Sexta-feira, 30 Novembro 07, 09:14 PM
Em turnê secreta de duas semanas pelo Brasil, o Pink Floyd, no formato quinteto, fez seis shows, todos para públicos pequenos. O último deles aconteceu em São Paulo, um dia depois da partida entre Brasil e Uruguai pelas eliminatórias. Em seguida, visitaram Ouro Preto (não houve show, apenas uma jam session de Nick Mason com músicos locais) e no domingo, 25 de novembro, foram a Belo Horizonte para retornar em direção à capital paulista e de lá seguirem de volta a Europa. Mais uma vez a Argentina ficou de fora da turnê de uma grande banda.
Em Belo Horizonte, o já mitológico caos aéreo os deixou plantados na sala de embarque, à mercê dos fãs. Felizmente, a idade avançada, os casacos com capuzes de uns, os chapéus de outros e os óculos escuros de todos puderam manter os incovenientes à distância.
Cansado de suas leituras sobre esquerdismo, comunismo e politiquismo, Roger Waters resolveu dar uma olhada na partida de futebol na TV da sala de embarque. Estava começando o segundo tempo da partida entre Sport e Cruzeiro no Recife. Waters, torcedor fanático do Sport, avisou David Gilmour, também rubro-negro. Era única coisa em que ambos concordavam, e que durante muito tempo evitou que o Pink Floyd acabasse.
Syd Barrett estava doidão de ácido desde Ouro Preto. Percebeu Waters e Gilmour concentrados na partida e parou para assistir. De repente, a TV de cristal líquido transformou-se numa aquarela nas cores vermelha, preta, amarela, azul e branca sobre um fundo verde. Gostou da visão e ficou por ali.
Nick Mason exagerou no tutu à mineira servido no almoço e agradeceu ao atraso do vôo já que acabou tendo mais tempo e conforto no banheiro para resolver seu problema. Ficou imaginando como seria se tivessem embarcado no horário previsto. Naquela situação, o banheiro do avião seria um pesadelo.
Rick Wright, torcedor do Náutico, permanecia em silêncio, secando o rival. Sabia que o fato de torcer pelo Timbu motivava muitas brigas com Waters e, poucos sabem, foi o principal motivo para Waters expulsá-lo da banda em 1983.
Num dado momento, César acertou um híbrido de lançamento primoroso e chutão de usina em direção à direita do ataque. A bola quicou uma vez e Carlinhos Bala cruzou na área. Bem, não estraguemos o lance com palavras.
Pouco mais de vinte minutos depois, Nick Mason estava curado da caganeira, Rick Wright estava com raiva, Roger Waters berrava, em português macarrônico, "vencemos Aécio, vencemos o puto do Aécio Neves!" e David Gilmour filosofava, "um a zero é o melhor placar que existe".
Faltou Syd Barrett, que volta e meia se lembra de que torce para o Sport. Segundos antes do gol, a visão da aquarela na TV se desfez e ele viu o golaço. Desde então está internado num manicômio no qual tem passado horas seguidas falando sem parar, "Gabe who, gabe who, gabe who..."
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