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Maradona - a camiseta `que la chupen`

Domingo, 25 Outubro 09, 05:54 PM

E olha só a camiseta que eu encontrei em Madri, não para vender, infelizmente. Relíquia.

 

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Almôndega e porros - uma noite histórica no Bernabeu

Sexta-feira, 23 Outubro 09, 04:17 AM

O ingresso

A primeira história deste espetacular Real Madrid 2 x 3 Milan é a do ingresso. Um amigo em Madri tem uma amiga que tem uma terceira amiga. A amiga número 3 é proprietária de 3 preciosidades. Três cadeiras de abono, como aqui na Espanha chamam, para a temporada, que vêm sido passadas de pai para filho ou, no caso delas, de mãe para filha. Afinal os três ingressos estão no nome da filha, da mãe e da avó.

As três entradas não poderiam ser mais nobres. Ficam na oitava fileira a partir do escanteio do lado direito onde Dida tomou um frango no primeiro tempo e Casillas tomou outros dois no segundo. A chamada Lateral Este Grada Baja.

Você fica no nível do gramado e quando Ronaldinho ou Granero vinham bater o escanteio, dava para interagir com eles. Ronaldinho, por exemplo, irônico, mandava o seu costumeiro Hang Loose com o sorriso trade mark para as vaias e gritos de ‘almôndega’, ‘baladeiro’ e ‘bêbado’ que recebia.

Para ter estes ingressos, o trio (filha, mãe e avó), tem a preferência de todos os anos comprar a mesma cadeira, que pode ser passada de pai para filho. Compram sempre, claro, até porque o preço não é absurdo (a temporada custa cerca de 800 euros por cadeira, com direito a ver todos os jogos em casa, de Liga, Copa do Rei, Champions e o que mais rolar). O duro não é o preço, mas sim a fila. Para ter o direito de comprar ingressos para a temporada como estes, a fila de espera pode levar de 10 a 20 anos.

E como um deles foi parar na minha mão? Bem, a avó já não está mais tão disposta a ver jogos. E desde que Florentino Perez assumiu, com a zaga ano após ano péssima, o médico decidiu por vetar alguns jogos. A mãe estava fora da cidade por algum motivo. E a filha resolveu não ir. Primeiro por não ter a companhia da família, segundo porque estes ingressos valem dinheiro. E então ela entrega as carteirinhas para a amiga número 2 (sim, tem que confiar para entregar estas preciosidades na mão de alguém) e esta vendeu para mim e amigo André por 60 euros cada.

É o cambista familiar. Aquele que entrega a carteirinha na sua mão, entra com você no estádio, pega de volta e assiste ao jogo. Muitos fazem disso uma renda extra. E, até por isso, não são poucos os ‘de fora’ em espaço tão nobre.



O ambiente

Aí você entra e, depois de passar a catraca, não sobe escada nenhuma. Apenas desce. Se a cidade de Madrid (vou usar com D) está a 655 metros acima do nível do mar, o gramado do Santiago Bernabeu está a uns 650, por aí.

Entre a primeira fila de torcedores e o gramado, apenas fotógrafos ajoelhados, placas de publicidade e agentes de segurança de frente para a torcida.

A torcida lota o estádio. Atrás do gol de Dida no primeiro tempo, no último anel, os ‘ultras’ italianos, ou a torcida organizada do Milan. Atrás do gol oposto, mas no primeiro anel, os ultras do Madrid, metade de roxo, metade de branco. Só eles gritam para valer, o resto da torcida fica quieta , o que dá a impressão que a torcida adversária grita mais alto.

“O torcedor do Madrid é assim. Gosta de ver o jogo. Ficar gritando é mais para os ‘ultras’, que pouco assistem à partida”, me explicou meu cicerone. Gostei da explicação (me identifico, aliás.. assisto a jogos quieto). Além do espaço reservado aos ultras adversários, muitos torcedores do Milan espalhados pelo resto das tribunas. Mas muitos mesmo, infiltrados, comemorando gols normalmente e gritando bastante. Nenhum mal estar e nenhuma confusão. Três cadeiras acima de mim um grupo de 6 italianos chegaram a incomodar de tanto que gritavam os gols. Não seria exagero se rolasse uma briga ou uma discussão. Mas não rolou.

Outra particularidade: maconha. Sim, o cigarrinho do capeta não dá trégua. No lugar (nobre), em que eu estava, foi o jogo inteiro o cheiro e o fumacê do ‘porro’, como se diz por aqui. Um torcedor chegou a fazer o trocadilho: ‘passaram para o Kaká este baseado?’ Maldade…

O frio estava de lascar. Oito graus mas o vento e a chuva fria davam sensação de ainda mais frio. Aí entra a turma do amendoim. Com o time jogando mal, chuva e frio, reclamavam até da cobertura do estádio, que não existe em todos os lugares.

- Florentino %$#@%, cadê o teto?, reclamava um senhor.

Tanto frio que quando o Milan virou, alguns torcedores deixaram o campo, incluindo um ao meu lado. No intervalo, todos voltam para a parte coberta, para um xixi, um bocadillo e, principalmente, para ver os melhores momentos do primeiro tempo e os gols dos outros jogos da Champions na TV.

Sobre os jogadores: Kaká ainda é uma incógnita. Se 80% do estádio estava lá para vê-lo, os mesmos 80% saíram chateados. Alguns davam força, sabem do potencial e do tempo que leva para a adaptação. Outros, como no Brasil, são impacientes e pediam para que Kaká tirasse a camisa do Milan que estava por baixo.

O brasileiro que mais vai do céu ao inferno é Marcelo. Os torcedores mais ‘boleiros’ acham que é muito para ele marcar e ainda ter que apoiar, já que do outro lado Sergio Ramos faz só uma das coisas. Os torcedores mais folclóricos e fanfarrões não suportam o brasileiro. Não é incomum ouvir vaias a ele. De qualquer forma, várias jogadas passam pelos pés do lateral, inclusive oportunidades de gol. Como o gol final de Pato saiu nas costas dele, mais uma na conta do Marcelo.

Saíram todos com a sensação de Ronaldo-dependência. Cristiano, que estava no estádio, fez falta. Zidane, que estava no estádio, também. E Raúl Gonzales BLANCO, que fez o primeiro gol e deu o passe do segundo, é um ídolo sem igual. Sua raça contagia os torcedores. Seus gritos e carrinhos merecem aplausos. Sem contar os seus gols. Fez o que o Dida deu para ele e segue disparado como o maior goleador da história da Champions League com 66 gols. Para se ter uma ideia, a capa do As, jornal madridista ferrenho do day after, mostra um Raúl, bravo, com Benzema e Kaká de cabeça baixa com a seguinte manchete: ‘Grite mais com eles, Raúl’.

O jogo

Vocês viram melhor do que eu. Eu vi mais perto do que vocês. Um primeiro tempo para se esquecer. Fora um pênalti não marcado em Benzema, nada de futebol das duas partes e um gol achado do Real Madrid depois que Dida largou a bola na frente do único jogador que não desiste nunca do Real.

Já no primeiro tempo Seedorf dava mostras que estava mais no jogo do que todos. Mas no segundo, o veterano holandês mostrou que é o cara. Comandou o jogo, ganhou todas as divididas. E então, na minha frente, sem avisar como no futebol de botão que a bola ia para o gol, Pirlo acertou seu petardo com efeito no cantinho de Casillas que, frio, sem tocar na bola até então e sem se aquecer durante o jogo, aceitou.

Pato virou em mais uma falha de Casillas no lançamento do Ambrosini. O gol do empate do Real é o retrato da bagunça do time do Pelegrini. Ninguém aparecia para bater o escanteio já que Granero havia sido substituído. A torcida começou a vaiar e Raúl, sempre ele, saiu correndo desesperado para cobrar. Rolou para Drenthe, fora da área, bater e empatar.

Quando tudo parecia resolvido, mais uma vez bem na minha frente, Ronaldinho bateu um escanteio (foto com máquina ruim) e Thiago Silva marcou. Gol legítimo, mas anulado. O pau quebrou. Ronaldinho deu um ‘pescozon’ no Raúl. Tiveram que separar os dois. Mas o que era do Milan, não ia não ser do Milan. Numa jogada meio errada de Pato, Ronaldinho passou para Seedorf e puxou a marcação pela esquerda. O holandês, para mim mais o nome do jogo do que o próprio Pato, não cruzou, mas deu um passe para  o brasileiro fechar a conta.

Milan e Real Madrid, juntos, somam 16 títulos de Champions League. Lá, da grada baja lateral este, deu para entender melhor o motivo.

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OleOle no jogo da Inglaterra em Wembley

Quinta-feira, 15 Outubro 09, 03:32 AM

 - Os portões do estádio de Wembley ainda estão fechados quando o locutor oficial fala: ‘Este é um jogo que corre de acordo com as regras da FIFA e, por isso, não haverá venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio. Sentimos muito.’

- Mais ou menos assim, pedindo desculpas, os portões do novo estádio Wembley, casa da seleção inglesa de futebol, se abriram para a última partida válida pelas Eliminatórias, contra a Bielo-Rússia.

- Um estádio impecável. Coberto para todos os torcedores (descoberto apenas no gramado), com cadeiras numeradas e capacidade para 90 mil pagantes. Acesso fácil, metrô tanto da Jubilee como Metropolitan lines.

- Dentro, propaganda intensa da campanha da Inglaterra para sediar a Copa de 2018. No telão, o tempo de jogo, o replay das jogadas, e os melhores momentos no intervalo. O futebol como ele deveria ser no estádio (ninguém perde nada).

- Sem álcool, mas com apostas. Legais, diga-se. Ao lado dos belos sanduiches (comi um cheeseburguer, batatas e refri por 7 libras - calcula aí que tô com preguiça), vários quiosques da Betfred. Como eu vou a fundo na blogagem, resolvi colocar 5 libras que Rio Ferdinand (criticado a semana toda) marcaria o primeiro gol. Calma que eu posso explicar. Essa aposta pagava 25 libras pra 1 libra apostada. Mas tinham várias outras, como a trivial quem vence o jogo. Ou qual será o placar. E as filas para jogar são maiores do que as para comer sanduíche.

 

- Enquanto isso, no som ambiente, claro, rock e pop. Do Killers do Muricy ao Michael Jackson. No telão, Noel Gallagher fala que você deveria jogar futebol. Sim, a FA, Associação de Futebol da Inglaterra, faz propaganda do esporte. E todos eles divulgam o amistoso contra o Brasil em novembro, 'number one team in the world'.

- O jogo: Inglaterra classificada para a Copa de 2010. Bielo-Rússia. Bem, a Bielo-Rússia, nunca fez mal a ninguém... English Team sem Rooney e Gerrard, seus dois principais jogadores. Mas com os locais do Chelsea Lampard e Terry, com o ameaçado Rio Ferdinand e com vários outros precisando mostrar serviço para Capello, como Barry, Agbonlahor e Crouch. A escalação, com o áudio oficial do estádio, aqui. E o hino do Jenson Button e do Lewis Hamilton, cantado pelo estádio todo, em outro áudio, aqui.

- E foi exatamente o trio que fez o primeiro gol. Passe do primeiro para o segundo que cruzou para o terceiro dar um carrinho e marcar. Perdi 5 pounds, mas vi a jogada mais legal do jogo.

- No banco, a sombra de David Beckham. No banco, exatamente, não. Capello mandou Becks aquecer aos 15 do primeiro tempo. Ele passou o primeiro tempo e o intervalo inteiro aquecendo. E... os 13 minutos iniciais do segundo tempo até entrar no lugar de Lennon. Deve ser o novo recorde (inglês) de tempo de aquecimento.

- Entra Beckham, ovacionado, pega na bola pela primeira vez e dá o passe para o segundo gol de Wright-Phillips. E, depois, um show de toques de bola refinados dele. O torcedor folclórico ao meu lado diz, impressionado e desanimado ao mesmo tempo, bem do jeito inglês, pela classe do jogador: 'É triste, mas ele é o que temos de melhor ainda. Precisamos dele. É difícil admitir. Beckham, mais tarde, seria escolhido o jogador da partida. Por 50 minutos de aquecimento e 30 minutos de jogo. Impecável em ambos.

- Ainda saiu um terceiro gol, de Crouch, que vai acabar levando uma vaguinha de Capello assim. Capello que, em Wembley, fiuca numa área técnica solitária, longe do banco e dos assistentes. O terceiro gol fez a alegria do não lotado Wembley que recebeu 'apenas' 76897 pagantes (setenta e seis mil, oitocentos e noventa e sete). Aliás, detalhe, talvez pela classificação antecipada, tinha ingresso na semana do jogo para vender no site oficial (thefa.com/tickets) e retirar nas bilheterias.

- Segundo o policial, dos 77 mil (só somar os jogadores e a comissão técnica), mais ou menos metade iria embora de metrô (tube). Todos na mesma estação (Wembley Park), inclusive este blogueiro. E tudo correu na maior calmaria, com policias gentis, montados, pendindo calma que logo todos embarcariam nos trens extras enviados ao estádio. Meia hora depois do apito final, cerca de 22h30, eu já estava em casa (Wembley não é exatamente perto). Que horas começam os jogos da Globo no Brasil mesmo?

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Jogando fora de casa

Terça-feira, 06 Outubro 09, 05:35 AM

*É.. eu tive fora uns dias.

Mas vamos lá, sem delongas, venho aqui para contar uma historinha que está no jornal inglês Guardian de ontem (segunda 5 de outubro). Uma lista de jogadores, a grande maioria de times do noroeste da Inglaterra, que tiveram suas casas/mansões invadidas enquanto jogavam fora de casa por seus times, sobretudo Liverpool e Everton, mas também Manchester United.

O repórter Patrick Barkham levanta 21 nomes, entre eles Lucas Leiva (novembro do ano passado), Gerrard, Reina, Crouch, Macheda, o amigo do Joel Santana Steven Pienaar (maio de 2009) e o último deles Phil Jagielka, do Everton, no mês passado.

Quase todos tiveram suas casas invadidas enquanto jogavam. No caso de Lucas, nem precisou viajar. Foi no jogo contra o Atletico de Madri em pleno Anfield mesmo. Kuyt, Keane e Fletcher estavam viajando com seus times.

A polícia analisa se é apenas a oportunidade que tem feito o ladrão, afinal todo mundo sabe onde os astros moram e principalmente todos sabem quando estão ou não em casa, ou se na verdade é uma gangue organizada dos jogos fora de casa.

A parte engraçada que surge do problema é que antes de ’sacar’ que checar a tabela poderia facilitar qualquer roubo, teve gente que se deu mal. Ao tentar assaltar a casa do lendário escocês grandalhão briguento Duncan Ferguson, aposentado em 2006 e que marcou época no Everton, Carl Bishop não esperava encontrar na sala o próprio jogador.

Encrenqueiro conhecido e com 1,93 de altura (mas ao contrário de Crouch, muito forte), Ferguson deu de cara com Bishop em sua sala. O ‘meliante’ passou 3 dias no hospital além de pegar 15 meses de prisão. A seguir, dois momentos delicados de Duncan Fergunson, guardião de sua casa, nos gramados.



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Grandes (novas) figuras das Copas: ‘O Flanelinha’

Quinta-feira, 03 Setembro 09, 08:41 AM

Estava colocando a leitura em dia (World Soccer de julho) e li com atenção a reportagem sobre segurança na África do Sul feita pelo veterano (todas as Copas desde 1966) Keir Radnedge.

Gosto de ler os gringos falando sobre o tema já que nós, brasileiros, nem sempre somos parâmetros para estes assuntos, até por lidarmos com uma violência parecida todos os dias.

Radnedge cobriu a Copa das Confederações e, sem negar as belezas naturais e o povo acolhedor locais, descreve alguns acontecimentos. Entre eles, coisas corriqueiras do nosso Brasil-sil, como o seu colega da agência Reuters que foi coagido a dar dinheiro para policiais, assalto usando arma de fogo, invasão de um bar por cinco homens armados, o sumiço de dinheiro no hotel das seleções brasileira e egípcia e até sequestro relâmpago.

“Em todos os lugares em que estive, nunca me foram relatados tantos incidentes criminais envolvendo colegas, profissionais e convidados em geral como aqui”, diz o veterano.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a sua narração indignada sobre o momento em que outro jornalista teve que ‘dar dinheiro para que uma pessoa cuidasse de seu carro’ enquanto estacionado ao redor do estádio.

Sim, um flanelinha legítimo, daqueles que guardou o navio de Pedro Álvares Cabral enquanto o gajo dava uma volta pra curtir a paisagem e, dos quais, 500 anos depois, ainda não conseguimos nos livrar. ‘Profissão’ que, ao contrário do cambista, este sim uma praga mundial, não existe no mundo desenvolvido e por isso causa tanta estranheza ao ex-chefão da World Soccer Magazine.

Aí eu imagino 2014. Aqui a Copa terá responsabilidades nacionais: fazer tudo certo, bem feito, com reflexos posteriores para a melhoria da sociedade e, claro, sem afronta e roubalheira aos cofres públicos e/ou privados, além do detalhe de ganhar o mundial (fácil, hein?).

Mas terá também uma responsabilidade internacional (que não sabemos ainda de qual tamanho) de ser melhor organizada do que a da África do Sul. Pela tradição no futebol, índices de IDH, tamanho do PIB, instituições democráticas, imprensa atuante, etc e etc, tudo leva a crer que este objetivo é muito mais fácil do que o primeiro de ser alcançado (eu disse ‘leva a crer’).

Mas confesso que estou bastante curioso, na verdade, para saber o que vai ser dos flanelinhas…

Posso cuidar do carro, tia? Deixa 15 reais adiantado…

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Inter, Palmeiras e São Paulo: quem tem ambição para ser campeão?

Segunda-feira, 31 Agosto 09, 09:40 AM

Muricy empatou o clássico do primeiro turno e o São Paulo saiu mais feliz que o Palmeiras.

E agora empatou o clássico do segundo turno e foi o Palmeiras que saiu mais feliz que o São Paulo.

Aí vem o Inter e dá outro passeio, no Goiás, e mais uma vez vamos todos exaltar o Colorado e figurá-lo (com méritos) ao time dos favoritos.

Muricy tem uma marca ruim e uma marca boa. A ruim é a vitória a qualquer custo, sem medo de escalar 8 volantes. A boa é o espírito vencedor. Aquele algo a mais que fazia o São Paulo vencer jogos impossíveis fora de casa na hora H.

Não foi o que se viu ontem no Morumbi. Nem uma coisa nem a outra. Se o Palmeiras encurralou o São Paulo no campo dele enquanto pode, o mesmo time não teve VONTADE de ganhar o jogo. Faltou o ímpeto vencedor aos seus comandados para matar o jogo e tirar o São Paulo da briga de vez. N'ao era o jogo da vida de nenhum deles.

Percebe-se, ali, que o Muricy ainda não tem o time na mão.  E que assim que conseguir passar esse espírito, e ainda contar com o reforço de Love e a manutenção de Xavier e Diego Souza, vai ser difícil tirar o título do Palmeiras.

Da mesma forma, do outro lado, Ricardo Gomes tem seus limites. Tecnicamente, vem mostrando bola no chão, tabelas de calcanhar e um futebol que encantou por seis rodadas consecutivas. Algo raro no São Paulo e capaz de trazer de volta o futebol de Hernanes, Jorge Wagner e Dagoberto.

Mas tem uma certa timidez 'Caio-Juniana'. Normal, diga-se, para quem relativamente ainda é novo no ramo e na pressão de um grande clube. É difícil transpor a barreira de time bom para time vencedor. Assim como o Palmeiras não quis vencer o jogo, o São Paulo tampouco. O fato de ter ficado de 'bom tamanho' o empate na maioria das falas dos jogadores ao fim do jogo revela essa tendência.

E você vai me perguntar o que o Internacional está fazendo neste post? A mesma coisa que São Paulo e Palmeiras fizeram no clássico. Se o Goiás era um jogo de seis pontos e o Galo na quarta é quase barbada, com todo o respeito ao goianos e mineiros, era no Parque Antárctica, na Vila Belmiro, no Grenal e contra o Corinthians que o Inter mostraria, mais do que futebol vistoso, a gana de ser campeão. E ainda não mostrou.

Isso é uma coisa: o título. Outra é o futebol bonito que o Inter, seus infindáveis talentos da base (agora o Marquinhos?) e suas ótimas contratações cirúrgicas mostram. Resta saber se, finalmente, um coisa levará a outra.

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Se o futebol tivesse alguma lógica...

Domingo, 16 Agosto 09, 05:21 PM

O Palmeiras não `confiou` no seu treinador interino. Agradeceu, reverenciou, aplaudiu. A torcida pediu, os jogadores correram muito mais do que corriam com o Luxa mas, no final, a diretoria tomou a `atitude sensata` e contratou o mais vencedor dos técnicos de futebol da era de pontos corridos no Brasil: Muricy Ramalho.

Juninho virou um dos aspones de Muricy. Não acompanho todos os dias o treinador, mas gente em quem eu confio muito diz que os assessores de Muricy mandam pouco ou quase nada, ainda mais um que acabou de chegar ao clã.

A `atitude sensata`, ainda que coincidentemente (ou não), diminuiu o ritmo do Palmeiras. Que agora assiste sua liderança ameaçada por Internacional, Goiás,  São Paulo e Galo após 3 empates seguidos.

Cerca de 400 km do Parque Antárctica, a Gávea viveu dilema parecido. Contratar ou não contratar um novo treinador apos a saída de Cuca. Optaram por manter o interino. Tomaram, também, em vista do que se apresentava no mercado, uma `atitude sensata`. O interino, diga-se, que como Jorginho fazia (e ainda faz) campanha, se não arrasadora, muito positiva.

Mas eis que uma goleada do Grêmio, com o Imperador em campo e tudo, muda tudo de figura. O Flamengo desce pelas tabelas com ou sem o ombro de Kleberson machucado, vê a euforia-Andrade passar, e termina o turno mais perto da zona de rebaixamento do que do título que não vence há 17 anos.

Não dá, claro, para comparar a tentativa de ser profissional da nova diretoria do Palmeiras com o amadorismo histórico dos cartolas rubro-negros.

Mas, de qualquer forma, fica a pergunta: acertou o Palmeiras ou acertou o Flamengo?

Se o futebol tivesse lógica...

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O São Paulo que corre riscos (e encanta)

Segunda-feira, 10 Agosto 09, 12:58 PM

Um desavisado poderia achar que nada mudou no Morumbi. Primeiro pela habitual desorganização para comprar ingressos na bilheteria.

Segundo pela escalação, a mesma de sempre.

Mas quaaaaanta diferença.

1) O time está motivado.

Os jogadores correm ainda mais do que na época em que era empurrados aos berros por Muricy na beira do gramado.

2) O time está unido e solidário.

Jogadores se ajudam. Dagoberto reclama 90% menos do que costumava reclamar dos companheiros. Todos tocam bola e procuram companheiro em melhor situação (Junior Cesar e Dagoberto deram exemplos disso). Washington sai para a entrada de Borges e ninguém reclama. Todo mundo se abraça no final e comemora com a torcida.

3) O time joga com a bola no chão.

Tá certo que foram dois gols de cabeça contra o Goiás, mas quem viu o jogo todo, viu que o São Paulo joga com a bola no chão. Jorge Wagner, Hernanes, Dagoberto e Junior Cesar, principalmente mas não só, fazem tabelas com passes curtos e entram com a mesma facilidade pelo meio e pelas pontas.

Não sei se o 'campeão voltou'. Me parece exagero. Até por uma diferença básica. O 'campeão' costumava jogar mais fechado e, depois de fazer 1 x 0, parar de jogar. Ficar no contra-ataque, sorrateiro, faturando 3 pontos. Não corria riscos.

O atual time é mais bonito de ver jogar. Parte para cima sempre que pode, erra passes verticais que só erra quem tenta fugir da burocracia e da mesmice dos toques de lado em busca dos 3 pontinhos. Jean e Richarlysson, os volantes mais atrás, vira e mexe chegam na frente. O segundo teve três chances claras.

O São Paulo atual corre riscos. E o Morumbi ontem, feliz da vida como há tempos não se via, agradece.

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Um Palmeiras campeão e um São Paulo jogando melhor

Domingo, 26 Julho 09, 06:16 PM

Edmílson, Pierre, Souza e Cleiton Xavier.

Muricy mal assumiu e já começou a sua festa de volantes em campo (não vou falar do Wendel).

Para completar sua praxe, seu jeito de fazer as coisas, pegou o meia ofensivo, Diego Souza, e transformou em atacante.

São duas as consequências imediatas dos atos de Muricy:

1) O Palmeiras joga mais feio do que quando tinha dois atacantes, um meia e um volante 'que chega na frente'.

2) O Palmeiras fica super competitivo e grande favorito ao título brasileiro de 2009.

O mais engraçado é ver Muricy, na saída, falando que se tivesse um meia como Conca, tudo seria diferente no São Paulo. Pois tem Diego Souza agora. Veremos...

Mais irônico ainda é saber que em apenas três semanas como treinador, Ricardo Gomes já escalou Hernanes, Jorge Wagner e Marlos juntos, no meio, com Dagoberto e Washington na frente.

São duas as consequências diretas dos atos de Ricardo Gomes:

1) O São Paulo está jogando mais solto, mais bonito, envolvente, tocando bola e capaz de gols legais como os contra o Santos e contra o Barueri e Internacional.

2) O São Paulo fica menos competitivo, tomando sufoco, sujeito ao empate na maioria dos jogos e sua zaga de longe lembra as zagas dos últimos três anos.

E aí fica aquela dúvida:

1) Para o palmeirense, mais vale o título brasileiro para sair da fila de 15 anos sem esse título ou melhor jogar bonito?

2) Para o são-paulino, mais vale o tetra consecutivo com mais um time chato ou um time que pode perder, mas empolgue o torcedor e leve mais gente ao quase vazio Morumbi dos últimos tempos?

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Clubes, uni-vos! Não tem melhor hora para cortar o salário dos técnicos

Quarta-feira, 15 Julho 09, 11:27 AM

Felipão foi demitido do Chelsea e, com todo o respeito, dirige um time ridículo de futebol. Um ‘Fim de Carreira Futebol & Dinheiro’.

Carlos Alberto Parreira, depois de perder a Copa e abandonar a África do Sul, foi demitido do Fluminense.

Vanderlei Luxemburgo, que tem demissões da Seleção Brasileira e Real Madrid na sua vida pregressa, foi demitido pelo Palmeiras, depois de quase 5 temporadas sem um título nacional e nunca ter conseguido um título internacional.

Muricy Ramalho é tricampeão brasileiro. Mas num time como o São Paulo, acostumado com a Libertadores, fracassou nas suas seguidas tentativas de levar a América de volta ao Morumbi e, também por isso, foi para o olho da rua.

Vamos encarar os fatos. Os técnicos chamados ‘TOP’ estão em baixa no Brasil.

Motivos para lamentar? Alguns. Motivos para comemorar? Vários.

O maior deles a comemorar é o seguinte: está na hora de baixar o salário destes chamados técnicos TOP de futebol. Se até o Obama cortou grandes sálarios e bonus no coração do capitalismo mundial, everybody can.

Nenhum técnico de futebol vale tanto dinheiro. Nenhum deles jamais valeu tudo isso. Mas, ultimamente, associou-se que um time vencedor começa com um técnico TOP. Fica difícil até de entender o motivo deles passarem a ser chamados TOP no caso dos que não foram campeões mundiais seja com clube, seja com seleção.

Eu não sei os valores e confesso que prefiro nem saber. Mas já ouvi falar por aí nos blogs e comunidades que fulanos e beltranos custam de 300 mil a 1 milhão de reais, seja por conta de prêmio, de comissão técnica ou coisa que o valha.

Estão errados eles? Lógico que não. Errado (e espero que errado só de convicção e não legalmente errado) é o tonto que paga tudo isso. Se meu chefe (que não é tonto hehe) chegar para mim e perguntar se eu quero ganhar 500 mil, tudo declarado bonitinho, eu também vou aceitar.

Belluzzo parece, timidamente, tentar mudar essa história. Ele ofereceu menos a Muricy do que Luxemburgo ganhava. Não que Muricy mereça mais ou menos do que Luxemburgo. Não é isso, não é a discussão e não vem ao caso. Mas é uma bela oportunidade para que o preço absurdo pagos aos Técnicos TOP seja revisto. E digo timidamente, porque acho que Belluzzo ofereceu dinheiro demais ao Muricy, mesmo assim.

A torcida é o maior termômetro. Por mais que Mano Menezes seja um excelente técnico e monte seu time muito bem, é Tevez e Ronaldo que a torcida do Corinthians vai ver jogar e por eles que assinou o pay-per-view. Não importa o quanto Tite fale manso e sua figura seja simpática, é graças a Sobis, Pato, Taison, Nilmar, Alex, D’Alessandro que o Inter chegou a 100 mil sócios. E, por mais que o torcedor do São Paulo se identificasse muito com o Muricy, ir ao Morumbi nos últimos tempos era ver estádio vazio e futebol feio.

Se é para pagar 500 mil para alguém (o que já é bem discutível), que seja a um craque. O Cruzeiro, que tem há 19 meses um técnico que está bem longe de ser um Super Técnico, está aí na final da Libertadores para provar que não é o salário que torna um treinador competente.

Clubes, uni-vos! Outra chance como esta dificilmente aparecerá.

Ps: Post inspirado na discussão no blog do Carlos Magno

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