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A melhor manchete sobre a classificação da Argentina para a Copa 2010

Quinta-feira, 15 Outubro 09, 10:18 AM

Era pra ser só a imagem, mas já que tem a tal exigência dos cem caracteres...
 

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Postado por mautargino | Comentários (4)

Desânimo pós-jogo

Sábado, 22 Agosto 09, 10:17 AM

Arena Barueri, 19 de agosto de 2009, por volta das 23 horas.

Quatro torcedores do Sport (este que vos escrve entre eles) se dirigem ao estacionamento do estádio, que lembra até estacionamento de aeroporto. O time deles perdeu mais uma vez. A 13ª no campeonato, a 6ª seguida, e mais uma vez com gol no final da partida e um jogador a mais, como na partida anterior e outras mais.

Percebe-se que os ônibus das delegações estão estacionados bem próximos, separados do público por um portão de correr. "Por que não dar um tempo aqui, ver se alguém aparece?" Foi a idéia de um dos torcedores supracitados.

Não demora muito para que Sílvio Guimarães, presidente do Sport, aparece próximo ao ônibus.

"Sílvio, chega aí."

Falando ao celular, o dirigente faz, com uma das mãos, o sinal de "aguarda um momento". Desliga o aparelho e se dirige aos torcedores. Visivelmente irritado com a situação do time, se mostra bastante solícito e recebe palavras de apoio. Fala que está trabalhando demais (o que é verdade), que viajará até Brasília para se reunir com parlamentares de Pernambuco e com o presidente da CBF Ricardo Teixeira para discutir assuntos financeiros. Fala que haverá dispensas e mais contratações. Perguntado se havia "panelinhas" no time, responde que "não tem panelinha, tem ruindade mesmo", sem deixar claro se é na parte técnica ou de motivação. Após uns 10 minutos de conversa, se despede.

Alguns jogadores vão direto até o ônibus. Luciano Henrique, autor do gol que seria o do empate caso o time não tomasse o segundo aos 45 da etapa final, vem até os torcedores. Os cumprimenta e é umprimentado.  Visivelmente abatido e inconformado, promete lutar para tirar o Sport da situação terrível em que o time está mergulhado. Se despede e vai conversar com amigos.

Elder Granja vem em seguida. Conversa bastante com os torcedores. Mostra-se ainda mais abatido do que Luciano Henrique. Confessa não entender como o time não consegue vencer. "O Kleber do Cruzeiro me perguntou após o jogo lá em Belo Horizonte como é que nosso time estava tão mal na tabela, disse que foi um dos jogos mais difíceis do ano para o Cruzeiro". Perguntado sobre o que era preciso fazer para sair da situação, foi direto: "Temos que vencer, ora, tem que ter atenção. O jogo só termina quando o juiz apita. É incrível, mas parece que tem gente não sabe disso". Estava dada a pista de que há jogadores desconcentrados. Perguntado sobre o assunto, declinou afirmando que "não acredita em desmotivação, pois temos o melhor emprego do mundo, somos pagos em dia para fazer o que gostamos, que é jogar futebol. Não tem essa de falta de motivação."

Um amigo o cumprimenta enquanto outros jogadores aparecem. Jonas, lateral-esquerdo e um dos piores do time, parece temeroso ao se aproximar. Cumprimenta secamente e diz "Pô, perdemos de novo, tomar no cu" e se afasta. Logo ele, que visivelmente tirou o corpo da trajetória da bola no segundo gol do Barueri, no final de jogo. Que foi um dos piores em campo. Um clima ruim se cria, fortalecendo a sensação de que, além de ruim de bola, Jonas é ruim de caráter também.

O goleiro Magrão aparece. Cumprimenta um senhor que parece ser seu pai (Magrão é de Carapicuíba, cidade próxima a Barueri). É cumprimentado por torcedores, mas não parece estar muito a fim de conversa. É apresentado a um homem que se diz empresário. Não conversa muito com ele também. Definitivamente não estava muito disposto a falar.

César, que falhou no primeiro gol do Barueri e teve uma atuação desastrosa (não muito diferente da últimas), vai até um grupo de pessoas, aparentemente familiares. Chora no ombro de uma senhora, provavelmente sua mãe. Percebe-se no seu rosto que está muito abatido com a derrota e com seu desempenho. Aquilo desarma qualquer pensamento hostil. Da raiva à compaixão em alguns segundos.

Igor também aparece. Apesar da voz serena, mostra-se muito chateado. Conta que o filho de dois anos torce para o Sport, que o cobra e que está muito triste. "Porra, já não passo tanto tempo quanto gostaria com ele e toda vez tenho que explicar para ele porque o time perdeu de novo. Eu adoro o Sport e não me conformo com essa situação."

Elder Granja volta a conversar com os torcedores. "Ainda dá para reverter a situação. Ser rebaixado seria horrível para o time para os jogadores. Ninguém quer ser rebaixado. Eu não quero ser rebaixado. Não quero ter meu currículo manchado. Não quero ver esse time sensacional cair.". Sobre a pressão que o time vem sofrendo, é incisivo: "Quem joga num clube de massa e não suporta pressão, que peça para sair. Vai jogar pelada, pô. Esse papo de que a pressão está atrapalhando é conversa mole.".

De longe, o lateral-direito é o que se mostra mais solícito. Em nenhum momento faz menção de que quer encerrar a conversa. Perguntado sobre as escolhas do treinador (Elder foi barrado no time e só entrou no segundo tempo, quando fez o cruzamento que acabou no gol de Luciano Henrique), "Porra, eu tô treinando bem, tô jogando bem e saio do time. Não dá para entender. Mas prefiro não falar nisso, o treinador faz o trabalho dele, eu faço o meu".

Daniel Paulista, que se recupera de cirurgia e tinha ido a São Paulo para um retorno médico, também conversa. "Queria muito estar em campo, não aguento estar parado e ver o time mal. Mas ainda vou ficar 4 meses me recuperando." Fica no time ano que vem Daniel? "Tenho contrato e quero ficar. Se cair, tem que subir logo, já no ano que vem. O Sport não pode ficar na segunda divisão como ficou aqueles anos todos.". "Só não inventa de ir pra Romênia de novo, Daniel". "Não, não vou. Mas aquilo foi bom pra nóes, eu e o time, não foi?" (Daniel foi vendido a um clube da Romênia que atrasou seus salários e acabou o liberando de graça para voltar ao Sport).

Durante os cerca de 50 minutos de conversa (cerca de metade deles só com Elder Granja), não se viu nenhum jogador se cumprimentar, nem conversarem entre si. Sinal de que, por mais que se tente esconder, há sim problemas de relacionamento no grupo.

Uma pena. 

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Postado por mautargino | Comentários (2)

Seleção Rock n' Roll

Quarta-feira, 15 Julho 09, 11:00 AM

O Dia Internacional do Rock já passou (13 de julho), mas espero que o delay do blogueiro não afete esse post que ele protela há muito tempo. Tal como o inglês Mark Perryman fez com os filósofos, José Roberto Torero com os escritores e os Alagoanos com a MPB, este que vos fala publica, numa homenagem tardia (mas não muito) ao ritmo e ao esporte mais bacana de todos:

Goleiro: Frank Zappa - Grandalhão e meio maluco, é o goleiro dos sonhos. Seguro, arrojado e virtuos, sai do gol com a mesma facilidade com que executa seus inimitáveis solos e melodias na guitarra. Ferrenho crítico do uso de drogas, é o fornecedor oficial de urina para seus colegas no exame anti-doping, mantendo uma geladeira cheia de amostras.

Lateral-direito: Steve Harris (Iron Maiden) - suas atuações pelo Iron Maiden e West Ham o catapultaram rapidamente à equipe. Dono de uma velocidade comparável apenas ao seu desempenho tocando baixo, defende e ataca com a mesma competência. Seus cruzamentos são letais.

Zagueiro central: John Bonham (Led Zeppelin) - Sua "delicadeza" com as baquetas rendeu-lhe várias peles de bateria estouradas. Sua delicadeza no trato com as groupies (como guardar fezes na bolsa de uma delas... e entregar à dona), o levou à Seleção Rock n' Roll. Com "Bonzo" na defesa, não passa nada!

Quarto-zagueiro: Neil Peart (Rush) - Pela habilidade, parece até burrice escalar esse monstro na defesa. Mas não. Discreto em campo, desarma adversários com facilidade, tem um passe invejável e, ao contrário de seu parceiro de zaga, preza o jogo limpo, sem faltas. Quase um Belfort Duarte do rock.

Lateral-esquerdo: Joe Strummer (The Clash) - Não tem complicação com esse. Joga simples e eficientemente na faixa esquerda, da mesma maneira como expõe suas posições políticas coerentes com a faixa do campo a qual ocupa. Porta-voz dos assuntos da equipe e grande articulador.

Médio Volante: Lemmy Kilmister (Motörhead) - mestre do rock pesado e dofutebol-violência, dos xingamentos à arbitragem e da destruição psicológica do adversário. O homem que jamais perdeu uma dividida em toda a carreira. Afinal de contas, quem teria coragem de encarar uma bola dividida com ele. Capitão do time, raramente chega ao final de uma partida (por expulsão) e é figurinha carimbada nos exames anti-doping.

Meia-Direita: David Gilmour (Pink Floyd) - Sua lentidão em campo e postura um tanto indolente geraram e ainda geram muitas críticas. Só quem tem Q.I. futebolístico abaixo de 12 pontos não percebe seus lançamentos precisos e a capacidade de transformar bolas perdidas em jogadas de efeito e belos passes. Solidário, não hesita em auxiliar na marcação. Suas cobranças de falta são mortais.

Meia-Esquerda: Jimi Hendrix - Negão, canhoto e gênio. Não precisa falar mais nada. A camisa dez é dele e ponto final.

Ponta-Direita: Raul Seixas - o físico franzino jamais fez com que Raulzito pusesse as canelas à prova das pancadas de críticos e adversários. Versátil, joga em qualquer posição do ataque, mas optou pela ponta-direita para confundir a todos, pois jogar pelo lado esquerdo tiraria toda a graça. Chegado num misticismo, Raulzito usa a cabalística camisa 7 por motivos mais que óbvios.

Centroavante: Chuck Berry - o veteraníssimo e eterno centroavante está longe de ser um craque da bola como é da guitarra. Mas sua simplicidade e eficiência naquilo que é sua função (mandar a bola para o gol e botar a platéia para dançar) garantiu-lhe a camisa 9 na Seleção do Rock. Nem precisa o zagueiro vacilar. Bola para Chuck Berry é gol.

Ponta-Esquerda: Keith Richards (Rolling Stones) - pouco afeito à experimentalismos e complicações, Keith Richards chuta e cruza com as duas pernas. Apesar das quantidades industriais de álcoo, cigarro e outras drogas, possui fôlego e concentração invejáveis, que o levaram a atuar por quase 50 anos no Rolling Stones FC, onde é destaque ao lado de Mick Jagger, que recusou a convocação para a Seleção alegando excesso de compromissos.

Treinador: Bob Dylan - Só uma pessoa sabe mais que ele: Deus. Profundo conhecedor de táticas e ritmos, Dylan só não entra em campo porque prefere mandar nesse bando de porra-loucas.

E como no dia seguinte ao Dia Internacional do Rock se comemora a Tomada de Bastilha, marco da Revolução Francesa, eis uma música composta pelo quarto-zagueiro desse timaço.

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Postado por mautargino | Comentários (9)

Viva a Coréia do Norte!

Quinta-feira, 18 Junho 09, 10:20 AM

Um empate com a Arábia Saudita sem gols e sem muita emoção.

E a Coréia do Norte voltou à Copa do Mundo, 44 anos depois. Na Ásia, todos sabiam que Coréia do Sul, Japão e Austrália (bizarrices geográficas à parte) se classificariam.

A única participação da Coréia do Norte em uma Copa do Mundo, foi aquela surpresa tida e havida como a maior zebra da história das Copas, rivalizando somente com a derrota da Inglaterra para os EUA em 1950.

Mas o escriba ainda acha que a Coréia do Norte de 1966 superou qualquer perspectiva otimista dos que acreditam na "magia do futebol".

Foi bonito ver que eles estrearam levando uma peia de 3x0 dos camaradas comunas da URSS, cujos jogadores tinham o dobro da altura dos "jockey footballers" norte-coreanos, empatarem inesperadamente com o Chile em 1x1, eliminarem a Itália e abrirem 3x0 contra os portugueses, que só viraram para 5x3 tinham Eusébio em tarde de Pelé+Eusébio num mesmo jogador.

O que se passou durante esse intervalo de 11 Copas na North Korea? Eles tem o maior estádio do mundo o Rungrado May Day, para 150.000 espectadores. Mas até que ponto isso pode ser considerado um ponto a favor dos coreanos?

 

Uma passada rápida na wikipedia só mostra que os campeões nacionais entre 1960 e 1984 são desconhecidos e que de 1985 a 2000 o 25 de Abril ganhou 9 títulos, o Sinŭiju Locomotive ganhou outros cinco e o Chõngjin Chandongcha e o Pyongyang City (uma espécie de Flamengo de lá) ganharam um cada. Em 2001 e 2003 consta como desconhecido e em 2002 deu 25 de Abril. O Pyongiang City foi bi em 2004 e 2005 e o Amrokgang venceu em 2006. Depois disso, não há informações.

Não há informações de jogadores norte-corenos em ligas européias. Aliás, salvo engano, todos os jogadores jogam por lá, as viagens ao exterior são restritas e os clubes não participam de competições continentais.

Enfim, o pesadelo do jornalista esportivo preguiçoso na Copa 2010 será o fato de ser escolhido para cobrir a seleção norte-coreana.

Será que a tal bomba atômica que ditador dos óculos fundo-de-garrafa diz ter é a seleção nacional norte-coreana?

Bem ao menos uma primeira "pista" sobre o futebol da Coréia de cima é o filme do Daniel Gordon, já citado pelo Samurai de Belém. Este escriba baixou esse filme há três anos e penou para encontrar legendas na internet, apenas em inglês, e apenas nos trechos onde os norte-coreanos falam.

"The Game of Their Lives" é um dos melhores documentários sobre futebol já feitos. Há um filme de 2005 com o mesmo título original, mas trata de uma ficção (muito ruim, por sinal e, claro, fácil de encontrar nas locadoras com o título em português Duelo de Campeões) sobre a outra grande zebra da história das copas, os EUA em 1950. O documentário vale a visita e vale muito ver as cenas dos jogos. O futebol norte-coreano em 1966 era de uma velocidade espantosa até para os padrões de hoje. Marcação até se tentava fazer, mas tenta montar um time com jogadores que mais parecem jóqueis. Chegava até a ser engraçado.

A verdade é: não tem quemfaça este escriba torcer para outra seleção na Copa de 2010 que não seja a Coréia do Norte. E nem comunista ele é.

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Postado por mautargino | Comentários (6)

Pauta que partiu, o Imperador sumiu!

Quarta-feira, 10 Junho 09, 04:28 AM


O cara joga no domingo, tem folga na segunda e falta ao treino na terça. A mesma coisa que fez na semana anterior.

Pois é, Adriano voltou. A faltar um treino logo após a folga.

Dizem que viram Adriano na praia tomando água de coco, assim como viram Adriano no pagode do Caldeirão lá em Recife após a surra que seu time tomou do Sport.

A diretoria do Flamengo afirma em nota oficial que o Imperador foi a uma audiência judicial para resolver problemas familiares. A audiência era às onze e meia da manhã, o atacante passou mal e ão pôde ir treinar.

Um outro diretor afirmou que o compromisso era às 17 horas, "logo não dava para o Imperador treinar pela manhã" (aspas do escriba).

O treinador se reuniria à noite com a diretoria para tomar as medidas necessárias para conter esse escândalo no clube mais sério do Brasil. Se houve a reunião, não foi na sala da diretoria do clube. Mas o que se sabe é que o "Ronaldo paraguaio" não será punido.

A culpa não é de Adriano, já que a lógica aponta para três hipóteses plausíveis:

1) Adriano ficou no Recife e entrará em campo no estádio do Arruda como substituto de Luís Fabiano. Pato e Nilmar que se fodam, Adriano está em grande forma física e técnica. E, obviamente, será apresentado como reforço do Santa Cruz para a Série D, junto com Romário, Taffarel e Ricardo Rocha.

2) A audiência de fato rolou, e o juiz declarou que Adriano teria que frequentar reuniões do A.A. Vai dizer isso para um sujeito baixinho, mirrado e franzino como Adriano.

3) Há uma cláusula no contrato que exime Adriano dos treinos que acontecem logo após a folga pós-jogo. O próprio Adriano já gravou entrevista explicando o caso, a ser exibido no programa da Xuxa (que Adriano até xavecou mas não catou, pois Xuxa, todos sabem, é virgem).

É por essas e outras que o Flamengo dá audiência. 40 milhões de antenados e o restante do Brasil dando risada. O Flamengo é o melhor antídoto para a depressão, sobretudo para quem não torce para ele.

Não esqueçam de deixar suas risadas nos comentários.

 

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Postado por mautargino | Comentários (7)

O Retorno do Rei?

Sexta-feira, 05 Junho 09, 08:35 AM

Uma saída traumática de um treinador que estava no clube há um ano e meio e uma dívida que se arrastava há quase dez anos com outro. Redução de juros, um contrato nababesco e a necessidade de arrefecer ânimos de uma torcida preocupada.

Assim se fez o retorno de Emerson Leão para treinar o Sport Club do Recife. Ao contrário de como essa notícia repercutiria em outros clubes, a volta de Leão ao Leão foi comemorada como uma espécie de segunda volta de Jesus Cristo à Terra. Nesse caso, a terceira.

Na primeira, Leão emendou o encerramento de sua carreira como jogador com o início da treinador. Conquistou logo o Brasileiro de 1987, por mais que Flamengo, Placar, Roberto Assaf e outras instituições de segunda linha achem o contrário.

Na segunda passagem, conquistou o título do pentacampeonato estadual, foi vice da extinta Copa dos Campeões e fez uma campanha espetacular na Copa João Havelange. Só saiu da Ilha porque tinha que dirigir uma equipe de segundo escalão, uma tal de Seleção Brasileira.

De 1987-88 para cá, algumas conquistas importantes (9 títulos em mais de 20 anos de carreira) e, em número infinitamente maior, polêmicas com dirigentes, jogadores e até torcedores. Mas em se tratando de Sport e Emerson Leão, nada disso importa. Não à toa, em 2007 foi eleito numa votação pela internet como o maior treinador da história do clube.

Fosse um início de temporada, seria uma chegada apoteótica. Mas Leão não é (ou não precisa) de planejamentos. Pode não ser um dos maiores treinadores do Brasil (e não o é), mas é o "resolve-treta"mais eficiente que existe. Tá com o time zoado? Chama o Leão que ele resolve. Atlético-MG e Corinthians são exemplos recentes disso.

E o homem gosta de uma confusão. Logo em seu primeiro coletivo, mudou o esquema 3-5-2 adotado por Nelsinho, como já havia adiantado na sua apresentação. E sacou o zagueiro Igor, um dos "intocáveis" de Nelsinho. Não por acaso, Igor foi um dos que mais sentiram a saída de Nelsinho e que após aquela que seria a última partida do ex-treinador (derrota para o Galo por 3x2 em casa) declarou que o time não havia seguido as determinações táticas de Nelsinho.

Bem, quem viu alguma partida do Sport de Nelsinho Baptista sabe que dentre os três zagueiros o mais fraco é César. Mas Igor é o mais fair play. E existe alguém menos fair play do que Leão?

O homem está suspenso até agosto, por causa de uma invasão de campo na final do Campeonato Mineiro. Estréia no domingo, mas não vai para o banco. Vai acompanhar a partida das tribunas. O adversário é o Flamengo, aquele time que ainda acha que é campeão de 1987. Leão e o Flamengo se detestam.

A última vez que o Sport venceu o Flamengo foi em 2000 no maracanã, de virada com dois gols de Taílson. O treinador do Sport era... Emerson Leão. De lá para cá foram sete partidas, com quatro revezes leoninos e três empates. O Sport ainda não venceu no atual Brasileirão. E se essa vitória vier no domingo?

Bem, se a vitória vier, será a hora de pensar seriamente em pôr uma estátua de Emerson Leão na sede do clube E de forçar o treinador a mudar seu nome para Emerson Leão da Ilha do Retiro.

Avante, Leões!

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Postado por mautargino | Comentários (13)

We Won't Get Fooled Again

Sexta-feira, 29 Maio 09, 08:43 AM

Uma briga entre um treinador de futebol e o jogador que foi a contratação mais cara do ano. Foi o motivo alegado pelo presidente para explicar a saída de Nelsinho Baptista e Paulo Baier do Sport nesta quinta-feira, 28 de maio de 2009.

Antes de mais nada, a saída do treinador é uma catástrofe. Remediável, mas uma catástrofe. Em termos de planejamento (seu contrato iria até dezembro de 2010), qualidade, custo, etc.

"O que dinheiro e pisa não reolver, é porque foi pouco. Podedar mais que resolve." Dinheiro, em tese,não é problema. Salários em dia, bilheteria da Libertadores,cotas de TV... Porém, o presidente prefere pagar dívidas ao invés de montar um time nos moldes que o treinador queria. Nelsinho pedia um lateral-direito, um meia de ligação e um atacante. Recebe um zagueiro do Juventude. Nelsinho cobra um melhor desempenho de alguns jogadores que, por coincidência, têm propostas de transferência. E de outro que é uma nulidade, coincidentemente um lateral-direito, o "pereba" Jonas.

Os jogadores com proposta, dando nome aos bois, são Moacir e Ciro (a Traffic tá babando por eles)  e Paulo Baier, que teria recebido uma proposta para voltar ao Goiás. O camisa 10 teria pedido para não jogar contra o Atlético-MG. Em qualquer lugar que se trabalhe, se você não quer trabalhar, apresente um motivo. Para um jogador, uma contusão ou problemas familiares são motivo. Baier não apresentou nenhum deles.

Que se mandasse Baier para o banco, já que ele não se encaixava no esquema tático. Isso ficou claro desde as primeiras partidas dele. E na boa, levar bronca de treinador e se sentir humilhado é muita, mas muita frescura. Pega o beco mesmo, coisa que não ia demorar muito para acontecer. Mas Nelsinho, galera, Nelsinho sair é foda. Pela primeira vez na vida desde escriba (ao menos que ele se lembre) um treinador iria completar duas temporadas completas no Sport. Mas segundo ele próprio não havia mais motivação e seu ciclo no clube estava encerrado. Explicação pouco esclarecedora. Mas claro é o fato de que alguma(s) merda(s)muito maior(es) aconteceu(eram). Nelsinho não é de deixar de cumprir seus contratos e é um sujeito de caráter. Agradecimentos eternos pelos dois títulos estaduais, pela Copa do Brasil, pela boa campanha na Libertadores,pela montagem de um time que joga de igualpara igual com qualquer outro do mundo (exceto o Barcelona, que dariaum trabalhinho a mais). Mas agora não adianta lamentar.

O futuro, caros leitores, é incerto e nebuloso. Na tarde de quinta-feira, logo após a notícia da saída de Nelsinho, já se falava pelas esquinas de que "Emerson Leão foi visto em Porto de Galinhas", o que sempre se diz quando cai um técnico do Sport. Mas ao contrário das vezes anteriores, desta vez Leão não está empregado, estaria passando férias. O Sport deve uma boa grana a ele. E se a "onda Petkovic" (trabalhar numa empresa que te deve dinheiro) pega...

Fala-se de Geninho. De Sérgio Guedes. Mas quem dirige o time contra o Botafogo é o  interino Levi Gomes. Que como jogador fez carreira como jogador naquele time vermelho e branco apelidado de Barbie. Pode ser um tampão até que outro chegue. Sabe-se lá.

Tudo que o Sport quer é não ser enganado de novo. Como foi com Gallo, Giba, Geninho... Não com Nelsinho Baptista. 

 
 

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Postado por mautargino | Comentários (7)

Deixa o menino jogar

Sexta-feira, 22 Maio 09, 10:23 AM

O escriba acorda para mais um dia e mais uma vez se depara com a notícia de que Ciro, artilheiro do Sport na atual temporada, deverá ser vendido. E desta vez, com a confirmação oficial da diretoria, de que quem chegar com dinheir, leva.

Que novidade há nisso? Nenhuma. Mas desta vez parece ser mais sério do que nas 4.857.325 vezes anteriores.

A grana, dizem, tem que ser alta. Mas será que compensa perder o primeiro ídolo criado no clube desde Juninho Pernambucano?

Juninho estreou discretamente nas últimas rodadas do Brasileirão de 1993, jogou toda temporada de 1994, conquistando o estadual e sendo uma das revelações do nacional. Jogou ainda o primeiro semestre de 1995 antes de ser vendido ao Vasco.

Ciro estreou no Brasileirão do ano passado, com uma atuação de encher os olhos contra um time não tão bom, o Ipatinga. Sofreu um pênalti e marcou um golaço, indo às lágrimas, assim como não poucos torcedores. Só quem não emocionou uma tal de Marluce Martins (quem?) da Sportv que classificou o fato de "descontrole emocional".

Só pode ter sido descontrole intelectual da tal "comentarista". O cara sai do sertão, vai para o Recife sem conhecer ninguém e sem grana de papai e mamãe (que não aprovavam a decisão), passa meses e meses se fudendo e quando consegue realizar seu sonho tem que ser um iceberg? Vai te catar, Marluce Martins.

Quem já viu Ciro em campo, sabe como o cara se dedica, corre, briga pela bola, se arrebenta e só se permite sair se lhe arrancarem a perna. É o melhor atacante do elenco do Sport, mesmo enfrentando uma já longa seca de gols.

O Sport precisa de dinheiro, é verdade. Não é diferente dos outros clubes do país. Mas por que não deixar essa história de lado e deixar Ciro ao menos completar esta temporada? Deixar que o cara ao menos tenha o gostinho de disputar um Campeonato Brasileiro inteiro? Lá na Europa são pontos corridos, porra. 

Mas não, o importante é arrumar dinheiro e, pelo que o escriba acompanha, a eventual grana seria bem utilizada NO CLUBE e não nos bolsos das quadrilhas que acompanhavam os irmãos Lacerda (Wanderson e Homero) e o canalha-mor Luciano Bivar.

Mas no momento, o melhor para Ciro e para o Sport é que o artilheiro fique na Ilha ao menos até o fim do ano. O garoto vai amadurecer mais, aprimorar seu jogo e não mofar no banco de algum grande ou intermediário europeu até que tenha uma chance lá por volta de 2012. E o time continuará contando com um grande atacante. Já pensaram ficar dependendo de Vandinho e Wilson (bons jogadores, nada mais), Weldon (mediano) e Guto (sem comentários)?

Isso sem contar com a tal adaptação na Europa. Se bem que pelo que deve ter passado nas categorias de base do Sport, o frio ucraniano, a culinária inglesa, a frescura dos italianos e a prepotência dos espanhóis são fichinha.

Então, cara diretoria do Sport Club do Recife: deixa o menino jogar.

No vídeo abaixo, mais gols de Ciro pelos juniores. Não tem como dizer que se trata de um jogador comum:
 
 
 

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Postado por mautargino | Comentários (10)

Manuscrito encontrado em um ônibus

Sexta-feira, 15 Maio 09, 09:23 AM

13 de maio de 2009. 104 anos do Sport Club do Recife.

Alguém toma algum ônibus em alguma cidade.

Senta em algum dos bancos vazios. Olha para o assoalho e encontra um papel semi-amassado onde se lê:

"Por mim, o Sport quando jogasse na Ilha do Retiro, jogaria até o final dos tempos da mesma forma que ontem. Massacrando, atormentando, triturando, pressionando, exterminando, aniquilando o adversário. Esbarrando numa muralha chamada goleiro deles. Perdendo um gol feito no final do primeiro tempo. Se desequilibrando e perdendo domínio no segundo. E quando apenas nós esperávamos e acreditávamos nisso, o gol veio. Não o gol, mas O GOL! O GOL! O GOL! No mais puro Caps Lock exclamativo! O gol da vitória, o gol que decidiu o jogo.

Quando jogasse fora, que empatasse e  ponto. Sendo o torneio por de pontos corridos, não importaria se perdesse jogando mal, se entregasse o jogo, se tomasse um golaço, se tomasse uma goleada. Era só vencer sempre na Ilha do Retiro daquela forma, jogando daquela maneira como jogou contra o Palmeiras ontem. Não importa quantos morressem de infarto como quase eu naquele jogo.

Disputa por pênaltis? Melhor não enfrentar São Marcos. Porque ganhar dele nos pênaltis só é possível se seu time for o Boca Juniors numa final de Libertadores o Palmeiras esteja buscando o bicampeonato naquela disputa. Se não for assim, São Marcos sempre vence. O Corinthians que o diga."

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Postado por mautargino | Comentários (6)

Os 14 Trabalhos de Hércules Leônidas - Parte 7

Terça-feira, 12 Maio 09, 12:37 PM

Anteriormente: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte 6

Ao sair do Estádio Casablanca, a sensação não era de alívio pela manutenção do primeiro lugar na chave. Era de ansiedade e preocupação, pois não havia a certeza de quem seria o próximo adversário e onde a partida seria jogada. Ainda haviam outros jogos a serem disputados na noite seguinte, que definiriam os confrontos nas oitavas-de-final.

Ficar em Quito por mais um dia ou adiantar a viagem? Eis a questão que, ao lado da misteriosa voz, atormentava a mente de Hércules Leônidas.

A certeza era de que não voltaria de avião. Não só pelo dinheiro, já no fim, nem apenas pelo medo de avião, mas pela maior probabilidade de trombar com agentes da lei. Esse era o problema. Sua ficha de crimes e fraudes aumentava dia após dia e logo logo chamaria a atenção das autoridades. E não só do Brasil.

O táxi do estádio até a pousada não saiu barato e foi pago em dólares. Hércules Leônidas arrumou logo suas coisas e não dormiu até o amanhecer. Tomou café na pousada, já que a diária incluía, e foi para a rodoviária. Não demorou muito para chegar e descobrir que havia um ônibus para Rio Branco saindo dentro de uma hora. Ainda havia lugares disponíveis e dois dias de estrada pela frente, sem contar eventuais atrasos. Na sua volta pela cidade no dia anterior, Hércules Leônidas tomou a precaução de trocar os reais ainda em seu poder por dólares americanos, a moeda local.

O dinheiro, definitivamente, estava chegando ao fim. Quando chegasse a Rio Branco, seria preciso fazer alguma coisa para seguir viagem. Tomou logo dois comprimidos mágicos do sono de uma só vez e dormiu durante as primeiras 16 horas.

Ao acordar, o ônibus já estava em território peruano. Não parecia ter havido grandes problemas durante a viagem até ali. Não demorou muito e o ônibus parou para que os passageiros e motoristas pudessem jantar.

Ao descer, Hércules Leônidas percebeu algumas marcas de bala na lataria do veículo. Conversou com um dos motoristas, que entendia bem português e ele explicou-lhe que houve uma tentativa de assalto, com tiros. Três pegaram na lataria, mas nenhum nos vidros.

Abençoados comprimidos mágicos do sono.

O jantar foi rápido e logo o ônibus estava de volta à estrada. Depois de tantas horas dormindo, Hércules Leônidas só poderia contemplar a paisagem noturna do Peru pela janela e tentar minimizar a voz que continuava a encher a paciência:

- NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR! NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR! NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR! NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR!

Ao menos esta mensagem era mais fácil de entender. "Não importa contra quem, é matar ou matar", uma tradução foneticamente bem próxima da original em espanhol. Esse tormento duraria umas três horas, até que a voz resolveu falar, aliás, berrar, em bom português:

- PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO!

A voz avisava que a combinação de resultados dos últimos jogos da primeira fase colocara frente à frente Sport e Palmeiras. De novo. A aposta em voltar ao Brasil dera certo. Descer em Rio Branco. Ver quanto sobrava de dinheiro. Comprar algo que rendesse grana em São Paulo, local da primeira partida. O que diabos poderia ser comprado em Rio Branco que fosse render grana em São Paulo?

Cocaína, claro. A Bolívia e a Colômbia estavam próximas dali. Mas como encontrar, quem procurar? E transportar? As blitzes eram eficientes e não haveria dinheiro para eventuais subornos.

O dia amanheceu com a certeza de que haveria mais um dia inteiro até Rio Branco. Nas paradas para refeições pelo caminho, Hércules Leônidas aproveitou para sondar alguns locais sobre como conseguir a droga. A obsessão de Hércules Leônidas por uma boa quantidade de cocaína chegava a superar a de qualquer viciado crônico. Mas era muito arriscado entrar em maiores detalhes. Não dava para confiar em qualquer um.

Durante o restante do trajeto até Rio Branco, Hércules Leônidas tratou de elaborar um intricado plano: chegar a Rio Branco e procurar informações sobre pontos de venda de cocaína. Hospedar-se num local não tão próximo nem tão distante de tais pontos. Aproximar-se de traficantes, o que seria muito, mas muito perigoso para um estranho.

Então teve uma idéia que lhe pareceu melhor. Ir até algum prostíbulo e ver se conseguia algo com as funcionárias do local. E usar camisinha, evidentemente. Duas, de preferência.

Não houve grandes atrasos e o ônibus vindo de Quito chegou à capital do Acre nas primeiras horas do sábado. Hércules Leônidas foi logo à banca de jornais, que ainda não abrira. Tomou um suco de açaí na lanchonete ao lado, que cobrou-lhe um dólar. Vinte minutos e a banca abria.

Catou jornais paulistas do dia anterior, já que os de sábado só chegariam por volta do meio-dia. Antes que encontrasse o jornal que procurava, a voz aumentou de volume e voltou a atormentá-lo em idioma espanhol.

- NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN!  NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN! NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN!

A voz estava mais uma vez insuportável, mas não suficiente para impedir Hércules Leônidas de lembrar os dias da semana em espanhol. Domingo é domingo mesmo, segunda-feira é lunes, terça-feira é martes... Martes. A primeira parte da mensagem estava decifrada. Faltavam apenas três dias, dizia a segunda parte. Já a terceira dispensava maiores esforços no sentido de tradução e de obediência por parte de Hércules Leônidas.

Logicamente, ele não entraria novamente em um avião tão cedo. Por falar em cedo, parecia cedo demais para procurar a substância que presumivelmente traria algum dinheiro para Hércules Leônidas. Cedo também para ir a algum puteiro em busca de informações, não de prazer.

A sorte pareceu sorrir para Hércules Leônidas ao ver um boteco aberto nas proximidades da rodoviária. Antes de ir até lá, foi ao banheiro da rodoviária para fazer a contabilidade da grana que ainda restava. Não fazia idéia de quanto aquela quantia podia render em cocaína, mas não importava. Era matar ou matar e fim de papo.

Chegou ao bar e pediu a sugestão da casa para o café da manhã. Comeu e pediu aguardente. Cerveja era luxo demais. Demorou bastante para terminar a primeira dose e pediu a segunda, bebida de um só gole. Ao pedir a terceira, o dono do bar foi logo perguntando em tom intimidatório:

- Você vem de onde e procura o quê?

- Antes de mais nada, com quem falo?

- Meu nome é Najim. E o seu?

- Juremir - disse Hércules Leônidas, lembrando-se do nome usado na operação transporte de ecstasy Recife-São Paulo.

- Ok, Juremir. Já percebi que você inventou esse nome. Quem inventa nome para si, ou é ator ou tá metido ou querendo se meter em coisa ilegal. Pode falar o que quer. Se eu fosse polícia, já tinha te levado até a delegacia e se eu fosse alcagüete a viatura já tinha chegado. Vamo, desembucha. Tá atrás do quê? - as palavras de Najim deixaram Juremir, aliás, Hércules Leônidas, em estado de tensão absoluta, fazendo-o gaguejar.

- Co-co-co-co...

- Qual foi, tá virando galinha? Quer um pozinho, não é? Tenho um pouquinho aqui, quanto você quer pagar.

- Não é para consumo - falou Hércules Leônidas, imbuído de uma súbita coragem. Afinal, era matar ou matar.

- Agora eu tô começando a sentir firmeza. Não guardo quantidade grande aqui. Quanto você quer?

Hércules Leônidas olhou para os lados e para trás e abriu a mochila, revelando o maço de dólares.

- Quanto tem aí? - perguntou Najim.

Hércules Leônidas pediu a caneta emprestada e escreveu o valor num guardanapo.

- Dá pra conseguir uma coisinha pura com isso. Vai demorar um pouco, mas dá. Entrega a grana e passa daqui a umas quatro horas.

- Com todo respeito, Seu Najim, essa é a única grana que tenho. Tô comprando pra ver se faço alguma grana no caminho até São Paulo. Tenho três dias para chegar lá. Só entrego a grana com a mercadoria na mão - o destemor de Hércules Leônidas até calou a soturna voz - Se não rolar, paciência, você fica por aqui e eu vou embora.

- Espera um pouco, como tu pretende vender esse negócio? No trajeto? Ou só quando chegar em São Paulo?

- Não faço a mínima idéia. Só sei que tenho que estar de volta a São Paulo na terça-feira, minha grana não dá pra chegar lá e o jeito é investir a grana que me resta em algo que me dê lucro rápido.

- Você tem coragem de levar uma quantidade bem maior do que essa de caminhão? - Perguntou-lhe Najim.

- Amigo, pra mim é matar ou matar. Não importa. Esses comprimidos - Hércules Leônidas puxou o saquinho e derramou alguns na mão - rendem alguma grana?

Najim observou-os com atenção e os devolveu a Hércules Leônidas sem responder. Acenou para um dos taxistas, que veio ao seu encontro.

- Leva esse rapaz lá no Júlio Mengo.

Hércules Leônidas acompanho o taxista e quinze minutos depois estava chegando numa casa de paredes, muros e portões brancos.

- Aí é contigo. Torce pro Najim e o Júlio Mengo não estarem armando pra cima de você. Boa sorte. - mal o taxista terminou de falar e já estava arrancando, quase sem esperar que Hércules Leônidas descesse do veículo.

Hércules Leônidas percebeu que o portão se abria. Um sujeito magricela apareceu.

- É você que é o Juremir?

- Sim.

- Entra aí.

Júlio Mengo apontou para os banquinhos do jardim, indicando que Hércules "Juremir" Leônidas se sentasse enquanto ele, Júlio Mengo, ia buscar uma bebida. E a misteriosa voz  não dava trégua:

NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN! NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN! NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN!

Júlio Mengo voltou com duas cervejas long neck geladíssimas. Foi sucinto no que diz respeito do que iriam fazer.

- Vou levar doze quilos de cocaína pura até Ponta Porã, conhece? Se não, aula rápida de geografia, fica no Mato Grosso do Sul. Ela vai em pacotes de meio quilo escondidos no meio de uma carga de frutas. Leva uns dois dias, se tivermos sorte nas blitzes. Vamos pela Bolívia e pelo Paraguai, que a fiscalização é mais frouxa e fácil de subornar. O que você tem que fazer é, em caso de aproximação de blitz, tomar meu lugar ao volante enquanto eu me escondo na boléia. Tô manjado na área, entende? Aí você se vira em enrolar os caras, molhar a mão deles, se vira. Se eles forem revistar e encontrarem a carga ou eu, você tá fudido, simples assim. Se não topa, saia por aquele portão e reze.

- Comigo é matar ou matar, amigo. A que horas a gente sai?

- Matar, hum. Tem arma?

- Não.

- Vou te arrumar um .38, serve?

- Estando carregado, serve bem - disse Hércules Leônidas, em nada lembrando que a única vez que esteve perto de uma arma, ela estava apontada para o seu rosto.

- Então é isso, mestre. O caminhão estará carregado às dez da manhã. Você tem habilitação? Creio que não. Vamos tratar de arrumar uma agora. Vou ligar pro meu contato no Detran.

Júlio Mengo sacou o celular e ligou para o tal contato. Falando em códigos, permaneceu por cinco minutos. Desligou e perguntou se Hércules Leônidas tinha lâmina de barbear. Ele respondeu negativamente com a cabeça.

- Bem, rapaz, vou levá-lo ao banheiro. Tem algumas descartáveis fechadas. Tire essa barba horrível e tome um banho. Coisa rápida. Temos que tirar uma foto sua e mandar para o Detran sua carteira falsa tem que estar em nossas mãos antes das dez da manhã.

Eram nove horas e dois minutos. Dez minutos depois, Hércules Leônidas estava e barba feita e banho tomado. Júlio Mengo tirou algumas fotos do rosto de Hércules Leônidas e as enviou pela internet. Cinco minutos depois, o celular de Júlio Mengo tocou.

- Alô? Ah, certo? Tudo beleza mesmo. Ok, ok. Vinte minutos. Porra, faz em quinze, manda de moto. Três buzinaços pra avisar que chegou. Certo. Na caixa de correspondência. Ok. Valeu.

Quinze minutos e trinta e dois segundos depois, os três buzinaços foram ouvidos. Júlio Mengo foi até o portão e pegou o envelope. Uma carteira de habilitação perfeitamente falsa.

Júlio Mengo entregou-a a Hércules Leônidas e trancou as portas e janelas da casa. Foram a pé até onde estava o caminhão. Júlio Mengo acenou para dois homens que estavam próximos e logo estavam na estrada, a caminho de Ponta Porã.

Que Hércules Leônidas não entendia nada de direção estava na cara. Seria apenas uma precaução, que custaria barato, já que nenhum valor foi acertado. Como Hércules Leônidas manteve o restante da grana que tinha, era vantajoso para ele também.

Para a sorte de ambos, não houveram acidentes, nem quebras do caminhão, nem blitzes rigorosas, embora algumas vezes, por precaução, trocaram de lugar no caminhão. Chegaram a Ponta Porã até algumas horas antes do previsto.

Desceram do caminhão no início da manhã de segunda-feira. Haveria um bom tempo para Hércules Leônidas chegar a São Paulo até a noite de terça-feira.

- Como não gastamos com suborno, vou te pagar um pouco mais do que o planejado. Ah, e devolva meu .38 - disse Júlio Mengo.

Hércules Leônidas devolveu a arma e recebeu um maço de notas de cem reais e outro de cinqüenta.

- Não vai conferir. Não é bom confiar num bandido como eu - disse Júlio Mengo com um riso sardônico.

Hércules Leônidas não se fez de rogado e contou o dinheiro. Mil e quinhentos reais.

- Não quer levar o pagamento em pó? Te dou uma parada legal e tu pode fazer uma grana maior em Sampa. É pra lá que você vai, não é?

- Sim, mas dispenso levar. Vou de ônibus, quero ir de boa.

- OK, vou tirar um troco legal nesse trampo. Quer carona para a rodoviária?

- Melhor não abusar da sorte. Explique como eu faço para chegar lá.

Júlio Mengo deu as instruções e se despediu com um aceno de Hércules Leônidas.

Depois de tantos dias andando em automóveis, Hércules Leônidas resolveu caminhar um pouco até a rodoviária. Descobriu um ponto onde passava um ônibus para a rodoviária, que não demorou a chegar. Antes do meio-dia, Hércules Leônidas chegou ao terminal.

Havia um ônibus saindo às 14:15, com chegada prevista para às dez da manhã do dia seguinte no terminal rodoviário do Tietê. Havia um bom tempo para chegar até São Paulo.

A viagem entretanto, não foi tão tranqüila. O ônibus saiu com uma hora e quinze minutos de atraso, e três horas depois, quando já estava escurecendo, teve dois pneus furados. Quatro horas parado. Pouco depois de retomar a viagem, uma blitz que prendeu dois sujeitos com um quilo de cocaína cada um. Hércules Leônidas reconheceu os pacotes: eram os mesmos pacotes de meio quilo que ele tinha ajudado a transportar. Mais quatro horas parado e duzentos reais para não ter a bagagem revistada.

O ônibus chegou quase às oito da noite de terça-feira no terminal Tietê. Hércules Leônidas, preocupado, foi ao banheiro e escondeu todo seu dinheiro na carteira, nos bolsos e os dólares dentro dos sapatos. Deixou a mochila com parte das roupas no guarda-volumes da rodoviária. Livrou-se da mala que tinha algumas roupas sujas.

Faltava pouco mais de uma hora para o jogo. Era preciso um bom taxista para chegar a tempo no estádio. Por sorte, o tal bom taxista foi escolhido e Hércules Leônidas entrou no estádio com apenas quinze minutos de bola rolando.

Cansado, não foi aquele torcedor das partidas anteriores, que berrava do fundo da alma. Em campo, seu time levava um sufoco daqueles. As chances se sucediam, mas só para o lado adversário. O primeiro tempo terminou num lucrativo 0x0 para o Sport. No segundo tempo, até a voz tinha dado um tempo, talvez comovida com o cansaço e a tensão de Hércules Leônidas. De tanto insistir, o adversário marcou o único gol da partida, numa jogada de bola parada. E perdeu outros tantos até o final da partida.

A saída do estádio foi tensa. Hércules Leônidas foi reconhecido e identificado por torcedores rivais, que o hostilizaram. Por sorte, havia muitos policiais próximos dali, inibindo a ação de eventuais covardes. Por precaução, seria melhor entrar logo em um táxi e sair dali o quanto antes. Ele logo fez isso, indo até a estação de metrô mais próxima. Ainda havia tempo hábil de chegar até o terminal rodoviário, pegar sua bagagem e pensar no que fazer para chegar no Recife até a terça-feira seguinte.

E a voz voltou a ensurdecer a mente de Hércules Leônidas, em bom português:

- É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER!

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Postado por mautargino | Comentários (5)