Quinta-feira, 03 Julho 08, 09:59 PM
Quinta-feira, 03 Julho 08, 02:39 PM
Antes que pensem besteira, o título não tem nada de sarcasmo. É obrigado mesmo, pois a derrota de ontem me abriu os olhos que estavam cegos de raiva há mais de um mês. Como até as pessoas que torcem pelo Flamengo na Latvéria já devem saber, eu não estou assistindo jogos do time por protesto a essa diretoria arcaica, retrógrada e maquiavélica que colocou seu ninho na Gávea, mas a derrota tricolor me mostrou algo que eu já sabia, porém havia esquecido: se ganha, se perde e amanhã é outro dia.
Não sei se o Carbonell hoje está com raiva ou triste. Nem posso dizer que o entendo porque o sentimento de cada pessoa é único. Mas há uma grande diferença entre a vergonha do Flamengo e a derrota do Fluminense, que pudemos ver pela atitude em campo dos dois times.
O Flamengo foi de uma soberba sem igual. Imaginou que fosse um exército grego com Aquiles na linha de frente, mas no final mostrou que seu ídolo era no máximo um Brancaleone e sua armada não venceria os romanos de Babaorum mesmo bêbados de poção mágica.
O Fluminense jogou bola. Precisava de dois gols para levar para a prorrogação e fez, colocando por terra mais uma vez aquela balela de "uma coisa é fazer, outra é entrar em campo precisando fazer". O Flu fez contra o São Paulo, contra o Boca e ontem contra a LDU. O Flamengo precisou fazer no ano passado contra o Defensor, um time tetraplégico de futebol, e não fez. E em 2008 deixou o America fazer.
Eu não torci contra o Flu. Não mesmo. Repito que estava indiferente, pois tenhos familiares tricolores e vê-los felizes não me agrediria de forma alguma. Falam da empáfia do Renato, mas eu não o critico. As mesmas pessoas que dizem que o futebol está chato hoje em dia, são as primeiras a levantar a bandeira da moralidade agora e repetir como um mantra que "não se deve falar antes do jogo". Ora, diabos, Renato é assim. Mesmo com essa derrota ele não vai mudar. Talvez entenda que não possui dentro de campo um Renato Gaúcho que garantia as vitórias, mas é do perfil dele. Preferiam que o cara dissesse o que? Que o Flu ia perder? Que a torcida não precisava ir? Fala sério.
Só acho que ele perdeu o fio da meada quando sugeriu que o Caio Jr gostaria de trocar de lugar com ele, para explicar a péssimo colocação no Brasileiro. É a típica mentalidade do pequeno, provocar o outro que não tem nada a ver com a sua situação. Jogou para a torcida e agora vai ouvir. Mas nem isso me fez torcer contra. A comemoração vascaína em 98 na frente da Gávea foi bem pior. E aquele acinte pagou seu preço no fim do ano. E era o Vasco, god dammit. Como muito bem colocou o muslim Gustones em seu blog, aquilo era caso de saúde pública mundial, de intervenção no Iraque, de voltar no tempo e impedir que Cabral chegasse ao Brasil. Qualquer coisa para evitar o dia do Juízo Final.
Várias razões vão aparecer ao longo dos dias para explicar a derrota. Alguns chamarão de fracasso, vergonha, maracanazzo. É a sede de arrumar um vexame para vender capa de jornal. Na minha modesta opinião foi injusto pelo que ocorreu em campo, mas justo porque os pênaltis estão previstos na regra e o goleiro de lá foi mais competente. Se o time cansou, se o juiz roubou como dizem os tricolores (mas ninguém lembra do gol mal-anulado da LDU) ou se foi soberba, cada um que compre sua teoria. O Flu perdeu e isso faz parte. Era algo que eu sabia antes, mas a raiva me cegou. E ontem abri os olhos de novo. Por isso, obrigado, Fluminense.
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Agora todos os clubes do Rio possuem seu mico histórico no Maracanã. Difícil criar uma tabela que de alguma forma defina o pior, mas o Flamengo ainda é o rei de vexames e acumula uma pá de vergonhas que o deixam numa liderança por pontos corridos, afinal, antes da gestão Kléber Leite, o clube jamais havia perdido em casa uma decisão para time de fora do Rio. Mas virou tão corriqueiro que deixou de ser mico.
O que podemos dizer é que com tantas histórias para contar, o velho Maraca falhou com seus afilhados em alguns dos momentos mais importantes de suas histórias. O Vasco perdeu o mundialito armado para sua vitória no final e o Botafogo viu o Juventude levantar uma Copa do Brasil depois de 90 minutos sem fazer um gol. Ontem foi o Flu, que disputava o maior título de sua vida.
Talvez pelo fator peso-histórico esses vexames sejam piores do que o Flamengo, que perdeu alguns títulos, mas a sua maior conquista ainda não foi igualada por nenhum dos três times. Porém, como já escrevi várias vezes antes, o rubro-negro sempre se supera, basta aguardar.
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Torcer contra por revanche? Mermão, na boa...
Segunda-feira, 30 Junho 08, 05:51 PM
Como Flamengo que sou, eu deveria ficar preocupado. O Vasco não tem mais o déspota no comando e possui todas as chances de se reerguer. Gosto de futebol e gostei de saber que o Eurico caiu. O tempo dele já havia passado e suas bravatas nem mais incomodavam a ninguém. Roberto Dinamite foi um cara que honrou o Vasco e sempre lutou em campo contra o Flamengo, perdendo na maioria das vezes, mas respeitando o clube e o rival.
Não conheço a pessoa Roberto e nem faço questão, mas a sua presença como presidente pode significar uma nova era para o esporte no Brasil. Pode mostrar o caminho para que ídolos que se doaram em campo possam tomar o lugar de sanguessugas que adoram cargos não-remunerados em clubes falidos. Eu nunca consegui entender isso. Deve ser muito amor, sei lá, tipo o do Abramovich pelo Chelsea, coisa assim.
Ex-jogadores podem falar por conhecimento de causa, sabem das dificuldades dentro de campo e do que o atleta precisa para render. Conhecem as torcidas e suas fortunas vieram pelos serviços prestados ao clube, não precisando de cargos não-remunerados para viverem. Acho difícil um ex-jogador assinar os regulamentos esdrúxulos que são propostos pelas federações, por exemplo.
Mas essa questão do ídolo-em-chefe ainda é pequena. Soa por aí que é a solução para os clubes brasileiros, embora seja meia-verdade. Inter e Grêmio não precisam de ex-jogadores famosos, uma vez que suas diretorias são, no mínimo, competentes. O Cruzeiro é outro. Clube com grana, estrutura e mês de 30 dias. O São Paulo está bem encaminhado, embora pudesse ganhar muito com um hipotético comando do Rogério.
Mas no Rio é que a coisa fede. Vejam o Flu. Só foi conseguir algo agora com o Branco no comando do futebol. Ele jogou lá, ele sabe o que é preciso. O presidente entregou a ele o cargo e foi tocar a vida. Aparece quando solicitado.
Era algo que eu acreditava que poderia dar certo no Flamengo se o Junior tivesse continuado no cargo como prometera Marcio Braga, que também jurou dar autonomia ao futebol e profissionalizar o departamento. Ao invés disso, o Pateta resolveu contratar o Dimba adiantando milhões pro jogador enquanto o time estava com salários atrasados, e colocou no comando a dupla Barros e Biscotto, a mesma que vendeu o Íbson por um milhão de créditos ao Porto. Para quem não lembra, o braço-direito do Júnior era o José Maria Sobrinho, que saiu do clube no ano passado depois de tanto dar murro em ponta de faca e não conseguir mudar nada.
O Botafogo continua não ganhando nada, mas o Bebeto de Freitas, também ex-atleta, melhorou o clube administrativamente. É claro que os brasileiros não sabem esperar e querem resultados logo nas primeiras 24 horas. Mas eu só falo para aguardarem um pouco. Do Flamengo não vou mais escrever nada. To cansado já de repetir a mesma coisa todos os dias. Quando tiver alguma novidade, eu volto.
E parabéns ao Vasco. Saiu da Idade Média para a Moderna.
Domingo, 29 Junho 08, 04:14 AM
Por anos e anos que os editores de O Globo, além de outros jornalistas, tentaram derrubar Eurico no Vasco. Jamais conseguiram. Apontavam toda a sorte de falcatruas, roubalheiras e o que mais fosse, mas o (vice)presidente lá ficava desafiando qualquer um que tentasse sobrepujá-lo. Eleições se passaram e o mandatário que um dia eu comparei com Fidel lá permaneceu. Foi necessário que um repórter garoto e insuspeito mostrasse, na prática, o que muitos diziam existir, mas nunca conseguiram provar.
Essas fotos acima são do repórter Guilherme de Pádua, do Lance!, entrando nas penúltimas eleições do Vasco e votando sem problemas, mesmo estando há 12 anos sem pagar a mensalidade do clube. Isso, na verdade, não prova nada x nada, pois eu mesmo já votei no Flamengo sem nem sequer mostrar a carteirinha e algo semelhante deve ocorrer em todos os clubes. Mas é sem dúvida alguma uma prova da força da imprensa esportiva.
Depois de anos tentando, finalmente alguém conseguiu juntar provas contundentes e sem contra-argumentação para mostrar que as eleições vascaínas eram tão legítimas quanto às do Zimbábue. Mas só foi possível porque o Lance! acertou uma vez. E esse é meu ponto aqui.
A imprensa esportiva tem uam força que muita gente não conhece. Ela derruba técnico e acaba com carreiras de jogadores. Ajuda a perder e a ganhar títulos e muitas vezes formenta polêmicas onde elas não existem. Mas até a última sexta-feira, ela ainda não havia conseguido derrubar um presidente. Nem no Flamengo do Edmundo Santos Silva, pois ela ajudou a colocar a ISL lá dentro e não conseguiu (ou não quis) mostrar que a grana entrava mas não ficava nos cofres do clube.Outro ferrenho inimigo dos jornalistas cariocas, Eduardo Viana, o ex-presidente da Ferj, só saiu morto, após anos de denúncias e matérias contra, sem efeito.
Acho que nesse caso o jornalismo foi bem feito e fundamental, porém não é sempre assim que a banda toca. O atual caso da Seleção Brasileira mostra bem o que digo, quando converso com repórteres que fazem mea-culpa de baterem muito no treinador e confessam alguns exageros, mas quando estão diante da TV não perdem a oportunidade de "esquecer" conveniências do passado em prol da audiência.
Pois bem. O Lance derrubou Eurico Miranda. Não foi a torcida do Vasco, não foi o MUV, nem muito menos o provável enfisema pulmonar que os intermináveis e seguidos charutos lhe trarão um dia. Foi um jornal que custa R$ 1,00 no Rio de Janeiro. E um repórter, vascaíno de berço, que hoje sequer pode entrar em São Januário sob risco de ser empalado vivo num mastro de bandeira. Um jornal que um dia escreveu "Eurico é um dirigente modelo e que todos os torcedores gostariam de ter em seu clube". Tudo bem. Se a Globo colocou e tirou o Collor do poder, por que o principal diário esportivo do país não conseguiria acabar com a carreira de um ex-deputado?
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Enquanto isso, na terra encantada da Gávea....
Observem o pequeno-enorme símbolo na parte inferior da tela. Aquele mesmo cujo contrato foi rescindido, sabem? Aquele cujo contrato acabou e o substituto injetou R$ 10 milhões para pagar salários e sei lá mais o que. Por que não colocam o novo símbolo da camisa? Hein? Por que não???
Sexta-feira, 27 Junho 08, 03:27 PM
Quinta-feira, 26 Junho 08, 09:24 PM
Tem gente que ainda não acredita que eu tenha arrumado outras coisas para fazer enquanto o Flamengo joga o Brasileirão. Mas é verdade. Não vi uma partida sequer do time e pretendo me manter assim. Por que? Protesto. Saí de férias de Flamengo e quando eu saio de férias, saio mesmo, não é da boca para fora.
Meu protesto não é contra o time, caguei pros jogadores, mas contra os caras que comandam esse time. É impressionante que o Flamengo não consiga dar uma boa notícia em sua administração. Por anos eu venho dizendo que a diferença entre Flamengo e Vasco está (além da óbvia galeria de troféus rubro-negra contra a estante da Casas Bahia vascaína) apenas na ausência de ditadura na Gávea. Ambos clubes são administrados de forma arcaica e saudosista, achando que o amadorismo e a camisa resolvem tudo. Não à toa, o Flamengo só ganha estadual e o Vasco nem isso, porque existe o Flamengo. Mas tudo está prestes a mudar.
Confirmando a eleição de Roberto Dinamite, o Vasco sairá da lama pois os investimentos entrarão como as caravelas em nossas águas lá em 1500. O Botafogo já entrou noutra mentalidade e se tivesse torcida para consumir seus produtos poderia conseguir bem mais. O Flor, bem, o Flor está na final da Libertadores e por mais que alguns acreditem que dá para secar equatoriano, eu acho que elas serão campeãs. Graças a uma parceria que se manteve por anos ao invés de acabar na primeira derrota, como é praxe lá pelas bandas da Gávea.
Com isso, o Flamengo será o único medieval entre os cariocas. É o único clube que rasga contrato de patrocínio com a Nike para assinar com outros de forma arbitrária e acha que vai ficar por isso mesmo. Enquanto o tempo passa, vai jogando com uma camisa ??? que não rende nada ao clube. Mais uma atitude de marketing muito bem pensada como o Luizão com a camisa 111 representando seu peso real na ocasião. É o único que ainda pensa que torcida resolve tudo e que a camisa joga sozinha. Duvidam? Aguardem. Não vai demorar muito.
Eu já estava me acostumando com a idéia de nem sequer falar de Flamengo, mas aí eu vejo essa imagem aí embaixo.
Observem que a camisa utilizada é a branca. Mostrei para três leigas aqui no trabalho e NENHUMA identificou com sendo a do Flamengo. A homenagem é pro Papa, mas o nome PETROBRAS aparece com muito mais destaque do que qualquer coisa. O pateta do Marcio Braga nem sequer para levar um modelo rubro-negro. E ainda leva a camisa feita por quem? Pela Nike, claro.
Enquanto isso, os salários na Gávea estão atrasados para jogadores e funcionários. Isso porque esse mesmo Marcio Braga dizia, em 2004, que com as cotas da Petrobras em dia o Flamengo não teria mais problemas de salários. Também porque dizia que com a Timemamata o clube sairia do buraco. Além de várias outras asneiras que não vale mencionar. E nem vou lembrar o fator pessoal que me atingiu no final do ano passado. Tem gente que não entende, mas isso me machucou pra caralho.
É uma administração arcaica, retrógrada e pequena que não condiz com a história do Flamengo. Apenas ganhou uma Copa do Brasil porque a final foi contra o Vasco, eterno freguês e um clube que consegue ser pior administrado.
Esse é o meu protesto. Eu não compro ingresso de cambista, não importa o jogo, porque não concordo com essa palhaçada e o tratamento dado aos torcedores. Não compro a camisa da Nike porque não consigo ver o Manto sendo tratado como macacão de fórmula-1 e o clube recebendo tão pouco por isso. E não vejo o time jogando porque tenho certeza que em caso de sucesso, virá a reboque toda essa diretoria dizendo que foi fruto de planejamento, de um trabalho sério e profissionalismo. E a imprensa compra para fazer a alegria da torcida.
Torço pelo sucesso do time, mas não consigo ver essas pessoas lá. Se estou certo ou não, o futuro dirá. Se minha atitude é correta ou coisa de criança, sei lá, mas é a única forma de protestar que tenho agora. Existem outras maneiras, mas para garantir seu sucesso no futuro eu não posso mencionar agora. Eu tentei separar as coisas, mas não consegui. Sempre aparece alguém dessa cambada para atrapalhar.
Este e outros textos você encontra também no lucasdantas.com. Passa lá. É rapidim, não machuca e ainda sai de graça.
Sexta-feira, 13 Junho 08, 10:24 PM
Por Oswaldo Tinhorão, especial pro Blog.
Foi no ano da Graça de 1988, há duas décadas completas. O Presidente da República atendia pelo nome de José Ribamar Sarney, mas ninguém tinha votado nele: não se votava para Presidente havia
exatos 28 anos. A União Soviética estava viva e bulindo, e o Muro de Berlim era um impávido colosso. Em Roma, Sua Santidade, o Papa João Paulo II, ainda se fazia chamar "o Papa-Atleta", para
vocês terem uma idéia de quanto tempo faz. O aiatolá Khomeini era figurinha fácil nos noticiários, e seus cornos furibundos estampavam uma bandeira insólita da Torcida Jovem do Flamengo ("a
bênção, aiatolá / nosso povo te abraça").
Cá no Brasil, a moeda da semana era o cruzado, mas não ia demorar a ser substituída pelo cruzado novo. Em Brasília, 559 ilustrados cavalheiros (entre eles o sr. Márcio Braga) elaboravam uma
Constituição que legislou até sobre o Colégio Pedro II, e que estabelecia bases tão adequadas para o desenvolvimento nacional que teve de ser emendada 62 vezes em vinte anos. O Prefeito da mui
leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro atendia pelo nome de Roberto Saturnino Braga, e um belo dia, com a cara mais lavada deste mundo, decretou a falência do município que
ele próprio administrava.
Por esses dias, assunto de mulher era a novela Mandala, com uma Vera Fischer inteiraça a merecer as melhores homenagens dos que andávamos pela casa dos doze, treze anos. Ouviam-se coisas
esquisitas no rádio, do gênero A-Ha, RPM ou Suzanne Vega -- que cantava, segundo consta, sobre uma moça a quem apetecia levar porradas do namorado. Havia também Killing Moon, do Eccho and the
Bunnymen, e o excelente The Joshua Tree, do U2, para equilibrar um pouco a coisa.
No esporte, fora do futebol, o grande ídolo pátrio era Ayrton Senna da Silva, que conquistaria, muito brevemente, seu primeiro campeonato mundial. Houve também espaço para os quinze minutos de
Aurélio Miguel Fernández, o único brasileiro a voltar da Coréia com uma medalha de ouro no pescoço.
No futebol, Diego Maradona e Ruud Gullit disputavam o posto de melhor do mundo, e aqui ainda reinava soberano, apesar do joelho, Sua Majestade, o Rei Arthur Antunes Coimbra. O técnico da
seleção brasileira era Carlos Alberto Silva, cujas grandes façanhas foram empatar com a Noruega e voltar de Seul com uma medalha de prata, pequeno consolo para o esforço de jovens promessas
como Taffarel, Bebeto e Romário.
E foi nesse mundo distante e esquisito que, pela última vez, em 12 de junho de 1988, faz duas décadas, o Club de Regatas Vasco da Gama conquistou seu último título em cima do Flamengo.
De lá para cá, foram derrotados por nós em quatro finais de carioca, mais uma final de turno que valeu o estadual para nós e o vice para eles, mais uma final de Copa do Brasil que, para eles,
era o jogo de todos os tempos, a mãe de todas as batalhas, e que nós vencemos sem muito esforço. Em muitas dessas ocasiões, o pândego dirigente deles garantia que o título estava no papo e que
o chope já estava comprado (deve ter azedado, depois de duas décadas).
Este dia há de ser a data nacional do Vasco da Gama, é o Grito do Ipiranga deles, está para a história deles assim como os 3 x 0 sobre o Liverpool estão para a nossa. Nessas condições, manda a
educação e a boa vizinhança que os cumprimentemos por façanha tão maiúscula, que ora completa seu jubileu de porcelana.
Quem quiser encaminhar estas minhas considerações a quantos amigos vascaínos quiser, sinta-se à vontade.
Terça-feira, 10 Junho 08, 05:45 PM
A manifestação da torcida do Vasco contra os erros de arbitragens, que vêm prejudicando sistematicamente o time cruzmaltino, já tem data e local marcados. O protesto pacífico convocado pelo Presidente Eurico Miranda será na próxima quarta-feira (11/06) às 14:30h, na entrada do condomínio da CBF - Confederação Brasileira de Futebol, situado na Barra da Tijuca. Neste horário e lugar estará ocorrendo o sorteio dos árbitros da 6ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Os torcedores se concentrarão às 13h em São Januário, de onde partirão de ônibus para a Barra da Tijuca. Quem preferir, pode ir direto para o local do protesto.
O endereço da CBF é no Condomínio Rio Office Park Barra da Tijuca, situado na Rua Victor Civita, 66.
CONVOCAÇÃO DO PRESIDENTE EURICO MIRANDA
CHEGA!!!
CONVOCO UM PROTESTO PACÍFICO DOS TORCEDORES DO VASCO PARA A SEDE DA CBF, NA QUARTA-FEIRA (11/06) ÀS 14h30, PARA DEMONSTRAR A NOSSA INDIGNAÇÃO COM O QUE ESTÁ SENDO FEITO EM RELAÇÃO ÀS ARBITRAGENS, PREJUDICANDO DE FORMA ACINTOSA O VASCO.
EURICO MIRANDA
PRESIDENTE DO CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA
Isso aí em cima só poderia ter saído num lugar, o Cascata, o blog de humor financiado pelo presidente-interino do Vice. Aí eu pergunto:
1) Quarta-feira é feriado?
2) As pessoas não deveriam estar trabalhando nesse horário?
3) Devemos crucificar um árbitro que acertou, só porque os outros erram?
Está clara a intenção do Eurico. Sabe que suas chances de impedir mais uma eleição estão cada vez menores e vai angariar simpatizantes das torcidas com esse protesto fajuto. É conhecedor de sua força atual e reconhece que no passado seria mais vibrante. Hoje é uma caricatura daquele outrora poderoso Eurico.
Veio a calhar essa palhaçada. Até os suspensórios do Eurico sabem que esse protesto não vai dar em nada. Além do que, o Vasco não está sendo prejudicado pela arbitragem em hipótese alguma. Basta ver quantos pênaltis foram cobrados esse ano, o que ajuda bastante com a fantástica média de gols na temporada, prum time que só foi ter ataque no fim do Estadual.
Mas com essa balbúrdia que ninguém ouvirá lá pelas bandas do Recreio, ele mostra que "luta pelo Vasco" e assim angaria uma meia-dúzia de puxa-sacos para as inevitáveis eleições. Depois dirá que o Roberto Dinamite (na verdade uma banana de dinamite que não explode) preferiu comentar jogo do Botafogo.
A estratégia do Eurico tem um lado dentro de campo também. Ele pretende conseguir um álibi para reclamações futuras, e assim provar que estava certo em protestar. Algum árbitro vai errar contra o Vasco nesse campeonato, mas com o berreiro aberto agora, o interino se resguardará para as futuras chiadeiras e ganhar a confiança dos vascaínos ainda cegos.
E nessa confusão toda, quem vai pagar a conta é o Edmundo, que, para variar, falou merda mais do que o normal para ele mesmo. Mas vai colocar a culpa na imprensa, claro. E ainda tem gente que defende esse cara.
Quinta-feira, 05 Junho 08, 07:53 PM
Tabelinha boa, essa que fizeram pro Flamengo, não? Achava que era apenas um fato isolado. Aí eu vejo isso aqui. http://www.cbfcamp.com.br/
Procurem uma logo conhecida ali embaixo. Começa com "K". É, isso mesmo. A empresa do vice-dono do Flamengo.
E a CBF, que diz que o tal Sport é o campeão de 87, até agora não deu um pio sobre a Taça de Pompoarismo e aquele campeonato. E foi quem criou essa tabela.
É coincidência? São apenas negócios? Ou nada além de uma neura minha?
Vocês me digam. E entendam porque prefiro ficar longe desse Flamengo aí.
Domingo, 25 Maio 08, 09:05 PM
O Gustavo já discorreu com bastante propriedade sobre o assunto e eu nem precisava me delongar. Vê se eu vou perder meu tempo participando de torcida escrota para torcer pelo fracasso alheio. Quero mais que o Flu se dane e também o Boca, o São Paulo, o Ganha-nada e o pessoal da pocilga.
E, atualmente, o Flamengo.
Não vi nenhum dos 3 jogos até agora. Em todos eu arrumei o que fazer, o que foi bem melhor. Não que eu tenha me esforçado em procurar outras atividades, elas simplesmente apareceram. estavam sempre ali, mas eu nunca havia percebido. E vocês não têm noção de como me sinto bem com isso. Deixa eu ilustrar a situação.
Em 2003, o Metallica estava programado para tocar no Rio. Minha banda preferida num show que seria em lugar fechado e próximo ao público. Provavelmente seria o melhor de todos que teria visto. A duas semanas da apresentação os caras cancelaram alegando cansaço, só que, menos de 10 dias depois, estavam tocando todos serelepes no Japão.
Ali nasceu um bloqueio em mim. Por um ano, sem brincadeira, eu não consegui mais ver, ouvir ou ler qualquer coisa sobre o grupo. A simples menção do nome me dava enjôo e ganhei uma raiva fenomenal dos caras. Nesse período, eu fui alternando momentos de ódio e desprezo pelo Metallica, mas fui acalmando com o tempo. Precisei de um ano para ver o documentário Some Kind of Monster e finalmente ouvir alguma coisa deles. Naquele momento eu descobri que havia limpado minha cabeça e a alma a respeito de Metallica e estava pronto para gostar da banda novamente, só que de um jeito diferente. Ouvia as músicas quando estivessem tocando, lia as notícias quando surgissem na frente e minha vida seguia. Não era mais fã e não sou mais. Apenas gosto.
E acho que é isso que está acontecendo com o Flamengo. Eu acho que já fiz demais pelo clube, mas aquela vergonha recente me deu uma luz, um baque, um tapa na cara que me acordou. Aí eu pergunto: pra quê? Vale a pena tudo isso? Por favor, não entendam que eu quero dizer para vocês "abandonem seus times", isso é um sentimento meu e só.
Eu preciso limpar a alma e a mente a respeito disso. Não corro mais para ver as notícias, estou pouco me lixando pras escalações, quem vai jogar ou não, pros jogos. E vou dizer que é difícil escrever isso, mas estou me sentindo aliviado até. Preciso desse tempo de Flamengo, de Kléber Leite, de mentiras da diretoria, das sequenciais besteiras que o pessoal lá de dentro faz e sempre citam os outros para limpar a merda da própria bunda. Na boa, cansei. Mas cansei mesmo. Não é da boca para fora.
Não minto para mim ou para qualquer pessoa dizendo que não verei nunca mais. Claro que voltarei a torcer. Mas preciso de um tempo para desopilar. Talvez fazer como meu pai que abandonou o futebol-apaixonado em 1982 quando viu aquela seleção perder e adotou o sistema do futebol diversão dali em diante. Ele é Flamengo, mas se o time perde ou ganha ele encara com a mesma importância de uma reunião para síndico. Faz lá um comentário singelo e acabou. Prefere lembrar do passado que lhe dava alegrias.
Talvez seja essa a solução. Talvez eu deva aprender a torcer como os antigos romanos. Não importa quem o leão vai comer, eu quero ver sangue. Sei que o futebol traz felicidade e tristeza, mas eu posso escolher. Entre ficar na boa, sair com meus cachorros, tocar com minha banda e passear com minha mulher ou ficar em casa xingando a televisão e depois discutindo coias que nenhuma das pessoas naquele clube irá ter a mínima consideração por se considerarem tão superiores, eu prefiro a primeira opção. E vou me dar esse tempo do Flamengo até que eu ache que o tempo passou e que a decepção morreu. Aí eu paro e vejo um jogo ou abro um jornal.
Tchau aí, vou-me. E esse blog vai junto. Já avisei pra tatuagem no meu braço "abre o olho".
On Desculpa aí, mas.....