Violência Máxima

Domingo, 11 Novembro 07, 06:49 AM

Não, este post não é para falar do teor dos comentários do post anterior.

Esse foi o título em português que a distribuidora Focus Filmes arrumou para o filme Football Factory, dirigido pelo inglês Nick Love em 2004. Seu lançamento, às vésperas da Eurocopa daquele ano, causou furor no Reino Unido.

Pudera. Trata-se de um filme sobre hooligans com espírito hooligan. Bem diferente do seu "primo" mais famoso (ao menos no Brasil), Hooligans, aquele estrelado por Elijah "Frodo" Wood.

Não há nomes conhecidos no elenco de Football Factory. O filme conta a história de Tommy Johnson (Danny Dyer) apenas "um jovem entediado perto dos 30, com um emprego de merda e que vive para o fim-de-semana". O que quer dizer "sexo casual, bebidas, algumas drogas e, ocasionalmente, dar porrada em alguém". Junto, claro, com seus amigos hooligans da torcida do Chelsea.

Entretanto, Tommy começa a se questionar sobre se tal vida faz sentido. E em meio a essa reflexão, paranóia e pesadelos começam a tomar conta de Tommy.

O filme tem personagens sensacionais. Billy Bright (Frank Harper) é um hooligan quarentão, casado e pai de dois filhos, que tomou tanta droga e tornou-se um completo psicopata; Rod (Neil Maskell) é o melhor amigo de Tommy, um gorducho que fatura garotas até num tribunal em que está sendo julgado por uma briga com torcedores do Stoke City; Zeberdee (Roland Mannokian), um adolescente tardio e retardado que ocupa a vida com jogos do Chelsea, racismo, cocaína e roubos; e sem sombra de dúvidas, Bill Farrell (Dudley Sutton), avô de Tommy, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, que planeja mudar-se para a Austrália junto com o amigo e vizinho Albert (John Junkin). As cenas dos velhinhos no táxi, no baile da terceira idade e na festa de despedida são simplesmente hilárias.

Em meio a muito humor inglês, pancadaria, bebidas e outras drogas, uma trilha sonora de arrasar, com pós-punk (Sham 69, The Jam, Buzzcocks), duas pauladas do Primal Scream, eletrônico (Orbital, Mogwai), rock mais recente (Libertines, Rapture, The Streets) entre outros. Para ver o filme e comprar (aliás, baixar) a trilha sonora.

É interessante observar duas semelhanças entre Football Factory e Hooligans. Ambos os filmes começam com briga entre os respectivos protagonistas (Chelsea e West Ham) contra torcedores do Tottenham Hotspur (time identificado com os judeus ingleses) e culminam nas respectivas brigas dos protagonistas contra o Milwall (time que desde 1992 está na segunda divisão inglesa e tem como canto a frase "Nobody like us" repetida ad infinitum).

Entretanto, um abismo conceitual separa Hooligans (lançado em 2005) de Football Factory. Se no primeiro procurava uma explicação racional para as atitudes dos torcedores, além de mostrar que apesar da violência existe uma ética e um sentimento de companheirismo entre eles (ao menos os do West Ham), no filme de Nick Love os hooligans (ao menos os do Chelsea) são mostrados como realmente são: beberrões, babacas, brigões e entenda-se la porque, divertidos.

Site oficial

Já que o post ficou enorme mesmo, não deixem de ver o clipe da canção dos créditos finais, a espetacular Going Underground, do The Jam.

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Postado por mautargino | Comentários (0)