest.
Quinta-feira, 30 Abril 09, 09:56 AM
Título modificado em homenagem à expressão dita ontem por minha patroa.
Ontem foi um dia especial e ao mesmo tempo comum para os setoristas que cobrem o Flamengo. Especial porque Kléber Leite lhes deu matéria numa noite que o time teve mais uma (péssima) atuação na
sua média. E comum porque o magnânimo repetiu a ladainha corriqueira, colocando o mundo contra o Flamengo. E, claro, tem gente que aprova, faz barulho, grita junto....
Sua entrevista baseou-se em dois pontos focais. Um sobre a preventiva punição ao marrentinho da camisa seis. O outro, e o melhor para mim, sobre a contratação do deprimido Mega-Sena (alcunha
dada pelos policiais que adoram “encontrá-lo” nas ruas do Balneário). Vamos separar em dois.
Segunda-feira, 20 Abril 09, 03:40 PM
On Boi de piranha ou uma nova era?