Quarta-feira, 09 Abril 08, 12:23 PM
Responda sinceramente: Hoje, 09 de abril de 2008, você gostaria do Ronaldinho Gaúcho na Seleção? Há um mês atrás você queria o Ronaldinho Gaúcho na Seleção? Você acha que daqui um mês ele terá condição de jogar na Seleção?
Por favor, não me venham com comparações ou citar nomes de fulano e sicrano que também não merecem jogar no time. A questão não é sobre os outros, mas sobre o Ronaldinho, especificamente. Os outros não são considerados "o melhor do mundo", "o artista da bola", o "joga bonito". Tudo isso se espera dele. E nada disso vimos pela Seleção.
Os "anti-anão" (sic) de plantão logo se apressam em dizer que Dunga não sabe escalar o jogador. Também, né? Não tem experiência nenhuma. Parreira passou quatro anos com Ronaldinho e jamais descobriu sua posição. Com o Pé-de-uva, o Gaúcho jogou na esquerda, na frente, no meio, na direita, no ataque, na zaga, no gol, na torcida, arbitragem... Só não jogou no banco. E com o Gaúcho no time, Parreira naufragou na Copa do Mundo.
Felipão só contou com o talento do jogador uma única vez, naquele jogo contra a Inglaterra na Copa de 2002. Com o Luxa ele teve alguns lampejos e belos momentos, mas naufragou nas Olimpíadas, quando o experiente treinador escalou dois laterais-esquerdos e perdeu para Camarões, que jogava com nove, na morte súbita. Mas vamos considerar que Ronaldinho ainda não era "o cara". Ainda tinha tempo.
Hoje não tem mais. O mundo sabe do seu potencial e sempre esperou vê-lo em campo, mas ele se recusou a mostrar seguidas vezes. Sonegou o máximo que pôde e jamais foi sequer sombra daquele gênio nas propagandas. O que não faltou foi oportunidade.
Encerrada a Copa de 2006, o Gaúcho tirou férias de vinte dias (que a imprensa golpista se recusou a lembrar, só para poder bater no Dunga). Assim que voltou do descanso, voltou também a pressão da mídia por sua convocação, mesmo estando completamente fora de forma. Foi chamado e ficou no banco. O mundo chiou. Ele entrou e nada apresentou. Foi até melhor que os demais na posição, mas a pergunta tostines não quer calar: foi melhor porque os outros jogaram muito mal, ou os outros jogaram muito mal e só assim ele foi melhor?
Enfrentou potências como Kuwait e nem assim conseguiu fazer uma partida decente sequer. Levantaram a hipótese que ele odiava o treinador, e vasco-versa, criticavam as atuações mas ninguém admitia que o craque pudesse deixar de ser convocado. Era ele, Kaká e o resto. Mas Kaká jogava bem. O resto corria atrás, se doava, mostrava comprometimento. Ronaldinho usava o nome.
O tempo passou, a Copa América veio e o Brasil ganhou, mas Ronaldinho estava de férias, de novo. Pediu o descanso para voltar voando. Voltou pior. Barrado no Barcelona, não fez sequer uma partida decente na temporada e, pela Seleção, acabou vaiado por um Morumbi lotado ao ser substituído por Josué. Na ocasião o time melhorou com sua saída e conseguiu a vitória contra o Uruguai.
Dunga não morre de amores por Ronaldinho, mas ele tem um trabalho com que se preocupar. Jogou ao lado de Romário, tão ou mais gênio que o Gaúcho, e não se importava em correr pelo Baixinho. Ele sabia que o 11 decidia. Isso pesa muito. Ronaldinho não corre e não decide mais. Pela Seleção, só uma única vez contra a Inglaterra. Os jogadores de hoje não possuem mais tanta paciência para estrelas que jogam com o nome. Se pelo menos a estrela garantir o bicho...
O que Dunga quer é vencer. Quem não gosta do cara vai dizer que ele quer é ganhar dinheiro, como se precisasse, convocando jogadores em acordos com empresários. Quem o conhece, como eu, sabe que ele só se preocupa em vencer, bonito ou feio, o que vale é troféu na estante. E sua experiência no futebol lhe ensinou que para ganhar é preciso um time que deseje a vitória. Hoje ele tem isso. Os seus jogadores estão comprometidos com a Seleção, apesar do que diz a Placar.
Abro um parênteses: (Placar, uma notória anti-Dunga. Como pode o treinador da Seleção não falar com a principal revista de futebol? A resposta está numa matéria que explicitava com todas as letras que Dunga não era querido pelos jogadores e não passava de manobra temporária da CBF. Detalhe, não havia NENHUMA declaração, afirmação, NADA de NINGUÉM dizendo isso. Puro achismo da revista. Numa aula de não-jornalismo, a Placar afirmou o que quis, porque quis, pelo simples prazer de levantar polêmica. Comprou e vendeu a história da convocação de Rogério Ceni - que só fala com exclusividade para a Placar, diga-se - e não dá uma única linha sobre a fantástica fase que passa Júlio César). Fecho o parênteses.
O grande problema é que o Ronaldinho, por algum motivo que ninguém sabe qual, não tem mais essa empolgação, essa gana de jogar futebol. Falam de uma contusão, mas isso não é de agora, já faz tempo. Desde que voltou das férias não jogou nada x nada. Na última convocação ninguém perguntou sobre ele.
Eu me policio para não pensar pelos outros. Não gosto que o façam, mas cada um é dono de sua cabeça. Assim, eu não sei o que o Ronaldinho pensa e o que ele quer. O problema, acredito eu, é que o próprio jogador não mostra pra gente o que ele deseja da vida e do futebol. Aí fica difícil.
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On Campeão. De novo.