Segunda-feira, 02 Julho 07, 02:47 PM
O papo aqui sai de Dunga e Seleção e entra no campo dos estádios, literalmente. Maurício, que está na Venezuela, pode falar muito mais do que eu sobre o assunto, mas vou tentar abordar pelo que vejo na TV e minha experiência nos campos brasileiros.
Antes de mais nada, vale salientar que comparo o Brasil com a Venezuela, não com os europeus, onde não temos nem chances.
O Brasil disputou suas partidas em dois estádios muito bonitos, pela televisão. São novos, com desenhos modernos, arquitetura típica dos que estão sendo construídos mundo afora e todos os lugares sentados. Não sei como são ao vivo, como é a entrada/saída, banheiros, serviços, comida, etc etc etc...
Vejo que na Venezuela, um país que não tem aspiração nenhuma no futebol, onde o beisebol, o basquete e os concursos de Miss vêm na frente do nosso amado ludopédio, lá, como em qualquer lugar onde competições serão realizadas, o governo (ou quem quer que seja) ergueu monumentos ao esporte. Pode ter política no meio, o que for, mas foi feito. E aqui?
Lógico que vão lembrar de cara do Engenhão. De fato, um belo estádio, para uma competição amadora. Sim, o Pan é amador. Prova disso é que os resultados obtidos nesse monte de esporte, não chegam nem perto dos olímpicos. O Brasil deita e rola no Pan para pagar mico nas Olimpíadas. E por isso, fizeram um estádio caríssimo, que ficou mais caro ainda no final, e que projeta milhões de problemas desde o lugar onde foi enfiado, até quem vai ficar com ele no fim (e pagar a conta).
Numa eventual Copa do Mundo aqui, nascerão estádios por todos os cantos. De uma hora para outra, todas as praças serão inúteis, segundo os critérios da Fifa. Podem alegar que na África do Sul estão construindo arenas a torto e a direito, mas a Africa é um país muito pobre e precisa da Copa para diversos investimentos sociais posteriores. E sempre será segundo escalão no futebol mundial profissional (não me venham com os gatos nigerianos nas Olimpíadas).
Na Europa, os estádios construídos são dos clubes e têm movimentação o ano todo. Para a Copa da Alemanha, por exemplo, nem foi preciso construir muito, porque o futebol por lá é um esporte nacional, como no Brasil.
Só que aqui, nós vemos estádios fugirem da obrigação de colocar cadeiras, diminuindo sua capacidade para menos de 20 mil, como fez o Vasco. Mas para mandar um clássico em São Januário, o clube diz que cabem 40 mil pessoas. E ninguém, lógico, fala nada.
O Morumbi, um dos maiores estádios do país, foi reprovado pela CBF que já mandou fazer outro. O governo diz que fará metrô e estacionamento, algo muito mais útil para a cidade, do que subir outro monstro de concreto, que acabará ficando obsoleto. Ah, o Corinthians, pode assumir o estádio depois? Mas o Corinthians já tem um estádio, logo, o Pacaembu ficará obsoleto. E assim será pelo Brasil todo.
Isso tudo, por causa de uma Copa que nem é garantido que será aqui. Se não for, continuaremos vendo estádios da idade da pedra, enquanto qualquer outro país constrói maravilhas. Os clubes estão tão falidos e quebrados que não conseguem melhorar o que possuem. Não vêem que é melhor um estáido novo, para sempre, do que um jogador caro, por dois, três anos. A marca dos clubes poderia conseguir os patrocínios, mas é tanta lama e obscuridade, que ninguém se mete a pagar por isso. Os próprios clubes não se tocam que com estádios próprios, conseguirão melhores contratos de todos os lados.
Flu e Bota já querem o Engenhão. Desesperado com a perda de receita, o governo carioca já acena com a possibilidade de repassar o Maracanã para o Flamengo, depois de anos e anos abusando nas taxas. Tudo isso, por causa de um estádio a mais no Rio. Imagina no Brasil todo.
O Atletico construiu o seu no Paraná e já mudou até o nome para o da empresa coreana por alguns milhões de dólares. Hoje cobra preços altos, mas o estádio está lá, com ótimos públicos e pelo que sei, dá lucro.
O Inter e o Grêmio estão pensando na remodelação dos seus e aproveitam os projetos com sócios. Agora, Palmeiras e Vasco. Dois times que têm estádios, mas que sequer disputam clássicos em casa, de tão arcaicos e ultrapassados que são os campos. Melhorias? Talvez uma estátua do Romário atrás de um gol de São Januário e olhe lá. Pior estão Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro e Atletico Mineiro que possuem torcidas de massa, mas pagam aluguel para mostrar seu futebol. E ficam mendigando esmolas do governo, ou iludindo a torcida com promessas vãs de arenas. Os cariocas estão felizes com o Pan, mas se este tivesse sido em Goiás, aí eu queria ver.
Eu já me convenci que no Brasil, as coisas só andam na base da obrigação. É mais fácil ver filhote de pombo do que dirigente que pensa profissionalmente e no futuro. O cara quer ser campeão do mundo e a conta quem paga é o próximo. E nome na posteridade é homenagem pra morto, não satisfaz o ego. Para vermos maravilhas de estádio, só com a Copa aqui, ainda assim, sei não. Mas sem ela, continuaremos sentando no cimento.
On Campeão. De novo.