Segunda-feira, 13 Outubro 08, 03:09 PM
Ou seja, faz tempo, muito tempo. E se gabam como se fosse um título intergaláctico. Nos quarenta anos seguintes, eles venceram sete desses campeonatos, chamados de estaduais.
Nós, seus inimigos, vencemos 18 desses campeonatos. Até um combalido time que disputará a série D em 2009 venceu mais estaduais que elas no período: 15.
15 também é o número da posição que elas ocupam no atual Campeonato Brasileiro. Brincando com o perigo.
Elas querem (e precisam) de todo o jeito de um bom resultado domingo, na Ilha do Retiro.
Afinal, o máximo que conseguiram contra nós em 2008 foi um empate em 0x0, justamente na Ilha, porque o juiz quis assim. Roger fez um gol no qual a bola atravessou pelo menos meio metro da linha fatal.
Ah, e Luisinho Netto (hoje no ABC) também perdeu um pênalti.
Nas duas vezes em que jogaram em casa, duas lapadas.
Coitadinhas.
Segunda-feira, 17 Março 08, 06:49 PM
Amigos, antes de mais nada, é preciso admitir: por melhor que seja vencer, por melhor que seja golear, não há nada melhor do que ganhar das barbies em La Barbinera. Ou, traduzindo para os leitores não habituais do Blogsport, não há nada melhor do que vencer o Náutico nos Aflitos.
E quando a vitória é pelo escore mínimo, como no 505º confronto, ocorrido no último domingo, é a perfeição. Repito: é a perfeição.
Porque a Barbie é chorona. Nunca houve na história do futebol uma equipe de futebol mais chorona, uma torcida mais chorona. Nem o Botafogo. Repito: nem o Botafogo.
Desde que o Sport venceu o primeiro turno do Pernambizarro 2008, La Barbinera virou uma choradeira só. “Se o Sport tivesse nos enfrentado seria diferente, o Sport só foi campeão porque não nos enfrentou, buá, buá, buá...”
Pois bem, veio o confronto pelo segundo turno. Vitória da Barbie, e as equipes empatariam em pontos e emoção estaria de volta ao Pernambizarro. Carlos Alberto Oliveira, o gênio por trás do regulamento, contava com isso. O time rosa e a torcida rosa, idem.
Mas do outro lado havia o Sport do zagueirão Durval. Foi ele, o capitão, mais de 100 jogos pelo Sport, que aproveitou uma sobra na área para abrir o placar aos 11 do primeiro tempo. Veja aqui.
Placar que se manteria pelo restante do primeiro tempo. E do segundo também.
Para desespero das barbies.
Para desespero de Carlos Alberto Oliveira, que verá Sport e Ypiranga brigando pelo segundo turno e pelo título.
E tome choro. Magrão pegou muito. Três bolas na trave. O Náutico não consegue empatar. Como o Sport é cagado. Não teve pênalti pra Geraldo bater. Buá, buá, buá...
Chorem, bonecas. Chorem. Feito Janis Joplin, cantora, junkie e torcedora do Náutico. Afinal, sofrer era com ela mesmo...PS: Ganhar em casa é obrigação. Ganhar fora é conseqüência. Em sua história, o Sport já venceu Flamengo no Maracanã, Vasco em São Januário, Fluminense nas Laranjeiras, Botafogo em Caio Martins (no Engenhinho vai ser na primeira rodada do Brasileirão) Atlético-MG no Mineirão, Atlético-PR na Arena, Corinthians no Pacaembu, Palmeiras no Parque Antártica, Inter no Beira-Rio... mas bom mesmo é ganhar do Náutico nos Aflitos. E de preferência por 1 a 0.
Quarta-feira, 26 Setembro 07, 01:45 PM
O macaco de 2001 - Uma Odisséia no Espaço, quando fez o gesto que definitivamente criou a humanidade (clique aqui), já sabia que o Náutico venceria o 504º Clássico dos Clássicos. O macaco sabia, e também fez questão de avisar a este escriba que o mesmo ficaria puto da vida.
Puto da vida, pero no mucho. That's football, man.
Quando Geninho chegou para treinar o Sport, perdeu na estréia contra o Paraná, pela sétima rodada. Na rodada seguinte, enfrentaria a Barbie, ops, Náutico, na Ilha do Retiro. Os visitantes estavam loucos para se livrar de PC Gusmão, treinador-aberração, e mais uma pá de jogadores safados. Já o Sport de Geninho, precisava de um resultado convincente. Este.
Dezenove rodadas depois, Geninho precisava retribuir a gentileza, claro. Mas voltar a escalar o time no 3-5-2 e promover a volta de Gustavo... o zagueiro que por conta de sua agilidade, rapidez de raciocínio, velocidade e atenção ganhou o apelido de "Maconhinha". Bem, ficou um tanto escancarada a gratidão do filho do gênio.
Mas acabou sendo Durval, nosso melhor zagueiro, quem rabateu bisonhamente para o chute de Júlio César que abriu o placar para o time rosa aos 37 do primeiro tempo.
Na etapa final, de nada adiantou a mudança no esquema tático, com a entrada de Adriano Gabiru no lugar do Maconhinha. Também, o que esperar de um refugo do glorioso Figueirense? Geninho ainda acha que ambos jogam tanto quanto jogavam em 2001, quando foram campeões brasileiros pelo Atlético-PR.
Nem a expulsão da barbie Toninho fez com que o Sport empatasse. Gabiru corria em círculos e Romerito tentava armar e marcar, não fazendo nenhuma coisa nem outra. Em seguida, Elicarlos e Carlinhos Mala trocaram pontapés e foram expulsos. 10 contra 9 e o Sport cede um contra-ataque para Julio César marcar o segundo.
Isso por si só já seria motivo para deixar qualquer torcedor do Sport puto da vida. Mas Dutra foi capaz de me deixar mais puto ainda. Nos descontos, fez uma falta desleal e tomou amarelo. Já que o jogo estava perdido, era para bater mais forte, ora bolas. Fair play é coisa de europeu baitola. Que este texto não chegue aos olhos do STJD.
Vagner, da barbie, já tinha sentando a madeira no "recém-recuperado" Jadílson e mandado o Samuel Eto'o da Ilha pro estaleiro por mais seis meses. Também só recebeu amarelo e disse que foi sem querer.
Voltando ao "via" Dutra, tinha mesmo era que mandar o adversário pro Departamento Médico por uns oito meses, levar o vermelho e tomar uns dez jogos de gancho. Assim Geninho seria obrigado a escalar um lateral-esquerdo decente, se é que existe um no elenco do Sport. E Dutra prestaria um belo serviço ao futebol, aposentando-se de vez.
O time rosa fez dois gols, teve dois expulsos e quebrou um dos nossos. Nós não fizemos nenhum gol, só tivemos um expulso (por revidar uma agressão) e não quebramos nenhum deles. Há momentos na vida que é preciso silenciar por três dias. Alguns chamam de luto e foi isso que aconteceu com este escriba, que pede desculpas pelo atraso.
O Sport já sabia que isso ia acontecer. Não por acaso, jogou de preto na tarde de 23 de setembro de 2007.
Sexta-feira, 29 Junho 07, 03:39 PM
-- Bruno jogou demais. Três cruzamentos dele terminaram em gol. Sou um dos poucos a enxergar potencial nele, mas confesso que nunca o vi jogar tão bem.
-- Náutico não é parâmetro de nada. O time está muuuuuito fudido.
-- Um dirigente anunciou a queda de PC Gusmão ao vivo na rádio. No dia seguinte, desmentiram. Só pode ser medo de demitir um técnico por causa de derrota em clássico. Cogitaram até Joel Santana
para substitui-lo. Eu, hein...
-- O que tem de nêgo agora achando que o time do Sport é espetacular não está no gibi. Menos, negada, menos. Dependendo do jogo contra o Corinthians é que o time poderá ser elogiado.
-- Não é que o 3-5-2 de Geninho pode dar samba? Aguardemos o jogo com o Corinthians.
-- Cléber falhou no gol de Hamilton e o melhor goleiro do Sport é Gustavo, o terceiro.
-- O Sport abriu o placar pela primeira vez no campeonato. Fato positivo, mas como já foi ditio, Náutico não é parâmetro.
-- O ataque do Sport continua perdendo muitos gols.
-- Acosta é uma piada. E o Náutico está acertando com outro uruguaio, um tal de Delgado.
-- Enfim, não sei pra que falar do clássico. O Náutico é bem pior do que os reservas do Santos, batidos pelo Sport na estréia pelo mesmo placar de 4x1.
Sexta-feira, 29 Junho 07, 06:43 AM
Toda vez que o Sport enfrenta o Náutico, eu nunca penso que foi num clássico dos clássicos meu batismo na Ilha do Retiro. Numa tarde chuvosa de julho de 1991, vencemos por 2x0, gols de Cristiano e Dinho (aquele mesmo, que depois jogou no São Paulo e no Grêmio).
Só penso na decisão do primeiro turno do estadual de 1993, quando Ivan levou dois frangaços e perdemos por 2x1 em casa... uma semana antes tínhamos enfiado cinco na casa deles, mas não era decisão.
Nunca lembro da final do Pernambucano de 1991, a primeira que assisti no estádio. 3x0, dois gols de Hélio e um de Moura, que, aliás, foi o gol do Fantástico (lembram disso?) naquele domingo.
Só penso que eles conquistaram o hexacampeonato estadual e fomos vices em TODOS aqueles seis malditos anos.
Não penso que em 1975, Assis Paraíba marcou o gol que nos tirou de uma fila de treze anos, em cima deles, naquele arremedo de estádio da Avenida Rosa e Silva. Escrevi até um livro sobre esse campeonato, como projeto de conclusão da faculdade de jornalismo.
Não penso na decisão de 1977, na qual o regulamento dizia que em caso de empate na final, se jogariam quantas prorrogações fossem necessárias o desempate. Só veio aos oito minutos do primeiro tempo da terceira prorrogação. 158 minutos e o gol de Mauro nos deu o título. Em cima deles.
Sequer penso que desde o hexa, em 1968, eles nunca mais nos venceram numa decisão de campeonato.
Só penso em Guilherme de Aquino, recém-chegado da Inglaterra, querendo praticar um tal de “foot-ball” que se jogava lá na terra da rainha. Foi até o então mais prestigiado clube do Recife, o Náutico, e de lá foi enxotado, dentre outras coisas por ter a pele um pouco mais escura. Irado e cheio da grana, resolveu ele mesmo fundar um clube chamado Sport Club do Recife e implantar o futebol no estado de Pernambuco.
O clube que enxotou Guilherme foi o mesmo que só passou a aceitar negros na década de 1950. Não deixo de pensar nisso, em nenhum momento.
Não penso na jogadaça de Valdo e no gol de Ricardinho pela semifinal do Campeonato do Nordeste de 2001. Eles passaram invictos nos 15 jogos da fase de classificação e nós nos arrastamos pra passar. A semifinal foi disputada em jogo único, na casa do time de melhor campanha. Foi um dos últimos jogos que assisti com meu avô, que Deus o tenha.
Só penso na bomba que o maldito Adílson mandou quase do meio-campo naquele mesmo ano e decretou um derrota nossa em casa por 2x1. Eles saíram na frente, nós empatamos e quando o segundo gol deles saiu, já estavam com um a menos e era início do segundo tempo... o sonho do nosso hexa acabava ali, ainda que fosse o primeiro dos três turnos do campeonato daquele ano.
Não penso na goleada de 5x1 que aplicamos neles em 1997, no dia do aniversário de 96 anos do Náutico.
Penso sim nos dois empates pelo estadual de 2006. Em ambos saímos na frente, poderíamos golear e cedemos o empate.
Não penso nos dois gols de Fumagalli, pelo returno da Série B no ano passado. O confronto de número 500 entre Sport e Náutico. Nem no de número 501, em fevereiro deste ano, no qual Vítor Júnior nos deu a vitória lá na casinha rosa deles. Nem no 502º, em 1º de abril, quando os gols de Weldon e Luciano Henrique nos deram o bicampeonato estadual antecipado. Há 15 anos não éramos campeões em cima do time rosa dos Aflitos.
Só consigo pensar em 25 de julho de 1909, quando eles resolveram nos copiar e jogar futebol também. Marcaram uma partida contra nós e venceram por 3 a 1. Setenta anos antes do meu nascimento, eu já tinha ódio dessa aberração chamada Clube Náutico Capibaribe. Ou simplesmente Barbie.
Marcamos uma revanche três semanas depois e terminou em 0x0. Só os vencemos em 19 de junho do ano seguinte, pela contagem mínima.
Grêmio x Internacional? Atlético-PR x Coritiba? Cruzeiro x Atlético-MG? Corinthians x Palmeiras? Flamengo x Vasco? Rangers x Celtic? Israel x Palestina? Irlanda x Inglaterra? Atenas x Esparta?
São todos casos de amor quando comparados ao ódio que tenho pelo Náutico. E às vésperas de cada confronto esse ódio aumenta insuportavelmente.
Nesta quinta-feira, 28 de junho de 2007, enfiamos quatro gols naqueles vermes. Quatro. Durval aos quatro, Carlinhos Bala aos onze do primeiro tempo. Aos vinte, Acosta, o dito craque deles foi expulso por agredir nosso zagueiro Gabriel. Abriu-se a porteira.
Mas só fomos marcar de novo aos seis da segunda etapa, de novo com Bala (não seria um míssil?) e aos 14, com Washington. Entre um gol e outro, Baiano agrediu Bruno, nosso lateral-esquerdo. Eles ficaram reduzidos a nove jogadores e poderíamos ter chegado aos cinco, seis, sete ou mais gols.
Mas o time foi cristão, piedoso. Deixou até que eles saíssem do zero, numa falta cobrada aos 31 por Hamilton que, apesar de forte, dava para Cleber pegar. Há quase um ano não tomávamos gol da Barbie. Quer dizer, do Náutico. Teríamos zerado nosso saldo negativo de gols se não tivéssemos tomado esse gol ou se tivéssemos marcado mais um.
Quando o Sport vence o Náutico, até que ódio diminui um pouco. Mas só até o próximo confronto, dia 16 de setembro, no estádio cor-de-rosa deles. Então as reminiscências carnalmente não-vividas daquela tarde de 25 de julho de 1909 voltarão à tona.
Sexta-feira, 29 Junho 07, 01:11 AM
Um gol perdido por Diogo, outro feito por Bala e corretamente anulado e mais uma cabeçada certeira de Durval. Quatro minutos e já estamos vencendo. Estarei delirando?
Onze minutos e mais um gol de cabeça. Carlinhos Bala, para calar minha boca. Como diriam meus conterrâneos, deu a porra!
Quinze minutos e as Barbies não chutaram uma bola contra o gol de Cleber.
Vinte minutos, escanteio pras rosadas e o bandeirinha flagra o uruguaio Acosta acertando um soco em Gabriel, fora do lance. Wilsão Mendonça manda a Barbie gringa pro chuveiro. Terceira expulsão dele em oito rodadas. Sai vaiado até pela torcida rosada. Dizem ser o craque do time.
Pode acabar o jogo neste momento que eu ganho o bolão. Apostei 2x0 pra nós.
Dá-lhe Leão, porra!
On Da série “Provocar é viver”