Terça-feira, 09 Dezembro 08, 08:03 AM
Às vezes tudo o que uma boa partida de futebol precisa é de descompromisso. Por mais paradoxal que possa parecer.
Em Brasília, tinha gente que não podia perder. Em Porto Alegre, tinha gente que tinha que vencer e torcer para outro perder. Em Curitiba, gente que tinha que vencer e gente que foi ameaçada de morte se não perdesse. No Rio, tinha gente que tinha que vencer e torcer até pra rival pra se salvar do rebaixamento. E por aí vai... gente demais.
Na Ilha do Retiro, alheios a tudo isso, mais de 20 mil torcedores do Sport foram ao estádio “apenas” ver um jogo do seu time. Simples assim.
Não valia nada, ninguém iria ou deixaria de ir à Libertadores ou Sul-Americana se vencesse ou perdesse, nem corria risco de rebaixamento. O par ou ímpar para escolher campo ou bola e o apito inicial foram a deixa para um dos melhores jogos da última rodada. E já que o campeonato teve um nível de mediano a medíocre mesmo, por que não colocar Sport x Coritiba como uma das melhores partidas do Brasileirão 2008?
Aos 13 minutos, o Sport já vencia por 2x0. Aos 16, o Coritiba diminuía com Marlos e aos 30, Keirrison marcava seu 21º gol no campeonato. Antes do intervalo, o Sport passava de novo à frente, com o terceiro gol de Wilson.
Quem? Wilson? Aquele que foi rebaixado com o Corinthians em 2007? Sim, ele mesmo. O atacante que tinha marcado um mísero gol em todo o campeonato, num jogo que o Sport fez cinco (5x0 contra o Figueirense), marcou três gols, o popular hat-trick, num oportunismo “romárico”. Em tarde de Romário, Wilson mostrou que pode, por incrível que pareça, fazer parte do elenco para a Libertadores.
Teve pancada também. Tiago Bernardi do Coritiba e Ciro do Sport foram expulsos ainda no primeiro tempo e no segundo, como era de se esperar, o jogo esfriou.
Mas só até os 33 minutos, pois após uma cobrança de escanteio, Rodrigo Mancha empatou de novo o jogo num lance em que o goleiro Cleber ficou bisonhamente batido no lance.
Mas justiça é justiça. Nove minutos depois, escanteio cobrado por Márcio Goiano e Durval, o Baresi da Ilha, o supremo, o capitão, a muralha do Brasil, enfim, a síntese de todos os adjetivos, alcunhas e superlativos possíveis para definir um zagueiro testou firme para marcar o gol da vitória.
Durval, que quase marcou o segundo do Sport, que tomou um drible inclassificável no primeiro gol do Coritiba, marcou o gol da vitória do Leão, o oitavo dele no campeonato. Todos os gols da partida aqui.
E assim terminou a série de 38 amistosos preparatórios para a Copa Libertadores. 14 vitórias, 10 empates e 14 derrotas, 52 pontos e 11ª colocação. Nada de tão marcante, mas o que importa?
Em 2009, há uma América e um mundo inteiro a conquistar.
Outras
Em Brasília, nem a presepada dos ingressos para o show de Madonna e a troca de juiz tirou o “hexa-tri” do São Paulo. E ninguém venha dizer que foi gol impedido e coisa e tal. O empate também dava o título ao bambi, ops, tricolor paulista.
Em Porto Alegre, vitória também polêmica do Grêmio (o Galo teve dois gols impedidos, um deles discutível, mas ninguém fala disso) que autoproclamou-se “campeão moral”. Como diria Eduardo Bueno, se fosse uma final, teria sido 2x1 para o Grêmio/Goiás sobre o São Paulo/Atlético-MG.
Em Curitiba, ninguém do Flamengo se atreveu a vencer o Atlético/PR para ajudar o Vasco e ir à Libertadores, já que o Botafogo venceu o Palmeiras no Parque Antártica. Tudo bem, não haverá vexame carioca na Libertadores.
O Santos teve pena do Náutico, ambos ficaram no 0x0, o Timbu se salvou da segundona e o Peixe ficou fora da Sulamericana. Bem-feito. Para o Santos, claro.
Se Pernambuco manteve seu clássico estadual, Santa Catarina perdeu a chance de ter o seu, após o dramático rebaixamento do Figueirense. Culpa do Flamengo, que abriu para o Atlético/PR e do Santos e sua piedade com o Náutico.
Campeonato equilibrado é isso: pela primeira vez teve três artilheiros empatados. Kleber Pereira, do piedoso Santos, Washington do Fluminense e Keirrison do Coritiba marcaram 21 gols cada.
Ah, o Vasco caiu. Pena que sem Eurico na presidência. Seria mais gratificante. Mas Vasco é Vasco, então que se foda o Vasco.
Terça-feira, 02 Dezembro 08, 10:40 PM
Cinco meses e meio sem ir a um estádio ver o Leão jogar, expectativa de o Sport amolecer o jogo contra a desesperada Portuguesa, de o juiz Elmo Cunha favorecer o anfitrião como fez com o Vasco contra o Santos, o Vasco tem origens lusas como a Portuguesa, putaquepariu, gastar uns 30 paus no ingresso, mas...
... e se (homenagem ao espetacular post do blogueiro cujo time não vai para a Libertadores mas vai ajudar a rebaixar o Vasco) não acontecer tudo o descrito a partir da primeira vírgula do parágrafo anterior?
Começando pelo preço do ingresso: déis real a inteira. Mais barato que isso só o ingresso trocado por nota fiscal na mão de cambista desesperado na entrada da Ilha em jogo em noite de temporal no meio da semana contra o Serrano pelo campeonato pernambucano. E ainda tinha meia-entrada. Nem doeu tanto pagar cincão numa long neck na churrascaria ao lado do Canindé.
Amolecer o jogo? Tem hora que o escriba parece que desconhece o Sport.
O time correu, marcou em cima, mas claro, sem fazer muita força. Afinal, como todos os jogos do Sport no Brasileirão, a confronto contra a Lusa foi apenas mais um amistoso preparatório para a dominação da América e do mundo em 2009.
Tanto que logo aos 10 minutos, Márcio Goiano marcou um dos gols mais fantásticos da história recente do futebol mundial. Não pela beleza, mas pela bizarrice. Veja aqui.
O escriba confessa que só lembrou de que foi uma cabeçada despretensiosa de fora da área quando viu lance nos gols da rodada de alguma emissora de TV. E cabe frisar, o escriba não estava bêbado. Afinal, a draconiana lei seca dos estádios brasileiros só permite a comercialização de cerveja sem álcool. Ou é soda ou é foda.
Do lado oposto à arquibancada na qual o escriba assistiu o jogo, a Lusa virou a partida com Edno (olho nele, diretoria do Sport) e Jonas, graças à desatenção do zagueiro camisa sete César Lucena. Intervalo e o jeito é usar a força da mente para beber cerveja sem álcool como se fosse Heineken (porra de merchandising gratuito como recurso literário) e, quem sabe, empatar o jogo e rebaixar a Lusa. Só pra fazer o mal.
Segundo tempo e percebe-se no Canindé o fenômeno da torcida móvel. Os sofredores postados no setor próximo ao gol defendido por Magrão na etapa inicial deslocam-se para o outro lado do estádio. Estádio para mais de 20 mil com apenas 3 mil e poucos pagantes, mesmo com ingresso a preço suave, é isso mesmo.
Bando de trouxas: perderam a chance de ver mais de perto o milésimo gol do Campeonato Brasileiro 2008. Só podia ser dele, Fumagalli, o gênio incompreendido do futebol, de cabeça após cruzamento primoroso de Carlinhos Drogbala.
Quanto ao caseiro juiz, bem que Elmo da Cunha fez sua parte para ajudar a Portuguesa, invertendo faltas e amarrando o jogo. Mas não deu para arrumar um pênalti pros lusitanos.
No fim da partida, Manuéis e Joaquins choravam mais um rebaixamento da Lusa. Irritados com a tiração de sarro daqueles nordestinos fidirrapariga queriam até bater na polícia, que prudentemente “solicitou” (sem uso da força) a saída dos visitantes. Engraçado feito piada de português.
Enfim, há pouquíssimas coisas na vida tão boas quanto ir ver o time jogar no estádio, mesmo quando o jogo não vale nada.
Nada? Valeu o rebaixamento da Portuguesa. Se não deu pra mandá-la pra terceira divisão em 2006 (no jogo da vergonha), que mande-a de volta à segunda.
Gol bizarro, gol mil do campeonato, Sandro Goiano dando porrada em Athirson, adversário rebaixado, pagode ruim (existiria “pagode bom”?) no sistema de som “fanho” antes do jogo... tudo isso a dez “conto”.
Bom demais, ora pois!
Segunda-feira, 24 Novembro 08, 07:15 AM
Os leitores lembram daquela sensação de ir à escola durante as férias?
Não só é um pé no saco, mas todos os pés de alguma centopéia inimiga do Godzilla a golpear simultaneamente a bolsa escrotal.
Desde o roubo colossal sofrido no jogo contra o Flamengo, na 27ª rodada, que o Sport joga como alguém que é obrigado a freqüentar a escola nas férias. E o pior: sem ter ido para a recuperação ou dependência, nem se matricular em curso de férias.
O Sport começou o Brasileirão focado na Copa do Brasil. Garantiu vaga na Libertadores, prolongou a ressaca no Brasileirão, reequilibrou-se, beliscou o G-4, ficou seis rodadas sem perder, delirou enxergando a possibilidade de título e prêmio de 3 milhões e veio o assalto citado no parágrafo anterior. Começava uma seqüência de oito jogos sem vencer.
O Sport arrumou um latifúndio entre o 10º e o 12º lugar, e por lá armou uma rede, comprou uma boa cachacinha, fritou uns camarões graúdos e ficou vendo o tempo passar. Mas tinha que ir à escola, aliás, jogar o restante do Brasileirão.
Na 36ª rodada, foi enfrentar o Atlético, então 11º colocado, dois pontos e um posto acima do Sport. Promessa de um jogo soporífero.
Promessa cumprida até os 39 do segundo tempo, quando o zagueiro Durval pensou “porra, quero férias, vou resolver essa bodega aqui”. Avançou ao ataque, driblou o pueril zagueiro do Atlético/MG e chutou forte, por baixo do goleiro.
Dois minutos depois, Roger, surpreendentemente em posição legal, recebeu e chutou cruzado. O goleiro deu rebote e Ciro chutou de joelho. Gol de Ciro, o futuro conquistador da América. Sem choro desta vez.
Ciro ainda fez mais um recebendo um passe preciso de Roger e contando com outro pueril jogador do Galo que dava condição. Chute indefensável, no ângulo. E na comemoração, uma dancinha pra lá de bacana, que o escriba adoraria ter uns quinze anos a menos e repetir na pelada da escola.
O escriba não citou os nomes dos jogadores adversários por pura preguiça de lembrar, pesquisar ou se deter. Espírito School’s Out total.
Diretoria e comissão técnica do Sport: férias já para Magrão, César, Igor, Durval, Dutra, Sandro Goiano, Carlinhos Bala e outros. Férias com tratamento físico para Fumagalli, o gênio incompreendido, voltar a jogar decentemente. E mais duas partidas para ver se Sidny, Moacir e outras incógnitas servem mesmo para a Libertadores. Mais duas partidas para ver quem dos reservas pode compor elenco. Duas partidas para Kássio e Ciro se consolidarem no time de 2009.
Veja os gols e a dança bacana de Ciro aqui.
No mais, school’s out for summer, school’s out forever.
São Paulo campeão de novo. Alguma dúvida? E o Vasco, para sobreviver, vai precisar de muita ajuda da arbitragem. Porque pelo time que tem, Série B em 2009.
Será que Caio Júnior vai continuar sem conseguir treinar um time na Libertadores? E vejam o que a torcida do Cruzeiro aprontou com a musiquinha xarope cantada pela urubuzada.
É, Grêmio. Quando era líder, abriu onze pontos em relação ao São Paulo. Dezesseis rodadas depois, está cinco atrás. Não podia MESMO ser campeão.
Terça-feira, 18 Novembro 08, 06:17 AM
Terça-feira, 11 Novembro 08, 06:20 PM
Segunda-feira, 03 Novembro 08, 02:48 PM
Ver seu time jogar corretamente durante 90 minutos e conquistar um pontinho fora de casa contra um adversário tão desesperado quanto ruim.
Cá entre nós, é pedir demais?
Já são oito jogos sem vitória. Quatro empates em casa (um 0x0, dois 2x2 e um 1x1) e quatro derrotas fora (um 2x1 e três 1x0).
Os números são implacáveis com o Sport pós-goleada sobre o Figueirense, ocorrida num longíquo 14 de setembro. Em oito jogos, seis gols marcados e 10 sofridos. Os empates em casa já por si só irritam, mas as derrotas fora de casa, como vêm ocorrendo, são inadmissíveis: dois gols no final da partida contra o Flamengo, um gol bobo contra o Cruzeiro, outro com menos de dois minutos de jogo contra o Grêmio. E contra o Atlético Paranaense.
Antes de falar do gol, que se fale da partida. Surpreendentemente, o Sport até jogou direitinho (contra o combalido Atlético é fácil, não?), marcando bem a saída de bola do Furacão, tentando encaixar contra-ataques através de Fumagalli, o gênio incompreendido.
Mas Fumagalli sozinho não resolve. Sem Carlinhos Drogbala, o poder ofensivo do Sport tende a nulo. E sem Luciano Henrique (que ficou no banco e não entrou no jogo), aí fudeu de vez.
Roger no ataque. E não se pode reclamar, pois pior é Lúcio Curió (que previsivelmente nem viajou a Curitiba).
Enfim, de nada adianta falar de um time que mesmo não jogando tão mal toma um gol como esse.
Em homenagem ao autor do gol, vão essas imagens repletas de testosterona.
Sexta-feira, 31 Outubro 08, 08:59 PM
Já na tarde de quinta-feira, ouvindo o programa esportivo de uma rádio do Recife (há de se convir, programa esportivo não combina com TV – não ver a cara dos comentaristas contribui, e muito, para não sentir raiva deles), o papo era “e aí, de quanto vai ser o empate hoje? 1x1, 2x2, 3x3, 4x4?”
Para um time que até então nas últimas seis rodadas empatava em casa e perdia fora, o palpite fazia tanto sentido quanto era óbvio. Principalmente porque o tal time “Campeão da Copa do Brasil” e “Já classificado para a Libertadores” jogava em casa.
E veio o jogo. O Sport escalado com três volantes contra um adversário igualmente do meio da tabela de classificação com cinco desfalques.
Vai ser um jogão, ironic mode on.
Então, o paradoxo. Graças aos três volantes, o Sport encurralou o Santos durante quase todo o primeiro tempo. Mas gol que é bom, bem, é pedir demais para o “Campeão da Copa do Brasil” e “Já classificado para a Libertadores”.
Até saiu, numa cobrança de pênalti de Fumagalli, esse gênio incompreendido do futebol.
Aí veio o esperado: Molina chutou para a boa defesa de Magrão e, no rebote, a bola foi para aquele cara do Santos que faz um gol e perde cinco.
Desta vez, Kleber Pereira só fez valer a primeira metade do epíteto. Num único ataque, no fim do primeiro tempo, empate do Santos.
No segundo tempo, as coisas ficaram bem claras: se alguém marcar, vai vacilar e ceder o empate.
E o Santos esteve mais perto de marcar. E duvido que fosse vacilar e ceder o empate.
Fumagalli, o gênio incompreendido, ainda acertou uma bola no travessão. Pouco, muito pouco.
Fuma ainda foi substituído, junto com Carlinhos Bala. Por Wilson e Lúcio Curió.
Sobre esse último, cabem algumas palavras: nenhum tipo de nervosismo justifica uma atuação tão bisonha. Esse aí já começou errando na escolha do nome. Lúcio Curió. Que zagueiro vai respeitar um cara desses.
No fim das contas, mais um empate diplomático. Sport e Santos mantiveram suas “honrosas” posições na tabela: 11º e 12º.
Acaba logo, 2008!
PS: Tem alguém interessado em ver os gols? Então clica nessa porra.
Domingo, 26 Outubro 08, 06:51 PM
O escriba fez a besteira de atrasar o jantar e acabou perdendo os dois primeiros minutos do jogo entre Grêmio e Sport. Ou seja, quando ligou a TV, estava passando o replay do bizarro gol de Reinaldo.
Bizarro? Bizarro é pouco. Se não viu, clique aqui.
Sair perdendo para o Grêmio é “pobrema”. Ainda mais num estádio Olímpico cheio.
Conforme foi dito horas antes da partida, aqui, já se sabia que o Sport perderia o jogo. Afinal, que interesse um time que está na 11ª colocação e “já está classificado para a Libertadores por ter sido campeão da Copa do Brasil” (modo “estou de saco cheio de falar – e ouvir – isso” ligado) de ganhar do líder
Aliás, que interesse o Sport ainda tem no campeonato?
Bem, voltando à partida, só valeu única e exclusivamente para o ver Sport baixando o sarrafo no Grêmio – o vice-versa existiu mas, os leitores sabem por que, não interessa ao escriba – e provando que quando a sorte não está com time, não tem jeito. Ou alguém vai dizer que tomar um gol daqueles não é pura falta de sorte?
Voltando à porrada, foi bonito ver Sandro Goiano não amarelar diante do Grêmio – cuja torcida gritou a plenos pulmões seu nome antes da partida – e bater como poucas vezes se viu em sua carreira.
Mandou nego sair de maca, tomou amarelo, falou delicadezas no ouvido do puto do Vagner Tardelli (que, diga-se de passagem, usou da sorte do Grêmio para amarrar o jogo daquele jeito que só ele sabe), trocou de camisa com o adversário e jogou para os gremistas, e seguiu dando – e tomando – porrada depois do intervalo.
Ah, mas o Sport fez lá sua pressão. Não AQUELA pressão, mas o suficiente para deixar os gremistas com o cu na mão durante uns dez, quinze minutos. No final, o Grêmio venceu, jogando mal como sempre, mas venceu.
Ao torcedor do Sport que acreditava ao menos em um ponto em Porto Alegre, ele não veio. Já os jogadores, bem, nem a história do “bicho extra” de duzentos barão supostamente oferecido por São Paulo e Palmeiras (100 barão de cada um, também supostamente) serviu de motivação.
Perderam o jogo, a grana e a possibilidade de fazer uma farra na cidade que, dizem, tem as profissionais de entretenimento adulto mais gostosas do país.
Agora, farra com profissionais gaúchas, só lá em Odete. Por falar em Odete, entendam porque diabos ela apareceu num post sobre Grêmio x Sport lendo isso aqui e vendo as imagens abaixo, gravadas nas confortáveis acomodações do estabelecimento comercial por ela (Odete) dirigido.
Quinta-feira, 23 Outubro 08, 06:55 AM
Não se sabe bem se o cineasta italiano Sergio Leone era fã de futebol (mas por ser italiano, é bem provável que fosse). Já que nasceu em Roma e até onde se sabe não teve ligações mais íntimas com o fascismo, se estivesse vivo provavelmente Leone torceria para Totti & Cia.
Mas não é a Roma o assunto do post, mas sim um dos grandes filmes de Leone (cujos filmes já eram grandiosos por natureza). Depois de realizar a “trilogia dos dólares”, protagonizada por um então desconhecido Clint Eastwood – a saber, Por um Punhado de Dólares (Fistfull of Dollars, 1964), Por uns Dólares a Mais (For a Few Dollars More, 1965) e Três Homens em Conflito, 1966), Leone dirige seu mais ambicioso projeto, Era uma Vez no Oeste (Once Upon a Time in the West, 1969).
A história é um fiapo: um pai e seu três filhos são assassinados por conta de serem proprietários de terras por onde passaria a estrada de ferro federal. Mas os assassinos não sabiam que ele, viúvo há seis anos, havia se casado com uma prostituta de Nova Orleans, que passa a ser dona do local e é protegida por um hábil pistoleiro que tem contas a acertar com o tal assassino.
Bem, na verdade o texto já está no quarto parágrafo. E ainda continua dando voltas. Diz-se que Sergio Leone tinha orientado o elenco do filme a atuar sabendo que não chegariam vivos ao final do filme. Que atuassem sabendo que iam morrer. Nessa brincadeirinha ele conseguiu extrair a melhor atuação da longa carreira de Charles Bronson (o que não era fácil, uma vez que Charles Bronson é o melhor ator de todos os tempos).
Bem, quinto parágrafo e a porra do texto não sai do lugar. O parágrafo que realmente importa é o anterior. Por que tem a ver com este blog? Porque na noite desta quinta-feira o Sport enfrenta o Grêmio em Porto Alegre. Sim, e o que diabo tem a ver com Sergio Leone e Era Uma Vez no Oeste? Porque o Sport sabe que vai morrer no duelo na capital gaúcha.
O Grêmio nunca perdeu para o Sport no estádio Olímpico, e infelizmente não vai ser desta vez. O tricolor vem de uma derrota fora dos planos contra a ameaçada Portuguesa e o Sport conseguiu a façanha de empatar em casa com o freguês Náutico. Só por isso?
Não. O Grêmio briga pelo título, o Sport há tempos só pensa em Libertadores 2009, seu treinador faz uma experiência atrás da outra, muitos jogadores já pensam na renovação de contrato e a diretoria já pensa nas eleições no final do ano.
Respondam, leitores. Ganhando, empatando ou perdendo o Sport não sai da 11ª posição nesta rodada. Já o Grêmio joga praticamente a vida. O que esperar?
Fica a esperança ilusória de quem torce para o Sport. Que logo se vai ao saber que o árbitro será Vagner Tardelli.
Sergio Leone podia até torcer para a Roma. Ou talvez fosse Lazio mas não aparentasse. Mas se estivesse vivo na 31ª rodada do Campeonato Brasileiro 2008, ele seria Sport. Até na morte.
Segunda-feira, 20 Outubro 08, 08:36 AM
Durante a semana passada o OleOle foi bombardeado por dois dublês de... (idiotas?) provocando-se mutuamente. É bem provável que em algum momento de bom senso (se é que isso existe em semana de clássico), ambos tiveram a plena convicção de qual seria o resultado.
Desde o começo tudo parecia programado para o seguinte cenário: um empate, de preferência com gols. O Sport fecha o ano sem perder para o Náutico, mas desde que os manés façam gols. Ora, um time com a grandeza (?) (hahahahaha) do Náutico não poderia fechar o ano de 2008 sem fazer ao menos um gol no tricampeão pernambucano e campeão da Copa do Brasil.
Uau, fizeram dois. Ambos em lances que a zaga do Sport simplesmente observou, como quem diz “deixa esses zé-ruelas marcarem um golzinho, deixa”.
Assim foi o primeiro gol da partida, marcado por Gilmar. Um momento inédito em 2008: o Náutico vencendo o Sport.
Foi tanta emoção que o medíocre técnico do time rosa deu piti, deu escândalo, rasgou os paetês com um lance normal de Durval num jogador da Barbie dos Aflitos.
Mas foi um piti daqueles de fazer a mais escandalosa das bichas parecer um monge budista.
Foi expulso e quando entrava no túnel fez um gesto pouco amistoso para a torcida do Sport.
Imagine: você vai à casa de alguém, dá escândalo sem motivo e ainda sai hostilizando. Vem um doido, quebra teu carro e te dá uma surra e você não entende por quê.
E por favor, leitores, não sejam idiotas a ponto de este escriba pregar a violência neste post. Até porque dar porrada em alguém mais fraco é feio.
Voltou o jogo e Durval, o capitão do Sport, o domador de Barbie, empatou o jogo no fim do primeiro tempo. As coisas voltavam ao anormal.
Mais normal ainda ficou no início do segundo tempo, quando Roger desempatou o jogo. Aí o zé-mané inventa de tirar a camisa na comemoração e tomar amarelo.
O Náutico empatou com Felipe, que mesmo com o salário atrasado, fez o gol no time o qual ele está doido pra jogar.
Pouco depois, o lance que definiu o jogo e escancarou o caráter “compádrico” da partida. Aos 17 minutos do segundo tempo, Roger se chocou com um zagueiro da Barbie e caiu na área POR CONTA DO CHOQUE e não por tentar ludibriar a arbitragem.
Com um a menos, o Sport resolveu deixar do jeito que estava. E o Náutico, inebriado por já ter feito dois gols (nossa, eles(as) conseguiram marcar dois gols no SPORT) não teve nem competência nem qualidade para aproveitar a vantagem numérica.
Alicio Pena Júnior, o árbitro, ainda tentou disfarçar a marmelada e mandou Ticão para o chuveiro, do Náutico, que entrou aos 20 e foi expulso aos 36 do segundo tempo. A essa altura, o jogo estava uma bosta. Tanto que ninguém percebeu a expulsão.
Zecarrera e a torcida cor-de-rosa devem estar eufóricos: conseguiram empatar fora de casa e se safar (por enquanto) da zona de rebaixamento. E conseguiram, vejam só, marcar gol no Sport, coisa até então inédita em 2008.
E o Sport apenas empata pela oitava vez num campeonato que há um bom tempo só tem servido como preparação para a Libertadores.
Jogo de compadres não merece vídeo embeddado. Se quiserem ver os gols, cliquem aqui.
PS: Zecarrera, foi mal chamar de idiota. Não leve a sério