Sábado, 07 Fevereiro 09, 08:23 AM
Definitivamente, a ansiedade e a expectativa da estréia na Libertadores 2009 está afetando o Sport Club do Recife. Mesmo os 100% de aproveitamento no segundo campeonato de futebol mais difícil
do mundo (o primeiro, se alguém ainda não sabe, é a Segunda Divisão de Pernambuco) não esconde a verdade inocultável: a porra do 18 de fevereiro, data da estréia na Libertadores (uma espécie de
Campeonato Pernambucano com frio, altitude e participação do Boca Juniors) tem que chegar LOGO!
O que se viu na última quarta-feira na Ilha do Retiro, foi sintomático dessa ansiedade: torcida pressionando o time, pois ninguém aceitou o fato do Santa Crúcis enfiar sete no Serrano momentos
antes lá no Imundão do Arruda e o Sport sofrer para romper a retranca catenacciana da Cabense. Ninguém aceitava que, de bengala, Marcelo Ramos marcaria três gols e passaria Ciro, que perdeu
gols feitos conra a Cabense, na artilharia do campeonato.
E o 0x0 persistia no placar ao final do primeiro tempo. Irritação geral na arquibancada, nas sociais, nas cadeiras nos camarotes e na... geral.
Hora de Nelsinho “Rinus Michels” Baptista entrar em ação. Saída de Jonas para a entrada do volante Moacir, improvisado na lateral. Weldon no lugar de Ciro. Nem Moacir cruzou nem Weldon cabeceou
para abrir o placar aos 9 minutos do segundo tempo. Isso coube sim a Dutra e Guto, respectivamente.
O gol não desmontou a retranca da Cabense nem inflamou o ataque leonino. O jogo permaneceu difícil, pegado, e quase os visitantes empataram de forma surpreendente, num contra-ataque que Fabinho
(ex-promessa do Sport, no início do século) chutou para uma defesa cósmica de Magrão.
Então veio a hora da genialidade: Paulo Baier, o bom, tocou para Fumagalli, o gênio, que chutou cruzado. O que parecia um arremate mal-executado revelou-se na verdade um passe genial para o
mesmo Paulo Baier que, como uma flecha, invadia a área para concluir.
A peleja estava definida, mas Weldon ainda resolveu sofrer um pênalti. Só para deixar o gênio Fumagalli bater. Aí...
Bem, apesar da cena triste que vocês viram no link, a vitória veio e a vida segue, assim como os 100% de aproveitamento no segundo campeonato de futebol mais difícil do mundo.
E se o leitor ainda não aprendeu qual o mais difícil, que volte ao parágrafo inicial do texto.
Terça-feira, 03 Fevereiro 09, 08:14 AM
O primeiro tempo da partida entre Sport e Petrolina foi típico do segundo campeonato mais difícil do mundo: time visitante mais fechado do que a Albânia e um calor vesuviano no gramado da Ilha do Retiro, enfim, um jogo feio pra cacete.
Veio o segundo tempo e... algo aconteceu. Nelsinho Baptista, o Rinus Michels dos trópicos, trocou Sidny e Guto por Fumagalli e Weldon, que mais uma vez reestreava no Sport. Paulo Baier foi deslocado do meio para a lateral-direita e aos sete minutos já acertava um passe preciso para Weldon acertar AQUELE chute.
Porra, Weldon! Chega de pensar só em dinheiro! Golaço.
Aos 23, Weldon voltou a atacar e aproveitou um cruzamento genial do ZAGUEIRO (em Caps Lock mesmo, esse merece) Durval. Dois minutos depois, o próprio Durval voltou a balançar as redes, pois zagueiro que é zagueiro não pode passar mais de sete jogos sem fazer gol.
A quinze minutos do fim, com Durval e Sandro Goiano, bateria e baixo/vocal do Sporthëad, já suspensos pelo terceiro cartão amarelo (os velhinhos têm mais é que descansar mesmo) e a vitória garantida, era hora de tomar um gol. Pra desopilar, ora, afinal a pelada tem que ter uma graça, não acham?
Douglas conseguiu o que apenas Assis do Ypiranga havia conseguido: marcar um gol no Sport em 2009. Agora são dois gols sofridos em sete jogos, contrapondo-se à irrisória marca de 18 marcados, 100% de aproveitamento, enfim essas estatísticas que servem para dar volume a um post que demorou tanto a sair.
Enfim, leitores, está começando a ficar difícil achar assunto nesse campeonato pernambucano. E que continue assim.
Deixe de preguiça e veja os gols aqui.
Outras
Barbie e Sarnentos deram aquela força ao empatar em 2x2 e deixar o Sport com cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado a quatro jogos do final do primeiro turno. Este escriba agradece aos sparrings.
Terça-feira, 20 Janeiro 09, 08:08 AM
Existem campeonatos estaduais que impedem qualquer discussão a respeito de seu nível técnico. O maior exemplo deles é o campeonato pernambucano, uma espécie de Libertadores disputada longe do frio e mais longe ainda da altitude.
Times às vezes não tão técnicos (se é que ainda existe a palavra técnica no futebol), mas sempre aguerridos. Um bom exemplo disso é o valoroso Serrano, adversário do Sport na terceira rodada do certame.
Sabendo do abismo digamos, técnico, que separava as equipes, o Serrano fez o óbvio: fechou-se mais do que tartaruga ameaçada e esperou a hora certa de dar o bote. Mas o Sport não deixou que essa hora chegasse.
Muito pelo contrário: ao perceber que jogar com três zagueiros não era necessário, o treinador Nelsinho Baptista logo sacou César (que por sua vez já tinha desperdiçado mais de uma chance de gol) e pôs Luciano Henrique. Bingo!
Não foi um cruzamento primoroso de Fumagalli. A bola passou uns cinqüenta metros da cabeça de Ciro (o objetivo presumível da jogada), mas Luciano Henrique não bobeou e mandou de cabeça para o gol, dois minutos após entrar em campo. Ferrolho serrado.
Daí parece que o mascote da equipe de Serra Talhada entrou em campo. Sim, porque o coice frontal de Paulinho em Luciano Henrique foi coisa de jumento, o tal do mascote do time sertanejo. Luciano Henrique incomoda muita gente.
Veio o segundo tempo e o “jumento spirit” baixou em Gaspar. Mais uma expulsão, também merecida. Mesmo assim, o Sport não queria fazer gols. 11 contra 9 é covardia (se bem que tem um time que manda seus jogos numa casinha purpurinada que conseguiu com 11 perder para um time de 7).
Mas depois de um tiro de meta cobrado diga-se, jumentamente, pelo Serrano, tudo que Sandro Goiano (que estava no jogo citado nos parênteses anteriores, arrebentando o time purpurinado, claro) pôde fazer foi dar um passe perfeito para Ciro.
E quando a bola chega para Ciro todo mundo sabe como história termina. Sport 2x0, aos 15 do segundo tempo.
Já que tava tudo beleza mesmo, claro que o gênio do jogo e da raça, Sandro Goiano, tinha que fazer o seu gol. Mas não foi um gol qualquer. Wilson acertou um passe perfeito para o Zangief dos Gramados, que avançou entre a zaga, driblou o goleiro, mandou pro gol, comemorou, xingou o bandeira, mandou o árbitro se fuder, pediu reforços à diretoria e ainda disse a Durval que quem vai dar a primeira porrada em Carlinha Jujuba (ex-Carlinhos Bala) no clássico (hein?) contra o Náutico seria ele. Durval, que não é besta, propôs par ou ímpar ou quem sabe um cara e coroa para decidir a questão. Sandro Goiano bateu o pé e já existe ameaça de racha. Na perna de Carlinha Jujuba, não no elenco do Sport.
Outras
Carlinha Jujuba marcou, de falta, seu primeiro gol pela Barbie, que não passou de um empate em casa contra o Salgueiro.
O Santa Crúcis voltou a atuar no Imundão do Arruda, para delírio da massa sarnenta. Vitória apertada contra o Central.
O verdadeiro rival do Sport em Pernambuco é o Porto. Mais um 4x0, desta vez contra o Petrolina. Tal como o Sport, não tomou gol em três rodadas e ainda marcou dois a mais. Dia 25, confronto entre os dois.
Segunda-feira, 12 Janeiro 09, 08:34 AM
Não foi um show do Ramones, mas até pareceu. Tal como em 2008, o Sport estreou em casa com uma vitória de 4x0, mas desta vez o adversário foi o Acadêmica Vitória (que pelo jeito, só tem vitória mesmo no nome).
Assim como os gênios de Nova York, o começo foi difícil. Se no primeiro show dos Ramones, a correia do baixo tocado por Dee Dee arrebentou e o instrumento foi ao chão e quebrou no meio, na estréia do Sport, o adversário mandou bola na trave e fez gol no rebote antes dos dez minutos. O tento foi corretamente anulado.
O jogo seguiu difícil até Ciro ser derrubado na área. Pênalti para Fumagalli cobrar. Aos 12 minutos. Tempo de quatro ou cinco músicas do Ramones
O gênio incompreendido, o Joey Ramone dos gramados bateu mal e o goleiro defendeu. Mas a invasão da área pelos jogadores do Vitória desencadeou a repetição da cobrança.
Então o gênio marcou o primeiro gol do campeonato pernambucano. Só podia ser ele.
Aos 31, Alan do Vitória resolveu facilitar ao ser expulso por jogada violenta. Um minuto depois Ciro, o CJ Ramone da Ilha, aproveitou o rebote de Wilson para marcar o segundo.
Ciro, que há pouco mais de dois anos vibrava com as jogadas e gols de Fumagalli, agora joga ao lado de seus ídolos. Assim como CJ Ramone, que antes de entrar para a banda, ia a todos os shows possíveis.
Antes do fim do primeiro tempo, Sidny passou para Sandro Goiano que cruzou para Ciro CJ marcar o terceiro. Sandro não comemorou nem sorriu, incorporando o jeitão mau humorado do guitarrista Johnny Ramone.
Veio o intervalo, que ao invés de quinze minutos durou uma hora. Sim, porque não aconteceu porra nenhuma até os 46 da etapa final, quando Kássio fez da simplicidade a genialidade e fechou o
placar.
Com três acordes, os Ramones gravaram mais de duas dezenas de discos. Com três gols no primeiro tempo, o Sport garantiu a vitória na estréia. Para não ficar tão parecido com os Ramones, Kássio tratou de garantir a goleada por 4x0. O Sport busca o tetra pernambucano. Coincidência?
Claro que sim. O objetivo principal é a América e o Mundo.
Outras
Santa Crúcis saindo do buraco? Ao menos estreou vencendo o Sete de Setembro fora de casa.
Náutico se fudendo? Empatou em casa com a Cabense graças a um frangaço. Que se foda ainda mais!
Sábado, 14 Julho 07, 05:05 PM
Dança, dança, dança, dança da bundinha
Na Ilha do Retiro, o galo virou galinha
Olha só, olha só que coisa boa
Na Ilha do Retiro, o galo virou leoa
Quando senta no espeto
Galo vira galeto
Não respeito o Atlético-MG. Contra eles me comporto mal, seja lá qual for o resultado. Nunca nos venceram na Ilha do Retiro. Eram 15 jogos até esta rodada. Dez empates e cinco vitórias nossas.
Não os respeito desde os 6x0 que enfiamos no poleiro deles em Belo Horizonte em 2000. E os 4x0 na Ilha em 2003.
Em 2006, pela Segundona, empatamos em 0x0 na Ilha num jogo onde se via mais chuva do que gramado ou bola. Na capital das Alterosas, vitória deles por 2x0.
Diogo marca um gol a la Josimar em 1986, aos 17 minutos de jogo. Carlinhos Bala ainda tem uma boa chance no primeiro tempo.
Aos 4 do segundo tempo, ainda nostálgicos de Fumagalli, o estreante Romerito cava uma daquelas faltas que o Fuma adorava bater. Carlinhos Bala honrou a nostalgia. Hora de tirar o galeto da brasa.
Romerito ainda mandou uma bola na trave. Mas nem precisava fazer mais. Conseguimos passar uma partida sem tomar gols. Ainda que o adversário não tenha lá um dos ataques mais poderosos do
campeonato, com 13 gols em 11 jogos.
E olhe que perdemos quatro titulares em duas rodadas. Dois por lesão e dois que foram embora. Falou-se tanto nas conseqüências do desmanche do elenco e já temos dois substitutos para Fumagalli (Adriano Gabiru e Romerito) um para Gabriel (Gustavo) e até Fábio Gomes, que estava encostado no banco, jogou bem contra a Galinha, ops, Galo.
Quarta-feira temos um desafio mais consistente, contra o Figueirense no frio de Floripa. Sabe aqueles jogos que você marca na tabela como vitória improvável do seu time? Figueirense x Sport é um desses.
Mas depois de ver Geninho montar o time com o que tinha e vencer sem tomar gols, dá para acreditar em tudo, até na vitória sobre o bom Figueira num frio de rachar.
Quarta-feira, 04 Julho 07, 05:03 PM
Ariano falou, Ariano avisou.
Antes da partida, disputada no esdrúxulo horário de 4 da tarde de uma quarta-feira, homenagem a uma construção septuagenária chamada Ilha do Retiro e um gênio octogenário chamado Ariano Suassuna. A Ilha do Retiro fez 70 anos no dia 1º de julho e recebeu 32.337 expectadores na tarde desta quarta. Entre os expectadores, destaque para Haroldo Praça, ex-jogador, jornalista e historiador. Aos 92 anos, ele é o último jogador vivo da partida inaugural do estádio, uma vitória de 6x5 do Sport sobre a Sarna do Arruda. O gol da vitória daquela partida foi do velho Haroldo, que reviveu no gramado a cabeçada fatal que decretou o placar daquela partida disputada em 1937.
Já Ariano Sussuna completou 80 anos no último dia 16 de junho. Mas parece que sempre existiu. Antes do jogo, perguntaram-lhe quai seria o placar da partida. Resposta no título do post.
Sim, o jogo foi feio, muito aqüém da homenagem ao estádio, ao artilheiro Haroldo e ao escritor Ariano Suassuna. Mas, na sinceridade, quem diabos se importa com isso?
Quem se importa com o fato de, aos trinta minutos de jogo o Corinthians tenha feito 21 faltas e o Sport, cinco. Nem me dei ao trabalho de conferir as estatísticas finais.
O que importa é a falta cobrada por Carlinhos Bala que a zagambá (zaga+gambá, gostei) ficou olhando e Washington e Igor se embolaram e este último mandou pra rede. Gol pra lá de safado, mas que fez o Sport sair na frente no segundo jogo seguido. Dá-lhe Geninho e seu 3-5-2!
Isso foi aos 46 do primeiro tempo. No segundo, Carpegiani trocou Pedro Silva e Bruno Bonfim por Welliton e Dinelson. E aos 12, numa bela jogada pela direita, Dinelson bateu no cantinho de um estático Cléber. Era o empate de um Corinthians que voltou muito melhor para o segundo tempo.
Washington parecia dormir em campo e Geninho trocou-o por Weldon. O setor defensivo também não se entendia e ele trocou o volante Bia (que Deus o mantenha na reserva) pelo zagueiro Du Lopes. Igor foi avançado para fazer a função de volante e estava mantido o esquema. Dá-lhe Geninho e 3-5-2!(2x)
E eis que aos 35, Weldon arrancou do meio campo, correu mais do que a McLaren de Lewis Hamilton, deu um corte seco que mandou Betão pra casa de cacete e fuzilou Felipe, marcando um golaço.
O Corinthians jogava melhor, a defesa deu espaço e nem a avó de Carpegiani levaria o drible que Zelão levou. Mas volto a repetir a pergunta, na sinceridade, quem diabos se importa com isso?
Sufoco corintiano, mas não teve jeito. Tal como em 2001, o último confronto entre o Leão da Ilha e o Corinthians, 2x1 para o Rei da Selva. Agora está 9 a 6 em vitórias para nós. Reclamem com o Sveiter agora!
Ao contrário do que o Rubão está fazendo esta semana, deixo o esço aberto para reclamações, ofensas e lamentações dos corintianos. O nobre Reinério está convidado a abrir os trabalhos. Afinal, tal como o software, o choro é livre!
On A morte diante dos olhos