Domingo, 12 Outubro 08, 11:21 AM
Ter esse DVD em mãos não foi uma tarefa muito fácil. As dez mil cópias da primeira tiragem esgotaram-se em poucos dias.
Bem, se foram vendidas 3 mil camisas no final de semana em que a nova loja do Sport foi inaugurada, em fevereiro deste ano, mesmo custando 150 paus, o que dizer de 10 mil DVD’s a 19,90? Este escriba só conseguiu o seu exemplar graças aos 857.692 e-mails enviados ao Cartão Verde (valeu, Vladir Lemos) quando o programa o ofereceu entre os prêmios da edição de 1º de outubro. Uma semana depois, o tesouro foi entregue.
Trata-se de uma produção simples, sem muitos artifícios, documentando a campanha vitoriosa do Sport Club do Recife na Copa do Brasil 2008.
Em outras palavras: Carlinhos Bala, de bermuda e chinelo, andando pelo castigado (numa definição bondosa) gramado da Ilha do Retiro e contando a escalada vitoriosa do Leão da Ilha, intercalado por lances e gols das partidas do time.
Não tem lá muita coisa além do que qualquer torcedor do Sport não tenha visto a esmo durante o ano de 2008.
Mas vale a pena, uma vez que Carlinhos Bala é uma figura engraçada. Um chato de galocha também, é verdade, mas um cara engraçado. Como um certo blogueiro aqui do OleOle.
Nos extras, entrevistas com o técnico Nelsinho Baptista e Romerito, o artilheiro que o Goiás impediu de jogar a finalíssima do Corinthians. Além de uma crônica meia-boca e alguns clipes.
Por que não entrevistar mais jogadores (o Sport perdeu poucos após a Copa do Brasil), dirigentes, torcedores, personalidades, etc? Porque não entrevistar, por exemplo, Leandro Machado, que um mês depois encerrou a carreira, sendo a Copa do Brasil, o último título que ele conquistou?
Acaba sendo uma prova cabal de algo maior: com raras exceções, os brasileiros em geral e os nordestinos em particular ainda estão a anos-luz de realizar documentários futebolísticos de alta qualidade. Sem esquecer que “A Reconquista do Brasil” é uma produção da Globo, da qual não se pode esperar lá muita exaltação ao Leão da Ilha.
Cabia também fazer um trabalho menos direcionado, assistível por não-torcedores do Sport. Ora, “Inacreditável – A Batalha dos Aflitos” também não é lá uma grande produção, mas qualquer não-gremista pode assistir sem problemas.
Já “A Reconquista do Brasil” é para torcedores do Sport e curiosos de boa-vontade. Quem não é nem um nem outro, chupa o dedo, desdenha, fala que o time é maior, que tem mais isso, mais aquilo.
Coitados. Nunca vão saber o que é vibrar de verdade.
PS: O escriba recebeu o DVD na tarde de quinta, 09 de outubro e assistiu apenas dois dias depois, dia 11. Só enquanto escrevia este post percebeu que se completavam exatos quatro meses da finalíssima contra o Corinthians.
Quarta-feira, 25 Junho 08, 10:54 AM
Sem palavras.
Quinta-feira, 12 Junho 08, 08:08 AM
Este texto não é ateu ou agnóstico. O título (do post e de vice-campeão) é só pra sacanear a torcida do Corinthians mesmo.
Aliás, sacanear o Corinthians virou o eSPORTe nacional do país que vai sediar a COPA DO mundo: BRASIL.
O presidente do Brasil é corintiano é pernambucano e a esperança corintiana acabou-se na capital de Pernambuco.
Só pode ser sacanagem com o Corinthians.
O técnico do Corinthians faz aniversário no dia 11 de junho. A data da partida decisiva na Copa do Brasil. Foi o técnico adversário na tarde em que começou a viagem ao inferno do Corinthians.
Naquela tarde de 02 de dezembro de 2007, o técnico do Corinthians era o mesmo técnico do adversário na noite em que o Corinthians voltou ao inferno depois de algumas semanas no paraíso.
Só pode ser sacanagem com o Corinthians.
Nelsinho Baptista, o “senhor do destino” corintiano, substitui um jogador de 21 anos (Kássio) que voltava ao time depois de uma longa contusão. Põe Thierry Enílton em seu lugar aos 25 minutos do primeiro tempo. Só pode ter sido de propósito.
Só pra sacanear o Corinthians.
Treze minutos depois, o Sport já era campeão. Aos 38 minutos do primeiro tempo da finalíssima da Copa do Brasil 2008, o Sport fazia o placar que lhe dava o título.
Só pode ser sacanagem com o Corinthians.
Carlinhos Bala (ou Carlinhos Balá, como diria o Sportscenter Latino) disse que o gol de Enílton, nos minutos de acréscimo da primeira partida foi o gol do título.
Só poderia ser sacanagem com o Corinthians.
Carlinhos Drogbala recebeu de Luciano Henrique, matou no peito e abriu o placar aos 34.
Felipe toma um frango de antologia no chute de Luciano Henrique que Enílton só fez de conta que desviou aos 38.
Que sacanagem com o Corinthians.
Corinthians que teve o segundo tempo inteiro pra fazer um gol, não tomar nenhum, ganhar um título nacional e garantir vaga na Libertadores seis meses e nove dias depois de ser rebaixado para a segunda divisão. Ao menos um gol como visitante, como contra os cinco adversários anteriores.
Não fez. O Sport também não.
Só pode ser sacanagem com o Curíntia, mano.
Wellington Saci (o homem que tem duas pernas esquerdas, segundo Luiz Fernando Bindi), é expulso depois de substituir Dentinho e passar 56 segundos em campo. Chutou Carlinhos Bala, aquele.
E, pasmem, o Corinthians teve mais chances de fazer gol justamente depois de ficar com um a menos em campo. No final do jogo, ficou com dois a menos. William, o capitão, deu uma porrada, sim, nele, Carlinhos Bala.
Só pode ser sacanagem com o Corinthians.
Não é.
Deus é tão justo que fez do derrotado na disputa por uma vaga na Libertadores o maior beneficiário de Seus desígnios.
Pois o Corinthians não será eliminado da Libertadores pelo River Plate ano que vem.
Não chora, Curíntia.
Quinta-feira, 05 Junho 08, 02:05 PM
No final das contas, o título do post foi esse manjado mesmo. Quando Dentinho abriu o placar, o título era “Bobeira e tropeço”, graças à sucessão de falhas da zaga do Sport no lance que desencadeou o primeiro gol do Corinthians. Depois, virou “Furto sutil”, graças à não-marcação de uma falta de Carlos Alberto em Luciano Henrique, cujo rápido contra-ataque corintiano resultou no gol de Herrera.
Este último título ganhou força no segundo tempo, quando o árbitro Héber Roberto Lopes marcou pênalti em Leandro Machado e voltou atrás, atendendo à marcação de impedimento. Mas, de fato, o atacante do Sport estava em posição irregular.
Então, virou “Catástrofe”, “Pane”, “Tragédia”, ou qualquer palavra de significado semelhante quando Luisinho Netto deu um passe no meio campo com uma displicência digna de anedotário, Herrera roubou a bola e tocou para Acosta, livre marcar o terceiro tento corintiano. Quanto mais se assiste ao replay do lance, mais patética fica a recuada de Luisinho, mais tosca fica a tentativa de Igor dominar a bola, mais estapafúrdia fica a cena de quatro rubro-negros tentando, tal como visigodos, tomar a bola de Herrera. E ninguém presta atenção em Acosta correndo pelas costas de todos.
Voltemos a Luisinho Netto: seus cruzamentos e passes errados, suas falhas de marcação, enfim, sua atuação serviu tão-somente para facilitar a tarefa de escolher o pior jogador da partida. Sem medo de errar, foi a pior atuação individual de um atleta do Sport no ano.
Entretanto, os deuses do futebol resolveram presentear este escriba, bem como todos os torcedores do Leão, com um gol de Enílton aos 45 minutos do segundo tempo. A etapa final, ao menos, terminara melhor do que a inicial. Perder nunca é bom, mas é melhor perder por 3x1 do que por 2x0. That's the law, at all.
A torcida corintiana, já gritava “É campeão”. Após o gol de Thierry Enílton, passou a murmurar, quase emudecendo. O escriba não viu na TV nem ninguém contou-lhe. O escriba foi testemunha ocular ou presencial.
Agora, o Sport tem que vencer na Ilha do Retiro por 2x0, o que não é nada improvável. Nem tampouco impossível.
PS: Saí do Morumbi pensativo. Não lembrava de ver o árbitro dando um cartão sequer. Chequei e, de fato: Héber Roberto Lopes não aplicou um cartão sequer. Alguém lembra de um jogo, não precisa nem ser final, onde isso aconteceu?
Quinta-feira, 29 Maio 08, 12:15 PM
O grande mistério da quarta-feira foi:
Quem ganhou no cara ou coroa entre Vasco e Sport para escolher a trave na qual seriam cobrados os pênaltis para decidir uma vaga na final na Copa do Brasil.
A moedinha foi a forma de vida imaterial mais perfeita da história do universo.
Por que bater na trave oposta à que Romário se consagrou com o gol que todo mundo fala em cima do goleiro que todo mundo lembra?
Por que colocar o “especialista em não conseguir fazer o gol mais fácil do futebol” Edmundo para abrir a disputa de pênaltis?
Só ele errou nas dez cobranças da disputa entre os dois times.
Logo ele, que foi o grande culpado de tudo aquilo acontecer, ao fazer o segundo gol do Vasco nos minutos finais da partida de volta.
Mas engana-se quem pensa que Edmundo foi o culpado.
Magrão foi o culpado. Ele é goleiro e está para evitar gols. Se toma um como aquele, no fim do jogo, a culpa é dele.
Mas tem uma coisa que pouca gente sabe. Magrão tomou o gol de propósito. Ele precisava dos pênaltis.
Romário esticou a carreira para encontrá-lo num pênalti e fazer o gol que todo mundo fala e virar estátua atrás de uma das traves de São Januário. Claro que NAQUELA trave.
Edmundo, o Erasmo Carlos de Romário, encontrou Magrão no mesmo estádio e na trave oposta. Deu um chute bisonho, por cima do travessão, pouco mais de um ano depois do seu chapa fazer o gol que todo mundo fala.
A estátua de Romário olhava para o campo, com os braços levantados, do outro lado do campo. Por trás de Edmundo.
Edmundo encerrou a carreira. Mais uma vez.
O torcedor do Sport se pergunta, precisava de tudo isso?
Precisava. Estamos prontos para a batalha final.
Outras
Um caralho! Falar de quê?
Sexta-feira, 23 Maio 08, 02:18 PM
Poderia ter sido mais. Ou como diria o mais otimista, muito mais. Afinal de contas, antes dos vinte minutos de jogo, Luisinho Netto já tinha cobrado falta na área para Durval cabecear para o gol e Daniel Paulista já tinha acertado um chute antológico na rede dos bacalhaus. Na jogada do primeiro gol, a bola bateu no zagueiro vascaíno Jorge Luís, mas o gol foi mesmo creditado ao Baresi da Ilha (genial, Xico Sá, genial).
Antes dos primeiros vinte minutos de jogo, o Sport já vencia por 2x0 o Clube de Regatas Eurico Miranda, aliás, Vasco da Gama.
Antes dos vinte minutos, e antes até dos gols, Romerito já tinha realizado uma daquelas seqüências de dribles um tanto não-convencionais e cuidado com perigo.
O Vasco não esboçou reação, contando talvez com a marcação de um pênalti a seu favor, como em 80% de suas partidas neste ano.
Mas pênalti mesmo foi o que Jorge Luís cometeu contra o Vasco, praticamente abraçando a bola dentro da área. Leitor, já pensou se o Vasco vai para o intervalo perdendo por 3 a 0? Eurico Miranda mandaria matar, ou mutilar, ou envenenar ou aleijar (ou tudo isso junto) o árbitro Alício Pena Jr. e seus auxiliares. A partida seria interrompida e “Seo” Eurico iria aos tribunais e muito provavelmente conven$eria o júri. Melhor não marcar, deve ter pensado Alício. Foi isso que ele fez e voltou vivo para a segunda etapa, bem como seus auxiliares.
Convencido de que perder só de dois era um bom negócio, o Vasco aquietou-se na defesa enquanto, Carlinhos Drogbala mandava um petardo no travessão, Leandro Machado perdia boas chances, etc.
Poderia ter sido mais, entretanto a vantagem não pode ser desprezada. O adversário do Sport na semifinal perdeu a invencibilidade na Copa do Brasil (também, enfrentando Bragantino, Criciúma e Corinthians/AL, até o saudoso Caveira de Paulo Afonso se manteria invicto) e não marcou gol na Ilha, no jogo de ida.
Dava para ter feito mais. Porém, melhor vencer por 2x0 do que por 3x1, 4x2, etc.
No jogo de volta, os bacalhaus já começam com um pênalti a seu favor antes dos vinte minutos de jogo. Alguém duvida?
Outras
O Flu mostrou que este escriba entende tanto de palpite quanto de Biotecnologia. Eliminou o São Paulo na Libertadores e neste domingo manda os reservas (até o goleiro, que merda) contra o Sport, na Ilha, pelo Brasileirão.
Começou a hecatombe nos Aflitos. O técnico foi embora para o Atlético/PR e deve ter o mesmo tratamento dispensado ao conterrâneo Givanildo Oliveira, alguns anos atrás.
Alguém acredita mesmo que a história da tal cirurgia no joelho do Kaká é verdade? Tá com cara de migué pra não deixar o “casou virgem” jogar as Olimpíadas...
Quinta-feira, 15 Maio 08, 12:31 PM
Arreia a calça e senta no meu pau
Oh, Internacional Que eu vivo a enrabar
Vens de plagas distantes
Todo arrogante
Achando que vai ganhar
Primeiro foi o Leandro Machado
Depois o Roger e por fim o Durval
Saíste da Ilha sem vitória
Colorado tá fora
Da Copa do Brasil
A versão tosca e mal-educada do hino do Inter poderia sozinha ser post. Mas a épica vitória do Sport sobre o atual campeão gaúcho não poderia se resumir a uma paródia tão escrota.
Na verdade, horas, dias, séculos, existências se passariam até que se achasse a melhor maneira de começar esse post.
Pois bem, a partida não poderia ter começado melhor. Três minutos, escanteio da direita, Luisinho Netto cobra na cabeça de... Leandro Machado (algum colorado lembra dele?). Em três minutos, fim de um jejum de 206 minutos do Sport sem marcar gol. Mais 87 e o jogo iria para os pênaltis.
Mas que graça teria esperar os pênaltis ou fazer mais um gol?
Ainda no primeiro tempo, aquela falha costumeira da defesa leonina e empate do Inter. Em seguida, pênalti claro em Leandro Machado, vantagem para o Sport e Sandro Goiano chuta pra fora.
Segundo tempo, presentaço do Fernandão (sinceros agradecimentos ao cabeça de platina), Carlinhos Drogbala vai à linha de fundo e cruza para Roger, quase impedido, fazer o gol mais fácil de todos os tempos. E ainda tinha gente achando que ele ia perder. Que maldade com o Kanouté da Ilha.
Então veio a expulsão de Luciano Henrique. Sport precisando de mais um gol, um jogador a menos e contra o "time mais espetacular da história da humanidade pós-Revolução Industrial" (aspas para a afirmação do genial e irônico Luiz Fernando Bindi)
Pois não é que o Inter teve a certeza de que não só se classificaria como empataria e até viraria o placar? Afinal eles já foram campeões do mundo, não é?
E teve a cabeçada do Durval. O que dizer da cabeçada do Durval? O que dizer da cabeçada do Durval?
Clemer fez um milagre maior que o Superman no primeiro filme dele, quando inverteu a rotação do planeta terra para fazer o tempo voltar.
Então Durval foi cobrar uma falta. Mas, esperem, alguém já tinha visto Durval cobrar uma falta?
Pois na noite de 14 de maio de 2008, 103 anos e um dia depois da fundação do Sport Club do Recife, mais de 31 mil pessoas no estádio e milhões ao redor do Brasil e do mundo viram.
Clemer, o goleiro senil do Inter, não. Nem com a imagem em loop e em camera lenta ele conseguiria ver.
O terceiro gol, o gol da classificação do Sport para as semifinais da Copa do Brasil.
Três gols: o de Leandro Machado decepou a perna do saci. O de Roger tirou o cachimbo. E o de Durval fez o Inter sentar no recém-inaugurado maior mastro de bandeira de clube do Brasil. Sessenta metros de aço no Culorado. Será que doeu?
Pergunte ao torcedor do Inter.
Quinta-feira, 08 Maio 08, 04:41 PM
Não, não foi lá nenhuma catástrofe, mas perder o jogo de ida das quartas-de-final contra o Inter, em Porto Alegre, não estava nos planos do Leão da Ilha do Retiro. Aliás, se um time planeja perder de pouco no jogo de ida para descontar no jogo de volta, podem ter certeza que um time desses está dando o primeiro passo rumo à desclassificação.