Segunda-feira, 28 Janeiro 08, 06:15 AM
Quem gosta de futebol freqüentemente se depara com as famosas "listas dos melhores" ou "seleções de todos os tempos". Resolvi fazer uma nesses moldes, mas um pouco mais rara de aparecer, quiçá inédita.
Senhoras e senhores, eis o meu dream team do futebol-violência.
Goleiro:
Harald Schumacher (Alemanha): Além da clássica entrada em
Battiston, na semifinal da Copa de 82, escreveu um livro desancando a Fussball Bund (a CBF deles), acusando-a, dentre outras coisas, de tratar a equipe como cobaias da farmacêutica Bayer.
Para fugir disso, fingia engolir os comprimidos para dormir, cuspia-os, e tomava cerveja.
Lateral-direito:
Daniel Passarella
(Argentina): Catimbeiro, porradeiro, rei das cotoveladas e goleador. E argentino. Por sua seleção, incluindo amistosos, fez 84 jogos e marcou 26 gols. Em 70 partidas oficiais, 22 tentos.
Praticamente um a cada três jogos. Média semelhante à do brasileiro Cafu, não acham?
Zagueiro central:
Marco Materazzi
(Itália): Precisa dizer algo? Se sim, clique aqui.
Quarto-zagueiro:
Oscar Ruggeri (Argentina): Na defesa do dream
team do futebol violência não tem espaço para brasileiro. "El Cabézon" batia pra valer, sabia sair jogando e ainda marcava seus golzinhos. Além disso, é argentino.
Lateral-esquerdo:
Foi expulso antes que o locutor pudesse dizer seu nome. Além do mais, um time destes joga
com dez, nove, oito ou sete com a mesma eficiência (e violência) de onze.
Médio-volante:
Roy Keane (Irlanda): Já
postei um vídeo que justificaria sua inclusão nesse time. Mas para reforçar a afirmativa e decretá-lo capitão, vai
esse. E esse.
Médio-volante:
Norbert
"Nobby" Stiles (Inglaterra): Feio, baixinho (1,61 m), míope (usava lentes de contato durante os jogos) careca e banguela (tirava a dentadura para jogar). Seu único talento era destruir
jogadas e pernas adversárias. O homem que, ao lado do bandeirinha Tofik Bakhramov, deu a Copa de 1966 à Inglaterra. E ainda jogou até os 42 anos. Gênio.
Médio-volante:
Sandro Goiano (Brasil): O homem que vendeu
a alma ao diabo, e numa pelada de fim-de-ano, deu um carrinho no tinhoso, recuperou sua alma, roubou a do diabo e, com o dedo em riste, mandou-o tomar cerveja mais cedo. Em outras palavras,
Deus. Aliás, nessa mesma pelada, o próprio Deus estava com uma distensão na coxa e ficou cuidando do churrasco. Dizem as más línguas que ele estava mesmo era fazendo migué para não enfrentar
Sandro Goiano.
Meia-atacante:
Zinedine Zidane
(França): Ficou taxado como jogador talentoso, criativo e diferenciado. Mas gostava de dar suas porradas, principalmente quando falavam de sua irmã. Teve alguns problemas com Materazzi, mas
soube usar a cabeça para resolvê-los.
Atacante:
Almir Pernambuquinho (Brasil): O homem que
ensinou o jogador brasileiro a dar porrada. Pra valer. Em 1959, pouco após o primeiro título mundial do Brasil, acabou com o que
restava do "complexo de vira-latas" do brasileiro. Em 1966, o ápice: na final do carioca, jogando num Flamengo cheio de jogadores na "gaveta", bem como o árbitro, provocou propositalmente
a maior briga da história do Maracanã, para evitar uma goleada do Bangu (que já vencia por 3x0) e a consequente volta
olímpica que, de fato, não aconteceu. Morreu esfaqueado numa briga de bar em 1973. Nasceu em Recife em 1936 e começou a carreira no Sport.
Atacante:
Serginho Chulapa (Brasil):
Goleador, grandalhão, cabeça quente, bom de briga. Ironicamente, até hoje é o maior artilheiro da história do time apelidado de Bambi. Nome certo para a copa de 1978, não foi porque cumpria
suspensão de um ano por agredir um bandeirinha. Na de 1982, virou titular após a contusão de Careca. Não jogou bem, destoando daquela "seleção encantadora" montada por Telê Santana. Motivo:
Telê o teria "domesticado".
Técnico:
Felipão (Brasil): Pode até ser que existam outros
mais violentos, mas Felipão é Felipão. Respeito.
Como o post ficou longo, em breve posto o banco deste timaço. Mas posso adiantar que Simeone e Cantona já são nomes certos. Ah, esqueçam Edmundo. Depois daquela porrada que levou do Zandoná, perdeu a moral para todo o sempre.
E finalizando, imagens do mais incompreendido dos craques que formam essa seleção.
Sábado, 12 Janeiro 08, 05:25 PM
En quanto não começa a porra de Sport x Salgueiro, aqui estou "zapeando" a rede (óbvio que não estou em Recife, pois neste horário eu estaria na Ilha do Retiro, claro) e acho este vídeo do craque Roy Keane (uma espécie de Sandro Goiano irlandês, ex-capitão do Manchester United) e sua vingança contra o norueguês Haaland, do Leeds. Numa partida, Keane leva uma porrada de responsa e ainda ouve reclamações do escandinavo. Na partida seguinte, o troco...
No mínimo, comovente.
Sexta-feira, 04 Janeiro 08, 03:18 PM
Sandro Gomes da Luz não era um sujeito dos mais belos nascidos em Pirenópolis, Goiás. Mas as mulheres afirmavam que ele possuía um certo charme, sabe-se lá o que diabo fosse. Era o craque do time de futsal (na época, futebol de salão) e, quase adulto, despertou interesse de equipes de futebol de campo amador em Pirenópolis. Jogando com a dez foi vice-artilheiro, craque e campeão em sua primeira temporada.
A mulherada, sedenta, caiu em cima. Sandro Gomes, agora Sandrão, comeu todas as que pôde, até as que não pôde, o que despertou a fúria de maridos ciumentos. Foi então apresentado a Dalilah (com "h"), filha de um pecuarista texano com a herdeira de um grande pecuarista goiano. Texana de nascimento, Dalilah sonhava em casar-se com um criador de gado ou um peão de rodeio, mas não resistiu ao charme e à sutileza do jovem camisa 10 do Pirenópolis Futebol Clube. Então, veio o caos.
A música sertaneja invadiu as rádios e TV's de Pirenópolis e do Brasil. Dalilah começou a derreter-se pelos cabeludos de chapéu. Sandrão, preocupado, resolveu deixar o cabelo crescer também. Seu rendimento em campo diminuiu, ele perdeu a vaga de titular e, ao final de sua segunda temporada, nem no banco ficou. Sem ele, o time amargou um modesto sexto lugar entre as oito equipes participantes. E Dalilah conheceu um peão bronco e largou Sandrão. Não sem antes tomar uns tabefes, claro.
Sandrão afastou-se do futebol e fez uma visita ao oriente. Meditou, aprendeu todas as artes marciais que pôde e percebeu que sua camisa era a cinco (ou a oito), não a dez. Percebeu que o Uruguai não seria campeão mundial em 50 sem Obdulio, que o Brasil sem Zito não venceria em 58 e 62, sem Nobby Stiles a Inglaterra não teria bandeirinha que a fizesse vencer e que o Brasil de 82 só perdeu a copa porque seu único carniceiro jogou (mal) no ataque. E acima de tudo, que o tri em 70 foi conquistado não com os gols de Jairzinho, nem com a classe de Tostão e Gérson, nem com os chutes de Rivellino.
O Brasil conquistou o tri graças à cotovelada de Pelé no seu marcador uruguaio. Esse sim foi o lance mas bonito da carreira do Rei do Futebol.
Antes de regressar ao Brasil, passou algumas semanas na Alemanha e na Inglaterra, onde estudou as raízes do futebol-violência. Lá resolveu raspar a cabeça, para testar em si mesmo os efeitos do frio.
De volta a Pirenópolis, surpreendeu a todos com seu novo visual e afirmou que seu maio erro foi ter jogado de ponta-de-lança e que dali por diante seria médio-volante. E que nunca mais deixaria seus fios de cabelo ultrapasseram meio centímetro de comprimento.
Quanto a Dalilah, o pouco que se sabe é que foi corneada com força pelo peão de rodeio, que levou também todos os seus bens. Em pouco tempo, já era uma prostituta de baixo escalão nas rodovias que margeavam Pirenópolis.
"Não tenho essas frescuras. Isso (o corte de cabelo com linhas laterais, já devidamente abandonado) é frescurada da patroa. Os velhos não têm isso".*
*Palavras de Sandro Goiano, o Niestzche do futebol-violência, sobre a vaidade dos futebolistas contemporâneos.
Sandro Goiano sorri ao lembrar o destino de Dalilah
Segunda-feira, 24 Dezembro 07, 07:21 PM
Adversários,tremam. Departamentos médicos de Pernambuco, do Brasil, da América do Sul e do mundo, preparem-se para dois anos de muito trabalho. O Zangief dos gramados assinou até
dezembro de 2009 com o Leão da Ilha do Retiro. O maior representante do futebol-violência chega pra destruir os membros inferiores de todo e qualquer adversário que cruzar o seu
caminho.
Sandro começou no Goiás, ganhou certa notoriedade no Paysandu (nome que dá mote a inúmeras rimas terminadas em dar o/tomar no c...), virou ídolo no GAYmio e quase foi para o GAYlo. Macho do jeito que é, estava beirando a depressão, quando a redenção chegou para o "never-smile man": jogar no time que tem o rei dos animais no escudo. Pode-se dizer que foi forçado, que pareceu-lhe ser tal ato de certa forma doloroso, mas Sandro Goiano, o Shakespeare do futebol-violência, é imune a dor, ao contrário de seus adversários. O homem que nunca sorriu sequer comemorando títulos pôde, enfim, mostrar os dentes de forma amistosa. Pela primeira vez na vida. E, jogando no Sport, não será a última.
On O jogo que não existiu