Sábado, 07 Fevereiro 09, 08:23 AM
Definitivamente, a ansiedade e a expectativa da estréia na Libertadores 2009 está afetando o Sport Club do Recife. Mesmo os 100% de aproveitamento no segundo campeonato de futebol mais difícil
do mundo (o primeiro, se alguém ainda não sabe, é a Segunda Divisão de Pernambuco) não esconde a verdade inocultável: a porra do 18 de fevereiro, data da estréia na Libertadores (uma espécie de
Campeonato Pernambucano com frio, altitude e participação do Boca Juniors) tem que chegar LOGO!
O que se viu na última quarta-feira na Ilha do Retiro, foi sintomático dessa ansiedade: torcida pressionando o time, pois ninguém aceitou o fato do Santa Crúcis enfiar sete no Serrano momentos
antes lá no Imundão do Arruda e o Sport sofrer para romper a retranca catenacciana da Cabense. Ninguém aceitava que, de bengala, Marcelo Ramos marcaria três gols e passaria Ciro, que perdeu
gols feitos conra a Cabense, na artilharia do campeonato.
E o 0x0 persistia no placar ao final do primeiro tempo. Irritação geral na arquibancada, nas sociais, nas cadeiras nos camarotes e na... geral.
Hora de Nelsinho “Rinus Michels” Baptista entrar em ação. Saída de Jonas para a entrada do volante Moacir, improvisado na lateral. Weldon no lugar de Ciro. Nem Moacir cruzou nem Weldon cabeceou
para abrir o placar aos 9 minutos do segundo tempo. Isso coube sim a Dutra e Guto, respectivamente.
O gol não desmontou a retranca da Cabense nem inflamou o ataque leonino. O jogo permaneceu difícil, pegado, e quase os visitantes empataram de forma surpreendente, num contra-ataque que Fabinho
(ex-promessa do Sport, no início do século) chutou para uma defesa cósmica de Magrão.
Então veio a hora da genialidade: Paulo Baier, o bom, tocou para Fumagalli, o gênio, que chutou cruzado. O que parecia um arremate mal-executado revelou-se na verdade um passe genial para o
mesmo Paulo Baier que, como uma flecha, invadia a área para concluir.
A peleja estava definida, mas Weldon ainda resolveu sofrer um pênalti. Só para deixar o gênio Fumagalli bater. Aí...
Bem, apesar da cena triste que vocês viram no link, a vitória veio e a vida segue, assim como os 100% de aproveitamento no segundo campeonato de futebol mais difícil do mundo.
E se o leitor ainda não aprendeu qual o mais difícil, que volte ao parágrafo inicial do texto.
Sexta-feira, 30 Janeiro 09, 08:51 PM
Duas bolas na trave, uma para cada time, marcaram o final do duelo entre Ypiranga e Sport, pela sexta rodada do segundo campeonato mais difícil do mundo, a Primeira divisão do Campeonato Pernambucano.
O mais difícil, você leitor já está cansado de saber, é a Segunda Divisão do Campeonato Pernambucano. E não se fala mais nisso, pelo menos até o próximo post.
Aos 32 do segundo tempo, uma onda de alegria e entusiasmo varreu a cidade de Santa Cruz do Capibaribe. Assis recebeu na área e marcou o gol do Ypiranga. Depois de 527 minutos, mais os descontos, alguém conseguiu marcar um gol no Sport.
Só para se ter uma idéia, em 527 minutos é possível assistir ... E o Vento Levou duas vezes e ainda sobra uma hora e vinte e três minutos. Tempo de três episódios de Os Simpsons, e ainda sobra um tempinho. Dá pra ver os dois primeiros episódios de O Senhor dos Anéis com intervalo para aquele rango esperto e até uma soneca (se ela não rolar durante um dos filmes). Só não dá pra ver a adaptação cinematográfica de Guerra e Paz feita pelo regime soviético, mas aí já seria demais, pois tem oito horas de duração.
Voltando ao jogo, enfim, a teoria da inexpugnalidade da defesa leonina caiu por terra. Entretanto, cabe frisar algumas coisas que aconteceram antes.
Ciro aproveitou um cruzamento de Sandro Goiano, o craque, e o goleiro Jedai (que nome, meu Deus) tomou um frangaço. Aos dois do segundo tempo.
Antes do intervalo, o mesmo Ciro marcou um gol antológico, de fazer Van Basten corar de inveja, um petardo de fora da área. Era o quinto dele no campeonato, antes de marcar o sexto, que mereceu até uma música, infelizmente não sacada por quem esteve no estádio:
Ciro, Ciro, Ciro
O cara é o bicho
Mais um gol
E tome artilharia
(cantar no ritmo do refrão de The Number of the Beast, do Iron Maiden. Sem rima, mas com uma métrica…)
Mais antes ainda, Guto foi mais rápido do que o cinegrafista e marcou o segundo dele e do Sport.
E ainda mais antes ainda, Guto foi mais rápido do que ele mesmo três dias antes e abriu o placar do jogo com dois minutos de bola rolando. Três dias antes, ele tinha demorado três minutos para marcar o gol da vitória sobre o Porto.
Como é bom tomar um gol quando se pode tomar.
Gols aqui.
Quinta-feira, 22 Janeiro 09, 07:03 PM
Dá nisso mesmo. É só o Sport marcar nove gols nas três primeiras partidas do segundo campeonato mais difícil do mundo (o mais difícil, todos sabem, é o campeonato pernambucano da segunda divisão), que todo mundo espera que o Leão goleie quem atravessar seu caminho. Na Ilha do Retiro então, nem se fala.
O irmão deste que vos escreve que o diga: apostou 5x0 para o Sport sobre o Sete de Setembro no bolão. Cautela, bro!
A verdade é que o Sete adotou uma postura coerente: se fechou mais do que cu de detento na hora do banho e a bola que passasse ficava na responsa de Mondragon. E há de se convir: o cara pegou muito. Tanto que ofuscou a estréia de Paulo Baier.
Tudo bem que o Sport também deu sua ajuda. O lateral-direito Jonas fez a galera sentir saudades de Sidny. Luciano Henrique a cada jogo que passa mostra que é melhor como atacante recuado do que como meia avançado. Bem marcado, Ciro não teve AQUELA chance. Tudo bem que Sandro Goiano faz ótimos passes de 50 jardas, mas uns pontapés bem dados não fazem mal a ninguém, exceto aos adversários.
E enquanto isso, dá-lhe Mondragon. Féadaputa! Intervalo, reconhecimento do empenho do time, e coisa e tal. Mas jamais o Sport será aplaudido com o placar da Ilha marcando 0x0 ao final do primeiro tempo. Cornetar é preciso.
Veio o segundo tempo e Nelsinho Baptista mostrou que é o Rinus Michels dos trópicos: tirou o pereba do Jonas e pôs César, deslocando Igor para a lateral-direita. Tirou Wilson e pôs Fumagalli, adiantando Luciano Henrique. Nove minutos depois, Luciano Henrique, no meio de uma confusão dos infernos chuta forte no canto de Mondragon. Com um nome desses, o goleiro setembrino tinha que fazer uma bobagem. E fez. Defendeu com a mão direita, tentou encaixar com a esquerda e empurrou a bola para o gol. Ciro estava lá para conferir, mas a bola já tinha entrado. O árbitro deu gol de Ciro, mas foi LH o autor do gol solitário.
Antes do final do jogo, teve até bicicleta de César e gol anulado de Ciro. Mas pra que golear, se os três pontos vieram do mesmo jeito. Ser Sport, amigos, é isso. Comemorar vitória apertada em casa contra o Sete de Setembro como se fosse goleada sobre o Manchester United dentro do Old Trafford. Thanks, God!
Outras
Vai gastando a sorte, Barbie. Achou o gol da vitória depois de quase tomar uma virada histórica do Ypiranga.
O Santa Crúcis aos pouquinhos vai garantindo vaga para a disputar a Série D.
O Porto continua mostrando que não está para brincadeiras. Virada no clássico de Caruaru (o único clássico de verdade no Pernambucano da Primeira Divisão) e continua na co-liderança. Domingo o bicho vai pegar.
Terça-feira, 20 Janeiro 09, 08:08 AM
Existem campeonatos estaduais que impedem qualquer discussão a respeito de seu nível técnico. O maior exemplo deles é o campeonato pernambucano, uma espécie de Libertadores disputada longe do frio e mais longe ainda da altitude.
Times às vezes não tão técnicos (se é que ainda existe a palavra técnica no futebol), mas sempre aguerridos. Um bom exemplo disso é o valoroso Serrano, adversário do Sport na terceira rodada do certame.
Sabendo do abismo digamos, técnico, que separava as equipes, o Serrano fez o óbvio: fechou-se mais do que tartaruga ameaçada e esperou a hora certa de dar o bote. Mas o Sport não deixou que essa hora chegasse.
Muito pelo contrário: ao perceber que jogar com três zagueiros não era necessário, o treinador Nelsinho Baptista logo sacou César (que por sua vez já tinha desperdiçado mais de uma chance de gol) e pôs Luciano Henrique. Bingo!
Não foi um cruzamento primoroso de Fumagalli. A bola passou uns cinqüenta metros da cabeça de Ciro (o objetivo presumível da jogada), mas Luciano Henrique não bobeou e mandou de cabeça para o gol, dois minutos após entrar em campo. Ferrolho serrado.
Daí parece que o mascote da equipe de Serra Talhada entrou em campo. Sim, porque o coice frontal de Paulinho em Luciano Henrique foi coisa de jumento, o tal do mascote do time sertanejo. Luciano Henrique incomoda muita gente.
Veio o segundo tempo e o “jumento spirit” baixou em Gaspar. Mais uma expulsão, também merecida. Mesmo assim, o Sport não queria fazer gols. 11 contra 9 é covardia (se bem que tem um time que manda seus jogos numa casinha purpurinada que conseguiu com 11 perder para um time de 7).
Mas depois de um tiro de meta cobrado diga-se, jumentamente, pelo Serrano, tudo que Sandro Goiano (que estava no jogo citado nos parênteses anteriores, arrebentando o time purpurinado, claro) pôde fazer foi dar um passe perfeito para Ciro.
E quando a bola chega para Ciro todo mundo sabe como história termina. Sport 2x0, aos 15 do segundo tempo.
Já que tava tudo beleza mesmo, claro que o gênio do jogo e da raça, Sandro Goiano, tinha que fazer o seu gol. Mas não foi um gol qualquer. Wilson acertou um passe perfeito para o Zangief dos Gramados, que avançou entre a zaga, driblou o goleiro, mandou pro gol, comemorou, xingou o bandeira, mandou o árbitro se fuder, pediu reforços à diretoria e ainda disse a Durval que quem vai dar a primeira porrada em Carlinha Jujuba (ex-Carlinhos Bala) no clássico (hein?) contra o Náutico seria ele. Durval, que não é besta, propôs par ou ímpar ou quem sabe um cara e coroa para decidir a questão. Sandro Goiano bateu o pé e já existe ameaça de racha. Na perna de Carlinha Jujuba, não no elenco do Sport.
Outras
Carlinha Jujuba marcou, de falta, seu primeiro gol pela Barbie, que não passou de um empate em casa contra o Salgueiro.
O Santa Crúcis voltou a atuar no Imundão do Arruda, para delírio da massa sarnenta. Vitória apertada contra o Central.
O verdadeiro rival do Sport em Pernambuco é o Porto. Mais um 4x0, desta vez contra o Petrolina. Tal como o Sport, não tomou gol em três rodadas e ainda marcou dois a mais. Dia 25, confronto entre os dois.
Quinta-feira, 15 Janeiro 09, 08:10 AM
Após uma estréia tranqüila no Campeonato Pernambucano, o Sport foi até Salgueiro enfrentar o mais difícil de seus adversários no estadual.
Não, não houve clássico no sertão. Até porque clássico pernambucano, na opinião deste que vos escreve, só existe um: Sport x América. E o alviverde de Casa Amarela, infelizmente, há anos não disputa a primeira divisão estadual.
Por falar nos supostos adversários de dos clássicos, eles também jogaram pela segunda rodada. Mas este não é o foco deste post.
Bem, depois de enrolar o leitor nos três parágrafos anteriores, vamos a Salgueiro x Sport. O segundo melhor time do estado começou o jogo tomando sufoco do Leão. Muito sufoco. Ciro e Fumagalli faziam de tudo no ataque, menos o que interessa, aquela palavra de três letras, habitualmente acompanhada de uma exclamação.
Também no sertão, mas em Serra Talhada, as bonequinhas rosadas borravam a maquiagem para segurar o empate contra o Serrano, o único time que conseguiu vencer o melhor de todos no estadual 2008. Ah, teve também estréia de uma nova boneca, de nome Carlinha Jujuba**.
Antes que se pudesse chegar até essa linha do texto, um tal de Santa Crúcis já perdia para o Porto em Caruaru.
Em Salgueiro, jogo difícil e equilibrado. Típico de times grandes como o Sport e, principalmente, o time da casa.
A estréia de Jujuba, transmitida pela TV, fazia alegria dos insones. Nada acontecia e Jujuba nada fazia. E, como diria o técnico das rosinhas da Rosa e Silva, o juiz prejudicava. Mas quem dá ouvidos a uma boneca xiliquenta como Betinha Fernanda*?
E o Santa Crúcis toma o segundo gol.
Em Salgueiro, está na cara que Salgueiro e Sport são times muito bons para serem vencidos. Mas havia um detalhe, de quatro letras: Ciro. O estreante Guto, que entrou no segundo tempo, ajeitou de cabeça após cobrança de lateral para o matador girar e chutar no canto aos 34 do segundo tempo. Claro que o primeiro gol de Ciro como profissional fora da Ilha do Retiro (sétimo na carreira e terceiro no Pernambucano 2009) tinha que ser marcado em sua cidade natal, Salgueiro.
As rosadinhas seguiam sem fazer nada, já sem Jujuba**, que já pipocou na estréia e foi subistituída.
E o Santa Crúcis tomava o terceiro.
Guto recebeu de Ciro, invadiu a área e foi derrubado. Pênalti que Luciano Henrique, que substituiu Fumagalli, teve de cobrar três vezes até ser validado.
Algo tina que ser feito em Serra Talhada. Afinal o Sport não podia abrir quatro pontos de vantagem sobre as bonequinhas logo na segunda rodada. E esse “algo” logo foi feito. Pênalti para as rosadinhas, convertido por Gilmar. Que só precisou cobrar uma vez.
O Santa Crúcis já tinha levado o quarto do Porto.
Fica no ar a pergunta: algum torcedor do Sport sente saudades daquele que um dia se chamou Drogbala e hoje não passa de Jujuba?
Pois se Carlinhos Bala é problema, Ciro é solução.
E o Sport segue líder do Pernambucano há nada menos que 50 rodadas. Desde o segundo turno de 2006 não há ninguém à frente do Leão. Se bem que hoje tem alguém para dividir a liderança: o Porto.
Afinal, essa pré-temporada formalmente chamada de Campeonato Pernambucano tinha que ter alguma graça, não acham?
*Tecla Sap: Roberto Fernandes
**Tecla Sap:Precisa mesmo?
Segunda-feira, 12 Janeiro 09, 08:34 AM
Não foi um show do Ramones, mas até pareceu. Tal como em 2008, o Sport estreou em casa com uma vitória de 4x0, mas desta vez o adversário foi o Acadêmica Vitória (que pelo jeito, só tem vitória mesmo no nome).
Assim como os gênios de Nova York, o começo foi difícil. Se no primeiro show dos Ramones, a correia do baixo tocado por Dee Dee arrebentou e o instrumento foi ao chão e quebrou no meio, na estréia do Sport, o adversário mandou bola na trave e fez gol no rebote antes dos dez minutos. O tento foi corretamente anulado.
O jogo seguiu difícil até Ciro ser derrubado na área. Pênalti para Fumagalli cobrar. Aos 12 minutos. Tempo de quatro ou cinco músicas do Ramones
O gênio incompreendido, o Joey Ramone dos gramados bateu mal e o goleiro defendeu. Mas a invasão da área pelos jogadores do Vitória desencadeou a repetição da cobrança.
Então o gênio marcou o primeiro gol do campeonato pernambucano. Só podia ser ele.
Aos 31, Alan do Vitória resolveu facilitar ao ser expulso por jogada violenta. Um minuto depois Ciro, o CJ Ramone da Ilha, aproveitou o rebote de Wilson para marcar o segundo.
Ciro, que há pouco mais de dois anos vibrava com as jogadas e gols de Fumagalli, agora joga ao lado de seus ídolos. Assim como CJ Ramone, que antes de entrar para a banda, ia a todos os shows possíveis.
Antes do fim do primeiro tempo, Sidny passou para Sandro Goiano que cruzou para Ciro CJ marcar o terceiro. Sandro não comemorou nem sorriu, incorporando o jeitão mau humorado do guitarrista Johnny Ramone.
Veio o intervalo, que ao invés de quinze minutos durou uma hora. Sim, porque não aconteceu porra nenhuma até os 46 da etapa final, quando Kássio fez da simplicidade a genialidade e fechou o
placar.
Com três acordes, os Ramones gravaram mais de duas dezenas de discos. Com três gols no primeiro tempo, o Sport garantiu a vitória na estréia. Para não ficar tão parecido com os Ramones, Kássio tratou de garantir a goleada por 4x0. O Sport busca o tetra pernambucano. Coincidência?
Claro que sim. O objetivo principal é a América e o Mundo.
Outras
Santa Crúcis saindo do buraco? Ao menos estreou vencendo o Sete de Setembro fora de casa.
Náutico se fudendo? Empatou em casa com a Cabense graças a um frangaço. Que se foda ainda mais!
Quinta-feira, 09 Outubro 08, 12:16 PM
Até os 46, quase 47 do segundo tempo este post iria se chamar “O amigo dos cariocas”. Ora, um time que consegue vencer apenas uma partida contra cariocas em oito disputadas não é o Paulo Soares da ESPN mas é um amigão.
Um time que perde duas para o Flamengo, duas para o Botafogo, empata uma com o Fluminense e faz 1 gol em duas partidas contra um time que tomou quase sessenta até agora, é mais amigo do que o Roberto Carlos – o cantor, não o do meião.
Isso até os acréscimos do segundo tempo contra o Vasco. No primeiro, o Sport tomou uma bola na trave, tomou as rédeas do jogo, fez um “quase golaço” com o jovem Kássio. Por “quase-golaço” entenda-se o fato de que a cacetada de Kássio desviou na cabeça de Baiano e, se não houvesse o desvio, não sairia o gol.
Aí começou a fuleiragem.
Moacir inventou de ser o que não é – craque – e perdeu a bola, que foi tocada para Leandro Amaral – que é craque – chutar de primeira, rasteirinho no canto de Magrão. Antes do fim do primeiro tempo, Leandro Amaral acertou um petardo de fora da área. Golaço, mas que poderia ser evitado por Júnior Maranhão e Cesar, se não tivessem “saído” da trajetória da bola.
Ducha de água fria? Sim, claro que sim.
Mas nada que se comparasse à ducha de nitrogênio líquido na volta do intervalo. Parece ter baixado em Nelsinho Baptista o espírito de Geninho (sim, aquele), em seu piores dias. Não por ter tirado Moacir, que fez merda mesmo, e pôr Fumagalli, que também não fez porra nenhuma. Mas tirar Carlinhos Bala e colocar Sidny foi demais.
É bem provável que Carlinhos tenha saído por contusão. Ele tomou uma porrada de responsa no começo do jogo, mas agüentou até o fim do primeiro tempo.
Sidny foi uma lástima. Sua atuação bisonha merecia um post à parte mas o escriba não vai gastar o tempo dele com mais de um parágrafo. Nem o de vocês.
Aí Nelsinho consertou a bobagem tirando um zagueiro (César) para Sandro Goiano entrar no jogo. Sandro é tão bom, mas tão bom, que armou jogadas melhor que Fumagalli. Não que isso, no atual momento que Fumagol atravessa, seja tão difícil assim.
E Ciro? O nome dele só apareceu no título do post até agora, certo? O menino entrou nervoso. Muito nervoso. Perdeu bolas bobas. Caiu um monte de vezes. Sofreu um pênalti mais claro do que operadora de celular e Wilson Seneme não marcou.
Seneme, que com certeza faz parte da “Operação Rio”, que tenta salvar Vasco e Fluminense do rebaixamento, botar o Botafogo na Libertadores e, quem sabe, dar o título brasileiro ao Flamengo.
Mas voltando a Ciro. O menino apanhou demais. Levou uma pancada de Odvan (o mesmo que fez o pênalti) que o deixou mancando desde os 20 do segundo tempo, quando o Sport já tinha feito as três alterações.
Um safado deixaria o time com dez, saíria do jogo. Ciro não. Ficou em campo, mesmo com a mobilidade de um saci.
O jogo seguia e este escriba pensava: “Tem que ser muito idiota pra achar que o Sport vai empatar esse jogo”. Motivo? A pressão desordenada do Sport não rendia nem sequer uma faltinha próxima à área. Mal rendia um escanteio, quando o f.d.p do Seneme dava.
“Põe no Cartão Verde”, dizia uma voz doida pra rir da cara do escriba. “Porra nenhuma. Se é pra ser idiota tem que ser idiota até o fim”, respondeu este.
A derrota em casa parecia certa. Mas eis que Dutra avança pela esquerda, passa para Roger, que devolve para Dutra na linha defundo que cruza para ele, Ciro, não o rei da Pérsia, ajeitar, virar e bater para o gol.
Na comemoração emocionada de Ciro, os nervos de aço do escriba quase viraram manteiga de garrafa. A dor e o desabafo de Ciro foram a dor e o desabafo de todos que um dia ou a vida inteira torceram para o Sport ou qualquer que seja o time. A comemoração de Ciro, mancando feito um mutilado de guerra, foi a quintessência do futebol.
No banco de Vasco, o choro de quem quase saiu da zona do rebaixamento. Fodam-se.
Dizem que o Sport tenta contratar Leandro Amaral. Este escriba acha que ele vai para o Qatar. Falam também em Weldon do Cruzeiro e Felipe do Náutico. Que nada. Ciro é que é o cara, mermão!
PS: Perdão pelo tamanho do post. É que o gol de Ciro foi foda!
Sexta-feira, 01 Agosto 08, 09:28 AM
Dizer que o tal futebol é fascinante quase sempre não passa de um mero lugar comum. Ainda mais no tal “futebol moderno” quando jogadores trocam de clube com a mesma freqüência com que se trocam pneus de carros de Fórmula 1 e o dinheiro fala mais alto.
Mas às vezes, bem às vezes mesmo, o tal fascínio se mostra verdadeiro. Sincero. Não foi o caso do primeiro tempo de Sport x Ipatinga. 45 minutos de nada, um vácuo futebolístico irritante. Mas como o Sport jogava em casa contra o lanterna do campeonato, o roteiro dizia que a vitória leonina era óbvia.
E veio no segundo tempo, começando com a arrancada de Daniel Paulista e o passe que deixou Carlinhos Drogbala de frente para a retaguarda adversária. Placar descabaçado.
Então foi a vez de o mundo ser apresentado a Ciro. Mas quem diabos é Ciro? Este escriba confessa que tudo o que sabia de Ciro era que era mais um “das divisões de base”, aqueles jogadores do Sport que entram quase sempre na fogueira, se queimam com a torcida e acabam emprestados a times da Paraíba ou vendidos para a segunda divisão da Polônia, Portugal, Grécia...
Ciro substituiu Enílton, que há muito tempo pouco ou nada faz em campo. Em tempo: Ciro pôs mais fogo na partida do que Nero pôs em Roma. Primeiro ele recebeu de Carlinhos Drogbala, invadiu a área, entortou o zagueiro e foi derrubado. Pênalti que Luciano Henrique cobrou, com paradinha, e aumentou a vantagem.
Como o Sport não pode golear, tratou logo de tomar um gol. Falta cobrada por Beto, barreira abre, Magrão pula atrasado e 2x1 no placar.
Então veio o ato final, a apoteose, a epifania. Ciro avançou pela esquerda, entrou na área, livrou-se de dois adversários e acertou um chutaço com a parte externa do pé direito. Golaço e lágrimas. De um garoto que fez 34 gols em 29 jogos no time de juniores e acabava de marcar seu primeiro gol como profissional e teve seu nome gritado por quase 25 mil torcedores.
Numa partida contra o pior time do campeonato, Ciro comemorou como se tivesse marcado o gol da vitória no último minuto de uma final de Copa do Mundo.
Pela primeira vez no campeonato o Sport marcou três gols numa partida, conseguiu a terceira vitória seguida, alcançou a sétima colocação no campeonato e Nelsinho Baptista chegou aos 50 jogos no comando do time.
Mas bacana mesmo foram as lágrimas de Ciro.
Agora a idolatria pro lado dele vai aumentar e ele precisa ter cabeça no chão.” Carlinhos Drogbala, profeta e filósofo, sobre Ciro.
Outras
O Náutico perdeu mais uma e agora está a apenas um ponto do lugar que merece.
Depois de perder para Ipatinga, lanterna, e para o Santos, em casa, bem que o Inter merece um apelido que os gremistas vão adorar: Internacionáutico.
Gallo, antevendo o reencontro com o Sport que o “adora” tratou logo de tomar providências: levou seis do Vasco e foi demitido do Galo
On A morte diante dos olhos