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O bom visitante

Segunda-feira, 26 Outubro 09, 05:00 AM

31 rodadas. Todos os times do Campeonato Brasileiro venceram ao menos uma partida fora de casa.

Todos, menos o penúltimo colocado. Jogou 16 partidas, 1440 minutos mais os acrescimos e não conseguiu sair de campo com a vitória como visitante.

Ficou então este escriba a pensar: por que diabos essa porra de time não consegue vencer uma partida fora de casa há mais de seis meses?

Será que os atletas do Sport Club do Recife estão sendo muito bem tratados pelos anfitriões? Têm à sua disposição guias para toda e qualquer necessidade? Open bar no hotel? Passe livre no puteiro? Presentes, souvenirs e lembrancinhas?

Dá até para acreditar que só pode ser isso. Se nas partidas contra Grêmio e Goiás há de se reconhecer o empenho do time em buscar o empate, contra o Avaí o empate foi inadmissível.

Tudo bem que os dois gols em sete minutos foram duas "cagadas" nababescas (tá, se quiser dizer que o gol de Luciano Henrique foi golaço, pode dizer). Mas espera um pouco. Se um time faz dois gols como visitante com sete minutos de jogo e está lutando deseperadamente contra o rebaixamento, o que se espera que esse time faça? Aliás, reformulando, o que seria mais sensato fazer?

Até um jegue retardado responderia: "iria com tudo pra fazer o terceiro gol, afinal se tomasse um ainda estaria em vantagem". Mas o que porra o Sport fez?

Encostou a bunda na parede e viu o Avaí ficar chutando de fora da área. E aos 16 minutos, o Avaí já diminuía, de falta. O aperreio estava de volta.

Quando saiu o empate, lá pelo meio do segundo tempo, já se esperava. Afinal, todos os jogadores e comissão técnica do Sport devem ter sido muito bem tratados em Floripa. Ganhar dos anfitriões seria uma descortesia, uma falta de educação.

Então, tome perder gols e ficar a três pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento, quando podia-se ficar a apenas um ponto. Era só ser um pouquinho mal-comportado, mal-educado, desconsiderar o tratamento VIP dado pelos donos da casa.

Nem precisava fazer bagunça, limpar a bunda com toalha de rosto, guerra de comida, correr pelado, cagar no porta-jóias da dona da casa, mijar de porta aberta, essas pequenas traquinagens.

Só marcar mais uns golzinhos, só isso.  

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Postado por mautargino | Comentários (7)

O difícil exercício obrigatório de ter esperança

Terça-feira, 13 Outubro 09, 07:04 PM

A catástrofe já era certa. Duas, três, cinco mil chances de gol perdidas no primeiro tempo. Um gol sofrido no início do segundo.

O rival citadino goleava o líder. O Botafogo sofria em casa, mas arrancava um ponto contra o Avaí. Dois dias antes o Santo André, pelo menos, perdeu em casa. Mas foi para o Fluminense, que deixara a lanterna do campeonato na mão do Sport.

Perdendo sua 17ª partida em 29 disputadas, oito pontos abaixo do primeiro time fora do rebaixamento. E o rival rosado vencendo o algoz de 2009 e primeiro colocado no Brasileirão.

A serra era dourada, mas o cenário era mais negro do que a camisa do Sport na capital goiana. Que o Leão está rebaixado, até as ervas daninhas do gramado da Ilha do Retiro já sabem. E o pior, tem gente (e não é pouca) DENTRO do Sport Club do Recife feliz da vida com a situação.

Mas veio o 36º minuto do segundo tempo.

Wilson esqueceu o jogo coletivo, avançou pela esquerda sozinho e mandou a bola na área. Estava óbvio que algum zagueiro do Goiás iria afastar a bola. Antes que isso acontecesse, Luciano Henrique apareceu.

Quem? Luciano Henrique? Ele jogou?

Sim, jogou. Aliás, em termos. Entrou em campo, assinou súmula, deve até ter tocado na bola antes do 36º minuto do segundo tempo.

A aparição poltergeistiana de Luciano Henrique, a cabeçada certeira, o gol de empate, o gol que evitou a 17ª derrota, que manteve o time com a ínfima esperança de se salvar da degola. Que tem 27 pontos a disputar e precisa de uns 20. Que fez 25 o campeonato inteiro. Que não venceu uma partida fora de casa.

E é nesse time que 3 milhões de pessoas têm que acreditar, como um dever, uma obrigação para com algo maior do que o próprio universo.

A esperança gosta mesmo é de zoar aqueles que a têm, a verdade é essa.


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Postado por mautargino | Comentários (5)

Sete minutos foram suficientes

Segunda-feira, 07 Setembro 09, 11:52 AM

Ao que parece, torcida, diretoria e jogadores do Sport entenderam o recado.

Torcida: ir ao estádio como expectador é coisa de europeu. Vestiu o manto, comprou ingresso, tomou sua(s) cerveja(s) e entrou no estádio, é hora de berrar, berrar e berrar. Ver o jogo? Pra quê? Vê o compacto depois na internet e lê sobre como foi a partida aqui no Blogsport.

Diretoria: ingresso de inteira é 20 reais e ponto final. Mais do que isso, nem se o adversário for o Barcelona. Aliás, contra o Barcelona põe a 10 reais, para a pressão ser maior.

Jogadores: depois da tempestade vem a bonança. Os maus resultados foram consequência de uma fase, e não de um elenco ruim. Confiem em si, joguem bola e nós fazemos o resto.

Por essas e outras que forma necessários apenas 7 minutos, ou 7,77% do tempo regulamentar para vencer o Botafogo. Simples assim. Com 4 minutos, Arce fez boa jogada e abriu para Luciano Henrique, acertar AQUELE cruzamento para Fabiano, o cabeça da Ilha, acertar AQUELA cabeçada. 1x0 e o descontrole psicológico, antes exclusividade nossa, passar para o Botafogo, que é mestre nessas coisas.

E foi a lucidez de Luciano Henrique que, aos já mitológicos sete minutos, tabelar bonito com Wilson e acertar um passe que inspirou Kaká horas depois no Argentina x Brasil. Tudo bem, Wilson não concluiu com a beleza e a plasticidade de Luís Fabiano contra os hermanitos de Maradona, mas todos sabem que beleza e plasticidade são coisas de viado e o Sport não é o Náutico. E quem garante que se Wilson acertasse o chute acertaria o gol? 2x0 e cheiro de goleada.

Mas, para um time que quer tão-somente fugir do rebaixamento, para que golear? O Fluminense fez isso com o Sport algumas rodadas atrás e vê onde estão hoje. Pior que o Sport, que é penúltimo colocado.

Posto isso, o negócio foi perder bolas bobas, deixar o Botafogo crescer, e coisa e tal. Puro jogo de cena, pois todos sabem que o Botafogo está mais Botafogo do que nunca.

E tome torcida reclamar, e tome Botafogo a atacar e tome Magrão fazer milagre até tomar AQUELE frango na cobrança de falta de Juninho no início do segundo tempo. Mas Magrão podia falhar naquele momento e sabia disso.

E tome Botafogo a atacar. Foram 16 conclusões alvinegras contra apenas 6 do Sport. E daí? Sport 2x1 Botafogo, placar final. Igualzinho a uma certa tarde de sábado em 1998, mais exatamente 24 de outubro, quando Valdomiro e Jackson deram ao Sport a vitória no mesmo lugar, pelo mesmo placar e contra o mesmo adversário. Até 5 de setembro de 2009, aquela tinha sido a última vitória do Sport sobre o Botafogo válida pela Série A do Brasileirão.

Torcida, diretoria e jogadores: aprendam e perpetuem a lição.

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Postado por mautargino | Comentários (12)

Desânimo pós-jogo

Sábado, 22 Agosto 09, 10:17 AM

Arena Barueri, 19 de agosto de 2009, por volta das 23 horas.

Quatro torcedores do Sport (este que vos escrve entre eles) se dirigem ao estacionamento do estádio, que lembra até estacionamento de aeroporto. O time deles perdeu mais uma vez. A 13ª no campeonato, a 6ª seguida, e mais uma vez com gol no final da partida e um jogador a mais, como na partida anterior e outras mais.

Percebe-se que os ônibus das delegações estão estacionados bem próximos, separados do público por um portão de correr. "Por que não dar um tempo aqui, ver se alguém aparece?" Foi a idéia de um dos torcedores supracitados.

Não demora muito para que Sílvio Guimarães, presidente do Sport, aparece próximo ao ônibus.

"Sílvio, chega aí."

Falando ao celular, o dirigente faz, com uma das mãos, o sinal de "aguarda um momento". Desliga o aparelho e se dirige aos torcedores. Visivelmente irritado com a situação do time, se mostra bastante solícito e recebe palavras de apoio. Fala que está trabalhando demais (o que é verdade), que viajará até Brasília para se reunir com parlamentares de Pernambuco e com o presidente da CBF Ricardo Teixeira para discutir assuntos financeiros. Fala que haverá dispensas e mais contratações. Perguntado se havia "panelinhas" no time, responde que "não tem panelinha, tem ruindade mesmo", sem deixar claro se é na parte técnica ou de motivação. Após uns 10 minutos de conversa, se despede.

Alguns jogadores vão direto até o ônibus. Luciano Henrique, autor do gol que seria o do empate caso o time não tomasse o segundo aos 45 da etapa final, vem até os torcedores. Os cumprimenta e é umprimentado.  Visivelmente abatido e inconformado, promete lutar para tirar o Sport da situação terrível em que o time está mergulhado. Se despede e vai conversar com amigos.

Elder Granja vem em seguida. Conversa bastante com os torcedores. Mostra-se ainda mais abatido do que Luciano Henrique. Confessa não entender como o time não consegue vencer. "O Kleber do Cruzeiro me perguntou após o jogo lá em Belo Horizonte como é que nosso time estava tão mal na tabela, disse que foi um dos jogos mais difíceis do ano para o Cruzeiro". Perguntado sobre o que era preciso fazer para sair da situação, foi direto: "Temos que vencer, ora, tem que ter atenção. O jogo só termina quando o juiz apita. É incrível, mas parece que tem gente não sabe disso". Estava dada a pista de que há jogadores desconcentrados. Perguntado sobre o assunto, declinou afirmando que "não acredita em desmotivação, pois temos o melhor emprego do mundo, somos pagos em dia para fazer o que gostamos, que é jogar futebol. Não tem essa de falta de motivação."

Um amigo o cumprimenta enquanto outros jogadores aparecem. Jonas, lateral-esquerdo e um dos piores do time, parece temeroso ao se aproximar. Cumprimenta secamente e diz "Pô, perdemos de novo, tomar no cu" e se afasta. Logo ele, que visivelmente tirou o corpo da trajetória da bola no segundo gol do Barueri, no final de jogo. Que foi um dos piores em campo. Um clima ruim se cria, fortalecendo a sensação de que, além de ruim de bola, Jonas é ruim de caráter também.

O goleiro Magrão aparece. Cumprimenta um senhor que parece ser seu pai (Magrão é de Carapicuíba, cidade próxima a Barueri). É cumprimentado por torcedores, mas não parece estar muito a fim de conversa. É apresentado a um homem que se diz empresário. Não conversa muito com ele também. Definitivamente não estava muito disposto a falar.

César, que falhou no primeiro gol do Barueri e teve uma atuação desastrosa (não muito diferente da últimas), vai até um grupo de pessoas, aparentemente familiares. Chora no ombro de uma senhora, provavelmente sua mãe. Percebe-se no seu rosto que está muito abatido com a derrota e com seu desempenho. Aquilo desarma qualquer pensamento hostil. Da raiva à compaixão em alguns segundos.

Igor também aparece. Apesar da voz serena, mostra-se muito chateado. Conta que o filho de dois anos torce para o Sport, que o cobra e que está muito triste. "Porra, já não passo tanto tempo quanto gostaria com ele e toda vez tenho que explicar para ele porque o time perdeu de novo. Eu adoro o Sport e não me conformo com essa situação."

Elder Granja volta a conversar com os torcedores. "Ainda dá para reverter a situação. Ser rebaixado seria horrível para o time para os jogadores. Ninguém quer ser rebaixado. Eu não quero ser rebaixado. Não quero ter meu currículo manchado. Não quero ver esse time sensacional cair.". Sobre a pressão que o time vem sofrendo, é incisivo: "Quem joga num clube de massa e não suporta pressão, que peça para sair. Vai jogar pelada, pô. Esse papo de que a pressão está atrapalhando é conversa mole.".

De longe, o lateral-direito é o que se mostra mais solícito. Em nenhum momento faz menção de que quer encerrar a conversa. Perguntado sobre as escolhas do treinador (Elder foi barrado no time e só entrou no segundo tempo, quando fez o cruzamento que acabou no gol de Luciano Henrique), "Porra, eu tô treinando bem, tô jogando bem e saio do time. Não dá para entender. Mas prefiro não falar nisso, o treinador faz o trabalho dele, eu faço o meu".

Daniel Paulista, que se recupera de cirurgia e tinha ido a São Paulo para um retorno médico, também conversa. "Queria muito estar em campo, não aguento estar parado e ver o time mal. Mas ainda vou ficar 4 meses me recuperando." Fica no time ano que vem Daniel? "Tenho contrato e quero ficar. Se cair, tem que subir logo, já no ano que vem. O Sport não pode ficar na segunda divisão como ficou aqueles anos todos.". "Só não inventa de ir pra Romênia de novo, Daniel". "Não, não vou. Mas aquilo foi bom pra nóes, eu e o time, não foi?" (Daniel foi vendido a um clube da Romênia que atrasou seus salários e acabou o liberando de graça para voltar ao Sport).

Durante os cerca de 50 minutos de conversa (cerca de metade deles só com Elder Granja), não se viu nenhum jogador se cumprimentar, nem conversarem entre si. Sinal de que, por mais que se tente esconder, há sim problemas de relacionamento no grupo.

Uma pena. 

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Postado por mautargino | Comentários (2)

Transformando perder jogos em arte... ou seria maldição?

Sexta-feira, 21 Agosto 09, 10:10 AM

O Sport perdeu mais uma vez. Já não tem mais graça, já não é mais notícia, zoar não diverte, ser zoado não irrita mais. É um tal de conformismo compulsório com a Série B que... não tem nem mais palavras.

Todo mundo sabe que o Sport perdeu 13 partidas em 20 disputadas. Mas pouca gente atenta para o fato de que, destas 13 derrotas, apenas duas, isso mesmo, DUAS foram por mais de um gol de diferença. São 11 derrotas por um gol de diferença, em jogos que poderiam ser vencidos ou ao menos empatados.

Dentre essas 11 derrotas por um gol, cinco, isso mesmo CINCO, forma com gols tomados após os 40 minutos ou pior, nos acrescimos. Pior que isso, três delas aconteceram com o Sport em vantagem numérica de jogadores.

Contra o Barueri, pareceu o velho Cinema em Casa, que embalava as tardes do SBT. Reprise, reprise, reprise. A diferença é que o Cinema em Casa dava um espaço de, vá lá, 3 semanas a um mês para reprisar um filme. O Sport demora apenas 3 dias.

Cesar perde a bola no meio-campo, a bola chega em Val Baiano e gol do Barueri. Três dias antes, Cesar "fudeu" a linha do impedimento e Washington marcou para o São Paulo. Sai para o intervalo perdendo por 1x0 nos dois jogos

O Sport parte para cima, mete três bolas na trave (uma delas antes de sofrer o gol), pressiona, pressiona e, no abafa, empata. Duas diferenças: contra o São Paulo, foi Fabiano aos 40 minutos. Contra o Barueri, foi Luciano Henrique, aos 20.

Seriam 25 minutos mais os acréscimos para marcar um golzinho, um golzinho apenas, e virar o jogo. Então entrou a jeguice, a imbecilidade plena, a burrice absoluta. Na verdade, antes do jogo.

Péricles Chamusca escala Moacir, que é volante, na lateral-direita, e deixa Elder Granja, lateral-direito, no banco. Ora, Moacir cruza mal pra cacete, ao contrario de Elder, que é quase um Magic Johnson com os pés. Detalhe: no onze titular estava Lincom, um atacante de quase 2 metros de altura. E nada de bola cruzada na area até a entrada de Elder no segundo tempo. E na outra lateral estava Jonas, que dispensa qualquer comentário.

Aos 33 do segundo tempo, expulsão no Barueri, que acuou-se. Então, tome jeguice: o time continua com 3 zagueiros, sai um atacante (Arce) e entra um meia (Eduardo). O Baruer, com Basílio (aquele mesmo, o carequinha) parece ter dois a mais em campo.

Aos 45, a catástrofe anunciada. Andrade vacila pelo lado direito da defesa, Thiago Humberto recebe dentro da área, tem tempo de ajeitar e mandar no canto de Magrão. No caminho, Jonas tira o corpo da trajetória da bola.

Que tristeza.

PS: Ao final do jogo, este escriba conseguiu conversar com alguns jogadores do Sport e com o presidente Sílvio Guimarães. Amanhã posto sobre isso, mas o irmão do escriba já se antecipou e publicou a versão "dele" aqui.

 

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Postado por mautargino | Comentários (3)

Golear pra quê?

Quinta-feira, 22 Janeiro 09, 07:03 PM

Dá nisso mesmo. É só o Sport marcar nove gols nas três primeiras partidas do segundo campeonato mais difícil do mundo (o mais difícil, todos sabem, é o campeonato pernambucano da segunda divisão), que todo mundo espera que o Leão goleie quem atravessar seu caminho. Na Ilha do Retiro então, nem se fala.

O irmão deste que vos escreve que o diga: apostou 5x0 para o Sport sobre o Sete de Setembro no bolão. Cautela, bro!

A verdade é que o Sete adotou uma postura coerente: se fechou mais do que cu de detento na hora do banho e a bola que passasse ficava na responsa de Mondragon. E há de se convir: o cara pegou muito. Tanto que ofuscou a estréia de Paulo Baier.

Tudo bem que o Sport também deu sua ajuda. O lateral-direito Jonas fez a galera sentir saudades de Sidny. Luciano Henrique a cada jogo que passa mostra que é melhor como atacante recuado do que como meia avançado. Bem marcado, Ciro não teve AQUELA chance. Tudo bem que Sandro Goiano faz ótimos passes de 50 jardas, mas uns pontapés bem dados não fazem mal a ninguém, exceto aos adversários.

E enquanto isso, dá-lhe Mondragon. Féadaputa! Intervalo, reconhecimento do empenho do time, e coisa e tal. Mas jamais o Sport será aplaudido com o placar da Ilha marcando 0x0 ao final do primeiro tempo. Cornetar é preciso.

Veio o segundo tempo e Nelsinho Baptista mostrou que é o Rinus Michels dos trópicos: tirou o pereba do Jonas e pôs César, deslocando Igor para a lateral-direita. Tirou Wilson e pôs Fumagalli, adiantando Luciano Henrique. Nove minutos depois, Luciano Henrique, no meio de uma confusão dos infernos chuta forte no canto de Mondragon. Com um nome desses, o goleiro setembrino tinha que fazer uma bobagem. E fez. Defendeu com a mão direita, tentou encaixar com a esquerda e empurrou a bola para o gol. Ciro estava lá para conferir, mas a bola já tinha entrado. O árbitro deu gol de Ciro, mas foi LH o autor do gol solitário.

Antes do final do jogo, teve até bicicleta de César e gol anulado de Ciro. Mas pra que golear, se os três pontos vieram do mesmo jeito. Ser Sport, amigos, é isso. Comemorar vitória apertada em casa contra o Sete de Setembro como se fosse goleada sobre o Manchester United dentro do Old Trafford. Thanks, God!

Outras

Vai gastando a sorte, Barbie. Achou o gol da vitória depois de quase tomar uma virada histórica do Ypiranga.

O Santa Crúcis aos pouquinhos vai garantindo vaga para a disputar a Série D.

O Porto continua mostrando que não está para brincadeiras. Virada no clássico de Caruaru (o único clássico de verdade no Pernambucano da Primeira Divisão) e continua na co-liderança. Domingo o bicho vai pegar.

 

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Postado por mautargino | Comentários (10)

Vamo que vamo

Terça-feira, 20 Janeiro 09, 08:08 AM

Existem campeonatos estaduais que impedem qualquer discussão a respeito de seu nível técnico. O maior exemplo deles é o campeonato pernambucano, uma espécie de Libertadores disputada longe do frio e mais longe ainda da altitude.

Times às vezes não tão técnicos (se é que ainda existe a palavra técnica no futebol), mas sempre aguerridos. Um bom exemplo disso é o valoroso Serrano, adversário do Sport na terceira rodada do certame.

Sabendo do abismo digamos, técnico, que separava as equipes, o Serrano fez o óbvio: fechou-se mais do que tartaruga ameaçada e esperou a hora certa de dar o bote. Mas o Sport não deixou que essa hora chegasse.

Muito pelo contrário: ao perceber que jogar com três zagueiros não era necessário, o treinador Nelsinho Baptista logo sacou César (que por sua vez já tinha desperdiçado mais de uma chance de gol) e pôs Luciano Henrique. Bingo!

Não foi um cruzamento primoroso de Fumagalli. A bola passou uns cinqüenta metros da cabeça de Ciro (o objetivo presumível da jogada), mas Luciano Henrique não bobeou e mandou de cabeça para o gol, dois minutos após entrar em campo. Ferrolho serrado.

Daí parece que o mascote da equipe de Serra Talhada entrou em campo. Sim, porque o coice frontal de Paulinho em Luciano Henrique foi coisa de jumento, o tal do mascote do time sertanejo. Luciano Henrique incomoda muita gente.

Veio o segundo tempo e o “jumento spirit” baixou em Gaspar. Mais uma expulsão, também merecida. Mesmo assim, o Sport não queria fazer gols. 11 contra 9 é covardia (se bem que tem um time que manda seus jogos numa casinha purpurinada que conseguiu com 11 perder para um time de 7).

Mas depois de um tiro de meta cobrado diga-se, jumentamente, pelo Serrano, tudo que Sandro Goiano (que estava no jogo citado nos parênteses anteriores, arrebentando o time purpurinado, claro) pôde fazer foi dar um passe perfeito para Ciro.

E quando a bola chega para Ciro todo mundo sabe como história termina. Sport 2x0, aos 15 do segundo tempo.

Já que tava tudo beleza mesmo, claro que o gênio do jogo e da raça, Sandro Goiano, tinha que fazer o seu gol. Mas não foi um gol qualquer. Wilson acertou um passe perfeito para o Zangief dos Gramados, que avançou entre a zaga, driblou o goleiro, mandou pro gol, comemorou, xingou o bandeira, mandou o árbitro se fuder, pediu reforços à diretoria e ainda disse a Durval que quem vai dar a primeira porrada em Carlinha Jujuba (ex-Carlinhos Bala) no clássico (hein?) contra o Náutico seria ele. Durval, que não é besta, propôs par ou ímpar ou quem sabe um cara e coroa para decidir a questão. Sandro Goiano bateu o pé e já existe ameaça de racha. Na perna de Carlinha Jujuba, não no elenco do Sport.

Outras 

Carlinha Jujuba marcou, de falta, seu primeiro gol pela Barbie, que não passou de um empate em casa contra o Salgueiro.

O Santa Crúcis voltou a atuar no Imundão do Arruda, para delírio da massa sarnenta. Vitória apertada contra o Central.

O verdadeiro rival do Sport em Pernambuco é o Porto. Mais um 4x0, desta vez contra o Petrolina. Tal como o Sport, não tomou gol em três rodadas e ainda marcou dois a mais. Dia 25, confronto entre os dois.

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Postado por mautargino | Comentários (2)

50 rodadas na liderança

Quinta-feira, 15 Janeiro 09, 08:10 AM

Após uma estréia tranqüila no Campeonato Pernambucano, o Sport foi até Salgueiro enfrentar o mais difícil de seus adversários no estadual.

Não, não houve clássico no sertão. Até porque clássico pernambucano, na opinião deste que vos escreve, só existe um: Sport x América. E o alviverde de Casa Amarela, infelizmente, há anos não disputa a primeira divisão estadual.

Por falar nos supostos adversários de dos clássicos, eles também jogaram pela segunda rodada. Mas este não é o foco deste post.

Bem, depois de enrolar o leitor nos três parágrafos anteriores, vamos a Salgueiro x Sport. O segundo melhor time do estado começou o jogo tomando sufoco do Leão. Muito sufoco. Ciro e Fumagalli faziam de tudo no ataque, menos o que interessa, aquela palavra de três letras, habitualmente acompanhada de uma exclamação.

Também no sertão, mas em Serra Talhada, as bonequinhas rosadas borravam a maquiagem para segurar o empate contra o Serrano, o único time que conseguiu vencer o melhor de todos no estadual 2008. Ah, teve também estréia de uma nova boneca, de nome Carlinha Jujuba**.

Antes que se pudesse chegar até essa linha do texto, um tal de Santa Crúcis já perdia para o Porto em Caruaru.

Em Salgueiro, jogo difícil e equilibrado. Típico de times grandes como o Sport e, principalmente, o time da casa.

A estréia de Jujuba, transmitida pela TV, fazia alegria dos insones. Nada acontecia e Jujuba nada fazia. E, como diria o técnico das rosinhas da Rosa e Silva, o juiz prejudicava. Mas quem dá ouvidos a uma boneca xiliquenta como Betinha Fernanda*?

E o Santa Crúcis toma o segundo gol.

Em Salgueiro, está na cara que Salgueiro e Sport são times muito bons para serem vencidos. Mas havia um detalhe, de quatro letras: Ciro. O estreante Guto, que entrou no segundo tempo, ajeitou de cabeça após cobrança de lateral para o matador girar e chutar no canto aos 34 do segundo tempo. Claro que o primeiro gol de Ciro como profissional fora da Ilha do Retiro (sétimo na carreira e terceiro no Pernambucano 2009) tinha que ser marcado em sua cidade natal, Salgueiro.

As rosadinhas seguiam sem fazer nada, já sem Jujuba**, que já pipocou na estréia e foi subistituída.

E o Santa Crúcis tomava o terceiro.

Guto recebeu de Ciro, invadiu a área e foi derrubado. Pênalti que Luciano Henrique, que substituiu Fumagalli, teve de cobrar três vezes até ser validado.

Algo tina que ser feito em Serra Talhada. Afinal o Sport não podia abrir quatro pontos de vantagem sobre as bonequinhas logo na segunda rodada. E esse “algo” logo foi feito. Pênalti para as rosadinhas, convertido por Gilmar. Que só precisou cobrar uma vez.

O Santa Crúcis já tinha levado o quarto do Porto.

Fica no ar a pergunta: algum torcedor do Sport sente saudades daquele que um dia se chamou Drogbala e hoje não passa de Jujuba?

Pois se Carlinhos Bala é problema, Ciro é solução.

E o Sport segue líder do Pernambucano há nada menos que 50 rodadas. Desde o segundo turno de 2006 não há ninguém à frente do Leão. Se bem que hoje tem alguém para dividir a liderança: o Porto.

Afinal, essa pré-temporada formalmente chamada de Campeonato Pernambucano tinha que ter alguma graça, não acham?

*Tecla Sap: Roberto Fernandes

**Tecla Sap:Precisa mesmo?

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Postado por mautargino | Comentários (11)

Mais provocação...

Quarta-feira, 15 Outubro 08, 05:50 PM

Desafio o amigo Zecarrera a postar um vídeo de uma final de campeonato one o Náutico tenha vencido o Sport.

Eu mando essa. Não foi final, mas foi a conquista do estadual de 2007 com duas rodadas de antecedência.

 
E aí, Zecarrera? Achou o vídeo?

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Postado por mautargino | Comentários (1)

As lágrimas de Ciro

Sexta-feira, 01 Agosto 08, 09:28 AM

Dizer que o tal futebol é fascinante quase sempre não passa de um mero lugar comum. Ainda mais no tal “futebol moderno” quando jogadores trocam de clube com a mesma freqüência com que se trocam pneus de carros de Fórmula 1 e o dinheiro fala mais alto.

Mas às vezes, bem às vezes mesmo, o tal fascínio se mostra verdadeiro. Sincero. Não foi o caso do primeiro tempo de Sport x Ipatinga. 45 minutos de nada, um vácuo futebolístico irritante. Mas como o Sport jogava em casa contra o lanterna do campeonato, o roteiro dizia que a vitória leonina era óbvia.

E veio no segundo tempo, começando com a arrancada de Daniel Paulista e o passe que deixou Carlinhos Drogbala de frente para a retaguarda adversária. Placar descabaçado.

Então foi a vez de o mundo ser apresentado a Ciro. Mas quem diabos é Ciro? Este escriba confessa que tudo o que sabia de Ciro era que era mais um “das divisões de base”, aqueles jogadores do Sport que entram quase sempre na fogueira, se queimam com a torcida e acabam emprestados a times da Paraíba ou vendidos para a segunda divisão da Polônia, Portugal, Grécia...

Ciro substituiu Enílton, que há muito tempo pouco ou nada faz em campo. Em tempo: Ciro pôs mais fogo na partida do que Nero pôs em Roma. Primeiro ele recebeu de Carlinhos Drogbala, invadiu a área, entortou o zagueiro e foi derrubado. Pênalti que Luciano Henrique cobrou, com paradinha, e aumentou a vantagem.

Como o Sport não pode golear, tratou logo de tomar um gol. Falta cobrada por Beto, barreira abre, Magrão pula atrasado e 2x1 no placar.

Então veio o ato final, a apoteose, a epifania. Ciro avançou pela esquerda, entrou na área, livrou-se de dois adversários e acertou um chutaço com a parte externa do pé direito. Golaço e lágrimas. De um garoto que fez 34 gols em 29 jogos no time de juniores e acabava de marcar seu primeiro gol como profissional e teve seu nome gritado por quase 25 mil torcedores.

Numa partida contra o pior time do campeonato, Ciro comemorou como se tivesse marcado o gol da vitória no último minuto de uma final de Copa do Mundo.

Pela primeira vez no campeonato o Sport marcou três gols numa partida, conseguiu a terceira vitória seguida, alcançou a sétima colocação no campeonato e Nelsinho Baptista chegou aos 50 jogos no comando do time.

Mas bacana mesmo foram as lágrimas de Ciro.

Agora a idolatria pro lado dele vai aumentar e ele precisa ter cabeça no chão.” Carlinhos Drogbala, profeta e filósofo, sobre Ciro.

Outras

O Náutico perdeu mais uma e agora está a apenas um ponto do lugar que merece.

Depois de perder para Ipatinga, lanterna, e para o Santos, em casa, bem que o Inter merece um apelido que os gremistas vão adorar: Internacionáutico.

Gallo, antevendo o reencontro com o Sport que o “adora” tratou logo de tomar providências: levou seis do Vasco e foi demitido do Galo

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Postado por mautargino | Comentários (4)