Segunda-feira, 12 Julho 10, 09:50 AM
Quando Iniesta recebeu o passe de Fabregas e chutou cruzado a quatro minutos do final do segundo tempo da prorrogação e marcou o único gol da decisão da Copa do Mundo 2010, algo além das esperanças da Holanda conquistar seu primeiro Mundial morria ali.
Morria a possibilidade de um futebol com um mínimo de coragem e ofensividade conquistar uma Copa do Mundo.
Como é possível um time que enganou a todo mundo marcando oito gols em sete jogos de uma Copa do Mundo sair consagrado como campeão?
Como é possível um time ser campeão marcando metade dos gols do terceiro colocado, tendo o sexto melhor ataque e marcando menos gols do que o quinto e o sexto colocados, que jogaram duas partidas a menos?
A Copa do Mundo 2010 provou que é possível não apenas isso. Provou também ser possível um jogador da equipe quarta colocada ser o melhor da competição. Não que o uruguaio Diego Forlán não merecesse, mas foi uma vitória meio assim por W.O. seja lá o que isso signifique.
A vitória espanhola coroou o futebol medíocre, de toquinhos de lado, sem ousadia, sem coragem, sem riscos. Burocrático.
Fosse uma vitória da Holanda, as coisas não seriam tão melhores assim. Seria a vitória de uma equipe que fez nada menos que 126 faltas na competição. Uma média de 18 faltas por jogo. Uma a cada pouco mais de 5 minutos. Triste.
A partida final, um dos piores jogos de Copa do Mundo de todos os tempos, foi um reflexo desta triste realidade: de um lado, um time cauteloso, beirando o medo de atacar; do outro, uma equipe que só faltava bater na sombra e viu apenas o goleiro Skelenburg, o meia Sneijder e o atacante Kuyt, entre os titulares, não receberem amarelo. E o zagueiro Heitinga recebeu o segundo amarelo e foi expulso na prorrogação.
Jogo amarrado, soporífero, poucas chances claras, se arrastando até a prorrogação e quando os pênaltis eram uma realidade e um merecimento por proporcionar 120 minutos de um futebol covarde em todos os sentidos.
O gol de Iniesta (em impedimento na primeira tentativa de passe, feita por Fernando Torres), se por um lado fez justiça ao título para o time que jogou limpo, sacramentou de vez a era do futebol chato. Isso mesmo, chato.
É a tendência que deve seguir até a próxima Copa do Mundo no Brasil, quando um futebol ainda mais chato sairá vitorioso. Alguém duvida?
Domingo, 11 Julho 10, 07:57 AM
Se para uma equipe é uma sensação estranha jogar sua última partida na competição sem ser uma disputa de título, talvez para quem se mete a escrever sobre tal partida seja ainda mais complicado.
Pense bem, caro leitor: como seria para você voltar a campo três, quatro dias depois de sua equipe fracassar na partida que a levaria à disputa de título, aliás, título mundial?
Por essas e outras, o Autista conclui que a disputa de 3º lugar é muito mais importante para jogador ou jogadores do que para equipes em si. Um exemplo: a Croácia em 1998.
Por mais que, à época, fosse um país recém independente da Iugoslávia, a partida serviu muito mais para o atacante Davor Suker marcar seu sexto gol e se isolar na artilharia da Copa do Mundo do que para a Seleção da Croácia fincar sua bandeira no mundo futebol. É mais interessante ser lembrado por fazer o artilheiro do que ser terceira colocada, não?
Para Alemanha, uma tricampeã mundial que chegou querendo o tetra e Uruguai, a primeira grande potência do futebol, bicampeão mundial e há decadas adormecido que surpreendentemente chegou entre os quatro melhores, o que vale uma disputa de terceiro lugar.
Um doce para quem respondeu: porra nenhuma.
Aí é hora de Alemanha dar chance ao veterano goleiro reserva (fez com Butt em 2010 o mesmo que fez com Khan em 2006), escala outros substitutos e já começa a pensar no trabalho para a Copa seguinte.
O Uruguai, já que ressucitou mesmo, vai brigar pra ganhar. Mas não adianta ter um Forlán se matando lá na frente quando se tem um goleiro ruim como o Muslera. Chute de Schweinsteiger de fora da área, ele solta e Tomas Müller faz 1x0, seu quinto gol na Copa
Tudo bem que tem um Diego Perez, um cara que literalmente deu sangue pela equipe, pra roubar a bola de Schweinsteiger no meio-campo, tocar para Suárez (vaiado durante todo o jogo por causa da "mãozinha" no jogo das quartas-de-final contra Gana) que deixou Cavani livre para empatar.
Suárez, aliás, sentiu mesmo as vaias e abusou de perder gols.
Forlán, o gênio uruguaio, marcou um golaço de semi-voleio e virou o placar no início do segundo tempo. Seu quinto na Copa, empatando provisoriamente na artilharia com Müller e os finalistas Wesley Sneijder da Holanda e David Villa da Espanha.
Mas o goleiro Muslera tinha que entregar. E fez isso duas vezes, com o auxílio luxuoso de Diego Lugano. Jansen e Khedira empataram e viraram o jogo para os desinteressados alemães.
A oito segundos do final dos acréscimos, falta na entrada da área para Diego Forlán bater. O 10 uruguaio executa a cobrança de falta mais espetacular da Copa. E a bola vai no travessão. A Alemanha é terceira colocada.
Melhor seria o Uruguai vencer. Ao menos faria festa, ao contrário dos alemães, que mais pareciam participar de um enterro do que de um recebimento de medalha de terceiro colocado.
Agora é esperar quem vai fazer a maior das festas. Como esse espaço já se posicionou no texto anterior, que seja a Holanda.
Quarta-feira, 07 Julho 10, 05:57 PM
26'50'', Sergio Ramos faz uma falta de ataque em cima de Podolski. A primeira do jogo. E apenas mais quatro foram cometidas no primeiro tempo. No final do jogo um total de 16, 9 da Alemanha e 7 da Espanha. Nenhum cartão amarelo. Em plena semifinal de Copa do Mundo
Imagina-se um jogo corrido, emocionante, cheio de lances de perigo, já que aconteceram poucas paralisações, certo?
Nem tanto.
A Espanha fez o seu joguinho de toques para lá, para cá, esperando uma brecha que a Alemanha não costuma dar.
Já os jovens alemães sentiram o peso da ausência do suspenso Thomas Müller, o responsável pelos contra-ataques em velocidade da equipe. Sua alternância com as jogadas mais cadenciadas de Özil é uma das chaves do jogo alemão. Com Özil tendo o inútil Trochowski como parceiro no setor de criação, ficou muito difícil para o time de melhor ataque da Copa.
E a Espanha, com seus toques e mais toques que fazem a alegria dos babões que a aclamam como o melhor time do mundo deve ter feito o velho Nelson Rodrigues se estrebuchar no caixão. Como um time que só faz tocar a bola e quase não faz gols está a um jogo de ser campeão mundial, sendo o atual campeão europeu?
Voltando ao gênio absoluto da crônica futebolística, no seu texto "À Sombra dos Criolões em Flor", ele descreve a rasgação de seda de parte dos espectadores no Maracanã num Brasil x Inglaterra em 1969. Então campeã mundial, a Inglaterra arrancava suspiros a cada toque de lado, a cada recuada.
Não muito diferente dessa Espanha que eliminou a Alemanha. Mas não através dos seus toquezinhos inebriantes e entediantes. Foi com gol de zagueiro após escanteio.
Xavi se preparou para cobrar o corner. David Villa ficou na frente do goleiro Neuer, que o empurrou e não conseguiu sair do gol. Voltou, mas era tarde. Puyol acertou uma cabeçada indefensável. No primeiro tempo já tinha mandado uma por cima. Faltavam 17 minutos para o fim do jogo. A Alemanha foi para cima, mas a Espanha que teve chances de ampliar em contra-ataque. E só não fez 2x0 porque o preciosismo do garoto Pedro o impediu de tocar a bola para um Fernando Torres livre na frente do gol.
A Espanha chega à final da Copa do Mundo com 7 gols marcados, 5 pelo mesmo jogador, David Villa. Nem as medíocres Itália de 1994 (dependente de Roberto Baggio) e França de 2006 (dependente de Zidane) chegaram à decisão com ataques tão medíocres, pois marcaram um a mais. Para o bem do futebol foram vencidas, mas nos pênaltis.
Já a Espanha 2010, chega elogiada com um tal de futebol ofensivo que só os babões (e não são poucos) vêem. Que futebol ofensivo é esse que marca apenas 7 gols em 6 partidas? Que futebol é esse que precisa fazer 4 gols na última partida para igualar A PIOR MÉDIA DE GOLS DE UMA SELEÇÃO CAMPEÃ MUNDIAL, o Brasil de 1994 (11 gols em 7 jogos, média de 1,57 por partida).
Sem contar que se a Espanha, derrotada pela Suíça na estréia, vencer no tempo normal ou prorrogação, a Copa 2010 terminará com apenas uma equipe invicta: a Nova Zelândia, eliminada na primeira fase com três empates.
Se a final ficar no 0x0 após 120 minutos e a Espanha vencer nos pênaltis, o mundo conhecerá um campeão com média de um gol por jogo e derrota na estréia.
É esse o futebol que os babões, retranqueiros atrozes disfarçados de defensores, tanto exaltam.
É esse o futebol que queremos ver coroado na primeira final de Copa do Mundo sem Brasil, Itália, Alemanha ou Argentina?
Que vença a Holanda. Para o bem desse jogo chamado futebol.
PS: Na versão 2006 do Autista na Copa, o "futebol do futuro" foi comentado no post do jogo Portugal x França . Caso queira ir direto para os comentários, clique aqui.
Terça-feira, 06 Julho 10, 05:05 PM
Jogando absolutamente o mesmo futebol que apresentou durante toda a Copa do Mundo 2010, a Holanda conseguiu vaga a uma final de Copa do Mundo pela terceira vez.
36 anos após perder sua primeira final, parece que os holandeses aprenderam a receita do título que deixou escapar para Alemanha em 1974 e para a Argentina quatro anos depois: um time pragmático, de brilho isolado e com um ou dois jogadores capazes de decidir o jogo: nessa toada, venceu as oito partidas que fez nas eliminatórias e as seis que a levaram a decisão de 2010.
É verdade que contou com importantíssimos desfalques uruguaios na semifinal: Diego Lugano e Jorge Fucile fizeram muita falta na defesa e a ausência de Luiz Suárez no ataque sobrecarregou ainda mais Diego Forlán, que já vinha carregando o time nas costas.
Mas o gol que deu início à vitória laranja não teve nada a ver com os desfalques uruguaios. O veterano lateral-esquerdo Gio van Bronckhorst recebeu, avançou a 37 metros do gol e acertou uma paulada no ângulo. O golaço digno de parar o jogo, esvaziar o estádio e cobrar novo ingresso, antes dos 20 minutos de jogo.
Mas o Uruguai tem Forlán, que pouco depois dos 40 minutos também chutou de longe e contou com uma curva/desvio e empatou um jogo de poucas oportunidades de gol na etapa inicial.
O gol uruguaio fez a equipe voltar confiante para a etapa final, e os holandeses um tanto nervosos. Isso ficou evidente na saída estabanada fora da área do goleiro Stekelenburg, que deu uma chance incrível de Alvaro Pereira, que bateu de fraco de cobertura e o gol só não saiu porque van Bronckhorst estava atento e salvou de cabeça.
Jogo emocionante, mas sem brilho, com cara de prorrogação. Então a Holanda contou com a sorte para desempatar, em dois lances que escancaram a ausência dos titulares Lugano e Fucile na defesa uruguaia.
Sneijder, que já tinha mandado um chute de primeira completamente bisonho, recebeu dentro da área, achou um espaço entre um oceano de marcadores que só craque acha e chutou fraco. Mas um leve desvio e a presença do impedido van Persie confundiram o goleiro Muslera, que viu a bola morrer, mansinha, no seu canto esquerdo. O quinto gol do camisa 10 holandês na Copa.
Um gol que fez o Uruguai desmoronar. Três minutos depois, Kuyt cruzou certeiro para Robben acertar uma cabeçada ainda mais certeira. Holanda 3x1, 17 minutos para o jogo acabar.
Estava decidida a primeira semi-final, apesar de o gol de Maxi Pereira nos acréscimos dar mais alguns minutos de esperança aos uruguaios e aos adeptos do "soy sulamericano siempre", rancorosos do algoz brasileiro na Copa 2010.
Sim, rancorosos que "adotaram" o Uruguai para torcer contra a Holanda. Os mesmos que dizem que essa Holanda joga feio, fechada, como timinho. Fica a pergunta: salvo o Brasil em 1958 e 1970, que outra seleção venceu uma Copa dando espetáculo?
A Holanda, do futebol bonito, encantador e mágico, perdeu duas finais, foi eliminada nas quartas-de-final em 1994 e nas semi-finais de 1998 por um pragmático Brasil em ambas as oportunidades. Agora que aprendeu a receita para chegar a uma final de Copa do Mundo, é chamada de timeco por grande parte da torcida do timaço que ela eliminou para chegar na semi-final.
Vai entender esse povo pentacampeão mundial.
Domingo, 04 Julho 10, 11:23 AM
A badalação em cima da Espanha antes do início do Mundial da África do Sul é inversamente proporcional ao futebol apresentado na Copa 2010.
Contra o Paraguai, na partida previamente considerada a mais "baba" entre as que definiriam os semifinalistas da Copa, a Espanha sofreu para furar a retranca guarani. Mas sofreu muito. E correu grande risco de ser eliminada. Pelo Paraguai.
Por mais que o surpreendente Paraguai tenha mostrado um dos melhores sistemas defensivos da Copa do Mundo, quem tem uma dupla de meio-campistas como Iniesta e Xavi, também companheiros no Barcelona não pode, em circunstância alguma, ter dificuldade contra o Paraguai.
E olhe que o Paraguai teve um gol legítimo anulado (lance difícil, mas legítimo) no primeiro tempo. Primeiro tempo, aliás, que a Espanha foi engolida pela legítima marcação paraguaia.
O Paraguai teve a chance, aliás, A chance de vencer o jogo aos 15 do segundo tempo. Até ali o jogo era apenas mais um jogo ruim entre tantos da Copa 2010. Piqué fez um pênalti que seria ridículo numa pelada de intervalo de colégio, o que dizer numa Copa do Mundo?
E ao cobrar o pênalti mais importante da história do futebol paraguaio, o que Cardozo faz? Recua de maneira patética para Casillas.
No lance seguinte, pênalti para a Espanha. Xabi Alonso cobra bem, e faz. Mas o árbitro marca invasão da área, diferentemente da mesma infração que ocorrera de forma ainda mais flagrante no pênalti a favor do Paraguai.
Lá vai Xabi Alonso de novo e... o goleiro Villar defende, dá rebote e faz outro pênalti, solenemente ignorado pela péssima arbitragem.
Aí o jogo ficou maluco de vez, com um time dito bom contra um escancaradamente fraco mas jogando a partida de sua vida, apitado por um árbitro ainda mais fraco.
Xavi e Iniesta aramavam jogadas perigosas mas as chances apareciam apenas em falhas da horrível defesa paraguaia - que inexplicavelmente sofrera apenas um gol nas quatro partidas anteriores.
O Paraguai tentava sair do sufoco e ir ao ataque mas é aquela história, é o Paraguai, que teve a chance do pênalti e desperdiçou. Tinha cavado a própria cova ali.
Quando David Villa pegou o rebote do chute de Pedro na trave e chutou para marcar seu quinto gol na Copa 2010, o fato de a bola bater numa trave e depois noutra antes de entrar foi mero detalhe. A Espanha tem um time melhor, ao menos em relação ao Paraguai, que já fez história ao ficar entre os oito melhores do mundo.
Mas ser "apenas melhor que o Paraguai" é muito pouco para quem vai encarar a Alemanha na semifinal.
Para ler sobre o outro jogo do dia, clique no link Paraguai x Espanha
Domingo, 04 Julho 10, 09:57 AM
A dita e anunciada como mais equilibrada, imprevisível e espetacular partida das quartas-de-final da Copa do Mundo 2010 acabou se resumindo a um jogo de um time só.
Depois de aniquilar a Inglaterra nas oitavas-de-final, a pergunta recorrente envolvendo a renovada e multiétnica seleção alemã passou a ser: até onde esse time pode chegar?
Ao final dos 90 minutos da partida contra a Argentina, a resposta óbvia foi: ao título. Afinal, enfiar 4x0 na badalada Argentina numa partida de quartas-de-final de Copa do Mundo não é tarefa do acaso. Ao menos no caso da Alemanha.
Após chegar inesperadamente na final da Copa 2002 e terminar em terceiro na que sediou, a Alemanha apostou forte na renovação da equipe. Sofreu com baques envolvendo suicídio do goleiro titular, contusão de seu reserva imediato e outras lesões inclusive envolvendo seu capitão Ballack.
Ou seja, o próprio processo de renovação da equipe foi ainda mais acelerado. Melhor para a Alemanha.
Apesar de jovens os jogadores desenvolveram uma maturidade impressionante. Provocados pelo treinador adversário Diego Maradona, não entraram na polêmica, mas não baixaram a cabeça: responderam à altura nos microfones e resolveram tudo onde tem que resolver: no campo.
Foram, em parte, ajudados pela própria comissão técnica argentina, que manteve o time que vencera o fraco México. A Argentina quis enfrentar a Alemanha com três atacantes, dois volantes que não armavam e um meia (Di Maria) deslumbrado com uma transferência milionária para o Real Madrid.
Foi fatal, antes mesmo da partida começar. E quando começou, em menos de três minutos, lá estava Thomas Müller abrindo o placar de cabeça após uma falta cobrada por Schweinsteiger.
A Alemanha faz uma coisa que não se vê no futebol a pelo menos 30, 40 anos: chega a atacar com 7 jogadores: os dois volantes (Khedira e Schweinsteiger) marcam e saem para o ataque; os meias -armadores criam jogadas equilibrando e alternando a habilidade de Özil e a velocidade de Müller; O meia-atacante Podolski corre como um alucinado e chuta de onde estiver - raramente acerta, mas chuta; e Klose, bem, 14 gols em Copas do Mundo é mais do que suficiente para descrever; e ainda recebem o reforço do lateral-direito Philip Lahm, que também avança pela esquerda.
Na defesa, dois zagueiros altos e um lateral-esquerdo que não passa do meio-campo e é uma barreira no seu setor. Para o adversário só resta o lado-direito do campo alemão, que raramente está desguarnecido, pois Lahm só avança "na boa".
Com esse jogo dificílimo de ser contido e uma vantagem obtida cedo, os alemães proporcionaram uma aula de futebol ofensivo até a metade do segundo tempo. Depois disso foi só fazer um gol com Klose, outro com o zagueiro Friedrich (sim, até zagueiro fez gol) - em ambos, os anotadores estavam dentro da pequena área e com o gol vazio - e sacramentar a goleada com Klose no último minuto.
A Argentina, bem, a Argentina alegrou os argentinófobos demonstrando que só tinha batido em bêbado até então na Copa. Viraram piada mesmo e precisam abandonar de vez a obsessão por um novo Maradona - no campo de jogo, vale frisar - coisa que ferrou o futebol de Messi, apagado na partida e criticado por "não chamar para si a responsabilidade".
Deve haver uma maneira de bater essa Alemanha. Não vale citar como exemplo a derrota para a Sérvia na primeira fase, que foi puro acaso. Quem sabe a ausência de Müller na semifinal (tomou um cartão amarelo tão bobo quanto injusto por dominar, sem intençao alguma,uma bola com a mão) quebre o equilíbrio tático da equipe?
Quando a partida que separa a Alemanha do que seria sua oitava final de Copa começar, saber-se-á. Mas neste momento a Alemanha conseguiu transformar o que resta de torneio numa mera formalidade até o domingo 11 de julho em que conquistará seu quarta Copa do Mundo.
Será?
Sexta-feira, 02 Julho 10, 06:27 PM
Deuses do futebol, tenham piedade dos mortais que tentaram, tentam e tentarão transformar em palavras tudo aquilo que viram na partida Uruguai x Gana no Soccer City pelas quartas-de-final da Copa do Mundo 2010.
Um jogo desses não cabe em um texto. Nem em um livro. Nem em uma enciclopédia. Torna o futebol uma coisa insignificante, inócua.
O jogo nasceu histórico. Depois de salvar a primeira fase do fiasco absoluto para as equipes do continente sede, Gana estava a um jogo de ser a primeira equipe africana a avançar às semifinais de uma Copa do Mundo.
O Uruguai, renascido após anos e anos no mais profundo ostracismo ludopédico tinha quase um estádio inteiro contra eles. Mais que isso, tinha um continente inteiro. Viu seu capitão Diego Lugano deixar o campo machucado antes do final do primeiro tempo.
E antes do intervalo, no último lance da primeira etapa, Gana explodiu, o Soccer City explodiu, toda a África explodiu num único grito de gol proporcionado pelo chute de fora da área, meio despretensioso meio venenoso de Muntari.
Não existia time mais derrotado do que o Uruguai na descida para os vestiários do Soccer City. Mas quem calou a maior platéia já reunida em um estádio de futebol nunca, jamais poderá ser subestimado.
Mas o Uruguai tem Diego Forlán. Só existe um Diego Forlán, mas nem parece. Mais do que a equipe de Forlán, o Uruguai é uma equipe de Forláns, no plural. Todos os jogadores do Uruguai se chamam Diego Forlán e usam pseudônimos para não se confundirem em campo.
E foi ele, Forlán, numa cobrança de falta totalmente defensável, que empatou o jogo para o Uruguai. Qualquer outro que cobrasse a falta que Forlán cobrou, mesmo com a falha do goleiro ganense Kingson, não faria o gol. Somente ele, Forlán, poderia ter feito.
O jogo seguiu até o apito final sem mudança no placar. Começava a prorrogação e uma coisa era certa: sem substituições disponíveis, com uma resistência física comprometida, o Uruguai seria presa fácil para a velocidade de Gana.
Mas Gana também não tinha pique, e ainda assim pressionou. E nos últimos segundos da segunda etapa da prorrogação viu Luis Suárez tirar a bola em cima da linha.
Mas o Suárez não é atacante? Sim. O que ele estava fazendo em cima da linha de gol do Uruguai?
Dá uma idéia da pressão ganesa, e no rebote do mesmo lance, Suárez salvou em cima da linha. De novo. mas com a mão. Pênalti para Gana.
Asamoah Gyan, que já tinha marcado dois de pênalti na Copa, poderia chegar assumir a co-artilharia da Copa 2010 e entrar para a história ao marcar o gol da primeira classificação de uma seleção africana às semifinais de um Mundial de futebol.
No travessão. Suárez, expulso no lance do pênalti e em prantos a caminho dos vestiários, vê Gyan desperdiçar o pênalti. O crime, às vezes, compensa.
Na disputa de pênaltis, Forlán dá início. Convertendo sua cobrança, claro.
Gyan, minutos depois de chutar no travessão, manda no ângulo.
Victorino converte, Appiah também.
Scotti chuta toscamente no meio do gol e converte. Mensah tenta fazer o mesmo e Muslera defende.
Maxi Pereira perde e faz as esperanças de Gana renascerem para morrerem logo depois na cobrança fraca de Adiyiah.
Se Sebastian "El Loco" Abreu converter sua cobrança, põe o Uruguai nas semifinais. O camisa 13 caminha lentamente do meio-campo à marca do pênalti, ignorando os olhos do mundo inteiro sobre si. Ajeita, toma uma longa distância, corre até a bola, e cobra fraquinho, no meio do gol, com a cavadinha inventada pelo tcheco Antonín Panenka.
Loucura, irresponsabilidade ou coragem de Loco Abreu? Não interessa. O Uruguai está na semifinal. Os deuses do futebol não erram.
Para ler sobre o outro jogo do dia, clique no link Holanda x Brasil
Sexta-feira, 02 Julho 10, 11:48 AM
Estava na cara de todo mundo, desde a primeira rodada: todas as jogadas ofensivas da Holanda começam ou passam pelo camisa 10 Wesley Sneijder. Até um cego poderia perceber.
Mas com um gol aos 10 minutos de jogo, quando o Brasil massacrava a Holanda e já marcara um gol corretamente anulado, a coisa ficara fácil. E não existe nada mais traiçoeiro do que facilidade aparente em jogo de Copa do Mundo.
Quem, em são consciência, poderia imaginar um começo de jogo tão fácil para o Brasil. O gol de Robinho saiu após um passe cirúrgico de Felipe Melo (sim, o "grosso" da seleção) achando um buraco óbvio na defesa holandesa, que até ali só tinha sofrido gol de pênalti.
O descontrole dos laranjas ficou mais do que evidente. E o Brasil, jogando de usou, não soube aproveitar para cavar uma expulsão, aumentar a vantagem, essas coisas básicas e essenciais para triunfar em um jogo de Copa do Mundo. Apertou, pressionou, foi prejudicado pela arbitragem em alguns lances, mas não fez o que teve a oportunidade de fazer no primeiro tempo: matar o jogo
Quem viu Brasil x Holanda em 1994 e 1998, lembra do sufoco que foi para eliminá-los. Depois do intervalo, os holandeses mudaram completamente.
Mudaram? Não menos do que o Brasil, iludido com a impressão de jogo fácil no primeiro tempo. Bolas curtas, marcação frouxa... e uma falta desnecessária no lado esquerdo da defesa. Robben cobra para Sneijder, no bico da grande área, receber levantar a cabeça, preparar o cruzamento e...
... mandar direto para o gol. Não importa se Felipe Melo deu um leve toque antes de a bola morrer na rede. Aliás, nem o videotape convence o Autista de que Felipe Melo tenha raspado. Falhou o Julio Cesar, que saiu mal na bola.
Empatar o jogo antes dos oito minutos do segundo tempo era tudo o que os laranjas queriam. Ainda mais quando nenhum, repetindo NENHUM jogador brasileiro se manifestou no gol de empate. Nenhuma força para o Júlio Cesar, nem para o Felipe Melo. Ninguém indo buscar a bola no fundo do gol e acalmando o time, como Didi na final de 1958 ou como o maior capitão de todos os tempos, o uruguaio Obdulio Varela no Maracanã em 1950.
O Brasil perdeu o rumo com o empate. Ficou evidente no escanteio baixo que Kuyt raspou de cabeça para o lilliputiano Sneijeder cabecear, livre na pequena área e sem sequer sair do chão aos 22 minutos. Logo Sneijder, que provavelmente nunca marcara um gol de cabeça.
O time da jogada aérea provou do próprio veneno. E tomando gol de um baixinho que nem atacante é.
Aí virou desespero. Desnecessário, como todo desespero. E, oferecendo a própria cabeça aos milhões de críticos, Felipe Melo pisa no Robben e é expulso. Logo ele, que se gabava de jamais ter perdido um jogo pela Seleção Brasileira, não ficou até o fim do jogo.
Com um a mais no placar e no número de jogadores, a Holanda fez o que quis: trocou passes, esperou queo desepero brasileiro rendesse frutos, como rendeu, mas não os colheu - fizesse isso, a tristeza brasileira pela derrota de virada teria se tornado vexame com uma goleada. Mesmo com a Holanda praticando um futebol longe de ser brilhante.
E nem precisou disso. Mostrou apenas que cabeça (figurativa e literalmente) às vezes conta mais que qualquer outra coisa para vencer uma partida. Até quando o adversário é o Brasil.
E principalmente quando o Brasil joga um segundo tempo de envergonhar até o saudoso e glorioso Cruzeiro de Arapiraca.
Para ler sobre o outro jogo do dia, clique no link Uruguai x Gana
Quinta-feira, 01 Julho 10, 12:04 PM
Brasil x Holanda
Confronto que vai definir que equipe da Nike fica entre os quatro melhores da Copa 2010. Dois jogadores que seriam fundamentais para o Brasil na partida estão fora: Elano pela qualidade e Ramires pela situação. Explicando: Elano é o mais versátil dos meias brasileiros e Ramires seria o fator correria para quebrar o jogo holandês de posse de bola no meio-campo. Profecia maldita: arbitragem "compensar" o segundo gol de Luis Fabiano (levou no braço e o juiz viu) contra a Costa do Marfim e deixar o Robben fazer parecido.
Palpite Autista: vitória do Brasil nos pênaltis
Uruguai x Gana
Um time que não ficava entre os oito melhores desde 1970 contra o único africano que fez campanha decente. Confronto que decide quem da Puma (atual campeã mundial de marcas, com a Itália em 2006) fica entre os quatro melhores. Entre um sul-americano em recuperação e um representante do continente, o que é melhor para a Copa ($$$)? Além do mais, o cenário já é perfeito para um novo Maracanazzo (ou Mineirazzo ou Qualquercoisaemsãopaulazzo). O desejo Autista é latinoamerica forever (até em relação à Argentina, que na verdade é um país europeu), mas o palpite...
Palpite Autista: Gana vence por 2x1
Argentina x AlemanhaFeche os olhos e imagine o seguinte cenário: partida em 0x0, a Argentina faz um gol legítimo e a arbitragem anula alegando impedimento. Qual seria a reação argentina? Porrada, reclamação, invasão de campo e coisas do gênero. Agora imagine: Argentina vencendo por 2x1, a Alemanha chuta uma bola no travessão, ela bate no chão dentro do gol na distância de uma régua escolar e o juiz anula. Como os alemães reagiriam aos? Segue o jogo.Cada um à sua maneira foi favoreceido nas oitavas em lances iguais aos aqui descritos . Desejo Autista de que a Argentina passe e chegue à final para perder pro Brasil. Mas o palpite...
Palpite Autista: Alemanha vence de alguma maneira, seja lá qual for
Espanha x Paraguai
"Se a Espanha não vencer esta Copa, não vence nunca mais", disse um torcedor numa entrevista que foi ao ar na ESPN Brasil. Desejo autista que o Paraguai passe, mas cá entre nós, o pessoal da muamba já chegou às quartas-de-final de uma Copa do Mundo pela primeira vez e revelou a tal musa Larissa Riquelme e seus peitões. Já foi longe. Mas o desejo Autista é que o Paraguai complete a festa sul-americana (e dos tarados pela peituda paraguaia que prometeu ficar pelada se o Paraguai ficar entre os quatro) nas semifinais da Copa.
Palpite Autista: Espanha entre os quatro melhores da Copa pela primeira vez em 60 anos.
Podem cobrar
Terça-feira, 29 Junho 10, 04:17 PM
Espanha e Portugal chegaram prometendo fazer grandes campanhas e mostrar grande futebol na Copa do Mundo.
E o clássico da península ibérica já era previsto para as oitavas-de-final, visto que Portugal deveria terminar em segundo do grupo G (que tinha o Brasil, ora pois) e a Espanha em primeiro no H (e quase o Chile toma o posto).
Mas as previsões se confirmaram e as velhas potências da navegação entre os séculos XV e XVII, que tentam repetir no futebol as conquistas que suas embarcações conseguiram, se encontraram para uma partida que prometia ser uma das melhores da Copa.
Até a cidade parece ter sido escolhida a dedo pelos deuses do futebol: O Estádio Green Point na Cidade do Cabo, próxima ao tal do Cabo da Boa Esperança, ponto de encontro entre os oceanos Atlântico e Índico, que o português Bartolomeu Dias avistou e atravessou em 1488.
Mas o começo do jogo fez com que os portugueses se lembrassem do antigo nome do lugar: Cabo das Tormentas. Em seis minutos, três chutes perigosos de David Villa fizeram o goleiro lusitano Eduardo se sentir como os velhos marinheiros, trocando apenas os fortes ventos e canhões dos navios inimigos pela já mitológica Jabulani.
Depois desse início alucinante, a partida foi caiu numa entorpecedora morosidade. Vendo que os portugueses estavam bem fechados, a armada espanhola pareceu jogar as âncoras e esperar melhores ventos.
A atitude quase custou caro aos espanhóis, que viram seu goleiro Casillas soltar uma bola totalmente defensável chutada por Tiago e por pouco não complicar uma partida que estava sob controle.
E o jogo de estudos, de navegação sem riscos seguiu por todo o restante do primeiro tempo, com Portugal completando três jogos e meio sem sofrer gol na Copa 2010. E esperando pelo tal lampejo de genialidade luminosa e purpurinada de sua maior estrela, Cristiano Ronaldo.
É impressionante como um sujeito como o camisa 7 da seleção portuguesa sempre é citado mesmo quando não faz nada. Isso é que é marketing bem-feito.
E em meio a jogadas pouco objetivas de ambos os lados e Cristiano Ronaldo olhando para o telão do estádio sempre que era possível, saiu o gol. Numa rara jogada bem executada, Xavi passou de calcanhar para David Villa, impedido por 5 cm (ou seja, "em posição legal") chutou duas vezes para vencer o bom goleiro Eduardo e chegar ao seu quarto gol na Copa.
Foi o primeiro gol sofrido por Portugal na Copa. O suficiente para eliminar uma equipe que marcou sete numa única partida, contra a Coréia do Norte na segunda rodada.
Cerca de meia hora depois do gol, o apito final. Espanha classificada e Portugal nem tão triste assim: pior seria ter que fazer o caminho de volta de Bartolomeu Dias e passar pelo Cabo da Boa Esperança em um dia de Tormentas. No século XXI, eles voltam de avião, para alegria de Cristiano Ronaldo & Cia.
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On Final - Holanda 0x1 Espanha - A noite em que a Copa do Mundo morreu