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Em busca do tempo perdido

Quinta-feira, 08 Novembro 07, 04:48 PM

Pois é, andei um tempão sem escrever por aqui. Mas nesse meio tempo, pouca coisa mudou. O Arsenal continua líder, continua invicto e sem tomar gols na Champions League. Enfrentou adversários mais difíceis, como Manchester United e Liverpool, empatou com ambos, um em casa e outro fora, em disputados jogos.

Teve lesão mais grave de um jogador essencial (Robin Van Persie), teve ascensão de uma promessa (Theo Walcott), teve rumor de saída de jogadores importantes, como Adebayor e Gilberto Silva. Teve a manutenção definitiva de Almunia no gol, teve umas alfinetadas de Lehmann em Arsenal Wenger, e teve Fabregas mantendo o altíssimo nível de seu futebol.

Teve goleada de 7 a 0 com vários golaços sobre o Slavia Prague em Londres, igualando o recorde da história recente da Champions League. E teve quebra desse recorde, anteontem, pelo Liverpool, que por pura inveja, e com gols bem mais feios, resolveu meter 8 a 0 no Besiktas.

Falando em Champions League, os Gunners já estão com 10 pontos e garantidos nas oitavas-de-final. Pelo menos é o que dizem, pois não entendi essa matemática, afinal tanto o Sevilla, em segundo com 9 pontos, e o Slavia, em terceiro com 4 pontos e uma vitória, ainda têm condições de alcançar o Arsenal. Deve ser algum critério de desempate que eu não estou informado.

Em relação à Premiership, a primeira posição já tem concorrentes mais próximos, já que o próprio Manchester United fez 27 pontos e igualou a pontuação (apesar de ter um jogo a mais), e tanto Liverpool como o Chelsea parecem ter engrenado de vez. Os azuis já estão em quarto lugar, enquanto os vermelhos ainda estão em sétimo, mas na ascendente e também com um jogo a menos que a maioria.

Quem talvez tenha degringolado é o Manchester City, que apanhou de 6 a 0 do Chelsea. Ainda está bem na tabela e tal, mas uma goleada desse naipe já desqualifica o time como um concorrente ao título. Pelo menos é o que diz uma teoria, minha mesmo, de que time que leva goleada maior que 4 a 0 não é time pra ser campeão.

Claro, não dá pra deixar de falar no Tottenham, que não consegue sair do buraco. Sobrou pro Martin Jol, que perdeu o emprego durante o jogo contra o Getafe pela Copa da Uefa, no qual o seu time perdeu em casa. Pra ocupar a vaga, os Spurs resolveram dar uma ajudinha ao Arsenal e pretende criar janelas também para a contratação de técnicos, da mesma forma que acontece com os jogadores. Nossos rivais amargam a 17o. na tabela da Premiership, só uma posição acima da zona de rebaixamento.

O próximo compromisso do Arsenal é na segunda-feira, contra o Reading, fora de casa. O Reading é um time encardidinho quando joga em seu campo, então deve ser um jogo complicado. O jogo vai passar ao vivo às 18h00 em um dos canais da ESPN no Brasil.

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Estourando uma bolha (West Ham 0x1 Arsenal)

Terça-feira, 02 Outubro 07, 06:27 PM

A cada novo teste, novo êxito. E segue a pergunta: até onde esse time pode chegar? O teste da vez foi o West Ham, time também de Londres, tradicional algoz, que ano passado venceu o Arsenal tanto no Upton Park como em Ashburton Grove.

Por sinal, foi o último time a derrotar o Arsenal em jogos oficiais, o único a derrotar no novo estádio e o último a derrotar em Highbury (ufa!).

O jogo não foi a mesma maravilha que os anteriores. O Arsenal marcou cedo, com Van Persie, mas sofreu pra segurar o resultado. O fez se defendendo bem, e tentando manter a posse de bola, coisa que conseguiu por um bom tempo.

O West Ham chegou a marcar um gol, com o bom e velho Ljungberg. Mas foi anulado, já que o ex-jogador do Arsenal estava impedido, no entendimento do bandeira. O lance foi bem polêmico e confesso que tive que vê-lo algumas vezes pra não chegar a nenhuma conclusão. Mas, enfim...

Falando no Ljungberg, mais três jogadores do West Ham já passaram pelo Arsenal: Luis Boa Morte, o cara com um dos nomes mais assustadores do futebol, jogou em Highbury entre 1997 e 1999. Matthew Upson começou a jogou por lá no mesmo ano e só deixou o Arsenal em 2003. O goleiro reserva Richard Wright também teve uma passagem por Highbury em 2001 e 2002. Todos, menos Wright, jogaram no sábado.

O Arsenal segue líder, invicto e isolado, com um jogo a menos e 19 pontos, dois a mais que o Manchester United e três a mais que o Man City. O Liverpool tem também sete jogos, como o Arsenal, e também está invicto. Mas está com apenas 15 pontos, na quarta colocação.

Enfrenta hoje (daqui a pouco, por sinal) o Steaua Bucareste, na Romênia, pela Liga dos Campeões.

Blowing Bubbles

O West Ham, apesar do nome, é sediado no leste de Londres. Seu grande rival, portanto, não é nenhum time do norte (Arsenal ou Tottenham) ou do oeste (Chelsea ou Fulham), mas sim da mesma região da cidade: é o Millwall, time que fica do outro lado do rio Tâmisa e que hoje está na terceira divisão (League One).

Por causa da diferença nas divisões, o derby do leste de Londres ocorre muito de vez em quando, em alguma copa inglesa. A segurança pública agradece. Isso porque, quando o jogo ocorre, o nível de violência na região tende a aumentar consideravelmente, já que ambas as torcidas, além de rivais, são famosas por não terem membros não muito amigáveis.

No filme Green Street Hooligans, com Elijah Wood, dá pra ter uma boa idéia do que é essa rivalidade. Apesar da primeira cena ser de uma briga dos Hammers com torcedores do Tottenham, os maiores inimigos mesmo são o pessoal do Millwall.

A canção 'oficial' da torcida, I'm Forever Blowing Bubbles, sempre cantada com empolgação em Upton Park, também pode ser ouvida no filme. Quem quiser torcer pro West Ham, obrigatoriamente tem que saber cantar a tal música.

Academia

Assim como o Palmeiras já foi conhecido aqui, o West Ham tem também a sua fama de ser uma academia de futebol. Não à toa. De lá saiu e fez carreira por mais de 15 anos o ícone Bobby Moore, campeão mundial pela seleção inglesa em 1966 e considerado por muitos o maior jogador inglês de todos os tempos.

O conhecido Paul Ince também é cria do West Ham, assim como os mais atuais Rio Ferdinand, Joe Cole e Frank Lampard. Todos eles são nomes certos na seleção da Inglaterra.

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Sem nenhum respeito ao Derby

Segunda-feira, 24 Setembro 07, 09:39 PM

Nem o mais otimista torcedor dos Gunners esperava um começo de temporada tão bom pro Arsenal. O time já se mantém na liderança isolada por duas rodadas seguidas, à frente dos dois times de Manchester, o United e o City, que têm um jogo a mais. O Liverpool, quarto colocado e com os mesmos 6 jogos que o Arsenal, está 4 pontos atrás.

Claro que é cedo pra pensar em títulos, mas de qualquer forma o desempenho do time é um alívio pra quem se achava apreensivo com a saída de Henry e a contratação de alguns poucos ilustres desconhecidos. E quando falo de desempenho, não me refiro à pontuação, ou colocação na tabela. Falo em desempenho dentro de campo mesmo. O time tem feito ótimas apresentações, principalmente nos jogos em casa.

É bom lembrar, diga-se de passagem, que o Arsenal jogou muito mais em casa do que fora nesse início de temporada (pela Premiership, foram 4 em casa e 2 fora).

Mas, de qualquer forma, o time achou um padrão de jogo, comandado pelo Fabregas, que tem jogado demais. Adebayor, ex-parceiro e agora substituto de Henry, continua perdendo gols mas tem conseguido tantas chances que sempre acaba convertendo alguma.

Sábado, a vítima foi o lanterna Derby County, time que já tinha perdido de goleada do Liverpool (6 a 0), mas que na penúltima rodada tinha vencido em casa o hoje quinto colocado Newcastle. Mas o popular Derby, pelo jeito, não tem força alguma fora de seus domínios. O Arsenal dominou o jogo todo e os gols vieram naturalmente. O primeiro foi um golaço de Diaby. Fabregas também deixou sua marca, como vem sendo comum de uns tempos pra cá. Os outros três gols foram do Adebayor. Hat trick do togolês, e 5 a 0 pro Arsenal.

O próximo compromisso já é amanhã, em Londres, contra o Newcastle United. O jogo é pela Copa da Liga Inglesa (a Carling Cup), e Arséne Wenger já avisou que irá poupar o time titular. No gol, Fabianski deve estrear pelo Arsenal em jogos oficiais. O atacente Bendtner, mais Traoré, Diarra, Denilson, Eduardo, Hoyte e Song também estão relacionados. Não que isso faça alguma diferença aqui no Brasil, mas os ingressos para o jogo estão esgotados.

Sobre os derbys

Cumprindo a tradição, vou falar um pouco sobre o tradicionalíssimo time do Derby County e de sua cidade, Derby, na região de East Midlands, na Inglaterra.

Não precisa ser nenhum lexicologista pra deduzir a relação entre o nome da cidade e o nome usado mundialmente para definir os derbies, clássicos do futebol. Apesar de haver controvérsias (derby também batiza uma das corridas de cavalo mais importantes do mundo, a Epsom Derby, criada em 1780 pelo 12o. Duque de Derby), na dúvida vou ficar com a versão menos aristocrática e mais próxima do futebol, que achei na Wikipedia. E que não deixa também de fazer sentido. Conto a seguir.

Consta que, naquela região da Inglaterra, era comum, desde a década de 12, a realização de um jogo anual, batizado de Shrovetide Football. Apesar de ser mais tradicional na cidade de Ashbourne, também acontecia em Derby. O jogo de Ashbourne acontece até hoje, e funciona mais ou menos assim: começa às 2 da tarde e vai até as 10 da noite, durante dois dias. Jogam o lado norte contra o lado sul da cidade.

Cada gol fica em uma região, distantes 3 milhas um do outro. O objetivo é como no futebol, ou seja, marcar um gol no adversário, e quando isso acontece, o jogo acaba. Gol que na verdade é uma pedra, na qual o atacante tem que bater com a bola três vezes seguidas.

Mas a coisa não é tão fácil, já que são centenas de jogadores. A disputa pela bola lembra mais o rugby, só que com centenas de pessoas tentando ganhar território na base do empurra-empurra. Pra ter uma idéia da confusão, as lojas têm que ficar fechadas e a prefeitura orienta turistas para que não estacionem seus carros na região toda.



(video) Se em 2007 já foi essa zona, imagina como era há 500 anos atrás...

Segundo o que está na Wikipedia, não há muitas regras. As que existem chegam a ser hilárias:

- é proibido matar, ou cometer violência desnecessária contra o adversário (ou contra o companheiro do time também, por que não poderia acontecer?);

- a bola não pode ser carregada em veículos motorizados (será que de bicicleta pode?), nem levada dentro de malas, casacos ou afins;

- cemitérios, áreas de igrejas e memoriais municipais não fazem parte da área de jogo;

- é proibido jogar depois das 10 da noite.

E só. Quanto ao Shrovetide de Derby, que teria batizado os clássicos de futebol, não existe mais. Mas no tópico sobre Derby, também na Wikipedia, tem alguma coisa sobre:

 Era conhecido como um jogo caótico e exuberante que envolvia a cidade inteira e frequentemente terminava em mortes. Os gols ficavam em Nuns Mill, ao norte, e em Gallows Bank, ao sul da cidade, e a maioria das ações aconteciam no rio Derwent ou nos banhados de Markeaton. Oficialmente, os jogadores vinham das paróquias de All Saints e St. Peter, mas na prática o jogo era aberto a todos, chegando a ter até mil jogadores. Um francês que assistiu ao jogo em 1829 escreveu horrorizado: 'se os ingleses chamam isso de jogo, é impossível dizer o que eles chamam de briga'. 

O time do Derby County teve sua última fase áurea na década de 70, quando venceu o Campeonato Inglês por duas vezes, em 1971-72 e 1974-75. Ironicamente, seu maior rival dessa época, com quem o time poderia jogar um legítimo derby, não era local: era o Leeds United, que também teve grande fase nessa década e jogava meio no estilo Dick Vigarista.

Os derbies de East Midlands, que em tese são os mais legítimos do mundo, envolvem o próprio County, o Leicester City e o Nottingham Forest - esses dois últimos, por sinal, foram os times que protagonizaram uma cena recente de fair play, na qual o Leicester(*) deixou o goleiro do Nottingham marcar um gol no início do jogo, para que começasse com o mesmo placar da partida anterior, interrompida depois do zagueiro Clive Clarke, do Leicester, ter um ataque cardíaco. O maior exemplo, dado pelos prováveis pais dos derbies, que os clássicos de hoje têm que ser bem mais pacíficos que os de antigamente.

* em tempo: ao contrário do que vi muito jornalista pronunciar nos jornais daqui, Leicester não se pronuncia 'lêicester', nem 'leicéster', nem 'láicester'. Se pronuncia 'lester' ou, no sotaque inglês, 'lestah'. Mais de cinco anos de Cultura Inglesa têm que servir pra alguma coisa...

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Temos um freguês no Norte de Londres...

Terça-feira, 18 Setembro 07, 04:40 PM

Passou o feriado e eu acabei deixando o blog de lado. Mas nada mais estimulante pra voltar a escrever do que a vitória num clássico contra o maior rival e a consequente liderança isolada, mesmo com um jogo a menos que muitos.

O Arsenal fez um segundo tempo impecável contra o Tottenham, virou o jogo que perdia no primeiro tempo (injustamente até, talvez o empate fosse mais justo até o intervalo) e calou 90% do estádio de White Hart Lane, no clássico do norte de Londres.

Fabregas deu show, participando dos três gols. E só confirma que é hoje o maior nome do time. É o cara que comanda o ritmo, que quando joga, faz o time jogar. Levantou a bola em cobrança de falta pro Adebayor fazer o gol de empate de cabeça, deu um chute espetacular do meio da rua, encobrindo o irregular goleiro Robinson depois de vê-lo um pouco adiantado, e novamente assistiu Adebayor pra ele finalizar o jogo com um golaço.

O jovem time do Arséne mostra que além de muita qualidade, tem maturidade, sabe controlar um jogo difícil quando lhe é exigido, e prova que Arsenal Wenger não exagerava tanto assim quando dizia que os Gunners iriam, sim, lutar pelo título da Premieship. No fim das contas, Henry não tem feito tanta falta.

Amanhã o jogo é pela Champions League, contra o Sevilla. A ESPN vai passar o VT à noite. Mas não sei se vou aguentar ficar sem pelo menos acompanhar ao vivo em algum site.

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Elementar...

Domingo, 02 Setembro 07, 04:02 AM

O 'embate' de amanhã cedo (9h30), pela Premiership, é contra o Portsmouth F.C., time do litoral sul da Inglaterra, que apesar de bem antigo (fundado em 1898), tem pouca tradição na primeira divisão. Mas tem se mantido na Premiership desde a temporada 2003-04, e levando-se em conta seu desempenho no último ano (chegou em 9o.), pode-se dizer que é um time em ascenção.

Essa ascenção deve-se muito às boas contratações recentes. O time tem em seu elenco jogadores como Sol Campbell (ex -Tottenham e Arsenal) e nomes conhecidos, como Traoré, Lauren (ex-Arsenal também) e Bouba Diop, todos africanos, todos de países diferentes.

Sem falar no grande Kanu, aquele mesmo, que ganhou ouro com a Nigéria nas Olimpíadas de Atlanta, jogou no Ajax, na Inter de Milão, teve sérios problemas do coração (assunto atualíssimo hoje), os superou e ainda jogou muita bola, por 5 anos, no Arsenal. Definitivamente, um cara que eu respeito pra caramba.

Do lado do Arsenal, desfalques dos jogos anteriores continuam fora: Eboue, Gallas, Sagna e Lehmann. Hleb, doente não se sabe de quê, também é dúvida.

Tenho falado de assuntos off-topic antes de cada jogo, destacando algum fato bacana do time adversário ou da cidade. Nos jogos anteriores falei mais de música. Hoje, ao fuçar na Wikipedia sobre Portsmouth, não achei nada relevante na música. Achei, porém, na literatura: H.G. Wells, autor de A Máquina do Tempo e Guerra dos Mundos, entre outros, e considerado por muitos como o maior nome e um dos pais da ficção científica, viveu lá na década de 1880.

Outro habitante ilustre - que morou por lá na mesma época, por sinal - foi Arthur Conan Doyle, o 'pai' de Sherlock Holmes. Depois de se formar em Medicina, Doyle foi a Portsmouth trabalhar. Como não tinha muitos pacientes lá, preenchia seu tempo escrevendo. Então, muito provavelmente, o detetive mais famoso da literatura foi concebido nessa cidadezinha litorânea do sul da Inglaterra. 

Além de escritor, Conan Doyle foi, segundo reza a lenda, goleiro. A.C. Smith, como era chamado em campo, jogou num time amador da cidade, o Portsmouth Athletic Football Club. Pela semelhança no nome, muitos pensam que Doyle jogou no Portsmouth F.C. Mas tratam-se de times diferentes.

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Arsenal 1x0 Manchester City

Sábado, 25 Agosto 07, 05:27 PM

E derrubamos dois invictos de uma vez só. Primeiro, o goleiro Kasper Schmeichel - de apenas 20 anos, filho do lendário Peter Schmeichel -, que já estava há quase quatro jogos sem levar gol. E segundo, o Manchester City, que tinha ganho as três partidas que tinha jogado até agora (uma delas contra o Manchester United).

O jogo teve praticamente um só panorama. O Arsenal atacava, o City se segurava lá atrás, ameaçando com uns pouco perigosos contra-ataques. Porém, com o tempo passando, a máxima do 'quem não faz, toma' assombrava cada vez mais.

Pior ainda, aos 65', depois que um pênalti em Hleb não foi convertido em gol por Van Persie, que cobrou mal e permitiu a defesa com o pé de Schmeichel. 'Por quanto tempo esse guri vai continuar invicto?'. Era o que me passava pela cabeça no momento. Com certeza muito torcedor do Arsenal pensava igual.

Mas a perda do pênalti, ao contrário do que acontece muito no futebol, não desanimou o Arsenal, nem ao menos empolgou o City. Os Gunners continuaram em cima, com mais força até.

Só que naquela altura, era claro que o Arsenal precisava de sangue novo em campo. Mas Wenger demorou quase mais 10 minutos pra tirar Adebayor e colocar o brasileiro-croata Eduardo da Silva (pois é, Adebayor jogou, assim como Gilberto Silva, que foi relacionado hoje ainda depois que Senderos teve que ser cortado por contusão).

Eis que, cinco minutos depois, aos 79', a máxima do 'quem não faz, toma' deu lugar àquela da 'água mole em pedra dura'. Hleb, que vem jogando muito bem, fez boa jogada pela direita, entrou na área e tocou pro Fabregas, que encheu o pé e matou o goleiro. Gol muito comemorado, não sem motivos.

O jogo continuou com o Arsenal mais tranquilo, e o City sem muitas forças pra reagir. No lance de maior perigo, já nos descontos, Schmeichel (!) quase marcou de cabeça, depois de um cruzamento de escanteio. A bola foi defendida por Almunia, que por sinal foi tranquilo durante todo o jogo, sem direito às fortes emoções que o Lehmann vinha proporcionando.

Além de Hleb e Fabregas, destaco também as atuações dos brasileiros Denilson e Gilberto. O primeiro entrou aos 18' no lugar de Sagna, contundido e, como sempre, jogou com bastante personalidade e raça. O segundo jogou na zaga ao lado de Touré, e mostrou que se garante muito bem também naquela posição.

Enfim, uma vitória magra, mas merecida. Continuamos invictos, com um jogo a menos que muitos e 7 pontos ganhos. Que venham agora o Sparta Praga, pela Champions League no meio da semana, e o Portsmouth, de novo em casa, no domingo, às 9h30 da manhã.

Arsenal Almunia, Sagna (Denilson), G. Silva, Toure, Clichy, Hleb, Fabregas, Flamini, Rosicky, Adebayor (Eduardo), Van Persie (Song Billong)

Man City Schmeichel, Corluka, Dunne, Richards, Garrido, Ireland (Ball), Hamann, Johnson, Petrov, Elano (Geovanni), Mpenza (Bianchi)

Mais detalhes aqui

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Os novos-ricos da Premiership

Sexta-feira, 24 Agosto 07, 11:30 PM

Realmente ficou difícil sustentar Lehmann como titular. Não era bom continuar arriscando, ainda mais com um jogo em casa. E quando o adversário é o novo-rico Manchester City , que ganhou as três partidas que jogou até agora, sem sofrer nenhum gol - marca que apenas 10 times tinham conseguido antes na divisão principal da Inglaterra.

O City seria o rival natural do Manchester United na segunda cidade mais importante da Inglaterra. Mas, dada a pouca expressão do primeiro, e a proximidade da cidade com Liverpool, os diabos vermelhos adotaram como grande rival o time da cidade dos Beatles. Tem-se ainda que, décadas atrás, era comum que os fãs de futebol da cidade de Manchester torcessem para os dois times, coisa rara de acontecer, mesmo antigamente. Então a rivalidade não é muito tradicional.

A pouca expressão do time em campo, porém, não reflete nas arquibancadas. O City normalmente fica entre as seis maiores médias de público da Inglaterra. Público que se acomoda no belo estádio Cidade de Manchester.

Já que falei de rock semana passada, e não resisti a falar dos Beatles agora de novo, e já que mencionei a torcida do City, não dá pra deixar de falar nos dois mais ilustres torcedores do time: Noel e Liam Gallagher, do Oasis.

Aquela expressão 'tem coisas que só acontecem com o Botafogo' tem equivalente entre a torcida do City. Não sem motivo: é o único time até agora que ganhou o título inglês e caiu pra segunda divisão logo na temporada seguinte; foi o único time a vencer o Chelsea na temporada 2004-05, ao mesmo tempo em que era eliminado da FA Cup pelo obscuro Oldham Athletic, da terceira divisão.

Outra curiosidade, que vale o registro agora em meio à polêmica do caso Richarlyson: o City foi o primeiro clube de futebol a receber o título de empregador amigável aos gays. A eleição foi de um grupo ativista inglês.

O que tem atraído mais atenção ao clube, porém, é seu novo dono, Thaksin Shinawatra, que já foi também primeiro-ministro da Tailândia. Ele vive cercado de polêmicas: recentemente teve suas contas bloqueadas pelo governo militar daquele país, por ser acusado de corrupção. Isso sem falar nas acusações de violação de direitos humanos, restrições à liberdade de expressão, entre outras coisas.

Mas a realidade é que, exilado em Londres, assim como Roman Abramovic, Shinawatra resolveu usar parte de sua fortuna para comprar um time de futebol. E comprou 75% do Manchester City, o que lhe deu direito a ter total controle sobre o clube. De cara, contratou a preço de ouro o técnico Sven-Goran Eriksson. De jogadores, levou pra lá os brasileiros Elano e Geovani, entre outros nomes bem valorizados.

As contratações deram resultado nas três primeiras rodadas. Mas o campeonato é longo e o time ainda tem que mostrar muito futebol se quiser algo mais do que uma classificação pra Copa da Uefa, que é provavelmente a única vaga que tem chances reais de ganhar.

Do lado do Arsenal, Lehmann, como já disse, não joga. Em seu lugar, entra Almunia. A faixa de capitão, antes de Gallas - que também não joga -, é agora de Touré. Gilberto, Adebayor e Eboué também não jogam. O jogo é em Ashburton Grove (E. Stadium), às 11 da manhã de sábado.

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Blackburn 1x1 Arsenal

Sexta-feira, 24 Agosto 07, 10:32 PM

O resultado em Blackburn, domingo passado, acabou sendo tão frustrante que acabei nem me empolgando pra postar sobre o jogo aqui. Bem, um empate de 1 a 1 fora de casa contra um bom time não deveria ser motivo pra frustração. Mas foram as tais circunstâncias do jogo que me levaram a ficar decepcionado.

Isso porque o jogo vinha difícil, com muita correria e alguma pancadaria (como era de se esperar). Eis que o Arsenal achou um gol, aos 18 minutos, com Van Persie, e ia segurando os ímpetos dos Rovers ao longo de todo o jogo. Mas um chute ruim de David Dunn, aos 72 minutos, acabou nas redes por causa de um frango do Lehmann.

O goleiro do Arsenal já acumulou dois erros bizarros em dois jogos da Premier League. E por mais que os jogadores declarem que não o culpam, é óbvio que a insegurança tende a aumentar. Tanto que durante essa semana Arsenal Wenger arranjou uma desculpa de lesão e o sacou do time, para dar lugar a Almunia. Falo mais disso no próximo post.

Falando em lesão, o capitão William Gallas acabou se machucando (lesão no músculo adutor da coxa), teve que ser substituído e volta só em três semanas. Senderos entrou em seu lugar. E com o zagueiro suíço em campo, sempre há garantia de emoção.

Ah, obviamente houve expulsão. Coisa que não podia deixar de ter num Arsenal x Blackburn. O premiado foi Nelsen, aos 84 minutos, após duas entradas violentas, a primeira em Van Persie (que por pouco não foi expulso também um tempo depois), que lhe rendeu o amarelo e a segunda em Bendtner, resultando no vermelho. Mais quatro jogadores de cada time acabaram amarelados, um número meio alto para o padrão inglês, onde os árbitros gostam de advertir verbalmente várias vezes antes de aplicar o cartão.

Num time que poucos confiam por ser jovem demais, foi novamente o jogador mais velho que falhou...

Blackburn Brad Friedel, Ryan Nelsen, Christopher Samba, Stephen Warnock, David Bentley, David Dunn, Brett Emerton, Morten Gamst Pedersen, Robbie Savage, Matt Derbyshire (Andre Ooijer), Roque Santa Cruz (Benni McCarthy).

Arsenal Jens Lehmann, Gael Clichy, William Gallas (Philippe Senderos), Bacary Sagna, Kolo Toure, Cesc Fabregas, Mathieu Flamini, Alex Hleb, Eduardo Da Silva (Pereira Neves Denilson), Theo Walcott (Nicklas Bendtner), Robin van Persie.

Gols Van Persie (18') e Dunn (82').

Mais sobre o jogo aqui.

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Arsenal, Blackburn Rovers e os Beatles

Quinta-feira, 16 Agosto 07, 10:21 PM

Esse fim de semana (domingo às 11h, não sei ainda se passa ao vivo) tem jogo pela Premier League contra os carniceiros do Blackburn Rovers, nossos algozes da FA Cup passada. O jogo será no Ewood Park, em Blackburn, cidade que fica em Lancashire, perto de Manchester e Liverpool. Aliás, essa região é a que mais concentra times na primeira divisão inglesa.

Pra quem ouve Beatles, uma curiosidade: Blackburn (a cidade) é citada na ótima música (uma das melhores deles pra mim) A Day In The Life, que fecha o lendário álbum Sgt. Peppers (que por sua vez fez 40 anos de lançamento em junho agora) com um também famosíssimo acorde - um mi maior - tocado por três pianos, a quatro mãos, e mantido por quase um minuto (bati meu recorde de parênteses e adjetivos nessa frase). Muitos dizem que esse gran finale é o mais famoso do rock.

Os fãs dos Beatles certamente conhecem os versos "I read the news today oh boy / Four thousand holes in Blackburn, Lancashire / And though the holes were rather small / They had to count them all / Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall", que foram inspirados numa notícia que Lennon viu no Daily Mail, dando conta dos planos de Blackburn para preencher os 4 mil buracos de suas ruas...

Para o jogo de domingo, é provável que o brasileiro-croata Eduardo da Silva faça sua estréia em jogos oficiais. Denilson também está recuperado, mas deve ficar no banco. Gilberto e Adebayor continuam fora, o primeiro até setembro provavelmente.

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Arsenal x Fulham - começou a Premier League

Domingo, 12 Agosto 07, 08:41 PM

Depois da saída de Henry (entre outros), muita especulação a respeito de contratações e até a cogitação sobre uma possível saída de Arséne Wenger, começou oficialmente a temporada 2007/08 pro Arsenal.

O jogo, contra um adversário local, o Fulham, rival tradicional do Chelsea, time que normalmente luta mais para se manter na primeira divisão do que para conseguir algo maior.

O time que começou jogando não foi ao todo muito estranho aos olhos dos torcedores: Lehmann, Clichy, Touré, Gallas, Flamini, Eboué, Fabregas, Rosicky, Hleb e Van Persie estavam entre os titulares. De novo, só o - pra variar - francês Bacary Sagna, como lateral direito. E com um cabelo deveras ridículo...

O esquema de jogo, sem muitas novidades também. A não ser por Eboué estar no meio, em vez de na lateral direita ou na zaga central, como também já chegou a jogar. No ataque, só Van Persie, acompanhado por chegadas eventuais do Rosicky ou do Hleb.

Mas mesmo com tanta gente lá atrás, o time tinha uma dificuldade tremenda na saída de bola. Isso ficou evidente já no primeiro minuto, quando Gallas, apertado, recuou para Lehmann, que quis devolver de primeira mas fez uma lambança, se enrolou com a bola e a devolveu no pé do estreante Healy, que só botou pra dentro e fez 1 a 0 pro Fulham.

O jogo continuou morno. O Arsenal procurou não se desesperar, mas em compensação jogava como se ainda tivesse 0 a 0. Bom pro Fulham, que assim cozinhou o jogo até o fim do primeiro tempo.

Mas o time deve ter levado uma sacudida de Wenger no vestiário, porque voltou mais objetivo e organizado. Mesmo assim, as tentativas, quando perigosas, paravam nas mãos do goleiro Warner, escalado de última hora e certamente o melhor homem do Fulham em campo.

Aos 62 minutos, Eboué deu lugar a Walcott, que deu mais ofensividade no setor direito do ataque. E 10 minutos depois, Rosicky, um dos mais acionados até então, deu lugar ao estreante Bendtner. O atacante dinamarquês trouxe mais volume ao ataque, pouco objetivo tendo só Van Persie isolado.

O lapso de ousadia de Wenger deu resultado. Quando a estréia em casa parecia caminhar para uma derrota para um time pouco expressivo, Touré foi ao ataque e conseguiu um pênalti - existente, mas bastante contestado pelo pessoal do Fulham. Van Persie cobrou bem e fez o gol de empate, a essa altura já merecido.

O gol injetou ânimo ao time, que foi de vez pra cima. E, na melhor tradição Gunner dos 'last gasp goals' - feitiço que ultimamente vinha virando contra os feiticeiros -, o habilidoso Hleb recebeu no mano-a-mano dentro da área, limpou a jogada e chutou no contrapé do goleiro, selando a virada. Uma virada, por fim, merecida.

Concluindo: falta ainda poder de fogo ao Arsenal. Com Henry longe e Adebayor machucado, ficar só com Van Persie no ataque ainda é pouco. E as novas apostas pro ataque, Bendtner e Eduardo da Silva, ainda são incógnitas. Mas espera-se que o time deva ganhar mais confiança ao longo das rodadas.

Uma briga pelo título da Premiership será difícil, por mais que Wenger diga confiar nesse objetivo - mais me parece discurso pra animar o time e a torcida do que outra coisa. Mas brigar de novo por vaga na Champions League não é sonhar alto demais.

Falando em Champions League, tem jogo nessa quarta, contra o Sparta Praga, primeiro time do Rosicky. Se o Arsenal quer ir longe, tem que mostrar um futebol mais consistente que o que mostrou hoje. Senão, é melhor que saia logo e vá tentar a sorte na Copa da Uefa. Lá, teríamos uma chance muito maior de sair com um título.

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