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Ajudar ou escorraçar?

Sexta-feira, 23 Março 07, 02:27 PM

O caso do zagueiro Renato Silva é muito compicado. Pego no anti-doping, teve seu contrato encerrado pelo Fluminense e ainda pode ser punido por pelo menos dois anos, por ter dado "um dois" nas férias. Já tem gente dizendo que em vez de mandar embora, o Fluminense deveria ajudar o jogador, pagando um tratamento e recolocando-o nos trilhos. Outros, afirmam que o clube já fez o que tinha que fazer e que o cara é um atleta, depende do corpo e não pode dar um mole assim.

É muito complicada essa situação e os dois lados têm razão. Realmente o Renato não poderia fazer isso, ainda mais que depende de estar bem para jogar e a maconha reduz os reflexos. Mesmo que tenha feito nas férias, ele tem que dar o exemplo como pessoa pública e representante de um grande clube brasileiro. Por outro lado, o Fluminense não pode dar uma de Pilatos e deixar o cara à própria sorte. Tenho cá minhas dúvidas se fariam o mesmo, caso fosse um craque em questão. Edmundo já bateu o carro inúmeras vezes, se envolveu em brigas, trouxe problemas mil, mas sempre teve uma segunda, terceira, décima chance. E sua imagem é um péssimo exemplo para crianças. Renato Silva, garoto que nada ganhou, agora é escorraçado do Flu.

Não quero escrever que o tricolor deve algo a ele. Mas é inegável que é mais fácil mandá-lo embora, do que internar. Só que a imagem do clube ficaria muito melhor se desse apoio ao atleta. Poderiam mostrar que se preocupam com esse tipo de situação e que as crianças de Xerém também podem contar com assistência no futuro. Além disso, parece que o caso deu-se nas férias do jogador, ou seja, não influenciou em nada o seu desempenho em campo. Mas como Renato Silva é ralé, manda embora. Vai apertar em outro clube. Mais um que sumirá...

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Os missionários do Botafogo

Quinta-feira, 22 Março 07, 03:06 PM

Quem já passou por isso, sabe o que é. Eu já. Trabalhei o mês inteiro, ralando como um corno para dar o meu melhor e fazer o possível, impossível e lendário para agradar o chefe e conseguir os resultados. Chega no dia 1º, cadê a grana? Passam 5, 10 dias e neca de pitibiriba. Você ainda tem reservas ou família que te ajudem, mas a coisa começa a apertar. Lá vem o segundo mês sem ver a grana e a cabeça pára de funcionar como deve. Foco? Já era. Você não sabe se faz a planilha de gastos da empresa ou se calcula os melhores juros das financeiras que ficam ao seu redor como abutres esperando sua morte para comer a carcaça.

É mais ou menos o que se passa com o Botafogo. É claro que eu não recebia lá 20, 30 mil reais/mês como eles, mas isso não importa. O que importa, é que nas arquibancadas são 20 mil patrões exigindo o melhor em campo, no país são mais 2 milhões. E o cara ainda tá lá, pensando na escola do filho e em como passar vivo por aquele tanque que alguns chamam de zagueiro. E é nesse eterno "se vira nos 30" que os Botafoguistas encaram hoje o Ceará.

A situação é de certa forma cômoda. Até uma derrota por 1x0 os classifica. Dodô joga e tenta seu centésimo gol pelo time. O Ceará não é nenhuma aberração que meta medo, mas o grande problema está fora de campo. Uma derrota e lá vêm os gritos de "mercenários". Engraçado é que mercenário é aquele que recebe e os caras não recebem. Por isso, eu prefiro chamar de missionários mesmo, como fez, na geral do Maracanã, aquele tricolor carioca num longíquo 1984, se referindo ao Romerito. Talvez ele não quisesse, mas aqui cabe a alcunha para esse nobres botafoguistas. Com um time nada mais do que acertado, tiram leite de pedra para se manter no rumo e tentar seguir em frente nas duas competições.

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O dia que a Libertadores ficou em segundo plano

Quarta-feira, 21 Março 07, 05:24 PM

Hoje a maior torcida do Brasil joga a sua classificação para as oitavas na Libertadores da América, em casa. Ao mesmo tempo, o São Paulo tentará manter contra o forte Necaxa, no México, uma invencibilidade que já perdura quase 6 meses (ou 29 partidas). Só por isso, as TVs já teriam duas opções fantásticas para logo mais. Porém, há um terceiro jogo, em tese menos importante, mas que o mundo inteiro estará de olho. Sim, é o Gama x Romário em Brasília.

Flamengos e São Paulos podem afirmar que não estão nem aí pra esse jogo, mas a curiosidade é mais forte e aposto que mudarão de canal. Ver o "gol 1000" em replay só vale pro do Pelé mesmo. Hoje pode ser a primeira chance de ver ao vivo.

O único detalhe que pode mudar isso é o horário. Gama e Romário se enfrentam às 20:30, horário da novela e só acessível para os que tem TV a cabo. Às 21:45, quando começarem os jogos de Fla e São Paulo, Romário deverá estar se aquecendo para entrar no segundo tempo. Pode nem entrar.

Mas o jogo já ganhou os contornos de histórico. O presidente Lula deverá comparecer. Romário já falou que se tiver que marcar, o fará sem problemas (marketing?). Um evento sobre a Síndrome de Down já está programado e o Baixinho comprou a causa, em homenagem à sua pequena Ivy, acometida pela doença. Os jornais do Brasil já enviaram seus repórteres, vem imprensa do mundo inteiro e a capital federal, pela primeira vez em muito tempo, é motivo de assunto não pelas tristezas do congresso, mas pela alegria do povo.

Enfim. Eu vou me ligar no jogo do Flamengo, até porque não estarei em casa na hora do Gama x Romário. Mas confesso que o controle remoto passará por maus bocados.

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Com ele é Natal todo dia

Terça-feira, 20 Março 07, 06:58 PM

Joel Santana é uma figura ímpar, um cara engraçado, com muita fama no Rio de Janeiro pelos estaduais conquistados e pelas suas histórias pra lá de folclóricas. Mas, e no Brasil? Talvez por ser essa figura diferenciada, com linguajar de um matuto e cara de bêbado, o Natalino não seja respeitado país afora, a não ser nas praias cariocas e apimentadas esquinas baianas. Além disso, dizem, faltam a ele os chamados títulos de "expressão", que o coloquem no patamar de grandes treinadores. Pode ser, sei lá.... vejamos.

Joel trabalhou em São Paulo no Corinthians em 1997 e nada conquistou. Sem sucesso também foi sua passagem pelo Guarani em 2004. Além de São Paulo, esteve na Bahia (pelo tricolor e Vitória), Internacional, Brasiliense, Coritiba e treinou umas coisas lá na Arábia e no Japão.

Seus títulos vieram dos quatro grandes do Rio, numa sequência impressionante na década de 90 e na Bahia, o que corrobora, pra alguns, a tese de que Joel é movido à praia e caipirinha.

Numa breve comparação com um "técnico de ponta", Leão, podemos ter um pouco da idéia da injustiça ou preconceito com que Joel é tratado.

Atuando desde 1987, o Leão ganhou, até hoje, um Brasileiro pelo Santos, duas Copas da Confederação Mexicana de Boliche, (também conhecida como Conmebol) por Santos e Atlético Mineiro, um paulista pelo São Paulo e algumas coisas lá no Japão.

Joel já venceu nove estaduais, um Brasileiro e uma Mercosul. Leão salvou o Corinthians do rebaixamento? Joel fez o mesmo com o Flamengo, em 2005, numa missão que até Jesus Cristo já havia jogado a toalha. Joel se dá extremamente superbem com craques e escroques. Leão tem aversão a todos que ganham mais do que ele e ocupam mais páginas nos jornais. Enquanto Joel deixa saudades nos jogadores com quem trabalhou, Leão deixa sequelas.

Para completar, Joel nunca omite nem inventa títulos e méritos. Leão diz ter revelado Robinho e Diego (balela) e se auto-proclama campeão de 87, quando nem era mais o técnico do Sport naquela patética disputa por pênaltis com o Guarani. Pra quem não sabe, era Jair Picerni. E Joel gosta de ver mulheres em apertados uniformes à beira do campo como árbitras. Leão, aparentemente, não.

Enfim, por que Joel é taxado de palhaço e Leão de magnânimo? Deve ser o linguajar lazaronesco que o atual técnico do Corinthians usa. Joel usa as frases de efeito para ganhar o grupo. Leão profere enigmas "esfíngicos" e sua posição para intimidar a todos, do porteiro aos jornalistas que cobrem o time. Acha-se o dono do clube.

Quando Joel chega para salvar um time, ele o faz, sem contrato e sabe que vai embora mais cedo ou mais tarde. Calejado, já percebeu que hoje em dia o espaço é para os novos técnicos, com novas idéias, arejados, recém saídos dos campos. Já Leão chega, pede ab$urdo$ que geram multas gigantescas, briga com tudo e com todos e nunca perde um jogo. O time deixa de vencer porque os outros não quiseram.

Mas na hora que um clube grande está desesperado atrás de um treinador "de ponta", logo correm atrás de quem? Leão ou Joel? Do que brigou com o profissional-exemplo Dunga no Inter, expulsou Tevez do Corinthians, ou procuram aquele que traz humor, tranquilidade e bom ambiente, tudo o que um time em crise precisa?

Com Joel é sempre Natal. Com Leão, quase sempre é uma segunda feira chuvosa depois de um 4x0 para o maior rival.

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OFF-TOPIC

Segunda-feira, 19 Março 07, 03:00 PM

Alguém conhece?

Já ouviu falar em Jorge Alberto González? Duvido. Ele não jogou no Corinthians. Trata-se de El Mágico Gonzalez. Talvez o maior jogador de El Salvador, aquele país que conseguiu tomar 10 gols em um jogo de Copa do Mundo. Mas El Mágico não estava em campo.

A imagem do vídeo não é lá muito boa, mas a bola do cara compensa.

Wikipedia do cara:

http://en.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1gico_Gonz%C3%A1lez

Sempre que tiver um assunto assim especial, sairei do Rio para outras praças.
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Taça Rio - 2ª rodada

Segunda-feira, 19 Março 07, 02:27 PM

Realizou-se nesse fim de semana a segunda rodada da Taça Rio, também conhecida como "1000 atrás do Flamengo". Não são mil times, claro que não, mas todos estão correndo atrás da chance de decidir com o Fla, o título carioca (com agregados) de 2007.

E nessa luta quem está mal, muito mal é o Fluminense. Duas rodadas e apenas 3 pontos. Perdeu o clássico Vovô, perdeu pênalti e, aparentemente, tempo no início do ano, reformulando a equipe de cabo à rabo. Tem chance? Claro que tem. A sua chance se baseia no fato de que os times do outro grupo só perderam. Quem sabe ele não começa a ganhar? Só que alguém do seu lado tem que perder. E quem tá do lado do Flu?

O time mais forte desse estadual, na minha opinião é o Vasco. Não por seus jogadores, mas por dois jogadores. Leandro Amaral que está jogando tudo que nunca jogou e Romariuzalém, o mais velho fazedor de gols do mundo.

A luta do "Príncipe" para chegar aos 1000, pelas suas contas (que incluem os gols marcados pelo Estrelinha, Caça e Pesca, Winning Eleven etc), motiva o time, dando a força extra que bastava para encerrar a secura de títulos que assola o Vasco. Afinal, enfrentando as bastilhas inexpugnáveis do vitorioso futebol carioca, Romário fez 3 gols/jogo. Falando sério, é um feito. Os times podem ser sofríveis, os goleiros podem estar desesperados para ser "o cara dos 1000 gols", mas tem que saber empurrar a bola pra rede, e Romário sabe. Quem reclama, não faz.

O problema do Vasco é o rival da final. O fantasma das seis finais seguidas perdidas pro Flamengo ainda assusta. Pode ser que o gol 1000 e a Libertadores do Fla sejam o combustível que falta para acabar com a sina, ou não.

O Flamengo já está na final. Usa a Taça Rio como laboratório. Ontem, jogou com o time (???) reserva (???) e apanhou do arrumado, mas fraco, Volta Redonda. Essa idéia do Ney Matogrosso de colocar os reservas para jogar, não sei não. Desde que o mundo é mundo, o futebol é jogado às quartas e fins de semana. Já houve um tempo que os times disputavam, Libertadores, Estaduais e Copa do Brasil, tudo no primeiro semestre. Hoje fizeram a "bondade" de impedir o campeão da Copa do Brasil de disputar o Bi e aliviaram o calendário. Agora, com essa moleza, os times poupam jogadores, em início de temporada. Coitados....

O grupo do Fla na Libertadores é tão fraco, mas tão fraco, que é perfeitamente possível jogar as competições com o mesmo time. Viagem, só tem mais uma. Jogando com os titulares, poderiam ganhar a Taça Rio e se aliviar das finais, aí sim, numa fase crítica da Libertadores. Mas preferem colocar um bando em campo, dá nisso....

Falta o Botafogo. Falar o que? É o time mais incógnita do Rio. Ganha um clássico, como ontem, e perde para o Boavista, como na Taça GB. Dodô ainda não jogou na Taça Rio. Cuca é um treinador como outro qualquer. Mas na primeira rodada meteu 6 e ontem venceu outra. Como os times do seu grupo vão mal, pode se classificar facilmente. Mas daí a vencer? É muito inconstante esse Botafogo. Quero ver mais antes de escrever qualquer coisa. 

É isso. Desculpem o tamanho do post. Prometo diminuir pra frente. 

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Chegando

Segunda-feira, 19 Março 07, 01:24 PM

Olá

Nem vou me alongar muito nesse post. É apenas uma introdução.

Nesse espaço tratarei apenas do futebol carioca. Sei que o mundo não se resume ao Rio, mas pelo menos aqui, assim o será. Não se trata de bairrismo não, mas já tem muita gente muito mais capacitada do que eu, tratando dos demais estados, países, planetas.

Minha história no futebol? O máximo que fiz foi ir muito ao Maracanã. Rua Bariri, Moça Bonita, Godofredo Cruz.....

E não to aqui querendo ser o rei da razão, apenas quero debater.

Vamo que vamo.

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