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Por que o Cruzeiro perdeu a Libertadores (?)

Quinta-feira, 16 Julho 09, 10:03 AM

À essa altura, pouco mais de doze horas após a derrota cruzeirense, muito se falou, se ouviu se escreveu e se leu sobre a conquista do Estudiantes. Muito se bateu na tecla do oba-oba, da catimba argentina e blá-blá-blá. Mas é um pouco mais que isso.

Verón é outra tecla manjada. Que ele é um jogador espetacular, é. Que a cotovelada que ele deu no Ramires (revidando o primeiro jogo) decidiu a sorte da partida, decidiu. Viva o futebol-violência. Esqueçamos Verón, já que é inverno no hemisfério sul e não dá pra não fazer piada com o nome Verón. Quer vencer na vida? Estude antes.

De Verón, capitão do Estudiantes, para o Cruzeiro. Da Libertadores 2009 para a de 1976, mais feliz para os cruzeirenses. Quem era o capitão cruzeirense de 1976. Um tal de Wilson Piazza, já ouviu falar dele? Foi titular do Brasil na Copa de 1970, jogando na zaga apesar de ser volante. E em 1997, outro ano feliz para os celestes, quem era o capitão? Wilson Gottardo, que antes já tinha conquistado dois Brasileiros, por Flamengo (1992) e Botafogo (1995). Ambos já passados dos 30 anos, com títulos importantes no currículo. Quem é o capitão da equipe celeste da final de 2009? O goleiro Fábio.

Fábio tem 29 anos incompletos. Todo mundo sabe que geralmente a melhor fase de um goleiro é depois dos 30 anos. Fábio pode ser um bom goleiro, mas não tem bagagem. Não jogou Copa do Mundo, não conquistou títulos nacionais como titular. Não dá para ser capitão de um time como o Cruzeiro na Libertadores. Mas quem seria o capitão? Athirson, que chegou há pouco tempo, mas tem experiência? Ramires, que não jogou bem as partidas finais e é muito jovem?

Isso foi uma das coisas que pesou contra o Cruzeiro. E pesa há anos. A equipe é jovem e permanece jovem ano após ano. Parece uma espécie de Peter Pan do futebol brasileiro. Revela jogadores a rodo e os vende na primeira boa proposta. Lá vai Ramires jogar no Benfica, quando um ano a mais certamente lhe renderia uma transferência para um campeonato europei mais forte. Assim como foi embora Guilherme no início do ano para jogar na Rússia. Wagner também não deve demorar muito no time.

É sempre assim, desde Ronaldo (aquele mesmo) em 1994. Pintou dinheiro, o cara vai embora. Ronaldo deu certo na Europa, beleza. E Fábio Júnior, que saiu por 20 milhões de reais em 1998? E Mota, que foi embora após a tríplice coroa de 2003 e está na Coréia do Sul?

O dinheiro das negociações fortalece o caixa do clube, permite montar bons elencos, desenvolver uma das melhores divisões de base do país e investir em infra-estrutura como poucos. Mas o time vai seguindo jovem, e sem experiência para decidir.

O treinador Adílson Batista também engrossa o coro dos "cabaços". Fosse ele um Ênio Andrade, por exemplo, poria o Kleber como capitão. Isso mesmo. O fato de Kleber usar a braçadeira o obrigaria a conter seus destemperos e ter moral de falar com o árbitro. Ele já está manjado. Se fizesse cagada com a braçadeira, ajudaria a aundar sua carreira para a alegria dos anti-Kleber (que não são poucos).

Que me perdoem os cruzeirenses, mas a torcida justificou a máxima dos rivais atleticanos que dizem que Cruzeiro não tem torcedor, tem simpatizante. Poucas vezes se viu uma torcida tão, com o perdão do termo, cagona e burra. Comemorou por cinco minutos o gol que conseguiu na primeira finalização, calou-se no empate e morreu no gol da virada. Mais que isso, faltando dez minutos para acabar a partida FINAL DA LIBERTADORES começou a pedir raça. Raça? Não é preciso pedir isso numa final de Libertadores. Aliás, em nenhum jogo de Libertadores. Raça é intrínseco à Libertadores. Quando mais o time precisou de apoio, a torcida murchou. Pede-se raça num empate em com o Democrata de Governador Valadares pelo Campeonato Mineiro. Nunca nos dez minutos finais de uma Libertadores. Depois ficam com raiva de provocação atleticana.

Para um torcedor do Sport, como esse escriba ainda convencido de que o time poderia ter ido mais longe, e que assistiu à final sem engrossar o coro pró-Véron/raça argentina, e muito menos entrando no oba-oba "Cruzeiro é Brasil", ficou o consolo de o Sport ter sido o único brasileiro a se despedir da Libertadores com vitória no tempo normal. E a constatação de que Libertadores não é lugar para meninos. O Santos de 2003 que o diga. E que Maradona mostre sabedoria e convoque Juan Sebastian Verón para a Copa de 2010. Seria muito bom para o futebol ver o craque se despedindo no palco maior desse esporte.

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Postado por mautargino | Comentários (19)

Palmeiras eliminado! Deixe sua gargalhada nos comentários

Quarta-feira, 17 Junho 09, 07:42 PM

Gripe suína erradicada do continente sul-americano.

Com o empate em 0x0 em Montevidéu frente ao Nacional, a Miss Piggy deixa a Libertadores 2009 sem deixar saudades.

Marcou 15 pontos em dez jogos. O Sport, eliminado pelos suininhos de Perdizes nas oitavas, fez 16.

Este escriba não é muito de rir da desgraça alheia, mas essa eliminação merece aquela gargalhada:

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Não esqueça de deixar a sua nos comentários. 

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Postado por mautargino | Comentários (42)

Manuscrito encontrado em um ônibus

Sexta-feira, 15 Maio 09, 09:23 AM

13 de maio de 2009. 104 anos do Sport Club do Recife.

Alguém toma algum ônibus em alguma cidade.

Senta em algum dos bancos vazios. Olha para o assoalho e encontra um papel semi-amassado onde se lê:

"Por mim, o Sport quando jogasse na Ilha do Retiro, jogaria até o final dos tempos da mesma forma que ontem. Massacrando, atormentando, triturando, pressionando, exterminando, aniquilando o adversário. Esbarrando numa muralha chamada goleiro deles. Perdendo um gol feito no final do primeiro tempo. Se desequilibrando e perdendo domínio no segundo. E quando apenas nós esperávamos e acreditávamos nisso, o gol veio. Não o gol, mas O GOL! O GOL! O GOL! No mais puro Caps Lock exclamativo! O gol da vitória, o gol que decidiu o jogo.

Quando jogasse fora, que empatasse e  ponto. Sendo o torneio por de pontos corridos, não importaria se perdesse jogando mal, se entregasse o jogo, se tomasse um golaço, se tomasse uma goleada. Era só vencer sempre na Ilha do Retiro daquela forma, jogando daquela maneira como jogou contra o Palmeiras ontem. Não importa quantos morressem de infarto como quase eu naquele jogo.

Disputa por pênaltis? Melhor não enfrentar São Marcos. Porque ganhar dele nos pênaltis só é possível se seu time for o Boca Juniors numa final de Libertadores o Palmeiras esteja buscando o bicampeonato naquela disputa. Se não for assim, São Marcos sempre vence. O Corinthians que o diga."

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Postado por mautargino | Comentários (6)

Parabéns, fazer o quê?

Quarta-feira, 13 Maio 09, 09:03 AM

Não é hora de crucificar Luciano Henrique, Fumagalli e Dutra, que bateram "pessimamente" os pênaltis. Nem de endeusar Marcos, que defendeu três cobranças e fez outras miraculosas. Nem de esculhambar Paulo Baier, que perdeu um gol feito no final do primeiro tempo que poderia ter mudado a história da partida.

Não é hora de crucificar Nelsinho Baptista, que escalou Daniel Paulista no sacrifício e queimou uma substituição aos 20 minutos de jogo. Que colocou Fumagalli entre os cobradores, mesmo sabendo que ele perde mais pênaltis do que o Martín Palermo.

Também não é hora de endeusar V(W)anderlei(y) Luxemburgo, que fez cagadas como tirar seus dois melhores batedores de pênaltis, Keirrison e Diego Souza, por desdenhar da possibilidade de decisão por pênaltis.

Não é hora de endeusar ou crucificar ninguém. Porque o ser humano, no fim das contas, não é nada. Quando se mete a ser algo, se torna merda. Nada mais que isso. Existem coisas muito maiores que o ser humano. O futebol e seus clubes, por exemplo.

Sport e Palmeiras fizeram um jogo antológico. Inesquecível. Espetacular. Muito mais pelo Sport, que jogou para fazer uns quatro gols ou mais e fez apenas um. Tal como o Palmeiras no primeiro jogo. O Palmeiras, sabendo de sua vantagem, fez o que se esperava dele: defendeu-se, de forma leal, e ainda teve boas chances no primeiro tempo.

O Sport fez uma das atuações mais espetaculares do ano e conseguiu marcar seu gol nos últimos dez minutos de jogo, numa jogadaça de Luciano Henrique, que passou como quis pela defesa do Palmeiras e rolou para Wilson fazer o gol. Ainda teve chances espetaculares nos últimos minutos, num chute de Ciro e numa cabeçada de Igor.

Nos pênaltis, todos sabem: quem tem Marcos no gol, sai na frente em qualquer disputa de penais contra qualquer time do mundo. O gol fica pequeno, como mais uma vez pôde  atestado na noite de 12 de maio de 2009, na Ilha do Retiro.

Queira ou não, qualquer um dos dois poderia ter passado. O Sport, eliminado nos pênaltis, sai da Libertadores com uma campanha longe de ser vergonhosa: oito jogos, cinco vitórias, um empate e duas derrotas. Venceu a última partida no tempo normal.

Começou a competição sendo sacaneado já no sorteio dos grupos, que não o colocou como cabeça-de-chave mesmo sendo campeão nacional de seu país. Caiu num dos grupos mais difíceis da história da Libertadores, classificou-se com antecedência e terminou em primeiro lugar. Na partida decisiva das oitavas, teve que reverter uma manobra arquitetada maquiavelicamente por seu adversário, seu respectivo patrocinador e uma rede de televisão que manda até em Deus.

Na decisão por pênaltis, enfrentou um goleiro que segura qualquer time, mesmo que os dez jogadores de linha sejam dez vermes. Um goleiro que tem um caráter ímpar. Um cara do qual você compraria um carro usado sem sequer vê-lo ou testá-lo antes.

A festa de aniversário dos 104 anos do Sport, neste treze de maio de 2009 merecia ser mais feliz. Não será. Paciência. O futebol não é justo, a vida também não. O futebol continua, a vida também.

Parabéns, torcedor leonino! Você apóia a equipe o tempo inteiro, não só na vitória, como uns e outros por aí.

Parabéns, Sport! Nosso treinador pode não ser o melhor de todos, mas tem caráter. Nós temos um time inteiro e não apenas um goleiro. 

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Postado por mautargino | Comentários (18)

Os 14 Trabalhos de Hércules Leônidas - Parte 7

Terça-feira, 12 Maio 09, 12:37 PM

Anteriormente: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte 6

Ao sair do Estádio Casablanca, a sensação não era de alívio pela manutenção do primeiro lugar na chave. Era de ansiedade e preocupação, pois não havia a certeza de quem seria o próximo adversário e onde a partida seria jogada. Ainda haviam outros jogos a serem disputados na noite seguinte, que definiriam os confrontos nas oitavas-de-final.

Ficar em Quito por mais um dia ou adiantar a viagem? Eis a questão que, ao lado da misteriosa voz, atormentava a mente de Hércules Leônidas.

A certeza era de que não voltaria de avião. Não só pelo dinheiro, já no fim, nem apenas pelo medo de avião, mas pela maior probabilidade de trombar com agentes da lei. Esse era o problema. Sua ficha de crimes e fraudes aumentava dia após dia e logo logo chamaria a atenção das autoridades. E não só do Brasil.

O táxi do estádio até a pousada não saiu barato e foi pago em dólares. Hércules Leônidas arrumou logo suas coisas e não dormiu até o amanhecer. Tomou café na pousada, já que a diária incluía, e foi para a rodoviária. Não demorou muito para chegar e descobrir que havia um ônibus para Rio Branco saindo dentro de uma hora. Ainda havia lugares disponíveis e dois dias de estrada pela frente, sem contar eventuais atrasos. Na sua volta pela cidade no dia anterior, Hércules Leônidas tomou a precaução de trocar os reais ainda em seu poder por dólares americanos, a moeda local.

O dinheiro, definitivamente, estava chegando ao fim. Quando chegasse a Rio Branco, seria preciso fazer alguma coisa para seguir viagem. Tomou logo dois comprimidos mágicos do sono de uma só vez e dormiu durante as primeiras 16 horas.

Ao acordar, o ônibus já estava em território peruano. Não parecia ter havido grandes problemas durante a viagem até ali. Não demorou muito e o ônibus parou para que os passageiros e motoristas pudessem jantar.

Ao descer, Hércules Leônidas percebeu algumas marcas de bala na lataria do veículo. Conversou com um dos motoristas, que entendia bem português e ele explicou-lhe que houve uma tentativa de assalto, com tiros. Três pegaram na lataria, mas nenhum nos vidros.

Abençoados comprimidos mágicos do sono.

O jantar foi rápido e logo o ônibus estava de volta à estrada. Depois de tantas horas dormindo, Hércules Leônidas só poderia contemplar a paisagem noturna do Peru pela janela e tentar minimizar a voz que continuava a encher a paciência:

- NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR! NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR! NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR! NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR!

Ao menos esta mensagem era mais fácil de entender. "Não importa contra quem, é matar ou matar", uma tradução foneticamente bem próxima da original em espanhol. Esse tormento duraria umas três horas, até que a voz resolveu falar, aliás, berrar, em bom português:

- PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO! PORCOS NOVAMENTE NO CAMINHO!

A voz avisava que a combinação de resultados dos últimos jogos da primeira fase colocara frente à frente Sport e Palmeiras. De novo. A aposta em voltar ao Brasil dera certo. Descer em Rio Branco. Ver quanto sobrava de dinheiro. Comprar algo que rendesse grana em São Paulo, local da primeira partida. O que diabos poderia ser comprado em Rio Branco que fosse render grana em São Paulo?

Cocaína, claro. A Bolívia e a Colômbia estavam próximas dali. Mas como encontrar, quem procurar? E transportar? As blitzes eram eficientes e não haveria dinheiro para eventuais subornos.

O dia amanheceu com a certeza de que haveria mais um dia inteiro até Rio Branco. Nas paradas para refeições pelo caminho, Hércules Leônidas aproveitou para sondar alguns locais sobre como conseguir a droga. A obsessão de Hércules Leônidas por uma boa quantidade de cocaína chegava a superar a de qualquer viciado crônico. Mas era muito arriscado entrar em maiores detalhes. Não dava para confiar em qualquer um.

Durante o restante do trajeto até Rio Branco, Hércules Leônidas tratou de elaborar um intricado plano: chegar a Rio Branco e procurar informações sobre pontos de venda de cocaína. Hospedar-se num local não tão próximo nem tão distante de tais pontos. Aproximar-se de traficantes, o que seria muito, mas muito perigoso para um estranho.

Então teve uma idéia que lhe pareceu melhor. Ir até algum prostíbulo e ver se conseguia algo com as funcionárias do local. E usar camisinha, evidentemente. Duas, de preferência.

Não houve grandes atrasos e o ônibus vindo de Quito chegou à capital do Acre nas primeiras horas do sábado. Hércules Leônidas foi logo à banca de jornais, que ainda não abrira. Tomou um suco de açaí na lanchonete ao lado, que cobrou-lhe um dólar. Vinte minutos e a banca abria.

Catou jornais paulistas do dia anterior, já que os de sábado só chegariam por volta do meio-dia. Antes que encontrasse o jornal que procurava, a voz aumentou de volume e voltou a atormentá-lo em idioma espanhol.

- NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN!  NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN! NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN!

A voz estava mais uma vez insuportável, mas não suficiente para impedir Hércules Leônidas de lembrar os dias da semana em espanhol. Domingo é domingo mesmo, segunda-feira é lunes, terça-feira é martes... Martes. A primeira parte da mensagem estava decifrada. Faltavam apenas três dias, dizia a segunda parte. Já a terceira dispensava maiores esforços no sentido de tradução e de obediência por parte de Hércules Leônidas.

Logicamente, ele não entraria novamente em um avião tão cedo. Por falar em cedo, parecia cedo demais para procurar a substância que presumivelmente traria algum dinheiro para Hércules Leônidas. Cedo também para ir a algum puteiro em busca de informações, não de prazer.

A sorte pareceu sorrir para Hércules Leônidas ao ver um boteco aberto nas proximidades da rodoviária. Antes de ir até lá, foi ao banheiro da rodoviária para fazer a contabilidade da grana que ainda restava. Não fazia idéia de quanto aquela quantia podia render em cocaína, mas não importava. Era matar ou matar e fim de papo.

Chegou ao bar e pediu a sugestão da casa para o café da manhã. Comeu e pediu aguardente. Cerveja era luxo demais. Demorou bastante para terminar a primeira dose e pediu a segunda, bebida de um só gole. Ao pedir a terceira, o dono do bar foi logo perguntando em tom intimidatório:

- Você vem de onde e procura o quê?

- Antes de mais nada, com quem falo?

- Meu nome é Najim. E o seu?

- Juremir - disse Hércules Leônidas, lembrando-se do nome usado na operação transporte de ecstasy Recife-São Paulo.

- Ok, Juremir. Já percebi que você inventou esse nome. Quem inventa nome para si, ou é ator ou tá metido ou querendo se meter em coisa ilegal. Pode falar o que quer. Se eu fosse polícia, já tinha te levado até a delegacia e se eu fosse alcagüete a viatura já tinha chegado. Vamo, desembucha. Tá atrás do quê? - as palavras de Najim deixaram Juremir, aliás, Hércules Leônidas, em estado de tensão absoluta, fazendo-o gaguejar.

- Co-co-co-co...

- Qual foi, tá virando galinha? Quer um pozinho, não é? Tenho um pouquinho aqui, quanto você quer pagar.

- Não é para consumo - falou Hércules Leônidas, imbuído de uma súbita coragem. Afinal, era matar ou matar.

- Agora eu tô começando a sentir firmeza. Não guardo quantidade grande aqui. Quanto você quer?

Hércules Leônidas olhou para os lados e para trás e abriu a mochila, revelando o maço de dólares.

- Quanto tem aí? - perguntou Najim.

Hércules Leônidas pediu a caneta emprestada e escreveu o valor num guardanapo.

- Dá pra conseguir uma coisinha pura com isso. Vai demorar um pouco, mas dá. Entrega a grana e passa daqui a umas quatro horas.

- Com todo respeito, Seu Najim, essa é a única grana que tenho. Tô comprando pra ver se faço alguma grana no caminho até São Paulo. Tenho três dias para chegar lá. Só entrego a grana com a mercadoria na mão - o destemor de Hércules Leônidas até calou a soturna voz - Se não rolar, paciência, você fica por aqui e eu vou embora.

- Espera um pouco, como tu pretende vender esse negócio? No trajeto? Ou só quando chegar em São Paulo?

- Não faço a mínima idéia. Só sei que tenho que estar de volta a São Paulo na terça-feira, minha grana não dá pra chegar lá e o jeito é investir a grana que me resta em algo que me dê lucro rápido.

- Você tem coragem de levar uma quantidade bem maior do que essa de caminhão? - Perguntou-lhe Najim.

- Amigo, pra mim é matar ou matar. Não importa. Esses comprimidos - Hércules Leônidas puxou o saquinho e derramou alguns na mão - rendem alguma grana?

Najim observou-os com atenção e os devolveu a Hércules Leônidas sem responder. Acenou para um dos taxistas, que veio ao seu encontro.

- Leva esse rapaz lá no Júlio Mengo.

Hércules Leônidas acompanho o taxista e quinze minutos depois estava chegando numa casa de paredes, muros e portões brancos.

- Aí é contigo. Torce pro Najim e o Júlio Mengo não estarem armando pra cima de você. Boa sorte. - mal o taxista terminou de falar e já estava arrancando, quase sem esperar que Hércules Leônidas descesse do veículo.

Hércules Leônidas percebeu que o portão se abria. Um sujeito magricela apareceu.

- É você que é o Juremir?

- Sim.

- Entra aí.

Júlio Mengo apontou para os banquinhos do jardim, indicando que Hércules "Juremir" Leônidas se sentasse enquanto ele, Júlio Mengo, ia buscar uma bebida. E a misteriosa voz  não dava trégua:

NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN! NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN! NO ÉS EN EL MIÉRCOLES, ÉS EN EL MARTES! TIENE SÓLO TRES DÍAS! MEJOR IR EN AVIÓN!

Júlio Mengo voltou com duas cervejas long neck geladíssimas. Foi sucinto no que diz respeito do que iriam fazer.

- Vou levar doze quilos de cocaína pura até Ponta Porã, conhece? Se não, aula rápida de geografia, fica no Mato Grosso do Sul. Ela vai em pacotes de meio quilo escondidos no meio de uma carga de frutas. Leva uns dois dias, se tivermos sorte nas blitzes. Vamos pela Bolívia e pelo Paraguai, que a fiscalização é mais frouxa e fácil de subornar. O que você tem que fazer é, em caso de aproximação de blitz, tomar meu lugar ao volante enquanto eu me escondo na boléia. Tô manjado na área, entende? Aí você se vira em enrolar os caras, molhar a mão deles, se vira. Se eles forem revistar e encontrarem a carga ou eu, você tá fudido, simples assim. Se não topa, saia por aquele portão e reze.

- Comigo é matar ou matar, amigo. A que horas a gente sai?

- Matar, hum. Tem arma?

- Não.

- Vou te arrumar um .38, serve?

- Estando carregado, serve bem - disse Hércules Leônidas, em nada lembrando que a única vez que esteve perto de uma arma, ela estava apontada para o seu rosto.

- Então é isso, mestre. O caminhão estará carregado às dez da manhã. Você tem habilitação? Creio que não. Vamos tratar de arrumar uma agora. Vou ligar pro meu contato no Detran.

Júlio Mengo sacou o celular e ligou para o tal contato. Falando em códigos, permaneceu por cinco minutos. Desligou e perguntou se Hércules Leônidas tinha lâmina de barbear. Ele respondeu negativamente com a cabeça.

- Bem, rapaz, vou levá-lo ao banheiro. Tem algumas descartáveis fechadas. Tire essa barba horrível e tome um banho. Coisa rápida. Temos que tirar uma foto sua e mandar para o Detran sua carteira falsa tem que estar em nossas mãos antes das dez da manhã.

Eram nove horas e dois minutos. Dez minutos depois, Hércules Leônidas estava e barba feita e banho tomado. Júlio Mengo tirou algumas fotos do rosto de Hércules Leônidas e as enviou pela internet. Cinco minutos depois, o celular de Júlio Mengo tocou.

- Alô? Ah, certo? Tudo beleza mesmo. Ok, ok. Vinte minutos. Porra, faz em quinze, manda de moto. Três buzinaços pra avisar que chegou. Certo. Na caixa de correspondência. Ok. Valeu.

Quinze minutos e trinta e dois segundos depois, os três buzinaços foram ouvidos. Júlio Mengo foi até o portão e pegou o envelope. Uma carteira de habilitação perfeitamente falsa.

Júlio Mengo entregou-a a Hércules Leônidas e trancou as portas e janelas da casa. Foram a pé até onde estava o caminhão. Júlio Mengo acenou para dois homens que estavam próximos e logo estavam na estrada, a caminho de Ponta Porã.

Que Hércules Leônidas não entendia nada de direção estava na cara. Seria apenas uma precaução, que custaria barato, já que nenhum valor foi acertado. Como Hércules Leônidas manteve o restante da grana que tinha, era vantajoso para ele também.

Para a sorte de ambos, não houveram acidentes, nem quebras do caminhão, nem blitzes rigorosas, embora algumas vezes, por precaução, trocaram de lugar no caminhão. Chegaram a Ponta Porã até algumas horas antes do previsto.

Desceram do caminhão no início da manhã de segunda-feira. Haveria um bom tempo para Hércules Leônidas chegar a São Paulo até a noite de terça-feira.

- Como não gastamos com suborno, vou te pagar um pouco mais do que o planejado. Ah, e devolva meu .38 - disse Júlio Mengo.

Hércules Leônidas devolveu a arma e recebeu um maço de notas de cem reais e outro de cinqüenta.

- Não vai conferir. Não é bom confiar num bandido como eu - disse Júlio Mengo com um riso sardônico.

Hércules Leônidas não se fez de rogado e contou o dinheiro. Mil e quinhentos reais.

- Não quer levar o pagamento em pó? Te dou uma parada legal e tu pode fazer uma grana maior em Sampa. É pra lá que você vai, não é?

- Sim, mas dispenso levar. Vou de ônibus, quero ir de boa.

- OK, vou tirar um troco legal nesse trampo. Quer carona para a rodoviária?

- Melhor não abusar da sorte. Explique como eu faço para chegar lá.

Júlio Mengo deu as instruções e se despediu com um aceno de Hércules Leônidas.

Depois de tantos dias andando em automóveis, Hércules Leônidas resolveu caminhar um pouco até a rodoviária. Descobriu um ponto onde passava um ônibus para a rodoviária, que não demorou a chegar. Antes do meio-dia, Hércules Leônidas chegou ao terminal.

Havia um ônibus saindo às 14:15, com chegada prevista para às dez da manhã do dia seguinte no terminal rodoviário do Tietê. Havia um bom tempo para chegar até São Paulo.

A viagem entretanto, não foi tão tranqüila. O ônibus saiu com uma hora e quinze minutos de atraso, e três horas depois, quando já estava escurecendo, teve dois pneus furados. Quatro horas parado. Pouco depois de retomar a viagem, uma blitz que prendeu dois sujeitos com um quilo de cocaína cada um. Hércules Leônidas reconheceu os pacotes: eram os mesmos pacotes de meio quilo que ele tinha ajudado a transportar. Mais quatro horas parado e duzentos reais para não ter a bagagem revistada.

O ônibus chegou quase às oito da noite de terça-feira no terminal Tietê. Hércules Leônidas, preocupado, foi ao banheiro e escondeu todo seu dinheiro na carteira, nos bolsos e os dólares dentro dos sapatos. Deixou a mochila com parte das roupas no guarda-volumes da rodoviária. Livrou-se da mala que tinha algumas roupas sujas.

Faltava pouco mais de uma hora para o jogo. Era preciso um bom taxista para chegar a tempo no estádio. Por sorte, o tal bom taxista foi escolhido e Hércules Leônidas entrou no estádio com apenas quinze minutos de bola rolando.

Cansado, não foi aquele torcedor das partidas anteriores, que berrava do fundo da alma. Em campo, seu time levava um sufoco daqueles. As chances se sucediam, mas só para o lado adversário. O primeiro tempo terminou num lucrativo 0x0 para o Sport. No segundo tempo, até a voz tinha dado um tempo, talvez comovida com o cansaço e a tensão de Hércules Leônidas. De tanto insistir, o adversário marcou o único gol da partida, numa jogada de bola parada. E perdeu outros tantos até o final da partida.

A saída do estádio foi tensa. Hércules Leônidas foi reconhecido e identificado por torcedores rivais, que o hostilizaram. Por sorte, havia muitos policiais próximos dali, inibindo a ação de eventuais covardes. Por precaução, seria melhor entrar logo em um táxi e sair dali o quanto antes. Ele logo fez isso, indo até a estação de metrô mais próxima. Ainda havia tempo hábil de chegar até o terminal rodoviário, pegar sua bagagem e pensar no que fazer para chegar no Recife até a terça-feira seguinte.

E a voz voltou a ensurdecer a mente de Hércules Leônidas, em bom português:

- É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER! É MATAR OU MATAR, VENCER OU VENCER!

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Postado por mautargino | Comentários (5)

Os 14 Trabalhos de Hércules Leônidas - Parte 6

Terça-feira, 12 Maio 09, 12:25 PM

Capítulos anteriores:

I, II, III, IV, V

O alívio para Hércules Leônidas veio não apenas pela classificação antecipada, mas pelo fato de que a combinação gritos+cantos+sistema de som+fogos abafava a voz ressoante. Mesmo assim, a tal voz fazia uma força surpreendente para ser ouvida:

- POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO!

Demorou para que a repetitiva voz realmente começasse a incomodar. E quando ela começou a incomodar, mais gritos, cantos, buzinas e fogos para abafá-la. Ela não conseguiria seu intento naquela noite. Mas o conteúdo da mensagem logo começou a intrigar Hércules Leônidas.

Não parecia apenas avisar aquilo que Hércules Leônidas já sabia. Parecia conter algo mais. Mas Hércules Leônidas nada entendia de espanhol e resolveu se preocupar com o fato de que certamente encheria a cara naquela noite. Ainda mais ao ver Jarbas abordando o vendedor de cerveja, tirando uma lata do isopor, abrindo e virando de um só gole, amassando-a na testa e tirando mais duas. Jogou uma delas para Hércules Leônidas e abriu a outra, novamente bebendo todo o conteúdo em um só gole.

- Pronto. Deu pra compensar um pouco o tempo que fiquei lá dentro sem beber. Aliás, acho que dá para tomar mais uma.

E pôs-se a pegar outra latinha e virar de um só gole, embora um pouco mais devagar do que nas vezes anteriores.

Esse sujeito que virou três latinhas de cerveja em pouco mais de um minuto para "compensar o tempo" em que ficou assistindo à partida proibido de consumir bebida alcóolica nas dependências da Ilha do Retiro seria o mesmo que dirigiria por cerca de uma hora até o hotel-fazenda, se é que ele planejava isso.

Estivesse Hércules Leônidas ido sozinho ao jogo, poderia desvencilhar-se de pegar carona com um sujeito que já estava com a quarta lata de cerveja pela metade enquanto ele, Hércules Leônidas, mal tinha começado a beber a primeira. Nunca se sabe o que se pode acontecer com um sujeito neste estado, ao volante.

Poderia acontecer um acidente. Ou o carro ser parado por uma blitz. Bafômetro na certa. Sorte Hércules Leônidas saber da honestidade dos bravos policiais plantonistas noturnos do Brasil e ter se precavido de levar algumas notas de cinqüenta reais para alguma eventual negociação.

Caminharam e comemoraram entre outras centenas de torcedores. No caminho até onde o carro estava estacionado, Jarbas esvaziou a quarta lata, bebeu mais três e comprou mais algumas. Hércules Leônidas mal abrira sua terceira latinha.

- Ei, cara, você está bem para dirigir? - disse Hércules Leônidas ao chegarem no carro.

- Claro que sim! - respondeu Jarbas com voz um tanto embargada, afinal foram sete latas de cerveja em pouco mais de quinze minutos, antes de berrar a plenos e absolutos pulmões:

- É Sport, porra!

Os temores quanto a um acidente logo cessaram nos primeiros minutos de estrada. Hércules Leônidas logo percebeu o quanto Jarbas era responsável e preocupado com seu negócio. Durante o caminho, tendo como trilha sonora a resenha radiofônica pós-jogo, Jarbas intercalava a conversa periodicamente falando de que tinha que acordar cedo, coisas para fazer, hóspedes de saída, outros que iriam chegar pela manhã, que por ele enchia a cara para comemorar, mas não dava, que tinha muito trabalho no dia seguinte, mas que se Sônia segurasse a bronca na recepção pelo menos na parte da manhã ele bebia até o sol raiar e dormias umas quatro ou cinco horinhas, mas que havia coisas a fazer...

- Quem é Sônia? - perguntou Hércules Leônidas

- Minha mulher, porra. Me dá um gole dessa cerveja aí - disse Jarbas, esvaziando a lata e atirando-a pela janela.

Chegaram pouco depois da uma da manhã no hotel-fazenda. Sônia estava na varanda da recepção, com o radinho ligado.

- Que sufoco, hein. Vocês demoraram. Eu já estava ficando preocupada. Amor, hoje eu tô boazinha e vou deixar você beber um pouco mais hoje. Mas às sete e meia você está de pé, ouviu? Preparei umas comidinhas pra vocês, tá? Boa noite, vou acordar cedo.

Sônia deu um beijo no marido e um tapa com as costas da mão no tórax de Hércules Leônidas, subiu as escadas e foi dormir. Jarbas e Hércules Leônidas seguiram bebendo até mais de três da manhã.

- Bem, vai dormir que eu também vou. Boa noite.

Hércules foi para o seu chalé, ainda com a porta para consertar. Sentiu um frio na espinha ao cogitar a possibilidade de alguém ter entrado e mexido em suas coisas. Sobretudo a mochila recheada de dinheiro. Foi direto até o guarda-roupa. A mochila estava lá, aparentemente imaculada. Abriu-a. Os maços de cédulas estavam lá. Soltou um suspiro de alívio, guardou a mochila de volta e foi tomar um banho. Deitou-se e não demorou muito para cair no sono. Demorou menos ainda para acordar.

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A incômoda e intrigante voz voltara, e não parecia muito disposta a deixar Hércules Leônidas dormir em paz. E foi o que aconteceu. Hércules Leônidas virou-se e revirou-se na cama, mas a voz não deixava em paz. Percebeu que o dia estava amanhecendo e a voz não dava trégua. Já que dormir seria mesmo impossível, ele acabou dedicando a noite insone já tendendo à manhã naquele momento a tentar traduzir e decifrar a mensagem.  Sem sucesso, já que seu conhecimento de espanhol era abaixo de parco. Ao menos Hércules Leônidas sabia, através da tabela da Libertadores, que o próximo jogo seria dali a seis dias em Quito, capital do Equador.

E Hércules Leônidas teria que dar um jeito de ir até lá. Sabia que o Sport já estava classificado e que o adversário, a LDU, já estava desclassificado. Quando pensou em não ir e aguardar os acontecimentos, a voz retumbou pra valer:

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Já passava das sete horas. O café da manhã certamente já estava servido. E Hércules Leônidas se dirigiu ao restaurante do hotel-fazenda. Sônia estava por lá, conversando com um casal de hóspedes. Hércules acenou-lhe, serviu-se e sentou noutra mesa.

Após comer, foi até a mesa na qual Sônia se encontrava e lhe perguntou se ela tinha algum dicionário de espanhol.

- Hércules Leônidas, estes são Ramiro e Ximena. Eles são espanhóis. Acho que podem te ajudar mais do que um dicionário.

- O que queres saber, rapaz? - Disse Ramiro, com um carregadíssimo sotaque.

Hércules Leônidas tentou repetir as palavras que atormentavam sua mente. Com uma pronúncia sofrível, que arrancou alguns risos de Ximena, ele repetiu a frase.

- É fácil, - disse Ramiro - quer dizer: "Pelo ar, até o Equador, em direção ao topo". Por que a pergunta?

- Por nada, apenas sonhei com essa frase. Não faço a mínima idéia do que queira dizer.

Nesse momento, Sônia olhou para Hércules Leônidas.

- Ô, rapaz, está na cara - Sônia começou a falar - Esse sonho pode ser um aviso de se você for ao Equador ver nosso time jogar para terminar como líder do grupo, você terá que ir pelo ar. De avião.

- Será? Ainda bem que é somente um sonho. Não gosto de aviões. Deixa quieto, vou ver pela TV. E mesmo assim, a passagem até lá deve ser bem cara, né?

Definitivamente, Hércules Leônidas não convenceu ninguém com estas palavras. E a voz aumentou de volume, a ponto de ele sentir a cabeça doer.

- Com licença, gente - disse Hércules Leônidas, levantando-se - vou deitar um pouco. A ressaca está braba. Bom dia e até logo.

Pouco depois, Jarbas chegava ao restaurante. Perguntou por Hércules Leônidas e soube que ele acabara de sair de volta ao chalé. Disse que iria até lá, pois tinha que consertar a porta. Ao chegar lá, encontrou Hércules Leônidas arrumando sua bagagem.

- De saída, moço?

- Sim, preciso voltar a São Paulo.

- Passagem comprada?

- Ainda não. Vou comprar na hora.

- Vai de avião?

- Não, de ônibus. Não gosto de aviões.

- Ô, rapaz. Espera um pouco que eu te descolo uma carona de caminhão. Você poupa uma grana e vai gastar praticamente o mesmo tempo. E não precisa ficar esperando na rodoviária. Só te peço para me ajudar a consertar esta porta.

- Tudo bem, mas você garante mesmo?

- Esteja certo disso, meu amigo. Na pior das hipóteses, você tá na estrada amanhã pela manhã. Vamos consertar a porta?

Em pouco menos de uma hora, fizeram o reparo necessário.

- Bem, ainda é cedo - Disse Jarbas - Com sorte, pegamos algum peão saindo agora. Sua mala está pronta?

- Sempre está.

- Então vamos acertar sua conta e eu te levo até o lugar de onde os caboclos saem para São Paulo.

Hércules Leônidas teve problemas para pagar o valor integral de sua conta. Não pelo valor, mas pela dificuldade em convencer Jarbas a receber tudo. O proprietário só faltou isentar por completo os cinco dias de hospedagem, mas no final, Hércules Leônidas acabou pagando pouco mais da metade do valor total.

- Use o que você economizou para ajudar a pagar os subornos pelo caminho - disse Jarbas, já ao volante - Se você pegar carona com quem eu estou pensando, você vai precisar muito dessa grana.

Quinze minutos após sair do hotel, o carro de Jarbas chegava a um posto de gasolina onde vários caminhões estavam estacionados. Jarbas pediu que Hércules Leônidas aguardasse dentro do carro. Foi ao escritório, passou alguns minutos e saiu.

- O caminhão do cara está na oficina. Fica pronto daqui a uma hora. Daqui a pouquinho ele deve aparecer por aqui.

Um sujeito alto, pesando uns 120 kg e com os braços cheios de tatuagens, aproximou-se e cumprimentou Jarbas, que estava do lado de fora do carro conversando com Hércules Leônidas.

- Hércules Leônidas, esse é o Vitão, o sujeito de que te falei - disse Jarbas. Hércules Leônidas percebeu um olhar hostil e desconfiado de Vitão. Jarbas pediu licença para conversar a sós com o caminhoneiro.

- Vitão, o cara é gente boa e precisa de carona até São Paulo. Você tá levando aquela carga proibida dessa vez?

- Sim, e não fui muito com a cara desse sujeito. Posso levar o rapaz, mas se ele der qualquer goela, você sabe o que acontece com ele, não é?

- Relaxe, ele estava no hotel desde sábado. Conversei e o observei muito. Tem cara de que está escondendo alguma coisa também. Não pode vacilar.

- Vou levar porque é você que tá indicando. Mas se o moço vacilar, você sabe. É chumbo nele!

- Pode guardar sua munição. Eu garanto.

Jarbas despediu-se dos dois e se foi. Hércules Leônidas perguntou quanto tempo demoraria para chegar a São Paulo.

- O tempo que for preciso. Tem que ver a hora que o caminhão vai ficar pronto - foi a amistosa resposta de Vitão - Pode ser um pouco grato e pagar meu almoço?

- Claro que sim. Sem problemas.

O caminhão foi liberado pela oficina pouco antes do meio-dia. Ambos almoçaram cedo e logo estavam na estrada.

Vitão não era de muita conversa, mas até ele estranhou o silêncio de Hércules Leônidas, que olhava ora para a frente, ora para o lado. Vitão tirou um maço de cigarros do porta-luvas e ofereceu ao carona, que recusou balançando a cabeça. Vitão resolveu puxar conversa.

- Tu não me engana, moleque. Estás fugindo de quem ou do quê?

- Não estou fugindo. Moro em São Paulo.

- Que nada, cara. Já ganhei tua fita na hora. É melhor não tentar me passar a perna.

- Pode ficar tranqüilo, Vitão.

- Não vou ficar tranqüilo enquanto desconfiar de você.

O clima ficou hostil. Vitão não estava com cara de bons amigos. E a voz, que estava um tanto tímida, retumbou:

- POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO!

Então Hércules Leônidas inventou uma história que, de tão mirabolante, convenceria até o mais cético dos céticos.

- Minha ex-mulher fugiu com meu filho para o Equador. Descobri há poucos dias, lá no Recife, onde morávamos. Ela aproveitou uma viagem minha a trabalho quando estava grávida e vazou para lá. Descobri até o endereço dela em Quito. Preciso pegar um avião em São Paulo.

Vitão ficou perplexo, e permaneceu desconfiado.

- Qual o nome do pirralho?

- Raul.

- Idade?

- Quatro anos.

- Há quanto tempo a vagabunda sumiu?

- Ei, é a mãe do meu filho.

- E daí? Vai defender a vagabunda agora? Ainda gosta dela? Tô dando carona para um corno insistente, então? - disse Vitão com um sorriso cínico e um olhar ainda mais hostil

- Bem, tem mais de dois anos. O guri deve estar com essa idade.

- Tem foto dele? Ou ela nunca mandou?

- Nunca mandou. Nunca vi o menino.

- Cara, estou começando a mudar meu conceito sobre ti. Mas porque você não vai de avião?

- Economizar grana, meu caro. Mas acho que vou de avião lá de São Paulo.

- É mais certeza, meu caro. Chegar ao Equador de carona não é fácil. Vou até Guarulhos e posso te deixar no aeroporto.

Hércules Leônidas sentiu um alívio. Aquele sujeito assustador, provavelmente com uns dez homicídios nas costas acreditava naquela história mirabolante. Mas certamente seria mais complicado convencê-lo caso falasse a verdade.

A viagem seguiu sem problemas até São Paulo, com paradas apenas para refeições rápidas e dormidas de seis horas. No sábado à noite, Hércules Leônidas já estava no aeroporto de Guarulhos. Demorou um pouco a encontrar informações sobre vôos para Quito, mas logo descobriu um vôo saindo às oito e meia da manhã de domingo. Apresentou os documentos falsos que Xico lhe arrumara pouco antes de começar sua primeira viagem, recebendo um olhar desconfiado da atendente, que fez menção de chamar alguém.

Hércules Leônidas teria que conversar com agentes da Polícia Federal. Estes certamente não seriam facilmente enganados ou subornados. Por via das dúvidas, repetiu a história contada ao caminhoneiro Vitão.

Ao conseguir enganar novamente pessoas mais do que desconfiadas com aquela história inacreditável, Hércules Leônidas sentiu um medo ainda maior do que o de avião. Principalmente quando perguntaram porque estava comprando apenas a passagem de ida.

- Não sei quanto tempo vou ficar lá, mas não vai ser muito tempo, creio eu.

- Quanto tempo? Uma semana - perguntou um dos agentes.

- Nem isso. Não pretendo brigar pela guarda do garoto. Ao menos agora. Quero apenas ver o menino.

- Onde pretende ficar? Tem reserva em algum hotel? - perguntou outro agente.

- Não fiz reserva, mas vou ficar em alguma pousada simples.

O interrogatório seguiu por mais duas horas até que Hércules Leônidas foi liberado. Foi até o posto de câmbio e trocou parte de seus reais, agora bem menos por conta da compra da passagem para Quito, por dólares. O volume de notas diminuiu e ele teve mais facilidade para escondê-las entre as roupas na mochila e na mala.

Hércules Leônidas esperou até o limite para entrar na sala de embarque e não despachou sua bagagem. O medo tomava conta de Hércules Leônidas, ainda mais com a mudança no tom da voz, que se tornara muito mais soturno:

- POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO! POR EL AIRE, HASTA EL EQUADOR, CURSO PARA EL TOPO!

Hércules Leônidas não dormiu na sala de embarque. Trinta e cinco minutos antes da hora marcada para a decolagem, os passageiros começaram a embarcar. Hércules Leônidas observava como se comportavam, para repetir os atos. Alojar as bagagens, se sentar, apertar o cinto, pegar uma revista de bordo e fingir interesse. Baixar o encosto do assento. Observar as recomendações dos comissários de bordo e aeromoças.

Nada disso serviu para aplacar o medo de Hércules Leônidas, e o som da voz que somente ele ouvia. A decolagem quase o matou de infarto. Assim que foi liberado tirar os cintos, Hércules Leônidas correu para o banheiro e vomitou até a alma. Ouviu batidas na porta. Era uma das aeromoças perguntando se ele estava bem. Ele respondeu que sim e pediu um copo de água. Antes de sair do banheiro, pegou o copo com água e foi para seu assento.

Pensou em tomar um dos comprimidos mágicos, mas ao conferir sua passagem percebeu que a primeira troca de avião ocorreria em três horas. Passou-as indo repetidas vezes ao banheiro. Três horas se passaram como três milênios. Mas passaram e logo veio a sofrida e aterrorizonte aterrissagem. Desembarque, mais espera e um novo embarque. Seriam cerca de dez horas até a próxima aterrissagem. Tempo de um comprimidinho mágico do sono. Dormiu durante todo tempo, sendo acordado por uma aeromoça e um comissário. Pegou suas coisas, desembarcou e esperou a próxima conexão. Já não tinha mais noção alguma de hora ou dia da semana. Estava tão grogue que nem lembrou do medo que sentia, nem deu atenção à voz que insistia em atormentá-lo.

O último trecho passou rápido, quase imperceptivelmente. Era madrugada de segunda-feira. Dois dias e meio sem absolutamente nada para fazer na capital equatoriana até o dia da partida contra a LDU.

Hércules Leônidas esperou o amanhecer para tomar um ônibus até o centro de Quito. Chegou, comeu dois sanduíches e tomou um suco numa padaria e arriscou um portunhol macarrônico para descobrir uma pousada barata perto dali. Pagou adiantado um dia de hospedagem, foi para seu quarto, tomou um longo banho e engoliu logo dois comprimidos de vez. Dormiu quase vinte horas seguidas, acordando na manhã de terça-feira.

Pagou sua hospedagem antecipadamente para até quinta-feira. Saiu para dar uma volta nos arredores. Entrou em algumas lojas, bebeu em alguns bares e voltou à noite para o hotel. Demorou a dormir, mas resisitiu em tomar o comprimido mágico. Pregou o olho quase às três da manhã, acordou às oito da manhã e foi à rodoviária buscar informações sobre ônibus para o Brasil. Haviam ônibus em dias alternados para o Amazonas e Acre. Havia ainda um semanal para Roraima. Deu suas voltas pela cidade e foi direto para o estádio. Faltavam duas horas para começar a partida e haviam poucos torcedores. As arquibancadas estavam longe da lotação.

De forma contida, respeitosa até, os poucos torcedores do Sport comemoraram a vitória de virada por 3x2, com dois golaços de Andrade e um de Igor. A liderança do grupo estava assegurada e, pelo rádio, Hércules Leônidas e alguns torcedores souberam que o Palmeiras se classificara. E a voz, que andara meio calada nos últimos dias, voltou a ressoar com força:

- NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR! NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR! NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR! NO IMPORTA CONTRA QUIEN, ES MATAR O MATAR!

Seria preciso esperar até a noite seguinte para saber quem seria o próximo adversário.

A saga continua aqui.

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Postado por mautargino | Comentários (2)

Este post não estava nos planos

Sábado, 09 Maio 09, 09:41 AM

Sexta-feira, meio da tarde. Tal como outras instituições de caráter público (ao menos em tese), como cbf, congresso nacional e prefeituras municipais, a conmenbol também não apresenta um nível consistente de atividade nesse dia e horário.

Nesse mesmo horário, estudantes matam aula, trabalhadores dão um "ninja" no serviço e se juntam a desempregados, desocupados, vagabundos, cambistas e outras categorias humanas para garantir ingresso para a partida entre Sport e Palmeiras pelas oitavas-de-final da Libertadores, marcada para terça-feira, às vinte horas e quinze minutos.

Então alguém da conmenbol (em minúsculas mesmo) tem uma idéia para agitar o marasmo do momento que antecede a clássica cerveja do fim do expediente do último dia útil da semana: mudar dia e horário da partida entre Sport e Palmeiras. Da terça, às 20:15, para a quarta, às 21:50. À essa altura, mais de 15 mil ingressos já tinham sido vendidos, só nas bilheterias.

Detalhe: ninguém dos clubes foi avisado oficialmente pela entidade. Nem fax, nem e-mail, nem telefonema, porra nenhuma. E a conmenbol, tal como cbf, congresso nacional, prefeituras municipais e outras instituições de caráter supostamente público, só volta a funcionar na segunda-feira.

Pois bem, fica a pergunta: quem de fato está por trás de uma mudança dessa natureza? Há alguns dias, quando a delegação do Sport ficou presa no aeroporto quando voltava do Equador, tentou entrar em contato com a conmenbol para tentar uma alteração na data da primeira partida das oitavas contra o Palmeiras. Ouviu que a tabela era inflexível. Deixou quieto.

Agora, faltando quatro dias (com um fim de semana no meio) para o jogo decisivo, eis que a tabela não era tão inflexível assim. E na manhã de sábado, o número de ingressos vendidos já ultrapassava 22 mil.

O lado verde do confronto comemora. Ganharam um dia a mais para descansar, recuperar jogadores, etc. Para eles, está ótimo. Eis então outro detalhe.

A Traffic, empresa parceira do Palmeiras, era dona dos direitos de transmissão da Libertadores e os repassou à Rede Globo. Isso mesmo, a velha e famigerada Traffic.

Conspiração? Paranóia? Este escriba também acha. Afinal de contas, manobras desse naipe não existem no futebol sul-americano, um exemplo de organização para todo o mundo.

Fica outra pergunta: como fica a situação de nêgo que se programou para viajar e ver a partida, que acertou folga no trampo para terça-feira, que negociou prova ou entrega de trabalho para outro dia, enfim, esse tipo de coisa não sai de graça para quem está envolvido.

Em caso de a mudança ser mantida, o Sport só se fudeu. Afinal de contas, pela lei, o Sport pode ser acionado na justiça por torcedores que se sentirem lesados com a alteração. Leiam bem: o Sport pode ser acionado, não a conmenbol. Além do esvaziamento natural que qualquer partida disputada depois da novela da Globo sofre. Tenta pegar um ônibus em Recife depois da meia-noite (hora que o jogo acaba) para ver como é fácil.

A diretoria do Sport se pronunciou na manhã deste sábado e afirmou que não jogará na quarta-feira. Todos sabem que é bravata, mas que foi dito, foi. E este escriba assina embaixo, mesmo sabendo que se o jogo for na quarta-feira, ele vai ser jogado e ponto final. Por outro lado, o Sport pode alegar que não recebeu nenhum comunicado oficial (ou divulgação em site é comunicado oficial?) 72 horas úteis antes da data original nem com motivo consistente. Mete o louco e põe time em campo na terça-feira e pronto. Mas isso não vai rolar.

Uma mudança de data, nessas circunstâncias, só é feita para beneficiar alguém, sabe lá quem. Já não bastasse a confusão com os times mexicanos vem essa alteração de data e horário sem motivo algum.

Não importa o resultado da mudança da data, ou da partida em si. A conmenbol já perdeu. A Libertadores perdeu. E este escriba perdeu seu tempo escrevendo este post que não estava nos planos.

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Postado por mautargino | Comentários (9)

Um erro foi suficiente

Quarta-feira, 06 Maio 09, 08:43 AM

Não foi a falta de Cleiton Xavier, nem o suposto desvio de Ortigoza, nem mais uma atuação apagada de Paulo Baier, nem o esquema "ofensivo" de Luxemburgo que derrotou o Sport pela segunda vez no ano, pela segunda vez para o Palmeiras.

Foi um erro de Nelsinho  Baptista em meados do segundo tempo. Para que tirar um volante que estava jogando bem (Daniel Paulista) e sem cartão amarelo para colocar um meia ofensivo (Luciano Henrique) num momento, aliás, num jogo em que o Palmeiras era pura pressão?

Merda feita, merda punida. Hamilton, o outro volante, sobrecarregado na marcação, fez uma falta besta e foi expulso. Na cobrança de falta, o gol saiu. Assim como outros que o Palmeiras perdeu durante a partida.

Já era tarde para consertar, com um a menos foi preciso tirar um atacante (Wilson) para colocar outro volante (Andrade). E trocar Vandinho por Ciro foi inócuo.

O Palmeiras jogou para fazer dois ou três gols. Fez um, de bola parada. O Sport jogou para empatar e, não só por isso, acabou perdendo.

E perdeu porque Nelsinho errou. O que é uma coisa rara. Todos sabem disso. Mas a hora de cornetar é agora. Nada de entrar com 3 zagueiros na Ilha do Retiro, nada de insistir com Paulo Baier.

E para a torcida: não tem mais desculpa de ingresso caro nem de horário ruim. O preço baixou e o horário da partida é às 20:15.

Quem mora ou está no Recife, torce para o Sport, e não contribuir para lotar a Ilha, na boa, deveria deixar de acompanhar futebol. Definitivamente.

PS: É incrível como uma vitória ínfima atiça ânimos babacas, como o deste cara aqui. O cara entra no OleOle, sai, volta, faz ameaça via internet, como bom "corajoso" que é, sai de novo, volta de novo, sempre muito macho. Macho pá caralho. Não permite comentários nos seus posts, tenta comentar nos posts alheios com nome falso (mais uma demonstração de coragem, esse cara é um destemido). Posa de bem-sucedido e endinheirado, mas pede dinheiro emprestado a quem nunca viu na vida e quem paga as contas da casa é o emprego da mulher. O que dizer de um cara desses? Nada mais é do que um comédia. Mas como a benevolência e a tolerância são grandes virtudes humanas, vamos dar audiência ao mané, pô. O coitadinho é frustrado, não deu certo como ser humano, parece mais um aborto mal-sucedido. O Cytotec era falso, pobrezinho. Quer tanto ser lido que apela para o CAPS LOCK. Tadinho. Tudo bem, vamos dar audiência a ele clicando aqui. E ele tem outro blog também, lá ele deixa comentar. Vamos dar uma força também, clicando aqui. E este espaço continua aberto para comentários. E não precisa pôr nome falso, tá? Porque uma vitória do time para o qual se torce não dá nem nunca dará caráter a ninguém. Caráter. Coisa que esse babaca não tem.

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Postado por mautargino | Comentários (9)

Os 14 Trabalhos de Hércules Leônidas - Parte 5

Terça-feira, 05 Maio 09, 09:24 AM

Episódios anteriores

Parte 01

Parte 02

Parte 03

Parte 04

Conforme o solicitado à recepção, o telefone da suíte 1905 tocou pontualmente às seis da manhã. Grogue e completamente atordoado após uma noite sem sonhos, Hércules Leônidas atendeu ao telefone, ouviu a mensagem de despertar. São Paulo, seis horas. Levantou-se com dificuldade e foi ao banheiro, onde lavou o rosto e começou a pensar no que teria que fazer para estar de volta ao Recife em seis dias.

A misteriosa voz  pareceu ter dado uma trégua durante a noite. Certamente influenciada pelo poderoso comprimido sonífero tomado na noite anterior. Assim que enxugou o rosto, Hércules Leônidas voltou a ouvir a voz.

- MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE!

Há muito tempo a voz já tinha deixado de ser enigmática. Agora, já tinha se tornado chata, incômoda e enfadonha. E Hércules Leônidas teria que conviver com isso.

Já que estava acordado mesmo, resolveu tomar o café da manhã, incluído na nada barata diária do hotel. Poucas vezes, certamente nenhuma, teve à sua disposição tanta comida. Impressionante. Aproveitou e comeu muito. E ainda conseguiu "contrabandear" algumas maçãs e iogurtes para o quarto.

O relógio marcava pouco mais de oito da manhã quando Hércules Leônidas voltou. O dinheiro que recebeu pelo serviço ilegal não foi pouco. Seria solução para seus problemas, não fosse pelo fato de não ter onde guardá-lo. Banco, nem pensar. Nem documentos autênticos possuía.

Mas nada disso importava diante da necesidade de voltar ao Recife em seis dias. Não parecia problema, uma vez que já tinha realizado viagens mais longas, se escondido por períodos mais longos, com uma quantidade infinitamente menor de dinheiro.

Agora, havia uma mala cheia de dinheiro. Nem tinha se dado ao trabalho de contar. Era só pegar um avião dentro de seis dias e em três horas aterrissaria no Recife. Mas havia um sério problema.

Hércules Leônidas tinha um medo crônico de avião. Nem ele mesmo sabia quando isso tinha começado. A verdade é que o mero som de uma turbina de avião lhe causava calafrios e desespero. Mas era a maneira mais rápida e segura de ir para o Recife. Ônibus clandestinos eram perigosos e ir de ônibus convencional tomaria quase dois dias, com gastos só um pouco abaixo de uma passagem aérea de classe econômica.

O temor de turbulências, arremetes, pousos de emergência e um eventual desastre acabou falando mais alto. Até mesmo do que a voz, que insistia em repetir:

- MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE!

Neste instante, Hércules Leônidas pegou o telefone, ligou para o serviço de informações, para a rodoviária, para a companhia de ônibus e agendou sua passagem para aquela noite de quinta-feira. Era preciso estar na rodoviária quatro horas antes da saída do ônibus, que sairia do terminal da Barra Funda, próximo ao hotel. Daria tempo de um banho de piscina, um drinque, um almoço e uma soneca. Depois de três meses de agitação absoluta, nada como uma manhã e tarde de tranqüilidade, às custas de um serviço ilegal. E foi exatamente isso que Hércules Leônidas pensou, com toda sua força, tentando afastar a misteriosa e à essa altura, irritante voz ressoante em sua mente.

Durante seu descanso, Hércules Leônidas não conversou com ninguém, folheando jornais e revistas e tomando algumas cervejas para passar o tempo. Após o almoço, passou na recepção, acertou sua conta e avisou que deixaria o quarto no início da noite. Recolheu-se aos seus aposentos e teve a feliz idéia de trocar as roupas e o dinheiro de lugar. As roupas iriam na mala, a ser despachada no bagageiro do ônibus, e o dinheiro na mochila, à mão, junto com os comprimidos do sono.

Quatro horas, dezenove minutos e cinco segundos antes da saída do ônibus, Hércules Leônidas chegou ao guichê da companhia. Pegou sua passagem, fez o pagamento e comprou algumas palavras cruzadas e uma caneta. A espera não lhe fazia bem, era óbvio. Tinha a sensação de estar sendo perseguido e de que seria preso. Além da fuga do hospício, já tinha viajado ilegalmente para o exterior, comercializado anfetaminas, transportado e comercializado outras drogas sintéticas além da utilização permanente de documentos falsos. Não era pouca coisa.

As horas demoraram a passar, mas transcorreram bem. Hércules Leônidas não conseguiu resolver todas as palavras cruzadas, que foram colocadas na mochila. Pôs a mala no bagageiro e subiu no ônibus. Acomodou sua mochila nos pés, baixou o banco e tentou dormir antes que o veículo partisse. Sem sucesso. Hércules Leônidas passou as primeiras dez horas da viagem em estado de alerta, tal como um sentinela. Pensou em tomar um  dos comprimidos mágicos do sono, mas desistiu, pois havia alguns milhares de reais para serem vigiados. Mais algumas horas e o ônibus parou para que os passageiros almoçassem.

Exceto pela súbita insônia, que perpassou a totalidade da viagem, não houve problema algum. Nem problemas mecânicos, nem blitzes policiais. Uma tranquilidade que a insônia não permitiu que Hércules Leônidas usufruísse, além da ressonante voz, que não parava de repetir um só segundo:

- MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE!

No meio da tarde de sábado, quatro dias antes da partida, o ônibus chegou ao Terminal Integrado de Passageiros, no bairro do Curado, em Recife. Já fora do ônibus, mochila cheia de dinheiro nas costas e mala de roupas à mão, logo pegou um táxi e pediu para que o deixasse em alguma pousada ou hotel próximo dali:

- Tem um hotel-fazenda próximo daqui, uns quinze minutos de viagem. Tranqüilo, longe da cidade, só um pouco caro. Mas vale a pena - disse o taxista.

- Qual teu time? - perguntou Hércules Leônidas.

- Sou de Caruaru, patrão, sou Central. E mais nenhum - respondeu o taxista, olhando para Hércules Leônidas.

- Acho que posso confiar em você. Leve-me a esse hotel-fazenda de que você falou.

Conforme o prometido pelo taxista centralino, em quinze minutos eles estavam no hotel-fazenda. À primeira vista, não parecia tão luxuoso, mas isso não interessava à Hércules Leônidas. Ele só queria ter a certeza de que conseguiria dormir por ao menos dezesseis horas sem ser incomodado ou surpreendido. E o tal hotel-fazenda parecia bem adequado para tal.

Hércules Leônidas estava exausto. Optou por um chalé na parte de trás do hotel, o mais afastado possível da entrada do hotel. Mesmo cansado, dipensou a ajuda do carregador, decisão da qual arrependeu-se ao perceber que seu chalé ficava bem distante da recepção. Mas já não dava para voltar atrás e num esforço espartano, Hércules Leônidas filnalmente chegou ao seu novo reduto, ao menos pelas próximas horas.

Estava sem banho há tempo demais para dispensar uma boa ducha. Foi o que ele fez, antes de cair desfalecido na confortável cama. Só acordou após o meio-dia do domingo, a tempo de almoçar e acompanhar pela televisão a partida decisiva do campeonato pernambucano, um empate sem gols com o Náutico que deu o título invicto ao Sport.

Jarbas, proprietário do hotel-fazenda, era um notório e conhecido torcedor do Leão. Após a partida, ofereceu cervejas e churrasco aos poucos hóspedes lá hospedados na ocasião. Um dos hóspedes, torcedor do Náutico, aceitou a proposta, desde que pudesse oferecer o whisky 12 anos que guardava na bagagem. A festa estendeu-se até perto da meia-noite, com conversas animadas sobre futebol e outras coisas menos importantes. Num determinado momento, Jarbas descobriu que Hércules Leônidas iria ao jogo de quarta-feira, contra o Colo Colo pela Libertadores:

- Meu amigo, você vai comigo ao jogo. Tenho duas cadeiras cativas, e não acredito que eu esteja suficientemente gordo para ocupar ambas. Sem discussão, você vai ao jogo comigo, não importa se vai ficar aqui até a quarta-feira. Aliás, você fica até quarta-feira, e pagando adiantado - Jarbas interrompeu a fala ébria com uma gargalhada - Tenho que me precaver, né?

- Bem, o que posso dizer? Vamos nessa.

E a conversa seguiu animada até que perto da meia-noite todos se recolheram. Hércules Leônidas apagou até depois do meio-dia da segunda-feira. Acordou, deu uma volta pelo terreno do hotel. Sentia uma leve ressaca. Por pouco, não perdeu o horário de almoço. Após comer, voltou ao quarto, levando os jornais do dia e algumas revistas. Folheou-as com algum interesse e as horas passaram rápido, até o jantar. Conversou um pouco com Jarbas e logo estava no quarto novamente.

A terça-feira seguiu sem grandes surpresas. Comer, beber, dormir, nada mais que isso. Até a misteriosa voz pareceu dar uma trégua. A quarta-feira amanheceu com uma persitente chuva:

- Puta merda, melhor que pare logo - disse Jarbas, ao encontrar Hércules Leônidas no café da manhã.

- Fica calmo, hermano Jarbas - replicou Hércules Leônidas - com ou sem chuva, sairemos da Ilha do Retiro classificados.

- Deus te ouça, e São Pedro também.

Após o café da manhã, Hércules Leônidas não resistiu e tomou um dos comprimidos do sono mágico. Deu merda. O homem apagou. Às cinco da tarde, Jarbas começou a ficar preocupado. Seu hóspede predileto não apareceu para o almoço e não dava as caras desde as oito e meia da manhã. Seis da tarde e nada de Hércules Leônidas. Jarbas foi até o chalé e bateu algumas vezes na porta. Sem resposta. Jarbas resolveu então arrumar o carro e as coisas para sair para o estádio.

Jarbas tomou alguns cafés e conversou com a esposa. Aos cinqüenta anos recém-completados, tinha se tornado um sujeito de tolerância acima da média, o que volta e meia rendia-lhe prejuízos nos negócios, sobretudo por conta de contas não pagas por clientes. Mas uma coisa realmente lhe tirava do sério.

Pessoas que não cumpriam com compromissos. E o comprimido do sono mágico fez com que Hércules Leônidas se aproximasse dessa categoria. Isso era perigoso.

Pouco antes das sete da noite, a extensa e incomparável paciência de Jarbas foi para o espaço. Bateu mais algumas vezes à porta do chalé onde Hércules Leônidas se encontrava, mais uma vez sem resposta. Não teve dúvidas: arrombou a porta com um chute de fazer inveja a Chepo, um lateral-direito hondurenho que jogou no Sport no final da década de 1990. Só depois do estrago foi que Jarbas lembrou que era só usar a cópia da chave.

O barulho não foi suficiente para despertar Hércules Leônidas do seu estado morfético. Jarbas teria que apelar, e foi que ele fez. Deu-lhe uns safanões:

- Vambora, porra! Sport, porra!

Hércules Leônidas acordou assustado. Não é toda hora que se é acordado à base de porrada estando sob efeito de tranqüilizantes.

- Hããããã - disse Hércules Leônidas - Já vamos sair? Estou pronto.

Hércules Leônidas estava deitado da cama, vestindo bermuda, sua camisa surrada do Sport e meias. Levantou-se e calçou os tênis.

Jarbas ficou estarrecido. Havia uma porta para consertar, à toa.

Entraram no carro e se dirigiram até à Ilha do Retiro. Quarenta minutos e estavam estacionando próximo a um posto de gasolina. Uma passagem pela loja de conveniência para algumas cervejas. Uma, na verdade, pois a segunda foi bebida já na caminhada de cinco minutos até o estádio. Mais uma latinha para cada um, e entraram no estádio.

Faltavam uns quarenta minutos para o início da partida. Jarbas estava ansioso, nervoso, e fumava um cigarro atrás do outro desde que saíra do hotel-fazenda. O estranho nisto tudo é que Hércules Leônidas não percebera em nenhum momento nos últimos dias  Hércules Leônidas percebera Jarbas acender um cigarro sequer.

Foi um bom pensamento para ocupar a mente durante quarenta minutos e tentar afastar a voz, que tentava fazer sua parte para atormentar Hércules Leônidas:

- MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE!MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE!

No primeiro tempo, pouca coisa aconteceu. Hércules Leônidas não tirava os olhos do campo e Jarbas não parava de fumar. Nada muito diferente do restante do público.

No início do segundo tempo, uma bobeira e gol do adversário. Pela terceira vez seguida, o adversário abre o placar. Das primeira vez, uma derrota, na segunda, um empate. Havia uma evolução ali. A torcida continuou a cantar, acreditando na evolução

Pouco mais de dez minutos depois, um chute na trave de Hamilton, um rebote de Moacir e o empate.

De fato, havia uma evolução. A torcida cantou mais alto. Hércules Leônidas berrou mais alto. A voz ensurdeceu a mente de Hércules Leônidas:

- MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE!MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE!MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE! MATAR EL GRUPO DE LA MUERTE!

Vandinho pareceu ter ouvido a voz e marcou o gol da vitória. Ainda faltavam cerca de vinte minutos, mas estava escrito que a classificação viria naquela partida.

E de fato veio ao final do jogo, com fogos, gritos, cantos e lágrimas.

Não era preciso ouvir a misteriosa voz para saber que seria preciso Hércules Leônidas dar um jeito de estar no Equador dali a sete dias. Afinal, seria preciso terminar a primeira fase da Libertadores na liderança de seu grupo.

A sexta parte da saga está aqui.

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Postado por mautargino | Comentários (5)

Vitória e 1º lugar, só na manha

Quinta-feira, 30 Abril 09, 09:39 AM

A partida entre LDU x Sport foi válida pela última rodada da fase de grupos da Libertadores 2009. Mas se algum detrator desavisado estivesse vendo o jogo, bem que poderia jurar de pés juntos de que se tratava de uma partida válida pelo segundo campeonato mais difícil do mundo. Sim, aquele mesmo que o Sport conquistou de forma invicta um dia desses aí.


Adversário nas oitavas, mata-mata, redução do preço dos ingressos, venda de Ciro, possibilidade de enfrentar um time mexicano em tempos de gripe suína... tudo isso deve ter passado pela cabeça dos onze jogadores que entraram em campo contra o campeão da Libertadores passada e eliminado por antecipação na presente.

A única coisa que não passou pela cabeça dos caras foi o fato de que o jogo com a LDU já tinha começado. Um pequeno atraso na percepção presente das coisas. Culpa da altitude, claro.Nesse tempo, foi a bola que passou pela cabeça de todo mundo. Aliás, perto, porque quando encontrou a cabeça de um jogador da LDU, foi direto na rede do Sport.

Passado esse pequeno contratempo, começou a ressureição de quem chegou já dado como morto no Sport há quase ano. Seus detratores (se é que ainda existem) poderiam dizer que foi o passe "à la Pelé na final de 70" de Vandinho, mas o chute cruzado e rasteiro de Andrade foi espetacular. Mais sensacional ainda foi a bola tocar nas duas traves antes de entrar.

Foi então que Igor quis dar uma de malandro empurrando o adversário dentro da área. Pênalti marcado corretamente pelo árbitro, como pôde ser atestado no replay. Pois na hora do lance foi óbvio que o apitador roubou.

Mas malandro, malandro mesmo, foi Magrão. O goleiro do Sport se adiantou quase até a marca do pênalti para defender a cobrança de Vaca. Isso mesmo, Vaca. Um jogador com esse nome, na boa, não pode cobrar pênalti. Pois se ele perde, como aconteceu contra o Sport, permite piadas infames como "o Vaca foi para o brejo". Meu Deus, isto não foi escrito.

E a malandragem seguiu. Com seu olhar amistoso e risonho, Durval fez com que Salas tentasse esmurrá-lo. Só que o mané não percebeu que o árbitro tudo assistia. Vermelho no Salas.

Então a alteração na percepção do tempo mais uma vez manifestou-se. O setor defensivo do Sport achou que já tinha acabado o primeiro tempo e deixou todo mundo passar. Danny Vera recebeu e marcou um golaço.

No intervalo, o Sport chegou à conclusão que culpar altitude é coisa de fresco. E tratou de jogar bola.

Logo aos doze minutos, Andrade, em noite de Steven Gerrard acertou AQUELE cruzamento. Cabeçada ignorante de Igor e novo empate. E faltando doze minutos, o não satisfeito Andrade, mostrando que seu problema no Sport era não ter jogado na altitude, acertou um tirombaço bestial, brutal e indefensável. Virada.

Ainda teve o malandro Daniel Paulista, depois de passar o jogo inteiro distribuindo pancada, fingindo cansaço na hora de sair de campo para dar lugar a Sandro Goiano, de quem sempre se espera a tal distribuição de pancada. Só que não tinha para que eo Zangief dos gramados só deu uma provocada, de leve, em Calderon, que acertou um chute no tórax de Sandro Goiano, que fez aquela cena. Que papelón, Calderon. Vermelho!

O jogo acabou e os incréus se perguntaram: como pode um time como o Sport terminar em primeiro lugar no tal grupo da morte?

Na manha, cumpádi, na manha.

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Postado por mautargino | Comentários (5)