Segunda-feira, 30 Abril 07, 08:38 PM
O que se viu no Maracanã foi muito do que se esperava. O clássico de time grande teve 45 minutos botafoguenses e outros 45 flamengos. A arquibancada era 60% rubro-negra, mas dentro de campo, não houve superioridade alguma, Nem havia como.
Os dois times são muito iguais. Ambos treinadores são da escola do defender primeiro e atacar depois. Veja bem: Ney Franco escalou o time num 3-6-1 patético e covarde. Cuca, quando teve o goleiro expulso, mesmo ganhando de 2x0, preferiu tirar seu melhor armador na partida, o empolgado e confiante Lúcio Flávio, do que um marcador. Podem até dizer "ele tava com um a menos e precisava garantir". Vendo o resultado final, bastava dizer que ele deveria matar o jogo. Agora colocou o Flamengo de novo na briga.
Para Ney Franco e essa sua mania de entupir o meio campo, basta lembrar duas ocasiões. Na final da Copa do Brasil, ele escalou o time dessa forma, mas precisou trocar quando Renato se machucou. Entrou Obina e o time melhorou metendo dois gols. No segundo jogo, depois da expulsão de Valdir Papel, o time, que também estava no 3-6-1, trocou para 4-4-2 com a saída de Toró para a entrada de Obina. Saiu o gol do Flamengo, logo depois. Só terminando, nos dois gols que o Fla tomou jogando no alto do morro contra o Potosí, era essa a formação. Trocou no segundo tempo, o time empatou, sem oxigênio. No 3-6-1, o Flamengo não marcou um gol sequer.
Voltando ao jogo....
O Botafogo teve a chance de matar o Flamengo no primeiro tempo? Olha, ao contrário do que vêem falando por aí, mataram sim. Dois a zero e mandaram no jogo. Poderiam ter decidido a final com o terceiro gol, mas aí entra o "se" que nunca joga. O Flamengo dormiu em campo, tal como no último jogo entre os dois times. No vestiário, algo aconteceu e a postura mudou. E o equilíbrio foi reposto.
Algo que eu sempre tenho comentado com amigos. O Flamengo é um time que hoje joga na motivação. Demonstrou várias vezes no ano, que empolgado e sem medo (de gol 1000, por exemplo), é difícil de ser batido. Ainda se considerarmos que o futebol nacional não anda lá essas coisas. Já o Botafogo, só joga quando Dodô e Zé Roberto jogam. O time não é nada demais, nem de menos. Está na média nacional. Ontem, os dois jogaram por 30 segundos e saiu um gol.
Aumentaram demais as capacidades dos dois times, fizeram disputas entre jogador-jogador, apostaram no fator torcida. Mas ninguém nota a igualdade das equipes. Os dois times têm raça acima de tudo. Se respeitam demais. Os treinadores preferem se esconder a atacar.
A chave do título está aí. Quem ousar domingo que vem, leva. Se não, podem ligar a TV só por volta das 18:10, para ver os pênaltis.
Domingo, 29 Abril 07, 11:08 PM
Terminada a primeira rodada das finais estaduais, vale um estudo sobre essa mania da imprensa esportiva em opinar, palpitar, sugerir, ao invés de noticiar.
Basta ver que os melhores times do Brasil, segundo os intelectuais da bola, estão caindo pelas tabelas, um a um. Começou com o Internacional, campeão do mundo e da Libertadores, decantado como o melhor elenco, treinador que merece a Seleção, modelo disso e daquilo. Pois é, eu vi. Humilhado no Gaúcho e escorraçado na Libertadores.
Qual era o segundo melhor time? O tal Tricolor do “Morumtri”. É...técnico de Seleção, time arrumado, elenco superior aos demais, caiu de quatro no estadual, onde era desde a primeira rodada, um dos finalistas, segundo a crítica especializada.
Lá fora, falavam do River Plate como favorito na Libertadores, isso só por causa da camisa e da história do time, sem nem se importarem em saber como estavam atualmente.
Hoje foi o caso do Santos. Técnico para a Seleção, elenco entrosado e valorizado, time arrumadinho, melhor jogador do Brasil, blá, blá, blá... Tem condições para reverter o resultado domingo que vem? Sim, mas não porque é o “melhor time do Brasil”, mas porque futebol é assim. E é onde quero chegar.
O tempo todo, a semana inteira, eu ouço e leio os mais diversos comentários sobre o futebol brasileiro, mas sempre é a opinião de um e de outro. Se você criticar, logo dirão que fala isso e aquilo baseado nos números, na posição da tabela, nos jogadores e tudo mais. Balela das mais irritantes. O futebol já mostrou na história que esse papo de “é melhor” não existe. O Brasil já perdeu final em casa. Itália foi eliminada em Copa pela Coréia. Portugal apanhou da Grécia numa final de Eurocopa no próprio país. Existem milhões de explicações para cada jogo. Pode ser o juiz que erra e muda o jogo, um frango, um monte de situações. Por isso que futebol é excitante. Tudo se pensa, nada se realiza, ao contrário do basquete, onde o favorito invariavelmente vence. Existe zebra? Claro, mas você conta nos dedos de uma mão as vezes que aconteceram.
Por isso, eu acho que a imprensa deve se ater à profissão e ficar só na notícia. Eu não vou chegar aqui e dizer que ninguém deve mais opinar nada. Só to cansado dessa mania de sacramentar os
resultados antes dos 90 minutos. Mas se os colunistas se calarem, vai aumentar a fila do desemprego. Tem gente que só sabe fazer isso. Pior, erra tudo. Nem isso sabe. Depois, passa a semana dando
desculpa esfarrapada.
Amanhã eu falo sobre o clássico do Rio, onde time grande de verdade decide título. E o Troféu Léo Morelli vai para o goleiro Fábio, do Cruzeiro.
Sexta-feira, 27 Abril 07, 07:05 PM
1995 - O Rei do Rio
"Para cada gol que o Romário fizer, eu vou fazer dois". Frase de Túlio Maravilha, provocando o então melhor jogador do mundo, que voltava de contusão justo para a final da Taça Guanabara.
Flamengo e Botafogo chegavam para a decisão em jogo único com equipes bastante equilibradas e sem nenhum favoritismo. O Bota era o campeão Brasileiro e o Fla estava no núcleo da comemoração de seu centenário e tinha em seu elenco, Sávio, Romário além de Vanderlei Luxemburgo, no banco. O Maracanã, lógico, estava lotado, abarrotado, entupido.
Lembra da frase do Túlio? Pois é, guarda ela.
O Flamengo entrou para matar o jogo. Pressionava com vontade e qualidade, sempre chutando a gol, fazendo o goleiro Wagner envelhecer uns 10 anos em 45 minutos. Logo aos sete da primeira etapa, pênalti para o Fla e Romário abriu o marcador. As redes daquela trave de Morumbi, feias, quadradas, se balançaram.
O time do Botafogo não tinha nenhum equilíbrio emocional. Os jogadores batiam como se não houvesse amanhã. Os rubro-negros apenas aproveitavam, sempre chegando com raça e para decidir logo no primeiro tempo.
Com 22 minutos de jogo, Sávio fez um carnaval pela esquerda e cruzou na medida para Romário, de cabeça, ampliar. O Flamengo estava avassalador, impossível naquela noite. E antes ainda dos 45 minutos iniciais, Túlio, a esperança alvinegra, foi expulso. Não havia sequer tocado na bola. Romário já havia feito dois, eram quatro na conta do Maravilha.
No segundo tempo, o Botafogo, sem Túlio, voltou bem melhor. E coube a Adriano fazer as vezes do artilheiro. Não decepcionou e aos 28 e 34 marcou duas vezes empatando o jogo. O Botafogo estava de volta à batalha. Mas.......
Lançamento de Válber para Romário. Marcio Teodoro se antecipa, cabeçeando para Wágner que saía do gol. Romário sabia que aquilo não ia dar certo. A cabeçada sai torta e pára na frente do melhor atacante do mundo. Romário espera ela se ajeitar sozinha e fuzila. Flamengo 3, Botafogo 2. Túlio estava com seis na conta. O Flamengo estava na final do Estadual.
No primeiro jogo da Taça Rio, Romário fez mais três e a conta de Túlio dobrou. Até hoje, não pagou. E Romário era consagrado como Rei do Rio, até que a cidade conheceu, um mês depois, o significado do ditado "com o Rei na barriga".
-----------------------------------------------------------------------------------------------
1997 - Um time de 22 titulares.
Um time de futebol ganhar um campeonato vencendo todos os jogos, isso já foi visto. Mas DOIS times vencerem o MESMO torneio, ao MESMO tempo, ganhando todos os jogos? Isso era inédito. Até aquele 26 de março de 1997. O Flamengo de Romário, Sávio, Mancuso e outros enfrentaria um Botafogo reserva do goleiro ao ponta-esquerda. Marcelo Alvez, Róbson, Renato era tão obscuros naquela época quanto são hoje.
Ao Flamengo, bastava uma simples vitória que o colocaria na final, aí sim para enfrentar o Botafogo adulto, sério. O alvinegro escalou os reservas para poupar os titulares para a final. O Vasco, terceiro interessado no jogo, havia dispensado seus jogadores para folga, jamais acreditando numa vitória do Botafogo, que o colocaria na decisão.
O jogo foi numa quarta-feira à noite. O Maracanã era totalmente rubro-negro. Talvez, apenas uns 300 botafoguenses estiveram no estádio. O clima era propício para o Fla. Só que aos 25 minutos do primeiro tempo, tudo mudou.
Renato, dispensando pelo próprio Fla um ano antes, de fora da área, mandou uma bomba que Zé Carlos nem viu onde entrou. Estufou a rede digna de Maracanã. O estádio nem ouviu o grito dos torcedores do Botafogo. O silêncio era mais alto. O Flamengo, finalista da Copa do Brasil e do Rio x São Paulo, estava sendo eliminado por um bando de reservas. Um time de estepes venceu o maior rival, contra tudo e contra todos.
Humilhando e eliminado, o Flamengo reservou-se a fugir das manchetes até o início do segundo turno. O Vasco cancelou a folga dos jogadores. Nem eles acreditavam que agora fariam a final da Taça Guanabara.
No domingo seguinte, Gonçalves, ainda cabeludo, fez o gol do título e o Botafogo foi 100% campeão da Taça Guanabara. O Botafogo, não. OS BotafogoS. Os dois times que jogaram o campeonato ganharam todos os seus jogos. Houve quem sugerisse que para se conhecer o verdadeiro campeão, era preciso agora um final entre os reservas e os titulares. Nada mais justo.
E assim, para alegria de quem não aguenta mais, encerro a série.
Quinta-feira, 26 Abril 07, 02:35 PM
"Mais de 800 jogos. Cheguei aqui em 1974 e ganhei três brasileiros, uma Libertadores, um Mundial, seis estaduais e uma Copa do Brasil. Joguei com Zico, Leandro, Nunes, Raúl. Até Pelé esteve em campo comigo por esse time. Graças a esse clube, fui para a Seleção. Fui feliz lá, mas poderia ter vencido mais. E daí? Dane-se.
Fui pra Itália mas não podia deixar de voltar. Minha vida é aqui. Os pagodes, as goleadas, os títulos, as mulheres... Quanta alegria. Sinto falta daqueles caras. Só eu sobrei. Se não fosse por meu filho talvez eu estivesse hoje na praia. Uma cervejinha, camarões no espeto, samba...
Mas o garoto estava certo. Eu não poderia abandonar o barco agora. Essa camisa tem alguma coisa que mexe comigo de um jeito que nunca consegui entender. Nem quis. Se eu soubesse, perderia a graça. O que vale é essa mística mesmo. Essa força.
Escuto o meu barulho preferido. Isso arrepia, mesmo depois de tantos anos. Imagino quanta gente tem ali fora, esperando para gritar "é campeão". É ótima essa sensação. Levantei a Copa do Brasil e o estadual do ano passado. Até disse que pararia, mas eu senti que a missão não estava completa.
Olho o vestiário. Olho e vejo garotos com metade da minha idade, moleques legais, com muita carreira pela frente. Hoje vai ser foda. Eles precisam de mim, precisam vencer esse título. Ainda bem que eu tenho alguns coroas aqui do lado. Pessoal gente boa. Gilmar, Gottardo, Gaúcho, Zinho. Zinho... esse ainda vai vencer muito. Nem é coroa, mas já tem um brasileiro nas costas. Bom tê-lo do meu lado, cara.
Vejo o Carlinhos falando. Sua voz mansa, tranquila. Nem parece que estamos numa final de Campeonato Brasileiro. Cacete. Do outro lado está o Botafogo. Os caras jogaram muito o campeonato. Mas não tenho medo. Lembro dos 6 a zero. Flamengo em final é Flamengo, sei bem disso, mas sempre dá um frio na barriga. Sei lá. Vai que sai um gol dos caras logo no início? A molecada aguenta? Já falei, repeti e sempre lembrei o que é o Flamengo, mas essa geração tá um pouco perdida.
Espero que hoje eles entrem como semana passada. Temos que matar logo de cara. deve ter umas 150 mil pessoas lá fora. Quando eu jogava com os caras há 10 anos, podia ter um maluco só na arquibancada que a gente se matava. Mas eu to sentindo que meu time tá preparado. Ó o Baiano. Pediu a palavra. Meio maluco, mas gente fina. Bate pra cacete hehehe.
Só tem maluco nesse meio. Djalminha...tem mais bola que o pai. Só precisa colocar a cabeça no lugar. Mas eu fico feliz. Esse pessoal veste a camisa com gosto sim. Eles têm prazer em jogar pelo Flamengo. São como eu. Minha vida foi isso aqui. Agora é entrar lá e levantar a taça. Carlinhos já chamou. O pessoal começa a ir pro gramado. O barulho fica mais alto ainda. Mas consigo ouvir as vozes do meu lado. Entrei. Lotado. Lindo Maracanã lotado. Do jeito que eu gosto de ver. O Botafogo tá ferrado".
Pensamentos de Júnior em 12 de julho de 1992.
-----------------------------------------------------------------------------------------------
Quarenta e cinco minutos depois, acabaria o primeiro ato de uma humilhação em praça pública. O Flamengo tinha enfiado 3 gols no favoritíssimo Botafogo. Junior fez o primeiro. Cinco dias depois, o time era consagrado como o primeiro (e até hoje, único) Pentacampeão Brasileiro.
1989 - O dia que o faquir saiu do jejum
1962 - Réquiem composto por pernas tortas
Quarta-feira, 25 Abril 07, 02:32 PM
Diz-se do faquir que é um sujeito que gosta de privar-se de tentações para atingir a perfeição espiritual. Alguns passam dias, semanas, meses sem comer, só meditando. Quando encerram o período, saem mais confiantes e preparados para o que pede sua religião.
Em 1968, o presidente Costa e Silva decretou o AI-5 e enfiou o país num período de trevas ditatoriais. Em 1989, os brasileiros elegeram, pela primeira vez em 21 anos pelo voto direto, o seu presidente. Nesse período, que compreende o nascimento de uma pessoa até atingir a maioridade civil, o Botafogo se recusou a ganhar títulos. Mas, quando finalmente a liberdade chegou ao país, o alvinegro levantou a taça do estadual do Rio de Janeiro, logo sobre o seu maior rival, o Flamengo de Zico.
O título foi conquistado bem ao gosto dos botafoguenses. Com um time aguerrido, com apenas uma estrela, a da camisa, no sacrifício, sobre uma equipe mais forte, mais talentosa e favorita. Afinal, desde quando Josimar supera Jorginho na lateral direita? Gottardo, por melhor que tivesse sido, jamais chegou perto da qualidade e sobriedade de Aldair. Entre Marquinhos e Leonardo vai um abismo de futebol. Bebeto e Zinho já ganharam todos os títulos possíveis, ao contrário de Maurício e Paulinho Cricíuma, que, até hoje, só tem uma história para contar. Espinoza, no banco, só faltava pedir autógrafo para Telê. E o Flamengo ainda tinha Zico....
O Fla era o vencedor da Taça Guanabara onde atropelou o extinto Nova Cidade por 8 x 1 na Gávea, o Fluminense por 4 x 0 e o Vasco por 3 x 1. Contra o Botafogo, foi empate em 1 x 1. Ao todo foram 19 pontos ganhos e nenhuma derrota.
O Botafogo veio para a finalíssima ao vencer a Taça Rio, sem ganhar nenhum clássico, empatou os três. Contra o Flamengo, um 3 x 3 que até hoje está na história do Maracanã. Fez 18 pontos e agora lutaria para acabar com a fome que assolava General Severiano há longos 21 invernos.
Público modesto, 68 mil pessoas. No primeiro jogo, domingo, um 0x0 fraco, sem graça e sem emoção. Mais equilíbrio do que isso, impossível. O jogo ocorreu numa noite de quarta feira. O dia era 21 de junho de 1989.
No primeiro tempo, o drama botafoguense. Zico bate as faltas e Ricardo Cruz pega tudo. Jorginho faz o terror pela direita mas Bebeto não aproveita. O Botafogo, muito mais limitado, se resume a segurar o Flamengo e evitar a tragédia. Sua torcida, por incrível que pareça, era maior no estádio, acreditando no milagre. Tinha que naquele dia. E o sinal definitivo veio no segundo tempo.
Zico, já nos últimos dias de Flamengo, sai do jogo para a entrada de Marquinhos. Era a força que faltava ao Botafogo.
Mazolinha desce pela esquerda. Chuta a bola para a área. Chuta mesmo, sem olhar. Maurício joga Zé Carlos II para dentro do gol e em seguida explode o Maracanã. No gol que Ghiggia silenciou o Brasil em 1950, Maurício matou o Flamengo. Os guerreiros alvinegros passaram o resto do jogo chorando enquanto evitavam o empate. A torcida rubro-negra, aos poucos deixava o estádio. Existem jogos que você sabe que não vai ter como mudar o resultado. Por mais que 1 x 0 seja perfeitamente alterável, esse já estava 21 x 0 pro Botafogo.
Quando o árbitro Válter Senra acaba a partida, acaba também um dos maiores dramas do futebol Brasileiro. E no ano em que finalmente os brasileiros puderam votar para presidente, o Botafogo volta a ganhar seu título. O faquir saiu do jejum como tem que ser, mais forte. Em 1990, conquistou o Bi. O Rio tinha, novamente, quatro times grandes.
Terça-feira, 24 Abril 07, 02:05 PM
Segunda-feira, 23 Abril 07, 04:18 PM
Numa legítima final de campeonato estadual (sem times do interiorrrrrr), Flamengo e Botafogo começam a se pegar no domingo que vem em total equilíbrio de forças. Os dois times decidiram apenas duas vezes o carioca, com duas vitórias alvinegras, em 1962 e 1989. Por incrível que pareça, em 94 anos se enfrentando, apenas mais uma decisão, o Brasileiro de 92, vencida pelo Flamengo. Para quem considera título, teve a Taça Guanabara de 199, com show de Romário e nova vitória rubro-negra.
Em vez de fazer prognósticos aqui, que na hora do vamo vê não adiantam de nada, vou tentar relembrar para os outsiders do Rio, alguns jogos memoráveis entre os dois, incluindo, claro, as finais disputadas. Abro o baú logo com o maior jogo da carreira de um gênio do futebol, que fez sua vida no Botafogo, mas que nutria amores mesmo, pelo Flamengo.
Enjoy....
-------------------------------------------
1962 - Réquiem composto por pernas tortas
Um ano especial pro mundo, foi esse de 1962. O país viu o nascimento de Bussunda, Frejat, Magic Paula e outras celebridades. Mas também se despediu de Candido Portinari. Foi o ano que John Kennedy declarou que colocaria o home na Lua e ao mesmo tempo quase explodiu a 3ª Guerra Mundial, devido à crise dos mísseis de Cuba.
Para o futebol, especialmente o brasileiro, também foi especial. Recém conquistada a Copa do Chile, o complexo de vira-latas estava enterrado com o Bi mundial. Além disso, o Santos de Pelé já dominava o mundo e um "aleijado" carioca era o grande herói nacional. Garrincha assumira o papel de Pelé e levara o Brasil a igualar o Uruguai em bi campeonatos mundiais e a Itália, em consecutivos. E sua coroação definitiva veio poucos meses depois, no seu palco preferido. Ironicamente, seria também seu último ato de genialidade.
O Maracanã já lotava para ver o botafoguense entortar adversários jogo sim, jogo também, mas aquele 15 de dezembro era um dia especial.
Era um dia chuvoso, apesar da época do ano e 146.287 pessoas se espremiam no ainda Maior do Mundo. Flamengo e Botafogo decidiam o estadual daquele ano e apesar do bom time rubro-negro, os botafoguenses costumavam dizer que "jogo contra o Flamengo é bicho certo".
O Fla veio a campo com Fernando, Joubert, Vanderlei, Décio Crespo e Jordan; Carlinhos e Nelsinho; Espanhol, Henrique, Dida e Gérson. O técnico era Flavio Costa.
Já o Botafogo estava escalado com Manga, Paulistinha, Jadir, Nílton Santos e Rildo; Ayrton e Édison; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo, comandados por Marinho Rodrigues. Armando Marques era o homem do apito.
A torcida do Flamengo, como sempre, era maior. Mas a do Botafogo não se intimidava. Sabia que tinha mais time. E isso se confirmou no primeiro tempo com Garrincha rasgando a zaga do Flamengo pela direita e fuzilando o goleiro Fernando. Os flamenguistas já sabiam que o título estava decidido. Não demorou muito e Garrincha, de novo, azucrinou o lado esquerdo rubro-negro. Com dribles pra lá e pra cá, jogadores caindo no chão e público nas arquibancadas balaçando a cabeça no ritmo da dança do Mané, o Flamengo assistiu a jogada que terminou com um gol contra do esforçado e humilhado Vanderlei.
O rival já estava morto mas Garrincha ainda tratava os zagueiros adversários como os touros são desgraçados pelas capas vermelhas em Madri.
No segundo tempo, o Flamengo ainda tentou reagir um pouco. Sua primeira tarefa era parar o Mané. A segunda, aí sim, utilizar os passes precisos de Carlinhos para a velocidade de Dida. Não conseguiram nem a primeira. A segunda ficaria mais impossível após a expulsão de Dida.
Garrincha recebe a bola na ponta direita, seu latifúndio preferido. A sua frente estão Vanderlei e Jordan. O drible sempre igual, nunca evitado. O chute seco. A explosão no estádio. Botafogo 3, Flamengo, aniquilado, zero.
Há quem diga que essa foi a maior atuação de um jogador na história do estádio. Pode ter aí, um pouco de nostalgia, mas só Garrinhca mereceu um busto em sua homenagem, pela atuação em uma partida. Está lá, até hoje, subindo a rampa do Belini, a face do maior ponta de todos os tempos. E tragicamente, nesse dia de alegria alvinegra, acabou a carreira do Mané.
Nunca mais ele foi o mesmo. Seus joelhos já não aguentavam mais as pancadas dos rivais e os tendões estavam tortos demais. Garrincha passou a ser o seu próprio fantasma. Suas pernas tortas escreveram no mais célebre estádio do mundo, o seu réquiem.
Quinta-feira, 19 Abril 07, 03:40 PM
O post do Rubão com os gols do Dener, me lembrou do caso da família dele contra o Vasco e a Portuguesa. Para quem não se recorda, o jogador morreu num acidente de trânsito em 19 de abril de 1994. Desde então, há exatos 13 anos, parte da família do jogador, representada por sua esposa na época, Luciana, briga para receber uma indenização oriunda de um seguro de vida obrigatório, que o Vasco NÃO FEZ.
Na época, a viúva entrou com ação de US$ 3 milhões contra o Eurico's. O time até hoje não reconhece Luciana como esposa do Dener. Eis aí um ponto do problema.
O outro ponto, vem do fato de que o Vasco pagou à mãe do jogador, na época do caso US$ 90 mil por prêmios e conquistas. Mas também não pagou o seguro, o-bri-ga-ção do clube. A Portuguesa também entrou com uma ação contra o time do Rio, pelos mesmos US$ 3 milhões, por considerar o Dener seu patrimônio e recebeu em três vezes. Luciana não viu nada do dinheiro.
A ação começou em 1994, em São Paulo. O Vasco perdeu. Recorreu ao TRT em 95 e perdeu de novo. Tentou o TST em Brasília e toma outra derrota, em 2000. Mas aí, entra o porque desse país não andar pra frente.
Todos os ministros do TST decidiram que o Vasco deveria pagar. Por que não pagou? Porque uma ministra considerou que o valor pago dos prêmios para a mãe do atleta deveria ser descontado do montante de Luciana. Com isso, o Vasco entrou com uma série de medidas ploteratórias que só atrasam o pagamento, mas sem poder de mudar a decisão. Perderam todos os embargos, mas estão com mais um atualmente e ainda tem direito a outro, até o fim do ano. Alguma dúvida de que vão perder mais esses?
Isso é Brasil, país onde quem perde na justiça, pode continuar perdendo ad eternum nos inúmeros recursos permitidos. Mas não é só isso.
Vendo que perderia todas as vezes, o Vasco questionou o valor, que antes dizia não dever. Um perito avaliou que a dívida estava em R$ 12 milhões. Como o clube não concordou, a justiça determinou que o clube deveria apontar a quantia em 10 dias. Não fez. O caso seguiu por mais um ano e uma carta precatória de Luciana obrigava o pagamento em até 48 horas, de R$ 15 milhões.
Se segurem....
Um juiz determinou que o Vasco com penhora de bens, cotas de TV, ingressos, bolinhos de bacalhau, o que fosse, em 48 horas. Como o Vasco não pagou, o mesmo juiz determinou que 30% de tudo o que entrasse no clube, deveria ir direto para Luciana. Mas aí.... espertos e aproveitando as bilhões de interpretções que a justiça (sic) brasileira permite, o clube alegou que não poderia destinar mais do que 10% de sua renda, devido a um acordo feito no Rio de Janeiro com a Justiça do Trabalho e Flamengo, Botafogo e Fluminense, para diminuir suas montanhas de dívidas.
Mas o Vasco, que sempre apregoou em todos os cantos que não deve nada a ninguém, que tem certidão negativa de débitos (fácil de tirar, qualquer um pega, basta parcelar a dívida e pronto), RECUSOU-SE A FAZER PARTE DO ACORDO, quando este foi pensado. Agora, que tomou essa enrabada da justiça, correu atrás e entrou no grupo. Ué? Mas não era o time que não devia nada? Passou a dever de repente?
E o pior, uma juíza aceitou. Hoje, Luciana entrou na lista de credores do clube que "não deve nada" e de acordo com os critérios do acordo, recebe primeiro quem tem dívida menor a ser quitada. Como a dela beira os R$ 20 milhões, ficou lá no fim da lista. Os credores que não existem, já que o Vasco não deve nada, recebem dinheiro primeiro. Mas isso, porque o Vasco não deve nada a ninguém. Para piorar, existem os embargos que seguram qualquer pagamento. Só depois que eles acabarem, a fila dela pode começar a andar.
O Vasco ainda propôs um acordo: pagar R$ 3 milhões e encerrar o caso. Um valor que acertaria a vida de qualquer um, certo? Massssssss.... O pagamento seria através do fundo de credores. Ou seja, ela receberia uma quantia ínfima por mês. Enquanto isso, Romário recebe quase R$ 200 mil / mês por um empréstimo, além de deter 60% do acordo de patrocínio que o Banco dos Mensalões Garfados paga pelo gol 1000.
Cansado de apanhar na justiça, o Vasco está na disposição de fazer outro acordo, mas que o advogado de Luciana procure o clube ao invés da justiça. E a Portuguesa está acertando outro acordo com ela. Há um 13º em jogo e a quantia beira os R$ 12 mil. Bem menos, mas a Lusa ofereceu um carrinho de maca quebrado para saldar a dívida.
Luciana está para ser despejada. E 13 anos se vão desde que Dener morreu. Isso é Brasil.
Segunda-feira, 16 Abril 07, 09:39 PM
E deu a lógica. O São Caetano conquistou no último domingo, o seu 11º título brasileiro e se consolidou de vez, como o clube mais vitorioso da última década. Após uma campanha intocável, o Azulão
chegou no último jogo do triangular decisivo, contra o Cruzeiro, com a vantagem do empate. E com o gol de Adhemar Neto, logo aos cinco do primeiro tempo, as chances da Raposa se acabaram de vez. O
gol, o 41º do jogador na competição, foi a senha para explodir os mais de 140 mil torcedores que lotaram o estádio Nairo Ferreira de Souza, o Viagrão. E o título comprovou a mística: desde que o
São Caetano comprou o Morumbi do São Paulo (que continua lutando para sobreviver na primeira-divisão), foram seis decisões e seis títulos.
O campeonato foi equilibrado. Com o número ideal de clubes (45 divididos em três grupos de 15), os mais fortes confirmaram o favoritismo e sempre se mantiveram na frente. São Caetano, Cruzeiro,
Atlético Paranaense, Criciúma, Vitória, América-MG, Caxias, Fluminense de Feira e o Reino de Deus do Rio de Janeiro, fizeram excelente campanha, mostrando o equilíbrio da competição.
No triangular final, Criciúma, Cruzeiro e São Caetano fizeram jogos empolgantes e encheram os estádios. O 4x4 entre Cruzeiro e Criciúma foi com certeza uma das melhores partidas dos últimos anos no
Brasil e confirmou o nascimento de um craque: Abinho, que provou que sua profissionalização tardia (só jogou com o time principal aos 17 anos) não afetou o seu desempenho, como muitos (inclusive
esse repórter) pensaram que afetaria.
Abinho nos brindou com lances mágicos, como no golaço contra o Palmeiras na terceira rodada, quando driblou todos os nove jogadores do time adversário. Aliás, desde que a FMF (Federação Mundial de
Futebol) tomou o lugar da FIFA como entidade máxima e instituiu novas regras no futebol, o nível tem melhorado muito. Definir como padrão que cada time só possa ter no máximo 8 jogadores de linha,
foi a melhor decisão da entidade. Alguém aí ainda sente saudade da FIFA?
Mas se a 76ª edição do Campeonato Brasileiro não nos reservou supresas na parte de cima da tabela, lá embaixo, podemos dizer que o bicho pegou, mais uma vez. O Corinthians e o Internacional
passaram toda a competição entre os seis últimos e só escaparam na última rodada. O Inter até que vinha melhorando e merecia fugir, mas o Corinthians só escapou graças a ajuda absurda dos árbitros
Jones Isaias Cortes, Maxwell Pontes, Peter Oliveir e Paulo M. Munhoz, que marcaram quatro pênaltis duvidosos na partida contra o Francisco Beltrão, salvando o time paulista daquele que seria o seu
terceiro rebaixamento na história.
O Grêmio continuou fazendo seu papel mediano e com poucas vitórias, mas muitos empates, conseguiu se classificar para a segunda fase, onde parou no campeão Azulão. Resta saber se o presidente
Danrlei vai cumprir a promessa que havia feito no início do campeonato, de sair caso o time não conseguisse o título. Não surpreende ninguém, já que há treze anos ele vêm dizendo isso.
Mas caótica mesmo é a situação dos clubes do Rio de Janeiro. Com exceção do Reino de Deus, mais uma vez recordista de público, todos os demais só passaram vergonha. O Flamengo repetiu 2007, 2019 e
2033 e mais uma vez foi rebaixado. Aliás, desde o título da Copa do Brasil de 2017 sobre o Operário-MS, que o Flamengo não ganha mais nada. Sua torcida, que já foi a maior do Brasil, hoje é talvez
a quinta ou sexta maior do sudeste.
O presidente rubro-negro Eduardo Antunes Coimbra, mais uma vez se mostrou mais preocupado com seus negócios de turismo submarino do que com o time, que se viu sem comando e sem treinador durante
dez rodadas, quando recorreu ao quase centenário Joel Santana (o mais velho treinador em atividade com 99 anos) para fugir do rebaixamento. Porém, diferentemente de 2005, dessa vez não deu certo.
O Flamengo é um clube sem rumo. Desde que aterraram a Lagoa em 2023 e a atividade do remo foi suspensa, o rubro-negro da Barra da Tijuca vem focando suas forças no futebol, mas só coleciona
fracassos. O próprio presidente já estuda a possibilidade de fazer como o Botafogo e fechar as portas até que tudo volte ao normal. Mas lembrem-se, que o Botafogo não disputa uma competição há seis
anos.
O outro carioca, o Vasco de São Cristóvão, continua de fora, em protesto pela morte de seu presidente, Álvaro Miranda, que teria sido assassinado por torcedores do Flamengo, há quatro anos. Como o
conselho do clube decidira na época, o Vasco não voltaria a disputar campeonatos, enquanto o Flamengo não fosse banido do futebol. Mas até hoje não provaram nada e o Vasco continua de fora. Uma
pena, pois desde a fusão com São Cristóvão em 2032, o Vasco boas campanhas com nove vices nacionais seguidos. O Fluminense continua na terceira divisão de onde tenta sair há longos quatorze anos. E
Romarinho ainda não decidiu se vai esperar no Vasco, ou se trocará de time para tentar fazer o gol 1000, superando seu pai.
A esperança da torcida brasileira é que para o ano que vem, o futebol se mostre tão equilibrado quanto em 2047. E se a promessa do Santos de contratar o maior craque mundial, o cipriano Dhekelia,
se confirmar, podemos esperar mais emoção e técnica dentro de campo.
E parabéns ao Azulão, mais uma vez. Já está virando rotina.
Quinta-feira, 12 Abril 07, 05:39 PM
É lógico que sempre vai ter o do contra, dizendo que o jogo foi bagunçado, sem tática, sem técnica, só confusão e expectativa por gol fajuto.
Eu poderia simplesmente dizer que o Manchester x Roma também foi sem tática, apenas um ataque contra defesa. Ou que a vitória do Vasco sobre o Palmeiras em 99, no Porco Antartica também não passou de um acaso da vida. Mas não.
Prefiro sempre agradecer por ter presenciado esses momentos, nem que seja ao vivo, TV ou computador. E o jogo de ontem, foi mais um.
Com cinco minutos, eu já estava me perguntando: é basquete ou futebol? Os dois times estavam muito mordidos, os olhos vermelhos de raiva um do outro. Durante a semana tivemos a confusão dos ingressos e novamente, a pantomima dos 1000 para se colocar em primeiro plano, sobre um clássico decisivo. O Botafogo, time de campanha irrepreensível na Taça Rio, atual campeão e mais forte candidato ao título, encarava de novo o Vasco, que precisava mostrar estar acima de Romário e lutava pelo direito de encarar o Fla, em mais uma final.
O primeiro tempo foi primoroso. Se 7 gols em 45 minutos significam "não teve tática", por favor demitam os treinadores. Público quer gol. E isso teve de monte ontem. Correria, raça, vontade. Todos os torcedores pensaram "eu queria ver meu time assim sempre". Imagina, tomar dois de cara, empatar, tomar mais um e virar? Tem time que leva o primeiro e já arreia as calças. O Botafogo foi primoroso. O trabalho que Cuca vem fazendo é digno dos maiores elogios, mas só enxergam Luxa, Muricy e Leão, fazer o que?
Esse é o grande problema. São tantos erros do lado de fora, que cegam as pessoas para o que ocorre dentro. Pegam o presidente do Vasco, ou da Federação, tão éticos e transparentes como um poço de petróleo e transformam isso numa visão geral do futebol carioca. Erro crasso.
Todos os clássicos do Rio foram fantásticos. O Maracanã sempre recebeu bons públicos. O público carioca está animado. Falta muito o que fazer para a limpeza geral, mas o primeiro passo, dentro de campo, está sendo dado. Se o Vasco segue na contramão, azar o dele, mas as eleições de 12 de maio poderão mudar tudo.
Que venha a finalíssima agora. Flamengo e Botafogo têm tudo para levar a decisão para a história. Volta Redonda? Cabofriense? Façam-me o favor. Isso não dá nem pro cheiro. A final do Estadual 2007 terá de volta os times grandes.
--------------------------------------------
Perguntar não ofende:
Jogo 4x4. O Vasco faz o quinto, através de Romário, aos 44 do segundo. O juiz permitiria a festa, mesmo sabendo que do outro lado estaria um ensandecido Botafogo, com uns 3 ou 4 minutos para decidir seu futuro?
Pelé fez o gol 1000 durante uma excurção do Santos. Romário, marque um amistoso, resolva isso e vá pra praia descansar.
On Tem culpa eu?