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A morte diante dos olhos

Quinta-feira, 05 Novembro 09, 06:30 PM

Antes de mais nada, desculpas aos meus seis bilhões de leitores. O baque de domingo foi grande, muito grande.

Perder para nosso sparring depois de dois anos sacramentou uma temporada que poderia ter sido antológica. Pior que perder o clássico é que a derrota começou antes mesmo de a bola rolar.

Superstição não tem lá muita validade no futebol. Mas, cá entre nós, quem não evita passar por baixo de uma escada ou deixar o chinelo ou o sapato com a sola virada para cima? Por via das dúvidas...

... alguém do elenco poderia ter lembrado que na última derrota para a esquadra rosada dos Aflitos, o jogo foi na casa delas e o Sport jogou de preto. Aí, só porque conseguiu três empates seguidos fora de casa jogando de preto, resolveu arriscar.

Este escriba quando viu que o Sport jogaria de preto, já anteviu: fudeu. Aos quatro minutos, com a defesa desfilando toda a displicência do universo, gol das barbies.

Três minutos depois, o Sport empatava com Vandinho. Mas não era aquele gol. Mais parecia um gol de final de pelada. Antes do intervalo, as rosadinhas passavam à frente num chute de Carlinhos Bala (logo ele) que desviou em Durval, o outrora exterminador de barbies.

Wilson, guerreiro, empatou o jogo no segundo tempo. Pouco depois, Irênio (que este escriba, na sincera, pensava que nem jogava mais) chuta de fora da área para desempatar. Crueldade extrema: a bola quicou encobriu Magrão. Aliás, na sincera: foi um frangaço.

Desse jeito, não tinha como ganhar. A sorte acompanha os que trabalham. E tudo que o Sport faz é NÃO trabalhar.

A começar pelo maldito e imbecil treinador Péricles Chamusca. Um time que está em último lugar, com nítidos problemas de condicionamento físico, o que ele faz? Vejam um exemplo da agenda pós-jogo com o Náutico, que aconteceu no domingo:

Segunda: treino regenerativo pela manhã; folga à tarde.

Terça: folga

Quarta: treino em período integral

Quinta: treino à tarde e concentração

Sexta: treino à tarde

Peguemos o exemplo de um jogador da "barca" (baladeiro). Terminou o jogo no domingo à noite. Pagodinho e cervejinha pra esquecer a derrota. No dia seguinte, só um treininho regenerativo, de boa. Dá pra dar uma boa dormida à tarde e já descolar um puteirinho privê, já que bar aberto na segunda à noite em Recife é dose.

Estica até de manhã, já que terça é folga. Descansa e na quarta tem o ÚNICO treino em período integral da semana. Como quinta o treino é só à tarde e já começa a concentração, então noite de quarta, já que o treino foi o dia inteiro, um pagodinho e mais uma cervejinha e coisa e tal...

Aí o filho da puta do entregador de camisa vem falar que o time melhorou, que teve chance de ganhar os jogos, e uma conversa mole da porra...

Não satisfeito com as merdas ditas pelo entregador de camisa, o presidente do Sport declara que o time já está rebaixado, com 15 pontos a disputar. Grande presidente.

Voltando ao jogo contra os sparrings: teve jogador da barbie que, ao se referir ao desvio da bola no gramado irregular no terceiro gol, disse: "finalmente nosso gramado jogou a favor"

E o presidente dos sparrings ainda emendou: "nós podemos até cair, mas eles caíram primeiro"

Pior que perder o clássico é perder para um adversário medíocre. Na bola e na alma.

Por essas outras, é que nunca é demais repetir uma frase que foi título de um post cujo assunto era o mesmo deste:

"Sábios aprendem com a derrota, imbecis se iludem com a vitória."

Resta saber se o Sport será mesmo sábio.

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Postado por mautargino | Comentários (6)

Ah, Chamusca...

Sábado, 31 Outubro 09, 12:45 PM

O empate em casa com um Coritiba desfalcado de dois dos seus melhores jogadores decretou o rebaixamento do Sport à série B. Não importa que a matemática diga que ainda há chances. É só ganhar cinco partidas das seis que faltam, coisa à toa. Seria difícil até se o treinador fosse Jose Mourinho, Telê Santana, Rinus Michels ou Nelsinho Baptista.

E se o treinador é Péricles Chamusca seria melhor nem escrever sobre. Mas vamos que vamos. 

O que o entregador de camisas fez na última quinta-feira foi vergonhoso. Não por recuar o time logo após Fabiano fazer o gol, nem por não perceber a esperteza de Ney Franco, treinador do Coritiba, que logo após tomar o gol, ainda no primeiro tempo, tirou um zagueiro que estava com cartão amarelo, colocar um meia e recuar o volante para a zaga.

Na simplicidade, logo o Coritiba empatava com Ariel, para não fazer mais nada no primeiro tempo. Nem no segundo. O empate já bastava para o Coxa Branca.

Já Chamusca continuava seu festival de besteiras. Na primeira substituição, nada de mais. Arce, machucado, deu lugar a Ciro no intervalo. Na segunda, tirou Luciano Henrique, o único articulador do time, para colocar mais um atacante, Vandinho.

Três atacantes sem nenhum meia para municiá-los. É preciso ser um gênio para saber que isso não dá certo?

Ora, mas Chamusca tinha a resposta: tirou Fininho (lateral improvisado no meio), que estava quase pedindo um tubo de soro de cansado que estava (Dutra corre mais que ele, é uns dez anos mais velho e não cansa. Vai saber porque...) e coloca o meia-atacante Adriano Pimenta. Faltando cinco minutos para o jogo acabar.

Os defensores de Chamusca, se é que existem, podem argumentar que ele não entra em campo, nem faz gol. Nem perde um gol feito porque faz a merda de olhar para o bandeirinha após receber a bola quase na pequena área, como fez o "gênio" Ciro.

Agora é só ganhar 5 em 6 que faltam, como já foi dito nas primeiras linhas. Detalhe: o Sport não conseguiu, em 32 rodadas, ganhar duas partidas seguidas.

Ou seja, o clássico de domingo contra o Náutico, que tem dois pontos a mais, servirá somente para prolongar o sofrimento "esperançoso" de quem vencer e começar a jogar a terra no caixão de quem perder.

O vencedor também poderá se "gabar" de ter ganho o último clássico pernambucano na série A em muito tempo. Se bem que em 2001, o Santa Cruz venceu o Sport de virada por 2x1. No final os dois caíram e a Série A só voltou a ter dois pernambucanos em 2007. Vê onde o Santa Cruz foi parar.

Mas a pior coisa do clássico, é que se o Sport vencer este escriba vai desmentir as abobrinhas que postou nesse texto e voltar a acreditar na salvação. Mesmo com Chamusca de treinador.

Como o clima no Sport anda pesado, nada como o vídeo abaixo para relaxar.

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Postado por mautargino | Comentários (2)

O bom visitante

Segunda-feira, 26 Outubro 09, 05:00 AM

31 rodadas. Todos os times do Campeonato Brasileiro venceram ao menos uma partida fora de casa.

Todos, menos o penúltimo colocado. Jogou 16 partidas, 1440 minutos mais os acrescimos e não conseguiu sair de campo com a vitória como visitante.

Ficou então este escriba a pensar: por que diabos essa porra de time não consegue vencer uma partida fora de casa há mais de seis meses?

Será que os atletas do Sport Club do Recife estão sendo muito bem tratados pelos anfitriões? Têm à sua disposição guias para toda e qualquer necessidade? Open bar no hotel? Passe livre no puteiro? Presentes, souvenirs e lembrancinhas?

Dá até para acreditar que só pode ser isso. Se nas partidas contra Grêmio e Goiás há de se reconhecer o empenho do time em buscar o empate, contra o Avaí o empate foi inadmissível.

Tudo bem que os dois gols em sete minutos foram duas "cagadas" nababescas (tá, se quiser dizer que o gol de Luciano Henrique foi golaço, pode dizer). Mas espera um pouco. Se um time faz dois gols como visitante com sete minutos de jogo e está lutando deseperadamente contra o rebaixamento, o que se espera que esse time faça? Aliás, reformulando, o que seria mais sensato fazer?

Até um jegue retardado responderia: "iria com tudo pra fazer o terceiro gol, afinal se tomasse um ainda estaria em vantagem". Mas o que porra o Sport fez?

Encostou a bunda na parede e viu o Avaí ficar chutando de fora da área. E aos 16 minutos, o Avaí já diminuía, de falta. O aperreio estava de volta.

Quando saiu o empate, lá pelo meio do segundo tempo, já se esperava. Afinal, todos os jogadores e comissão técnica do Sport devem ter sido muito bem tratados em Floripa. Ganhar dos anfitriões seria uma descortesia, uma falta de educação.

Então, tome perder gols e ficar a três pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento, quando podia-se ficar a apenas um ponto. Era só ser um pouquinho mal-comportado, mal-educado, desconsiderar o tratamento VIP dado pelos donos da casa.

Nem precisava fazer bagunça, limpar a bunda com toalha de rosto, guerra de comida, correr pelado, cagar no porta-jóias da dona da casa, mijar de porta aberta, essas pequenas traquinagens.

Só marcar mais uns golzinhos, só isso.  

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Postado por mautargino | Comentários (7)

Corintianos, aprendam

Terça-feira, 20 Outubro 09, 06:18 AM

Pobres curintias, não se abalem com mais uma derrota para o Sport. Ilha do Retiro, Leão, Recife, essas palavras sempre soarão para vocês como: "puta que pariu, perdemos pros caras de novo".

Foi a 12ª vez que vocês perderam para o Sport em 27 partidas. Vocês ganharam só 8, metade delas antes de 1979. Ou seja, se eu não tinha nascido, logo não vi, então não conta.

Já nossas vitórias sobre vocês, corintianos, das nossas 12 vitórias só uma foi antes de 1979. E vejam só, foi em 1978. Ou seja eu vivi onze vezes a sensação de ganhar dos gaviões, gambás, galinhas, ou seja lá que animalzinho cujo nome começa pela letra G for.

Posso dizer que essa última vitória foi a segunda menos surpreendente (a menos surpreendente aconteceu num distante 11 de junho de 2008). O 2x0 do último domingo era tão certo que Ronaldo até arrumou uma suspensão para não ir até Recife perder o jogo e nem correr o risco de ser flagrado lá pelas bandas da Av. Mário Melo, onde trabalham algumas colegas da finada Andréia, aquela.

Sobre o jogo de domingo, curintias, nunca foi tão fácil vencer vocês. Vocês fizeram bem o papel de ao menos perder de pouco e com dignidade. O que Arce fez com seu capitão (que poderia ser rebaixado para soldado raso depois dos dribles que levou do boliviano) foi pior do que xingar a mãe dele, foi pior do que comer a mulher dele e pôr as fotos em algum site de grande audiência. Dispensem milhões de Arces, curintias.

Teve o gol de Wilson também. O goleiro de vocês, curintias, adora tomar um golzinho esquisito quando vai à Ilha do Retiro. Desta vez, quis adivinhar o inadivinhável, quis adivinhar que Wilson ia cruzar. Wilson, que tem Q.I. e futebol acima da média (por isso foi dispensado do Corinthians, tal como Arce) bateu direto pro gol.

Simples.

Simples como ganhar do Corinthians.

Tão simples que nem dá para julgar o bom futebol apresentado pelo Sport e quase estragado pelas substituições "cautelosas" do técnico Chamusca.

Porque ganhar do Corinthians tem sido tão rotineiro nos meus últimos 30 anos de vida que está até perdendo a graça.

Mentira. Ganhar do Corinthians é sempre engraçado, de um jeito ou de outro.

E pensar que tinha gente dizendo que os curintia iam entrar em campo com sede de vingança... deu um medo...

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Postado por mautargino | Comentários (10)

O difícil exercício obrigatório de ter esperança

Terça-feira, 13 Outubro 09, 07:04 PM

A catástrofe já era certa. Duas, três, cinco mil chances de gol perdidas no primeiro tempo. Um gol sofrido no início do segundo.

O rival citadino goleava o líder. O Botafogo sofria em casa, mas arrancava um ponto contra o Avaí. Dois dias antes o Santo André, pelo menos, perdeu em casa. Mas foi para o Fluminense, que deixara a lanterna do campeonato na mão do Sport.

Perdendo sua 17ª partida em 29 disputadas, oito pontos abaixo do primeiro time fora do rebaixamento. E o rival rosado vencendo o algoz de 2009 e primeiro colocado no Brasileirão.

A serra era dourada, mas o cenário era mais negro do que a camisa do Sport na capital goiana. Que o Leão está rebaixado, até as ervas daninhas do gramado da Ilha do Retiro já sabem. E o pior, tem gente (e não é pouca) DENTRO do Sport Club do Recife feliz da vida com a situação.

Mas veio o 36º minuto do segundo tempo.

Wilson esqueceu o jogo coletivo, avançou pela esquerda sozinho e mandou a bola na área. Estava óbvio que algum zagueiro do Goiás iria afastar a bola. Antes que isso acontecesse, Luciano Henrique apareceu.

Quem? Luciano Henrique? Ele jogou?

Sim, jogou. Aliás, em termos. Entrou em campo, assinou súmula, deve até ter tocado na bola antes do 36º minuto do segundo tempo.

A aparição poltergeistiana de Luciano Henrique, a cabeçada certeira, o gol de empate, o gol que evitou a 17ª derrota, que manteve o time com a ínfima esperança de se salvar da degola. Que tem 27 pontos a disputar e precisa de uns 20. Que fez 25 o campeonato inteiro. Que não venceu uma partida fora de casa.

E é nesse time que 3 milhões de pessoas têm que acreditar, como um dever, uma obrigação para com algo maior do que o próprio universo.

A esperança gosta mesmo é de zoar aqueles que a têm, a verdade é essa.


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Postado por mautargino | Comentários (5)

Mais uma da série "perdendo jogos impossíveis de perder"

Sábado, 10 Outubro 09, 10:39 AM

Jogo em casa, quase 30 mil torcedores nas arquibancadas, adversário com cinco desfalques e sem pretensões de classificação para a Libertadores nem perigo de reabixamento.

Um adversário perfeito para ser vencido, correto? O Sport provou que não. É possível perder para um adversário nessas circunstâncias. Mas somente à custa de muito esforço. Porque perder para o Santos como o Sport perdeu na 28ª rodada do Brasileirão 2009, não seria possível sem empenho para o fracasso.

Tivesse o Sport feito corpo mole, jogado de forma indolente, teria ficado no 0x0 ou até arrancado uma vitória num lance fortuito. Mas não. Lance após lance, jogada após jogada, ficava claro que havia um esforço, ainda que involuntário, mas compulsivo em PERDER o jogo.

Que fique bem claro que não está se falando em entregar o jogo. O caso é diferente.

Um exemplo claro foi achance desperdiçada por Paulinho, aquele que não acerta um fundamento sequer do futebol, mas está em toda a parte do campo para errar. Aos seis minutos de jogo, a bola sobrou para ele, que virou e conclui num grau de bisonhice que renderia substituição imediata numa pelada pós-churasco & cerveja. Mas o treinador e amigão Chamusca esperou até o intervalo para trocá-lo.

Incrível também o gol perdido por Fininho. A bola ajeitada quase dentro da pequena área e o que o jegue faz? Dá um chutão em cima do goleiro santista, como que para consagrá-lo propositalmente.

Se o ataque faz as merdas para perder o jogo, o máximo que pode conceder para que o time tome o gol é um contra-ataque, certo? Mas não adianta ceder o contra-ataque para o nulo time dos Santos, que não vencia há 4 partidas. Era preciso uma merda muito grande da defesa leonina para que o Peixe marcasse.

E a merda veio, pelos pés do zagueiro e capitão (nesta partida) Igor. Com todo o espaço do mundo para sair jogando, ele resolve dar um chutão. A bola bate no camisa 10 (reserva) Felipe Azevedo que ainda demora para acreditar que está na frente de Magrão para fuzilar. Santos 1x0, no fim do primeiro tempo.

Paulinho foi substituído por Wilson, Fininho por Adriano Pimenta e depois entrou o artilheiro do time, Fabiano, no lugar de Luciano Henrique. Nada adiantou, pois Moacir continuou desfilando sua displicência, Hamilton seguiu tentando marcar de fora da área (ele nunca fez um gol com bola rolando, mas segue persistindo e atrapalhando as jogadas de ataque), Andrade sem acertar um chute nem marcar, enfim, o fato de o Santos não marcar o segundo e matar o jogo só atesta a baixa qualidade da equipe de Vanderlei Luxemburgo.

Um tempo e várias jogadas de ataque desperdiçadas depois, fim de jogo. E de festa. Não dá mais para acreditar que o Sport fica na Série A, por mais que ainda faltem 10 rodadas. É como aquela parte da festa onde você já falou merda para a mãe da anfitriã, quase arrumou briga com seu melhor amigo, tomou todos os foras possíveis, vomitou na sala, não sobrou lugar para dormir, não tem carona para voltar para casa, não tem dinheiro para o táxi, ainda faltam três horas para os ônibus começarem a circular e não tem mais ninguém conhecido na festa.

E sabe aquele amigo com o qual você quase brigou? Deu carona para aquelas gatinhas que te deram o fora. Essa é a situação do Sport neste melancólico final de 2009.

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Postado por mautargino | Comentários (4)

É possível (?)

Segunda-feira, 05 Outubro 09, 09:11 AM

Num campeonato de futebol, se ganha, se perde e se empata. Há jogos que você conta que vai ganhar, outros que você acha que vai ganhar e aqueles que você já põe os três pontos no passivo e pensa na rodada seguinte.

Grêmio x Sport, no Olímpico é aquele tipo de jogo que ilustra bem o terceiro tipo. O Sport qdo vai à Porto Alegre enfrentar o tricolor é quase como um boi indo a um matadouro. Esse sentimento já foi expressado aqui, às vésperas do confronto entre as equipes em 2008. Deu Grêmio, 1x0, com gol aos 2 minutos de jogo.

Em 2007, coube ao zagueiro rubro-negro Du Lopes marcar, aos três minutos de jogo, o gol da vitória... gremista.

Se em 2007 o gol saiu aos três minutos, em 2008 aos dois, então o minuto crucial de Grêmio x Sport edição 2009 seria o primeiro. Sobrevivendo aos primeiros sessenta segundos, o Leão teria chance.

E até que o Sport se segurou por... sete minutos. Como se fosse algo orquestrado, sete jogadores de preto (a nova camisa do Sport, espetacular de bonita) assistiram a um solitário Jonas receber de Maxi Lopez e bater de primeira. Entenda: sete defensores contra dois atacantes e o ataque leva vantagem. Hard times.

Mas alguma coisa estava diferente em Porto Alegre. Calor (27° C), Olímpico quase vazio (favas contadas ou pé atrás?), enfim, coisas que, enquanto alguém divagava a respeito, Vandinho escorava um escanteio cobrado por Dutra e empatava aos dez minutos.

A sorte voltou, certo? Errado. Não demorou muito para que Maxi Lopez, elegante como uma gazela acometida do mal da vaca louca, trombar até com a própria sombra e chutar prensado com Igor. Magrão, adiantado, resolveu saltar ao invés de recuar e foi encoberto pela bola.

Durante esse tempo, o Sport sofria com Paulinho. Para entender: esse sujeito veio do futebol japonês com fama de ser um Pelé melhorado. Só que no Sport, ele não faz nada: não dribla, não passa, não chuta, não lança, não marca, vive em impedimento, mas teve uma atuação elogiada do ponto de vista tático. Isso é verdade. Ele não faz porra nenhuma, mas está em todo lugar do campo.

E foi justamente o "craque tático" Paulinho que empatou novamente o jogo aos seis do segundo tempo. Olha a sorte aí...

... que nada. Logo Durval cometia um dos pênaltis mais bizarros da história do futebol, Tcheco na cobrança...

MAGRÃO! MAGRÃO! MAGRÃO!

Isso mesmo. Magrão em momento Goycoechea voou para defender a cobrança do 10 gremista.

Não demorou muito para a sorte mostrar que estava de sarro com o Sport e Maxi Lopez desempatar de cabeça, contando com o desvio de Andrade.

Mas a sorte, ah, a sorte às vezes rima com Sport. Falta contra o Grêmio, Andrade vai levantar na área, desiste, resolve chutar direto, pega mal na bola, que vai rasteira e sobra para um impedido Fininho (que tinha sofrido a falta) chutar para o GOOOOOL!

Chega! Em nome da saúde cardíaca deste que vos escreve e de todos que torcessem para qualquer um dos times, ninguém mais podia fazer gol naquela bagaça. E não fizeram.

Resolver o empate não resolveu. Mas que sair de uma derrota esperada para um empate em 3x3 fora de casa contra o melhor mandante do campeonato faz um bem danado, faz.

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Postado por mautargino | Comentários (9)

Mais do que comemorar, rezar. E muito.

Terça-feira, 29 Setembro 09, 09:57 PM

Ao final da partida entre Sport e Santo André, cenas mais que curiosas nas arquibancadas da Ilha do Retiro: em meio aos gritos de mais uma vitória, vários, inúmeros torcedores rezam. Fosse no campo, entre os jogadores, valeria a perda de uns 14 mandos de campo, algo do tipo.

Afinal, não foi este escriba, mas a dona FIFA que disse: nada de religião no campo de jogo.

Embora a situação do Sport no campeonato brasileiro inspire muito mais discussões de cunho litúrgico e teológico (orações, promessas, milagres, salvação) do que futebolístico, este é um site sobre futebol, portanto é de futebol que se vai falar aqui.

Futebol? Que futebol?

O gol de abertura do placar foi um primor de intervenção divina: Dutra cruzou na área, Arce tentou chutar de primeira, mas pegou de canela. Em circunstâncias normais, a bola iria longe. Mas no meio do caminho havia Gustavo Nery. E o desvio divino deu o tento ao Leão.

Não demorou muito para que Junior Dutra carregasse a bola com a mão DUAS vezes no mesmo lance para cruzar para Rodrigo Fabri empatar de cabeça.

Os gols perdidos pelo Leão que já eram uma constante, se tornaram mais numerosos. Arce, Vandinho, Luciano Henrique, todo mundo deu sua contribuição para o aumento do número de "gols feitos" perdidos pelo Sport. E o que dizer da bizarra finalização de calcanhar de Fininho?

Vandinho, o cara de cachaça, o verdadeiro Ronaldo, resolveu dar um basta nos gols perdidos e desempatou a partida aos 23 do segundo tempo. Então intensificou-se o FEBECHA (Festival de Besteiras Chamusquianas).

O FEBECHA teve início na rodada quando o nobre treinador Péricles Chamusca resolveu barrar Fabiano, o Cabeça da Ilha, o artilheiro do Leão, na véspera da partida. Tudo por causa de uma discussão no treino. Em meio a outras sandices de menor intensidade, veio o carocinho de feijão no tolete expelido por Chamusca: sacar Luciano Henrique, o único armador do time, o melhor em campo para a entrada do zagueiro Juliano.

Detalhe: não foi por cansaço, mas por opção tática. Obviamente o sufoco correu solto até o apito final e a catástrofe só não se consolidou pelo fato de o adversário ser o Santo André e o goleiro do Sport ser Magrão.

Com tanta besteira feita pelo Sport, sua diretoria e seus treinadores pós-Nelsinho Baptista, vencer uma partida tornou-se um feito extraordinário. Resta descumprir as ordens da FIFA e rezar, rezar, rezar. Nas arquibancadas, no vestiário, em campo. Pois a fé, muito mais que o futebol, é o que vai salvar o Leão da Ilha. 

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Postado por mautargino | Comentários (9)

Já fizemos de tudo...

Quarta-feira, 23 Setembro 09, 01:16 PM

... e o time não engrena.

Banho de sal grosso, vela de sete dias, usar a camisa todos os dias e não lavar, não usar a camisa, escolher uma camisa "da sorte" para usar no dia do jogo, rezar, assistir ao DVD da Copa do Brasil 2008 pra trazer boas energias, mastigar alho, toda e qualquer simpatia, de eficácia comprovada ou a comprovar, tudo foi tentado.

E o time não reage. Antes era culpa da arbitragem. Depois, dos gols tomados no final do jogo. Agora a merda é tomar gol no início. Menos de um minuto e meio de jogo e Marcinho acertava um petardo de fora da área que pegou Magrão desprevenido. Além desse chute, o Furacão deu só mais 3 durante o jogo. O Sport chutou 12. E um pegou na trave.

Ainda houve um pênalti em Fininho que o juiz não deu e ainda expulsou o treinador do Sport. Não que a não-marcação tenha sido determinante para a derrota. Do jeito que a coisa anda, era capaz de quem quer que cobrasse, desperdiçasse.

Na verdade, já não dá mais para saber a razão pela qual o Sport chegou à 15ª derrota em 25 jogos. Falta de sorte, desatenção, ruindade, covardia, técnico burro, displicência, problemas de entrosamento, diretoria incompetente, nada mais explica.

Aí o ecriba demora QUATRO dias para postar sobre o jogo, não escreve coisa com coisa, se arrisca a tomar uns xingamentos e continua a ecrever sem saber como vai terminar ou essa merda toda vai dar.

Já que não vai mais se falar do futebol do Sport nem da última partida derrota, então que se fale das razões para a pésima campanha do Leão da Ilha. São duas:

- O uso do uniforme branco: Já tinha lá minhas suspeitas e implicâncias com essa camisa, mas depois de perder para Vitória e Inter no primeiro turno e Flamengo e Atlético PR no segundo, sem sequer marcar gols, este escriba acaba de aderir à campanha Morte ao Uniforme Branco (melhor esmiuçada pelo amigo Robert Mocock, do Blogsportnet).

- O uso de numeração fixa: se é para perder, que se perca de 1 a 11 em campo e 12 a 18 no banco. Mas com 38, 43, 29, fica parecendo loteria.

Enfim, se esse texto não saísse hoje, não sairia mais.

 

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Postado por mautargino | Comentários (6)

Quando a alma vence jogo

Segunda-feira, 14 Setembro 09, 09:17 PM

Quando Adriano acertou aquele petardo de canhota em meio a três atônitos defensores do Sport, ficou claro, claríssimo de que o Sport não teria chance contra o Flamengo.

É duro escrever isso, mas o golaço de Adriano obrigou o escriba a abandonar sua notória imparcialidade e reconhecer que quem faz um gol daqueles com dois minutos de bola rolando, em casa, não perde o jogo. Repetindo: não perde o jogo.

Não bastasse um Adriano embalado após voltar da Seleção Brasileira (ainda que tenha jogado pouco tempo - seria essa a explicação?), havia um ex-ex-jogador em atividade com fome de bola nos seus recém-completados 37 anos: um tal de Petkovic, e que perdoem Pedros Rochistas, Tevezistas, Ramos Delgadistas e outros fãs de estrangeiros que atuaram no Brasil: Pet é o maior jogador gringo da história do futebol brasileiro. Isso porque Raul Bettancourt, o craque uruguaio do Sport nos anos 60, é hours-concours, uma espécie de Pelé dos gringos-brazucas. 

Foi o maldito Petkovic que armou a jogada do segundo gol do Flamengo, após, pasmem, uma cobrança bisonha de escanteio do Sport. Avançou sem ser incomodado até passar para Zé Roberto, que beneficiou-se do recurso da "mão levantada" da defesa do Sport.

Trata-se daquela jogadinha bem conhecida, onde todos os defensores param de correr e lavantam a mão, pedindo um impedimento que quase sempre não existe. E Magrão que se foda. Foi o que deve ter pensado Durval quando enfiou o cotovelo em Denis Marques e foi expulso no fim do primeiro tempo.

Magrão, aliás, foi o responsável por evitar a maior goleada sofrida pelo Sport na história. Sem exagero. Foram ao menos sete defesas dificílimas. Sem comentários. O cara tomou mais de quarenta gols no campeonato e continua dando sangue como ninguém no trágico time do Sport. E no terceiro gol do Flamengo, também de Adriano, o pobre Magrão não tinha mesmo o que fazer.

O Flamengo não tem dinheiro, deve até os fundos das calças e faz com que Adriano e Petkovic comam a bola, que os bons Álvaro e Maldonado assinem contrato com o clube, etc.

O Sport até que deve, não tanto quanto seu imitador de uniforme, mas ninguém parece responder em campo. Eles trazem Álvaro e Maldonado e o Sport traz Paulinho, Zé Antônio, Fininho, só "craque".

Falta um pouco, um pouquinho que seja, de alma a esse time do Sport. Alma que sobrou ao Flamengo na noite em que fez 3x0 no Sport. E que não fez porque enfrentou um goleiro com alma chamado Magrão.

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Postado por mautargino | Comentários (12)