Terça-feira, 29 Setembro 09, 11:19 AM
Sexta-feira nós saberemos onde ligar a TV no inverno de 2016 (se o mundo não acabar antes, em 2012, como dizem alguns). Em Copenhagen, a bela capital da Dinamarca, os velhos do COI decidirão entre a inovação ou o conservadorismo. Entre uma novidade ou o mais do mesmo que provou-se eficiente ao longo dos anos.
Se o Rio de Janeiro for eleito, uma porção dos falados tabus será colocada abaixo e as Olimpíadas acontecerão abaixo do Trópico de Capricórnio pela segunda vez na história. Caso contrário, o mundo civilizado terá mais uma vez os Jogos Olímpicos e nós veremos pela televisão, dividindo o tempo entre o trabalho, o sono e o recalque do “pô, queria estar lá”.
Mas será que bom trazer uma Olimpíada para cá? Por que as xingam tanto um projeto desses, quando da Copa todos, ou grande maioria, são a favor? Será que é porque acontecerá em uma única cidade, ao ponto que o Copa é do país todo (ou de quem pagou mais por isso).
São questões subjetivas e aí vai da opinião de cada um. Tem quem diga que o Rio não pode receber porque é violento, que precisa de mais investimentos em outras áreas, que o Brasil tem mais com o que se preocupar, ou até mesmo porque é o Rio e pronto. “Não pode ser lá porque eu não gosto da cidade”. Sei que são poucos que pensam assim (espero eu), mas esses trouxas existem, paciência.
Eu sou carioca e gostaria de ver os jogos na cidade, mas não por serem no Rio, e sim por acontecerem no Brasil. Imagino quantas pessoas passarão suas vidas amando o esporte, mas sem condições de vê-los perto de si. Imagina você ir a um estádio e assistir aos saltos de Yelena Isinbayeva, ou estar lá quando Phelps destruir marca por marca nas piscinas. Que tal ver uma autêntica aula de basquete com o Dream Team de Michael Jordan e Magic Johnson? Essas coisas não acontecerão em 2016, mas teremos outros candidatos a Phelps, Isinbayeva e Jordan, ou até revelações onde jamais imaginaríamos.
Particularmente penso que Curitiba ou Porto Alegre mereceriam mais receber esses jogos, pois estão mais alinhadas com o pensamento do COI de ajudar a promover e crescer cidades. E também para sair do eixo Rio-SP que tanto atrasa esse país. Só que escolheram o Rio do Nuzman e assim será.
É pensamento comum que ao invés da escolha de uma sede, nós estamos vendo na verdade o nascimento de um Banco do Esporte onde muita gente vai fazer saques diários até 2016 do nosso dinheiro sem fazer nada. Aqui em São Paulo então, eu ouço isso demais. O que é contraditório, pois uma cidade que por anos elegeu o Maluf e agora ama o tal do Serra, não pode falar muito de gente que não faz, ou pode? Mas... E SE fizer?
O Rio precisa de hospitais. E SE as Olimpíadas ajudarem a melhorar os hospitais?
O Rio precisa de segurança. E SE as Olimpíadas ajudarem a deixar a cidade mais segura?
O Rio precisa de transporte público. E SE as Olimpíadas ajudarem a melhorar o sistema carioca?
O Rio precisa de um melhor aeroporto. E SE as Olimpíadas ajudarem nessa construção?
O Rio precisa de praças esportivas. E SE as Olimpíadas ajudarem na criação desses espaços?
Não sei se vai acontecer e são muitos “e se” no meio. Além do medo do uso do dinheiro público exagerado. Olha, tirando Atlanta-96 que a Coca Cola bancou, isso é assim no mundo todo. Lógico que podemos argumentar que em grandes cidades européias e americanas há mais dinheiro e os hospitais já estão prontos. Sim, é verdade, mas se for essa a única maneira de conseguir as tais melhorias, porque não tentar? E SE der certo? Aliás, se a única condição para conseguir realizar essas melhoras for levar os jogos para o Rio, por favor, que o façam logo. A cidade precisa do desenvolvimento.
Claro que muita gente já sacramenta que não dará certo. Só esquecem que o Brasil tem histórico de conseguir realizar eventos importantes quando quer. Desde shows como o Rock in Rio, que mudou a forma dos grandes festivais mundo afora, até uma Copa em 1950 que gerou o maior estádio de futebol do planeta, não me lembro de vexames brasileiros. O Pan teve problemas, o dinheiro rolou solto e tudo foi mais caro do que o planejado. Mas as instalações construídas foram de primeiro mundo. Resta saber aproveitar depois.
Por fim, todos os argumentos são importantes, quando não providos do bairrismo ou recalque exacerbado e é mesmo uma situação muito complicada. Moradores de Chicago não estão muito afim de ver os jogos por lá. Existem cariocas que não querem por causa da conta a ser paga. Com certeza temos japoneses e espanhóis no mesmo barco.
Eu que não sou adepto desse complexo de vira-latas de achar que o Brasil é pior do que todos os outros países, quero mais é que Olimpíadas, Copa e o que mais for seja realizado aqui. No Brasil, no país que eu vivo. Quanto mais, melhor. Nossa auto-estima sobe, viramos o centro do mundo, todos falam do país, nossa imagem melhora, tem tudo isso.
Roubalheira, atravessamentos, politicagem, me desculpem os puritanos, mas isso acontece até nos estaduais. Basta ao povo fiscalizar, ficar em cima mesmo ao invés de escrever suas raivas em blogs e twitters. Mas se for esperar que todos sejam honestos, é melhor destruir a Terra e começar de novo. Se bem que 2012 está logo ali.
Sexta-feira, 18 Setembro 09, 11:32 AM
Estava aqui a pensar com meus botões. Um cara que resolve trabalhar num clube brasileiro, nas condições que se encontram, só pode ser por amor, certo? Claro que vocês dirão que não, que eles querem é mamar nas tetas financeiras dos times e isso ou aquilo. Mas convenhamos, trabalhar como dirigente num time nacional significa ralar sem receber salário, dar as caras sábado e domingo, além de aguentar muito torcedor falando m. Fazer tudo isso num clube carioca, então, aí é suicídio.
Hoje li que no Laranjal o chefe-geral provavelmente enfrentará um processo de impeachment. Vejam vocês, o cara foi votado, está lá como presidente do clube que ama e pode ser expulso da administração que ele mesmo montou por incapacidade administrativa. É lógico que a situação no campeonato não ajuda, mas daí a tirar o presidente? Vão fazer o que depois? Impeachmar o time inteiro? Seria mesmo essa a solução?
O time hoje não está rebaixado. Poderá estar, com novo presidente, no final do ano. Horcades será sempre culpado pelo que está acontecendo, mas tal qual no Vasco, não será ele que dará a primeira entrevista após a queda, caso ocorra. No Vasco, isso coube a Roberto Dinamite. O capitão sempre afunda com o barco e o que está acontecendo nas Laranjeiras é um motim. Por mim o cara ficaria lá e seria severamente responsabilizado caso o pior aconteça.
O Fluminense está fazendo absolutamente tudo certo para dar errado. Ainda tem quase um segundo turno inteiro pela frente, mas as provocações e brincadeiras sobre rebaixamento já assumiram um tom realista há muito tempo. É claro que ninguém dá a cara a tapa e afirma hoje que o Flu cairá. Fosse um América qualquer já teriam feito lápide e obituário.
Eu acho que o tricolor não cai. Não sei porque, mas é algo que me diz que esse time emplacará três vitórias seguidas e conseguirá respirar. Claro, sofrerá até o fim, mas escapará. Já não tenho a mesma fé com o Botafogo.
Voltando ao Fluminense, quais erros o time cometeu que o fizeram estar nessa situação? A cada ano que um grande cai, a fórmula do rebaixamento vai crescendo como bolo e novos motivos são adicionados à receita. Os cariocas estão entregando um presentão esse ano, mostrando que parcerias precisam ser parcerias de fato e não esse Caim x Abel que estamos vendo.
Essa relação Unimed-Fluminense é exatamente como a de um pai que paga as mesadas do filho adolescente na esperança de vê-lo se cuidar bem, comprar coisas boas, ser feliz. Só que o moleque começa a gastar em porcaria, o rendimento escolar desaba e ele ainda pede mais dinheiro prometendo que vai se recuperar. Um dia, depois de tantas promessas, o pai se cansa e aí corta o videogame, as saídas noturnas e até a mesada, pagando apenas as contas essenciais.
O filho, ou o Flu, vem com aquele discurso de "eu já tenho 15 anos e você não manda em mim", mas na verdade até hoje não aprendeu a andar com as próprias pernas, enquanto o pai, a Unimed, é uma pessoa já realizada, com as contas em dia e muita experiência de mercado. É lógico que não vai dar certo.
Horcades é um cardiologista e a Unimed uma empresa de planos de saúde. Deveriam andar juntos, mas pelo andar da ambulância, a próxima parceria do Fluminense será com algum cemitério.
Segunda-feira, 14 Setembro 09, 04:16 PM
Segunda-feira, 24 Agosto 09, 02:18 PM
O Flamengo entrou em campo contra o Avaí com um time composto de garotos da base e alguns “estrangeiros”. É lógico que não há equipe no mundo que se sustente dessa forma, estando sem treino, sem experiência e muito menos sem entrosamento. O que a gente vê no final é garoto dando entrevista feliz porque vai dar a camisa pro irmão, de uma derrota por 0x3.
Ninguém descobre a cura da doença no primeiro experimento. Mas falar é fácil, né? O que fazer então?
Há tempos que eu questiono nesse mesmo blog como são feitos os testes da molecada. Não questiono no tom de “é tudo uma merda”, mas na ignorância mesmo. Eu não sei. Já fiz teste no Flamengo, joguei até os 15,16 anos, sei lá, mas na época meus pais decidiram que era melhor estudar e eu não tinha idéia do que se tornaria o futebol hoje. Como não passava necessidade nem era a esperança da família por um mundo melhor, caí fora.
O meu teste foi simples. Me destaquei numa escolinha naquela quadra de salão inclinada ao lado da bocha e fui levado pro pré-mirim. Fiz dois treinos onde hoje são as quadras de tênis, à noite e quase sem luz, e um jogo contra o Monte Líbano. Fiquei e segui. Moleza, não? Sem peneiras no Riocentro, sem empresários, sem duzentos pais torcendo do lado de fora, sem mãe fazendo teste do sofá (ou até mesmo o garoto!) e sem quatrocentos guris com chuteiras vagabundas sonhando com o impossível.
Não me considero craque, mas será que eu teria futuro no Flamengo? Ou seria vendido na primeira oportunidade? Depende muito. Se me destacasse (e dada a minha idade – hoje 31), talvez eu fizesse dois estaduais e um brasileiro. Daí iria pro mundo, pois a Lei Pele ainda não teria nascido e meu passe seria do clube. Isso com dois ou três anos de profissional.
Entendam: se eu tivesse me destacado, teria saído. Fato. Ponto e acabou. Se não tivesse, também teria, mas com mais tempo de casa e não exatamente para onde eu gostaria de ir.
É aí que eu quero chegar.
Li um comentário num blog dedicado ao Flamengo a respeito das pratas-da-casa e o histórico no Flamengo. De fato, como ele mencionou, somente uma deu certo como desejamos – a da década de 80. Que foi “criada” uma década antes.
Zico “nasceu” pro Flamengo em 1971, mas só se firmou como titular em 1974. Ganhou, com pouca participação, o estadual de 72 e com mais presença o de 74. Quatro anos se passaram até que levantasse a taça de 78. Desde a sua estréia até o primeiro brasileiro, foram nove anos. E o time jamais havia sido campeão nacional antes.
Três anos sem estadual.
Nove anos até o Brasileiro.
Vocês esperariam esse tempo por alguém hoje?
O Flamengo espera?
Não falando de Zico, mas o Flamengo esperaria por Júnior, Leandro, Andrade, Adílio...? Não querem citar os fora-de-série? Ok. Então pergunto se esperaram por Marcelinho, Djalminha, Paulo Nunes... Não. Foram todos vendidos à preço de banana e quando atingiram a maturidade, brilharam em outros campos. A frase “craque o Flamengo faz em casa” ganhou o complemento sarcástico e cruel “e vende”.
O Flamengo já obteve sucesso com times caseiros. A equipe campeã da Mercosul de 99 possuía seis “crianças” da Gávea: Juan, Athirson, Lê, Rodrigo Mendes, Leonardo Inácio e Reinaldo. Todas começaram a aparecer em 96, 97 por ali. Reinaldo ficou conhecido em 99 mesmo, com a responsabilidade de substituir ninguém menos do que Romário.
Esse mesmo time venceu o poderosíssimo Vasco duas vezes no Estadual. E não lutou contra o rebaixamento jamais. Em 2001, recheados de craques, a coisa degringolou (literalmente) e os garotos pagaram o pato.
Dois ou três anos depois dessa conquista (sob o comando do maior técnico que o Flamengo já teve, Carlinhos) todos foram embora. Todos. Não sobrou um. Craques? Juan, sim. O resto de mediano pra bom, com potencial se devidamente trabalhado.
Mas o Flamengo não teve paciência. Como não teve com Sávio. Como não teve com Djalminha. Não teve com o atual 10, Adriano. Esse foi embora tão logo apareceu. E por um jogador que faz graça do Flamengo até hoje. É a ânsia por contratar nome.
Mas teve com Zico, para a nossa sorte, que só foi embora em 83, doze anos depois da estréia.
De 90 para cá, com ênfase em 1995, o clube meteu-se numa cultura de contratações a torto e a direito, sem critérios técnicos, onde o marketing é mais importante do que o a precisão no chute. Treinadores e jogadores vêm e vão como gente na rodoviária. O Flamengo, diria Marc Augé, tornou-se um não-lugar. Ninguém fica, todos passam e não se cria identidade.
O moleque que procurou a Gávea, passou perrengue pra treinar e ama o time de torcer na arquibancada é exatamente aquele com quem os dirigentes têm menos paciência. Preferem passar a mão na cabeça de primadonas desleixadas.
Lógico que os tempos mudaram, os empresários agem como falcões procurando uma presa para engordar seu ninho e a garotada está louca para conhecer as maravilhosas capitais da Letônia, Bósnia, Vietnam e Romênia. Mas o Flamengo, esse aí não muda. Ao invés de engrossar como Renato Augusto e dar tempo ao tempo, preferiu fazer a “maior venda da sua história” e ficou apenas com pequenas fatias da pizza. O dinheiro já era.
De fato, como disse o tal comentarista do blog, uma única vez na história deu certo montar um time da base. Na única vez que o Flamengo não foi Flamengo e teve paciência. Hoje, o Zico não ficaria dois anos no clube e seria vendido por um décimo do valor. Para pagar o salário do Bruno, do Juan, do Léo Moura...
Quarta-feira, 05 Agosto 09, 02:10 PM
|
Internacional |
100.000 |
|
Grêmio |
53.000 |
|
Corinthians |
46.000 |
|
São Paulo |
42.000 |
|
Vasco da Gama |
28.000 |
|
Santos |
25.000 |
|
Atletico Paranaense |
22.000 |
|
Cruzeiro |
18.000 |
|
Coritiba |
18.000 |
|
Vitória |
6.000 |
Tá, e o Flamengo? É o décimo-primeiro? Ou está mais longe do Vitória do que pensamos? O site salienta que o costume de angariar sócios-torcedores e similares começou no Brasil em
2003, mas vemos que mesmo assim tem muita gente na nossa frente com vários corpos de vantagem e torcida bem menor. Aí eu pergunto:
Prezada diretoria do Flamengo, sem recorrer a testículos como "quem é fulano" ou "é mais um interessado nas finanças do clube", peço
apenas que respondam essas perguntas. De forma clara e esclarecedora. Estamos em ano de eleição e a Nação quer saber quantos são aqueles que decidirão a vida do Flamengo de 2010 a
2012asasas
Segunda-feira, 03 Agosto 09, 04:05 PM
Não eram os jogadores que falavam que “torcedor no estádio pode tudo, mas vir no treino para bagunçar é que não pode”?
Há muito tempo que os valores estão mudando no Flamengo e no futebol em geral. O jogador se acha um atleta grego nas Olimpíadas antigas. Um semi-Deus, um Hércules rodeado de mulheres e muito vinho. O torcedor tem que aceitar todas suas emoções e vontades sem reclamar.
Isso é resultado, no Flamengo, de uma cultura que privilegia o craque, mesmo quando não passa de um moleque deslumbrado. O desrespeito do atleta para com a torcida não é só nesse xingamento. Vai também de não treinar direito (viu, Adriano?), reclamar contra dupla jornada de treino (né, Juan?) simular contusões (como as famosas dores no púbis dos falecidos Athirson e FáBaiano), planejar contra técnico e a estrada segue...
Não é o tribunal multando jogador ou a torcida com faixas que precisam fazer algo a respeito. É quem cuida do futebol. Quem estava lá antes já não o fazia. Era sempre o papo de “conversamos e está tudo esclarecido”. A nova é que tem dar as caras e mostrar já nesse momento qual será a linha de comando na casa. Pode ser multa, treino dobrado, pedido formal em coletiva, eu sei lá. Mas to com o Arthur Muhlenberg: o Marcos Braz precisa agir ontem.
Não. Por favor, não me venham com “ah, agora você critica esse. Prefere o outro?”, ok? Deixa o você-sabe-quem lá e vamos em frente. Mas não sei se com esse time.
Escrevi aqui mesmo nesse espaço, no dia 20 de julho:
Acho mesmo é que o time já perdeu a validade. Virou iogurte não vendido no supermercado, aquele que continua na prateleira com preço bastante convidativo, mas você fica cabreiro de comprar e depois passar mal. Claro que não a equipe toda, mas algumas peças específicas. Léo Moura e Juan já podem dizer tchau, como fez o Íbson. Eu sei que escrevi não faz muito tempo que o filho do Ib deixaria saudades, e já li alguns textos que corroboram o que disse, mas chega uma hora que dá. E deu para os laterais (...), para Maxi, Zé Roberto e alguns outros menores.
Os últimos resultados e acontecimentos, mesmo as vitórias, mas a saída do Cuca, as vaias e protestos e a portura dos jogadores com o novo técnico só fizeram reforçar minha opinião. Mesmo que estejam com contratos vigentes, penso de verdade que o Flamengo já deveria ter algum plano de embarque coletivo na barca, seja na janela de agora ou no fim do ano, independente de proposta ou não.
São atletas caros e marrentos que não possuem a confiança da torcida. Não vou generalizar, é claro que tem gente que gosta deles, mas basta ler em blogs e fóruns por aí que a grande maioria também acha que já deu. Em alguns casos, deu até demais.
“Vamos trocar pelo quê?”, dirá um mais afoito. “Quer um time para cair?”, berrará outro minimalista. Não sei e não quero. Não é minha função. Sou apenas corneteiro, mas em 2012 eu votarei como off-Rio (embora tenha um título de proprietário do início de 80 e vou ver se consigo resgatá-lo). Porém, se precisar esperar até lá para poder opinar, então fechemos o blog e vamos cuidar da vida.
Só que demorou muito tempo para a torcida de fato se revoltar com os jogadores. Eu não acredito que esse time possa ser campeão. Ele não tem fôlego nem segurança. Além de não possuir banco nenhum. Tenho lido que a falta do Émerson foi crucial. Para vocês verem: um time com Adriano no ataque sente falta de Émerson, e estamos falando do Campeonato Brasileiro, duma partida contra o Náutico!
Também não conta mais com o apoio da massa, como no segundo semestre de 2007. Desde o Cabañas que os fãs têm os dois pés atrás com a equipe. A faixa da obrigação é prova disso, tanto para diretoria quanto jogadores. O problema é que eles se ofendem. Acham que não é papel da torcida essa cobrança e que a obrigação não existe.
Bom, se um jogador do Flamengo pensa que não é obrigação desse time ganhar o brasileiro, me desculpe, mas ele não pode ser jogador do Flamengo. Eu não vejo mais vontade em muitos desses atletas em continuar no clube, por mais que o discurso seja o oposto, como o Léo Moura hoje mesmo disse. Tenho a nítida impressão de uma relação desgastada e um time que não vai mais se inventar.
Há até uma informação de que os jogadores escalaram a equipe para a última partida, segundo uma raposa felpuda. Claro sinal de que acabou, de que cansaram do Flamengo e não possuem o mínimo respeito. E o torcedor? Não tem direito de se cansar dos caras também?
Dia 31 de agosto é o limite. Vamos mudar esse quadro, nem que seja só em 2012.
Segunda-feira, 27 Julho 09, 12:26 PM
Eu entendo e concordo com quem diz que o Flamengo precisa de um treinador do tamanho de suas tradições para tentar fazer frente a equipes que hoje estão mais estruturadas e preparadas para uma competição como o Brasileiro. Mas quando leio nomes como Mancini, Guedes e quejandos nos noticiários por aí, dá um desânimo.
Repito a pergunta de Andre Monnerat no seu ótimo Sobre Flamengo: Que currículo tem Vagner Mancini pra eu poder afirmar que ele realmente é melhor que o ex-volante do Flamengo?
Realmente, por que não ficarmos com o Tromba? Eu só vejo vantagens.
1) É mais barato. Ponto.
2) Conhece os jogadores e suas manias, pois convive com eles desde 2005, no mínimo, data que os mais “velhos” do elenco chegaram.
3) Sabe como funciona o esquema interno do clube, salários atrasados, políticas...
4) Conhece a estrutura e não vai ficar reclamando de mijo de rato ou buraco no gramado da Gávea, essas coisas de responsabilidade da diretoria que adora fingir que não existem.
5) Tem moral técnica para chegar num jogador e falar “é assim, que se faz, amigo”.
6) Tem o apoio das primadonas e dificilmente será sacaneado por esse grupo.
7) Tem o respeito da torcida.
8) A Velha Guarda de craques toda o apóia e sempre estará do seu lado sem nenhuma nota dissonante.
9) Não tem inimigos na imprensa, portanto não terá ninguém fazendo dossiês a seu respeito ou tentando derrubá-lo para emplacar amigos.
10) Não vai abandonar o clube por qualquer proposta das arábias.
11) Possui experiência com a influência da política no time e tem chances de conseguir manter o time afastado do conturbado momento.
12) Já disse que é barato?
Algumas pessoas sugerem uma comissão conjunta dele e Fábio Luciano. Isso era idéia do ex-vice, e não desaprovo totalmente. Mas o Fabio Luciano é do tipo de berra pelo time com os dirigentes e acredito mesmo que, nessa hora, o que a equipe mais precisa é de paz.
Os salários, pelo que sei, estão em dia graças aos três meses do OLK Tube na barriga. O time conseguiu um resultado importante não só pelo lado histórico, mas para a caminhada no campeonato. A letra que o Bruno mandou no final da partida deixou claro que havia “entreguismo” sim contra o Cuca e que os jogadores agora se sentem à vontade com o Andrade.
E na boa. Se já que são eles que mandam e o Andrade é amigo, além de mais barato e rubro-negro de verdade, por que não continuar assim? Título eu não espero mesmo. Mas se o caso for sobreviver até 2010 até que uma nova diretoria assuma e comece a implantar sua filosofia, pra que inventar com treinador sem currículo com nenhum conhecimento de Flamengo?
Bom, é o que eu acho.
Sexta-feira, 24 Julho 09, 03:58 PM
Atentem para o verbo. Ele SAIU. Não CAIU. Quem caiu foi o Cuca. É bem diferente.
Chamem como quiser. O nascer de um novo dia, o começo de uma nova era, a nossa queda do muro de Berlim... tanto faz. O que importa é que esse dia 24 de julho de 2009 ficará marcado como o dia em que Kléber Leite deixou o Flamengo. Mesmo que momentaneamente. E isso é a mais pura verdade.
Já escrevi aqui e em outros lugares que no Flamengo está cheio de gente esperando uma queda forte para aparecer e posar de herói. Não duvido que Kléber Leite seja um deles. Ao sair, já anunciou que trabalhará na candidatura de Plínio Serpa Pinto, outra múmia dos tempos obscuros de 1995-98. Da mesma linha do “privilegiar o craque antes do clube” e “salário é obrigação?”.
Isso é péssimo. Pavoroso. Ele ficará do lado de fora fazendo sombra. Qualquer atitude tomada pela diretoria ou por quem o substituir será levada em comparação à anterior. Ele nem precisará falar nada. Será natural.
Como se fosse possível isso existir, Kléber Leite escolheu o pior momento para sair. O pior para os rivais políticos e para o time. Para ele, o melhor. Não sou contraditório. Queria o cara fora do clube e continuo querendo, mas não é preciso ser gênio para entender as entrelinhas dessa atitude.
Kléber Leite certa vez comparou o Flamengo ao Japão pós-guerra. Pois agora, ele agiu exatamente como os americanos deverão fazer em breve no Iraque. Enfiou o clube num atoleiro e caiu fora.
Quero ver achar um técnico com força e atitude que aceite dirigir esse esculhambado Flamengo.
Se o inominável acontecer, ele sempre poderá dizer que deixou o clube com o Flamengo na 11ª posição, tal qual faz Eurico até hoje para justificar o rebaixamento deles. E tem quem compre. Lógico que numa hora dessas o passado fica mais distante e o cupinchas logo se aproveitam para beber o sangue dos outros.
E o que faria Kléber Leite nesse caso? Ora, surgiria como herói em 2010 para levantar o Flamengo e fazer dele um time mais forte ainda. Aquela baboseira toda que ele adora falar. Como fez em 2005 e prometera sair assim que conseguisse livrar a equipe do rebaixamento. Demorou “só” quase quatro anos para cumprir.
Não se enganem, por favor.
Nos últimos TRÊS ANOS, quem esteve à frente do futebol foi Kléber Leite e sua cultura.
Foi ele que na condição de negociador montou esse time.
Foi ele que agindo como bombeiro contratou e demitiu técnicos a bel prazer.
Foi ele que no cargo de VP de futebol não conseguiu criar um sistema que mantivesse os salários dos jogadores em dia.
Não se enganem. Só isso que eu peço.
Sexta-feira, 24 Julho 09, 10:02 AM
"- No meio do ano a gente vai se livrar do Léo Moura, Juan, Fabio Luciano, Kléberson e Ibson, e aí nosso futuro serão os jovens. O Flamengo precisa passar por isso."
Segundo o autor da matéria, Eduardo Peixoto, vulgo Peixotinho (apelido em tom pejorativo que parte da torcida (aquela que acha tudo é culpa da imprensa golpista paulista) lhe aplicou), essa frase foi dita por Cuca algumas vezes em sua passagem pela Gávea. Coincidência ou não, outro dia mesmo escrevi aqui “É tempo de Adriano, Émerson, Airton e um novo time”. Não, eu não conversava com o Cuca e sequer sabia que ele pensava dessa forma. E fico feliz em saber que sim.
Pena que o Flamengo não.
Mais uma vez adepto da “filosofia” do “troca um ao invés de onze”, o clube mandou embora o um.
Acho que muita gente leu o texto do repórter (flamenguista) Eric Faria no blog do Alex Escobar. Reproduzo um trecho aqui.
Aí vamos a algumas informações importantes. Nos últimos 17 anos em questão, Vanderlei Luxemburgo, Paulo Autuori, Abel Braga, Zagallo, Joel Santana, Ney Franco, Ricardo Gomes, Celso Roth, Osvaldo de Oliveira, Nelsinho Baptista, Caio Júnior, Edinho, Júnior, Carlos Alberto Torres, Jair Pereira, Evaristo de Macedo, Valdir Espinosa, Waldemar Lemos, Carpegiani, todos, sem exceção, estiveram no clube. Alguns mais tempo, outros com passagens ligeiras. Em comum, nenhum deles conquistou o titulo brasileiro pelo Flamengo.
São 19 nomes. Em 17 anos. Considerando que alguns como Joel Santana, Vanderlei Luxemburgo e Carlos Alberto Torres repetiram o trabalho em duas ou mais ocasiões, além de todas as vezes que o Andrade esteve no comando interino, temos uma pequena noção do caos. É muito treinador para pouco tempo. Pergunto que empresa daria certo com troca de gerentes a cada seis meses?
Desses treinadores todos, quantas vezes vocês não leram e ouviram que eles se enquadravam na “nova filosofia” do Flamengo? Quantas vezes vocês não se apaixonaram pelo trabalho dos caras no início e gritaram rumo à Tóquio, para em seis meses dizerem que “perdeu o comando, tem que sair”?
Muitos desses citados acima saíram do clube vociferando contra a falta de profissionalismo e a cultura do paternalismo. Lembro do Nelsinho Baptista lamentando o dia em que um vice-presidente de bebedouros e torneiras entrou no vestiário berrando que os jogadores não mereciam receber mesmo porque não jogavam nada. Mas ele saiu e os jogadores ficaram.
Lembro do Autori com um timaço nas mãos sendo completamente boicotado pela primadona Romário que não gostava do Rodrigo Fabri e se recusava a treinar, infectando o time inteiro. Autuori, vale dizer, havia chegado em 5º no brasileiro de 1997 sem Romário, sem Rodrigo Fabri, com muito treino e um time dedicado. Não durou quatro meses em 1998. Os jogadores ficaram e veio, claro, Joel Santana.
Lembro do Abel Braga indo embora minado pela derrota na Copa do Brasil, nem um ano depois de ter assumido o time no primeiro ano de mandato do Marcio Braga, no que parecia ser a modernidade a caminho da Gávea, com Júnior no comando. Sem dinheiro e já chorando as pitangas por causa da Petrobras, o vice-presidente Arthur Rocha inventou a dupla Barros e Biscotto e trouxe Dimba para brigar com o time inteiro, enquanto o mandatário se divertia na Space Mountain.
Lembro do Waldemar de Lemos colocando o Flamengo na final da Copa do Brasil para ser trocado pelo recém-derrotado Ney Franco. Este assumiu, ouviu loas ao seu trabalho e personalidade e depois foi escorraçado antes de fazer os nove jogos atrasados e de receber o time que levou o Flamengo à terceira colocação do Campeonato Brasileiro.
E lembro de Caio Jr. Totalmente adaptado à filosofia do Flamengo. Eu escrevi isso. E que não duraria seis meses.
O que acontecerá agora que o Cuca, pela segunda vez, foi defenestrado pelos jogadores? Na primeira foi o Jônatas, que vem demonstrando a cada ato o tamanho de sua seriedade. Agora foi o time inteiro.
Irão jogar muito contra o Santos? Irão mostrar que “são homens e respeitam a torcida e o clube”? Claro. E a torcida vai malhar o Cuca até aparecer o próximo otári... treinador.
Aliás, quem será o maluco que aceitará um cargo sabendo que não passará de uma rainha da Inglaterra?
Há anos que a imprensa, a torcida e os próprios técnicos falam que o Flamengo escolhe o lado errado. O lado do paternalismo, da amizade, do empresário e do jogador que pensa que é craque. Com isso, fica sempre do lado do título estadual e da tentativa de ganhar a Copa do Brasil, pois todo mundo em sã consciência sabe que o Campeonato Brasileiro é só para time grande. Mas nem precisa ser tãããão grande assim. Só maior do que o Flamenguinho-RJ.
Quinta-feira, 23 Julho 09, 04:05 PM
No ano de 1996, houve, nos arredores de Osaka, uma competição entre as equipes de remo do Brasil e do Japão. Logo no início da competição a equipe japonesa começou a se distanciar e completou o
percurso rapidamente. A equipe brasileira só conseguiu chegar à meta uma hora depois.
De volta ao Brasil, o comitê executivo reuniu-se para avaliar as causas de tão desastroso e imprevisto resultado. Uma cuidadosa avaliação apontou para uma diferença fundamental entre os times: a equipe japonesa era formada por um chefe de equipe e dez remadores: a equipe brasileira era formada por um remador e dez chefes de equipe. A decisão passou para a esfera do planejamento estratégico, com o objetivo de realizar uma profunda revisão da estrutura organizacional para o ano seguinte.
Em 1997, logo após a largada da competição, a equipe japonesa tomou novamente a frente e distanciou-se. Dessa vez, a equipe brasileira chegou à meta duas horas depois dos vencedores.
De volta ao Brasil, o comitê executivo reuniu-se para avaliar as causas do novo fracasso. A análise mostrou os seguintes resultados: a equipe japonesa continuava com um chefe de equipe e dez remadores; a equipe brasileira, após as mudanças introduzidas, era formada por um chefe de equipe, dois assessores, sete chefes de departamento e um remador. A conclusão do comitê foi unânime: "0 remador é um incompetente!!!"
Em 1998 aconteceu uma nova oportunidade de competir com os japoneses. O departamento de engenharia pôs em prática um plano destinado a melhorar a produtividade da equipe, com a introdução de mudanças baseadas no benchmarking das melhores práticas gerenciais. Tais inovações produziriam aumentos significativos de eficiência e eficácia. Com o rightsizing, a reengineering e a value chain analysis, os brasileiros com certeza conseguiriam um turnaround e venceriam os japoneses.
Porém, chegado o dia da competição, o resultado foi novamente catastrófico e, dessa vez, a equipe brasileira chegou à meta três horas depois dos japoneses.
Novos estudos, reuniões acaloradas e enormes relatórios. A análise revelou: mantendo a tradição, a equipe japonesa era formada por um chefe de equipe e dez remadores. A equipe brasileira, por sua vez, utilizou uma formação vanguardista, integrada por um chefe de equipe, dois auditores de qualidade total, um assessor especializado em empowerment, um process owner, um analista de O&M, um engenheiro de navegação, um controller, um chefe de departamento, um controlador de tempo e um remador.
Depois de vários dias de reunião e análise da situação, o comitê decidiu finalmente demitir o remador. Decidiu também contratar um novo remador, mas utilizando um contrato de prestação de serviços sem vínculo empregatício. Evitar-se-ia, dessa forma, a nefasta influência do sindicato dos remadores, responsável pela baixa produtividade e o baixo comprometimento dos recursos humanos com os objetivos organizacionais. A competição de 1999, certamente, confirmará o acerto das decisões.
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Enquanto isso, na Gávea, com bem explanou o mestre Arthur Muhlenberg, tiraram o sofá da sala. Amanhã eu volto com o assunto Cuca.
On Boi de piranha ou uma nova era?