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O futebol e a solidariedade aos rivais

Terça-feira, 22 Abril 08, 02:43 PM

Até que enfim acabou o campeonato com o mais imbecil regulamento de todos os tempos. No último domingo, o campeonato pernambucano 2008 chegou ao final. E sem partida final, mais uma vez. Tal como em 2007, o Sport conquistou os dois turnos, o segundo antecipadamente.

A última rodada previa o clássico entre Sport e Náutico, na Ilha do Retiro. A princípio, seria a partida decisiva do turno. Os resultados, entretanto, transformaram o 506º Clássico dos Clássicos num confronto quase inútil. Para o Sport, o jogo se resumiu a uma espera formal pela taça de (tri) campeão pernambucano

Ora, que interesse a partida poderia ter, tendo em vista que tanto Sport quanto Náutico terão jogos duríssimos no meio da semana pela Copa do Brasil? Vencer um clássico é sempre bom, mas isso o rubro-negro já havia feito no campeonato, contra a mesma Barbie. Vencer novamente seria uma imensa crueldade com as bonecas.

Mesmo assim, o técnico Nelsinho Baptista resolveu decepcionar este escriba e escalar boa parte dos titulares. Ou seja, covardia com as freguesas. Escalando reservas ou juniores, ou infantis ou a equipe do berçário, a partida seria equilibrada.

Em campo, porém, os jogadores rubro-negros fizeram questão de não humilhar a esquadra rosada. O pênalti cobrado por Luisinho Netto no primeiro tempo ilustrou bem a preocupação de não sacanear a pobre Barbie.

Luisinho Netto, o rei da bola parada, cobrou com uma displicência de fazer inveja ao já lendário Martín Palermo, centroavante do Boca Juniors. Não só isso: o chute fraco, à meia altura e quase no meio do gol foi capaz de provocar um exercício de suposição bastante peculiar: imaginar Palermo, aos 60 anos, cobrando uma penalidade máxima numa pelada de fim de ano depois de tomar umas cervejas. A bola só entraria se não houvesse goleiro, quiçá não fosse para fora.

No segundo tempo, o Sport até marcou um gol. Roger escorou de cabeça um cruzamento de Kássio, a bola bateu na trave, passeou dentro do gol e voltou ao campo. O árbitro e o bandeirinha, pasmem, entenderam como bola na trave. De fato, essa partida ninguém poderia ter vencido.

Ao final, do jogo, porém, a Barbie comemorou bem mais o fato de não ter vencido o jogo. Nunca uma não-vitória foi tão comemorada pelas bonecas dos Aflitos. Em 2006 e 2007, o Santa Cruz venceu o Sport na última partida. Em 2006, venceu a finalíssima por 1x0 no tempo normal e perdeu nos pênaltis. Meses depois, os sarnentos caíam da primeira para a segunda divisão do brasileiro. Em 2007, venceram pelo mesmo placar um Sport já campeão duas rodadas antes e que buscava o título invicto. Meses depois, caíam da série B para a C e em 2008 disputavam o torneio da morte no campeonato estadual.

Para a Barbie, não vencer a última partida do estadual representou uma esperança no campeonato brasileiro, no qual surpreendentemente permaneceu na série A.

Para o Sport, foi apenas um jogo inútil, no qual sequer se deu ao mais simples dos trabalhos quando o adversário veste rosa: vencer.

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Postado por mautargino | Comentários (3)

3 Comentários

Lucastro
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Lucastro Escrito: | 16.01UTC | Apr 22, 2008

Vale comentar a tosca Renata Fan chamando o Sport de "alvi-negro" e o Lédio Carmona dizendo que o Sport conquistou o título com uma vasta vantagem.
Tosquice e desinformação na televisão....e tem gente que acha que tem que levar a sério o que falam na tv...tsi tsi tsi...

mautargino
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mautargino Escrito: | 16.36UTC | Apr 22, 2008

Comentaristas de TV entendem tanto de futebol quanto eu de cultura underground do Sri Lanka

Lucastro
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Lucastro Escrito: | 17.08UTC | Apr 22, 2008

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