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Sexta-feira, 26 Junho 09, 09:54 AM · Comentários(9)

Eu não vou me delongar sobre a Seleção. Todo meu histórico aqui já mostra o quanto eu acreditava no trabalho antes e não será agora que vou repetir tudo. Mas lendo a Internet Brasil afora, eu acabei de pensar num novo modelo de gestão, convocação e treinamento da Seleção Brasileira.

Em primeiro lugar, deveríamos abolir o técnico. Ele não serve para nada. Zagallo, Parreira, Luxa, Felipão, e agora o Dunga, todos passaram pela mesma pressão e questionamentos provocados por rixas bestas e bairristas de jornalistas recalcados ou de mal com a vida. Então, acabemos com isso.

A partir de agora, a Seleção será convocado por uma Comissão de Notáveis. Rodrigo Paiva organizará um simpósio com especialistas dos principais veículos do país. O Globo mandará Renato Maurício Prado, com seu padawan Gilmar Ferreira, e Fernando Calazans. Da ESPN Brasil irão Juca Kfouri, José Trajano e Fernando Calazans. Sim, de novo. Ele é tão chato que consegue ir duas vezes.

O Sportv, ah, o Sportv, esse enviará um séquito. Liderados pelo sábio André Rizek, os jornalistas Mauricio Noriega, Milton Leite, Telmo Zanini, Sidney Garambone e Marcelo Barreto representarão o canal campeão. A Globo, TV, não poderia ficar fora dessa e mandará ninguém menos do Galvão Bueno, que acumulará as funções de conselheiro, mediador e voto de minerva. Afinal, o que o Galvão fala é lei. Falcão e Mauro Naves acompanharão para concordar com tudo e Arnaldo Cézar Coelho será o responsável por definir o menu do jantar. Também comparecerão os frilas ou jornalistas que ninguém dá muita atenção, como Alberto Helena, Michael Laurance, Flavio Prado e outros famosos quem?.

O evento deverá ocorrer duas semanas antes do jogo e será sempre na sede d'O Globo, no Rio, para manter a crítica de que a Seleção privilegia os cariocas. Durante o simpósio, ironicamente fechado para a imprensa, os cardeais da mídia debaterão sobre todos os jogadores em atividade que podem servir à Seleção. Passarão dois dias analisando as condições físicas, os últimos jogos, o histórico a ser respeitado, se tem gente no Brasil melhor, os que agradam a torcida da cidade que receberá o jogo, os que tem R no começo do nome para o Galvão berrar, quem sabe dar entrevista ao final do jogo e aqueles que preencherão a cota fixa da Nike.

Os critérios que definirão o time convocado não poderão ser questionados por ninguém. Afinal, a própria imprensa os apontou. O povo terá certeza que foram convocados os melhores, após minuncioso estudo dos jornalistas que passam o dia inteiro acompanhando futebol. Nenhum atleta será convocado para atender interesses de empresários. Um livro de regras deverá ser criado e seguido por todos os cardeais. Algumas das ordens eu já posso adiantar.

1) Futebol é momento. Portanto, convocaremos apenas os melhores jogadores da última rodada do Brasileiro, segundo a pontuação apresentada no Cartola FC. Os estrangeiros serão convocados baseando-se nos resultados da rodada, dando prioridade àqueles cujos gols e propagandas passam no Jornal Nacional.

2) Uma experiência por convocação, mas precisa ser um jogador que quando estava no Brasil era horroroso e hoje é campeão, na reserva, por uma equipe de ponta do futebol mundial. De preferência com passagem no Expresso da Bola.

3) O goleiro precisa ter a mídia ao seu lado. Preferencialmente tem que dar entrevistas bombásticas ou ameaçar (em rede nacional) processar jornalistas que pensam que sabem alguma coisa.

4) Tem que ter um jogador do Flamengo.

5) O artilheiro do Brasileirão, se for do Rio ou de São Paulo, precisa ser convocado sempre. Mesmo que seja na primeira rodada. O artilheiro do Campeonato Paulista também deverá ser convocado constantemente. Caso o jogador seja superado por alguém durante o período que estiver na Seleção, ele deverá sair e dar seu lugar ao novo goleador máximo.

6) Só dois volantes por convocação, sendo um deles reserva. O time só pode jogar bonito, mesmo que perca até do Olaria.

7) Convocar jogadores que não aceitem comparações com os antecessores e causem polêmicas nas entrevistas.

8) Será feita uma renovação inicial, mas ao final, serão convocados jogadores de 2006, 2002 e, se bobear, até de 1994.

9) Convocar sempre um jogador da cidade onde a Seleção jogará.  

10) Chamar o Ricardo Rocha para dar palestra e animar o time.

Essas serão algumas regras, mas um ponto precisa ser discutido. Quem será a virgem que colocarão na boca do vulcão? O distribuidor de coletes, ou representante técnico (seu cargo oficial) também será definido nesse conclave e precisa ser alguém de pulso firme (com o time, mas suscetível aos pedidos da imprensa), com muitos títulos e experiência para montar esquemas, mesmo que reúnam os jogadores apenas um dia antes da partida. Precisa ter esse gabarito, ou a Seleção vai ser representada por um qualquer?

Definidos jogadores e técnico, Tino Marcos entrará ao vivo no Globo Esporte e dará a notícia. Em seguida, todos os portais e demais programas poderão fazer o mesmo.

Durante as partidas, o representante técnico ficará com um ponto ligado ao som da TV Globo e ouvirá do Galvão, com o "de acordo" do Falcão, as instruções e comandos para substituir algum jogador. O primeiro a sair será sempre o volante, independente do resultado.

Após o jogo, em caso de vitória, ele será criticado e demitido por não ter goleado o adversário. Outro com mais experiência assumirá o cargo. Se golear, seus méritos serão diminuídos pela "fragilidade do adversário" ou "desinteresse do rival na partida". Será demitido, pois só ganha de galinha morta.

Em caso de derrota, demissão e exílio. Será criada uma "Era" com seu nome que marcará o fracasso do seu trabalho. E os cardeais se reunirão de novo para definir o que é melhor para a Seleção Brasileira de futebol.

Tenho certeza que dessa maneira, o Brasil caminhará para um futuro brilhante no esporte. Se a imprensa ditar as regras não tem para ninguém. Afinal, temos um exemplo de como eles sabem o que é melhor para o povo. Ou vocês já esqueceram das eleições presidenciais de 1989?

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Postado por LucasDL | Comentários (9)

9 Comentários · Adicionar o seu

Alagoanos
Alagoanos Escrito: | 17.19UTC | Jun 26, 2009

Sensacional!!!!

Esse negócio de Era fulano ou Família cicrano é muito chato!

stebozza
stebozza Escrito: | 17.42UTC | Jun 26, 2009

hehe muito bom!
A imprensa irrita demais. Nunca tá bom pra eles, mas ninguém sequer tenta ser técnico do Jaboticabal, talvez por medo da gigante torcida do clube. De verdade, tenho raiva da imprensa.
Eu particularmente acho que damos importância demais pro treinador aqui no Brasil. Se pensa em contratar Muricy, Luxemburgo e cia antes de ver elenco, as carências do time. Mas claro que o treinador é importante, e Dunga está fazendo ótimo papel.
Ontem não serei hipócrita de dizer que o Brasil jogou bem, envolveu o adversário e ganhou por competência, porque não foi assim. Mas a imprensa tem que analisar melhor o que acontece no campo.
Já pensou se o Dunga faz igual à Espanha? Nossa, ía tomar cada cacete dessa imprensa de merda...
Você mesmo fez um post, acho que o título era "o jogo mais perigoso da era Dunga" (ou algo parecido). Era verdade, a obrigação era brasileira, e se perdesse os risos eram enormes. O Dunga foi precavido e jogou com inteligência: não deu o contra-ataque pra África, queria ele ter isso. E se quer saber, eu achei que ele foi inteligente. Não ganhou o jogo? Não é isso que quer a imprensa?
"Ah, mas foi sorte" é o que eu mais escutei de ontem pra hoje. Na minha opinião sorte e competência andam juntos. Nunca vi Fabinho Capixaba dando sorte no jogo. Já vi Marcos dando, e muita, sorte.
Acho que me preocupo demais com algo sem importância, a imprensa.

LucasDL
LucasDL Escrito: | 18.11UTC | Jun 26, 2009

Há uma semana o Dunga disse que a sorte acompanha os competentes. Se os jornalistas dizem que ele teve sorte, logo....

stebozza
stebozza Escrito: | 21.08UTC | Jun 26, 2009

A imprensa tem dificuldade com exercício de lógica.
Para ela o cuidado brasileiro contra a África do Sul é meramente uma retranca. Ela não observa o que ocorreu com a Espanha. Ela não entende a colocação de Daniel Alves - sim, pois agora estão todos dizendo que foi uma boa alteração, mas na hora...
E outra, será duro vê-la admitindo que Dunga é competente. Essa imprensa não percebe o que ela mesmo diz.

VICTORSIMOESDAVID
VICTORSIMOESDAVID Escrito: | 21.38UTC | Jun 26, 2009

O Lucas só esqueceu de sugerir o Ricardo Gomes como novo treinador da Seleção, após a próxima derrota do time do Dunga. Um cara vencedor(Copa Nordeste, Copa da França, entre outros títulos que treinadores renomados, como o Muricy e o Luxemburgo não possuem), amigo do Ricardo Teixeira e que não dá patada em entrevistas, como o atual treinador.

stebozza
stebozza Escrito: | 02.15UTC | Jun 27, 2009

Victor, não seja injusto com o Ricardo Gomes. É muito difícil ganhar a Copa da França. Passar por potências mundiais como Guigamp, Nimes, Rennes, Nice ou Lorient (esse último não sabe inclusive o que é ficar atrás do RG) não é pra qualquer um.

VICTORSIMOESDAVID
VICTORSIMOESDAVID Escrito: | 11.52UTC | Jun 27, 2009

Stebozza, eu não fui injusto, tanto que fiz questão de dizer que o Ricardo Gomes conquistou títulos que nem mesmo o Muricy tem. Talvez a diretoria tricolor tenha levado isso em consideração na hora de substituir o treinador do clube. Além disso, o Ricardo Gomes leva vantagem em relação ao Muricy por preservar as boas relações com imprensa e diretoria.

stebozza
stebozza Escrito: | 14.59UTC | Jun 27, 2009

Victor, você viu a notícia que te mandei? A imprensa está no céu com esse treinador novo e político. Sou muito mais o Muricy, mesmo nas entrevistas.
Mas continuo achando que ganhar de Rennes, Lorient é muito mais difícil que campeonato brasileiro, onde temos uns 15 times bons, contra um ou dois lá.

VICTORSIMOESDAVID
VICTORSIMOESDAVID Escrito: | 22.37UTC | Jun 27, 2009

Stebozza, eu vi a notícia, mas não acho que houve pedidos de jogadores para a saída do Muricy. O Richarlyson se expressou mal.
Sobre o Ricardo Gomes, acredito que ganhar uma Copa da França é inesquecível, afinal é um título internacional. Agora, ganhar três títulos do Campeonato Brasileiro é bem esquecível, não é Juvenal Juvêncio?

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