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Sandrão e Dalilah

Sexta-feira, 04 Janeiro 08, 03:18 PM

Sandro Gomes da Luz não era um sujeito dos mais belos nascidos em Pirenópolis, Goiás. Mas as mulheres afirmavam que ele possuía um certo charme, sabe-se lá o que diabo fosse. Era o craque do time de futsal (na época, futebol de salão) e, quase adulto, despertou interesse de equipes de futebol de campo amador em Pirenópolis. Jogando com a dez foi vice-artilheiro, craque e campeão em sua primeira temporada.

A mulherada, sedenta, caiu em cima. Sandro Gomes, agora Sandrão, comeu todas as que pôde, até as que não pôde, o que despertou a fúria de maridos ciumentos. Foi então apresentado a Dalilah (com "h"), filha de um pecuarista texano com a herdeira de um grande pecuarista goiano. Texana de nascimento, Dalilah sonhava em casar-se com um criador de gado ou um peão de rodeio, mas não resistiu ao charme e à sutileza do jovem camisa 10 do Pirenópolis Futebol Clube. Então, veio o caos.

A música sertaneja invadiu as rádios e TV's de Pirenópolis e do Brasil. Dalilah começou a derreter-se pelos cabeludos de chapéu. Sandrão, preocupado, resolveu deixar o cabelo crescer também. Seu rendimento em campo diminuiu, ele perdeu a vaga de titular e, ao final de sua segunda temporada, nem no banco ficou. Sem ele, o time amargou um modesto sexto lugar entre as oito equipes participantes. E Dalilah conheceu um peão bronco e largou Sandrão. Não sem antes tomar uns tabefes, claro.

Sandrão afastou-se do futebol e fez uma visita ao oriente. Meditou, aprendeu todas as artes marciais que pôde e percebeu que sua camisa era a cinco (ou a oito), não a dez. Percebeu que o Uruguai não seria campeão mundial em 50 sem Obdulio, que o Brasil sem Zito não venceria em 58 e 62, sem Nobby Stiles a Inglaterra não teria bandeirinha que a fizesse vencer e que o Brasil de 82 só perdeu a copa porque seu único carniceiro jogou (mal) no ataque. E acima de tudo, que o tri em 70 foi conquistado não com os gols de Jairzinho, nem com a classe de Tostão e Gérson, nem com os chutes de Rivellino.

O Brasil conquistou o tri graças à cotovelada de Pelé no seu marcador uruguaio. Esse sim foi o lance mas bonito da carreira do Rei do Futebol.

Antes de regressar ao Brasil, passou algumas semanas na Alemanha e na Inglaterra, onde estudou as raízes do futebol-violência. Lá resolveu raspar a cabeça, para testar em si mesmo os efeitos do frio.

De volta a Pirenópolis, surpreendeu a todos com seu novo visual e afirmou que seu maio erro foi ter jogado de ponta-de-lança e que dali por diante seria médio-volante. E que nunca mais deixaria seus fios de cabelo ultrapasseram meio centímetro de comprimento.

Quanto a Dalilah, o pouco que se sabe é que foi corneada com força pelo peão de rodeio, que levou também todos os seus bens. Em pouco tempo, já era uma prostituta de baixo escalão nas rodovias que margeavam Pirenópolis.

"Não tenho essas frescuras. Isso (o corte de cabelo com linhas laterais, já devidamente abandonado) é frescurada da patroa. Os velhos não têm isso".*

*Palavras de Sandro Goiano, o Niestzche do futebol-violência, sobre a vaidade dos futebolistas contemporâneos.

Sandro Goiano sorri ao lembrar o destino de Dalilah

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Postado por mautargino | Comentários (4)

4 Comentários

Lucastro
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Lucastro Escrito: | 04.08UTC | Jan 5, 2008

hauahauahauhaahaaahauahaa...é muita imaginação gasta por um tosco, meus deuses! vc ta se superando nessa idéia do sandro goiano, minha nossa!

AA
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AA Escrito: | 14.41UTC | Jan 5, 2008

Dizem que na pacata Pirenópolis em meados dos anos 80 rolava uma pelada.

De um lado Sandro Goiano.

Do outro um tal Mirosmar. Era cantor, mas estava desgostoso da carreira e queria
largar a música. Foi se aventurar no futebol.

Quis o destino que um amigo em comum de Mirosmar e Sandro Goiano organizasse uma pelada seguida de um animado churrasco. Lá pelos 5 minutos de
jogo, Sandro Goiano escalpela o tal Mirosmar, que sai do campo carregado e não consegue voltar pra Goiânia para fazer um show com o Dudu, ficando 2 meses em casa.

Desde então Sandro ainda joga
bola.

Já o Mirosmar nunca mais quis saber de bola na sua frente e voltou com toda força pro mercado fonográfico.

Porém pra não ficar marcado como o fulano que apanhou do Sandro Goiano
mudou o nome pra Zezé di Camargo.

Lucastro
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Lucastro Escrito: | 15.04UTC | Jan 5, 2008

aaaaahauhauahuahauhauhaa
é um pior que o outro...
hahahahahahahaha
mto bom!

mautargino
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mautargino Escrito: | 15.40UTC | Jan 5, 2008

Não esquecer que o câncer que vitimou Leandro (irmão do Leonardo) começou após uma dividida com Sandro Goiano nessa mesma pelada, na qual Leandro, óbvio, levou a pior.

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