Quinta-feira, 19 Junho 08, 07:19 PM
Brincadeira comum com o técnico da Seleção é a de afirmar que a CBF pegou o anão errado. Chamam de Soneca, Zangado, Burro, Asno (sei lá quais são os anões)... Tudo um equívoco só. Dunga, na
verdade, é outro anão, o Frodo. Sim, aquele mesmo de O Senhor dos Anéis.
Mas pera aí! Frodo tinha uma missão absurda para cumprir e conseguiu!! Pois é, mas a semelhança entre os dois é gritante. Só não vê quem não quer.
O principal mote é o fardo que os dois são obrigados a carregar. Frodo, um anão ridículo de uma aldeia patética de repente se vê diante de um desafio que muitos mais experientes fracassaram. O
pior: ele não faz idéia de como conseguirá. Ao seu redor estão várias pessoas que dizem torcer pelo seu sucesso, pelo bem geral da nação, mas na verdade querem que ele caia para se apoderar do
anel. Enquanto isso, Dunga ouve de todas as partes a imprensa e os treinadores dizerem que o apóiam, mas na verdade querem a sua desgraça.
Frodo se uniu a um amigo de longa data para tentar cumprir a missão, mas acabou tendo a ajuda de onde menos esperava e no final acabou traído pelo tal de Gollum, uma figura ultrapassada, velha
e corcunda de grande importância na história, que ninguém confia, e que já teve o anel e o quer de novo a qualquer custo, com o intuito futuro de dominar o mundo. Alguma semelhança com o
tal Ricardo Teixeira? Pode-se dizer que o Samwise Gamgee de Dunga é Jorginho, a única pessoa em quem ele confia.
Frodo, como Dunga, arrumou um pessoal aí para formar uma aliança e assim conseguir seu objetivo. Frodo queria jogar o anel no fogo e Dunga almeja os anéis olimpicos. Os amigos de Frodo eram
cheios de flores no início da história, mas um deles, o essencial Boromir, acabou virando a casaca e trabalhou contra. Não chegou a pedir dispensa de nenhuma luta como o Kaká, mas era bom de
discurso e cheio de garra, só que na luta contra os Orcs ficou devendo e morreu. Parecido com a dupla Kaká e Ronaldinho, que na hora de jogar sempre nega fogo.
Quem leu o livro sabe a total inutilidade de Tom Bombadil na história. Eu comparo com os amistosos caça-níquel que a Seleção faz mundo afora.
Eis que Frodo ficou sozinho e com a tarefa de jogar o anel no buraco da montanha. Enquanto ele andava por pântanos fedorentos, seus amigos se valorizavam disputando guerras mais excitantes em
outras praças. Claro, afinal Aragorn e os humanos lutavam por quem pagava seus salários, o Regente de Gondor.
Dunga foi perdendo jogadores importantes ao longo de sua jornada. Os dois já citados, Zé Roberto, e agora parece que vai para Pequim com um timeco meia-bomba, enquanto os principais craques
disputarão os torneios europeus, mais importantes para quem paga seus salários.
Mas a grande semelhança mesmo é o fardo que coloquei lá em cima. Tal como Frodo, Dunga parece não ter capacidade e não desmonstrou nenhuma experiência anterior para cumprir a tarefa. Ninguém
acredita nos dois e ambos não mostraram em momento algum também um comportamento digno de quem precisa ser especial. Frodo, um bebê chorão de pés-peludos, ficava se lamentando o tempo todo e
preferiu culpar o mundo a reconhecer que estava perdido e tomando decisões erradas. Acabou entrando na cova da Laracna sozinho. Dunga começou bem, mas brigou com metade da imprensa que ainda o
apoiava e ontem colocou no árbitro a culpa pelo 0x0. Vai adentrar os muros da Cidade Proibida em Pequim apenas com suas convicções e Sam "Jorginho" Gamgee para lhe apoiar. Bom, isso nem Frodo
teve.
O anão de Tolkien aprendeu a usar a espada pelo menos? Não. Não matou um simples orc em todos os três filmes. Só faz berrar escandalosamente. Dunga sim arrancou a cabeça de alguns orcs
(Argentina duas vezes, México, Noruega) e ainda conseguiu algo comparável com a salvação do Abismo de Helm: ganhou a Copa América, uma competição complicada como a guerra do livro e onde somos
sempre os fracos, mas no final os orcs portenhos sempre apanham.
No resumo geral, infelizmente, Dunga realmente não demonstra estar preparado para assumir a função. Ele nunca se disse técnico, como Frodo jamais mencionou que seria um guerreiro, porém aceitou
a missão e pretende cumprí-la mesmo que o revés signifique o fim do mundo. Não do mundo-mundo, mas do seu mundo como personagem do futebol. O peso dessa obrigação talvez lhe seja maior do que
suas costas possa suportar. Dunga é valente, ninguém pode negar, mas o trabalho é difícil e outros mais experientes e calejados já fracassaram.
Para ele, eu lembro uma frase de Gandalf, pouco antes do ataques das tropas de Mordor à Cidade-Branca, respondendo uma pergunta de Merry. Ao mago branco foi questionado "E se Frodo não
conseguir, Gandalf?", que respondeu "Nunca houve esperança em Frodo". No final, como nós sabemos, o anão do livro tacou o anel no fogo e ainda levou o Gollum Teixeira consigo. Será que
Dunga terminará sua missão? O que sei é que o Gollum continuará...
Segunda-feira, 16 Julho 07, 01:56 PM
Acabou a Copa América, só faltam seis para pegarmos o Uruguai e a Argentina no topo da lista e agora é hora de pensar o futuro. Seleção não tem nem tempo para respirar e já fará ami$to$o$ da Nike. E depois começam as eliminatórias contra Colômbia, lá na casa deles. Dunga, fortalecido, tem agora a missão de fazer o Brasil jogar com a mesma vontade demonstrada na Copa América, escalando as primadonas descansadas.
Novamente, é lógico que Kaká e Ronaldinho devem ser titulares do time, mas devem fazer sua parte também em campo. Depois do fracasso da Copa do Mundo e do sucesso dessa seleção remendada na Venezuela, podem ter certeza de que a pressão estará com os dois. Ronaldinho, principalmente, terá que provar que sabe jogar sim, pela Seleção. Oxalá consiga, pois o Brasil forte é o que todos nós queremos.
Dunga se preocupa com as Eliminatórias e nem poderia ser diferente. Mas ele deverá começar a montar a equipe olímpica. E terá trabalho, visto que boa parte do time pagou um mico fenomenal na Sub-20. Já começarão as especulações sobre os "coroas" que ele deverá convocar e como serão os amistosos dessa equipe, intercalando com a principal.
Eu particularmente sou contra o treinador da olímpica ser o mesmo da principal. É acúmulo de funções e desgate duplo. As Olimpíadas acabaram com a carreira de Luxemburgo na Seleção (além das manicures). O Zagallo enfrentou duras críticas quando foi eliminado em 96, críticas essas que atrapalharam seu trabalho até o final. Tudo bem que Ricardo Gomes sequer conseguiu classificar a equipe para as Olimpíadas de Atenas, mas isso foi porque ele era ruim mesmo. Foi acaso.
Penso que Jorginho poderia assumir a Olímpica e deixar Dunga na principal. Isso, se Dunga não fizer o que eu faria em seu lugar.
Eu pediria demissão. O cara não merece passar pelo que passou, nunca agrediu ou foi incorreto com ninguém, jamais desrespeitou a Seleção, ganhou muitos títulos, mas sempre apanhou como um Judas. Três Copas América e uma do Mundo ele deu ao país e nem assim o pessoal alivia. Pois então, caia fora. Tá com moral agora, para que se desgatar com jogadores que não querem a Seleção e ainda perder pontos com os que querem, mas são odiados pela torcida e imprensa? Vale o estresse, uma vez que o próprio Dunga já dissera que não pretende ser treinador no futuro?
Ele já mostrou como se faz para jogar com vontade. Já provou que o Brasil, mesmo com time B ou C ainda é melhor do que o resto. E tudo isso perto de ficar órfão e recém-pai ao mesmo tempo. Da grana ele não precisa. Está muito bem de vida e pode ficar tomando chimarrão pelo resto dos seus dias.
Mas Dunga é movido a desafios. E ele quer a medalha olímpica, a única honraria que falta ao Brasil. Ele tem fome dessa medalha. E eu não duvido que ela virá na China. Numa final contra a Argentina. Mas até lá, um ano de encheções de saco, achismos variados, teorias conspiratórias e tudo mais que faz a alegria dos velhos de plantão. Quero ver é se alguém vai pedir férias dessa vez.
Segunda-feira, 16 Julho 07, 12:04 AM
Como eu coloquei antes, eles são sempre melhores. Mas nós SEMPRE VENCEMOS. E ainda metemos um chocolate digno da deliciosa Mamuska de Bariloche. Uma surra. Alguns podem dizer que foi acidente de percurso. Para os críticos de sempre, desculpem, mas terão que engolir o Dunga mais um pouco.
Essa vitória coroa o trabalho sério. Isso só é possível com gente que quer vencer e não aumentar patéticas marcas pessoais ou fazer cena para comercial onde é fácil jogar bonito. Essa Seleção, tão criticada, foi composta por jogadores que precisavam e queriam o título. Por atletas que tinham que aparecer para o mundo. Por um treinador que tinhas suas convicções e foi com elas até o fim. Mesmo com a torcida contra que teimava em pensar por ele, em reclamar de absolutamente tudo e, como sempre, babar o ovo dos argentinos.
Mais uma vez eu vou dizer que Kaká e Ronaldinho voltam para as Eliminatórias. Dunga tem um compromiso só: a Seleção. E isso implica em contar sempe com os melhores. Mas não basta ser o melhor no nome. Tem que mostrar no campo. Agora é que eu quero ver como as primadonas vão jogar. Ronaldinho teve suas sonhadas férias (de novo lembro: ele descansou depois da Copa) e vamos ver se agora vai jogar ou se vai continuar desfilando bandanas da Nike.
Dunga hoje pode colocá-los no banco, e com isso não vai perder pontos com os jogadores que venceram a Copa América. Mas a imprensa da arte e do futebol bonito vai dar seus tradicionais chiliques. Se os dois jogarem, aí será o treinador que perderá pontos com seus fiéis jogadores.
Eu não sei o que ele vai fazer, mas eu convocaria e escalaria. Claro, são fantásticos jogadores e têm futebol de sobra. Mas a obrigação deles agora é muito maior.
Só que agora é hora de comemorar. Uma goleada sensacional, categórico 3x0 nos melhores do mundo que tinham o Senhor Américas e o Novo Maradona em campo. Amanhã não terá capa engraçadinha do Olé. E que as pessoas aprendam: o Brasil é o melhor sempre. Basta querer ser o melhor. O resto é resto.
Doni: Ótimas defesas e apagou as críticas. Mas ainda não é o goleiro número 1. Nota 8.
Maicon: Muito bem na marcação. Nota 8.
Alex: Sua melhor partida na competição. Nota 8,5
Juan: Cadê aquele imbecil que veio falar que o zagueiro sei-lá-quem de Portugal é melhor do que ele? Para arrumar um zagueiro melhor hoje, tem que procurar muito. Nota 10.
Gilberto: Tal como Maicon, excelente atrás. Nota 8.
Josué: Muita vontade e seu parceiro ideal ao lado. Nota 8.
Mineiro: Muita vontade e seu parceiro ideal ao lado. Nota 8.
Elano: Estava jogando bem, mas se machucou. Nota 7. Deu vaga a Daniel Alves que se movimentou demais e fez o terceiro gol. Nota 9.
Vagner Love: Seu melhor jogo. Fez bem o pivô e deu o passe primoroso para o terceiro gol. Nota 8.
Robinho: Hoje não foi nada bem, mas é o artilheiro da Copa América. Abriu mão de férias e tudo mais para jogar. Dunga, desde o início, lhe deu toda a confiança. E ele correspondeu. Nota 10 por tudo.
Fernando e Diego jogaram muito pouco.
Dunga: Nunca se considerou treinador. Nunca tentou dar um passo maior do que as pernas. teve três importantes deserções antes da competição e ainda perdeu vários jogadores essenciais por contusão. Apanhou como sempre e no final, mais uma vez, levantou a taça. Agora tem que mostrar que sabe vencer e mesmo com o título nas costas, não pode abrir mão dos melhores jogadores. A seleção é mais importante do que ele, que tem a plena consciência de que tem muito a aprender com treinador. Mas já tem um problema pela frente. No ano que vem não enfrentará a Argentina na Copa das Confederações. Será mais difícil ser campeão. Nota 10 por tudo o que aguentou e pelo final espetacular.
Eu vou, eu vou...dar a volta olímpica eu vou....
Domingo, 15 Julho 07, 06:56 PM
Hoje é dia de mais uma final entre Brasil e Argentina. E mais uma vez, não sei porque, a Argentina é melhor, na opinião dos Brasileiros. Mas isso não é de agora. Hoje o time é melhor sim, mas essa mania é antiga. E no final, sempre dá Brasil.
Em 1994, os caras lá tinham Cannigia, Redondo, Batistuta e MARADONA. O mundo se espantou com o que viu na partida contra a Grécia. Já eram apontados favoritos e virtuais campeões, uma vez que o Brasil não jogava bem (nem bonito) e tanto a Alemanha quanto a Itália também não convenciam. A Argentina caiu nas oitavas e o Brasil sagrou-se campeão.
Na Copa seguinte, na França, o pessoal do sul veio com uma então jovem e talentosa geração que reunia Ortega, Lopez, Zanetti, Ayala e Verón. Jogavam bonito, eliminaram a Inglaterra e pronto! Os campeões. Aí pegaram uma Holanda, de futebol objetivo, longe de ser a tal Laranja Mecânica. E voltaram para casa. O Brasil? Fez a final.
Preciso comentar 2002? Preciso mesmo?
E a Copa América de 2004? Eles, completos. Nós, com time B/C. Eles, vice. Nós, campeões.
Copa das Confederações? Eles completos. Nós com time em formação e sem vários titulares. Eles, vice, de novo. Nós, campeões. Terminando, o amistoso passado. O Brasil no segundo jogo do Dunga. Eles na estréia do Basile. Time completo lá. Elano cá. 3x0 em Londres, para nós.
Mesmo depois disso tudo, eles são sempre melhores. Mas quem fala isso não é o povo argentino, mas a imprensa brasileira que quer ver showzinho, balé, elasticidade, plasticidade. Pois bem. Para essas pessoas, os ingressos do espetáculo estão aqui. Lá tem tudo isso. Aproveitem e levem consigo a capa do Olé de amanhã, com a tradicional foto do Macaco comendo banana, que eles sempre dedicam a gente.
Sexta-feira, 13 Julho 07, 07:32 PM
Antes de começar, vou ilustar com outro esporte o que escreverei a seguir, embora odeie fazer comparações do futebol com qualquer outra atividade.
O melhor basquete do mundo é jogado nos EUA. Disso ninguém tem dúvida. As seleções lá formadas são chamadas de Dream Team, quando, na verdade, só um foi digno de ter esse nome - o de Barcelona 92. Mas continuam chamando assim.
O que todos esperam desse time é show. Enterradas, cestas mirabolantes, pontes, assistências imprevisíveis, tocos e todos os demais fundamentos com precisão. Normalmente eles fazem tudo isso, mas ultimamente não têm vencido mais. Por que?
Porque o show não é suficiente. A seleção da Argentina, por exemplo, é de uma eficiência ímpar. Não se preocupa em dar show, mas em vencer. E sabe que para vencer, no basquete, é imprescindível que se jogue bem. Contra os EUA, tem que ser muito bem. E a Argentina venceu os EUA nas Olimpíadas de Atenas. E a Espanha também venceu, no Mundial do Japão.
O que isso significa? Mostra que jogar bem não é necessariamente jogar bonito. Para jogar bonito, você deve sempre jogar bem, mas o oposto não é via de regra. No futebol, principalmente, é possível vencer jogando mal, muito mal. Até mesmo se pode ser campeão sem jogar. Por isso eu não gosto de comparar. O futebol é diferente demais.
Um exemplo é o título de 97 do Vasco. Foram dois jogos que o Vasco não jogou nada ofensivamente. Se trancou atrás e segurou dois 0x0 contra o Palmeiras, o que lhe deu a taça. O Brasil, na última Copa América estava mal contra a Argentina. Mas um gol mudou tudo e fomos campeões nos pênaltis. Já na Copa das Confederações, o Brasil jogou muito bem, fez o jogo ficar a seu feitio e ganhou bonito. Mas nas Eliminatórias, ganhou de 3x0 com três gols de pênalti num jogo chato toda vida.
Que o time do Dunga não vem jogando como a torcida quer, isso é notório. Mas eu pergunto é se esse time saberia jogar dessa maneira e ganhar. Nem mesmo a seleção completa na Copa conseguiu. O melhor jogador daquele time, do meio para frente, foi Zé Roberto, um volante. Eu não vejo ninguém lembrar disso. Mas recordo que pediram o Zé para armar o time do Dunga, sendo que ele jogava pelo Santos como meia avançado e não como volante.
Acredito que esse time convocado não pode fazer muito mais do está fazendo não. Nem Diego é a solução. No pré-olímpico não foi, nunca jogou nada pela seleção e quando teve chances, não correspondeu. Esse time aí é uma equipe-força. Não é o futebol brasileiro? O da Copa era e quem ganhou foi a Itália, jogando o futebol italiano. Portugal e Argentina que jogavam o futebol bonito, caíram pelo caminho.
Mas, se o time não está jogando bonito, pelo menos está jogando bem? Isso depende da ótica de cada um. Não é o futebol que eu sonho ver, mas é o que eu acredito que o time seja capaz. Com esse elenco, é melhor se garantir atrás mesmo e depois sair para o jogo. É feio? É. É pequeno? É. Mas é o que eles podem fazer e estão fazendo muito bem, tanto que estão na final.
O show eu deixo para os argentinos, completos e com sede de título. Nos talentos individuais que estão jogando, eles são melhores mesmo. Mas até agora não enfrentaram o Brasil.
Quinta-feira, 12 Julho 07, 01:44 PM
Ainda não posso dizer que essa será a Mãe de Todas as Finais. Talvez quando Brasil e os caras lá decidirem uma Copa do Mundo. Mas o que ninguém pode negar é que se trata do maior jogo de futebol do planeta. Não são dois times, mas duas nações. Duas culturas, duas escolas em campo.
Brasil e o pessoal do Sul possuem suas semelhanças, mas também muitas diferenças. Eles gostam mais de futebol e heavy metal do que a gente (antes de apelar pro ufanismo, vá a Buenos Aires e veja por si só). Fazem um melhor churrasco e possuem uma cultura européia no seu dia a dia que eu gostaria de ver no Brasil, ávido por imitar os americanos. Só que nós somos melhores no futebol, somos quem traz as bandas de heavy metal para o continente, temos a feijoada, somos os únicos que falam português no continente e temos cinco copas do mundo.
O jogo de domingo é o único que coloca, além do futebol, todas as diferenças em disputa. Os cabeludos odeiam o fato de que um país do mesmo continente que o seu possui mais títulos e jogadores famosos. Nós brasileiros preferimos esnobar competições que perdemos para eles, para fingir e esconder a raiva da derrota. Eu não tenho dúvidas de que o nosso futebol é muito melhor e mais vitorioso, mas é sempre bom enfiar isso na cabeça dos caras, uma vez mais.
Vieram com time completo. Além de completo, recheado de jogadores excelentes e um craque. Joga com três volantes no meio. Mas são três volantes com direção hidráulica. Possui uma zaga razoável e o ataque é mortal. Messi e Tevez estão comendo a bola. Além de tudo isso, tem Riquelme.
O cara que chamavam de dorminhoco. Que nunca havia decidido nada pela Seleção ou nem sequer conseguiu jogar na Europa. Não tenho dúvidas em dizer que na carreira dele, esse é o seu melhor momento. Em todos os jogos são dois ou três passes na cara do gol. E invariavelmente, acabam em comemoração.
Só que, noves fora o talento individual, eu acho que o grande trunfo deles é a vontade de ganhar. Os chorizos-de-pijama sempre tiveram times aguerridos, mas muito auto-suficientes. Pensavam que a vitória viria quando quisessem. Por isso foram eliminados seguidas vezes nas mais diversas competições. Dessa vez não. O time está bem focado, com gana de vencer e sabe que tem a melhor equipe.
E o Brasil?
Podemos apostar na vontade. Não estamos falando de time, mas de Seleção. É notório que o Brasil sempre ganha mais vontade e gana em partidas contra eles. Se o time não tem essa técnica toda que a torcida quer, ninguém pode negar que tem vontade demais. E com essa vontade, seduziu parte da torcida que antes queria ver a eliminação. É claro que sempre haverá os Armandos Nogueira que pararam no tempo e acham que Mozart ainda grava disco e faz turnê mundial, ou que todo camisa 7 tem que ser Garrincha. Esses só querem ver dribles e palhaçadas circenses e ainda colocam no Dunga a culpa de o Brasil não jogar bem desde 82.
A Seleção Brasileira que está jogando não é a dos sonhos do Dunga, embora os teimosos gostem de dizer o contrário. Se pudesse, ele contaria com Ronaldinho e Kaká. Só não sei se teria a vontade e raça dos jogadores de agora. Em 2006 havia muito talento e não venceu. Hoje tem talento (os jogadores não são ruins) e vontade. E eu acho, na boa, que isso basta para gritarmos "Vice de novo" para eles.
Quarta-feira, 11 Julho 07, 02:38 PM
O estádio do Maracanã está lotado. O grande jogo, o tira-teima das eras finalmente vai acontecer. Graças à modernidade e à ciência, nós hoje teremos uma partida entre a Seleção de 82 e a de 94, para finalmente sabermos se o futebol-arte é melhor ou pior do que o de resultados. Vamos para as escalações dos times.
Telê, mesmo 25 anos depois, continua achando que é melhor não colocar ponta e acredita no seu time muito talentoso. A equipe vem com Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior. Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico. Serginho e Éder. Esse é o time do Telê, que joga de amarelo.
No outro lado, Parreira escalou a equipe como começou na final da Copa, com Jorginho no lugar de Cafu e Viola no banco. Vão a campo Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco. Mauro Silva, Dunga, Zinho e Mazinho. Bebeto e Romário. Parreira também preferiu não escalar Leonardo. A Seleção joga de azul em homenagem à vitória contra a Suécia, na semifinal.
Um time mais fechado apostando no ataque forte de Romário e Bebeto. Será que o time de 94 é mais equilibrado do que o de 82, ou o talento de Zico, Falcão e Sócrates fará a diferença? O talento é muito importante, mas o time de 94 tem mais força física. Isso faz diferença. Mas o toque de bola de 82 é mais envolvente.
PRIMEIRO TEMPO
1 minuto: A saída de bola é do time de 82. Zico toca atrás. Falcão pega, levanta a cabeça, volta com Sócrates. De primeira o Doutor volta para Leandro. Um drible de corpo fantástico e Zinho cai sentado. Esse time é muito bom.
6 minutos: Zico passa por Mauro Silva com facilidade e enfia a bola por baixo para Serginho, na corrida. Aldair chega primeiro e leva sem problemas. Lança Branco na esquerda que tenta armar o contra-ataque, mas erra o passe para Bebeto.
9 minutos: Jorginho desce pela direita com velocidade. Junior não consegue acompanhar. O cruzamento sai e Bebeto pega de voleio, mas a bola sobe demais. Primeiro lance de ataque perigoso do jogo.
O Brasil de 82 toca a bola rápido e envolve o meio campo de 94. Praticamente não há erros de passe e a velocidade do time deixa Dunga e Mazinho tontos. O capitão de 94 tenta tirar a bola de Falcão num carrinho, mas comete falta e leva o amarelo. Reclama muito, mas foi justo.
14 minutos: Zico toca para Falcão na entrada da área. Cerezo passa correndo e faz o corta-luz enganando Marcio Santos e abrindo o campo. O Rei de Roma solta a bomba, mas Taffarel faz excelente defesa, colocando para escanteio. Na cobrança, Zico coloca na cabeça de Oscar, que não foi marcado por Mauro Silva. O Brasil 82 abre o marcador e Dunga paga esporro na zaga. Mas o cruzamento de Zico foi perfeito.
18 minutos: Mazinho erra o passe e Sócrates, de primeira, lança Junior na esquerda. O Capacete cruza na medida para Serginho que chuta de primeira. A bola explode na trave e volta para a entrada da área onde Zico emenda sem chances para Taffarel. O Brasil de 82 amplia e dá olé.
Nos primeiros 20 minutos podemos perceber que a técnica do time de 82 é bem superior. São mais rápidos e o triângulo rubro-negro com Junior, Leandro e Zico está funcionando muito bem. Romário nem tocou na bola e o meio de 94 está perdido, recorrendo às faltas para parar as jogadas. Parreira está inquieto no banco, mas não colocou ninguém para aquecer.
26 minutos: Dunga rouba a bola de Cerezo, sem falta e dá para Zinho. Ele recua para Branco que abre com Bebeto. O Baianinho carrega a bola para a ponta esquerda, dá um drible seco em Leandro e cruza. Romário ajeita com o peito para Mazinho, mas este fura a bola e Valdir Peres defende sem dificuldades. De cara, o goleiro lança Sócrates, que de calcanhar solta para Zico. O Galinho lança na corrida para Éder, mas Marcio Santos ganha no corpo e sai com a bola. O contra-ataque de 82 é muito veloz. O time de 94 não está acostumado a enfrentar equipes que saem pro jogo e falta alguém no meio para tocar a bola com rapidez.
31 minutos: Falcão pára na frente de Mauro Silva na entrada da área. Sem olhar para a bola, e toca para um lado e sai para o outro. Mauro Silva não quis saber e foi no corpo do meia. Falta perigosa.
33 minutos: Zico cobra. A bola vai no travessão e depois para fora. Taffarel nem se mexe. Telê coloca as mãos na cabeça. Um gol agora mataria o jogo.
39 minutos: O Brasil 94 continua sem inspiração no meio, dependendo dos seus laterais. Jorginho tenta tabelar com Mazinho, mas o passe vem errado. Romário começa a reclamar e Dunga não pára de gritar. O jogo está à feição de 82. Zico toca de primeira e recebe sem erro. A equipe dribla e envolve completamente os rivais. Mas a velocidade vai caindo um pouco. O time de 94 faz faltas e Mauro Silva e Branco já têm cartões amarelos.
44 minutos: Taffarel bate mal um tiro de meta e a bola cai nos pés de Zico. De primeira, o Galinho manda pra gol, mas o goleiro se recupera. Parreira se desespera. Dunga arranca os fios de cabelo. Um minuto depois, o juiz acaba o primeiro tempo que só um time jogou.
Parreira diz para repórteres que o time está fazendo o que ele pede e que os gols foram por acaso. Não diz se vai mudar o time. Já Telê está satisfeito, mas acha que a Seleção pode render mais.
Os times voltam para o segundo tempo. A de 82 está relaxada e a de 94 é só cara fechada. O time de azul se reúne no meio campo e muitos gestos são vistos. O pessoal de amarelo apenas olha.
SEGUNDO TEMPO
3 minutos: Como a bola não chega, Romário vem buscar. Ele carrega e consegue se livrar com facilidade de Falcão e Cerezo. Na entrada da área, toca para Bebeto e recebe de volta. Chuta forte, mas a bola passa rente à trave esquerda de Valdir Peres.
7 minutos: O Brasil de 82 começa a sentir uma pressão mais forte na marcação. Sócrates pega na bola e Dunga já chega com vontade, mas sem falta. O time de 94 ganha mais força e começa a equilibrar o jogo. Jorginho rouba de Junior e corre pela direita sem marcação. Vem Luizinho e Jorginho passa fácil. Na lateral da área, toca para trás e Mazinho chega batendo. Valdir Peres bate roupa e Bebeto aproveita. A Seleção de 94 diminui.
12 minutos: Zico lança Serginho que tropeça na bola e perde para Aldair. Mas Leandro recupera e volta com Falcão que pára a bola. Ele vê Éder no meio e toca. De primeira sai o chute, mas Taffarel, bem colocado, faz a defesa. Rapidamente o goleiro arma o contra-ataque com Zinho, que toca de primeira para Branco. O lateral aproveita o buraco deixado por Leandro e lança Bebeto. Na corrida, o atacante deixa Oscar para trás e fica cara a cara com Valdir Peres. O Brasil 94 empata no início do segundo tempo.
Telê começa a mostrar preocupação. Seu time apresenta cansaço e na força física, não tem como competir com o pessoal de 94. As canelas dos seus meias já tem marcas à mostra. Dunga e Mauro Silva são vigorosos na disputa. Jorginho e Branco, mesmo com idade mais avançada, aproveitam os diversos buracos deixados por Leandro e Junior. Romário e Bebeto se movimentam mais, confundindo a zaga.
18 minutos: Lançamento longo de Marcio Santos. Bebeto mata a bola e coloca para Romário na corrida. Leandro corre cabeça com cabeça com o Baixinho, mas chega na frente e toca para o lado, aliviando o perigo.
27 minutos: Os técnicos mexem nas suas equipes. Telê lança Paulo Isidoro no lugar de Éder e Parreira responde com o jovem Ronaldo na vaga de Zinho. No primeiro lance, a promessa dá um pique deixando Cerezo para trás e só é parado com falta por Luizinho. Branco ajeita.
30 minutos: Branco solta o pé. A bola desvia na barreira e engana Valdir Peres. O Brasil de 94 vira o jogo e parece que vai levar a melhor no final.
31 minutos: Sócrates recolhe seu time no meio campo e dá um esporro nos jogadores. A Seleção de 82 precisa voltar a jogar. No segundo tempo, só deu 94. Zico pede a entrada de Roberto Dinamite, mas Telê mantém Serginho.
33 minutos: O esporro parece surtir efeito. Com drible sensacional, Zico se livra de Dunga e Mazinho e toca para Paulo Isidoro, livre, cara a cara com Taffarel. É o empate de 82. O talento se fez presente mais uma vez.
36 minutos: Branco faz falta feia em Leandro e é expulso. O Brasil de 94 sente o golpe.
38 minutos: Zico, de novo Ele, tabela com Sócrates. Na volta, o Galinho abre a perna e Falcão chega metendo a bomba no ângulo. Taffarel nem viu onde a bola entrou. Um golaço-aço-aço.
O Brasil de 82 dá show agora. Roberto vai para o aquecimento e a certeza da vitória já está na cabeça de todos no estádio. Junior recebe bola alta e de cabeça toca para Cerezo. Sem deixar cair, toca com a coxa para Zico que mata de letra e vira, novamente pelo alto, para Falcão. Este ajeita com a cabeça e toca para Sócrates que a coloca no chão, diante de atônitos Zinho e Mazinho. Mas o jogo não acabou.
41 minutos: Dunga rouba bola de Falcão, com falta, mas o juiz não marca, e lança Romário. O Baixinho, na corrida, deixa Luizinho para trás e toca na saída de Valdir Peres. Telê alertou para a velocidade de Romário, mas não adiantou. Gol de Romário, igual ao contra Camarões.
44 minutos: Dessa vez foi Mauro Silva que na raça rouba a bola e toca para Zinho. O meia gira o corpo e acha Bebeto. Cerezo vem e leva entre as pernas. Bebeto dá primoroso passe para Romário, na intermediária, que vê Valdir Peres adiantado e toca por cima do goleiro. O atacante abre os braços para receber os aplausos. Tudo igual. A raça de 94 se supera e arranca o empate no final.
O árbitro dá quatro minutos de acréscimo.
47 minutos: O time de 82 está sem pernas para jogar, mas ainda tenta na base da inteligência. Zico joga para Isidoro que tenta voltar, mas passa errado. A bola cai nos pés de Jorginho que rapidamente liga com Mazinho. Este joga para Dunga que abre com Bebeto no meio. O 7 vê que Romário está impedido, mas percebe que um jogador vai correr livre, sem marcação pela ponta. E ele lança. Ronaldo dispara deixando os zagueiros na poeira. Entra na área e só toca na saída do goleiro.
O Brasil 94 vira a partida e mata a equipe de 82. Telê manda Roberto entrar imediatamente no lugar de Cerezo. Zinho prende a bola no ataque e Parreira pede que o time não suba.
49 minutos: Romário se desentende com Zico e Leandro e os três são expulsos. Sócrates tenta um último lançamento, mas Aldair, de novo, se antecipa e fica com a bola. O juiz encerra a partida.
Por mais talento que o time de 82 tivesse, a equipe não estava preparada taticamente para enfrentar um time com dois atacantes talentosos, laterais que saibam apoiar e uma zaga sólida formada por Aldair e Marcio Santos.
Mas o meio campo de Cerezo, Zico, Sócrates e Falcão é muito superior tecnicamente e criou as jogadas dos quatro gols. Porém era fraco na marcação e Ronaldo, com sua velocidade, botou fogo na partida e liquidou a fatura. Além disso, a zaga e o ataque de 94 eram muito, mas muito melhores. Só que isso não quer dizer nada. Ganhou uma, mas terá revanche. Por agora, Brasil 94 5 x 3 Brasil 82.
Quarta-feira, 11 Julho 07, 04:15 AM
Pra final agora eu vou.
Pois é. A Seleção inútil, errada e vagabunda, chegou na final. Se não foi o melhor futebol do mundo, ou da competição, foi com muito mais vontade que a tal Seleção-show da Copa do Mundo. É um trabalho sério que só os ranzinzas de plantão conseguem torcer contra. Como diria Deus, quer dizer, Zico, quando não vai na bola, vai na raça. E assim segue o Brasil improvisado do Dunga. O time não é o melhor, mas não tem desertores, tem jogadores que querem vencer, comandados por um treinador que foi vencedor pela Seleção.
Agora é ver se pegaremos Argentina ou México. Qualquer um dos dois será um adversário dificílimo na decisão. E mesmo que o Brasil perca, não voltará antes para casa. Voltará no mesmo dia que a super-mega-boga-foda Argentina, que precisou levar o seu máximo, para disputar a Taça com o time C do Brasil. Pera aê. Esqueci, eles ainda tem que chegar lá. E não se surpreendam. O México não vai ser mole.
Notas:
Doni - Pegou dois pênaltis e fez boas defesas no jogo, mas acho que falhou no primeiro gol. Nota 7
Maicon - Fez um belo gol e apoiou bem, mas ainda não como deve fazer um lateral. Nota 6
Juan - Um monstro! Se alguém no mundo quiser criticar, é louco; Nota 8
Alex - Jogou sua melhor partida na competição. Nota 7
Gilberto - Jogou mal, errou muitos passes e já deveria ter saído para entrar o Kléber. Mas bateu bem o pênalti. Nota 5.
Gilberto Silva - Me lembra o Cafú. Mas isso porque é capitão, fica de passes para o lado, não ajuda no ataque e tem falhado na defesa. O perfeito substituto do Cafu. Mas, ainda bem, está fora da final. Nota 5
Mineiro - Gostei muito dele hoje. Apareceu como fazia no São Paulo e foi incansável. Nota 7
Josué - Não gostei tanto, mas não foi mal. Nota 6. Saiu para entrada de Fernando que levou um cartão e perdeu um pênalti. Grosso. Nota 3
Julio Batista - Um tanque que não pára nunca. Lutou, mostra disposição e ainda fez um gol. Nota 7. Saiu e entrou Diego que finalmente jogou e desafogou o time que estava pressionado pelo Uruguai. Nota 8
Robinho - Não brilhou mas sempre é temido. Nota 7
Vagner Love - O mesmo de sempre. Nota 5. Saiu e entrou Afonso. Outro grosso. O cara ainda teve o Brasil inteiro contra ele no pênalti. Nota 3
Dunga - Manteve o time no início e mexeu de forma que a equipe conseguiu sair da pressão uruguaia. Já deve ter se convencido que suas apostas - Fernando e Afonso - foram equívocos e não mereciam a vaga na Seleção. Mas consegue passar vibração ao time, contagia os jogadores com a vontade de ganhar. Coisa que um técnico cheio de experiência não conseguiu durante quatro anos, antes dele. E está na final. Já está no lucro. Nota 7
Terça-feira, 10 Julho 07, 02:43 PM
Nem escrevi sobre o jogo Brasil x Chile. Meus três leitores devem ter ficado decepcionados. Mas falar o que depois de um categórico 6x1? O Chile não existe e sem Valdívia, é pior ainda. O Brasil pegou um adversário tão fraco, que mesmo com o Doni no gol, foi ridículo. Agora, o buraco é bem mais embaixo.
O Uruguai é um adversário tradicional e desde 1950, que mete medo em alguns brasileiros. Eu, particularmente, nunca temi esse país/time, mas tem lá sua tradição e seus jogadores são como os argentinos, em matéria de abuso. Por que, em técnica.....
A Celeste Olímpica não tem uma equipe forte. Tem alguns bons jogadores e muita vontade, mas o Brasil tem a obrigação de ganhar. O nossos jogadores são melhores, o time é mais bem preparado fisicamente, mais experiente, teve um jogo mais fácil, enfim, sou mais Brasil. E duvide-o-dó que o Dunga vá mudar seu meio campo. Deu certo, o time mostrou maior entrosamento e é difícil discutir com uma goleada de seis. Ainda mais com o Dunga, que quando mete uma coisa na cabeça...
Mas conhecendo-o além da imprensa, sei que sua cabeça não é tão irredutível assim. O cara gosta de jogador que desequilibra. Basta lembrar que em 88 no Vasco, ele mesmo disse pro treinador "deixa o Romário lá na frente que eu corro por ele aqui". Além disso, ele quer porque quer escalar Ronaldinho e Kaká juntos. Os dois é que não querem jogar.
Só que Dunga cansou do que o Diego (não) fez em campo. E não foram só 45 minutos, como gostam de apregoar alguns comentaristas. Diego nunca fez absolutamente nada pela Seleção, desde sempre. E quando um jogador do quilate dele entra em campo, espera-se que faça alguma coisa, o que for. Foi o melhor jogador do campeonato alemão? É, o Émerson também foi e não tinha essa grita toda. Belo campeonato esse, o alemão. Mas Diego (tal como Anderson) terá outra chance nessa Copa América. Só tem que corresponder.
E o outro lado?
Muitos já cantam a Argentina como campeã. Eu não. É, de longe, by far, o time que melhor jogou e está jogando até agora. Deverá ser a campeã? Não sei mesmo. Quantas vezes ela entrou nas competições como favorita absoluta e caiu, de forma vexatória? E sempre o mesmo papo: se o Brasil pegar a Argentina, apanha feio. É, eu vi isso várias vezes.
Esse jogo contra o México deverá ser uma parada duríssima. Tudo bem que o pessoal do norte seja mais fraco tecnicamente, mas o Mexico é pródigo em surpreender em Copa América. O time de Riquelme e Messi pode até golear e transformar tudo em um jogo fácil, mas duvido que isso ocorra. Meu prognóstico é de que quem passar, vai estar estragado para a final. E pode nem passar com o time completo.
Se der Brasil x Argentina na final, bom, a Argentina já ganhou, é favorita, faz o melhor churrasco, o Boca é campeão da Libertadores, Riquelme é o melhor do mundo, até neva em Buenos Aires e aqui não! É o que dizem... Fantástico país, Buenos Aires arrebenta, mas a gente tem cinco e eles, só dois, sendo um em casa, roubado.
Quinta-feira, 05 Julho 07, 04:09 AM
É, tá feia a coisa. Nem mesmo quatro volantes serviram para guiar o time à uma vitória decente. Um mísero pênalti colocou o Brasil na próxima fase. Fora isso, um jogo sonolento, sem nenhuma criatividade ou qualquer coisa que possa ser lembrada no futuro.
A Seleção foi, de novo, mal escalada e sem motivação. Com raras exceções, os jogadores continuam mal e agora têm um jogo difícil contra o Chile.
Dunga precisa urgentemente colocar esse time para frente, seja com mais um atacante, seja com mais um meia ofensivo. Entrar prendendo o jogo contra o Chile, é carimbar o passaporte na aduaña venezuelana e voltar para os churrascos em Porto Alegre.
Doni: Quase infartei numa saída doida que ele fez. Fora isso, uma defesa aqui, outra acolá e nada mais. Nota 6.
Daniel Alves: Errou tudo, TUDO que tentou. Nota 3. Entrou Alex Pirulito que não fez pior, mas não fez melhor. Não fez nada. Nota 5.
Juan: Existe um abismo entre a sua seriedade e calma, para o resto da zaga inteira. Sobra no time. Nota 7.
Alex: Eu sempre gostei muito desse zagueiro, mas ele ainda não jogou bem na Copa América. Mas hoje não foi muito bem. Nota 6.
Gilberto: Péssimo. Inútil. Nota 2. Entrou Kléber que foi ruim e inútil. Nota 3.
Gilberto Silva: A regularidade de sempre. Como sempre, pragmático. Nota 5.
Mineiro: Corre e tem muita vontade. E só. Nota 6.
Josué: Um pouco melhor do que Mineiro. Nota 7.
Julio Batista: Fez um bom primeiro tempo, mas caiu demais no segundo. E não pode ser o cara de criação. Nota 6.
Diego: Entrou e levou um cartão amarelo. Nota 3.
Robinho: Tentou algumas jogadas, fez um gol de penalti, mas não estava em seu melhor dia. Nem num bom dia. Mas, mesmo assim, é o melhor do time. Tal como Juan, está muito acima da média. Nota 7.
Vagner Love: Eu continuo perguntando: Por que o Corinthians e o Palmeiras choraram tanto por esse cara???? Nota 3.
Dunga: Nenhum time com quatro Dungas no meio campo jamais venceu um campeonato. Por favor, mexa nesse meio campo. Nota 3.
On Momento de reflexão de um povo subdesenvolvido