Segunda-feira, 29 Junho 09, 01:18 PM
Li no colega Xará Stycer, do iG, que tem cerca de 1 milhão de brasileiros no Twitter. Uma parte deles, neste domingo, com a ajuda de perfis (falsos e verdadeiros) e tags (reais e forjadas), inventou uma nova e divertida maneira de torcer para a Seleção Brasileira de futebol, que anda (ou andava) meio distante de seu povo ou sem sair às ruas (como diria o ministro Barbosa do STF).
Quem já foi em jogo da Seleção aqui ou em Copa ou no Haiti sabe que nosso Brasil sil sil tem disparado o grito de guerra mais chato de todos os tempos do universo.
'Sou brasileeeeeeeeeiro, com muito orguuuuuuulho, com muito amooooooor'
Gritinho sem rima, difícil de ir até o fim, que lembra algum comercial que eu nem lembro a marca. Assim que começa, no estádio, você sabe que não vai terminar, simplesmente porque é chato e longo demais e não tem empolga nem motiva ninguém.
Voltemos ao Twitter. Durante o jogo Brasil 3 x 2 USA, o mais popular dos perfis na mais comentada rede social da atualidade...
... o homem que sozinho chegou a um milhão de seguidores antes do que a rede CNN ou de qualquer outro usuário: Ashton Kutcher, resolveu twittar ao vivo a final da Copa das Confederações. Pelo boné, vê-se logo que o esporte dele é outro mas, enfim, não deixa de ser bastante significativo e muito legal ele ter feito isso.
Aí ele narrou o primeiro gol americano. Depois o segundo. E depois, empolgado, mandou: "Se a gente ganhar a Copa das Confederações, podemos chamar esse jogo de soccer sem ninguém poder reclamar por pelo menos um ano" (tradução livre e sem palavrões de 'If the USA wins the Fifa Confederations Cup we officially get to call the game Soccer with out getting any sh*t 4 atleast 1 year').
Então o Brasil diminuiu, teve gol a seu favor roubado, empatou, virou o jogo, o Galvão narrou, o Lucio chorou, aquela coisa toda.
E a galera resolveu mandar um chupa para nosso astro de Hollywood, também conhecido como marido da Demi Moore, seguido por quase 2,5 milhões de pessoas até o fechamento desta edição. E o chupa virou um tópico (#chupa), que Kutcher traduziu como 'suck it'.
E mais e mais brasileiros foram escrevendo #chupa em seus posts até que o próprio Kutcher declarou que #chupa havia se tornado o assunto mais comentado do twitter mundial naquele momento, batendo Michael Jackson e tudo.
"#Chupa is now #1 just like Brazil congratulations", sentenciou, convencido das derrotas, Kuchter (a tradução é que tanto a seleção brasileira quanto o tópico chupa eram número 1).
Kuchter descobriu que não é soccer, mas sim football o nome deste esporte e o Brasil descobriu um jeito bem mais bacanudo de torcer.
Terça-feira, 23 Junho 09, 12:17 AM
Agora você está ouvindo o seguinte:
- 'Injustiça o que fizeram com o Muricy. A diretoria tricolor não sabe o que faz'
Mas você já ouviu, após os últimos títulos:
- 'O sucesso do São Paulo é fruto da organização, da diretoria prestigiar o mesmo treinador há 3,5 anos. O resultado é claro. Está aí.'
Você também já ouviu:
- 'O Muricy é o melhor treinador do país. Uma espécie de Bernardinho do futebol. Sabe treinar o time, sabe armar a equipe e principalmente sabe dar bronca em jogador mimado quando precisa.
Deveria assumir a Seleção Brasileira'
Mas você já ouviu também:
- 'Esse Muricy é muito retranqueiro. Só escala volante. O São Paulo joga feio há 3,5 anos. Nunca o São Paulo do Muricy me empolgou'
E você já leu:
- 'O Muricy é um cara autêntico. Dos poucos no futebol brasileiro. Sem frescura ou politicagem. Um cara assim não se cria na corja de cartolas e empresários do futebol nacional.'
Mas também cansou de ler:
- 'A grosseria com que Muricy trata os jornalistas e algumas das pessoas a sua volta é de uma deselegância revoltante. Alguém precisa dar um basta nas suas patadas'
<strong>Senhoras e senhores, este é Muricy Ramalho, tricampeão brasileiro de futebol. </strong>
Mas não é apenas Muricy que é assim. Este é o futebol. Ninguém especificamente inventou ele assim. Ele é assim. O que é bonito hoje, amanhã é feio (né, Keirrison e Hernanes?). O que não deu
certo ontem, amanhã vai parar na Copa do Mundo (né, Felipe Melo e Doni?). Ronaldo, que é quem fala melhor no mundo do futebol hoje, é o dono da frase que melhor resume tudo isso: "cada gol que
faço, fico mais bonito e um quilo mais magro".
O Manchester United mantém Alex Fergunson como mandante supremo de seu time há mais de 20 anos. Isso inclui negociar jogadores, salário, falar com empresários, fechar patrocinadores - um
absurdo para os padrões brasileiros de ética no futebol, diga-se. Mas Fergunson, cá, é visto como modelo de sucesso, continuidade e profissionalismo. O que não deixa de ser também, claro. Mas
que também não impede que o time perca o jogo mais importante do ano para o Barcelona, que tem em Guardiola um estreante em sua primeira temporada como treinador (EXATAMENTE COMO DUNGA).
O São Paulo manteve 3,5 anos o Muricy no cargo e fez certo. Mas não podemos esquecer que o mesmo São Paulo contratou Paulo Autuori em abril de 2005 para que ele fosse campeão da LIBERTADORES
apenas 4 meses depois.
Futebol é assim. Acontece para todos os lados. Melhor ser profissional e ter planejamento, mas saber atuar rápido e trocar suas peças em nome do resultado também é profissionalismo e
planejamento. E nem tudo que é bom para o Manchester United ou para o Los Angeles Lakers - Phil jackson está há 4 anos na franquia nesta sua segunda e vitoriosa passagem. Antes já havia
dirigido o time por cinco temporadas, além de ficar 9 anos a frente do Chicago Bulls - é bom para o São Paulo ou para o Botafogo.
Não vejo porque um técnico de futebol tenha que ter vida eterna para que um time seja considerado 'profissional'.
Não é um cargo qualquer o dele como o de pessoas que passam a vida na mesma empresa. Ser técnico de um time grande de futebol é desgastante. Muricy teve muito mais sucessos do que fracassos,
mas estava com a data de validade um pouco vencida. Sem criatividade para inovar nas suas formações (o São Paulo virou o reino dos volantes). Sem forças para motivar seus jogadores mimados. Sem
tanta influência entre seus chefes (as pessoas esquecem que treinador tem chefe). E, o mais grave, passava a impressão de não ter mais um pingo de alegria enquanto trabalhava. Mesmo assim,
tenho certeza que, como aconteceu no Beira-Rio e nos Aflitos, ele segue com a porta aberta e o carinho da torcida no Morumbi pelos ótimos serviços prestados.
Por isso, depois de pensar um pouco, <strong>não me filiei ao Partido dos Defensores do Muricy</strong>. Acho que estava na hora de partir. De conhecer novos ares, descansar um
pouco e pensar na sua ranzinice crônica e galopante. Não que ele seja péssimo. Pelo contrário. Ele é um dos três melhores técnicos do futebol brasileiro e provavelmente 50 vezes melhor do que o
Ricardo Gomes. Mas não é isso que está em jogo. Apenas não entro para o time dos 'com pena' do técnico e 'com raiva' da diretoria, que tem muitos outros problemas.
Muricy tem mercado e terá emprego quando quiser. Certamente não vai fazer parte da massa de desempregados que afeta nosso país. Ficará em casa se quiser, irá para o Catar se quiser, assumirá o
Internacional se bem entender. E, amanhã, você ainda vai ouvir aquele repórter perspicaz perguntar na coletiva no final do jogo em que o time do Muricy bater o São Paulo:
'Muricy, essa vitória é uma resposta sua para a diretoria do São Paulo?'
Esse é o futebol...
Quinta-feira, 28 Maio 09, 04:56 PM
(Quase porque só tinha cadeira especial ainda na bilheteria. Então vá lá.)
- Tudo em relação ao Mineirão é especial. Grande e, quando cheio, espetacular. Aquela cobertura que pega parcialmente a arquibancada garante uma acústica que faz dos jogos lá provavelmente os mais barulhentos do Brasil. A torcida do Cruzeiro se inflama como quase todas as outras, mas a quantidade de gente e a acústica fazem dela especial.
- Antes, porém, a torcida sofre um pouco para chegar, pois o estádio é afastado do centro da cidade. Resultado: já que é longe mesmo e não pode vender bebida nos arredores, eles levam a festa pro estádio. Os carros vão parando pelos estacionamentos, as pessoas vão tirando bancos do porta-malas e até churrasqueiras em alguns casos. Lembra muito o que acontece antes dos jogos de futebol americano e de beisebol nos Estados Unidos. Piquenique ou churrasquinho no estacionamento para esquentar.
- Tudo só para esquentar, que fique claro, porque ir ao Mineirão e não comer o Tropeiro é como não ir ao Mineirão. Feito ali quentinho na hora no prato de plástico. Deixa tomo mundo ligadão para o jogo.
- O Mineirão está com dois belos telões, uma trás de cada gol. Mais legal ainda, os telões ficaram passando gols da final da Copa do Brasil de 2000 Cruzeiro 2 x 1 São Paulo, de virada. E cada vez que o Cruzeiro vira, no telão, a massa ia à loucura comemorando como se tivesse sido naquele momento. Reveja os melhores momentos deste jogaço de 2000.
- E então começa o jogo e.... caaaaiu o bandeirinha! Que cena sensacional. Exatamente a minha frente. Achei que seria substituído. Mas bandeirou no sacrifício (e acertou tudo).
- Kleber e Dagoberto. O que eu posso dizer desses dois? Eles vivem reclamando de perseguição da arbitragem brasileira. Aí chamam um juiz gringo para apitar. Desses que não fazem ideia quem é Kleber e quem é Dagoberto. Desses que deixam o jogo correr como os dois querem e não dão falta besta. Não deu nem 30 minutos de jogo e os dois já estavam amarelados.
- Um juiz caolho que apita futebol feminino no Vietnã daria cartão para Kleber e Dagoberto em qualquer jogo que eles venham a disputar. E eles reclamam de perseguição... - E o intervalo chega com o Mineirão indo abaixo. O gol fez com que a torcida passasse os 15 minutos gritando e pulando.
- Dava até para ouvir o coro, tímido, de: 'O Barcelona, pode esperar, a sua hora vai chegar!'
- O jogo recomeça ainda melhor no segundo tempo. O São Paulo vai para cima e Fábio mostra porque é considerado um dos melhores goleiros do Brasil. Quando o empate finalmente sai, a torcida do São Paulo, atrás do gol na geral, explode.
- O Cruzeiro não tinha na partida a habitual inspiração e, então, foi na força. Zé Carlos é chamado e a torcida aplaude. É a dose bruta para peitar Miranda, André Dias e o reino encantando dos volantes do MUricy (assunto para outro dia).
- O São Paulo poderia ter feito o segundo, mas sempre esbarrou em Fábio. O Cruzeiro foi, então, e fez. Festa do torcida. O mesmo resultado da final da Copa do Brasil 2000 e a vantagem do empate no Morumbi.
- O São Paulo também sai feliz com o gol fora de casa. Resta saber como será a volta...
Quarta-feira, 20 Maio 09, 05:33 AM
Faça rapidamente uma lista dos atacantes que podem aparecer na lista de Dunga para a Copa do Mundo. Sua lista não vai conseguir fugir de ter Nilmar (meu favorito), vai ter Ronaldo, o mito, pode ter também os que estão lá (Luis Fabiano, Robinho e Pato). E em dois jogos no máximo terá de volta Adriano, que certamente vai se destacar no Flamengo.
Forçando a barra algum otimista colocará Keirrison, Grafite ou Hulk. Os cruzeirenses, esses sortudos fazedores de grandes atacantes, pensarão, com razão, em Guilherme. Vagner Love não será descartado. Os gremistas tentarão naturalizar Maxi López e lá da Ilha do Retiro ouviremos o coro de Ciro. Não me surpreenderei se Borges, que é o 'matador-zero-carisma', seja lembrado, pois há tempos que aqui nesta terra só dá ele.
Mas e o Fred? Cadê o Fred?
Fred teve uma das melhores trajetórias do futebol brasileiro dos últimos tempos ao chegar a Copa de 2006. Pintou como um novo Ronaldo, pois chutava bem com as duas pernas, tinha velocidade, bom cabeceio e cabeça no lugar.
No Mundial, entrou em campo numa das cenas mais interessantes que já presenciei ao vivo. Parreira coloca ele em campo em Munique, contra a Austrália, e um grupinho de senhoras/torcedoras/turistas (típico do Brasil em Copas) lamenta:
- Fred, quem é Fred? Esse Parreira não dá. Nunca ouvi falar deste Fred.
Fred apresentou-se para aquelas senhoras ao marcar o segundo gol brasileiro. Gol de estrela, comemoração diferente, marcante. Copa terminada e Fred é um dos poucos 'absolvidos'. Ele saiu ileso e léguas na frente de Adriano como substituto natural de Ronaldo, que tinha sua carreira, mais uma vez, dada como encerrada (arrã).
Mas aí, o que aconteceu? Nada... Fred não fez nada. Conformou-se com entrar de vez em quando no time titular do Lyon (uma espécie de túmulo do futebol brasileiro - ou alguém discorda que o Juninho tem condição de ser titular de Milan, Chelsea, Real ou Barça?). Na Seleção de Dunga, foram 6 convocações, um gol apenas e não é chamado desde junho de 2007 (obrigado, Rodolfo Rodrigues), quando foi cortado da Copa América por contusão. Já em janeiro de 2008, uma capa da revista Placar colocava cinco candidatos a camisa 9 da Seleção. Fred sequer aparecia.
Não é de hoje que Fred parece ter desistido. Uma síndrome meio 'Ronaldinho Gaúcho' de se conformar em ser coadjuvante, qualquer coisa tá bom. Deveria ter abandonado o Lyon já em 2007 ou 2008, caso quisesse realmente dar uma nova guinada na carreira.
Aconteceu em 2009 e, claro, não está tarde para ela, a guinada. Pelo contrário, ele tem apenas 25 anos de idade e o mundo pela frente. O problema é que, para quem chegou relativamente em forma já há mais de dois meses, Fred segue devendo. Num Fluminense com os bons Thiago Neves e Conca ao lado, não dá para ele ter tão poucos gols e nenhum decisivo.
Afinal, ele é o Fredgol da foto que ilustra este post, retirada do site oficial do jogador. A marra toda deste site precisa entrar em campo e mostrar alguma coisa. Mostrar que não desistiu.
Oportunidade melhor do que contra o Corinthians de Ronaldo no Maracanã lotado nesta quarta-feira, ele dificilmente terá.
Quinta-feira, 14 Maio 09, 08:14 PM
O Barcelona está a um empate de ser campeão espanhol. Está também na final da Champions League. Nem por isso o time deixou de, na última quarta, entrar em campo para disputar (e vencer o Athletic Bilbao) a final da Copa do Rei, a Copa do Brasil deles.
O Manchester United está a um empate de ser campeão inglês. Está também na final da Champions League. Nem por isso, deixou de ser campeão da Copa da Liga Inglesa 2009 (a Carling Cup) na final contra o Tottenham. Mais ainda, foi para a semifinal da FA Cup, a Copa do Brasil deles, e perdeu nos pênaltis para o Everton.
Nas Copas nacionais europeis, é assim. Todo mundo joga, independente se está na Champions League, Copa da Uefa ou onde quer que esteja. Já aqui, no Brasil, aquela que deveria ser uma competição espetacular, vira quase de segundo escalão.
A Copa do Brasil sem os times que estão na Libertadores perde muito. Chega a ser patético imaginar que o São Paulo, para ter o título inédito da Copa do Brasil, precisa dar um jeito de NÃO se classificar para a Libertadores.
Como comemorar uma conquista tão importante se você não enfrentou aqueles que, teoricamente, são os 5 melhores times do Brasil (no atual caso São Paulo, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Sport).
Como explicar que o Sport, atual campeão, não pode defender seu título, pois está agora em 'outro nível'.
Com todos os times na disputa, num país como o Brasil em que existem muito mais equipes de tradição do que nos europeus, a Copa do Brasil, desde antes das oitavas-de-final, já seria um campeonato de nível muito maiior do que a própria Libertadores, que na atual fase ainda reúne times como os fracos venezuelanos, por exemplo, em plenas quartas.
A CBF precisa dar um jeito de organizar o calendário e colocar todo mundo na Copa do Brasil, como era na época em que ela foi criada. Caso contrário, a Copa do Brasil seguirá sendo uma competição menor, um prêmio de consolação ou o 'caminho mais curto para a Libertadores'.
Para aqueles que gostam da 'desculpa' do calendário apertado, aqui vão alguns números interessantes.
Com o jogo de ontem, contra o Wigan, o Manchester United já completou 63 partidas na temporada 2008-2009. Vidic participou de 53 deles. Cristiano Ronaldo de 51 e Tevez de 49. Em oito meses. Ou seja, cada um deles jogou, em média, um jogo a cada 4 dias. Pelo clube apenas, diga-se, pois todos eles ainda defendem suas seleções nacionais.
Nunca vi nenhum deles reclamando. Pelo contrário, Cristiano Ronaldo deu um xilique no final de semana porque foi substituído e Tevez pediu para sair do time porque não é aproveitado como gostaria.
Quarta-feira, 13 Maio 09, 07:33 PM
Recomendo a leitura completa do post de Rodolfo Rodrigues, ex- Lance e Placar, e que mantém um blog no iG.
Rodolfo faz análises baseadas em números, nada de achismos. Muito legal ver o que estes dois goleiros já produziram ao longo da história da Libertadores.
Clique aqui para ler o post completo no Futebol em Números que compara, em Libertadores, Rogério Ceni e Marcos. De qualquer forma eu reproduzo aqui o quadro que dá base ao post.
Segunda-feira, 11 Maio 09, 05:49 PM
Eu sempre sou contra poupar jogador por poupar. Se estiver sentindo algo, se estiver fora de forma, se estiver indo para o sacrífio, claro, faz sentido. Caso contrário, normalmente, eu sempre acho que a sequência de jogos entrosa, dá ritmo e ajuda mais do que atrapalha. Ainda mais no futebol brasileiro onde as equipes são formadas de seis em seis meses.
Mas tem casos em que o 'poupar' pode ser bem interessante. Veja o caso do excelente técnico Mano Menezes na partida contra o Inter. Durante dois meses, só se falou do Inter. E com razão. O time está com um elenco tão bom, entrosado e voando, que será zebra (e decepção) se em novembro não for um dos clubes a disputar o título.
Já o Corinthians vinha com o peso da invencibilidade em casa nas costas. Viria, também, sem Ronaldo, seu 'decididor' de jogos desde que o bicho pegou pra valer (Paulistão e Copa do Brasil).
Fosse afoito, Mano Menezes escalaria seu time titular sem Ronaldo. Afinal, ganhar de um candidato ao título, em casa, é quase uma obrigação em campeonato de pontos corridos.
O problema é que uma eventual derrota para o Inter com o time titular sem Ronaldo, poderia causar um desgaste psicológico muito maior do que perder 3 pontos na rodada inicial do Brasileirão. Poderia deflorar um sentimento que já existe, mas ainda não tão declarado: a 'Ronaldo-dependência'. Ela chegaria com tudo na capa dos jornais e na cabeça dos esforçados jogadores do Corinthians, que certamente pensariam não ser capazes o suficiente.
Se era para 'perder', então, Mano Menezes deu o golpe de mestre. Não só poupou Ronaldo como poupou geral. Colocou o time reserva de vez e, de certa forma, desqualificou a vitória colorada. A ponto de 0 x 1 ter sido um resultado magro e, não fosse a pintura de Nilmar, hoje o comentário seria em geral o de Jean, que ao final da partida disse que 'o Inter não é tudo isso que tão falando'.
A manhã de hoje no treino do Corinthians não é de abatimento de William, Chicão, André Santos, Douglas, Jorge Henrique e etc. Eles não jogaram. Não se sentem menos do que ninguém. Ficam com aquele sentimento de que, caso estivessem todos em campo, poderiam vencer. No final das contas o Inter, poderoso, quase que não ganha do reserva do Corinthians.
Jogada de xadrez de Mano.
Já o Muricy...
Alguém tem alguma explicação para o Borges não ter começado jogando depois de tanto tempo que o São Paulo não joga partida alguma?
Segunda-feira, 04 Maio 09, 05:21 PM
- O Bicho papão do ano é o <strong>Barcelona</strong>. O único medo que dá é que depois de meter seis no Real Madrid no Bernabeu fique difícil manter a concentração (fica mesmo, vamos combinar). E aí o chatinho Chelsea sob comando do bruxo Hiddink pode conseguir uma das maiores zebras dos últimos anos da Champions League: eliminar o grande time do torneio.
- Afinal, o ano do Barcelona está ganho depois dessa humilhação pública em Madri. Mas que os deuses nos permitam a final <strong>Manchester United x Barcelona</strong> em Roma.
- Outro grande momento do futebol europeu no feriado. Ibrahimovic sendo vaiado pela própria torcida da Inter na partida contra a Lazio. Aí ele pega a bola, tira do zagueiro e bate para abrir o placar. Depois dá um passe primoroso para o segundo gol. Nos dois lances, mandou a torcida calar a boca sem dó. Está muito na cara que o sueco está de saída (Real Madrid?).
<strong>Por aqui</strong>
- Vamos voltar ao Brasil. Não sei se alguém reparou, mas surgiu um <strong>novo camisa 10 </strong>no futebol brasileiro. Eu tava com saudade já de ver um cara que pega a bola no meio e toca pra frente, na vertical e não faz passe de lado para os alas. Não é volante que sabe sair jogando nem atacante que vem buscar jogo. É o 10. Posição do Alex do Fenerbahçe, posição que a gente gostaria de ver o Ronaldinho jogar.
- Alguém sabe de quem eu estou falando? Paulo Henrique, o tal Ganso santista. O Neymar tem todos os holofotes mas, para mim, a grande revelação do Paulistão foi Paulo Henrique.
- E alguns vão dizer: 'mas ele erra muito passe'. Pois é, quem toca na frente, enfia a bola entre os zagueiros, tenta tabela pelos espaços mais apertados, erra mais passe mesmo. Quem toca de lado, realmente não erra passe. Volante e zagueiro dificilmente erra passe. <strong>Paulo Henrique</strong> cansou de colocar o Kleber Pereira na cara do gol nos dois jogos. Fora isso, lançou Triguinho, Neymar e mesmo Madson diversas vezes. Sabe receber a bola de costas para o gol e virar, ou vir com ela dominada.
- Mesmo assim, Paulo Henrique está longe de figurar ente os três melhores do torneio. É apenas uma grata surpresa que, perdendo um pouco mais a timidez, ganhando força, pode encher os olhos no Brasileirão.
<strong>Top 3 Paulistão</strong>
- Na terceira posição fica <strong>Madson</strong>. Não é um cracaço de bola, mas ninguém correu mais do que ele nas quatro últimas partidas (o Jorge Henrique chegou perto na corrida, mas não criou nem um terço do que o baixinho santista criou e decidiu). Chuta bem, dribla, vai para a linha de fundo, corre atrás do prejuízo. Dá gosto de ver.
- O segundo lugar é uma espécie de primeiro: <strong>Elias</strong>. O mais voluntarioso também. Não acho que seja um jogador de seleção ou algo do gênero (ao contrário de André Santos, que merece uma chance), mas acho Elias, além da cara do Corinthians, o retrato deste título.
- O primeiro não tem nem graça. Ronaldo nem precisou jogar o campeonato inteiro e muito menos fazer grande partida no jogo de volta para ganhar o prêmio. Acabou com o São Paulo no Morumbi e com o Santos na Vila. Fica devendo uma apresentação de gala no Pacaembu. Quem sabe já não acontece nesta quarta...
- Por falar em <strong>Atlético-PR</strong>, sei não viu? Campeão e terceiro colocados do paranaense precisam entrar bem espertos no Brasileirão, ainda que os dois tenham chances de classificação na Copa do Brasil (Coxa já classificado). Considerando o elenco e mesmo a campanha que os quatro grandes de São Paulo, os três do Rio, os dois do RS, o Cruzeiro, o Sport e até o Vitória fizeram na pré-temporada, a dupla atletiba entra em desvantagem, pelo menos aparentemente, para mais da metade dos clubes do torneio. Ou estou enganado?
- Falando em estaduais, que vexame o fogo no William, o campo lotado de gente e a pancadaria no Ba-Vi. Sem contar 'nosso amigo' Domingos...
- E o Botafogo... ai ai ai. Nem com reza brava.
- Por último, meus parabéns ao Avaí pelo título e a Chapecoense pela vaga na série D.
Segunda-feira, 27 Abril 09, 05:57 PM
A pergunta mais chata do futebol atual é: ‘o Ronaldo vai VOLTAR A SER aqueeeele Ronaldo, de 98 e de 2002?’
Quem ainda quer ver o Ronaldo de 98 e de 2002, por favor, sugiro um site muito bom, um tal de youtube. Entrando lá, dê buscas e mais buscas. Não falta Ronaldo de 98 e 2002 por lá para os saudosistas.
As pessoas estão tão preocupadas com esta pergunta que esquecem do Ronaldo de 2009. O Ronaldo do Corinthians (mas também de todas as torcidas) é outro Ronaldo. Um jogador que se reinventou em campo porque é inteligente e sabia que precisava fazê-lo.
Esqueçam a ladainha de ’sou Brasileiro e não desisto nunca’, Ronaldo é apenas um jogador muito acima da média de sua geração. Por isso, em campo, sempre encontra um jeito de se destacar. De fazer a diferença.
Se o gol dele contra o São Paulo, aquele pique, foi um resquício do Ronaldo do Cruzeiro, nos outros momentos todos, o novo Ronaldo, o 2009, é outra coisa. Ele, talvez pela primeira vez em toda a sua carreira, agora se preocupa em enxergar o jogo. Foi assim no passe para o gol no Morumbi semana passada, no cruzamento que deu na estreia contra o Palmeiras.
Se não tem a explosão ideal e um Zidane, Figo ou Rivaldo para meter a bola para ele, Ronaldo, ele mesmo, resolveu abrir os olhos e brincar de ver o que acontece no resto do campo.
Brinca bem, ele. No primeiro tempo, pegou uma bola na intermediária de seu próprio campo (local que o Ronaldo de 98 pouco ou quase nada frequentava), livrou-se do marcador e, de canhota, fez um lançamento de muitos metros que colocaria um dos esforçados ‘Joões’ que jogam ao seu lado na cara do gol.
Mas Fábio Costa, adiantado, como um líbero, saiu para afastar com os pés. O Ronaldo de 98 não sei o que faria, mas o de 2009 guardou a informação na cabeça. “Eu estava vendo que, em alguns lances, ele (Fábio Costa), ficava bem adiantado. Estava com isso na cabeça durante o jogo”, disse, após o jogo, o Ronaldo de 2009.
Deu no que deu, uma pintura de gol que, provavelmente, o Ronaldo de 1998 jamais faria. O Ronaldo de 98 e 2002 ainda não tinha a precisão de perna esquerda que tem a versão atual. E, para o de 98, era muito mais fácil ganhar na corrida, tirar do goleiro e marcar.
Pessoal, relaxa! Senta na cadeira, traga as crianças para a sala e assistam todos Ronaldo, versão 2009.
Domingo, 19 Abril 09, 12:37 AM
Você vai ler muito por aí que Diego Souza fez um papelão. Eu discordo em parte. O futebol tem que ser menos hipócrita. Não sei se Domingos foi instruído para tal, mas a verdade é que entrou e foi direto dizer algo no ouvido do Diego Souza, o melhor jogador do Palmeiras. Diego não fez nada e o juiz deu vermelho para os dois. Depois de expulso, Domingos (daquele tamanho) parecia 'sei-la-o-que' se jogando no chão, fazendo aquela cena ridícula e simulando uma agressão que não existiu. Um ator canastrão péssimo e ruim de bola.
Diego ficou revoltado e, digamos, com razão. Quem tem sangue na veia, fica mesmo revoltado com isso. Ainda mais sendo eliminado em casa por um time que já estava jogando muito melhor. Depois, da cabine, é muito fácil dizer que não podia fazer aquilo.
No final, Domingos tomou uma rasteira (e nem doeu). Diego vai pegar um gancho (pq merece, pela agressão, não tem jeito). Mas eu quero ver mesmo o juiz pegar um gancho por ter provocado tudo isso. E o Domingos, por mim, que não joga nem um décimo do que joga o Diego, podia ficar aí uns 3 anos sem aparecer nos gramados. Pela pataquada e por assumir que sua única contribuição ao time seria mesmo tirar na marra o melhor jogador adversário. Papelão. Resta saber se foi um papelão do Domingos ou um papelão do Santos. Senhores do tribunal, por favor, poupem-nos de Domingos e não de Diego.
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Em campo, o Santos deu um baile no Palmeiras. Ganso, Madson e Neymar é um trio muito bom de meio-de-campo para frente. Não acho que está pronto e acho que pode perder tanto de Corinthians (pela raça que o Corinthians vem mostrando) quanto do São Paulo (um time melhor mesmo que o Santos). Mas durante o ano, no Brasileirão, vai ser interessante de ver se eles engrenarem.
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O Palmeiras está abatido. Keirrison parece outro do começo da temporada. Longe, paradão, molenga. Kleiton Xavier fez muita falta. Mas a Libertadores segue prioridade no Palestra. O time pode se classificar ainda, mas precisa reverter essa vontade. Nem tanto para se classificar (porque acho que o Palmeiras classifica), mas sobretudo pelo adversário que pode vir a enfrentar (Boca, com melhor campanha até aqui, por exemplo).
On Um milhão em ação, 'pra frente Brasil', chupa Ashton Kutcher